Encurtemos as distâncias entre o salário mínimo e o salário dos desembargadores, dos coronéis da PM, dos senadores, entre um favelado e um banqueiro, entre os palácios e favelas

justiça social Amorim

Essa distância o papa Francisco vem mostrando nos sermões.

No Brasil as desigualdades são cruéis. Pastores, com seus palacetes e aviões de luxo, pregam o fanatismo religioso. É difícil neste mundo cruel ser cristão, pregar o amor, que apenas existem – ensinou Jesus – dois mandamentos que é um só: amar a Deus e amar o próximo.

Não existe justiça social nos despejos judiciários. Não existe amor em uma sociedade que convive com o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e 500 mil prostitutas infantis.

Os governantes apenas trabalham pelos empresários financiadores de campanhas eleitorais. Nada se faz que preste para o povo. O Rio de Janeiro possui 1 mil e 100 favelas. São Paulo, 2 mil 627 favelas.

Jesus-prega-ao-povo

Aproximar-se das pessoas marginalizadas, encurtar as distâncias até chegar a tocá-las sem ter medo de se sujar: eis a «proximidade cristã» que nos mostrou concretamente Jesus libertando o leproso da impureza da doença e também da exclusão social. A cada cristão, à Igreja inteira, o Papa pediu que tenha uma atitude de «proximidade»; fê-lo durante a missa na manhã de sexta-feira, 26 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta. A próxima celebração está prevista para terça-feira 1 de Setembro.

«Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam»: Francisco iniciou a homilia repetindo precisamente as primeiras palavras do Evangelho de Mateus (8, 1-4) proposto pela liturgia. E toda aquela multidão, explicou, «tinha ouvido as suas catequeses: ficaram maravilhados porque falava “com autoridade”, não como os doutores da lei» que eles estavam habituados a ouvir. «Ficaram maravilhados», especifica o Evangelho.

Portanto, precisamente «estas pessoas» começaram a seguir Jesus sem se cansar de o ouvir. A ponto que, recordou o Papa, elas «permaneceram o dia inteiro e, por fim, os apóstolos» deram-se conta de que tinham certamente fome. Mas « para eles ouvir Jesus era motivo de alegria». E assim «quando Jesus terminou de falar, desceu do monte e as pessoas seguiam-no» reunindo-se «em volta dele». Aquela gente, recordou, «ia pelas estradas, pelos caminhos, com Jesus».

Contudo, «havia também outras pessoas que não o seguiam: observavam-no de longe, com curiosidade», perguntando-se: «Mas quem é ele?». Aliás, explicou Francisco, «não tinham ouvido as catequeses que tanto surpreendiam». E assim havia «pessoas que olhavam da calçada» e «outras que não podiam aproximar-se: era-lhes proibido pela lei, porque eram «impuros». Precisamente entre elas estava o leproso do qual fala Mateus no Evangelho.

«Este leproso – realçou o Papa – sentia no coração o desejo de se aproximar de Jesus: tomou coragem e aproximou-se». Mas «era um marginalizado», e portanto «não podia fazê-lo». Porém, «tinha fé naquele homem, tomou coragem e aproximou-se», dirigindo-lhe «simplesmente o seu pedido: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”». Disse assim «porque era “impuro”». Com efeito, «a lepra era uma condenação definitiva». E «curar um leproso era tão difícil quanto ressuscitar um morto: por esta razão eram marginalizados, estavam todos ali, não podiam misturar-se com as pessoas».

Porém havia, prosseguiu Francisco, «também os automarginalizados, os doutores da lei que olhavam sempre com aquele desejo de pôr Jesus à prova para o fazer cair e depois condenar». Ao contrário, o leproso sabia que era «impuro, doente, e aproximou-se». E «o que fez Jesus?», questionou-se o Papa. Não ficou parado, sem o tocar, mas aproximou-se ainda mais e estendeu-lhe a mão curando-o.

«Proximidade», explicou o Pontífice, é uma «palavra tão importante: não se pode construir comunidades a sem proximidade; não se pode fazer a paz sem a proximidade; não se pode fazer o bem sem se aproximar». Na realidade, Jesus poderia ter-lhe dito: «Que tu sejas curado!». Ao contrário, aproximou-se dele e tocou-o. «Mais ainda: no momento em que Jesus tocou o impuro, tornou-se impuro». E «este é o mistério de Jesus: assumir as nossas sujidades, as nossas impuridades».

