A desprotegida residência de Eduardo Campos

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Falta polícia em Pernambuco. Várias cenas de bandidagem já aconteceram em frente à casa da família de Eduardo Campos, ex-candidato a presidente do Brasil.

Na véspera do seu enterro, jornalistas e cinegrafistas foram assaltados por dois bandidos armados. Que levaram três relógios. Ninguém foi preso.

Banners utilizados na campanha presidencial do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e do ex-secretário da Fazenda Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco amanheceram rasgados em frente à casa da família Campos, no bairro de Dois Irmãos no Recife, na manhã deste sábado (13). A data marca um mês após o trágico acidente aéreo que vitimou o ex-governador e outras seis pessoas na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.

Esse material de propaganda foi retirado das ruas a mando do Tribunal Regional Eleitoral. Quem cumpriu a ordem judicial deve ser investigado.

Eduardo Campos era uma pessoa querida, não tinha inimigos. E os candidatos que disputam a presidência da República e o governo de Pernambuco jamais seriam capazes de dar um tiro no pé para patrocinar um estranho e inusitado e perigoso evento político, que apenas beneficia Marina que, no momento, faz a campanha do choro, e que a suspeita revista Veja diz ser “vítima da fúria do PT”.

Se Dois Irmãos, um dos bairros da elite recifense, permanece despoliciado, podemos avaliar a falta de segurança nos bairros da classe média baixa e nas favelas.

 

Veja fúria Marina

EM NOVA PEÇA DE CAMPANHA, VEJA AGORA VITIMIZA MARINA

247 – Na ausência de um novo escândalo, a revista Veja desta semana optou por dedicar sua capa a uma peça de propaganda em favor de Marina Silva, candidata do PSB à presidência da República.

Na capa “A fúria contra Marina”, a revista acusa o Partido dos Trabalhadores de promover baixarias contra a candidata que, hoje, representa a esperança de vitória de setores mais conservadores da sociedade brasileira na disputa presidencial de outubro. “Nunca antes neste país se usou de tanta mentira e difamação para atacar um adversário como faz agora o PT”, diz o subtítulo.

Veja não se referia às diversas tentativas frustradas comandadas por ela própria para tentar impedir vitórias do PT em 2002, 2006 e 2010, como as capas sobre os dólares de Cuba, o apoio financeiro das Farc ao PT ou os pacotes de dinheiro entregues na Casa Civil – teses que jamais se comprovaram.

O tema da reportagem desta semana é a crítica que começou a ser feita, pelo PT, a algumas contradições de Marina. O texto de Veja lista o que chama de “as 6 mentiras de Dilma”. Seriam as seguintes: Marina vai abandonar o pré-sal, será um novo Collor, Banco Central independente significa miséria para os brasileiros, Marina é sustentada por banqueiros, vai acabar com o Bolsa-Família e vai tirar R$ 1,3 trilhão de reais da educação e da saúde.

O problema é que muitas dessas “mentiras” estão mais próximas da realidade do que da fantasia. Foi a própria Marina quem, em seu programa de governo, negligenciou o pré-sal, dedicando algumas poucas linhas ao grande vetor da economia brasileira nos dias de hoje.

Sobre o fato de ser sustentada por banqueiros, é uma verdade absoluta. Afinal, Neca Setubal, herdeira do Itaú doou 83% dos recursos que bancam seu instituto. E graças a essa generosidade passou a falar em nome da candidata, defendendo uma agenda que atende ao interesse de bancos privados, com propostas como a independência do Banco Central.

Sobre ser um novo Collor, a crítica do PT não é dirigida à personalidade de Marina, mas sim à sua falta de sustentatação política e ao fato de se colocar acima dos partidos, com sua promessa de uma “nova política”.

Ao vitimizar Marina, Veja sinaliza que, hoje, acredita mais na candidata do PSB do que em Aécio Neves, do PSDB, como alternativa mais viável para derrotar o PT. Hoje, faltam pouco mais de vinte dias para as eleições presidenciais, período que comporta mais três capas de Veja.

Ao que tudo indica, o arsenal de denúncias da revista se esgotou e resta apelar a novas peças de propaganda política.

O que tem de escondido na entrevista do secretário de Segurança do governador Eduardo Campos?

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Para a catarse da classe média, a transformação do secretário Damásio em bode expiatório, pela reveladora e sincera (sem cera) entrevista que concedeu.

O escândalo não está na confissão, mas nos atos e omissões. Nos crimes praticados, e impunes. Nas palavras que escancaram atrocidades contra o povo, que continuarão a ser cometidas pelo terrorismo policial.

Nenhuma fala sobre a repressão policial contra os Amarildos favelados; os meninos Marcelos Pesseghini, que de assassinado passou a ser serial killer; nem sobre o jovem Douglas Rodrigues, aquele que perguntou para um soldado: – Por que o senhor atirou em mim?

