Quem diria… que estaríamos prestes a ter uma lei que ameaça nosso direito de nos manifestarmos?

Quem diria
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que, em pleno século XXI, exercer a democracia seria taxado de crime?
que chegaríamos ao ponto de precisar usar equipamento de segurança para ocupar a rua?
que precisaríamos nos proteger daqueles que são pagos para garantir a nossa segurança?
que justamente esses “protetores” iriam violar a nossa integridade física e moral?
que estaríamos revivendo situações muito semelhantes às do nosso passado tenebroso?

que precisaríamos sentir medo de quem deveria estar do nosso lado?
que deveríamos andar desconfiados atrás de infiltrados no nosso movimento?
que não haveria motivo para sermos presos e que seríamos mesmo assim?
que a liberdade de repressão seria mais forte do que a liberdade de expressão?
que estaríamos prestes a ter uma lei que ameaça nosso direito de nos manifestarmos?

que teríamos pessoas a favor do tratamento animalesco dado pela PM?
que teríamos uma mídia conivente com essas atrocidades?
que teríamos UM GOVERNO COMANDANDO essas atrocidades?
que a mídia independente seria impedida de mostrar a verdade?
que, mais do que impedida, ela seria violentamente castigada por isso?

Quem diria…
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FOTO: Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Monique Alves – FA

AUDIODESCRIÇÃO: Manifestante dentro de uma viatura da Polícia Militar de São Paulo mostra que está algemado. Ele está sério, olhando para quem está do lado de fora.

 

algemado

 

O ARROJO DO ARROJADO DELATOR DO ROJÃO

por Helio Fernandes

Fábio Raposo
Fábio Raposo
Estranho, ou melhor, estranhíssimo. Ninguém sabia que ele existia, que participara, seu nome então onde descobrir? 24 horas depois aparece na delegacia, se declara testemunha espontânea, começa a falar, Depoimento de quase quatro horas, mais ou menos 40 minutos divulgados e vastamente repetidos pelas televisões.
Vi e ouvi várias vezes. Impassível, sem mudar a fisionomia, o tom de voz rigorosamente igual do princípio até o fim. Pode ser tudo, infiltrado, cúmplice, desempenhando papel importante nessa trama toda. Duas coisas indiscutíveis: mentiroso e bom ator.
Solto na delegacia, preso no dia seguinte
Já veio com o discurso da “delação premiada”, que passou a existir no Brasil, depois de popularizada pelas séries policiais da televisão. Isso não é da alçada do delegado, e sim do ministério público e do juiz. Está na penitenciária, mas as coisas se complicam cada vez mais. Nada surpreendente que apareça morto ou seja solto “por falta de provas”.
Milicianos na jogada
Chegou à delegacia com um advogado dos milicianos presos. E ele mesmo acusadíssimo pelo deputado Marcelo Freixo, do Psol. Não se defendeu, a OAB não se manifestou. Ficou intocado esse advogado militante e meliante. Deixou-o intocado na época, é evidente que não vai incomodá-lo agora.
O jornalista Elio Gaspari, escreveu no Globo e Folha, “o presidente da OAB quer ir para o Supremo, protegido por José Sarney”. Isso em plena revolta da Penitenciária das Pedrinhas e da impunidade de Dona Roseana.
A morte cerebral do cinegrafista, aula na TV de Paulo Niemeyer
Filho
De forma lamentável foi constatada a morte cerebral do cinegrafista da Bandeirantes. É triste a perda dessa vida, mas temos que falar no que ninguém falou até agora: por que o cinegrafista estava sem capacete? Se estivesse com a proteção indispensável, certamente não teria sido atingido mortalmente.
Embora em circunstâncias inteiramente diferentes, o campeoníssimo Schumacher foi salvo, (se é que se pode usar essa palavra 40 dias depois do seu desastre) por que estava com um fortíssimo capacete. Os médicos do Hospital especializado de Grenoble, disseram logo: “Sem capacete não teria nem chegado ao hospital”. Por que o jovem cinegrafista estava totalmente desprotegido?
O grande neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, explicou na televisão, longa e minuciosamente, o que acontece com o crânio quando sofre um choque como esse. Com a proteção não teria ido nem para o hospital. Todos os órgãos patronais do jornalismo, “sentiram o drama do jovem profissional”. Nenhum se lembrou de CONDENAR a FALTA de proteção ao profissional, o DESCUIDO com sua vida.
(Transcrevi trechos)