É uma realidade, prosseguiu o Papa, que são Paulo explica bem quando escreve: «Sendo igual a Deus, não considerou esta divindade um bem irrenunciável; aniquilou-se a si mesmo». E, em seguida, Paulo vai além afirmando que «se fez pecado»: Jesus tornou-se ele mesmo pecado, Jesus excluiu-se, assumiu a impureza para se aproximar do homem. Por conseguinte, «não considerou um bem irrenunciável ser igual a Deus», mas «aniquilou-se, aproximou-se, fez-se pecado e impuro».

«Muitas vezes penso – confidenciou Francisco – que é, não quero dizer impossível, mas muito difícil fazer o bem sem sujar as mãos». E «Jesus sujou-se» com a sua «proximidade». Mas depois, narra Mateus, foi inclusive além, dizendo ao homem libertado da doença: «Vai ter com os sacerdotes e faz aquilo que se deve fazer quando um leproso é curado».

Em síntese, «aquele que estava excluído da vida social, Jesus inclui-o: inclui-o na Igreja, inclui-o na sociedade». Recomenda-lhe: «Vai para que todas as coisas sejam como devem ser». Portanto, «Jesus nunca marginaliza, nunca!». Aliás, Jesus «marginalizou-se a si mesmo para incluir os marginalizados, para nos incluir a nós, pecadores, marginalizados, na sua vida». E «isto é bom», comentou o Pontífice.

Quantas pessoas seguiram Jesus naquele momento e seguem Jesus na história porque ficaram maravilhadas com o seu modo de falar», realçou Francisco. E «quantas pessoas observam de longe e não compreendem, não estão interessadas; quantas pessoas observam de longe mas com um coração maldoso, a fim de pôr Jesus à prova, para o criticar e condenar». E, ainda, «quantas pessoas observam de longe porque não têm a coragem que teve» aquele leproso, «mas desejariam muito aproximar-se». E «naquele caso Jesus estendeu a mão primeiro; não como neste caso, mas no seu ser estendeu-nos a mão a todos, tornando-se um de nós, como nós: pecador como nós mas sem pecado; mas pecador, sujo com os nossos pecados». E «esta é a proximidade cristã».

«Palavra bonita, a da proximidade, para cada um de nós», prosseguiu o Papa. Sugerindo que nos questionemos: «Mas sei aproximar-me? Eu tenho a força, a coragem de tocar os marginalizados?». E «também para a Igreja, as paróquias, as comunidades, os consagrados, os bispos, os sacerdotes, todos», é bom responder a esta pergunta: «Tenho a coragem de me aproximar ou me distancio sempre? Tenho a coragem de encurtar as distâncias, como fez Jesus?».

E «agora no altar», sublinhou Francisco, Jesus «aproximar-se-á de nós: encurtará as distâncias». Portanto, «peçamos-lhe esta graça: Senhor, que eu não tenha medo de me aproximar dos necessitados, dos que se vêem ou daqueles que têm as chagas escondidas». Esta, concluiu, é «a graça de me aproximar».

Saad Murtadha
Saad Murtadha

Socialite, filha do vice do Itaú orgulha-se de fazer “corinho” com rima no Itaquerão

por Fernando Brito

 

 

polícia banqueiro poder protesto

Em sociedade, dizia o antológico Ibrahim Sued, tudo se sabe.

Ainda mais nestes tempos de “redes sociais”.

Pois uma socialite de nome Maria Imaculada da Penha que se assina, elegantemente, Lalá Trussardi Rouge e é filha do vice-presidente do Banco Itaú, José Rudge, fez questão de mostrar, no Instagram, que foi mesmo da área VIP – onde, claro, uma VIP como ela estava – que se originou o corinho-baixaria da abertura da Copa [“Ei, Dilma, vai tomar no c…”]

Dona Lalá tem um blog de moda e uma grife de roupas íntimas que são descritas como “do basiquinho à alta-costura, com rendas francesas e seda pura.”

Nada de errado, cada um faz o que quer e também mostra o que quer nos seus perfis públicos.

Mas, assim, acaba correndo o risco de ouvir o que não quer.

