Criança brasileira

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por Luciene Martins Tanaka

As pessoas não nascem com os sentimentos, nascem com uma predisposição, um
potencial para desenvolvê-los e tomar consciência deles na sua história de
desenvolvimento, em função do contato que a pessoa tem com seu ambiente social. Uma pessoa isolada, ou que se desenvolveu numa comunidade verbal limitada, terá um grau de consciência menor sobre os seus sentimentos. Quanto menos palavras existirem para nomear sentimentos e quanto menos elaboradas forem as condições para ensinar uma criança a nomeá-los, menos a criança discriminará seus sentimentos.

Exemplo de vida. Nunca é tarde para realizar um sonho

médica aos 40

por Nara Narciso
Hoje, onze de maio é aniversário da minha mãe Maria Milena Narciso Cruz. Nascida em 1934, estaria fazendo 79 anos, mas nos deixou há dez anos, três meses e treze dias. A gente aprende, ainda que sob protestos, a viver sem quem nos deu a vida e nos ensinou boa parte do que sabemos e fazemos. A minha mãe foi uma espécie de heroína que se tornou médica aos 40 anos e mudou a sua vida e a nossa. Na foto, linda, no esplendor dos seus quinze anos. Eu tenho fotos dela em três pontos da minha casa, inclusive essa que publico. Saudades!
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O título é do redator do blogue. In Literário, o filósofo Pedro J. Bondaczuk apresenta: Nara Narciso, Médica endocrinologista, jornalista profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, ambos de Montes Claros, e autora do livro “Segurando a Hiperatividade”.

O tema morte é sempre evitado. Existem poucos livros de medicina, de psicologia, inclusive filosofia sobre a morte, que parece exclusividade da teologia. Transcrevo artigo de Nara Narciso:

 
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“Desesperar jamais”! (Ivan Lins)

Por Mara Narciso

As grandes perdas, as imensas lacunas naturalmente levam a pessoa ao desespero. Quando se perde a esperança, o dicionário não tem palavras necessárias para descrever o que se sente. A palavra dor é a primeira que vem à mente, seguida de adjetivos hiperbólicos. Outros substantivos aparecem amarrados ao desespero como pavor, outro bem graduado em termos de sofrimento.

Para que falar de desespero se diz o ditado que “a esperança é a última que morre”? Ele chega depois da morte, quando tudo já terminou, mas ainda é preciso passar pelo calvário dos mortos-vivos. Alguém ou alguma coisa se foi para sempre, e a vontade é sair por aí andando, andando, sem destino, e vai mesmo, com o olhar perdido, em total desamparo buscando algo que não existe mais, ou que não vai voltar nunca mais.

Desespero é um buraco sem fundo, um abismo, uma escuridão, um inferno. É estar solto no ar, com as pernas correndo no vácuo. A dilaceração percorre o corpo e para no coração, o destrói e depois corre pelos braços e pernas, rasgando suas carnes. Nesta fase, não há como escapar, mas é a única vontade que se tem: fugir de si mesmo, ficar fora da realidade, torcer para que seja um pesadelo e que se possa acordar.

Caso a dor persistisse na sua força inicial, levaria o sofredor à morte, mas a natureza tem recursos e a agonia vai abrandando, até se tornar suportável. As defesas são disparadas, a mente lança mão de recursos mentais, de ferramentas psíquicas, e a sobrevivência torna-se possível. Mas o sofrimento psicológico pode ser eterno.

O que dizem os amigos, quando a eles se recorre para chorar em busca de uma palavra de conforto, de esperança? Bem intencionados, falam palavras soltas ao vento, frases prontas, que se não atrapalham, pouco ajudam. A intenção é consolar, mas nas perdas sem medidas, nada adianta. A ferida sangrante vai formando seu coágulo, a sangria vai se estancando, depois, num processo inflamatório ocorre a granulação, e pouco a pouco, com a lentidão dos males do amor, a ferida se fecha. A cicatriz jamais se apaga.

A insônia faz o sofrimento ser mais atroz. É preciso vivê-lo momento a momento, sem intervalo, até amadurecê-lo. Quando as forças já se esgotaram, a cabeça aprende a suportar, e a vida continua, porém, esburacada e sem luz.

