A polícia assassina da Bahia de todos os santos e pecados

“Todos deveriam ter muito cuidado porque a tropa está com sangue no olho” e nas mãos

 

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Sindicato repudia tentativas de intimidação de jornalistas por PMs da Bahia

 
O Sindicato dos Jornalistas da Bahia manifesta repúdio, preocupação, e solicita providências ao Governo do Estado, Secretaria de Comunicação, Secretaria da Segurança Pública e Comando da Polícia Militar da Bahia às tentativas de intimidação praticadas contra jornalistas dos jornais Correio e A Tarde envolvidos na cobertura do desaparecimento de Geovane Mascarenhas de Santana, 22 anos, ocorrida no dia 02/08/2014, que foi visto pela última vez ao ser filmado quando era agredido e colocado numa viatura por policiais militares da Companhia de Rondas Especiais Baía de Todos os Santos (Rondesp/BTS).

Um dos jornalistas recebeu solicitação para que se identificasse durante entrevista coletiva concedida pelas autoridades policiais, na última sexta-feira, dia 15/08, e foi surpreendido com a declaração de que “é muito bom saber quem escreve sobre a gente”. Repórteres do Correio receberam telefonemas na redação do jornal de dois homens que se identificaram como policiais militares e que parabenizaram pela reportagem, mas alertaram que “todos deveriam ter muito cuidado porque a tropa está com sangue no olho”. Fonte de um jornalista também alertou que “a tropa está muito revoltada e era preciso cautela”.

A direção do Correio encaminhou ofício ao secretário Maurício Barbosa informando sobre os fatos havidos na redação.

Os jornalistas envolvidos na cobertura realizaram seu trabalho de forma ética e responsável, não generalizando uma ação isolada praticada por um grupo de policiais que agiram contrariando as leis que regulam a atividade da Polícia Militar. Assim, não existe qualquer justificativa para qualquer forma de insatisfação por parte de integrantes da PM, a menos que esses comunguem com atos que vêm sendo investigados e repudiados pela própria corporação.

O livre exercício do jornalismo é inerente à democracia brasileira e garantido pela Constituição do Brasil, cabendo às autoridades a garantia de segurança e o respeito à integridade física e moral dos profissionais de imprensa.

O Sinjorba está atento a esses fatos e encaminhou alerta à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e à Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc).

Salvador, 18/08/2014.

Marjorie Moura
Presidente do SINJORBA

Fonte: Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe

 

Greve da Polícia na Bahia termina com líder preso

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Os policiais militares e bombeiros da Bahia decidiram encerrar a greve deflagrada no início da noite da última terça (15). O coordenador-geral da Aspra, Marco Prisco, apresentou os itens da contra-proposta elaborada pelo Governo do Estado, em assembléia na tarde desta quinta-feira (17), e perguntou aos policiais se eles aprovavam. A maioria levantou as mãos, em sinal de que aprovava o fim da paralisação, gritando em coro “ô, ô, a PM voltou”.

A contra-proposta do Governo foi elaborada durante a madrugada e apresentada aos líderes dos grevistas pelo coronel da Polícia Militar Alfredo Castro na manhã desta quinta (17), no Quartel do Comando Geral da Polícia, nos Aflitos. O arcebispo-primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, foi convidado para participar da reunião e abençoou o acordo.

A categoria, que reúne pelo menos 34 mil homens na ativa no estado, reivindicava melhoria salarial, mudanças na política remunerativa, plano de carreira, acesso único ao quadro de oficiais, um Código de Ética, aposentadoria com 25 anos de serviço para a Polícia Feminina, aumento do efetivo, bacharelado em Direito para os oficiais, além de elevação de toda a tropa para o nível superior entre 2014 e 2018.

Os policiais conseguiram o aumento da Gratificação por Condições Especiais de Trabalho (CET) dos praças na proporção de 25% para as funções administrativas, 45% para as operacionais, 65% para os motoristas e Regime de Tempo Integral (RTI) para os oficiais.

