Encurtemos as distâncias entre o salário mínimo e o salário dos desembargadores, dos coronéis da PM, dos senadores, entre um favelado e um banqueiro, entre os palácios e favelas

justiça social Amorim

Essa distância o papa Francisco vem mostrando nos sermões.

No Brasil as desigualdades são cruéis. Pastores, com seus palacetes e aviões de luxo, pregam o fanatismo religioso. É difícil neste mundo cruel ser cristão, pregar o amor, que apenas existem – ensinou Jesus – dois mandamentos que é um só: amar a Deus e amar o próximo.

Não existe justiça social nos despejos judiciários. Não existe amor em uma sociedade que convive com o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e 500 mil prostitutas infantis.

Os governantes apenas trabalham pelos empresários financiadores de campanhas eleitorais. Nada se faz que preste para o povo. O Rio de Janeiro possui 1 mil e 100 favelas. São Paulo, 2 mil 627 favelas.

Jesus-prega-ao-povo

Aproximar-se das pessoas marginalizadas, encurtar as distâncias até chegar a tocá-las sem ter medo de se sujar: eis a «proximidade cristã» que nos mostrou concretamente Jesus libertando o leproso da impureza da doença e também da exclusão social. A cada cristão, à Igreja inteira, o Papa pediu que tenha uma atitude de «proximidade»; fê-lo durante a missa na manhã de sexta-feira, 26 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta. A próxima celebração está prevista para terça-feira 1 de Setembro.

«Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam»: Francisco iniciou a homilia repetindo precisamente as primeiras palavras do Evangelho de Mateus (8, 1-4) proposto pela liturgia. E toda aquela multidão, explicou, «tinha ouvido as suas catequeses: ficaram maravilhados porque falava “com autoridade”, não como os doutores da lei» que eles estavam habituados a ouvir. «Ficaram maravilhados», especifica o Evangelho.

Portanto, precisamente «estas pessoas» começaram a seguir Jesus sem se cansar de o ouvir. A ponto que, recordou o Papa, elas «permaneceram o dia inteiro e, por fim, os apóstolos» deram-se conta de que tinham certamente fome. Mas « para eles ouvir Jesus era motivo de alegria». E assim «quando Jesus terminou de falar, desceu do monte e as pessoas seguiam-no» reunindo-se «em volta dele». Aquela gente, recordou, «ia pelas estradas, pelos caminhos, com Jesus».

Contudo, «havia também outras pessoas que não o seguiam: observavam-no de longe, com curiosidade», perguntando-se: «Mas quem é ele?». Aliás, explicou Francisco, «não tinham ouvido as catequeses que tanto surpreendiam». E assim havia «pessoas que olhavam da calçada» e «outras que não podiam aproximar-se: era-lhes proibido pela lei, porque eram «impuros». Precisamente entre elas estava o leproso do qual fala Mateus no Evangelho.

«Este leproso – realçou o Papa – sentia no coração o desejo de se aproximar de Jesus: tomou coragem e aproximou-se». Mas «era um marginalizado», e portanto «não podia fazê-lo». Porém, «tinha fé naquele homem, tomou coragem e aproximou-se», dirigindo-lhe «simplesmente o seu pedido: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”». Disse assim «porque era “impuro”». Com efeito, «a lepra era uma condenação definitiva». E «curar um leproso era tão difícil quanto ressuscitar um morto: por esta razão eram marginalizados, estavam todos ali, não podiam misturar-se com as pessoas».

Porém havia, prosseguiu Francisco, «também os automarginalizados, os doutores da lei que olhavam sempre com aquele desejo de pôr Jesus à prova para o fazer cair e depois condenar». Ao contrário, o leproso sabia que era «impuro, doente, e aproximou-se». E «o que fez Jesus?», questionou-se o Papa. Não ficou parado, sem o tocar, mas aproximou-se ainda mais e estendeu-lhe a mão curando-o.

«Proximidade», explicou o Pontífice, é uma «palavra tão importante: não se pode construir comunidades a sem proximidade; não se pode fazer a paz sem a proximidade; não se pode fazer o bem sem se aproximar». Na realidade, Jesus poderia ter-lhe dito: «Que tu sejas curado!». Ao contrário, aproximou-se dele e tocou-o. «Mais ainda: no momento em que Jesus tocou o impuro, tornou-se impuro». E «este é o mistério de Jesus: assumir as nossas sujidades, as nossas impuridades».

É uma realidade, prosseguiu o Papa, que são Paulo explica bem quando escreve: «Sendo igual a Deus, não considerou esta divindade um bem irrenunciável; aniquilou-se a si mesmo». E, em seguida, Paulo vai além afirmando que «se fez pecado»: Jesus tornou-se ele mesmo pecado, Jesus excluiu-se, assumiu a impureza para se aproximar do homem. Por conseguinte, «não considerou um bem irrenunciável ser igual a Deus», mas «aniquilou-se, aproximou-se, fez-se pecado e impuro».

«Muitas vezes penso – confidenciou Francisco – que é, não quero dizer impossível, mas muito difícil fazer o bem sem sujar as mãos». E «Jesus sujou-se» com a sua «proximidade». Mas depois, narra Mateus, foi inclusive além, dizendo ao homem libertado da doença: «Vai ter com os sacerdotes e faz aquilo que se deve fazer quando um leproso é curado».

Em síntese, «aquele que estava excluído da vida social, Jesus inclui-o: inclui-o na Igreja, inclui-o na sociedade». Recomenda-lhe: «Vai para que todas as coisas sejam como devem ser». Portanto, «Jesus nunca marginaliza, nunca!». Aliás, Jesus «marginalizou-se a si mesmo para incluir os marginalizados, para nos incluir a nós, pecadores, marginalizados, na sua vida». E «isto é bom», comentou o Pontífice.

