PEDÁGIO, o mais cobiçado presente

 Edward Coutinho
Edward Coutinho

 

Pedágio rende mais que o tráfico.

Nas estradas medievais, na Europa, era uma cobrança dos salteadores de estradas.

E assim é no Brasil hodierno. Coisa de bandido. Dos amigos dos governadores e obscuros leilões no governo da união dos corruptos.

Uma safadeza que começou com as privatizações do Brasil por Fernando Henrique.

 

BRA_NOTA pedágio

 

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VEJA QUE MENTIRA. QUE LOROTA BOA.

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Copa, Olimpíada, ilusões e subdesenvolvimento no Brasil de hoje

Pedro Ricardo Maximino

 

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A história econômica do Brasil, desde a sua formação, tem sido a história da dependência, do subdesenvolvimento, da infundada euforia e das crises e das falências, sempre penitenciando as classes que se formavam na base.

A concentração de renda nos remete ao ciclo da cana-de-açúcar, primeira atividade produtiva de elevada lucratividade, empreendida pelos portugueses com a sua experiência nas ilhas do Atlântico, em associação com os holandeses por meio do financiamento e da adequada distribuição.

Sua instalação permitiu a ocupação efetiva do território, mas não abriu espaço para um mercado interno, focava-se na mão-de-obra escrava, na grande propriedade voltada à exportação, na importação de insumos e de artigos de luxo e na remessa dos lucros para o exterior, sem viabilizar uma salutar circulação de riquezas.

A crise do próspero sistema produtivo açucareiro, oportunizada pela quebra do monopólio e pela redução drástica do preço no mercado internacional, delineou o caminho do retrocesso. O Brasil passa então a se concentrar na mineração, que viabilizou um débil mercado interno, com expansão da pecuária.

Mas a produção mineral também sofreu sua decadência e amargamos mais uma vez a crise típica do subdesenvolvimento e da cômoda concentração e da ausência de defesa dos interesses locais.

SEM OPÇÕES

Permanecíamos sem opções políticas para a industrialização e desenhávamos os caminhos da dependência econômica. A inferioridade técnica e a acomodação sempre estiveram presentes. Desde então, sucessivas crises e guerras internacionais geraram oportunidades, aproveitadas com relativo sucesso, mas local e limitadamente.

O algodão, o café e a borracha foram seguidamente desperdiçados como oportunidades históricas de desenvolvimento. A própria independência política custou caro e vinculou-se a acordos de privilégios para a Inglaterra.

A industrialização concentrada, limitada, tardia e de tecnologia e propriedade estrangeira (fontes de dependência e subjugação) representou mais uma oportunidade para o riquíssimo, mas assaltado, amarrado e espancado país. As amarras financeiras também funcionaram como armadilhas, bem como a importação excessiva, inclusive ideológica, sem a devida adaptação, desconstruindo as perspectivas de autonomia e defesa dos interesses nacionais.

RODOVIAS

A opção rodoviária, cara e ineficiente, também faz parte desse jogo de enriquecer os outros, traindo a sua própria pátria. O colapso educacional e ausência da saúde educativa (preventiva) também são ferramentas para o enfraquecimento e derrota da pluripotente nação, condenada à condição de colônia dos novos tempos.

Por intermédio de uma integração inspirada nos textos de Celso Furtado, podemos inferir que o momento atual repete mais uma vez a um ciclo de oportunidades externas, com preços elevados para as exportações, mas com a economia sujeita à extrema cobiça internacional e à frouxidão corrupta, com graves problemas de infraestrutura, bolhas de crédito e juros ainda exorbitantes para um mercado interno louvável, mas ainda bastante limitado.

A venda de ilusões para os incautos, com a Copa do Mundo e a Olimpíada, em meio à  incompetência gerencial, sobrecarga tributária, desperdício estatal, falta de planejamento e crescimento das importações por manutenção da dependência tecnológica – enfim, prepara-se para o próximo período de crise internacional, e o maior preço sempre foi e será pago pelas populações mais pobres dos países fraudulentamente subdesenvolvidos.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

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Governo galinha, o brasileiro. Uma galinha de ovos de ouro

Abrir uma bilheteirinha em uma estrada, e cobrar passagem, rende mais que o tráfico. Esta roubalheira, o governo chama de privatização.

Por concessão, via leilão manjado ou concorrência pública de cartas marcadas – é tudo a mesma safadeza -, pega-se uma estrada, que o governo investiu uma fortuna, e se entrega para uma empresa estrangeira ou para um amigo do rei. Bom que seja estrangeira. O dinheiro da propina fica depositado na matrix. Dinheiro de ladrão especial, com foro especial, sempre fica depositado no exterior. No paraíso.

A empresa corsária apenas entra com as porteiras de pedágio. Quanto mais porteira, mais dinheiro. Mais ovos de ouro.

É cobrar, cobrar e, qualquer outro investimento fica dependendo de mais uma ajudazinha do povo. De verbas federais. Ou estaduais. De empréstimos de bancos oficiais.

Rodovias privatizadas têm investimentos atrasados

Escreve Roberto Maltchik:

Enquanto o volume de acidentes avança nas rodovias federais entregues à administração de empresas privadas, na segunda etapa do Programa de Concessões Rodoviárias, as concessionárias investem menos do que o previsto originalmente em contrato. E a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) age, por resoluções, para retardar as principais obras, que deveriam ocorrer nos primeiros três anos de cobrança de pedágio (2007-2009).

Os números de 2009, os últimos fornecidos pela agência, mostram que há casos em que triplicaram os acidentes em relação ao ano anterior. Nos sete trechos privatizados, o total de acidentes subiu de 9.961 em 2008 para 28.947 em 2009, um crescimento de 190%.