Além disso ficou acertado que será encaminhado a Assembleia nova proposta do Código de Ética para nova discussão e rediscussão das propostas do Estatuto e Plano de Carreira. Também ficou decidido a revisão de processos administrativos e disciplinares referentes à mobilização de 2012. E que haverá nova negociação sobre auxílios alimentação, funeral, fardamento para alunos em formação, transporte e bagagem.

MARCOS PRISCO É PRESO E TENSÃO VOLTA NA POLÍCIA MILITAR DA BAHIA

O líder do movimento grevista da Polícia Militar da Bahia, vereador Marco Prisco, foi preso na tarde desta sexta-feira, a pedido do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA). O pedido de prisão preventiva ajuizado pelo MPF foi concedido pela 17ª Vara Federal na terça-feira.

Os líderes das associações de policiais militares estão reunidos e o deputado Capitão Tadeu convocou os policiais a se aquartelarem. Em nota o governo do Estado disse que todas as cláusulas do acordo que deu fim a greve estão mantidas e que não houve qualquer participação do Estado nesse processo.

Prisco localizado pela Polícia Federal em um resort na Costa do Sauípe, no Litoral Norte, e transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O pedido de prisão foi feito dentro da ação penal movida pelo MPF em abril de 2013, que denunciou sete pessoas entre vereadores, soldados e cabos da PM por diversos crimes, a maioria deles contra a segurança nacional, praticados durante a greve realizada entre os dias 31 de janeiro e 10 de fevereiro de 2012. Segundo o MPF, a intenção do pedido de prisão preventiva é garantir a ordem pública.

Prisco está sendo processado pelo MPF por crime político grave. De acordo com o Ministério Público, qualquer recurso contra sua prisão poderá ser ajuizado apenas no Supremo Tribunal Federal.

SALÁRIO DE POLICIAIS BAIANOS  ESTÁ ACIMA DA MÉDIA NACIONAL

Desde 2008, a categoria se mobiliza para a aprovação da PEC 300 que estabelece piso de cerca de R$3,5 mil

Como ocorre na maioria das mobilizações de profissionais, a greve parcial da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) tem com uma das principais pautas de reivindicação as melhorias salariais. Reajuste, aumento na gratificação, pagamento de benefícios e estabelecimento de piso e de plano de carreira são alguns dos principais impasses para o retorno das atividades. Na Bahia, de acordo com Associação dos Oficiais da Policia Militar (AOPM), o rendimento bruto inicial do soldado é de R$ 2.117,22, maior do que a média nacional de R$1.020,00.

Desde 2006, quando a remuneração base era 1.297,37, os policiais tiveram um ganho real de 29,40%. No caso do sargentes, o valor pago é de R$2.748,48, quase R$1.300 a mais do que o valor pago em 2006. Os órgãos do governo baiano destacaram também que os policiais conquistaram outros direitos, como vale alimentação, a restruturação da carreira de praça e o tempo máximo de permanência nos postos de tenente-coronel e de coronel para 9 e 6 anos.

No último concurso estadual para Admissão no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, realizado em 2011, foram selecionados 120 profissionais. Durante os três próximos anos, eles seguirão estudando recebendo uma bolsa mensal de 30% do salário de um soldado. Uma das demandas apontadas pelos policiais grevistas é o aumento do pagamento feito pela GAP III (Gratificação por Atividade Policial) para a GAP V. Com isso, segundo a AOPM, os vencimentos teriam acréscimo de pouco mais de R$2 mil reais.

Comparado a outros estados da federação, a Bahia paga melhor aos policiais do que Rio de Janeiro, Rondônia, Acre, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco. Entretanto, estados menores dentro da região Nordeste como Sergipe, por exemplo, a categoria tem vencimentos maiores, de pouco mais de R$3 mil.

De todos as unidades, o Distrito Federal (DF) é o que paga melhor aos policiais e bombeiros. Para se ter uma ideia desde que foi aprovado e sancionado o Plano de Carreiras, pelo ex-presidente Lula, em 2009, a renda básica do policial militar passou a ser de R$4.129,73. No caso da Polícia Civil, o salário ultrapassa os R$ 7 mil.

