Síria. De toda a terra um grito de paz

“Eleve-se forte em toda a terra o grito da paz!”. Repetiu o Papa Francisco aos numerosíssimos fiéis que apinharam a praça de São Pedro na quarta-feira de manhã, 4 de Setembro.

O Papa Francisco lançou neste sábado um vibrante apelo para que todos “trabalhem pela paz e a reconciliação” para pôr fim à guerra, “que é sempre uma derrota para a humanidade”, durante uma vigília de jejum e orações pela paz na Síria.

“A guerra é sempre uma derrota para a humanidade”, afirmou o santo padre diante de 70.000 pessoas do mundo todo reunidas na Praça de São Pedro.

“Na querida nação Síria, no Oriente Médio, em todo o mundo, rezemos pela reconciliação e a paz, trabalhemos pela reconciliação e a paz”, afirmou Francisco, calorosamente aplaudido pelos fieis.

“Quando o homem só pensa em si mesmo, em seus próprios interesses, quando ele é seduzido pelos ídolos da dominação e do poder, quando ele se coloca no lugar de Deus, ele arruína todas as relações, ele arruína tudo. E isso abre as portas para a violência “, afirmou, em uma longa meditação sobre a “bondade da criação de Deus e o caos que provoca a violência entre irmãos”. Ele voltou, assim, ao tema da primeira missa de seu pontificado: o homem é chamado a ser “o guardião de seu irmão e da criação”.

“A violência e a guerra são a linguagem da morte! Eu vos pergunto: É possível ir por outro caminho? Podemos aprender a andar novamente e os caminhos da paz?”

“Esta noite, gostaria que em, todas as partes da Terra, gritássemos: sim é possível! Ou melhor, gostaria que cada um de vocês respondesse: sim, nós queremos!”, afirmou.

Por iniciativa da Igreja Católica, cristãos, muçulmanos, budistas, ateus e pessoas não religiosas foram convocados neste sábado a uma jornada mundial de jejum e orações contra uma intervenção armada na Síria.

“A paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a Humanidade”, publicou o Papa no Twitter nesta sexta-feira.

Às 14H00 de Brasília, teve início a vigília na Praça de São Pedro, que irá até as 18h00, alternando momentos de oração e silêncio.

“Que se eleve forte em toda a Terra o grito da paz!”, exclamou na quarta-feira o Papa, para convocar 1,2 bilhão de cristãos, fieis de outras religiões e ateus a refletir sobre a paz na Síria.

Francisco, que enviou uma carta à cúpula do G20 em São Petersburgo, se opõe à intervenção militar na Síria prevista pelos Estados Unidos e França, já que considera que isso irá piorar o massacre, aumentar o ódio, e não poderá ser uma ação limitada.

“Ouvimos esta voz procedente do mundo inteiro e nos emocionamos com esta corrente de solidariedade iniciada pelo Papa”, comentou, por telefone, falando ao canal Sky TG24, o núncio apostólico em Damasco, monsenhor Mario Zenari.

Zenari compareceu à catedral melquita para um vigília de oração ecumênica que reuniu também ortodoxos e muçulmanos.

Mais de mil cristãos sírios se juntaram em oração em uma igreja de Damasco.

A missa foi celebrada na Catedral da Dormição de Nossa Senhora, sede do arcebispado greco-católico melquita, em Bab Charqi, Cidade Velha de Damasco.

“Que Deus proteja a Síria”, cantaram os fiéis durante a missa, celebrada pelo patriarca católico melquita Gregorio III Laham.

A convocação papal teve especial repercussão no Oriente Médio, onde os patriarcas, geralmente rivais entre si, se uniram na preocupação com as consequências de uma propagação da guerra e ascensão islamita.

O patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, apoiou a iniciativa do Papa, asim como o grande mufti Ahmad Badredin Hassun, líder do islã sunita na Síria, que pediu aos fieis que se unam à oração do Papa.

O patriarca maronita, Beshara Butros Rai, conduzirá uma oração na Basílica de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, norte de Beirute.

