Cota de negros já para o shopping Rio Mar da Bacia do Pina, Recife

Fui ontem, pela primeira vez, ao Rio Mar, e fiquei espantado: não vi nenhum negro entre os usuários. Certamente existem pessoas de cor, para realizar os serviços sujos e pesados: segurança, limpeza e descarga de mercadorias.

O Rio Mar foi construído em terreno doado pelo Estado para a fábrica Bacardi, quando expulsa de Cuba, nos começos da vitoriosa revolução de Fidel.

E toda a infra-estrura: via expressa, ruas e mais ruas,  viadutos, túneis,  desapropriações de terrenos, despejo de favelas, redes de água, energia, esgoto etc – uma bilionária botija de benesses doada pelos prefeitos João Paulo, João de Costa para o Povo, e o atual Geraldo Julio, mais governo do Estado, governo da União, e perdidos fundos – que os lá de cima metem a mão – dos bancos oficiais.

estrutura

rio mar estrutura

Com a justiça de Pernambuco assinando despejo de negros nas favelas, e a partir do terreno da Bacardi, o rasgar do verde dos manguesais para construção de altas torres.

Veja se esse paraíso é lugar para negro. Negro é bicho de maloca, acostumado a viver na lama, que nem caranguejo, que rasteja pra trás.

RioMar Shopping 02

RioMar Shopping 03

RioMar Shopping 04

Veja quanta agressão na beleza roubada. Quem esta dentro do paraíso de luxo nem percebe
Quanta agressão na beleza roubada! Clique na foto para ampliar

RIOMAR-1 interior

Rio-Mar- interior

riomar loja

Esse anunciado rolezinho não aconteceu

folha

A polícia de Eduardo Campos promete traçar planos de segurança para evitar rolezinhos. O que fica provado a existência do apartheid negro.

Nestes meses de férias escolares, para onde deve ir o jovem estudante negro?

O Recife não tem passeio público, e as poucas praças sem árvores não oferecem nenhum atrativo. Nem sombra tem.

Por que a Prefeitura do Recife não constrói para o povo, na Bacia do Pina, hortos, parques, praças, centros esportivos e culturais?

Veja que curioso: nos bairros da Zona Sul não existe nenhum mercado público.

As armadilhas contra Dilma

Dilma faz reunião para tratar dos rolezinhos
Dilma faz reunião para tratar dos rolezinhos

 

Pessimamente aconselhada pelo marqueteiro, Dilma apanhou as Pedrinhas jogadas no telhado de Roseana Sarney. E as degolas de presos viraram pedradas na versão maquiavélica de Ricardo Noblat. Quando o sistema carcerário, com as polícias civis e soldados estaduais comandados pelos governadores, possui os panos quentes do judiciário, haja vista a última briga do ministro Joaquim Barbosa para nomear o juiz do presídio onde trancou os mensaleiros em Brasília.

Em mais uma jogada antipopular, Dilma entrou na onda dos rolezinhos, em defesa do governador Alkmin e dos donos de shopping. Uma armadilha que pode lhe custar a popularidade entre os beneficiados das cotas de negros nas universidades, na oferta de empregos e no bolsa-família.

O bom propagandista político não cai em ciladas. Pelo contrário, como estrategista, arma as armadilhas, os snares. Arquiteta e antecipa todas as ações de uma campanha.

Nada a ver com religiões e bruxarias. Um bom cientista político age como profeta. O propagandista político, mesmo quando a profecia não ocorre, faz acontecer.

Outro que anda com marqueteiro, Eduardo Campos. Dizem que um cara argentino, que não entende a alma brasileira além dos Pampas.

O governador de Pernambuco deixou a oportunidade passar. O inesperado apoio de Marina Silva – após sua desarmada  rede, talvez pela candidatura de Joaquim Barbosa a presidente – era mais do que uma soma, e  sim a multiplicação dos votos. E foram tantas as burradas que temos hoje uma conta de diminuir.

Nesta pré-campanha presidencial melhor vai o Aécio Neves, que estava na U.T.I. Pelo simples fato de ter dispensado o marqueteiro.