MOBILIZAÇÃO NACIONAL
Para tentar uniformizar o pagamento e padronizar os vencimentos básicos da categoria, em todo o Brasil, desde o ano de 2008, policiais/bombeiros militares e policiais civis fazem uma mobilização para a aprovação da PEC 300. Pelo Projeto de Emeda Constitucional, que tramita no Congresso e foi incorporada à PEC 446, o piso da polícia militar seria de R$ 3,5 mil. No caso da Polícia Civil, o valor seria de de R$ 7 mil.

Os policiais alegam que, no caso dos estados não puderem pagar a diferença, o governo federal poderá criar um fundo destinado para cobrir a diferença. O governo alegou que o rombo no orçamento impediria a execução e viabilidade do projeto. Com a onda de assaltos e crimes na Bahia, os deputados retomaram as discussões sobre a necessidade de aprovação da PEC.

De acordo com a assessoria da Câmara de Deputados, na última sexta-feira (3), o parlamentar Átila Lins entrou com o pedido para que a pauta seja inserida na ordem do dia e seja apreciada pela casa. Caberá ao presidente da casa, deputado Marco Maia, acatar o pedido.

Diante da série de mobilizações no Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, o autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá, acredita que somente a aprovação da emenda seja a solução para os impasses. “Sem nenhuma, pode ser a solução para todos os demais estados. Todos os policiais militares vivem hoje uma situação difícil: o bico é maior do que o salário oficial e, quando chega perto da aposentadoria, dá desespero, porque o bico não vale para a aposentadoria, o que vale é o salário oficia”, declarou.

 

 

Soldado da Bahia considera digno um salário em torno de R$ 4,5

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O presidente da Associação dos Praças de Salvador (Aspra), Marcos Prisco, desde o final de 2013 vem criticando duramente as condições de trabalho dos policiais militares na Bahia.

Declarou em novembro de 2013: -Todo povo do Brasil inteiro está indo para ruas cobrar seus direitos e nada mais justo que os policiais militares cobrarem seus direitos. A gente tem questões nacionais ainda. Nós queremos a desvitalização e unificação da PEC 300, que é a valorização salarial dos policiais militares do Brasil, e temos questões internas de cada estado. Esperamos que o governo sente-se à mesa e trate a segurança pública com prioridade, que negocie, por que a palavra mais fantástica da democracia é o diálogo.

-Esperamos que o que está na mesa saia do papel, por que os policiais militares da Bahia infelizmente não confiam no governador, devido a toda promessa durante o período da campanha eleitoral, como pagamento da URV e valorização salarial, que não ocorreu.

Atualmente um Soldado da PM recebe de salário bruto R$ 2.020, considerado o quinto pior do Nordeste. Ainda de acordo com o presidente da Aspra, a situação enfrentada pelos trabalhadores é desestimulante, pois um soldado da PM em Sergipe ganha R$ 3.800 mensalmente.

– Nós não queremos penduricalhos. Nós queremos salário, nós queremos equiparação salarial para toda corporação.

O sindicalista afirmou que não tem como mensurar um valor fixo para quem enfrenta diariamente vários riscos para proteger a população, mas acha que um salário em torno de R$ 4,5 poderia dar mais dignidade aos trabalhadores.

 

Em quatro meses, mais de 80 jornalistas agredidos pelos soldados estaduais de governadores

A maioria das agressões aconteceu nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. O ódio vem do revide às coberturas jornalísticas dos casos Amarildo e da chacina da família Pesseghni. E do interesse político de atemorizar o povo, que reivindica serviços essenciais como saúde e educação.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin acaba de comprar armas químicas para usar contra os manifestantes e jornalistas.

São Paulo possui 95 mil soldados estaduais. É a maior polícia do Brasil, e a terceira entre os efetivos dos países da América Latina.