Damásio foi nomeado secretário por Eduardo Campos, e deixou o cargo porque quis, e saiu elogiado pelo governador.

A opinião constitui uma ação passiva, e ninguém, necessariamente deve ser punido por revelar seus pensamentos ou expressar suas opiniões, que são ações passivas; e sim quando as palavras se transformam em atitudes e comportamentos, que são ações ativas.

O que fez Damásio, para incomodar tanto? Mostrou que a polícia de Eduardo Campos não difere das polícias comandadas pelos governadores Alckmin, Sérgio Cabral e outros.

Nesta segunda-feira, a partir das 19h, nos escombros de casas demolidas para construção do Ramal da Copa, nas proximidades do Terminal Integrado da cidade da Região Metropolitana do Recife, removidos pelas obras da Copa do Mundo que receberam ou não suas indenizações prometem se reunir para um Natal diferente.

A visita ao Jesus despejado, que nasceu em uma manjedoura, reunirá famílias que moravam no Loteamento São Francisco (Camaragibe) e em outras comunidades atingidas pela Arena Pernambuco e por obras de mobilidade que estão sendo construídas para o Mundial de 2014 em Pernambuco.

No Estado, mais de 2.000 famílias foram ou serão removidas por obras do Mundial de 2014. Além dos removidos em Camaragibe, onde 129 residências estão sendo demolidas para as obras do Terminal Integrado da cidade e do Ramal da Copa, devem participar também representantes de outras comunidades como Cosme e Damião, São Lourenço da Mata e do Coque.

No Brasil, entre 170 mil e 250 mil pessoas estão sendo obrigadas a sair de suas casas para dar espaço a obras realizadas para o Mundial de 2014, segundo estudo da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa. Leia mais e veja galeria de fotos.

Que significa “mobilidade”, quando não se faz nada que preste para o povo?

Disse o Papa Francisco em sua mensagem natalina: “Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa”.

 

APAGÃO VERBAL, MENTAL E MORAL

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por Dorrit Harazim, O Globo

A entrevista durou cerca de uma hora e meia e foi concedida na manhã da sexta-feira 22 de novembro.

Além de Wilson Damázio, secretário de Defesa Social de Pernambuco, estavam presentes na sala o corregedor adjunto Paulo Fernando Barbosa, o ouvidor Thomas Edison Xavier Leite de Oliveira e a gerente do Centro Integrado de Comunicação, Ana Paula Alvares Cysneiros.

O tema investigado pela repórter Fabiana Moraes, do “Jornal do Commercio”, eram as abordagens sexuais de policiais militares contra mulheres jovens, pobres e negras de Recife.

Mais especificamente, as denúncias de práticas abusivas por integrantes do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e da Patrulha do Bairro, uma das principais vitrines da gestão do governador Eduardo Campos, provável candidato à Presidência em 2014.

A entrevista com Damázio encerrava a robusta série de artigos da repórter sobre o tema e foi publicada na edição desta quinta-feira. Vale repetir aqui, na íntegra, os trechos que desembocaram na demissão do secretário.

Não por representarem a parte dominante da entrevista. Em duração, são parte desprezível (pouco mais de um minuto, do total de 57 minutos de gravação). Em conteúdo, porém, ofuscam todo o resto e por isso mesmo merecem exposição nacional — até para não serem varridos para baixo da árvore de Natal.

Indagado sobre a ausência de registros de denúncias de policiais que pedem para ver os seios de meninas ao fazer uma abordagem ou praticam outros abusos, o secretário conjecturou:

“Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”

De acordo com números do Centro de Vulnerabilidade Social LGBT, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o levantamento parcial para o ano de 2013 lista 22 casos de homossexuais assassinados em Pernambuco.

Em 2012 os homicídios de gays computados pela entidade foram 35, embora o secretário Damázio contestasse o número afirmando que metade desses crimes possa ter tido motivação passional, interesse financeiro, drogas, bebida ou similares.

Entidades atuantes como o Grupo Gay da Bahia, contudo, há anos listam Pernambuco no topo dos estados brasileiros em número de crimes de homofobia proporcionais à população.

No início deste mês de dezembro o governo de Eduardo Campos tomou a alvissareira medida de transformar em crime casos de violência e discriminações contra a comunidade LGBT.

Voltando à entrevista. Já quase no final, a repórter mencionou um escândalo ocorrido em Fortaleza três anos atrás quando câmeras instaladas em carros de polícia filmaram agentes fazendo sexo oral em mulheres no interior dos próprios veículos.