O vice-presidente do Alto Conselho xiita do Líbano, xeque Abdel Amir Qabalan, respondeu favoravelmente ao apelo de Francisco.

O patriarca de Antioquia e do Oriente para os greco-católicos, Gregório Laham, convocou todos os fieis ao jejum, e pediu que os religiosos abram as igrejas para as orações.

O cardeal brasileiro Dom João Braz de Aviz, presidente do Conselho Pontifício para as Ordens Religiosas masculinas e femininas nos cinco continentes, também pediu para que os fieis respondam maciçamente à convocação.

Muitos grupos de não religiosos, como o Partido Radical Italiano, anticlerical, e o pequeno partido de extrema esquerda SEL, apoiaram a iniciativa de Francisco, e o prefeito de esquerda de Roma, Ignazio Marino, comparecerá à Praça de São Pedro. (AFP)

Diante de Deus e diante da história

GIOVANNI MARIA VIAN

“Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra!”: retomando antes da oração do Angelus e depois twitando a invocação de Paulo VI diante das Nações unidas, o Papa Francisco fez-se intérprete de um grito que – quis recordar – se eleva “da única grande família que é a humanidade”, sem distinções. É fácil e amarga a constatação de que nem todos no mundo querem e constroem a paz, mas certamente a aspiração pela paz está difundida em toda a parte, face aos conflitos muitas vezes esquecidos. Como agora, e cada vez mais, diante da tragédia que há mais de dois anos na Síria fez dezenas de milhares de vítimas, sobretudo civis, causando fluxos imponentes e crescentes de refugiados desesperados.
Por isso mais uma vez a voz do bispo de Roma – que se disse ferido por quanto está a acontecer e sobretudo “angustiado pelo dramático andamento que se perspectiva” – eleva-se com força para condenar o uso das armas, e “com particular firmeza” o emprego das armas químicas: “Digo-vos que tenho ainda gravadas na mente e no coração as terríveis imagens dos dias passados!” exclamou o Papa Francisco, que logo a seguir pronunciou palavras severas, sobre as quais os responsáveis das nações têm o dever de reflectir: “Há um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas acções, aos quais não podemos escapar!”.
Toda a intervenção do Pontífice foi dedicada à situação internacional, um cenário no qual há demasiado tempo e sem trégua se multiplicam os conflitos, mas que nestas semanas está cada vez mais marcado pelo exacerbar-se feroz da tragédia síria. Por conseguinte, num contexto muito preocupante e com desenvolvimentos imprevisíveis o Papa Francisco repete que é indispensável e urgente abandonar a cultura do confronto e do conflito: de facto, o que constrói a convivência nos povos e entre os povos é “a cultura do encontro, a cultura do diálogo; esta é o único caminho para a paz”, que a Santa Sé indica e pelo qual a sua diplomacia está a trabalhar de todas as formas possíveis.
As palavras do bispo de Roma dirigem-se explicitamente às partes em conflito e à comunidade internacional, mas é ainda mais significativa a chamada às palavras de João XXIII sobre a paz, isto é, que “todos têm a tarefa de recompor as relações de convivência na justiça e no amor”. O Papa Francisco pede portanto que o compromisso pela paz “una todos os homens e mulheres de boa vontade”, católicos, cristãos, pertencentes a todas as religiões e também “os irmãos e irmãs que não crêem”. E precisamente por isso o Pontífice alarga a todos o convite para o dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Médio Oriente e no mundo, que convocou com uma iniciativa sem precedentes, suscitando interesse e adesões muito além da Igreja católica.