 

 

 

 

A aposta radical das cotas: luta das/os oprimidas/os e ruptura epistemológica e política

BRA_CB cotas

por João Telésforo

Já acumulamos alguns anos de discussão sobre o tema das cotas no Brasil. Dois exemplos famosos: reserva de vagas para negros/as, indígenas, estudantes de baixa renda e egressos/as da escola pública no acesso à universidade; reserva de vagas para mulheres em cargos de representação e direção política.

O debate amadureceu muito (e eu tenho amadurecido com ele), mas ainda me incomoda que as cotas sejam predominantemente defendidas, no senso comum, apenas como políticas compensatórias, e não tanto como aposta de que a inclusão de grupos oprimidos em certas instituições traga o potencial de intensificar o combate às opressões geradas por elas e reproduzidas em seu interior.

Você já está bastante acostumado a ouvir falar no aspecto compensatório das cotas. Exemplo. As estruturas sociais discriminam os/as negros/as e isso prejudica o seu acesso à educação superior. Portanto, ações afirmativas voltadas à inclusão de negros/as na universidade não visam a privilegiá-los/as, mas a corrigir uma barreira ao seu acesso. Isso não atenta contra o “mérito”; pelo contrário, contribui para que a seleção avalie o verdadeiro mérito. Digamos que alguém que enfrentou uma série de barreiras de discriminação racial e de classe ao longo de seu percurso de vida e escolar obtenha a nota 89/100 numa prova de ingresso, e alguém que não as enfrentou, 90/100. Sem nem entrar na questão sobre se a tal prova é mesmo uma boa forma de avaliar… Quem tem mais “mérito”, de acordo com ela? Quem mostrou maior talento, dedicação e capacidade de crescimento? Quem, uma vez que tenha um pouco menos de desigualdade de condições na universidade, tenderá a ter resultados melhores? Eu apostaria todas as minhas fichas na pessoa que obteve o 89.

Isso é fundamental, mas as cotas, a garantia de que pessoas de certos grupos ocupem certas vagas (desde que obtenham certo desempenho básico, em alguns casos), são mais radicais do que isso, em dois aspectos. O primeiro foi explicado pelo Gustavo Capela num texto aqui no blog, faz uns anos: inserir negros/as em posições de poder e prestígio é uma forma de romper com o imaginário social de que seriam incapazes de exercer certas profissões ou posições; de romper simbolicamente, visualmente, com a naturalização de seu lugar político, profissional, acadêmico e espacial subalterno (e a sociedade é feita também, em enorme medida, de construções e disputas simbólicas).

Há um segundo aspecto, no entanto, que parece escapar à maioria das discussões. O movimento negro, por exemplo, tem lutado por espaço em instituições como a universidade para combater o racismo no acesso a ela (de modo que a mobilidade acadêmica e social seja menos determinada por fatores raciais) e no imaginário social que enxerga o/a negro/a como inferior, mas também para combater o racismo na e da universidade em outro aspecto, o do conhecimento, cultura e educação produzidos por ela, tanto em seus conteúdos, como em seus métodos.

A universidade não tem servido, historicamente, à causa das e dos oprimidos: à colaboração com as lutas das classes trabalhadoras, das mulheres, dos/das negros/as e indígenas, dos/das sem-terra e sem-teto… Divulga externamente e para si mesma a imagem de que seria uma instituição “imparcial”, interessada na busca “desinteressada” do conhecimento, mas a verdade é que serve cada vez mais a empresas (privadas ou estatais) que têm interesses muito determinados: ampliar seus lucros, o que está em confronto estrutural com os interesses e anseios dos grupos citados, “minorias” que contemplam amplas maiorias da população. E mais: mesmo quando o/a pesquisador/a não é diretamente constrangido/a no que pode e deve pesquisar pelo estrangulamento de suas fontes financiadoras, o isolamento social da classe dominante na universidade, a reprodução inconsciente do senso comum de certa classe na seleção de temas e perspectivas de pesquisa, tende a produzir efeito semelhante (duas palavras-chave, aqui, são hegemonia e alienação… e quando falo em classe, aqui, leia-se também etnia e gênero dominantes, entre outros aspectos).