GRUPO BANDEIRANTES QUER “TIRAR O SEU DA RETA”. MIDIATIVISTAS USAM CAPACETE, COLETE A PROVA DE BALAS E MÁSCARA DE GÁS MILITAR. FÁBRICA DE MENTIRAS. O ESTADO AINDA DEVE MUITAS RESPOSTAS!

por Daniel Mazola/ Tribuna da Imprensa

chacina jornalista
Temos vivenciado momentos que prenunciam uma grande mudança social, o estado brasileiro foi colocado em xeque. Tenho visto atos extremados de muita coragem e covardia, de ambos os lados, mas a truculência é infinitamente superior por parte das forças policiais, não poderia ser diferente. Todos que participam das manifestações sabem dos riscos, principalmente profissionais da imprensa.
Protestos e passeatas sempre começam calmos, mas acabam se tornando batalhas que podem por em risco a vida de qualquer um que seja pego no fogo cruzado. Sejam mulheres, deficientes, crianças ou idosos. Devemos lamentar a morte do profissional Santiago Andrade, e se solidariza com sua família. No entanto, é FATO que essa tragédia foi causada, principalmente, pela indiferença das empresas do monopólio dos meios de comunicação com a segurança de seus funcionários.
Diferente dos trabalhadores dessas riquíssimas empresas, praticamente todos os midiativistas, fotógrafos e cinematógrafos alternativos trabalham equipados com CAPACETE, colete a prova de balas e máscara de gás militar. É a única forma de ter um pouco de segurança nessa “guerra”.
Ontem a noite, o Jornal da Band fez 1 hora de cobertura, com links ao vivo, e a dissecação do caso de seu cinegrafista, mas não citou em nenhum momento sua responsabilidade quanto ao EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA que ela deveria oferecer! Sua linha é afirmar que há baderna e descontrole social. Não Band. Não vai TIRAR O SEU DA RETA, você também é culpada!
colete bala jornalista
O Estado ainda deve muitas respostas!
O fato é que o profissional Santiago foi gravemente ferido por uma explosão de um artefato que, “segundo as investigações policiais”, foi detonado por civis que cometeram o crime durante o ato de protesto contra o aumento das passagens. Mas como acreditar nessa “polícia” e nessa “mídia”.
Não descarto que o artefato tenha sido jogado por algum manifestante, mas pela quantidade de vezes que vi a covardia de PMs despreparados para cima dos manifestantes, em diversas manifestações que participei e acompanhei, não acreditarei jamais na versão dessa “polícia”. Sou contra esse modelo de polícia, e favorável a desmilitarização.
Agora, vejamos: o mesmo Estado que com afinco investigou o episodio lamentável ocorrido com o cinegrafista da Bandeirantes, também tem o dever ético e moral de investigar com o mesmo afinco os crimes que outras vitimas de violência policial, sofreram. E foram dezenas ou centenas.
Para essas pessoas (que morreram, perderam a visão e apanharam muito), onde está a tal pericia eficaz, igual a utilizada no caso do cinegrafista? Em que pé anda as investigações desses casos? Porque a “grande” mídia corporativa não noticia esses fatos? São perguntas que continuam sem respostas, e que o Estado deve por obrigação moral e ética, mostrar a mesma força e dedicação na investigação desses crimes que supostamente foram cometidos por policiais militares nas manifestações no Rio de Janeiro e no Brasil.
Espero que a triste notícia da morte do profissional Santiago Andrade, não venha a ser levianamente utilizada, contra a frágil democracia brasileira ou contra diretos constitucionais básicos. Mas parece que já está sendo utilizado, e ao extremo, existe um medo muito grande por parte das elites, é ano reeleitoral e de Copa.
Direito de resposta à Elisa Quadros, a Sininho
Na manhã de segunda-feira, a equipe do jornal A Nova Democracia foi à casa da cineasta e ativista Elisa Quadros, a “Sininho” para lhe dar o direito de resposta pelas acusações publicadas anteontem pelo programa “Fantástico” da Rede Globo. Segundo o programa, a ativista teria dito em uma ligação telefônica que o jovem que lançou o rojão que atingiu o cinegrafista da Band, seria ligado ao gabinete do deputado Marcelo Freixo. Coincidentemente, o advogado Jonas Tadeu que fez a acusação, defendeu os milicianos e ex-parlamentares, Natalino e Jerominho Guimarães durante a CPI da milícias em 2008, Comissão presidida por Freixo.

