O jeitinho fiscal de roubar a Prefeitura de São Paulo

BRA_OE Kassab

JB
JB

O ex-subsecretário da Receita Municipal da prefeitura de São Paulo Ronilson Bezerra Rodrigues, acusado de comandar um esquema de fraude que pode ter desviado até R$ 500 milhões do Executivo, afirmou, em telefonema gravado com autorização da Justiça, que o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) “tinha ciência” do esquema de corrupção.

Novas escutas
Outras gravações de uma reunião dos auditores fiscais suspeitos das fraudes foram encontradas no apartamento de um deles, Luís Alexandre Magalhães. Segundo os investigadores, essa é a prova mais importante até agora contra Ronilson, ex-chefe de Luís Alexandre. A conversa ocorreu, conforme o MP, depois de março deste ano, quando o grupo descobriu que a Controladoria da prefeitura de São Paulo estava investigando todos eles por suspeita de enriquecimento ilícito. Luis Alexandre sentiu que poderia sobrar só para ele e começou a gravar encontros do grupo e fazer cópias do material.

Nas gravações, Luis Alexandre diz que não vai ser “bode expiatório” do grupo. “Eu não tava nessa sozinho. Eu tenho todos – todos – os números de certificado. Eu não vou ser bode expiatório”, disse. “Não vai. Porque eu vou estar contigo”, responde Ronilson, que continua: “Você não vai precisar me entregar. Sabe por quê?”. Nervoso, Luís Alexandre rebate: “Eu levo a secretaria inteira. Vai todo mundo comigo. Eu te dei muito dinheiro. Te dei muito dinheiro.” Ronilson, então, responde: “Você sabe por que que você me deu dinheiro? Você sabe por quê? Porque eu te deixei lá”. Luís Alexandre finaliza: “Isso. Então tá todo mundo junto.”

Veja como funcionava o esquema dos fiscais corruptos

Apenas cinco dias de prisão para a facção criminosa que, sem protesto, vandalizou a Prefeitura de São Paulo em mais de 500 milhões

BRA_AG fiscal corrupção prefeitura

A Justiça de São Paulo prorrogou nesta sexta-feira (1º) a prisão temporária de três dos quatro auditores que desviaram recursos do Imposto sobre Serviços (ISS) da Prefeitura de São Paulo na gestão de Gilberto Kassab (PSD). O pedido, feito pelo Ministério Público, foi aceito durante a tarde.

“Tive agora a informação de que a prisão temporária de três deles foi prorrogada por mais cinco dias”, confirmou o promotor  Roberto Bodini. Eduardo Horle Barcellos, Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Di Lallo Leite do Amaral permanecerão detidos. “Então, teremos mais a semana que vem para promover essas oitivas com mais tranquilidade”, completou o promotor. [E depois, e depois todos estarão soltos, que compensa o vandalismo de arrombar os cofres da prefeitura. São 500 milhões desviados. Pouca coisa. Dos corruptores – as empreiteiras – ninguém fala nada. Praticamente todas vão continuar com os seus rendosos negócios, sob o manto da proteção de quem faz do segredo uma lei que facilita o crime.

Representantes da incorporadora Brookfield afirmaram nesta sexta-feira que pagaram 4.124.658,22 milhões de reais ao grupo de auditores fiscais presos.

As pancadarias promovidas pela Polícia Militar de São Paulo

 

SPressoSP conversou com Rodolfo Valente, integrante da Rede 2 de Outubro

 