Quantas pessoas seguiram Jesus naquele momento e seguem Jesus na história porque ficaram maravilhadas com o seu modo de falar», realçou Francisco. E «quantas pessoas observam de longe e não compreendem, não estão interessadas; quantas pessoas observam de longe mas com um coração maldoso, a fim de pôr Jesus à prova, para o criticar e condenar». E, ainda, «quantas pessoas observam de longe porque não têm a coragem que teve» aquele leproso, «mas desejariam muito aproximar-se». E «naquele caso Jesus estendeu a mão primeiro; não como neste caso, mas no seu ser estendeu-nos a mão a todos, tornando-se um de nós, como nós: pecador como nós mas sem pecado; mas pecador, sujo com os nossos pecados». E «esta é a proximidade cristã».

«Palavra bonita, a da proximidade, para cada um de nós», prosseguiu o Papa. Sugerindo que nos questionemos: «Mas sei aproximar-me? Eu tenho a força, a coragem de tocar os marginalizados?». E «também para a Igreja, as paróquias, as comunidades, os consagrados, os bispos, os sacerdotes, todos», é bom responder a esta pergunta: «Tenho a coragem de me aproximar ou me distancio sempre? Tenho a coragem de encurtar as distâncias, como fez Jesus?».

E «agora no altar», sublinhou Francisco, Jesus «aproximar-se-á de nós: encurtará as distâncias». Portanto, «peçamos-lhe esta graça: Senhor, que eu não tenha medo de me aproximar dos necessitados, dos que se vêem ou daqueles que têm as chagas escondidas». Esta, concluiu, é «a graça de me aproximar».

Saad Murtadha
Saad Murtadha

Dois grupos de PMs atuaram no assassinato de Cláudia: um que atirou e outro que carregou o cadáver

O trio que assassinou Cláudia Silva Ferreira, no Morro da Congonha, no Rio de Janeiro, jamais foi preso.

Apenas o trio que carregava o cadáver, possivelmente, como aconteceu com Amarildo, para um cemitério clandestino, teve uma prisão relâmpago, para enganar os bestas. Aconteceu de serem filmados.

O trio assassino e o trio violador de cadáver são partes de uma mesma quadrilha de soldados bandidos. Dois, comprovadamente, seriais quillers.

OS ASSASSINOS

Relata testemunha: “Os policiais dobraram a esquina e deram de frente com Cláudia (ela tinha saído de casa para comprar leite e pão). Um deles apontou a arma (um fuzil) e atirou umas seis vezes”. Falta investigar, conforme foi noticiado, se apenas três PMs participaram da execução.

OS COVEIROS  

Relata testemunha: “O corpo da Cláudia ficou abandonado na rua por mais de meia hora (um tiro penetrou o coração). Os policiais voltaram na maior calma”.

Assim o cadáver foi colocado em uma viatura policial. Afirmam os policiais coveiros que iam levar o cadáver para um hospital. O lugar menos provável para fazer desaparecer um defunto, quando apenas existiam dois destinos possíveis: o necrotério, para a autopsia, ou um cemitério clandestino, que o Rio de Janeiro é a capital dos desaparecidos. Tornou-se uma ação costumeira a velha expressão popular: negro não morre, desaparece.

brutaalidade AA

 

por Advogados Ativistas

████████████████ O Ministério Público Militar acatou o pedido de liberdade dos três PMs envolvidos na morte de Cláudia Silva Ferreira. De acordo com várias testemunhas, dentre elas alguns familiares, Cláudia foi executada sem qualquer motivo aparente e existe o vídeo chocante dela sendo arrastada pelas ruas do Rio. Mesmo assim o promotor do caso afirmou que não há elementos para mantê-los presos.

Não é novidade para ninguém que a polícia brasileira executa os cidadãos e camufla o fato sob autos de resistência. Um ponto importante que justifica esta ação é exatamente o “resgate” dos feridos, que na maioria das vezes já chegam mortos aos hospitais. Em São Paulo, após a proibição de o resgate ser feito por PMs, o número de mortos em confrontos caiu 35% de 2012 para 2013. Esta medida talvez tenha inibido a chacina escancarada que é promovida, porém, está longe de ser a solução.

Mesmo com tais fatos sendo públicos e notórios, o Ministério Público acha que não há elementos para manter os acusados presos. Voltando um pouco no tempo, mais precisamente em setembro de 2013, neste mesmo Rio de Janeiro, diversos manifestantes foram presos e encaminhados a Bangu, permanecendo por diversos dias presos. Como justificar esta seletividade?

Em um caso bastante parecido, assaltantes arrastaram e mataram o garoto João Hélio, de 06 anos, e a comoção foi enorme, a pauta novamente era o endurecimento de penas, redução da maioridade penal. A diferença para o caso da Claudia é que os autores eram pobres e negros, além da vítima ser uma criança filha de pessoas da classe média. Não que a histeria resolva a questão, mas o silêncio atual é bastante sintomático.

Países com melhor saúde democrática que a nossa estão menos suscetíveis ao bom humor de governantes e opinião pública. A lei anda em linha reta, os cães ladram, mas a caravana não para. Demos aqui alguns exemplos da falta de critério que acomete nossos órgãos e representantes públicos. A ação estatal de brutalização e restrição de direitos vai ser para sempre uma regra enquanto a seletividade continuar imperando.