As acusações colocam em perigo a vida da cineasta Sininho, principalmente após a constatação da morte de Santiago Andrade. Ela contou à reportagem de AND como a onda de desinformação promovida pela Rede Globo começou, após sua chegada à 17ª DP na tarde de domingo. Veja a entrevista de 12 minutos na integra: http://www.youtube.com/watch?v=VO5-s7Fzmlo

 

Marcelo Freixo segundo Luiz Eduardo Soares
“Enquanto a história vira pelo avesso, O Globo comete um verdadeiro crime contra o jornalismo, procurando macular um dos homens públicos mais dignos e honrados de nosso país: Marcelo Freixo. Acusa-o, na capa, por interposta pessoa, e encerra o parágrafo com a indefectível sentença: “O deputado nega.” Isso não ocorreu por acaso: O Globo sabe perfeitamente que com a derrota dos grupos nas ruas e seu isolamento, com a desmoralização da linguagem da violência, o maior inimigo das iniquidades e da brutalidade estatal é a política, o espaço participativo em que as ruas e as instituições dialogam. Quem, no Rio, quiçá no Brasil, melhor do que Marcelo Freixo, hoje, representa essa via?”. Escreveu o antropólogo e escritor, Luiz Eduardo Soares.
A mesma Globo que veiculou matéria absurda contra Marcelo Freixo, uma das raras lideranças políticas respeitadas do país, sem uma apuração decente, sem fonte confiável, sem provas, em seu editorial de segunda-feira falou 6 vezes em “Jornalismo Profissional”, “que é essencial buscar sempre a isenção e a correção para informar o cidadão”, falou “que informa cidadão de maneira ampla e plural”, fala que “vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum” e ainda tem gente que acredita! É um desserviço completo a democracia e uma afronta a nossa inteligência. Uma das maiores violências ao povo brasileiro é um monopólio de mídia que distorce, mente e fabrica informações conforme os seus interesses!

A tarifa não baixou, e assim milhares voltaram às ruas

 

Milhares de manifestantes foram às ruas do Rio de Janeiro nessa segunda-feira em protesto contra o aumento da tarifa dos transportes. Porém antes do 4º  Ato de 2014, membros da imprensa corporativa e alternativa se reuniram, na Candelária e por um minuto colocaram seus equipamentos de trabalho no chão. O protesto foi, em homenagem ao cinegrafista Santiago Andrade da Rede Bandeirantes, é contra a violência aos profissionais de imprensa.

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Na Central do Brasil, muitas revistas aconteceram na concentração, a polícia dominou o perímetro e realizou uma espécie de cerco em torno dos manifestantes. Um homem carregava um cartaz lembrando a morte do vendedor ambulante, Tasnan Accioly, atropelado na última manifestação (06/02) ao fugir das bombas lançadas pela Polícia Militar. A mídia corporativa, ignorou a lamentável e fatídica ocorrência.
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As 18h45, tensão entre manifestantes e um repórter da Rede Globo. Um grupo tentou expulsar o jornalista do Ato, mas cerca de 30 policiais fizeram a proteção com um cerco. As 19h32, “OLHA EU AQUI DE NOVO”, era o que se mais cantava. A escadaria da Alerj foi novamente palco das manifestações! Policiais militares também estavam no local. Após ocuparem a frente da Assembleia Legislativa, manifestantes decidiram caminhar rumo a FETRANSPOR.