E foi exatamente isso que a imensa maioria de seus muitos seguidores do Instagram fez com a Dona Lalá.

Obrigado, Dona Lalá, por nos mostrar que mesmo entre a gente mais bem aquinhoada deste país há pessoas com um mínimo de educação e senso crítico e que, votando ou não em Dilma, se comporta como gente civilizada.

Mas, por favor, a senhora não faça a generalizações de dizer que este país não tem educação porque não tem escolas ou hospitais ou segurança.

Talvez porque tenhamos bancos tão poderosos e biliardários como o Itaú, não é?

Mas existe muito neto de pobres, como eu, filhos de simples professoras primárias, sem pai banqueiro e convívio no “jet-set” que tem mais educação que a senhora demonstra, mesmo com seu berço de ouro.

Com isso tento responder ao que pergunta a colunista social Hildegard Angel, que indaga se “ a elite é assim tão baixa, como agirão os iletrados, os desfavorecidos, os que não tiveram acesso à instrução e a uma boa formação no Brasil? ”

Afinal, pior que “la décadence” é quando ela é “sans élégance”.

 

piramide povo elite banqueiros

A imprensa internacional faz propaganda da Copa. A brasileira contra

A imprensa anima os protestos contra a Copa. E esquece que vários estádios foram construídos por governadores do PSDB de Aécio Neves e do PSB de Eduardo Campos que, inclusive, pagou a fatura de um cujo preço se desconhece.

 

br_diario_comercio. SP contra

Bahia
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Alemanha
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Espanha Rumo A Brasil
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Argentina
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A GREVE DOS PM PERNAMBUCO CONFIRMA QUE NÃO PRECISAMOS DELA

por Evson Santos

 

policia

Por incrível que pareça, farei uma análise em sentido oposto quando se entende que quando a Polícia sai de cena (entra em greve), o “caos” toma conta da cidade (normalmente propagado pela imprensa – a única multidão que ela gosta é a do carnaval).

Vejo com normalidade os saques, as depredações. Essa é a história das multidões no Brasil – tanto na ordem tradicional, quanto da ordem urbana (cf José Martins) (http://www.fflch.usp.br/sociologia/temposocial/site/images/stories/edicoes/v082/linchamento.pdf).
Não devemos deduzir de que o “caos” na cidade prova que precisamos de Polícia. É o contrário: o “caos” se instalou porque existe MUITA Polícia.

Ausência da Polícia na rua confirma sua presença no “caos”. Ora, se refletirmos um pouco sobre as condições do caos, onde ocorre (bairros e municípios pobres), os seus autores, veremos, que na ampla maioria dos casos, os marginalizados sociais, educacionais, estão envolvidos. Obrigatoriamente, não são somente “ladrões”, os saqueadores: crianças, mulheres, jovens se aproveitam da ausência da Polícia e realizam numa condição catártica coisas que numa “normalidade” (a força explícita presente) não fariam.

Isso nos chama a atenção que os “ladrões” não são as ameaças que a imprensa constantemente os fabricam em suas matérias jornalísticas, mas o próprio POVO, os trabalhadores, os negros, os favelados que em ações conjuntas, assumem espontaneamente, em coletivos, sua autonomia/heterônoma gritando em ações que são vilipoendiados diariamente Mas eles não fazem em discursos elaborados, mas em ações ameaçadoras etc.

Não podemos esquecer que tivemos trezentos anos de escravidão, uma “República Velha” antipopular, um Estado Novo, uma democracias capengas e antipopulares (pós estado Novo) e uma ditadura civil-militar que massacrou o pouco de autonomia política emergentes do populismo, do anarquismo e comunismo. A única cois que o Estado brasileiro (e o escravocrta) forneceu à população brasileira (ou escravocrata) foi a “Polícia”, o ‘capataz”. Os líderes dos setores populares afirmam constantemente: a Polícia é a única doação (que funciona) do Estado brasileiro aos pobres e negros.

Quando a Polícia informa que está em greve, ela diz subliminarmente à população marginalizada: ajam, por pouco tempo, vocês poderão ser livres e usarem como bem quiserem dessa liberdade. A população entende a mensagem: sejamos livres. Expulsemos de nossas almas a dor, a humilhação, a impotência que secularmente nos impuseram: os antiliberais, os liberais, os democratas etc

Outra interpretação, valorizando o papel da Polícia – e do Exército, normalmente é chamado para botar ordem -, e da sua necessidade, é não entender que a Ordem da Polícia, é a desordem da sociedade.