Que tipo de perdas leva ao desespero? O campeão hors concours é a morte de um filho, especialmente em morte trágica. Para isso não tem remédio nem conserto, só lágrimas. A perda por morte de outras pessoas, pai e mãe, ou outros parentes e amigos tem seu poder destruidor. A perda de um amor, o simples abandono ou a troca da sua pessoa por outra rende livros, filmes e textos. Perdas materiais podem levar ao desespero, visto em rede nacional quando há enchentes, seca, incêndios, terremotos ou outros fenômenos.

Há essa triste mania humana de juntar pessoas e coisas ao seu redor, tolamente pensando que aquilo, coisa e gente, podem pertencer a alguém. Estamos de passagem, e pagam-se caro pela ingenuidade quando o bem ou pessoa desaparece, restando nada, e quando muito, uma lembrança que, se no caso de gente pode consolar, no caso de coisa atormenta.

Outro gosto humano é se acostumar com situações privilegiadas e quando vem a perder a condição, cair em desespero. Entra aí poder, fama, dinheiro, beleza física, juventude, força, tudo misturado. Outra fonte de sofrimento é a perda da saúde, da autonomia, da independência, com destaque para o aparecimento de invalidez física ou mental. As perdas poderão ser súbitas nuns casos e lentas noutros, mas ainda assim, privações e dores. Pior é quando se perde pássaros no ar, ilusões, algo que poderia ser seu e nem chega a sê-lo: uma conquista amorosa, o título de um campeonato ou de beleza, uma vitória eleitoral. Mesmo com altos investimentos, essas dores menores entram como frustração e não chegam a desespero.

O sal, desde os tempos imemoriais, cura feridas. A salmoura arde, desinfeta, estimula a cicatrização, impede infecções e reabilita. É por isso que as lágrimas salgadas aliviam. À medida que o choro molha a face, vai lavando a ferida da alma, e o buraco fundo vai ficando raso, a dor se ameniza, aparece a luz e a esperança retorna. O sofrimento fica guardado, escondido num canto. Como seres adaptáveis, aqueles que têm o privilégio da sabedoria aprendem logo a viver, atingem rápido esse estágio, acham outros derivativos e novas razões para continuar. Levantam e andam em busca do seu destino.

Espanha. TV afirma que rezar calma la ansiedad de los parados

desemprego baixos salários governo indignados

 

“Según los psicólogos acercarse a un altar puede calmar la ansiedad tras perder un trabajo o por el temor a perderlo”. Así presentó el pasado martes la conductora del Telediario 2 de Televisión Española, Marta Jaumandreu, un reportaje sobre los católicos que se encomiendan a los santos para pedirles soluciones contra la crisis.

El equipo de TVE visita una parroquia de Barcelona donde los fieles rezan a San Expedito, santo de las causas urgentes. Es entonces cuando la voz en off del reportaje –emitido en horario de máxima audiencia (a partir del minuto 51.20)- afirma que “aunque los psicólogos dicen que rezar es como cruzar los dedos, la única diferencia es que poner una vela tiene un efecto balsámico”.

A continuación, aparece un psicólogo argentino, Guillermo Mattioli, que afirma que “la ceremonia de poner una vela, hincar la rodilla o hacer una pregaria” no es una cuestión de “desesperación” sino que tiene “un efecto retractivo“.

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Anatomía del miedo

Pasó el 2012 y el mundo no se acabó: ¿ahora qué? Esa misma incertidumbre sobrevoló el sitio Edge.org cuando convocó a sus miembros para responder, como todos los años, una misma pregunta. Así fue como algunas de las mentes científicas, artísticas y periodísticas más brillantes dedicadas a pensar el mundo enfrentaron el gran interrogante posterior al apocalipsis que no fue: “¿A qué deberíamos temer en los próximos años?”. Tal como viene haciendo año tras año, Radar seleccionó y tradujo las mejores (y más aterradoras) respuestas: del fin del individuo y la enajenación tecnológica a los misterios de la mente y los riesgos de vivir demasiado.