Como romper com esse processo de dominação e alienação na e da universidade? A aposta histórica da esquerda, pelo menos desde o século XIX, é que somente os/as oprimidos/as podem ser sujeitos de sua libertação, da superação das opressões. Portanto, se queremos romper com as práticas dominadoras na e da universidade, é fundamental que as/os oprimidas/os ocupem-na e disputem-na a serviço de suas causas libertadoras. Por isso, é fundamental a extensão popular, a produção de conhecimento pela univeridade em co-pesquisa com movimentos populares. Por isso, também, a aposta de que a inclusão direta dos/das oprimidas no espaço universitário, em especial dos/das oprimidos/as organizados como tal, em movimento de superação dessa condição (de “classe em si” a “classe para si”, diria o marxismo), pode ser decisiva.

Eu disse que pode ser, e falei ainda em aposta. Nenhuma certeza ou determinismo, pois. De fato, não há garantia alguma de que os/as negros/as que adentram a universidade, por exemplo, farão esse combate de modo organizado e sistemático. Porém, é mais provável que consigam fazê-lo quando conseguem ao menos presença no espaço, serem partes dele, do que quando não têm sequer esse nível básico de acesso.

Falei ilustrativamente da universidade e das cotas raciais, mas isso também me parece valer para outros tipos de cotas. Em movimentos sociais e partidos políticos, por exemplo, instaurar cotas para mulheres em postos de direção e representação pode servir para romper com a invisibilização de suas capacidades e a naturalização de que não têm as qualidades exigidas para funções de liderança. Porém, tem potencial ainda maior do que esse: a abertura de espaços e o empoderamento possivelmente conquistado pelas mulheres ao exercer tais cargos tem o potencial de aumentar a capacidade da organização de combater o machismo no seu interior, na sua práxis e na política que apresenta.

Então, não é apenas para “compensar” o nosso machismo, contra o qual lutamos (que nos leva, inconscientemente, a não reparar e valorizar tanto nas qualidades dirigentes das mulheres), que defendo cotas para mulheres em postos de direção do B&D e do PSOL, por exemplo (cotas que já existem, aliás, mas em alguns casos poderiam ser maiores). Vou além disso: uma mulher, por ser mulher (e ainda mais quando é feminista, envolvida na luta para se constituir como “mulher para si”, digamos), tem sim um diferencial positivo que deve ser valorizado na ocupação de postos de direção e representação numa organização que se pretenda feminista. A cota, assim compreendida, não desvaloriza em nada a mulher, como se necessitasse dela por não ter qualidade para ser dirigente ou representante. Pelo contrário: valoriza a sua luta e seu potencial universalizante. Ser mulher e feminista é, em si, uma qualidade a ser valorizada com orgulho numa dirigente, numa organização feminista. Consequência da aposta de que a as/os oprimidas/os são as/os maioras/es portadoras/es do potencial de lutar contra as opressões, os sujeitos protagonistas da construção de uma sociedade livre e igualitária.

Pela defesa e ampliação de cotas para mulheres, negros/as e outros grupos oprimidos!

cotas

A empulhação do Enem

MANCHETES DE HOJE

Defesa explícita da privatização do ensino
Defesa explícita da privatização do ensino

A imprensa vendida e elitista ora condena o Enem ora defende. Brinca de gato e rato. Mas a finalidade é uma só: privatizar o ensino.

As manchetes do Enem cantam a democratização das cotas para negros, índios e alunos das escolas públicas, frequentadas por alunos pobres, a classe média de Lula. Até aí tudo muito bontinho.

Enquanto rolam a corrupção e o sucateamento das universidades, apesar dos gastos mirabolantes de magnícos palácios para as reitorias, e prédios e mais prédios superfaturados no campus.

Em baixo da faraônica pirâmide, as escolas municipais dos prefeitos ladrões funcionam em palhoças e mocambos.