Menos Polícia e mais democracia (com a população decidindo os seu rumos. Não confundamos com eleições farsantes). Menos miséria (de comida e de cultura letrada) e mais fartura. Mais liberdade, menos opressão no cotidiano. Viva a liberdade.

UM OUTRO BRASIL É POSSÍVEL: MENOS RECALQUE, MENOS REPRESSÃO

 

Favelados não suportam mais a ditadura dos coronéis da Polícia Militar. Protesto contra a morte de DG no Rio de Janeiro

dgbondedamadrugada

 

Todo protesto nas favelas a polícia e a imprensa lardeavam que era patrocinado por traficantes. Que o povo não é capaz de se manifestar por conta própria, não tem livre pensamento, não tem vontade própria, não é capaz de extravasar sua indignação, acostumado a sofrer calado, resignado  e covardemente, acossado pela legenda de medo criada por milicianos e as polícias civil e fardada.

 

PROTESTO VIOLENTO
O início da noite de terça-feira foi marcado por um protesto em Copacabana, na Zona Sul do Rio, contra a morte de DG. Uma foto, também conseguida com exclusividade pelo Jornal da Globo, mostra o jovem morto, no chão, em um vão de escadas, nos fundos de uma creche. É possível ver sangue no chão. Durante a manifestação, Edilson da Silva dos Santos, de 27 anos, levou um tiro na cabeça e morreu.

Foi uma noite de muita tensão, com tiros, barricadas com fogo e ruas de Copacabana bloqueadas. O tumulto se estendeu por duas das principais vias do bairro, e o comércio fechou as portas. A Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma das principais da região, foi fechada antes das 18h. O Batalhão de Choque se posicionou bem perto da entrada da comunidade Pavão-Pavãozinho, onde está situada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Uma multidão se concentrou no acesso ao morro. A cada movimentação da polícia, havia revolta da população.

 

DG ERA FUNCIONÁRIO DA GLOBO

 

A Globo não podia ficar calada diante da morte de um funcionário. Mas seu noticiário traz os realeses da polícia:

1. a farsa do laudo da morte por queda;

2.  de que traficantes tentaram impedir que a polícia realizasse a perícia, e lideram os moradores do Pavão-Pavãozinho nas ruas de Copacabana, com a finalidade de promover o caos.

Nada é mais brutal que o assassinato de uma pessoa. Nada mais cruel que o espancamento de uma pessoa. Principalmente quando o linchamento e a tortura são praticadas pela polícia.

Leia o noticiário tendencioso da Globo. E veja os vídeos.

 

 

 

 

 

Tropa ninja do governador Geraldo Alckmin

Branco “nu” Preto

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Essa é a tropa de braço
Com 6 meses sem cabaço
Marcianos Marciais
Cortejam a corte e mais
Aqui não tem mãe de rapaz
Ele chama, ela não escuta
É tapa na cara e mata leão
Olha pra baixo filho da puta
Sente o peso da minha mão
Sente a humilhação
Sente-se no chão
Com minha bandeira azul
Black bloc pisca o cu
Eu grito, eu rosno, eu sou animal
Treinei 6 meses arte marcial
Somos o contrário do bloco negro
Entramos na corporação para bater em pelego

Somos uma tropa
Somos uma trupe
Somos um time
Temos a corporação
Para esquecer os nossos crimes

Vamos aterrorizar
Vamos amedrontar
Vamos ser a guerrilha da policia militar

Incentive seu parceiro a bater até matar
Tenha o sangue frio, não se coloque em seu lugar
Mandamos nosso mestre a puta que pariu
E se viver também vai apanhar.

Bloco Branco é sangue azul
Paladino da verdade
O teu norte vai pro Sul
Eu amo a sherazade

Vamos aterrorizar
Vamos amedrontar
Vamos ser a guerrilha da policia militar

pm

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FOTO: Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Gini Gini

AUDIODESCRIÇÃO: Policial Militar segura seu escuto de proteção em frente ao seu rosto. Olha fixamente para a lente do fotógrafo com olhos de raiva. Atrás seus companheiros em formação

Rede Globo: “O excesso ou a omissão” da polícia nos protestos

BRA_OG cinegrafista

 

Os comentários entre colchetes são do único jornalista editor deste blogue (Talis Andrade).