Cláudia e as duas juízas

Subtenente matou 63 favelados e mais a mulher arrastada pelo carro da polícia de Sérgio Cabral

Como é possível um serial killer ficar solto nas ruas, depois de 63 mortes, a procurar nas favelas, na chamada ação pacificadora da polícia, sua próxima vítima?

Foi preso agora, porque filmado, na viatura militar que arrastou um mulher viva, pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Uma trabalhadora negra, mãe de quatro filhos, que se transformou na vítima n. 64. Isto é, apenas um número na longa e sangrenta lista de assassinatos de um bandido, pistoleiro fardado.

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mulher arrastada

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Informa o portal Terra: Os três policiais militares (PMs) presos por terem arrastado a auxiliar de serviços Claudia Silva Ferreira, no Rio de Janeiro, constam como envolvidos em 62 autos de resistência (mortes de suspeitos em confrontos com a polícia). Pelo menos 69 pessoas morreram em supostos tiroteios com os três soldados estaduais desde 2000. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.

O recordista é o subtenente Adir Serrano Machado, com envolvimento em 57 registros de autos de resistência (com 63 mortos). O subtenente Rodney Archanjo aparece em cinco ocorrências (com seis mortos). Já o sargento Alex Sandro da Silva Alves não tinha participação em nenhum auto de resistência até o último domingo, quando um adolescente de 16 anos, suspeito de envolvimento com o tráfico, morreu durante a operação no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte, onde Claudia morava.

Os policiais foram presos em flagrante no domingo, por determinação do comando do 9º Batalhão da PM. Eles são acusados de negligência na prestação de socorro à auxiliar de serviços Cláudia Ferreira da Silva, após ser baleada no Morro da Congonha, durante operação da PM no último sábado, que acabou arrastada depois de cair do porta-mala do carro dos policiais. O trio foi enquadrado no crime de “deixar, no exercício de função, de observar lei, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar”, previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.

Deviam ser acusados pelas monstruosidade de mais um assassinato frio, covarde, impiedoso, com a marca da brutalidade das invasões da polícia nas favelas.

E os outros trucidamentos serão investigados? Certamente que não.

Para a polícia, comandada por Sérgio Cabral, foi cousa de pouca conta, um “ato prejudicial à administração’, que teve um protesto sem importância política, com a presença de 50 moradores.

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Protesto de 50 negros. Isso não quer dizer nada
Protesto de 50 negros. Isso não quer dizer nada

Até agora a PM não liberou os retratos dos bandidos fardados.

Kali, a boca

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Eles são bandidos, eles são inconsequentes, eles são despolitizados, eles são vândalos, eles são vendidos, eles são fascistas, eles são anti-éticos.

Eles não.

Vocês. A cada noite que sai, a cada mascara que cai, a cada bomba que explode eles querem mais, enquanto você segue sentado vendo os jornais ditarem o que você deve saber. Eles morrem, eles apanham, eles são julgados, eles correm, eles assanham, eles são encarcerados. Enquanto você segue apontando dedos, procurando culpados, eles tentam mudar o mundo. Eles são utópicos, eles são caóticos, eles são voláteis, eles são neuróticos. Eles são vocês. O que os preocupa não é o grito dos corruptos, dos assassinos do Estado, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética, sua única preocupação é o silencio dos que sonham. Hoje existe uma guerra acontecendo bem embaixo dos seus olhos, essa guerra não tem matiz política, não tem lado, é uma batalha ambidestra contra o status quo, contra os conservadores, contra o estabelecido. Uma batalha pela vida, pelo ser humano, pela destruição dos padrões e a reconstrução de uma nova sociedade.

Bem vindos ao Ano de Kali do sânscrito Kālī काली (que significa, literalmente, “A Negra”)A lenda conta que, numa luta entre Durga e o demônio Raktabija, cada gota do sangue deste demônio se criava um novo demônio. Durga e Shiva, ao tentar matar os vários demônios que surgiam a cada gota de sangue, criavam ainda mais demônios. Quando estão prontos para desistir da batalha, surge Kali, que a cada corte que faz, bebe o sangue de seu inimigo, acabando assim com os demônios. Mas Kali não é uma deusa ou deus do mal pois, na verdade, o papel de ceifadora de vidas é absolutamente indispensável para a manutenção do mundo.

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FOTO: Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Foto colorida. Em uma truculenta ação dos policiais do batalhão de choque de São Paulo, um dos policiais segura uma escopeta apontando para manifestante que estão no chão e rendidos. Segundos depois o mesmo policial atira contra uma manifestante de joelhos no chão.

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Seus pés são lindos

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“Seus pés são lindos. E deles saem seus passos, seu caminho rumo ao espaço. Tua liberdade é como um jardim. Seus pés, pra mim, são anjos que te trouxeram até aqui. (…)

E esse texto poderia continuar assim, brincando de poetizar, não fosse a foto em questão. Nela são retratados pés horríveis. Não pela forma, pelo tamanho, mas pelo propósito. São pés a mando do Estado. São pés que agridem qualquer um que ousar discordar.

Esse manifestante foi PISADO não apenas pelo policial da Tropa de Choque. Ele foi pisado por todo aquele que discorda de movimentos sociais que brigam por um #naovaitercopa.

Esse manifestando foi PISADO não apenas pelo Estado. Essa bota em cima da nuca dele é teu descaso. Sabemos que esse é o mesmo coturno que sobe o morro e desce bala. Essa foto esquenta os ânimos, mas te garanto: a gente NÃO se cala.

Copa é o CARALHO.”