Apesar de fortemente armado, Alckmin se diz ameaçado de morte, pelo govêrno paralelo, o PCC.

Admitir as presenças de um governo legal e outro invisível é sinal de fraqueza, de uma Polícia Militar sem comando, apenas treinada para reprimir professores e estudantes grevistas, e  os indignados com a corrupção. Polícia adestrada para dispersar das ruas os movimentos pacíficos que, desarmados, promovem passeatas.

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Após agressões em protestos, jornalistas mudam visão sobre segurança

por Nathália Carvalho

Desde junho, quando o país começou a presenciar a série de protestos em diversos estados, mais de 80 profissionais de imprensa foram agredidos física e moralmente, conforme levantamento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraij). Quem passou por isso não guarda boas lembranças e afirma que há pouca segurança para repórteres que cobrem momentos de conflitos.

Contratado da Globonews, Pedro Vedova teve sua história divulgada no mesmo dia em que policiais atiraram em sua testa: 20 de junho. O jornalista estava cobrindo os protestos no Rio de Janeiro quando a redação pediu para que ele pegasse a chegada dos manifestantes à prefeitura. “Mas a bateria da câmera acabou e não fazia sentido que eu estivesse lá sem equipamento. Corri para a base da redação e troquei. Quando voltei, a confusão já estava formada”.

Ao ver o conflito e auxiliado por dois seguranças da emissora, Vedova andou pela margem de um viaduto se escondendo atrás de palmeiras. “Quando cheguei até a última árvore, me senti vulnerável. Então, abaixei para apoiar a câmera. Não estava filmando, mas usei o zoom do equipamento para enxergar o que estava acontecendo a 100 metros de onde estava”. Naquele momento, o jornalista foi atingido no meio da testa.

Pedro Vedova
Pedro Vedova

“A gente sabe que parte da polícia é agressiva, mas jamais imaginaria que poderiam mirar na minha cabeça. As autoridades procuram controlar a confusão, mas não havia nada perto de mim que tivesse de ser controlado. Não dá para falar que o tiro foi acidental”. À época, Vedova não percebia que estar ali se tratava de ato corajoso. Depois de ficar afastado e passar por cirurgia, o cinegrafista comenta que ficou desapontado e frustrado com tudo que aconteceu.

Ex-repórter do Portal iBahia, de Salvador, Tiago Di Araújo passou por situação diferente do colega do Globonews. Era 22 de junho quando, ao fotografar as manifestações, três policiais o abordaram. “Pediram a minha identificação de profissional da imprensa e eu apresentei. Um dos policiais alegou que uma daquelas fotos poderia demitir um pai de família, me pedindo para apagá-las. Respondi que estava apenas fazendo o meu trabalho e eles me ameaçaram dizendo que eu iria perder todas as fotos”. E foi o que aconteceu, pelo menos num primeiro momento. Repreendido, Di Araújo foi obrigado a apagar as imagens, que recuperou por meio de um programa quando chegou à redação.

A atitude das autoridades foi ridícula, afirma o jornalista. “Só não fui agredido por ter me identificado com crachá e creio também por ser profissional da maior rede de comunicação do estado”.

Tiago Di Araújo
Tiago Di Araújo

Segurança
Di Araújo acredita que não há segurança suficiente para quem trabalha na rua e que, nestes casos, o profissional conta com a própria sorte e esperteza. “Mudei a minha confiança na segurança pública. E aumentou o medo em relação às atitudes policiais, que sempre optam pela violência física e verbal para impor certo tipo de respeito”. Ele afirma que não existe nenhum tipo de prevenção contra essas atitudes truculentas e que, depois do ocorrido, são geralmente acionados meios legais, que não resolvem em nada.

Vedova conta que, se fosse hoje, teria muito mais receio da polícia. “A questão é que o repórter precisa estar com a câmera apontada para o policial e para os manifestantes. O jornalista não tem o que fazer na manifestação se não isso. Ficaria mais atento à movimentação dos PM’s”. Ele acredita que situações como essas são específicas e que o profissional precisa ter postura ativa para levar informação completa e de qualidade às pessoas. “Ainda que haja dificuldades para cobrir por causa das autoridades ou manifestantes, temos que ir e fazer o nosso trabalho”.

