Câmara faz em um dia a faxina de 30 anos. Aprovou as contas de Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula. E abriu caminho para o impeachment de Dilma

Carlos David Fuentes
Carlos David Fuentes

Com 25 anos de atraso, e o silêncio cúmplice do PT, em votação simbólica, a Câmara dos Deputados aprovou, no começo da tarde desta quinta-feira, as contas de quatro ex-presidentes.

Foram aprovadas as contas referentes ao exercício de 199O a 1992 da gestão Fernando Collor, de 1992 a 1995, governo de Itamar Franco, e os oito anos, 1995 a 2003, da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O PT, talvez na onda do “pacto suprapartidário” proposto por
Aloizio Mercadante, aprovou sem discussão, as contas das privatizações e leilões de FHC, inclusive a entrega da Vale do Rio Doce, e o fatiamento da Petrobras.

Também foram aprovadas as contas dos oito anos do governo Lula da Silva, de 2003 a 2011.

Essa correria toda, para aprovar em um dia que antecipa a primavera, duas décadas e meia de governos e desgovernos, faz parte de uma trama que visa colocar em votação as contas do primeiro governo de Dilma Rousseff, os anos de 2011, 2012, 2013 e, especial e justiceiramente, 2014.

Que seja lembrado para todo sempre: Nem o PT votou contra as contas de Fernando Henrique Cardoso, e nem o PSDB encaminhou voto contra as contas de Lula.

Dizem que, a confirmar, também foram aprovadas, na surdina, as contas do presidente José Sarney, 1985 a 1990. Mas o curioso é que depois de cassar por corrupção, a Câmara dos Deputados assina o atestado de honradez, de dignidade de Fernando Collor. É o nada consta contra Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula da Silva, que todos governaram com honestidade, integridade, probidade, seriedade, imparcialidade, equidade, consciência, lealdade, correção, lisura, sinceridade e retidão, para o bem do Brasil e do povo em geral.

ARMAÇÃO DO IMPEACHMENT

golpe brando

Com esse primeiro pacote de contas passadas votado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), abre caminho para a apreciação das contas do primeiro governo de Dilma Rousseff, preferencialmente do ano de 2014, o grande alvo da oposição numa das frentes que tentarão o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Fica assim explicado. Em um dia, em um único dia histórico e salvador, a Câmara faz o trabalho de 25 a 30 anos. É um record que (a)prova quase três décadas de contas engavetadas, e bem escondidas deste Brasil do segredo.

Eduardo Cunha e outras raposas preparam a guilhotina para Dilma. “A ideia foi limpar e chegar em 20014”, admite o veice-líder do PSDB, Nilson Leitão (MT).

Não existe corrupção no Brasil. Sarney está limpo. Collor está limpo. Itamar está limpo. FHC está limpo. Lula está limpo. Dilma, para os golpistas, está suja. Que se passe o governo para Michel Temer (PMDB), que está limpo. E que seja vice-presidente do Brasil Eduardo Cunha, que está limpo.

Aroeira
Aroeira

Esquecida Operação Macuco e os aviões Franco CC5 que transportaram dinheiro do Brasil para os paraísos fiscais

O Brasil está à beira de uma guerra

Banestado  Caso das contas dos aviões Franco CC5
O presidente nacional do PMDB Michel Temer considera grave a afirmação do Lula “de ter impedido a divulgação de supostos casos de corrupção no governo Fernando Henrique Cardoso”. Lembrou que o funcionário público não pode, perante a Constituição, “acobertar gestos de corrupção”.

Lula repetiu uma estória velha, por várias vezes publicada pela imprensa, nenhum presidente investiga o antecessor.

Ora, ora, quem está acobertando o maior roubo da história é a Câmara dos Deputados, da qual Temer é um dos principais líderes.

Estava prevista para 9 de dezembro de 2004 a divulgação do relatório da CPI do Banestado pelo deputado José Mentor.

Não deu. A apresentação ficou transferida para este mês de fevereiro.

Hoje é feriado dominical. Amanhã, primeiro de março, ninguém trabalha. Na terça idem, que os deputado estão retornando de suas bases. E, pra completar, ninguém encontra Mentor.

