Portugal tem “a obrigação de se juntar às forças da Europa que querem mudança”

Catarina Martins, desafiou esta segunda-feira o Governo a posicionar-se entre os países que querem “que fique tudo na mesma” na Europa ou os que defendem a reestruturação das dívidas para que haja “outro futuro na Europa”.

Evora: Rally against the austerity measures

Catarina Martins considera que o executivo português tem “a obrigação histórica” de apoiar o novo governo grego nesta iniciativa e “as forças da Europa que querem mudança”.

“O Governo português não pode continuar no campo que está a tirar as possibilidades de futuro ao nosso país, se em Portugal não foi nada feito podemos ficar tristemente na condição do país que ficou sempre com as piores condições, mesmo quando outros países negociavam um outro futuro e um novo horizonte na Europa”, afirmou.

A porta-voz bloquista deixou claro que “a janela de oportunidade está aí” e que Portugal “pode aproveitá-la”: “Estão em debate duas formas de estar na Europa, ou aceitamos que a austeridade deve continuar ou estamos no campo de quem está a tentar mudar para que haja crescimento e emprego”.

Neste contexto, Catarina Martins defendeu que caso não o faça, o Governo “não está só a falhar com a solidariedade europeia para acabar com a austeridade”, mas com todos os portugueses.

“O desafio que se coloca hoje ao Governo e a todas as forças políticas nunca foi tão claro, é aproveitar os ventos de mudança e os sinais de mudança na Europa, se esses ventos não forem aproveitados vamos continuar a sacrificar os portugueses”, advertiu.

Catarina Martins sustentou ainda que a vitória do Syriza na Grécia trouxe um novo fôlego ao debate sobre a renegociação das dívidas, a existência da troika e as consequências da austeridade, dando os exemplos da França, da Irlanda, do Banco Central de Inglaterra ou do presidente norte-americano, Barack Obama.

“Um pouco por todo o mundo se vão ouvindo as vozes a dizer que este é o momento para a Europa compreender que a austeridade não pode ser mais a política”, disse.

A dirigente bloquista voltou a alertar para a insustentabilidade da dívida portuguesa, que “aumentou 76 mil milhões de euros nos últimos três anos”, e a citar o social-democrata Carlos Moedas, que na oposição defendeu esta posição.

“Como é que agora, quando a divida pública está ainda mais alta, representa 134% do PIB português, se pode negar a renegociação?”, interrogou.

2 março port

Portugal parou. Os trabalhadores realizaram uma “greve excepcional”

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A greve geral de 27 de Junho está a correr bem e dentro das expetativas da CGTP. A central sindical revelou hoje que existem muitos setores de atividade parados de Norte a Sul do país.

“A adesão tem sido muito muito forte”, afirmou Armando Farias da CGTP ao Dinheiro Vivo. “Estamos a falar de uma adesão na ordem dos 80-90%”, acrescentou.

“Temos registado uma elevada adesão, em particular, no setor da saúde e nos transportes”, de acordo com Lúcia Macau, porta-voz da central sindical.

Lisboa: Manifestantes cortam Autoestrada

Lisboa: Manifestantes cortam Autoestrada

Lisboa: Manifestação na greve geral de 27 de Junho

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Questionado pelos jornalistas acerca da banalização da greve, Arménio Carlos,  secretário-geral da CGTP, declarou que tal não se verificou, pois “se houvesse banalização não havia adesão e o que nós tivemos hoje foi uma greve excepcional no plano da adesão, da participação e do compromisso”.

O secretário-geral da CGTP acrescentou que a greve de hoje não foi exclusivamente uma greve de protesto mas sim “uma greve para apoiar também as propostas da CGTP, propostas para criar mais e melhor emprego, para impedir que os nossos jovens continuem a ser forçados a sair do país, para melhorar os salários e o poder de compra e também a actualização do salário mínimo nacional”.

“Foi também uma greve geral para defender os serviços públicos e as funções sociais do Estado que, neste momento, estão a ser atacadas e brevemente será com certeza anunciado por parte do governo um relatório sobre o Estado, com a reforma do Estado. O que está em causa neste momento é mais uma tentativa de atacar o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública de qualidade e também a segurança social”, acrescentou no final da conferência de imprensa.

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