 Denuncia Celia Lessa Kerstenetzky:

Apesar de ostentar o 6º PIB do planeta, o Brasil não pode ser considerado um país desenvolvido: seus resultados francamente insatisfatórios em educação, entre os quais se destacam as subcoberturas e os deficientes padrões de qualidade, barram a entrada no clube. Em plena economia do conhecimento e no olho do furacão dos mercados globais, a educação é mais do que nunca componente crucial de qualquer estratégia de desenvolvimento. O envelhecimento da população é fonte de pressão suplementar  por  exigir uma população ativa cada vez mais produtiva para sustentar a crescente população inativa.

Contudo, a despeito de deficiências antigas e urgências novas impostas ao sistema educacional brasileiro, a atenção governamental ao problema mantém-se inabalável com gastos em educação como proporção do produto praticamente constantes desde 1990. Não há pressa, não há urgência. Aguardando a revolução pela inércia, nossa distância em relação aos desenvolvidos só abisma. Recentemente, foi aprovado o texto final do mais recente Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), entre cujas metas “desenvolvimentistas” destacam-se:  a eliminação do analfabetismo, a universalização da educação básica e a extensão da cobertura de creches e ensino superior, e a de estipular o patamar de 10% do PIB para a educação a ser progressivamente atingido em 2020.

Infelizmente, ao contrário do desejável, o Plano não ensejou um debate substantivo sobre estratégias alternativas para a educação no Brasil: mortalmente, as reações se dirigiram à demonstração de sua impossibilidade. As teses centrais resumem-se à afirmação de que o Brasil não gasta pouco em educação, mas gasta mal, e que gasto e qualidade não estão relacionados; a conclusão é que  uma alocação adequada em combinação com uma gestão apropriada resolveriam problemas de cobertura e de qualidade. No restante deste texto, reagimos a essas reações.

O BRASIL GASTA MUITO EM EDUCAÇÃO? 

Há dois critérios para avaliarmos essa questão, a comparação com o que outros países gastam e a estimação de nossas próprias necessidades. Em ambos os critérios, fica evidente que a educação é subfinanciada no Brasil.

Algumas comparações internacionais desconsideram a questão do volume de recursos, insistindo que nossa prioridade e nosso sacrifício pessoal são comparáveis: tanto como percentual do PIB, quanto como fração do PIB per capita, gastamos valores compatíveis com os níveis da OCDE. Porém, na comparação dos gastos reais, o Brasil não ocupa posição de destaque: cada aluno brasileiro recebe um investimento anual de R$4 mil, equivalentes a pouco mais de US$ 2 mil com paridade de poder de compra, bem abaixo da média da OCDE (US$ 8,6 mil).

Outra questão importante é o déficit em termos de capital: em média, o Brasil gasta relativamente pouco com capital, 5,4% do total de gastos, contra 7,5% na Finlândia, 14,6% na Coréia, e 8,7% em média na OCDE. Quantas creches precisamos construir? Como expandir a minúscula jornada escolar sem mais escolas? E universidades para receber agora e mais tarde todos os jovens que queremos incluir?  Mesmo países que gastam mais do que nós, como Chile e México, não equacionaram esses problemas; por outro lado, países desenvolvidos não possuem déficit de capital significativo.

No Chile, diferente dos apáticos brasileiros, os estudantes não abandonam as trincheiras:

Exigimos: una educación calidad igual para todos, gratuita para evitar que el financiamiento sea un problema,   generando además las condiciones materiales para poder estudiar (becas de mantenimiento universales, pasaje de locomoción gratis, horarios más flexibles, etc.) y cuya dirección esté asegurada por el Estado, incluso en el control y dirección de la oferta educativa.