Estratégias
Questionado sobre os cuidados para trabalhar durante coberturas de protestos, Vedova explica que não há muitas estratégias para se proteger. “Você vai aprendendo, mas eu já era repórter escaldado, fui criterioso e cuidadoso, mas acabou acontecendo”. O colaborador da Globonews acredita que se trata de fatalidade, algo que ninguém conseguiria prever.

Na Bahia, Di Araújo ressalta que ficou assustado com a situação e teve medo de registrar algumas fotos nos protestos que cobriu em seguida. “Fiquei bem abalado e com medo, por causa do histórico de violências policiais que ocorrem em nossa cidade. Eles gravaram a minha fisionomia e meu nome, e ainda me ameaçaram”.

Debate
A discussão sobre a violência contra profissionais de imprensa foi tema de hangout realizado pela Abraji na semana passada. O debate contou com a presença do presidente da entidade e editor do ‘RJTV’ (TV Globo), Marcelo Moreira, do diretor e repórter da Gazeta do Povo, Mauri König, e do coordenador dos cursos de jornalismo em situações de conflito armado e outras situações de violência realizados em São Paulo pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), João Paulo Charleaux.

Sobre as agressões que partem de manifestantes, Moreira disse que isso é reflexo de descontentamento com a mídia, que é vista como concentradora de informação. “Mas acontece que isso tem que ser discutido no campo das ideias e jamais o repórter deve ser vítima de violência por alguém que não concorde com o veículo de imprensa”.

König trouxe para o debate a visão de que a maioria da opinião pública acredita existir um grupo de jornalistas que iniciam seus trabalhos com o propósito de sacanear alguém e fazer mal. “Incomoda ver essa busca de usar a imprensa como bode expiatório de todos os males do Brasil. O repórter acaba sendo a ponta de lança da mídia tradicional e sofre na rua”. Ele acredita que as empresas de comunicação precisam ser responsáveis pela segurança de seus profissionais. “Grandes grupos têm assistência para o repórter que cobre conflitos, mas as pequenas não. Isso deveria ser geral. O jornalista não pode contar apenas com a cara e a coragem para fazer seu trabalho”.

Investir em treinamentos pode ser a saída para diminuir os casos de violência, explica Moreira. “O repórter percebe que uma matéria não compensa o risco que ele está correndo quando é treinado. Nenhuma imagem vale uma vida e não vale a pena que ele se arrisque por algo que será publicado em pouco espaço no veículo. Essa noção precisa ser repassada para os profissionais”.

[Outra vítima da violência da polícia de Alckmin, o fotógrago Sérgio Silva que perdeu um olho: “Todos os dias quando eu acordo, me olho no espelho e a imagem que tenho é essa que você está vendo agora: da violência, do meu olho fechado. Todos os dias eu lembro, não tem como.”

Naquela tarde de junho, em São Paulo, Sérgio registrava, pela agência Futura Press, uma manifestação contra o aumento da tarifa de transporte público quando policiais começaram a atirar com balas de borracha na esquina das ruas Caio Prado e Consolação, no centro da cidade.

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A tragédia que lhe tirou a visão, há quase quatro meses, mudou sua vida. Não apenas deu fim ao seu instrumento de trabalho, como o impediu de conseguir manter uma rotina comum para um homem de 31 anos, casado e com duas filhas. “Além de tecnicamente eu estar muito abaixo de um fotógrafo normal, não sou capaz de enxergar direito o caminho pelo qual devo ir ou mesmo de pegar um transporte público sozinho”, contou. “Retomei a vida social recentemente, há cerca de três semanas. Vou a casa de familiares, amigos, estou fazendo primeiro uma adaptação, para depois pensar em exercer minha profissão como antes.”]