A orquestração do discurso de Lula constitui balão de ensaio. A CPI do Banestado descobriu quadrilhas e mais quadrilhas de sonegadores, de doleiros, de traficantes, de contrabandistas, de políticos corruptos do judiciário, do legislativo, do executivo, e até da imprensa – o chamado quarto poder.

Tem uma penca de bancos envolvidos, e uma cachoeira de provas de que a corrupção foi das grossas. Que a transferência de bilhões e bilhões de dólares para o exterior aconteceu com o franco consentimento do Banco Central.

Kennedy Alencar chuta o balão de ensaio: “Ou (Lula) prova o que disse e arruma uma bela desculpa para não ter revelado tal fato até hoje. Ou se desculpa imediatamente, dizendo ter sido leviano para amenizar a trapalhada. Ou será acusado de ter prevaricado, como disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, dando palco a uma desgastante batalha política e jurídica”.

Deixa de besteira, Kennedy. Só se for mais uma batalha de Itararé. Todo Brasil sabe o que rolou nas privatizações. A imprensa cansou de denunciar, e não deu em nada.

O que a imprensa quer esconder é a lista da CPI do Banestado.

Duvido você escrever sobre o assunto, sem essa de defender o chamado sigilo bancário.

Banestado vaca

A guerra de hoje é outra, e vem sendo travada em toda América Latina. Para golpear primeiramente os presidentes do Brasil, da Argentina, da Bolívia, da Venezuela. Depois, pelo efeito dominó, os presidentes do Equador, Uruguai e Chile.

O texto acima, O Brasil está à beira de uma guerra, escrevi em 27/02/2005 no Aqui e Agora.

A Comissão Parlamentar (Mista) de Inquérito (CPI) de Evasão de Divisas, ou CPI do Banestado foi criada pela Câmara dos Deputados em 26 de Junho de 2003 a fim de investigar as responsabilidades sobre a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, quando foram retirados indevidamente do país mais de US$ 84 bilhões através de contas CC5 do Banco do Estado do Paraná ou Banestado, segundo estimativas reveladas pela operação Macuco, realizada pela Polícia Federal.

O presidente da CPI foi o senador Antero Paes de Barros (PSDB), o vice-presidente foi o deputado Rodrigo Maia (PFL) e o relator foi o deputado José Mentor (PT).

O desempenho do relator da CPI, o deputado José Mentor, foi bastante criticado, sendo ele acusado por alguns parlamentares de ter sabotado a CPI. Mentor foi autor também de um polêmico projeto que se aprovado daria anistia a todas as pessoas que enviaram ilegalmente para o exterior. Segundo o deputado, tal medida teria como objetivo repatriar recursos no exterior. Após um ano e meio de investigações, Mentor concluiu o relatório sugerindo o indiciamento de 91 pessoas pelo envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais através de contas CC5, desvios que chegariam na ordem de R$ 150 bilhões. Entre os indiciados, Gustavo Franco (presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso), o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o dono das Casas Bahia (maior rede varejista do Brasil), Samuel Klein. 1 2 Por sua vez, o PSDB queria apresentar uma “outra versão da CPI” na qual, por exemplo, as acusações contra Gustavo Franco apareceriam de forma “mais branda”.

Também foram acusados por evasão de divisas: Ariovaldo Carmignani, ex-presidente da Sabesp, e Paulo Domingos Knippel Galletta, ex-diretor financeiro da Sabesp. A Sabesp sempre foi um antro de bandidos.

Escreveu Josias de Souza: Um dos elementos que rendeu ao relatório de Mentor o carimbo de “partidarizado” foi a proposta de indiciamento de executivos da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado) e da Companhia Riograndense de Telefonia, por operações de 1997 nas quais as empresas seriam consideradas “suspeitas” de lançamento de ações no exterior. Ambas eram estatais e sob gestão tucana.

Mentor requer ao Ministério Público que aprofunde a investigação sobre as operações realizadas pelas empresas.

Entre os empresários indiciados, estão Samuel e Michel Klein. Donos das Casas Bahia, eles são acusados de sonegação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e importação fraudulenta por meio da empresa Parainvest.

O deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG) também quer incluir no relatório a responsabilização do sistema financeiro pelos crimes de evasão de divisas.