Em frente a sede da Federação, encenaram uma performance com a queima de uma catraca. Por fim o Ato chegou a Cinelândia, e foi realizada outra homenagem, um minuto de silêncio, na escadaria do Palácio Pedro Ernesto, ao cinegrafista e ao ambulante que morreram em consequência do último Ato contra o aumento das passagens, realizado no dia 06/02.

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Às 20h40 o Choque se aproximou de um grupo de manifestantes e solicitou que um deles removesse a máscara. O manifestante se recusou e foi detido, sem apresentar qualquer resistência. A viatura saiu se recusando a informar para qual DP o rapaz seria encaminhado. Depois outra detenção sem justificativa: um midiativista foi levado por portar uma máscara de proteção contra gás.

Mesmo com a evidente campanha de criminalização do movimento e da luta social, hoje, na média, no geral, os dois Atos, que saíram da Cinelândia e da Central do Brasil, foram marcados pelo caráter pacífico, mas sempre aparecem policiais que gostam de estragar ou tumultuar. Seria incompetência, ou ordens de superiores? O Estado ainda nos deve muito, inclusive resposta!

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Jornalista explodido pela polícia de Sérgio Cabral segue internado em estado grave

O repórter cinematográfico Santiago Ilídio Andrade, da Rede Bandeirantes, que ficou gravemente ferido na cabeça nesta quinta-feira (6) durante um protesto no Centro do Rio, continua internado no Hospital Souza Aguiar.

Ele teve afundamento de crânio, passou por uma cirurgia de aproximadamente 4 horas e seu estado de saúde é grave.

Outras seis pessoas também foram levadas para o hospital. Na versão policial, todas as vítimas foram atingidas por bombas caseiras. Briga entre manifestantes. Mas quem acredita em versão policial? Apenas a imprensa vendida. E inimiga do povo.

No fim da tarde, cerca de mil pessoas se reuniram pacificamente na Igreja da Candelária. O protesto foi contra o aumento da tarifa de ônibus que passa, neste sábado, de R$ 2,75 para R$ 3 reais. O reajuste é de 9,09%.

Estudantes, integrantes de partidos políticos e black blocs caminharam  em direção à Central do Brasil.

Os policiais lançaram bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo, e atiraram com balas de borracha para acabar com a manifestação. Não se sabe ainda se atiraram com balas de chumbo, como sempre acontece.

Mascarados, infiltrados da polícia militar sempre estão entre os blach blocs, o que explica eles não ser o alvo das bombas e tiros.

Relata o G1: Fotos da Agência Globo mostram o momento em que Santiago Ilídio Andrade, da TV Band, é atingido na cabeça.

Cinegrafista da Band é atingido em protesto no Rio (Foto: Agência O Globo)
Cinegrafista da Band é atingido em protesto no Rio
(Foto: Agência O Globo)

O cinegrafista está em pé, com a câmera no ombro, trabalhando no meio da praça. No primeiro registro, vê-se um rastro de fogo com faíscas perto das costas dele.

Em seguida, a foto mostra uma explosão na cabeça. Uma grande quantidade de fogo se espalha. Na sequência, ele se curva, ainda com a câmera no ombro, e é possível ver muita fumaça.

Momentos depois, o repórter cinematográfico da TV Globo Júnior Alves se aproxima e registra a imagem do cinegrafista da Band caído no chão.

Comandante do 5° Batalhão da Polícia Militar (BPM), Luis Henrique Marinho, informou à assessoria de imprensa da PM que, na hora do incidente, estava a 30 metros do local onde o cinegrafista foi atingido. O comandante disse ter visto pessoas vestidas de preto lançando morteiros, e um desses explosivos teria caído na cabeça do funcionário da Band.

Ao contrário do que afirmou o comandante, o repórter da Globo News Bernardo Menezes, que acompanhava a manifestação, relatou que no fim da noite de quinta, no Jornal das Dez, as bombas de efeito moral teriam partido da polícia. Segundo o jornalista, que estava a poucos metros da confusão, um desses arteatos estourou perto do cinegrafista da Band, que caiu na hora.

Balas de borracha. A ordem desumana da eterna tortura de cegar jornalistas

A habilidade de enxergar o potencial para uma imagem forte e depois organizar os elementos gráficos em uma composição atraente e eficiente sempre foi crucial no ato de fotografar. In livro o Olho do Fotógrafo de Michael Freeman.