Comentário do então ainda secretário de Defesa Social, na presença do corregedor adjunto, do ouvidor e da gerente de Comunicação:

“Tem muitos problemas com a polícia, mulheres, principalmente… O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil… Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar, civil eu não sei, dos mais antigos tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra caramba… A gente ia pra Floresta (Sertão), pra esses lugares. Quando a gente chegava lá, colocava aquele colete, as meninas ficavam tudo (sic) saçaricadas e… Às vezes [tinham] namorado, às vezes [eram] mulheres casadas. A moral delas é diferente da gente. Pra elas, é o máximo tá dando pra um policial… Dentro da viatura, então, o fetiche dela vai lá em cima, é coisa de doido”.

A tóxica entrevista disseminou indignação de intensidade black bloc para todos os lados. Às três da tarde da própria quinta-feira, representantes de 26 entidades de direitos civis do estado já decidiam uma primeira tomada de posição.

Nas redes sociais o assunto fervia e a exoneração do secretário antes de o dia acabar não surpreendeu ninguém. Para usar as próprias palavras de Damázio, “em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia…”

Depois de 30 anos de carreira policial, primeiro como agente da Civil, depois como agente, delegado e superintendente da Federal, além das duas gestões consecutivas na secretaria, Damázio não soube evitar os cacoetes epistolares comuns a demissionários lotados de culpa.

Referiu-se a “declarações a mim atribuídas”, apesar de ele poder ouvir a gravação da própria voz na internet, se desejar. Sustentou que seus pensamentos não constituem seus pensamentos e declinou com estridência o verbo repelir. Também pediu desculpas a quem “porventura” tenha se ofendido com as declarações. Porventura?

“Não pensei duas vezes”, arrostou Eduardo Campos tonitruante ao justificar que aceitara a renúncia para não permitir que o episódio interferisse na sua política pública de segurança.

Tivesse pensado duas vezes talvez lhe ocorresse não lamentar a saída de Wilson Damázio. Nem se referir aos “bons serviços prestados” pelo secretário na nota protocolar de exoneração — há vezes em que mesmo frases obrigatórias soam melhor quando omitidas.

Damázio deveria ter sido demitido não por ter feito declarações que “motivaram críticas e cobranças”. Sequer deveria ter ocupado o cargo por pensar o que diz.

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Secretário de Segurança de Pernambuco: Homossexualismo é “desvio de conduta”, e a mulher “gosta de farda”

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Fabiana Moraes escreveu uma série de reportagens para o Jornal do Comércio do Recife: “Nos 80 anos da mais conhecida obra de Gilberto Freyre, o Jornal do Comércio traz o cotidiano de jovens que, desde a infância, sofrem com a exploração sexual. Cresceram de modo análogo às escravas vistas no livro, meninas e mulheres que eram retratadas como ‘dóceis’ ou ‘fáceis’, praticando sexo de maneira consensual com seus senhores. Ali e agora, no entanto, elas sofrem como o elemento mais frágil em uma relação de poder protagonizada pelo dono da casa-grande (ontem) e por homens diversos, inclusive policiais (hoje)”.

Fabiana levou as denúncias de abuso sexual ao governo de Pernambuco: “O secretário de Defesa Social do Estado, Wilson Damázio, parecia alarmado: na entrevista concedida no dia 22 de novembro, uma manhã de sexta-feira, me recebeu acompanhado pelo corregedor-adjunto Paulo Fernando Barbosa, pelo ouvidor da SDS, Thomas Edison Xavier Leite de Oliveira, e, finalmente, pela Gerente do Centro Integrado de Comunicação, Ana Paula Alvares Cysneiros. Estava, em parte, a par do assunto que seria tratado: o abuso sexual de policiais sobre jovens que vinham sendo acompanhadas há semanas, entre elas, duas menores. Para a sua assessoria, informei que se tratavam de abordagens criminosas de policiais do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam) e da Patrulha do Bairro”.

Leia as reportagens e entrevistas. Clique aqui.

Acontece que uma das respostas do secretário Wilson Damázio vem causando a maior polêmica nas redes sociais: “Ah, vai dizer isso para as associações… aqui tem muitos problemas, com mulheres, principalmente… Elas às vezes até se acham porque estão com policial. O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil.. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negocio. Eu sou policial federal, feio pra c**.. a gente ia pra Floresta (Sertão), para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Pra ela é o máximo tá dando pra um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido”.