Folha de S. Paulo: A CPI foi colocada em suspeição, quando começaram a vazar pela imprensa dados sigilosos referentes a documentos em poder da CPI. Devido à atuação da comissão o governo foi acusado pela oposição de “blindar” o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por meio de uma medida provisória que lhe deu foro privilegiado.

Meirelles foi investigado pela CPI do Banestado por evasão de divisas e sonegação fiscal. O último alvo de vazamento de informações da CPI foi o vice-líder do governo no Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), que também é investigado por evasão de divisas e sonegação.

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Joaquim Barbosa: Fora do eixo

por Ricardo Noblat

joaquim

Quem o ministro Joaquim Barbosa pensa que é?

Que poderes acredita dispor só por estar sentado na cadeira de presidente do Supremo Tribunal Federal?

Imagina que o país lhe será grato para sempre pelo modo como procedeu no Caso do Mensalão?

Ora, se foi honesto e agiu orientado unicamente por sua consciência, nada mais fez do que deveria. A maioria dos brasileiros o admira por isso. Mas é só, ministro.

Em geral, admiração costuma ser um sentimento de vida curta. Apaga-se com a passagem do tempo.

Mas enquanto sobrevive não autoriza ninguém a tratar mal seus semelhantes, a debochar deles, a humilhá-los, a agir como se a efêmera superioridade que o cargo lhe confere não fosse de fato efêmera. E não decorresse tão somente do cargo que se ocupa por obra e graça do sistema de revezamento.

Joaquim preside a mais alta corte de justiça do país porque chegara sua hora de presidi-la. Porque antes dele outros dos atuais ministros a presidiram. E porque depois dele outros tantos a presidirão.

O mandato é de dois anos. No momento em que uma estrela do mundo jurídico é nomeada ministro de tribunal superior, passa a ter suas virtudes e conhecimentos exaltados para muito além da conta. Ou do razoável.

Compreensível, pois não.

Quem podendo se aproximar de um juiz e conquistar-lhe a simpatia, prefere se distanciar dele?

Por mais inocente que seja quem não receia ser alvo um dia de uma falsa acusação? Ao fim e ao cabo, quem não teme o que emana da autoridade da toga?

Joaquim faz questão de exercê-la na fronteira do autoritarismo. E por causa disso, vez por outra derrapa e ultrapassa a fronteira, provocando barulho.

Não é uma questão de maus modos. Ou da educação que o berço lhe negou, pois não lhe negou. No caso dele, tem a ver com o entendimento jurássico de que para fazer justiça não se pode fazer qualquer concessão à afabilidade.

Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.

Joaquim é assim se lhe parece. Sua promoção a ministro do STF em nada serviu para suavizar-lhe a soberba. Pelo contrário.

Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e… negro.

“Jurista é pessoa versada nas ciências jurídicas, com grande conhecimento de assuntos de direito”, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

Falta a Joaquim “grande conhecimento de assuntos de direito”, atesta a opinião quase unânime de juristas de primeira linha que preferem não se identificar. Mas ele é negro.

Havia poucos negros que atendessem às exigências requeridas para vestir a toga de maior prestígio. E entre eles, disparado, Joaquim era o que tinha o melhor currículo.

Não entrou no STF enganado. E não se incomodou por ter entrado como entrou.

Quando Lula bateu o martelo em torno do nome dele, falou meio de brincadeira, meio a sério: “Não vá sair por aí dizendo que deve sua promoção aos seus vastos conhecimentos. Você deve à sua cor”.

Joaquim não se sentiu ofendido. Orgulha-se de sua cor. E sentia-se apto a cumprir a nova função. Não faz um tipo ao destacar-se por sua independência. É um ministro independente. Ninguém ousa cabalar seu voto.

Que não perca a vida por excesso de elegância. (Esse perigo ele não corre.) Mas que também não ponha a perder tudo o que conseguiu até aqui.

Julgue e deixe os outros julgarem.

Por que Marina é contra o PT?

 

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Os Estados Unidos desistiram de investir em políticos desgastados como Serra, Alckmin, Fernando Henrique e Aécio. Preferem a evangélica Marina Silva, que pousa de  Madre Tereza de Calcutá.

Aliada de Eduardo Campos, Marina embarca no socialismo made in François Hollande, presidente da França, que foi candidato no lugar de  Dominique Strauss-Khan, diretor do FMI, que acusado de estuprar uma camareira nos Estados Unidos, e uma jornalista na França, teve que desistir da política.