Se muitos podem ser fotógrafos, poucos são bons fotógrafos. Para ter resultados de destaque é preciso ter olhar apurado, criatividade, sensibilidade, vocação. In Olhar de Fotógrafo.

“A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa VER!” (Ernst Haas)

“Fotografar é conseguir captar o que existe atrás do que se vê com os olhos…é ver através de uma parede invisível….” (desconheço o autor)

“A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a câmara para algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-Ias”. (Ivan Lima)

 Por estas frases selecionadas por Cesar Andrade  fica explicada a cruel decisão da polícia de atirar nos olhos de fotógrafos e cinegrafistas.
O Brasil é um país sem memória, do segredo eterno, da censura judicial, do arquivo morto.
A vingança da polícia de Pinochet foi cortar as mãos do poeta e compositor Víctor Jara. Profissionalmente, cego de um olho, fotógrafos e cinegrafistas viram mortos vivos.
Que País é este de justiça e jornalistas cegos?
Cegar jornalistas é um crime contínuo, hediondo, e contra a humanidade.

Por que a PM está batendo deliberadamente nos fotógrafos que cobrem os protestos

por Mauro Donato
Mauro Donato toma suas cacetadas
Mauro Donato toma suas cacetadas

Os fotógrafos Adriano Lima (BrazilPhotoPress), Gabriela Biló (FuturaPress), Nelson Antoine (AssociatedPress), Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) e Paulo Ishizuca (Ninja) foram todos atacados na noite da segunda-feira (21) de maneira articulada. Sim, articulada. No 3º Ato pela Educação, as agressões foram objetivas. Todo fotógrafo, cinegrafista ou streamer que se aproximasse de qualquer ocorrência, era rachaçado de maneira muito violenta.

É compreensível que manifestantes, polícia ou repórteres, sejam atingidos acidentalmente durante um conflito generalizado. Uma bala perdida, uma pedra perdida, uma garrafa perdida, um spray de pimenta borrifado em todas as direções. É do jogo. Algo totalmente diverso é ser agredido intencionalmente, diretamente. Analise as fotos e veja se há manifestantes por perto.

Qual a finalidade de afastar-nos “gentilmente” da maneira como vemos nas fotos? Onde chegaremos com este procedimento? É inegável que a polícia veio obstinadamente para cima da imprensa com a intenção de não deixa-la trabalhar. Não quer que nada seja registrado, não quer que se divulguem suas arbitrariedades, seus violentos ataques histéricos. O fato de as agressões serem na região do rosto e na altura das câmeras é sintomático e revelador.

Gabriela Bilo é cercada
Gabriela Biló é cercada

O objetivo está claro: afastar, cegar, calar a imprensa que está próxima e permitir (ou facilitar) a cobertura apenas das grandes redes, feitas a partir de seus helicópteros, com todo o distanciamento tanto físico quanto de compreensão que lhe são característicos. Quem não está por perto interpreta, inventa. E mantém o discurso simplista e tendencioso de vândalos versus ordem e progresso e seu reflexo no trânsito.

Eu ter sido mais um é apenas um detalhe, até porque não apanhei de maneira muito violenta. A policial que me agrediu era uma mulher e fraca. Não me tirou de campo. Não se trata, portanto, de mimimi de vítima e sim de uma preocupação com o andar da carruagem. A liberdade de imprensa é um santo de barro. Já retratamos aqui no DCM o caso do fotógrafo Sérgio Silva, cego desde junho e o recente espancamento do jornalista Yan Boechat. Somem-se ainda os casos de agressão (e prisão!) aos socorristas do GAPP e dos Advogados Ativistas (ambas equipes imprescindíveis no suporte às manifestações).

Como disse Tatiana Farah: “Sou repórter. (…) Não tenho o couro mais fino nem mais grosso do que ninguém que saiu dali apanhado, machucado e humilhado, seja a pessoa repórter, manifestante, passante” (Tatiana levou 2 tiros de bala de borracha no último sábado durante protesto contra o Instituto Royal).