 (L’Osservatore Romano)

Vã a pretensão de uma solução militar

Os chefes dos Estados do G20 tomem consciência  que é vã a pretensão de uma solução militar da crise da Síria. Escreve o Papa Francisco ao presidente da Federação Russa Vladimir Putin, numa carta que lhe foi enviada por ocasião da reunião em São Petersburgo. A visão da Santa Sé sobre o Futuro da martirizada população síria foi apresentada ao corpo diplomático acreditado, pelo arcebispo Mamberti esta manhã, quinta-feira 5 de Setembro, no Vaticano.

stemmapapafrancesco

A Sua Excelência

Sr. Vladimir PUTIN

Presidente da Federação Russa

No ano que está a decorrer, Vossa Excelência tem a honra e a responsabilidade de presidir ao Grupo das vinte maiores economias mundiais. Estou ciente de que a Federação Russa participou  neste Grupo desde a sua criação e desempenhou sempre um papel positivo na promoção da governabilidade das finanças mundiais profundamente atingidas pela crise que teve início em 2008.

O contexto actual, altamente interdependente, exige uma moldura financeira mundial, com regras justas e claras próprias, para conseguir um mundo mais equitativo e solidário, no qual seja possível eliminar a fome,  oferecer a todos um trabalho digno, uma habitação decorosa e a necessária assistência no campo da saúde. A sua presidência do G20 para o ano que está a decorrer assumiu o compromisso de consolidar  a reforma das organizações financeiras internacionais e de chegar a um consenso sobre os stardards financeiros adequados às actuais circunstâncias. Não obstante, a economia mundial poderá desenvolver-se realmente na medida em que for capaz de permitir uma vida digna a todos os seres humanos, desde os mais idosos até às crianças ainda no seio materno, não só aos cidadãos dos países membros do G20, mas a cada habitante da Terra, até a quantos se encontram nas situações sociais mais difíceis ou nos lugares mais longínquos.

Nesta óptica, torna-se claro que na vida dos povos os conflitos armados constituem sempre a deliberada negação de qualquer concórdia internacional possível, originando divisões profundas e dilacerantes feridas que necessitam de muitos anos para se curarem. As guerras constituem a rejeição prática de se comprometer para alcançar aquelas grandes metas económicas e sociais que a comunidade internacional estabeleceu, tais como, por exemplo, o Millenium development Goals. Infelizmente, os demasiados conflitos armados que ainda hoje afligem o mundo apresentam-nos, todos os dias, uma dramática imagem de miséria, fome, doenças e morte. Com efeito, sem paz não há qualquer tipo de desenvolvimento económico. A violência nunca leva à paz, condição necessária para este desenvolvimento.

O encontro dos Chefes de Estado e de Governo das vinte maiores economias, que representam dois terços da população e 90% do PIB mundial, não tem a segurança internacional como sua finalidade principal. Contudo, não poderá prescindir de reflectir sobre a situação no Médio Oriente e em particular na Síria. Infelizmente, é doloroso constatar que demasiados interesses particulares prevaleceram desde quando teve início o conflito sírio, impedindo que fosse encontrada uma solução que evitasse o inútil massacre ao qual estamos a assistir. Os líderes dos Estados do G20 não permaneçam inertes face aos dramas que já vive há demasiado tempo a amada população síria e que correm o risco de causar novos sofrimentos a uma região tão provada e necessitada de paz. A todos eles, e a cada um deles, dirijo um sentido apelo para que ajudem a encontrar caminhos para superar as diversas contraposições e abandonem qualquer vã pretensão de uma solução militar. Haja, antes, um novo compromisso a perseguir, com coragem e determinação, uma solução pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes em causa com o apoio concorde da comunidade internacional. Além disso, é um dever moral de todos os Governos do mundo favorecer qualquer iniciativa que vise a promoção da assistência humanitária a quantos sofrem por causa do conflito dentro e fora do país.

Senhor Presidente, na esperança que estas reflexões possam constituir uma válida contribuição espiritual para o vosso encontro, rezo por um êxito frutuoso dos trabalhos do G20. Invoco abundantes bênçãos sobre a Cimeira de São Petersbugo, sobre todos os participantes, sobre os cidadãos de todos os Estados membros e sobre todas as actividades e compromissos da Presidência Russa do G20 no ano de 2013.