Pratica Hollande um socialismo sem povo, do estado mínimo, do fim dos direitos conquistados dos trabalhadores. Um socialismo à Fernando Henrique, o nosso Carlos  Menem.

Este socialismo aprovado pelos Estados Unidos, obviamente, não é o socialismo bolivariano de Hugo Cháves.

O PT passou a ser um partido suspeito, não por adotar o chavismo, mas por Hugo Chaves incluir no seu ideário partidário os programas sociais do presidente Lula da Silva.

Foi Chávez que colocou o PT no eixo do mal, o PT que preferiu investir na candidatura de Dilma Rousseff, e renegar Heloísa Helena e Marina Silva, por motivos ainda não bem explicados.

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¿BRASIL EN EJE DEL MAL? 

 

por Raúl ZibechiLa Jornada

 

Las grandes crisis, como las marejadas, sacan a la superficie lo que permanecía oculto en los periodos de calma. Ante nuestros ojos está sucediendo algo similar en relación con la política exterior de Estados Unidos con la región sudamericana. Volver sobre el caso de espionaje sufrido por Brasil a manos de la NSA, develado por Edward Snowden, las causas y las reacciones que está provocando en el gobierno de Dilma Rousseff, puede contribuir a aclarar la coyuntura regional que atravesamos.La columna del contrarrevolucionario cubano Carlos Alberto Montaner en el Miami Herald del pasado 25 de septiembre está dedicada a las opiniones de un supuesto ex embajador de Estados Unidos. Más allá de que las citas sean reales o inventadas (siempre es necesario desconfiar de un agente de la CIA acusado de actos de terrorismo contra Cuba), parecen reflejar lo que piensa por lo menos una parte del establishment estadunidense y explica algunas razones por las cuales Brasil fue espiado.

Para Washington, dice Montaner, el gobierno brasileño no es exactamente amable, ya que los amigos de Luiz Inacio Lula da Silva, de Dilma Rousseff y el Partido de los Trabajadores son enemigos de Estados Unidos. Y a continuación cita el apoyo de Brasil a los gobiernos de Venezuela, Bolivia, Cuba, Irán y la Libia de Muammar Kadafi. Dos hechos considera el supuesto diplomático como graves: el alineamiento de Brasil en casi todos los conflictos con China y Rusia, y la inversión de mil millones de dólares en el desarrollo del superpuerto de Mariel.

El puerto de aguas profundas de Mariel, donde pueden operar los grandes barcos que atraviesan el Canal de Panamá, construido por Odebrecht con financiación del BNDES, se convertirá en uno de los principales centros comerciales para Centroamérica y el Caribe, en puerta de entrada de productos brasileños a Estados Unidos y bisagra comercial con Asia. La zona especial de desarrollo Mariel puede volverse un potente polo industrial capaz de atraer empresas brasileñas y ahora también multinacionales chinas automotrices, farmacéuticas, de equipos de climatización y de biotecnología ( Granma, 25 de septiembre de 2013).

La zona especial puede ser la locomotora económica de Cuba y contribuir a desbaratar el embargo contra la isla. Parece evidente que es una jugada estratégica compartida por Cuba, China y Brasil, que molesta profundamente al imperio.

Pero las consecuencias de las revelaciones de Snowden se hacen sentir en por lo menos dos aspectos. El 86 por ciento de los contenidos de Internet que circulan en la región sudamericana están alojados fuera, en particular en Estados Unidos. Cualquier usuario de Gmail, Hotmail y Yahoo, por ejemplo, aunque el emisor y el destinatario vivan en Sudamérica, sus datos pasan antes por los nodos estadunidenses, sobre todo por los instalados en Miami.

Esa realidad va a empezar a cambiar pronto. La iniciativa esta vez partió del Mercosur. El 17 de septiembre se realizó en Caracas la primera reunión de autoridades y expertos en seguridad informática y de las telecomunicaciones del Mercosur, a la que asistieron delegados de Argentina, Bolivia, Brasil, Uruguay y Venezuela. Entre las principales resoluciones aprobadas figura el establecimiento e interconexión, en el corto plazo, de centros de datos para el almacenamiento y la distribución de contenidos entre los países miembros, incluyendo el desarrollo y alojamiento de servicios propios.