SPressoSP –  O que significa ter, hoje, 30 coronéis nas 31 subprefeituras da cidade de São Paulo?
Rodolfo Valente –
 Significa que estamos em um estágio avançado de militarização da sociedade e da gestão pública. Esses coronéis levam consigo a lógica militar da guerra, e é a partir dessa lógica que gerenciam os problemas das regiões nas quais estão circunscritos. Essa militarização, que é legado direto de uma ditadura militar ainda não descortinada, permeia os diversos espaços urbanos, mas é mais sentida na periferia, onde, cada vez com mais intensidade e violência, problemas sociais são resolvidos à base da criminalização e da truculência policial. É nesse contexto que vemos a ascendente criminalização de movimentos sociais pela moradia, os violentos despejos, a série de massacres à população jovem e negra da periferia, a crescente intervenção da polícia militar em pequenos conflitos entre adolescentes nas escolas públicas, os obscuros e regulares incêndios em ocupações populares, e por aí vai. Apesar de a periferia ser a mais afetada, também as pessoas pobres da região central são assoladas por essa política. Estão aí a “Operação Dor e Sofrimento”, na Cracolândia, as pancadarias promovidas pela Polícia Militar em grande parte das manifestações de rua e a abordagem extremamente violenta e ilegal da GCM a moradores de rua e a camelôs. A militarização, que rapidamente se intensifica na cidade de São Paulo, tem, em última análise, a função de controle e contenção total de qualquer insurgência provinda das periferias.

SP – O judiciário brasileiro é conivente com os abusos cometidos pelas polícias nas ruas?
RV –
 O judiciário não apenas é conivente como legitima esses abusos. De um lado, juízes e promotores, quando mantêm a prisão e condenam as pessoas mais vulneráveis dessa cidade, ainda que as provas sejam escassas e muitas vezes derivadas de torturas, contribuem diretamente para o alto grau de seletividade penal e de violência policial com que convivemos. De outro lado, esses mesmos juízes e promotores são completamente desinteressados quando a eles chegam denúncias de tortura e de execuções perpetradas por policiais. Ainda que haja indícios claros de tortura ou de execução, preferem arquivar as investigações por entenderem que não há provas. É uma clara opção política que atende a interesses econômicos dos pouquíssimos de sempre, cujas riquezas são, em menor ou maior grau, produto desse sistema que lança os excluídos ao sistema prisional, ignora os crimes de policiais contra os mais pobres e dá de ombros para a criminalidade do colarinho branco.

SP – A tortura se tornou uma política comum no modus operandi da polícia?
RV-
 A tortura faz parte da cultura policial no Brasil desde a invasão portuguesa. Especialmente em São Paulo, bem se sabe da história das incontáveis torturas perpetradas contra índios e escravos e que se seguiram, desde a República Velha, contra os mais pobres, os negros formalmente libertos e os movimentos sociais. A Ditadura Militar, que levantou uma enorme e complexa estrutura de repressão, marca o aprofundamento dessa cultura de tortura. Essa estrutura repressiva ainda subsiste. Junto com ela, a naturalização da tortura nas práticas policiais que, até hoje, com os anos de chumbo ainda cobertos e impunes, segue em vigor.

SP – Apesar do aumento do efetivo militar e da truculência na ação da polícia, os índices de violência só aumentam. O que está errado?
RV –
 Não precisamos de mais policiais na rua. Esse discurso é falacioso e escamoteia as reais intenções que motivam a defesa do aumento do efetivo militar. A Polícia Militar é justamente aquela em relação à qual a população periférica fica mais vulnerável, vez que opera nas ruas e aborda, em regra, os mesmos de sempre: pobres, jovens e negros. O crescimento do efetivo da Polícia Militar, nesse contexto, serve ao interesse de acuar, ainda mais, aquela população que menos tem acesso aos mais essenciais direitos humanos. Em um contexto de profunda desigualdade, é óbvio que o fortalecimento e o embrutecimento da Polícia Militar em lugares onde deveria haver promoção de direitos básicos só fará recrudescer a violência. Leia mais

 

Para os que estão sobrando, o fogo…

Carlos Chagas

Há quem acredite em coincidências, que obviamente existem. Mas há também quem se livre de responsabilidades alegando coincidências inadmissíveis.

Em duas semanas, cinco incêndios em São Paulo. Todos em favelas incrustadas no asfalto, povoadas de gente miserável, dessas diante das quais o paulista quatrocentão e os ricos italianos e turcos que o substituíram viram a cara e empinam o nariz. As elites protestam contra as autoridades que deixam existir sem limites tamanha escória humana. Mesmo aproveitando-se do trabalho dos favelados, pago a preço vil, nivelam por baixo e procuram eliminar o que lhes parece supérfluo. Melhor para elas selecionar e aproveitar parte dos que buscam sobreviver como podem, muitos tentados pela marginalidade e massacrados pela falta de oportunidades. Para os excessos, as chamas.