O Grito, por Edvard Munch
O Grito, por Edvard Munch

Por Carlos Silber

 

De todo el arsenal de emociones que nos invaden y moldean –y al hacerlo nos definen como seres humanos–, el miedo es la que más paraliza. O destruye. Como alguna vez escribió el filósofo español José Antonio Marina, uno de los hilos que trenzan la historia de la humanidad es el continuo afán por desterrarlo, una constante búsqueda de la seguridad tanto afuera como dentro de nuestras mentes, de nuestro cuerpo. “El día que yo nací, mi madre parió dos gemelos: yo y mi miedo”, escribió el temeroso de Thomas Hobbes, quien rastreó en esta sensación el origen del Estado. Para Soren Kierkegaard, en cambio, se trataba de una enfermedad mortal, pariente cercana de la angustia y la desesperación.

No hace falta ser muy perspicaz para ubicar en este sentimiento contagioso el epicentro de cualquier religión, el nervio doliente que empuja a millones de personas a los dientes de metal de aquella trampa que es la superstición.

Así y todo, el poder del miedo afecta tanto a individuos como a sociedades. Las preocupaciones de una época funcionan como un termómetro que en lugar de registrar la temperatura corporal cuantifica lo inasible: lo que se sabe, lo que se desconoce, aquello que se respeta y al mismo tiempo se teme en un momento dado. Hace unos treinta años, el gran miedo mundial estaba encarnado en dos palabras: “La Bomba”. Hace casi medio siglo, en cambio, la amenaza era roja: el comunismo. Y antes, si rebobinamos aún más la Historia, estaban el nazismo, los anarquistas, las epidemias, las plagas, las hambrunas, las guerras, las persecuciones religiosas.

El siglo XXI, desde ya, no avanza desnudo de problemas, malos tragos y complicaciones que, como monstruos invisibles, esperan agazapados para saltar desde debajo de la cama. En este caso, la cuestión no es en sí que existan sino saber anticiparlos –animarse a agacharse y ver–, como se apresuraron a hacer 155 científicos, escritores, cineastas, músicos, periodistas y filósofos en respuesta a la pregunta que cada año lanza el sitio Edge.org, aquella ágora virtual en donde se mezclan, dialogan y comparten opiniones las ciencias exactas y las humanidades.

“¿De qué deberíamos preocuparnos?”, fue el catalizador de este año, el anzuelo. Y muchos picaron. La física teórica Lisa Randall, por ejemplo, teme que se acabe la época de los grandes experimentos, en vista de las cada vez más filosas tijeras presupuestarias. Al historiador de la ciencia George Dyson lo inquieta que un día de éstos se rompa Internet. El editor Tim O’Reilly –uno de los impulsores del software libre– ve con malos ojos el ascenso del anti-intelectualismo. Están también a los que les preocupan tanto las prácticas eugenésicas chinas como que nunca logremos entender los fenómenos cuánticos, la exportación del concepto de mente enferma desde Estados Unidos, el colapso del sistema de publicación científica a través de papers, que la ciencia no logre curar el cáncer, la hiperconectividad y la virtualización total de la vida, el crecimiento de una “ansiedad mórbida” y de un mundo cada vez más sintético.

Como hace año tras año, Radar seleccionó las mejores respuestas, las preocupaciones más asoladoras. Sin miedo y sin que tiemble el pulso.

SUBNOTAS

Seis sessões para aprender a fazer sexo

por Mafalda Santos

as sessões

Na calha dos óscares, hoje decidi falar de um tema que é abordado por um dos filmes que ainda se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas e que levou a que Helen Hunt tivesse sido nomeada, este ano, para melhor atriz secundária pela Academia: Seis Sessões ou “The Sessions”, no título original.

“Seis sessões” conta a história verídica do jornalista, poeta e escritor Mark O’Brien, que em criança contraiu poliomielite e que, derivado disso, ficou paralisado até ao resto da sua vida. Mark, apesar de paralisado e condenado a uma maca e a um “pulmão de ferro” que lhe garantia o oxigénio necessário à sua sobrevivência, tinha – à semelhança do comum dos mortais – desejos sexuais que, derivado do seu estado e condição física, não eram satisfeitos ou resolvidos. Por isso, aos 38 anos e ainda virgem, decidiu recorrer a uma terapeuta sexual para o ajudar a ultrapassar esta situação, garantir-lhe confiança enquanto ser sexual ativo e ir até onde nunca ninguém tinha ido.