El objetivo es hacer más seguras las comunicaciones y reducir la dependencia de la tecnología extranjera, garantizando la soberanía de los pueblos del Mercosur, considerando que actualmente el intercambio del tráfico de Internet entre los países de la región hace tránsito mayoritariamente por Estados Unidos.

Se están articulando varias iniciativas: la interconexión de una infraestructura de red de fibra óptica regional con las nacionales, proceso en marcha desde tiempo atrás (La Jornada, 2 de diciembre de 2011); la creación de nodos regionales y quizá nacionales, centros de datos en cada país, y una legislación que proteja la información. Uno de los cambios más notables será la creación de servicios de videoconferencias, chat ycomputación en la nube, entre otros, de carácter regional, en el que las diversas instituciones nacionales deberán colaborar.

Salvo en Uruguay, no existe en la región ningún sistema de e-mail público y gratuito, aunque Adinet (de la telefónica estatal Antel) no puede competir con las multinacionales ya que no ofrece los servicios más atractivos. El Servicio Federal de Procesamiento de Datos (Serpro) de Brasil desarrolló un correo electrónico para uso del Estado (expressomail) que cuenta con 700 mil usuarios. Ahora las diversas empresas nacionales podrán colaborar en el diseño de un sistema de correos por Internet que no pase por Miami ni por ningún nodo extrarregional para las comunicaciones en la región.

Si la estatal brasileña Correos desarrolla antes de fin de año un e-mail nacional seguro con todas las prestaciones que tienen Gmail y las otras, como decidió el gobierno, podrá compartirlo con los demás países del Mercosur y de la Unasur. En ese sentido, la reunión de Caracas debe considerarse como un punto de inflexión.

La segunda cuestión se relaciona con la compra de 36 cazas de quinta generación por parte del gobierno de Brasil, decisión aplazada desde hace 13 años cuando gobernaba Fernando Henrique Cardoso. En 2009, Lula anunció que se comprarían los Rafale de la francesa Dassault desechando los F-18 de Boeing. Meses atrás era casi segura la decisión de Dilma a favor de Boeing, pero ahora la compra se aplazó hasta 2015, después de las elecciones presidenciales ( Valor, 26 de septiembre de 2013). En dos años la opción puede ser bien distinta.

Las decisiones estratégicas que pueden modificar el tablero geopolítico se suceden con ritmo vertiginoso en la región. Nunca antes el rey estuvo tan desnudo como ahora. Nunca antes fue tan claro que no hay caminos intermedios, como los que pretendió transitar el gobierno brasileño.

 Chávez

OS CRIMES DA NESTLÉ EM SÃO LOURENÇO

por Laerte Braga

água tráfico
São Lourenço é uma bela e aprazível estância hidromineral
localizada no Estado de Minas Gerais. O parque das águas na
cidade é o principal fator de atração turística e é do
turismo que São Lourenço viveu grande parte de sua história.

Desde a privatização das águas e a chegada da multinacional
Nestlé, de origem Suíça, isso mudou.

Como toda grande empresa a Nestlé não tem a menor preocupação
com coisa alguma que não seja lucro e para obter esse lucro
faz e prática toda a sorte de fraudes trapaças, etc, contando
com a conivência de governos, setores do serviço público,
meios de comunicação (os chamados grandes) e hoje de uma
praga que se espalha pelo mundo, contaminando o que era para
ser ação contestatória de luta, restrita a poucas, falo de
ONGs.

É incrível o número de ONGs subvencionadas ou mesmo criadas
por grandes corporações, todas voltadas para o meio ambiente
e que se dispõem a trocar o silêncio diante dos crimes
ambientais por praças bem cuidadas.

No caso específico de São Lourenço, a Nestlé, detentora dos
direitos de exploração das águas minerais, supostamente
dentro de regras definidas em lei, contratos, etc, faz o que
bem entende e quando a coisa aperta lá estão Aécio Neves,
como estiveram outros, para garantir os “direitos criminosos”
da empresa, ou vozes do governo Lula para mandar um vereador
que denuncia os crimes “calar a boca”.

A Nestlé produz a água mineral Pure Life, obtida através de
um tipo de água, a ferruginosa. Desmineraliza a água,
alterando os poços, os lençóis, atingindo e contaminando todo
o aqüífero da região e a ela acrescenta seus minerais,
tornando-o comercializável e se lhe atribuindo poderes que
não tem.