Sobre os travestis com ‘fascínio de farda’, cuja nudez vem sendo vista por policiais, perguntou o secretário: “Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”

As respostas na internet:

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Vídeo Sassaricando

Mestranda detida e agredida pela PM de Eduardo Campos

Carta de agradecimento
Eu, Carolina Figueiredo de Sá, estudante do mestrado em Educação neste centro, gostaria de, por meio desta, agradecer publicamente o forte apoio e solidariedade prestados por diversos professores da UFPE, estudantes e advogados quando de minha detenção na última manifestação estudantil em defesa do passe livre.
No dia 23 de outubro, participei do 10º protesto pelo passe livre em Recife, que contou inicialmente com cerca de 300 estudantes. As escolas da região central tiveram suas aulas canceladas (!) pela manhã, no intuito de diminuir a participação estudantil no ato. Porém, jovens de pouca idade, mas muito entusiasmo, mantêm-se mobilizados desde os grandes protestos de junho. Tribos e estilos variados, mas com reivindicações comuns, e uma clara percepção de que é preciso lutar para obter mudanças.
Renovadas as esperanças de minha geração e de outras que me antecederam, o que vi foi que nem mesmo a violência desmedida e injustificável da polícia contra os estudantes os fizeram desanimar.
Vinha acompanhando as notícias sobre os protestos dos últimos meses, mas desta vez, presenciei aquilo que vem sendo frequentemente denunciado em diversos estados: as arbitrariedades e a brutalidade ostensiva das forças de repressão, bem como a distorcida (se não, mentirosa) cobertura da grande imprensa sobre os fatos, salvo algumas exceções.
Logo pela manhã os programas de rádio ‘alertavam’ a população de que haveria uma manifestação de “baderneiros e mascarados” na cidade. Vejo um duplo objetivo nisto: influenciar os pais dos estudantes a não permitirem que estes fossem ao protesto, e, ao mesmo tempo, gerar um ambiente de temor que legitimasse antecipadamente a violência policial perante a sociedade.
De fato, a polícia pressionou muito desde o início da manifestação, com diversas provocações, tomando à força bandeiras e escudos dos estudantes, sem nenhum motivo. Na Visconde de Suassuna, alguns policiais adentraram na passeata e um adolescente foi preso simplesmente porque portava um deles. Vários estudantes tentaram impedir sua prisão, mas a polícia abriu fogo generalizado; uma verdadeira saraivada de balas de borracha, de uma ponta à outra da rua, acertando mais de uma dezena de estudantes que corriam – perplexos e indignados.
Carolina Figueiredo de Sá
Terrorismo policial
Após o cuidado com os feridos (socorro este, dificultado pela polícia), a manifestação prosseguiu em direção à GPCA, delegacia para a qual o jovem detido havia sido levado, para exigir sua libertação. No caminho, vi uma jovem de 16 anos ser brutalmente jogada no chão pelo oficial militar que comandava a operação, dando início à outra confusão. Ela, juntamente com outros estudantes, apenas gritava palavras-de-ordem contra a cobertura da imprensa. Ao tentar defendê-la, também fui agredida, derrubada no chão, tendo o rosto pisado contra o asfalto pelo policial militar, e levado dois tapas na cara, já imobilizada. Ambas fomos conduzidas para a GPCA, e, no trajeto, a adolescente ainda continuou sendo agredida com puxões de cabelo pela policial feminina – ao que reagi, coibindo novas agressões.
Diante do quadro que temos visto em todo o país, em que estudantes e professores detidos em protestos são frequentemente acusados de “formação de quadrilha”, “aliciamento de menores”, dentre outros crimes, a preocupação era de que o mesmo acontecesse comigo e os dois adolescentes presos. No entanto, todo o apoio político e jurídico recebido por nós foi fundamental para que fôssemos soltos no mesmo dia.
Assim, agradeço à direção do Centro de Educação, na pessoa do professor Daniel Rodrigues, e os professores Rui Mesquita, Socorro Gomes e Luís Momesso, que estiveram pessoalmente na delegacia, transmitindo força e confiança naquele momento, bem como à professora Ana Cláudia R. Pessoa, minha orientadora, que prestou seu apoio e solidariedade.
Agradeço também aos advogados Maria José (que esteve presente mesmo tendo outros planos para seu dia de aniversário), Noélia Brito (que nos defendeu em meio às suas férias), Érik de Souza (que também tem acompanhado vários protestos estudantis) e à ADUFEPe, que disponibilizou sua assessoria jurídica.
Ao Diretório Acadêmico de Pedagogia da UFPE e a todos os estudantes que se mantiveram em vigília até o final do dia, pressionando por nossa liberação imediata, meu agradecimento e admiração pela dedicação à luta.
[O título da carta é do editor do blogue. Os governadores comandam as polícias militares. Eles ordenam as agressões contra os manifestantes, inclusive crianças e adolescentes].

Terrorismo da imprensa do Recife

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As manchetes visam justificar:

1 – Os atos ditatoriais do governador Eduardo Campos contra as manifestações populares.

2 – As ações truculentas de policiais contra o povo. De policiais violentos que jogam bombas de gás lacrimogêneo, atiram com balas de borracha, abusam do splay de pimenta e baixam o cacete.