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FOTO: Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Fábio Chap – FA

AUDIODESCRIÇÃO: Foto preto e branco. Em uma truculenta ação dos policiais do batalhão de choque de São Paulo, um dos policiais segura uma escopeta apontando para perto da cabeça de um manifestante não mascarado e pisando com o pé direito na cabeça do mesmo.

pés

Juiz envolvido na morte de dois jornalistas de Minas Gerais

Justiça censura jornalista

Vários juízes substituíram os coronéis da ditadura militar nos serviços sujos de censura a jornalistas.

Sempre repito: a morte de um jornalista é a solução final da censura.

Que fique sabendo o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, que tem um juiz acusado de participar da quadrilha que chacinou os jornalistas Walgney Carvalho e Rodrigo Neto.

Em Ipatinga, a sede de um grupo de extermínio com juiz, médico legista (Jose Rafael Miranda Americano), entre outras autoridades,  corre o boato do envolvimento do presidente da Câmara, Werley Glicério Furbino. Só tem gente fina. Os executores das mortes são policiais. Foi preso o investigador José Cassiano Guarda.

O Brasil precisa federalizar já! os inquéritos dos jornalistas martirizados, pela participação, em 99 por cento dos casos, de policiais ou ex-policiais.

Uma semana antes de morrer, Rodrigo Neto apresentou, para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, uma relação de crimes em Ipatinga e outras cidades mineiras. O depoimento vazou. Que a AL divulgue o depoimento. Nele estão os nomes dos assassinos.

Na Assembléia, quando Aécio Neves era governador, um deputado deu um tapa na cara de uma jornalista diretora da assessoria de imprensa parlamentar. Um coronel da guarda do governador fez uma jovem jornalista ajoelhar, com um revólver engatilhado na cabeça.

Com coragem, idealismo e amor ao jornalismo, escreve Heron Guimarães:

jornalista ameaça censura

Extermínio em Ipatinga
 
A mais nova denúncia do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo, que aponta a participação de um juiz no extermínio de jornalistas no Vale do Aço, lança mais um sinal de alerta para os poderes constituídos do Estado.

Isso porque os assassinatos dos dois repórteres no Vale do Aço não podem, de forma alguma, ser tratados como homicídios comuns, que, apesar de igualmente inadmissíveis, não despertam mais, na população e nos próprios órgãos de segurança pública, a comoção que deveriam.

Ao que tudo indica, o repórter Rodrigo Neto, acostumado a fazer coberturas policiais, encontrou uma linha investigativa que ligava policiais de Ipatinga a crimes bárbaros e a um grupo de extermínio. Acabou sendo fuzilado após deixar uma bar que tinha o hábito de frequentar. Morreu cedo e abreviou sua passagem pela vida, deixando esposa e filhos.

Um mês depois, seu colega de profissão, o fotógrafo Walgney Carvalho, morreu em circunstâncias semelhantes. Assim como Neto, deixou família e filhos. Assim como Neto, foi covardemente fuzilado após um momento de descontração. Ele também participava das “investigações” que deixariam em maus lençóis homens da “lei” que mudaram de lado.

Neto e Carvalho sabiam demais e, certamente, por saberem demais, escarafunchavam demais, aliás, o que todo bom jornalista, por convicção ou por dever de ofício, honraria em fazer, desde que munido de coragem.

A situação é bem mais grave e vai além da necessidade de se fazer a justiça tão rogada pelos familiares e pelos amigos dos dois profissionais mortos; assim como no caso Tim Lopes, quando traficantes cariocas popularizaram o termo “micro-ondas”, estamos diante de um verdadeiro atentado à liberdade de imprensa e à democracia.

Evidências que apontam para o envolvimento de policiais já seriam o bastante para que todas as forças de Minas se unissem e reforçassem as investigações, tirando de Ipatinga o comando central das investigações.

Agora, com essa nova hipótese lançada por Durval, colocando no rol de suspeitos um membro do Judiciário, a gravidade aumenta. É preciso dar uma resposta ainda mais clara para a sociedade, apresentando, com o máximo de urgência, os responsáveis por tais barbaridades.

As vagas dos repórteres assassinados não estão sendo preenchidas por outros jornalistas por causa do temor que se abateu sobre a região de Ipatinga, mas o medo deve ser de todos. Não o medo de boçais que resolvem suas podres questões e escondem suas sujeiras matando e fazendo desaparecerem provas vivas, mas o medo de um Estado inerte, incapaz de agir.

 
 
 
 

Para a polícia de Minas Gerais, delegado usar carros de luxo não é ação de exibição em riqueza

Romance de luxo

Narra Álvaro Fraga: “Uma garota alegre, apaixonada pelo delegado Geraldo Toledo Neto e seduzida pela vida de luxo e glamour que levava ao lado dele. Esta é, em resumo, a história que a adolescente A.L.S., de 17 anos, conta em seu perfil no Facebook (…).

Em uma das fotos, por exemplo, a garota aparece sentada na moto importada do policial. Em outra, no interior de um carro conversível”.

O delegados de costas quentes com o nome escrito da adolescentes de 17 anos que ele atirou na cabeça depois de três anos de relacionamento sexual
O delegados de costas quentes com o nome escrito da adolescentes de 17 anos, que ele, covardemente, atirou na cabeça, depois de três anos de relacionamento sexual. Baleou, e foi dormir na casa de uma ex-namorada, e quando acordou rumou para um shopping para ameaçar uma comerciária de morte

Escreve Ayrton Chips: “O delegado – alegre, solteiro – na verdade divorciado – boa pinta, que curte a vida, nos dizeres do irmão Erico, primeiro a dar a versão dele dos fatos – de 41 anos, foi preso no final da tarde desta segunda, 15.