Veja vídeo:

http://br.noticias.yahoo.com/video/documento-yahoo-um-olho-menos-224057982.html

 

 

 

Bahia recomenda pagar pedágio a bandido

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A máfia pagava propina a policiais
A máfia pagava propina a policiaiscorreio_braziliense. polícia
O ladrão sempre divide... e está solto porque a polícia permite. Foi despejo tem polícia. Foi greve tem polícia. Foi passeata estudantil tem polícia. Foi marcha do sem terra ou dos sem teto tem polícia. Polícia nunca faltou.
O ladrão sempre divide… e está solto porque a polícia permite. Foi despejo tem polícia. Foi greve tem polícia. Foi passeata estudantil tem polícia. Foi marcha do sem terra ou dos sem teto tem polícia. Polícia nunca faltou.
Recomendações do site da Secretaria de Segurança da Bahia
Recomendações do site da Secretaria de Segurança da Bahia

Uma recomendação para casos de assalto, feita pela Polícia Civil da Bahia, está causando polêmica no Estado. Segundo o site do órgão, que publicou um link com “Dicas / Como agir em caso de assalto”, as vítimas deveriam andar com dinheiro para “satisfazer” um possível assaltante.

“Carregue um pouco de dinheiro (para satisfazer o ladrão), mas poucos cartões”, diz a sexta dica da página, publicada no site da polícia e da SSP (Secretaria de Segurança Pública).

A recomendação, que havia passada despercebida, foi divulgada pelo blog “Bahia Notícias”, nesta terça-feira (12), e rapidamente foi retirada do ar pela polícia, o que não impediu que internautas criticassem nas redes sociais a “dica oficial”.

“Não dê risada, não, é serio. É assim que a polícia baiana trabalha: manda tu levar um trocado pra satisfazer o ladrão”, disse Silas Reis. “E se não tiver dinheiro?”, questionou Emerson Arraes. “Mais uma da série: pense num absurdo?!”, escreveu Júlio Porto.

O caso também teve repercussão na Assembleia Legislativa. A Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública aprovou, na manhã desta terça-feira, um requerimento convidando o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, a prestar esclarecimentos sobre a orientação e para falar sobre o crescimento da violência no Estado.

Opositor do governo, o vereador Leo Prates, vice-líder do prefeito ACM Neto e líder do DEM na Câmara Municipal, sugeriu a criação de um “imposto ladrão” e disse que “isso mostra a falência da segurança pública na Bahia”.

Retirado do ar
Após a polêmica, o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, Hélio Jorge Paixão, informou, em nota, que já determinou, na manhã desta terça-feira, “a retirada temporária do link Dicas de Segurança do site da Polícia Civil, que também era postado na homepage da Secretaria da Segurança Pública”.

Ainda segundo o órgão, as “informações ali contidas, postadas há mais de cinco anos, vão passar por revisão e atualização”.

 

[Por que a censura do delegado-geral?

A violência só tem aumentado.

Tira e bota delegado e nada muda.

Na próxima campanha para governador, em 2014, todos os candidatos vão prometer mais segurança.

Em todas as campanhas a mesma promessa: mais segurança.

Por que não agora?

Quem não tem o de comer, como vai economizar para pagar pedágio a bandido?]

 

 

 

Rio e São Paulo, cidades minadas. Quem explode mais?

Seis homens acusados de participar em explosões de pelo menos sete caixas eletrônicos no interior de São Paulo foram presos pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (11). Entre os detidos estão dois guardas municipais e um servidor público estadual, que trabalham em Holambra (133 km da capital).As investigações revelaram a participação de agentes públicos de segurança nos ataques.

No Rio de Janeiro, uma moto ficou completamente destruída após ser atingida pela explosão de um bueiro na tarde de hoje em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Ninguém ficou ferido. O motociclista estava parado em cima da tampa do bueiro aguardando o semáforo quando ocorreu a explosão.

Em Salvador, a polícia atira no povo para matar. Eta país desgovernado, desembestado.

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