3 – Criar uma legenda de medo para atemorizar, principalmente, os estudantes e os professores, com greve marcada para o próximo dia 30.

Transcrevo do Blog de Jamildo:

A marca do tiro na testa. Foto de Rodrigo Lôbo
A marca do tiro na testa. Foto de Rodrigo Lôbo

De acordo com o estudante Pedro Paulo Berto, de 22 anos, que levou um tiro de bala de borracha na cabeça, um policial civil que se identificou apenas por “Mauro” tem feito ligações desde esta manhã convocando-o para um encontro no Parque 13 de Maio, área central do Recife.

“Nunca vi a polícia marcar encontro em um lugar que não seja a delegacia ou a casa da pessoa. Ele disse ‘ou você vem aqui (no Parque) ou eu vou na sua casa”, questiona o estudante, que é membro do grupo Resistência Pernambucana. Ele conta que fez um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Santo Amaro por causa do tiro e, agora, pretende acionar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por causa da ligação, que ele considera uma ameaça.

O suposto policial, além de saber o telefone do jovem, mencionou seu endereço e o nome da mãe dele. Pedro Paulo conta que não participou dos atos de vandalismo ocorridos no protesto, até porque, quando a manifestação se intensificou, ele estava na delegacia, por causa do ferimento.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Civil reconheceu que marcar um encontro em um parque não é prática da corporação e orientou o estudante a fazer uma queixa na Corregedoria do órgão.

Veja o depoimento dele em vídeo.

Informa Noelia Brito:

Que coisa! Hoje policiais da Delegacia de Santo Amaro (sempre aquela) foram à casa de uma das vítimas da violência policial ocorrida no protesto passado (levou um tiro de bala de borracha na testa) e intimidaram a mãe do rapaz para que este retirasse a denúncia feita ao MPPE e na própria delegacia contra prefalada agressão. Na oportunidade, deixaram uma notificação kafkiana para que a vítima comparecesse na segunda-feira às 14 horas à tal delegacia. Ele comparecerá devidamente acompanhado por mim, como sua advogada e o MPPE já foi comunicado sobre esses abusos também. Eduardo e seu secretário não pensem que vão criminalizar as pessoas que participam dos protestos só porque moram na periferia não! Ele terá a melhor defesa que eu puder lhe proporcionar. Ele e quem mais for vítima de polícia fascista!
Acabei de ver na REDETV declaração do delegado responsável pela prisão do rapaz que confessou o incêndio do ônibus que teriam sido várias pessoas que receberam R$ 150,00 para participar dos atos de depredação…muito dinheiro, heim?

A cara verdadeira do Sindicato dos Jornalista em defesa da polícia do governador

PARA O GOVERNADOR EDUARDO CAMPO O APOIO INCONDICIONAL DO SINJOPE

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco fez o certo quando condenou a violência de uma militância partidária contra uma jornalista. Mas tudo indica que agiu (a atual mudança de comportamento comprova) para beneficiar a candidatura de Geraldo Júlio a prefeito, pelo PSB.

Quando é a polícia do governador Eduardo Campos (PSB) que bate, o Sinjope diz que não é possível identificar os agressores nas atuais manifestações de rua. Sendo, portanto, impraticável as punições.

Esta defesa da impunidade exemplifica o servilismo, o encabrestamento, o partidarismo da atual diretoria, cujos membros foram selecionados pelo secretário de Imprensa de Eduardo Campos, que já presidiu o sindicato, e cujo mando pretende perpetuar.

Veja o que pede a Diretoria do Sindicato contra os agressores de uma jornalistas atacada pelos adversários de Geraldo Júlio:

“Vamos aos fatos: no domingo 20/05/2012 durante a prévia do PT, o Diario de Pernambuco recebeu informações – acompanhadas de vídeos- de que militantes do partido abasteciam veículos particulares com vouchers da Prefeitura do Recife. Como era devido, iniciou a apuração do caso. Para  investigar a denúncia, o Diario  acionou uma estagiária de jornalismo. A estudante teve a incumbência de fazer os registros de imagens, inclusive com uso de um equipamento pessoal. Concluída a coleta de informações e constatada a denúncia, ela foi intimidada por partidários  que usavam camisas de um dos candidatos da legenda. A estagiária foi obrigada a apagar as imagens do celular. O abuso se estendeu até o momento em que a estudante se preparava para deixar o local. Já dentro do carro da reportagem, o veículo foi cercado pelos intimidadores que bateram no vidro e na lataria, obrigando-a a descer para certificá-los de que as imagens haviam sido excluídas. Os agressores ameaçaram chamar reforço da militância , caso as imagens não estivessem deletadas.