A água ferruginosa era usada por médicos da cidade e de
outras estâncias como São Lourenço para o tratamento da
anemia em crianças de famílias pobres, com resultados
surpreendentes.

Não pode mais, está se transformando em água comum,
artificial, podre por obra e graça de Nestlé e da
cumplicidade dos governos federal e estadual.

A ação é objeto de luta de vários setores de São Lourenço.
Denúncias, protestos, provas incontestáveis do crime
ambiental, mas nada. Aécio Neves e Lula são cúmplices ou por
omissão, ao aceitarem as regras da multinacional, ou por ação
direta, no caso do governo de Minas. Ao perceber que faltava
uma determinada licença e que essa falta poderia trazer
problemas à multinacional, Aécio mandou que se concedesse.

É bem o seu feitio. Olha para um lado e atira para outro. Não
tem um pingo e compromisso com coisa alguma que não sejam
seus interesses, até porque, embora seja mineiro, veio morar
em Minas depois de eleito governador.

Representa interesses de grupos como a Nestlé.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas
de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas
frustradas junto ao governo e imprensa para combater o
problema, conseguiu apoio, na Suiça, para interpelar a
empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica,
Grupos Socialistas e a ONG verde ATTAC uniram esforços contra
a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.

A desmineralização de águas é proibida pela Constituição do
Brasil e praticada luz do dia pela Nestlé. Outras
organizações criminosas como a Coca Cola já estão comprando
grandes áreas com reserva de água. Querem ampliar nos
negócios no propósito de tratar o Brasil como entreposto do
grande capital estrangeiro.

Contam com os governos.

No caso específico do Brasil, a Nestlé treina agentes do
programa FOME ZERO, gera recursos para o programa, apóia o
programa com publicidade farta e com isso compra o silêncio
do governo Lula.

No caso de Aécio é diferente. O governador é empregado desse
tipo de empresa, uma espécie de gerente desses grupos no
governo estadual e cumpre apenas o que se lhe é determinado.
Não é nada além disso. Um gerente da quadrilha.

Já São Lourenço, as águas, o povo de São Lourenço, os
mineiros e brasileiros de um modo geral, são embasbacados
pela Globo, pelo Sílvio Santos, que ressaltam as excelências
dos produtos Nestlé, tudo regado a muito dinheiro e em nome
da farsa democrática, da conversa fiada do investimento
estrangeiro, da ilusão do desenvolvimento sustentável.

O crime no Brasil é um grande negócio e as grandes
quadrilhas, as verdadeiras quadrilhas (Beira-mar é pinto
perto da Nestlé, da Coca Cola) já descobriram isso e
descobriram mais: podem contar com os governos, é só regar um
pouquinho que floresce o caminho.

 

A cartilha do FMI

 

Fernando Henrique caiu no mundo para leiloar as estatais brasileiras, e Lula viajou para vender os produtos das empresas desnacionalizadas e/ou privatizadas pelo tucanato. Isso chamo de globalização unilateral.

Os dois são esquerdistas. A direita morreu com a ditadura. Mas continuaram com uma imutável política econômica.

Os novos presidentes esquerdistas também reclamam o título de democratas. Mas jamais ousaram realizar um referendo, um plebiscito. Ou uma auditoria da dívida.

Alguns tecnocratas, que comandaram a política econômica de Lula e FHC, eram até nos vícios parecidos com Delfim Neto e Roberto Campos, um dos fundadores do BNDES, no getulismo, e embaixador de Jango nos Estados Unidos

O Brasil foi um dos laboratórios – o povo como cobaia – da política ora imposta aos países europeus.

Escreve José Roberto Toledo: No edifício do Poder, só mudaram as divisórias

Mudam divisórias, PT e PSB ganham mais espaço, PMDB e PSDB perdem salas, mas as estruturas do edifício do Poder continuam inalteradas no Brasil. Os petistas ocupam a cobertura há 10 anos, mas o resto do prédio é dividido entre 30 condôminos. O PT elege o síndico, mas não administra o condomínio sem ceder poder a outros. Ninguém tem hegemonia. E é bom que seja assim.