A Rede Globo divulgou o seguinte editorial:

Não é só a imprensa que está de luto com a morte do nosso colega da TV Bandeirantes Santiago Andrade. É a sociedade.

Jornalistas não são pessoas especiais, não são melhores nem piores do que os outros profissionais. Mas é essencial, numa democracia, um jornalismo profissional, que busque sempre a isenção e a correção para informar o cidadão sobre o que está acontecendo. E o cidadão, informado de maneira ampla e plural, escolha o caminho que quer seguir. Sem cidadãos informados não existe democracia.

Desde as primeiras grandes manifestações de junho, que reuniram milhões de cidadãos pacificamente no Brasil todo, grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência. E a cada nova manifestação, passaram a hostilizar jornalistas profissionais.

Foi uma atitude autoritária, porque atacou a liberdade de expressão; e foi uma atitude suicida, porque sem os jornalistas profissionais, a nação não tem como tomar conhecimento amplo das manifestações que promove. [Fica explícito que, para a Rede Globo, os autores do assassinato Santiago Andrade já foram identificados pela polícia]

Também a polícia [os soldados estaduais, comandados pelos governadores] errou – e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão. [Não é verdade. A Rede Globo sempre escondeu a violência policial, preferindo mostrar, exclusivamente, o vandalismo de protestantes e infiltrados]

A violência é condenável sempre, venha de onde vier. Ela pode atingir um manifestante, um policial, um cidadão que está na rua e que não tem nada tem a ver com a manifestação. E pode atingir os jornalistas, que são os olhos e os ouvidos da sociedade. Toda vez que isso acontece, a sociedade perde, porque a violência resulta num cerceamento à liberdade de imprensa.

Como um jornalista pode colher e divulgar as informações quando se vê entre paus e pedras e rojões de um lado, e bombas de efeito moral e bala de borracha de outro?

Os brasileiros têm o direito de se manifestar, sem violência, quando quiserem, contra isso ou a favor daquilo. E o jornalismo profissional vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum.

Exatamente como o nosso colega Santiago Andrade estava fazendo na quinta-feira passada. Ele não estava ali protestando, nem combatendo o protesto. Ele estava trabalhando, para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto.

Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional.

O que se espera, agora, é que essa morte absurda leve racionalidade aos que contaminam as manifestações com a violência. A violência tira a vida de pessoas, machuca pessoas inocentes e impede o trabalho jornalístico, que é essencial – nós repetimos – essencial numa democracia.

A Rede Globo se solidariza com a família de Santiago, lamenta a sua morte, e se junta a todos que exigem que os culpados sejam identificados, exemplarmente punidos. E que a polícia investigue se, por trás da violência, existe algo mais do que a pura irracionalidade. [Este “algo mais” é o politicismo. Na primeira manchete sobre a morte de Santiago Andrade, a Rede Globo envolveu o deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, que faz oposição ao governador Sérgio Cabral. É importante investigar se o assassinato de Santiago foi um crime político, uma morte encomendada. Isso sem partidarismo]

BOMBA: ADVOGADO QUE ME ACUSA DEFENDEU CHEFE DA MILÍCIA
por Marcelo Freixo

Vejam que coincidência! O advogado Jonas Tadeu Nunes (OAB/RJ 49.987), que me acusou de ter ligações com o homem que detonou o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, defendeu o miliciano e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, que chefiou a maior milícia do Rio de Janeiro.

Eis a peça que faltava no quebra cabeça destas acusações absurdas. Natalino foi preso em 2008 graças às investigações da CPI das Milícias, presidida por mim na Assembleia Legislativa. À época, mais de 200 pessoas, entre elas várias autoridades, foram indiciadas. Natalino e seu irmão, Jerominho, que dividiam o poder, cumprem pena em presídios federais.
Seis anos depois, Jonas apresenta contra mim uma história cheia de contradições e fragilidades.
O mais assustador é a imprensa repercutir uma informação tão grave e duvidosa sem checar minimamente o histórico da fonte.