(…) Geraldo Toledo Neto foi preso a mando do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. As pulseiras de prata foram apresentadas a ele no gabinete da Corregedoria de Policia, onde se apresentou espontaneamente para depor sobre a suposta tentativa de suicídio da namorada A.L. de 17 anos, na noite de domingo.

Trata-se de “prisão temporária”, de cinco dias, podendo se estender a dez ou o tempo que for necessário para esclarecer os fatos. Pode até não passar de três ou quatro dias, bem como pode se transformar em Prisão Preventiva, caso não haja colaboração com a policia e os antecedentes do indiciado justifiquem a prisão.

Não será desta vez, no entanto que o delegado Geraldo Toledo Neto conhecerá o interior de uma cela! Ela cumprirá a prisão temporária na Casa do Policial Civil, unidade prisional da instituição. Só não poderá colocar os pés na rua!

Agora que o próprio delegado de uma maneira ou de outra ‘tropeçou no balde’, começam aparecer fatos desabonadores de sua conduta profissional. Oficialmente ele responde a processo por envolvimento em uma quadrilha nacional de roubo de caminhões e falsificação de documentos, em abril de 2011, por Prevaricação em 2011, foi preso por receptação de veiculo roubado e formação de quadrilha em 2007 e no mês passado foi arrolado em B.O. por agressão à própria namorada, agora baleada!”

DELEGADO TOLEDO ESPERA SER SOLTO HOJE

Aumentam os rumores que a adolescente, entubada em uma U.T.I., esteja morta. Que escondem a notícia, porque hoje completa os cinco dias da prisão temporária do temido delegado Toledo.

Ninguém entrevistou a mãe da garota, que teme ser morta pela quadrilha chefiada pelo delegado bandido.

Nenhum juizado de menores, ou delegacia da mulher, ou ONG feminista apareceu para falar sobre o covarde crime.

Outro policial está sendo julgado, e conta a mesma história de Geraldo Toledo.

Começou em Governador Valadares, o julgamento do policial militar acusado de matar a namorada no dia 25 de maio de 2011.

Emiliana Quintina de Castro, que na época tinha 30 anos, foi encontrada morta com um tiro no peito no quarto do namorado, Paulo Rodrigues de Moura. Na época, ele contou a policia que ouviu um barulho durante a noite, mas voltou a dormir. Ele contou ainda que quando acordou viu o corpo da namorada e chamou a polícia.

A defesa do policial trabalha com a tese de que Emiliana teria cometido suicídio, mas essa versão é contestada pela família da vítima. Paulo Rodrigues de Moura está sendo julgado por homicídio qualificado.

O julgamento começou às 8h da manhã desta sexta-feira e não há previsão de término.

Após execuções de dois jornalistas em Minas Gerais, atribuídas à ação de grupo de policiais, profissionais que cobrem a área vivem sob ameaça. Um deles teve de fugir

por Mateus Parreira

Rodrigo Neto

Decorrente de mais de 20 anos de assassinatos, afrontas à lei, desafios à Justiça e impunidade, o medo que ronda a imprensa do Vale do Aço faz mais vítimas, além do repórter Rodrigo Neto, de 38 anos, executado em 8 de março, e de seu colega de trabalho, o fotógrafo Walgney Assis Carvalho, de 43, morto no domingo, 37 dias depois. Acredita-se que os casos estejam ligados e as suspeitas recaem sobre um esquadrão de extermínio formado por policiais militares e civis. Rodrigo vinha denunciando que pelo menos 20 integrantes das forças de segurança acusados de execuções continuavam impunes. Antes dos dois últimos assassinatos, havia cinco profissionais de jornais e rádios sediados em Ipatinga especializados na cobertura policial. Dos três sobreviventes, dois estão sob ameaça, enquanto o outro pediu demissão e fugiu da cidade sem deixar rastro. As informações são da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e do comitê de profissionais de imprensa que acompanha as investigações. Com os dois homicídios, o Brasil passou a ocupar o terceiro lugar em mortes de jornalistas, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, com quatro óbitos neste ano – metade em Ipatinga. Fica atrás apenas do Paquistão e da Síria, países em conflito armado que registraram cinco mortes.

O Estado de Minas conseguiu contato com o repórter que abandonou a cidade. Ele relata o pânico que ronda os profissionais e os impede de confiar nas forças de segurança pública, e até mesmo em programas de proteção do Estado. “É impossível exercer a profissão com o mínimo de segurança, hoje, no Vale do Aço”, desabafou o repórter, que falou ao EM de uma cidade distante de Ipatinga. “Depois que mataram o Rodrigo e o Walgney, sobramos apenas três na linha de frente da reportagem policial. Dois vinham recebendo ameaças, sendo que um deles até andou com escolta armada. Não quis esperar minha vez chegar”, disse.

De acordo com o jornalista, o grupo de extermínio que age nas principais cidades do Vale do Aço não aparenta ser um grupo de pistolagem que receba dinheiro de empresários, políticos ou do crime organizado, mas sim uma frente de policiais que se impõe pela violência e pelo medo, eliminando desafetos ou acusados de crimes contra integrantes das forças de segurança. Para isso, investem até mesmo contra famílias e amigos de quem consideram seus inimigos. “Tenho medo pela minha segurança, mas também pela dos meus pais e amigos. Essas pessoas tentam atingir seus alvos por meio dos familiares e conhecidos. Matam e até envenenam para atrair quem está escondido”, disse.

