Olhar de fotógrafo

por Cristina Moreno de Castro

 

Cristina Moreno de Castro
Cristina Moreno de Castro

 

Andando rápido. Caminho longo.

Trinta minutos em quatro quilômetros.

Cidade no centro é pura fotografia.

Mulher ranzinza com bebê ao colo.

Nenhum sentimento, bela foto.

Prédios correndo rápido, carros lentos.

Na linda avenida com postes altos.

Sol de rachar, camelôs, vinis, barato.

Chego ao destino, mil vidas depois.

Puro pensamento.

Mais tarde, caminho de volta é sem compromisso.

Livros e teatros, bares e livros.

Maletta cheio de boemia precoce.

Ainda  é cedo e hoje é terça-feira.

Mas todos querem festa, querem descansar.

A hora mágica surge, espontaneamente

– como sempre.

E contrasta luzes da Praça

da Liberdade.

Estou livre, e feliz e cheia de vida.

Correria o triplo, se preciso fosse

e se não me privassem do meu pensamento.

Natal, tão longe, baixou seu clima no meu peito.

Misto de saudade e fé, desejo e necessidade.

Quero presentear a todos.

E viver natal como se fosse sempre.

Enquanto isso, três crianças devoram um cachorro-quente

um para cada.

E isso é felicidade.

– Que prédio alto! E acenam para o porteiro-pai.

E isso é minha felicidade.

Livre, estourando toda em mim.

Como as praças, e as casas velhas e os rostos enrugados

felizes de minhas fotografias.

 

 

 

 

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Veja o preço de uma superpraça. O desverdizado Recife não tem nenhum passeio público

As praças existentes no Recife estão encurtando. Uma foi transformada em supermercado. Um parque foi cimentado. A especulação imobiliária está trocando o verde das árvores pelo verde dólar. Fico a pensar, com o dinheiro do estádio na mata de São Lourenço, quantas praças, parques e passeios públicos poderiam ser construídos?

Qual é a política de lazer (não confundir com ócio) do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife?

Sei, nada se faz que preste para o povo.

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Turquia, uma país em guerra para defender 600 árvores. Quantos parques, bosques e matas o Brasil já devastou este ano?

Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
MEU RESPEITO AOS TURCOS!

Estou em Istambul em visita à minha filha, Teté, que mora em Beshiktas, um bairro próximo de Taksim.

Como está sendo noticiado aí no Brasil, um projeto de reurbanização do governo pretende derrubar 600 árvores de um parque na Praça Taksim, no coração de Istambul, para a construção de um shopping center no local.

Muitas pessoas ocuparam o parque para impedir o corte das árvores, e sexta-feira passada, 31 de maio, a polícia invadiu o parque para expulsar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, jatos d’água e muita violência.

O que aconteceu depois, e continua acontecendo, é emocionante.

Uma manifestação popular que foi crescendo ao longo dos dias, o protesto foi tomando o país! Parece que quanto mais a polícia reprime, mais gente aparece e a ameaça da derrubada das árvores acabou se transformando num protesto político sem precedentes nos últimos 90 anos do país.

Trouxe à tona uma série de insatisfações contra o governo que os turcos não querem mais calar: se fala em autoritarismo, na arbitrariedade nas tomadas de decisão, na falta de escuta, em algumas questões econômicas, em posições retrógradas e muito conservadoras em relação… E isso contra um governo com popularidade baseada no sucesso da política econômica.

Milhares de pessoas tomaram as ruas em muitas cidades do país!
Como a casa da Teté é no meio do caminho, sábado acabamos participando de parte da passeata do pessoal que veio do lado asiático pela ponte em direção à Praca de Taksim (fala-se em 40.000 pessoas que atravessaram a ponte a pé!).

Foi das coisas mais bonitas e emocionantes que já vi: pessoas de todas as idades, cantando, empunhando bandeiras da Turquia, uma festa. Vinha mais gente das ruazinhas laterais, os carros que passavam no sentido oposto buzinavam em apoio, muita gente batia panela nas janelas dos prédios… incrível!

A polícia está reprimindo as manifestações com uma violência absurda, muito gás lacrimogêneo e canhões de água. Mesmo assim, os protestos continuaram durante o final de semana inteiro, em muitos pontos da cidade. Vale dizer que são pacíficos até a ação da policia começar: aí surgem as barricadas, pedras, etc…

O movimento foi organizado através das redes sociais, não tinha nenhum partido político por trás da mobilização popular. Tive a oportunidade de presenciar cenas incríveis: gente distribuindo água, máscaras, limão e leite com água (que dizem amenizar os efeitos do gás). Panos brancos em alguns estabelecimentos sinalizavam abrigo possível em caso de necessidade.
As bandeiras nas janelas das casas, nas vitrines das lojas também se transformaram numa marca do protesto.

A partir da segunda-feira, os protestos voltaram a se concentrar na Praça de Taksim, o início marcado para as 9 horas da noite. Além disso, diariamente às 9 da noite em ponto uma barulheira danada continua tomando as ruas: panelas batendo, buzinas, apitos e vuvuzela durante muitos minutos. Para lembrar que podem não estar presentes na Praça, mas continuam mobilizados, insatisfeitos, querendo mudanças.