Antes das duas semanas acima referidas, numa ciranda que vem de muitos anos, quantas outras favelas foram queimadas sem maiores explicações do que um curto circuito em improvisadas instalações elétricas, uma vela acesa que caiu na sujeira ou desígnios do destino?

É preciso acabar com essa farsa. Estão queimando aglomerados de seres humanos porque não conseguem ou não querem integrá-los à sociedade de que fazem parte. Porque o favelados incomodam. Discriminar o semelhante marginalizado e conseguir o apoio de boa parte dos habitantes da maior cidade do país não tem sido difícil. Como suas elites, os incendiários imaginam-se acima e além da miséria criada por sua própria indiferença. Valem-se dos miseráveis, é claro, porque os usam para servi-los feito escravos, mas, como eles se multiplicam além das necessidades das elites, julgam imprescindível afastá-los para a periferia, eliminá-los pela destruição de seus casebres ou, em breve, suprimi-los fisicamente.

Não dá para a autoridade pública admitir e conviver com tamanha aberração. Importa menos se o incendiários são esbirros, sicários ou bandidos. Ou distorcidos cidadãos comuns da classe média, aqueles que provocam os incêndios. Não vem ao caso se agem coordenados ou se pensam prestar serviço espontâneo à coletividade elitista que os fascina, mas que integram apenas como penduricalhos e subordinados aflitos, evitando ser jogados na vala comum dos miseráveis.

No passado já foram o Comando de Caça aos Comunistas, aqui, como antes, lá fora, integraram as hostes do nazismo. A ideologia que cultivam não é mais racial. É social. Dedicam-se a discriminar os miseráveis através de sua expulsão da cidade, primeiro, e depois, de sua supressão. Tornou-se compulsão dessa quadrilha incendiar favelas, consciente ou inconscientemente a serviço da elite que jamais conseguirão alcançar.

Não seria difícil aos serviços de inteligência dos governos paulistano e paulista investigar e descobrir os mentores e os autores desse holocausto desenvolvido em etapas, favela por favela. Basta procurar quantos imaginam que pela supressão dos miseráveis será possível extinguir a miséria.

Dessa vez, não são os abomináveis traficantes, os seqüestradores e os bandidos de toda espécie que promovem a queima das favelas. Pelo contrário, eles precisam delas para recrutar novos asseclas e compor uma barreira capaz de beneficiar suas atividades ilícitas.

Vem da dita sociedade organizada o estímulo para prática tão hedionda como a que se tornou comum na Paulicéia. Se favelados perdem tudo do pouco que conseguiram amealhar, ou até sucumbem diante das chamas, melhor para essa canhestra ordem social que pretendem manter. Para os miseráveis em condições de servi-los, mais algum tempo de escravidão. Para os que estão sobrando, o fogo…

Que há por trás da ocupação nazista da Cracolândia de SP? Uma grande negociata imobiliária

Tudo se faz para beneficiar uma empresa: a AECON.

Que vai ficar com 30 por cento do Bairro da Luz, no centro histórico da capital de São Paulo.

Todo o bairro está sendo chamado de Cracolândia.

Neste bairro estão situados o Jardim da Luz, a Estação da Luz, a estação de metrô Luz, a Estação Júlio Prestes, o Museu da Língua Portuguesa, o Mosteiro da Luz, o anexo Museu de Arte Sacra de São Pauloe a Pinacoteca de São Paulo, em frente à Igreja de São Cristovão. A Rua São Caetano, famosa por abrigar roupas para casamentos, é chamada de “rua das noivas” e se situa no bairro.

Nos caminhos da Luz, antigos palacetes da elite paulista

Conheça a história do bairro. E imagine quanto vai lucrar a AECON.