Nelson Antoine é acuado
Nelson Antoine é acuado

“De que lado você samba?” pergunta a jornalista Giuliana Vallone baleada pela polícia de Alckmin

Jornalista atingida por bala de borracha revelou que polícia partiu para cima da imprensa
Jornalista atingida por bala de borracha revelou que polícia partiu para cima da imprensa

 

 

A jornalista da TV Folha, Giulianna Vallone, atingida no olho por uma bala de borracha durante as manifestações da última quinta-feira (13/6), relatou em seu perfil no Facebook a agressão por parte da polícia.

Giuliana afirmou que no momento do ataque não estava na zona de conflito principal, na rua da Consolação, onde já tinha sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência. “Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua”, escreveu.
“Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena”, disse. “Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.”
A repórter, que cobriu os dois protestos nesta semana, diz não se arrepender de participar da cobertura. “Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?”
Giuliana passou a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos e, nesta manhã, ela voltou a enxergar com o olho ferido.
Matando o jornalismo a tiros
Barbara Gancia, também da Folha de S.Paulo, publicou um texto em seu perfil no qual condena a ação da polícia. A jornalista trabalha com Giuliana, na TV Folha.
“Eu nunca a vi perder a calma, ter qualquer tipo de comportamento inadequado, abusado, excessivo ou estar interessada em qualquer coisa outra além de reportar os eventos para os quais foi escalada para cobrir”, disse Barbara, sobre a colega de trabalho.
“Nem sequer consegui reconhecer a Giu na foto em que ela aparece baleada, desfigurada por uma bala de borracha no exercício do seu ofício”, acrescentou. “Ofício este que está sendo chacinado diante dos nossos olhos. Agora resolveram adiantar o processo e matar o jornalismo a tiros. E muita gente não se dá conta da gravidade do que isso representa. Sem uma imprensa forte e independente para fiscalizar, democracia não se pratica.”
“Vamos acompanhar este caso até saber o que faz um oficial atirar contra uma jovem parada, desarmada e desprotegida, que não dava nenhum indício de que estaria participando de baderna e não representava perigo”, completou.
“Não é possível que o encarregado da operação, chefe de Policiamento de Trânsito, declare que perdeu controle da situação. E não é possível que o governador apareça twittando asneiras a partir de Paris enquanto a cidade pega fogo.”
Giulianna Vallone
Giuliana Vallone
Escreveu Giuliana Vallone: Queridos,
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada. Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal –na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência– quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava. Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!

“Que bom que temos jornalistas que enfrentam o poder”

Começa o Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo

 

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O presidente da FENAJ(Federação Nacional dos Jornalistas) e da FEPALC (Federação dos Jornalistas da América Latina e Caribe), Celso Schröder abriu nesta sexta-feira, 18 de janeiro, o Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo promovido pela Oficina Regional da FIP-  Federação Internacional dos Jornalistas para a América Latina e Caribe, com apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul.

Em seguida foi apresentado o primeiro painel com o tema “’A violência contra jornalista na perspectiva dos direitos humanos”, debatido pela Beth Costa – Secretária executiva da FIJ (Federação Internacional dos Jornalistas); Gilney Viana – Coordenador Geral do Projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil e Liliam Chagas de Moura – Subchefe da Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores do Brasil – Itamaraty.

A jornalista Beth Costa iniciou o debate enfatizando que este encontro visa um debate abrangente sobre a importância da proteção aos jornalistas, que vai desde  a luta enfrentada pelos profissionais que são processados na divulgação de uma matéria,  às mulheres que sofrem assédio sexual, além dos profissionais que são perseguidos e os que vão para os locais de confronto e guerra. Segundo Liliam Chagas Moura “A discussão na UNESCO sobre o plano de Trabalho para os Jornalistas deve ser aprovada ainda neste ano”. E acrescenta que “como o assunto esta em discussão, agora é a hora para fazer avançar o sistema internacional de proteção ao jornalista”, conclui.

Já conforme Gilney Viana comentou sobre o direito a memória e a verdade, destacando que  “ a nossa função é de incentivar a sociedade a ter protagonismo próprio. Que bom que temos jornalistas que enfrentam o poder. São nossos herdeiros morais políticos”, enfatiza.