Perguntado se pensa em procurar a polícia ou o Ministério Público para pedir proteção, o jornalista de Ipatinga descarta essa possibilidade, por temer por sua segurança e não confiar na estrutura do poder público. “Meus amigos (Rodrigo e Walgney) denunciaram e não adiantou. Terminaram mortos. Não confio em mais ninguém”, afirma. Antes de o fotógrafo ter sido morto, no último domingo, o repórter conta que a mãe já pedia ao colega que abandonasse a profissão, e a cidade também, com medo de que algo pudesse acontecer.

Exilado

O jornalista nutre poucas esperanças de retornar à cidade do Vale do Aço. “Lá não vou ter tranquilidade. Estou com o coração partido, porque amo minha profissão, meus pais e todos os que deixei, mas não tenho condições de voltar”, lamenta. “Eu já estava ficando com paranoia. Não tinha mais vida social. Tudo o que acontecia achava que era alguém me perseguindo”, relata. “Se saía com amigos, nunca me sentava de costas para a rua e não deixava ninguém fazê-lo, com medo de alguém em uma moto passar atirando. Quando chegava em casa, dava duas voltas no quarteirão para ver se havia alguém me seguindo.”

O Comitê Rodrigo Neto, que acompanha as apurações dos crimes contra a imprensa local, divulgou nota manifestando “indignação com as declarações do subsecretário de Defesa Social, Daniel de Oliveira Malard”, que disse em Ipatinga que jornalistas deveriam ser cuidadosos como medida para sua segurança, “tal como o fazem juízes e policiais”. De acordo com o comitê, “ao transferir a responsabilidade da segurança aos próprios jornalistas, o Estado mais uma vez dá mostra da fragilidade do sistema e descontrole sobre as forças de segurança do Vale do Aço”. O grupo lembra ainda que promotores, juízes e policiais “têm porte de arma, treinamento e escolta policial, se solicitada”.  A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou ontem nota referente ao assassinato do fotógrafo Walgney, manifestando repúdio ao que classificou como mais um atentado à liberdade de expressão e, diante das evidências de ligação do crime com a morte do repórter Rodrigo Neto, cobrou elucidação dos casos e punição dos culpados.

 

 

Denunciados impunes

As denúncias que Rodrigo Neto divulgou no Jornal Vale do Aço vêm sendo feitas na região há anos e fazem referência a 10 casos, com pelo menos 20 mortos desde 1992. São citados 21 policiais envolvidos. Nenhum foi condenado até hoje, ainda que oito procedimentos tenham sido abertos. Três foram concluídos sem qualquer punição. Quatro estão em tramitação. Sobre o último não há informações.

Rodrigo morreu na madrugada de 8 de março, quando saía de um bar no Bairro Canaã, em Ipatinga, e entrava em seu carro. Dois criminosos passaram em uma moto e atiraram no repórter, que chegou a ser socorrido no hospital municipal. Vítima da mesma forma de execução que vinha denunciando em vários episódios, Rodrigo estava escrevendo um livro intitulado Crimes perfeitos, que denunciaria execuções sumárias, envenenamentos e desaparecimentos de pessoas que envolveriam a ação de policiais militares e civis no Vale do Aço. Ele foi assassinado depois que passou a publicar no Jornal Vale do Aço reportagens sobre 10 desses crimes.

Para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia e também para jornalistas locais, Walgney Carvalho foi executado no último domingo, em Coronel Fabriciano, na mesma região, porque teria informações sobre o assassinato do colega de trabalho. A forma como morreu, alvejado três vezes por um garupa de uma motocicleta, reforça a tese, bem como a munição usada, que era de calibre 38, a mesmo usada contra Rodrigo Neto. Os projéteis não eram comuns, mas caraterísticos de assassinos experientes, pois se fragmentam quando entram no corpo e potencializam os estragos.

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que uma equipe especializada na apuração de homicídios e as corregedorias da corporação e da PM investigam o caso. E reiterou que as circunstâncias em que os crimes ocorreram serão esclarecidas, “apontando os culpados, sejam eles quais forem”.

O secretário de estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, afirmou ontem que há firme determinação de investigar os casos e solucionar a onda de crimes no Vale do Aço. Segundo o Ministério Público, há possibilidade de relação entre pelo menos 10 homicídios na região, incluindo os dois últimos, de repórter e fotógrafo. “Enfrentamos um histórico de violência na região, com intimidação e até eliminação de testemunhas, mas tudo isso está sendo combatido pela secretaria. Temos uma renovação de delegados e afastamentos na região de Ipatinga e Coronel Fabriciano. Não vamos tolerar essa situação e o trabalho será contundente”, afirma o secretário. (Com Júnia Oliveira e Guilherme Paranaiba)

Crimes investigados ou denunciados pelo jornalista Rodrigo Neto veja lista aqui

Delegado de polícia atira na ex-amante. Uma relação sexual que começou quando a adolescente tinha 14 anos

Delegado Geraldo Toledo, 4o anos
Delegado Geraldo Toledo, 4o anos

Escrevem Paula Sarapu e Guilherme Paranaiba:

Um delegado investigado por vários crimes, mas protegido pela lei para atuar na ativa normalmente, até ser preso como suspeito de balear na cabeça a namorada adolescente depois de um relacionamento conflituoso. A Polícia Civil tenta montar o quebra-cabeça do envolvimento do delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto, de 40 anos, e da jovem A. [Amanda] L. S., de 17, para esclarecer a autoria do tiro que a mantém internada em estado grave desde domingo no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em BH.