 

O PT sai maior das urnas, mas com direito a ocupar apenas 11% das prefeituras e a governar 20% do eleitorado local. Tudo bem que isso inclui o canto mais populoso do edifício, a sala São Paulo, mas está longe de configurar um domínio da política brasileira. O partido de Lula cresce, mas não é o único. O PSB vem na cola e tem seus próprios planos. (Transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

O mensalão não dá ibope



por Urariano Mota

O ex-presidente Lula, que é sábio em política, já havia advertido: “O povo não está preocupado com mensalão, com julgamento lá em Brasília. O povo está preocupado é se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão”. Mas não quiseram ouvi-lo. Melhor, os fazedores de opinião – aqueles submergidos na realidade dos jornais e tevês – acharam que tudo não passava de desconversa de Lula, pois desta vez, ó, os petistas e esquerda iam para o buraco, conforme publicavam. Lido engano. É preciso, por um lado, ter paciência com a miopia dos brilhantes da mídia, e por outro, sorrir feliz que tanto errem e insistam no erro, para melhor benefício da gente brasileira.
No que se refere ao julgamento de petistas no STF e seu reflexo nas eleições, de novo, o velho jornal confunde opinião pública com opinião publicada. Se os editores olhassem mais críticos para suas “cartas à redação”, veriam a partir delas que as letras saídas nos jornais não são bem a voz da sociedade, porque mais de uma vez as cartas se inventam. As opiniões ali são falsas ou por claro exercício da mentira, ou por seleção rigorosa do que interessa publicar, que é outra forma de invento. Disso os editores até sabem. Digamos, numa concessão à sua inocência, que eles parecem não ver é outra coisa. A saber: a força antiga da imprensa em moldar consciências não se faz mais como antigamente. Como naquele tempo em que a Globo e Folha de São Paulo mudaram o voto popular, ao divulgarem na véspera das urnas montagem do debate Lula e Collor, e dinheiro roubado em fotos de Ali Babá.
Há limites que antes não havia. Eles vão da realidade livre da internet, que não obedece às leis do mercado como ocorre na massiva imprensa, mas influencia ainda assim, à realidade mais concreta, de identificação do povo com os políticos que lhe possibilitaram um mínimo de conforto e oportunidades na vida. Sim, o reconhecimento popular àqueles políticos, “bandidos”, estampados nas imagens das primeiras páginas e na tela da televisão. Mas fazer uma análise mais funda desse fenômeno, compor uma explicação científica que decomponha o real das ruas, vai além deste espaço e do talento do colunista. Então falo do que vi esta semana.
Nestes dias pude sentir o engano do massacre midiático sobre o julgamento da “quadrilha de petistas”. Na sala de um hospital, enquanto aguardava a hora do atendimento que demorava a chegar, pedi à recepcionista que mudasse o canal da tevê onde passava a telenovela. Então ela sintonizou a Globo News, que exibia momentos do confronto entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal. Para quê? Algumas senhoras se retiraram da sala, e só um ancião de classe média resmungava contra Lewandowski e aprovava o senso esperto, jornalístico de Joaquim Barbosa. O velho falava e a sua senhora tentava reprimi-lo, em atenção à minha cara de espanto. Mas eis que de repente, no instante em que o apresentador começou as suas doutas explicações sobre os mensaleiros, me ausentei para um telefonema. E para quê? Quando voltei, estava de volta a telenovela. Então foi minha vez de resmungar:
– É tudo falso, dos diálogos da novela às caras e bocas do julgamento. É tudo fake.
Então foi a minha vez de não interromper a atenção do distinto público, para melhor me guardar para esta tribuna livre, onde comparecemos por dever de consciência. Em resumo, amigos: apesar da parcialidade do STF e de todo o massacre dos jornais, dos líderes de opinião e da tevê, o julgamento político contra o governo Lula teve e tem sobre as eleições efeito zero. “Ô povinho atrasado”, dizem os luminares da classe média. “Ô conversa mole”, responde a gentinha de norte a sul do Brasil.
E aqui ligamos por fim as duas pontas, do sábio comentário de Lula às pesquisas que apontam a vitória para os candidatos da base de apoio da presidenta Dilma. O Palmeiras vai mal, mas o povo vai bem, excelências.
(Transcrito do Literário)