São Paulo é luz

A beleza roubada
A beleza roubada

A imprensa vem escondendo essa negociata. Primeiro passo: uma longa campanha para estigmatizar o bairro e seus moradores. Segundo passo: ocupação policial (isso depois que as autoridades permitiram que certas áreas fosse ocupadas por traficantes e viciados em droga). Terceiro passo: expulsar os moradores e demolir os edifícios invadidos pelos sem teto.

Paredes de prédio são demolidas na Cracolândia
Paredes de prédio são demolidas na Cracolândia

Eis o que imprensa elitista, entreguista e conservadora esconde:

El centro de São Paulo es un foco de resistencia política.

por Raquel Rolnik

Bairro da Luz, estigmatizado como “cracolandia” por el poder público, resiste a un intento de gentrificación en tentativa desde los años 70.
El último capítulo en la historia de la política urbana del centro histórico de São Paulo, la última estrategia, es el exterminio. Bajo el nombre de Proyecto Nova Luz, más del 30% del barrio amenaza con ser desapropiado y demolido como parte de un plan para transformar la zona y expulsar a sus actuales moradores, aquellos que luchan hoy por afirmar la existencia de ese territorio y de su cultura.

El proyecto urbanístico Nova Luz está vinculado a una concesión urbanística de la zona como un todo, es decir, se permite a una empresa privada, en este caso AECOM, la desapropiación, derribo y posterior intervención en el barrio en bloque con fines lucrativos. Así, el proyecto Nova Luz nació con un planteamiento estrictamente estructural, que dejaba sin resolver todas las cuestiones sociales que atañen a la intervención en esta zona específica: ¿dónde serían reubicados aquellos que sufrieran desapropiaciones?, ¿qué sucedería con el alto porcentaje de no-propietarios que serían desplazados?, ¿cómo se abordaría el problema de salud pública asociado al consumo de crack en la zona?, y un largo etc. Leia mais

Saiu no Estadão reportagem de Marcelo Godoy:

Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia

Escreve Paulo Henrique Amorim:
Na Chuíça, então, é assim.

O segundo escalão da PM realiza uma operação neo-nazista e o governador não sabe de nada.

Nem o prefeito.

É “Estado Mínimo”- diria o Fernando Henrique, que mora, na Cidade de São Paulo, na rua mais nobre de Higienópolis.

Quando ele souber que a rua dele na Cidade de São Paulo vai se tornar uma Daslu da Cracolândia …

A ressurreição do nazismo na Chuíça

por Wálter Maierovitch

Pau-de-arara de Alckin-Kassab na Cracolândia. Tortura legalizada.
É inacreditável. Em tempos de Tribunal Penal Internacional e de luta sem fronteiras por respeito aos direitos humanos e contra a tortura, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador do estado paulista, Geraldo Alckmin, adotam, na conhecida Cracolândia, violência contra dependentes de crack. A dupla de governantes acaba de oficializar a tortura.
Na quarta-feira (4), por determinação do prefeito da cidade de São Paulo e do governador do Estado, iniciou-se o denominado “Plano de Ação Integrada Centro Legal”. Esse plano, consoante anunciado, terá duração indeterminada.
O plano, como explicou o coordenador de políticas de drogas da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, consiste em obrigar os dependentes que vivem na Cracolândia a buscar ajuda, “pela dor e sofrimento” decorrentes da abstinência, junto às autoridades sanitárias ou redes de saúde.
Ao tempo do DOI-CODI, a tortura, como regra mestra, foi largamente empregada. A regra era torturar, física ou psicologicamente, para obter o resultado esperado.
Nos campos nazistas, a fome e o abandono levavam à morte. Auxiliavam na vazão, pois, eram insuficientes em número os fornos crematórios.
A tortura indireta posta em prática pela dupla Kassab-Alckmin tem o mesmo fundamento dos campos de concentração nazista. E a tortura imperava no DOI-CODI, de triste memória.
Em nenhum país civilizado emprega-se essa estratégia desumana a dependentes. Ao contrário, investe-se no convencimento ao tratamento e até nas salas seguras para uso de drogas.