Pessoas próximas dizem que A. e Toledo moravam no mesmo prédio e que o envolvimento começou nesta época, quando A. tinha apenas 14 anos e vivia com a família. Depois da mudança da mãe e do padrasto para Conselheiro Lafaiete, ela alugou um quarto num apartamento no Bairro Estrela Dalva, mas manteve o envolvimento com o delegado.

A. trabalhava no Shopping Paragem, onde funcionários e frequentadores assíduos dizem ter presenciado discussões e atitudes truculentas do delegado. Na última loja em que A. trabalhou, uma funcionária recorda as duas situações confidenciadas pela adolescente: “Quando ela chegou com o dedo quebrado, disse que tinha sido agredida pelo namorado. Nesse mesmo dia, ele a procurou aqui na loja, mas ela se escondeu”.

A agressão teria ocorrido na tarde de 19 de março. A. fez um registro às 21h11 na delegacia do Bairro Estoril. À polícia, ela contou que namorava Toledo havia mais de um ano e que os dois chegaram a morar juntos por seis meses, mas ela havia se mudado havia 15 dias. Naquela tarde, ela teria ido ao apartamento dele buscar pertences e foi seguida por ele, que a agrediu com chutes e socos.

A adolescente quebrou pelo menos um dedo e chegou a ser atendida no HPS. Dezesseis horas depois, na Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa Deficiente e ao Idoso, onde Toledo trabalhava, ele também registrou ocorrência: acusava A. de ter tentado invadir seu prédio e arranhar seu carro. O delegado afirmava que a menina tinha “um amor platônico desde que eram vizinhos” e disse que conseguiu conter a moça, segurando-a pelo pulso.

A jovem chegou a ser incluída no Serviço de Prevenção à Violência Doméstica, da Polícia Militar, e recebeu duas visitas dos policiais, em 20 e 23 de março, quando disse ter sido agredida em três ocasiões. Ela também admitiu ter encontrado o policial, no dia anterior à visita dos PMs, para assinar um termo de desistência da queixa que ela tinha feito contra ele. Dois dias depois, por causa das brigas frequentes, a adolescente fez as malas e voltou para a casa da mãe. “Teve um dia em que ela reclamou que os dois tinham brigado e encontrou o namorado jogando as roupas dela da janela do apartamento onde ele morava”, contou uma funcionária de outra loja do shopping.

A primeira ocorrência na polícia foi feita em 16 de janeiro, quando Toledo registrou ameaça por causa de “um amor não correspondido”, também na delegacia onde ele trabalhava. Segundo o boletim, a adolescente teria entrado no apartamento dele e furtado um revólver calibre 38, com cinco balas, além de um smartphone. “Eles brigavam muito. Posso garantir que ela nunca fez nada contra ele”, disse outra pessoa com quem A. trabalhou. [Veja fotos de Amanda no Facebook e na U.T.I, e declarações da mão].

Confusão

Pouco antes de se entregar, no entanto, o delegado tentou comprar um capacete no Shopping Oiapoque, no Centro de BH, mas se recusou a pagar o valor cobrado e ofendeu uma vendedora. Ele foi retirado pelos seguranças e as imagens gravadas pelas câmeras de segurança mostram quando Toledo retorna, se apresentando como delegado. Testemunhas dizem que ele estava armado e gritava muito. Recentemente, também deu “carteirada” para entrar com a adolescente numa boate no Bairro Funcionários. Diante da recusa dos empregados da casa, afirmou que a menor era responsabilidade dele.

Mãe de um colega de A., também morador do Buritis, X. conta que os amigos incentivavam a adolescente a procurar a polícia. “Ela achava que era amor. Ele a puxava pelo braço, gritava com ela e essa cena se repetiu muitas vezes no shopping, mas ela achava que ele estava correndo atrás. Na verdade, pela idade dele, ele a manipulava e se relacionava com ela desde os 14 anos, quando ela era só uma menina.”

Acusado fica na ativa

 (reprodução/facebook)

O delegado Toledo está na ativa, na Delegacia de Proteção à Pessoa Deficiente e ao Idoso, mas responde a processos por prevaricação, falsidade ideológica, formação de quadrilha, desacato e lesão corporal. Segundo o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, a lei respalda o agente público investigado. “Há casos que trazem preocupação e a legislação precisa ser aprimorada. Tem de haver possibilidade de afastamento em determinadas situações”, diz. Esse é um dos pontos que deve ser enviado à Assembleia Legislativa para ser redefinido pela Lei Orgânica. Ferraz descarta possibilidade de corporativismo na proteção ao delegado: “A Corregedoria da Polícia Civil é muito séria e não há nenhum tipo de facilitação”.

Para o coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, Cláudio Beato, o sistema de controle das corporações é falho. A corregedoria, segundo ele, não é proativa nem tem liberdade de investigar. “O ideal é que o funcionário público, principalmente uma autoridade, fique encostado enquanto as suspeitas são investigadas, mas, até que se prove o contrário, ele é inocente”, lembra.

Muita cana e brigas com a garota lafaietense
Muita cana e brigas com a garota lafaietense

Romance de luxo

por Álvaro Fraga

Uma garota alegre, apaixonada pelo delegado Geraldo Toledo Neto e seduzida pela vida de luxo e glamour que levava ao lado dele. Esta é, em resumo, a história que a adolescente A.L.S., de 17 anos, conta em seu perfil no Facebook, recheado de fotos que retratam momentos românticos do casal. Enquanto amigos do policial insistem em afirmar que os dois nunca tiveram qualquer tipo de envolvimento, o perfil da adolescente, que continua internada em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, mostra justamente o contrário.