Ontem à noite bati panelas em sinal de apoio, quis mostrar meu respeito e admiração pelos turcos. Confesso que senti uma pontinha de inveja!

Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS

Veja A revolta turca em imagens

Por que o Recife não tem nenhum passeio público?

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Bacia do Pina - Beleza Roubada
Bacia do Pina – Beleza Roubada

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Na Bacia do Pina – um dos lugares previstos para construir áreas de lazer – vão levantar torres de edifícios para novos ricos e estrangeiros, construir shoppings e condomínios de luxo. Toda  beleza da paisagem vai ser proibida para o povo.

Compare com Curitiba. Leia reportagem publicada hoje pela Gazeta do Povo

Parque Iguaçu
Parque Iguaçu
Bosque do Papa
Bosque do Papa
Bosque Gutierrez
Bosque Gutierrez

Novas ideias para um outro Passeio

por Cristiano Castilho

uem deu suas pernadas pelo Passeio Público na última semana percebeu algo diferente. Em meio às mesas do restaurante do espaço, pranchas de papel eram vistas penduradas em um aramado improvisado. Nelas, diversas representações do primeiro parque da cidade. Algumas, futuristas, traziam a imagem de um prédio em espiral, todo envidraçado. Outras, mais modestas, mostravam um grande parque a céu aberto, repleto de crianças, e totens com fatos históricos acontecidos ali, no banhado que virou parque há 127 anos.

As mais novas ideias para a revitalização do Passeio Público vêm dos alunos do curso de especialização em Construções Sustentáveis da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), coordenado pelo professor doutor Eloy Casagrande Júnior, um teimoso. Pois foi ele que, em março, desengavetou um projeto concebido por alunos norte-americanos em 2006 – que não foi para frente na época.

Agora, sua turma de arquitetos e engenheiros civis e ambientais teve como tarefa propor sugestões para uma revitalização arquitetônica-ambiental do parque que quer voltar a estar na moda. Os 25 alunos se dividiram em seis equipes. Cada uma apresentou um projeto, que ficou exposto no Passeio Público por oito dias, – de 4 a 12 de maio.

“Colocamos em exposição para os frequentadores criticarem e comentarem”, justifica o professor, também criador do original e premiado Escritório Verde, em 2011.

Os alunos entrevistaram frequentadores do Passeio, moradores do entorno e trabalhadores do local. Na carona das respostas, montaram projetos que envolvem cultura, arquitetura e meio ambiente. “Muito factíveis”, garante. Algumas soluções propostas já são utilizadas no exterior, provando que o que há de comum entre os projetos é a ousadia. “Não são pequenas ações, remodelações ou ajustes. São projetos ousados e arquitetonicamente atrativos”, afirma.

Contato

Assim como aconteceu em março, Casagrande já manteve contato com Sérgio Pires, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Segundo o professor, Pires teve uma impressão geral “excelente”. Sua opinião foi reforçada pelo secretário de Meio Ambiente, Renato Eugênio de Lima, que “acha que algumas ideias podem ser abordadas.”

A exposição do que pode vir a ser o “futuro Passeio” segue agora para o Ippuc e também para algumas universidades. Quanto mais pitacos, neste caso, melhor. “Queremos participar da ação e participar das discussões, já que temos todas essas ideias”, justifica Casagrande, o “teimoso do Passeio”.

No papel
Integrando os seis projetos, algumas propostas elaboradas pelos alunos do professor Eloy Casagrande Júnior se destacam:

Gaiolas interativas

Criação do sistema phantom mesh, utilizado em zoológicos da Nova Zelândia e Austrália. Com uma tela fina, quase transparente, substitui as de arame e facilita a visualização dos animais.

Restaurante

“Como está hoje, o restaurante não funciona”, diz Casagrande. Os alunos propuseram a criação de quiosques e cafés pelo parque. Outra ideia é transformar o restaurante em uma praça de alimentação para diversificar as opções de refeição.

Feira orgânica

Aumentar a interação com a feira que ocorre aos sábados. Utilizar parte do Passeio Público como uma horta orgânica, possibilitando também a educação ambiental para crianças.

Água

Utilizar a água como “tema”. Criar aquário ampliado e interativo.

Museu

Fotos antigas, exposições culturais e relatos de epi­sódios acontecidos no Passeio fariam par­te do museu, um link físico entre passado e presente.

Playground

Remodelar o parquinho das crianças, e modernizar o espaço através do incentivo ao arborismo.

Mirante

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Em forma de espiral – “ou de DNA” –, um edifício envidraçado ofereceria uma visão panorâmica. No topo, um mirante. “Ninguém nunca viu o Passeio de cima”, argumenta Casagrande.

Palco

Reformar e criar uma agenda de shows para o palco do parque: mais um espaço para bandas curitibanas.

[Quais são os espaços públicos do Recife?
A Cidade está cada vez mais cinzenta e feia.
Isto é, o cimento cobre o que resta de verde e vai comendo o azul das beiradas dos rios e das lagoas.
Veja a diferença:
Parque Tanguá à noite
Parque Tanguá à noite
Túnel do Parque Tanguá
Túnel do Parque Tanguá
Trilha João e Maria no Bosque Alemão
Trilha João e Maria no Bosque Alemão
A Casa Encantada no Bosque Alemão
A Casa Encantada no Bosque Alemão