La estrategia defensiva debe ser superada por una ofensiva de las bases estudiantiles y la iniciativa de las dirigencias para dar un giro táctico, romper con el parlamento, concentrar las fuerzas de los estudiantes de forma independiente, multiplicando la acción movilizadora, la discusión política y la organización permanente en otras facultades, universidades y liceos. La tarea es crear una agenda de lucha propia y no sólo un calendario de actividades, no depender de las maniobras del enemigo de clase ni de su ejército de políticos a sueldo. Debemos cambiar nuestras reivindicaciones por demandas para ganar y no sólo para resistir, definir demandas concretas que pongan como centro estratégico la eliminación del mercado (limitación de la oferta privada, eliminación de lógicas competitivas, prohibición de negociar con el conocimiento, etc.) y que fortalezcan el Estado (plan de infraestructura, aumento de matrículas y absorción de los estudiantes que van o que están en privadas, aumento del PIB en educación, Ciencia y tecnología para financiar educación gratuita, mantenimiento y planes de infraestructura, y regulación y control de la oferta educativa, con cierre y creación de carreras y nuevas instituciones, de preferencia técnicas)

La política no es sólo el ajuste de las fuerzas a lo posible. Es, antes que nada, un arte cuya regla principal (parafraseando una clásica sentencia) es la ofensiva encarnizadamente audaz, minuciosa, e implacablemente decidida.

Chile. Marcha estudantil
Chile. Marcha estudantil

Fernando Henrique acabou com a malandragem dos velhos

Velho é quem tem 60 anos.

Fernando Henrique aumentou o tempo de aposentadoria por idade dos 60 para os 65 anos.

Velho tem que trabalhar, e pedir certo direitos não fica bem: tipo caixa especial nos bancos.

Como oferecer emprego a quem se apresenta como incapaz de exercer a maioria dos serviços?

Fez o certo FHC:

Antes bom burro que cavalo ruim.

Antes velho ajuizado que moço desatinado.

Mieux vaut l’ombre d’un sage vieillard que les armes d’un jeune coquart.

La vieillesse est plus efficace qu’une jeunesse irréfléchie.

Pois é, boi velho, passo seguro.

Se a aposentadoria só depois dos 65 anos. Que os concursos públicos e as empresas privadas acabem com a discriminação. Este é um direito de todos os trabalhadores. Não é lei muleta. Um velho não é um idoso, que tem mais de 65 anos, nem é um ancião, quem passou dos setenta.

A aptidão dos velhos para o trabalho constitui lei sancionada por FHC.

Que o legislador crie cotas para velhos nas empresas. Os velhos precisam de trabalhar. Para comer. Para comprar medicamentos. Para ter uma moradia digna.

Essa de quem gosta de velho é hospital, é asilo, é um abusão. Essas expressões devem entrar na lista do politicamente incorreto, na lista dos preconceitos criados para proteger os negros, os gays, as lésbicas, os aidéticos, os aleijados, os cadeirantes, os cegos, os mudos, os surdos etc.

O velho é um trabalhador como outro qualquer, assim diz a lei.

É isso aí. A velhice não presta, mas todos a querem. Il faut vieillir ou mourrir jeune. Old be, or young die.

Que acabem com os caixas especiais para quem tem 6o anos.

Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo

 

E para manter-se lá, na desigualdade, contribuem todos os que lutam contra a CPMF, a Bolsa Família, a política de cotas. Apontar a desigualdade é fácil, colaborar para diminuir é que são elas. Quem apóia corruptores não deve estar querendo ver esta desigualdade diminuir.

“As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática.”

Simon Ticehurst, chefe do escritório da Oxfam no Brasil

Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.

“Os mercados podem criar empregos, mas não vão fazer uma redistribuição (de renda)”, afirma.

Outras questões

Ticehurst diz que, para reduzir a desigualdade, o Brasil também precisa atacar as questões da sustentabilidade e da resistência a choques externos.

“As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática. O modelo de desenvolvimento do Brasil precisa levar isso mais em conta.”

Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade.

“Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vive no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza”, afirma TiceHurst.

“É preciso fechar esse circuito para que os produtores que alimentam o país tenham condições menos vulneráveis e precárias.”

Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência “preocupante” no sentido do aumento na desigualdade.

A entidade afirma que algumas dessas nações foram “constrangidas” pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos.

“A experiência do Brasil, da Coreia do Sul e de vários países de renda baixa e média-baixa mostra que reduzir a desigualdade está ao alcance dos dirigentes do G20”, afirma o texto.

“Não existe escassez de potenciais alavancas para políticas (de redução da desigualdade). Em vez disso, talvez exista uma escassez de vontade política”, diz o estudo.

 Transcrevi trechos