(…)Diante de tal quadro, o Sinjope e Fenaj  tomarão as seguintes providências:1) A assessoria jurídica vai utilizar os meios para que sejam punidos os responsáveis pelos abusos, erros e pela intimidação;2) Será pedida a apuração do caso à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral, especialmente para a identificação dos responsáveis pela intimidação da estudante de Jornalismo e    providências para que atos semelhantes não venham a ocorrer;

3) O caso vai ser incluído no relatório Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil;

4) O caso também será encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, através da Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região, para que o Diario de Pernambuco, as demais empresas, entidades  intervenientes e instituições de ensino não utilizem o estágio como artifício de ganho econômico.

Sinjope e Fenaj destacam que o propósito da presente Nota Oficial é buscar a punição de cada responsável pelos erros e pela intimidação e garantir que Jornalistas Profissionais possam desempenhar suas funções para garantir informação de qualidade ao público”.

UM SINDICATO QUE APOIA A POLÍCIA CONTRA O POVO NAS RUAS 

Dois anos depois, a mesma cena acontece repetidamente, durante várias dias, e o Sindicato vem com a seguinte conversa mole, frouxa e cúmplice:

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam  o cerceamento ao trabalho e a violência policial  de que foram vítimas três jornalistas profissionais no exercício de sua funções, durante protesto na noite desta sexta-feira, no Derby, Recife. Mesmo após se identificar como repórter, um jornalista do NE10 foi intimidado por quatro policiais e obrigado a apagar as imagens e desligar a câmera. Um repórter fotográfico da Folha de Pernambuco tentou intervir na defesa de seu colega e foi expulso do local por PMs. Uma jornalista do Portal G1-PE foi atingida no rosto por spray de pimenta.

SINDICATO COMPROMETIDO CONSIDERA A IMPOSSIBILIDADE DE PUNIR OS COVARDES TORTURADORES DE JORNALISTAS 

Essas ações claramente objetivaram impedir o registro da ação da PM no momento em que foram utilizados balas de borracha, spray de pimenta, ameaças e agressões para dispersar os manifestantes que até então realizavam um protesto pacífico. Isso inclusive, por policiais que não tinham identificação em sua farda, o que dificulta a necessária apuração e punição de excessos”.

A Chapa de Oposição “Você Sabe Porque” está encaminhando à OAB de Pernambuco um manifesto. Idem ao Ministério Público. Idem ao governador Eduardo Campos. Exigimos (não pedimos) “a punição de cada responsável pelos erros e pela intimidação e garantir que Jornalistas Profissionais possam desempenhar suas funções para garantir informação de qualidade ao público”. E mais do que isso: o julgamento e a condenação dos torturadores que espancaram, como era comum na ditadura militar, os jornalistas no exercício da profissão. Até, agora, impunemente. Tanto que o porta-voz do governador afirmou: “As pessoas de bem não estão sendo intimidadas. Ou estão equivocadas ou então é um depredador”.

Fica o desafio: Que a diretoria do Sindicato abandone o silêncio cúmplice. Apoie o presidente da OAB-PE.

“A respeito desse episódio, o presidente Pedro Henrique criticou as afirmações do secretário de Imprensa Evaldo Costa, publicada em matéria do Jornal do Commercio do domingo, dia 07, que afirmou: “As pessoas de bem não estão sendo intimidadas. Ou estão equivocadas ou então é um depredador”. Para o presidente Pedro Henrique, a afirmação do secretário está desassociada da realidade”. Transcrevi trecho de nota oficial da OAB-PE.

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Qual a diferença entre a polícia de Sérgio Cabral e a polícia de Eduardo Campos?
Qual a diferença entre a polícia de Sérgio Cabral e a polícia de Eduardo Campos?

OAB CRIA COMISSÃO PARA APURAR ABUSOS DA PMPE E CRITICA SECRETÁRIO DE IMPRENSA DO ESTADO

Novas denúncias acerca de postura intimidatória e arbitrária por parte da Polícia Militar, especialmente em relação aos estudantes universitários e lideranças do movimento estudantil, chegam à OAB-PE. Na tarde da última sexta-feira, dia 05, o presidente da Ordem, Pedro Henrique Reynaldo Alves, esteve reunido com representantes de 17 entidades da sociedade, diretórios acadêmicos, sindicatos, ONGs de direitos humanos, dentre outras instituições, discutindo caminhos para melhor objetivar e pautar as reivindicações que vêm ganhando as ruas nas últimas semanas em passeatas e manifestações públicas.