O filme é uma história comovente, divertida e bastante humana de uma questão que é tudo menos pacífica: as “surrogates” (título original em inglês), que se assumem como terapeutas sexuais e que ajudam a ultrapassar os mais variados traumas, a descobrir o corpo e a permitir que muitos homens em condições físicas adversas (e não só), obtenham o prazer e a confiança de tirar partido e satisfação da experiência sexual plena.

Mas isso não é o que uma vulgar prostituta também faz, perguntam muitos de vocês? Haverá quem diga que sim e há quem diga que não, pelo menos assim defendem estas terapeutas sexuais que, nos Estados Unidos, têm um código de ética e uma Associação Profissional regulada.

Terapeuta ou prostituta? As opiniões dividem-se.

Há diferenças entre uma terapeuta sexual (surrogate) e uma prostituta – e embora a profissão seja polémica e existam códigos de conduta – a verdade é que há estados norte-americanos que não a aprovam e permitem. A linha que divide esta atividade pode ser ténue e confusa para muitos, ficando sempre uma certa indecisão sobre o que acontece entre quatro paredes, mas para estas terapeutas sexuais, o foco da questão não é o sexo, mas sim a familiaridade e a intimidade criada com o paciente, levando-o a quebrar os seus próprios preconceitos e barreiras. Não se procura o prazer pelo simples prazer. Procura-se ultrapassar problemas, aprender, libertar fantasmas e ajudar a que estes homens, no futuro, consigam – com base nos conselhos recebidos – ter uma vida sexual normal e satisfatória com as suas companheiras sem recorrer a mais nenhuma terapia sexual. E isso, tanto se adequa a um deficiente ou paraplégico que não sabe como iniciar a sua vida sexual ou o que fazer, por total ausência de contacto físico nesse sentido, como a um homem perfeitamente normal que viva assombrado pelo medo de não proporcionar prazer.

A terapia também se paga… e bem!

Na Europa não há equiparação possível. Não há cá “surrogates” que valham aos nossos deficientes ou aos nossos homens que tenham problemas sexuais e necessitem de ajuda. Ou resolvem a coisa com psicoterapia e eventuais tentativas de erro, ou estão entregues à sua própria sorte. A profissão “terapeuta sexual” não existe nem é reconhecida e tudo o que recorra a serviços que envolvam sexo pelo meio e que são pagos, só há uma catalogação possível: prostituição.

Voltando ao filme “Seis Sessões” e ao papel interpretado por Helen Hunt – que deu vida à terapeuta sexual (ou surrogate) Cheryl Cohen Greene – hoje com 68 anos e ainda em exercício das suas funções, a mesma refere; “Necessitamos de um parceiro para resolver a maior parte dos nossos problemas sexuais e para os homens solteiros e sem companheira, isso é um enorme problema.”

A senhora Greene, que permaneceu amiga do escritor Mark O’Brien até à morte do mesmo em 1999, continua casada com um “maravilhoso e compreensivo companheiro”, segundo palavras da mesma, podendo lucrar por ano, mais de 50 mil dólares. O preço das consultas ronda os 300 dólares e tem a duração de 2 horas, não ultrapassando em número, as seis sessões. Geralmente é na sexta e última sessão que ocorre penetração e, por regra, não existe mais contacto físico ou presencial. O objetivo não é tornar a terapia recorrente, como se fossemos ao psicólogo ou fidelizar clientes. O objetivo é dar-lhes as ferramentas para, a partir daqui, dependerem de si próprios.

E se a senhora Greene foi uma percursora deste tipo de terapia, hoje podemos dizer que o preço dos seus serviços até é bastante em conta e com um grande desconto, pois há surrogates a cobrar entre 3.000 e 5.000 dólares por sessões de duas horas e com um número mínimo que variam entre as 12 e as 15, ou seja, mais do dobro que as praticadas pela senhora Greene.

Caso para dizer que, como em tudo na vida, a quantidade nem sempre significa qualidade do serviço.