Em uma das fotos, por exemplo, a garota aparece sentada na moto importada do policial. Em outra, no interior de um carro conversível. Numa terceira, um detalhe que chama a atenção: no capacete preso à motocicleta, uma pequena placa com os nomes dos dois, decorada com corações. Os desenhos românticos também enfeitam as costas do delegado, em outra imagem. Feitos com caneta colorida e revelando um homem feliz ao lado da namorada, os desenhos revelam que o casal tinha grande intimidade. Merecem destaque também as fotos que mostram o casal bebendo e brindando.

Por fim, há uma foto postada em 4 de abril, na qual o policial está em meio a um grupo de amigos que seguram um cartaz pedindo à jovem para voltar para BH. No fim de março, depois de registrar queixa de agressão contra o policial e de acusá-lo de ter quebrado sua mão direita, a garota voltou para Conselheiro Lafaiete, onde permaneceu até domingo, dia em que foi baleada na cabeça.

Delegado “queria que ela tirasse o bebê”

Escreve Paula Sarapu: “Eles eram namorados, sim. Toledo a buscava todos os dias, depois do trabalho, no Shopping Paragem, e essa não foi a primeira vez que ele bateu nela. Ela já chegou para trabalhar com os dois olhos roxos. Ficou grávida dele e ele veio ao shopping ameaçá-la. Queria que ela tirasse o bebê e dizia que iria matá-la. Quando ela passou mal, uma gerente a socorreu numa unidade de pronto atendimento (UPA), mas o Toledo disse que não queria saber dela. Depois, mandou flores.” A. me contou que Toledo a levou a uma clínica para fazer o aborto”, afirmou uma funcionária de uma loja do shopping.Um amigo do casal confirma a gravidez, mas não sabe dizer de quem foi a iniciativa do aborto.
Escreve João Henrique do Vale:

Policiais da Corregedoria-Geral da Polícia Civil cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto, de 40 anos, e conseguiram encontrar o Peugeot preto em que ele estava com a adolescente A. L. S de 17 anos, antes da garota levar um tiro na cabeça.

Confusão antes de se entregar 

briga

O delegado Geraldo dToledo Neto se envolveu em uma briga com comerciantes do shopping popular Oiapoque na manhã dessa segunda-feira, poucas horas antes de se entregar à corregedoria da Polícia Civil em Belo Horizonte. A denúncia foi feita por uma vendedora que trabalha em uma loja de capacetes. Ela informou que o homem chegou a sacar uma arma para ameaçar seguranças do centro de compras. [clique aqui para vídeo]  Câmeras de segurança mostram o momento que ele entra no local. Veja mais 

Escreve Luana Cruz:

O delegado Geraldo de Toledo trabalha na Divisão de Polícia Especializada da Mulher, Idoso e Deficiente Físico de Belo Horizonte.

Escreve Flávia Ayer:

As fotos nas redes sociais mostram momentos de um casal apaixonado: passeios de moto, festas regadas a bebida e até poses do namorado com os nomes dos dois escritos nas costas. Mas elementos de uma história de amor habitual param por aí. Ela, A.L.S, uma adolescente de 17 anos. Ele, o delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto.

Letreiro de Amanda nas costas de Toledo. Ela colocou esta foto na internet antes de terminar o relacionamento

Antecedente criminal

QUADRILHA MOVIMENTOU DOIS BILHÕES

Em 2011, o delegado Geraldo Toledo, ficou detido uma semana detido na Corregedoria de Polícia Civil, em Belo Horizonte. Toledo já foi delegado de trânsito em Betim e foi preso por suspeitas de envolvimento em uma quadrilha nacional de roubo de caminhões e falsificação de documentos. Ele foi libertado, mas continuou respondendo em liberdade pelo crime. A quadrilha teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões no país em esquemas ilegais nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A quadrilha, conforme informações da polícia, revendia caminhões e motos roubados com novos documentos a um preço abaixo do oferecido no mercado. Ao todo, 13 pessoas foram presas em Minas e no Rio. Uma mulher que teria contribuído para as investigações foi morta com três tiros na cidade de Domingos Martins, no Espírito Santo.

IMPRENSA CORAJOSA

Lá em Conselheiro Lafayete, a imprensa local começa a notícia assim, conforme o manual de redação de muitos censores togados:

“Lafaietense de 17 anos, foi baleada na cabeça [sobrou para todas as meninas da Cidade…]

Um delegado da Polícia Civil é acusado de tentar matar a namorada, uma adolescente [sobrou para todos os delegados de Minas Gerais…]

Um delegado sem nome...
Um delegado sem nome…

NOTA DA REDAÇÃO:
Em respeito à intimidade, honra e dignidade das pessoas, previstas na Constituição Federal, o Jornal http://www.estadoatual.com.br , não divulga fotos ou nomes de pessoas envolvidas nas ocorrências policiais, por serem, tecnicamente, consideradas apenas suspeitas.
A título de esclarecimento, nossa redação baseia-se em informações constantes do boletim de ocorrência, num trabalho realizado pela Polícia Militar (BO). Logo após o acontecimento, este boletim é levado à Polícia Civil para apuração dos fatos, por intermédio do inquérito policial (investigação). Esta etapa, realizada por Delegados e Agentes, tem como principal característica o sigilo dos trabalhos. Até que o Ministério Público faça a denúncia.
Para justiça! Todos são considerados apenas suspeitos” [Este esclarecimento merece nota 10, diria o romancista e jornalista Moacir Japiassu no seu Jornal da ImprenÇa. Confira. Clique aqui]