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Apesar da proposta de agenda do encontro, a maior parte do tempo da reunião foi ocupada com o tema da atuação arbitrária e intimidatória da Polícia Militar no enfrentamento das manifestações. Momento revelador de um ambiente de grande indignação por parte especialmente das lideranças estudantis que estão inconformadas com a presença da polícia em suas reuniões, dentro das próprias universidades. Além de novos casos narrados no encontro, a operação com policiais da ROCAM no campus da UNICAP, na noite do dia 28 de junho, onde teriam sido feitas filmagens da reunião dos estudantes, foi apresentada como exemplo de que as autoridades de segurança do Estado estariam agindo de forma intimidatória. Vale lembrar que a OAB-PE pediu explicações ao secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, por meio do Ofício 311, de 01/07/2013 (vide ofício na íntegra), acerca do assunto e cobrará resposta mais rápida através de novo expediente.

A respeito desse episódio, o presidente Pedro Henrique criticou as afirmações do secretário de Imprensa Evaldo Costa, publicada em matéria do Jornal do Commercio do domingo, dia 07, que afirmou: “As pessoas de bem não estão sendo intimidadas. Ou estão equivocadas ou então é um depredador”. Para o presidente Pedro Henrique, a afirmação do secretário está desassociada da realidade já que diversos estudantes vêm procurando a OAB incomodados com a presença ostensiva de policiais dentro das faculdades, realizando filmagens e fotografias.

“A participação dos estudantes universitários nos protestos e manifestações públicas deve ser respeitada e até valorizada em uma democracia, e nunca encarada como atividade subversiva. O secretário é quem está profundamente equivocado em sua infeliz declaração, que simplesmente desconsidera o efeito intimidatório da presença policial em reuniões estudantis”, afirmou Pedro Henrique, que lembrou o fato de ainda estar muito viva na memória das gerações atuais a presença ostensiva da polícia política nos tempos da ditadura, onde ocorriam torturas e assassinatos de estudantes.

“Estamos constituindo uma Comissão provisória com o objetivo de receber e apurar as denúncias de arbitrariedade de agentes do Estado em relação aos integrantes e líderes dessas manifestações. Não podemos tolerar que o Estado simplesmente coloque de forma genérica a pecha de vândalo em todos que são alvo da ação da polícia e assim tente desqualificar manifestantes e legitimar excessos da PM”, acrescentou Pedro Henrique.

Participaram ainda da reunião, a vice-presidente Adriana Rocha, o secretário geral adjunto Fernando Ribeiro Lins, o conselheiro federal e ex-presidente Henrique Mariano, a representante da Comissão de Ensino Jurídico da OAB-PE Marília Montenegro e a integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE Liana Cirne.

A notinha do Sindicato dos Jornalista e a infeliz declaração do Secretário de Imprensa do governador Eduardo Campos

polícia nas ruas

 

Quem indicou os nomes e manda na atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco?

Por que a diretoria do Sinjope pretendia ser uma chapa batida de ponta virada para o Palácio das Princesas?

Por que deu uma notinha de apoio a polícia do governador?

E, incrível, por que defende a impunidade, afirmando da dificuldade de identificar os agressores, os que, na policia militar e na polícia civil, prendem e arrebentam  jornalistas e estudantes?

Por que proclama a impossibilidade de punir a arbitrariedade dos intimidadores, dos espancadores, dos  espias, dos infiltrados da polícia?

“Não é dificil indentificar”. Confira aqui

O presidente da OAB-PE, Pedro Henrique, criticou as afirmações do secretário de Imprensa Evaldo Costa, publicada em matéria do Jornal do Commercio do domingo, dia 07, que afirmou: “As pessoas de bem não estão sendo intimidadas. Ou estão equivocadas ou então é um depredador”. Para o presidente Pedro Henrique, a afirmação do secretário está desassociada da realidade já que diversos estudantes vêm procurando a OAB incomodados com a presença ostensiva de policiais dentro das faculdades, realizando filmagens e fotografias.

“A participação dos estudantes universitários nos protestos e manifestações públicas deve ser respeitada e até valorizada em uma democracia, e nunca encarada como atividade subversiva. O secretário é quem está profundamente equivocado em sua infeliz declaração, que simplesmente desconsidera o efeito intimidatório da presença policial em reuniões estudantis”, afirmou Pedro Henrique, que lembrou o fato de ainda estar muito viva na memória das gerações atuais a presença ostensiva da polícia política nos tempos da ditadura, onde ocorriam torturas e assassinatos de estudantes”.

Duvido – fica meu desafio – a diretoria fantoche apoiar a OAB. Sempre por baixo, parte  minoritária do Sinjope prefere ficar à sombra do secretário de Imprensa do Governador.

Quanto mais direitista um governador, mais violência policial

Governadores estão tirando a máscara de esquerdista, e mostrando a verdadeira cara.

Na ditadura militar, muitos políticos eram chamados de “melancia”. Verde por fora, direitista; e dentro vermelho, comunista.

Como denominar, hojemente, os que se dizem da esquerda e/ou democrata, e botam a polícia nas ruas para bater e prender estudantes e jornalistas?

Os espanhóis e portugueses, no Século XVI, na Conquista colonial, jogavam os cachorros contra os índios. Haviam inclusive cães acostumados a comer carne humana.

Os cavalos eram poderosos “tanques de guerra” no confronto físico dos soldados com os nativos.

Nas Américas não existiam nem cavalos nem cachorros.

É uma guerra desigual. Os estudantes desarmados contra balas de borracha, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e cassetetes.

Dos jornalistas tomam as máquinas de filmar e fotografar. E o mais grave: os tiros certeiros são nos rostos. Cegar o olho de um repórter fotográfico ou de um cinegrafista, a mesma crueldade de cortar a mão de quem escreve. Isso aconteceu com Victor Jarra, na ditadura de Pinochet no Chile; com Cervantes, na Espanha da Inquisição.

PERNAMBUCO
PERNAMBUCO
SÃO PAULO
SÃO PAULO
CEARÁ
CEARÁ
MINAS GERAIS
MINAS GERAIS

Por que a polícia de Pernambuco prendeu a universitária da FAFIRE?

Por Cris Patos (Crislayne Maria da Silva)
Líderes do Movimento Voz Ativa da FAFIRE
Líderes do Movimento Voz Ativa da FAFIRE
Comentário de Karlos Marx: Estudantes da FAFIRE (Faculdade Frassinetti do Recife) voltam a se organizar para tocar as lutas dos estudantes, e despertam de novo a universidade para o movimento estudantil. Conseguem resgatar após anos de inércia dentro da universidade. Abaixo está a carta de agradecimentos aos estudantes da FAFIRE feita pela presidente do novo DCE (Diretório Central dos Estudantes) de lá, Cris Patos, a menina que resgatou a organização dos estudantes lá, que é claro, não fez isto sozinha, mas sim com os seus companheiros de chapa, que se esforçaram muito, e que puxaram a formação do DCE Voz Ativa.”
Não propositalmente, poucos dias antes de 31 de março ressurge na Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE) um sentimento a tempos adormecido: A vontade de ir à luta, a sede por mudança, o questionar. Por qual motivo não praticar e seguir aquela frase da pessoa, cujo dá nome a instituição e é fundadora dela: “Ide, e transformai o mundo!” (Irmã Frassinetti).
E foi neste espírito que os estudantes do país inteiro conseguiram transformar sua realidade, e contribuir em lutas decisivas para mudar nosso país. Através de muitas batalhas conseguimos superar os tempos difíceis, e que jamais serão esquecidos, da ditadura militar, em que milhares de estudantes no país inteiro foram perseguidos, e outros tantos presos, torturados e assassinados. Tempos que ficarão em nossas memórias, tempos nos quais nós fizemos historia, como podemos relembrar no protesto de centenas de estudantes no debate sobre a aliança para o progresso com Bob Kennedy que ocorreu no auditório principal de nossa faculdade, em uma fase não apenas marcada pela brutalidade e repressão do Estado, mas também pelo heroísmo de diversos jovens e estudantes, que deram suas vidas para lutar pela liberdade. Vimos nossos estudantes tirarem força de seus medos e percorrerem as ruas na esperança de mudar, de transformar sua realidade e com isso conseguirem muitas vitórias.
O tempo passou. As lutas não cessaram, mas até esta eleição, os nossos feitos na FAFIRE se resumiam as memórias de tudo isto que fora feito no passado.
O movimento Voz Ativa surge na FAFIRE dessa necessidade do estudante de ser ouvido, de estar organizado a fim de resolver os problemas internos da faculdade acumulados – e ignorados –, de impedir que sua história de luta caia no esquecimento. Mais do que reabrir um DCE, nós reacendemos uma faísca por justiça, por democracia, por mudanças que vão além dos portões de nossa instituição. Ganhamos mais que setecentos e dezesseis votos – por sinal, recorde na porcentagem de estudantes que votaram, nas faculdades de todo o Estado –, ganhamos setecentos e dezesseis mentes a saírem do comodismo e lutarem para ter Voz Ativa. Faremos um movimento estudantil de verdade, se preciso ocuparemos reitorias, gritaremos palavras de ordem, faremos com que nos ouçam e com que saibam que os alunos de Frassinetti seguirão ao pé da letra o lema ”Ide, e Transformai o mundo” e continuaremos a mudar a História.
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Cris Patos
Cris Patos
Cris Patos está presa na Colônia Bom Pastor em Recife. Pela polícia do governador Eduardo Campos. Ela vinha sendo monitorada pela PM desde que escreveu este artigo.