Ao pedir-lhe que reze por mim, aproveito o ensejo para lhe expressar, Senhor Presidente, a minha mais sentida estima.

Do Vaticano, 4 de Setembro de 2013

Francisco

Uruguay, cuando las leyes son mas importantes que los derechos humanos

La Justicia en su laberinto

o sequestro

por Emilio Cafassi, Eduardo Galeano, Juan Gelman y Jorge Majfud

Página 12

La Suprema Corte de Justicia de Uruguay acaba de consolidar la consagración de la impunidad para los peores criminales de lesa humanidad de la historia moderna de ese país.

El proceso que ha llevado a este resultado es claro.

Un primer paso consistió en la decisión de trasladar a la Dra. Mariana Mota al ámbito de lo civil, desafectándola de su titularidad en el Juzgado Penal. La Dra. Mota tenía en su sede más de cincuenta causas referidas a las gravísimas violaciones a los derechos humanos durante el período del terrorismo de Estado en los años ’70. El Estado y el propio Poder Judicial pusieron toda clase de obstáculos a sus investigaciones, además de cuestionar su compromiso con la lucha por la vigencia de los derechos humanos, cuando deberían ser su principal garante. Con esta medida, la Corte de Justicia confirmó la ausencia de justicia que víctimas, allegados y la sociedad toda viene padeciendo desde hace décadas. Al mismo tiempo, la Corte uruguaya ignoró la sentencia pronunciada por la Corte Interamericana de Derechos Humanos en el caso Gelman vs. Uruguay, además de cuestionar la independencia del Poder Judicial.

En línea con el mismo propósito o resultado, la Suprema Corte acaba de declarar inconstitucional la recientemente promulgada ley interpretativa que intentaba superar la llamada “ley de Caducidad” que desde 1986 impide el proceso de todos los autores de crímenes amparados por la pasada dictadura militar. Esta ley fue declarada inconstitucional por la misma Corte años atrás.

El argumento sobre el cual se basó esta nueva decisión radica en que no se puede aplicar una ley de forma retroactiva, cosa que sí realiza la propia ley de Caducidad. Se ha argumentado que la retroactividad se aplica sólo cuando la ley beneficia al reo. No es posible condenar retroactivamente a alguien por algo que hizo cuando en su momento no era definido como delito. No obstante, la ley de Caducidad es retroactiva desde el momento en que contradice las leyes que regían cuando se cometieron los delitos.

En otro momento, la misma Corte Suprema de Justicia de Uruguay define las violaciones cometidas en una dictadura y con la complicidad del Estado de la época como “delitos comunes”. Lo cual automáticamente transforma un delito de lesa humanidad en una causa prescriptible. No obstante, estos “delitos comunes” fueron cancelados, precisamente, por una ley promulgada para proteger a un grupo específico de criminales, la ley de Caducidad de 1986. Ni siquiera se otorgó un perdón a reos condenados por sus crímenes: el Estado renunció a someterlos a investigación y a juicio.

No obstante, más allá de una disputa técnica y sobre la filosofía que rige y cambia cada cierto tiempo las obviedades jurídicas, nuestro reclamo se basa en valores más universales y permanentes, como lo son la garantía de los derechos individuales más básicos, como la integridad física, la libertad y la reparación moral.

Por lo expuesto, como intelectuales y trabajadores de la cultura y el conocimiento, repudiamos estas decisiones de la SCJ y exigimos el fin de la impunidad y la condena de todos los criminales del terrorismo de Estado en Uruguay.

Todo Estado y toda institución de cualquier país existen para proteger la integridad física y moral, el derecho a la libertad y la verdad de cada uno de sus ciudadanos. Nunca al revés. Aceptar la violación de uno solo de los derechos humanos contra uno solo de los ciudadanos de un país con la complicidad del Estado o de alguna de sus instituciones, afecta y lesiona la legitimidad de todo el Estado.

Rechazamos cualquiera de las excusas que niegan el derecho a la justicia y la verdad. Sin verdad no hay paz; sin justicia no hay democracia.

Los derechos humanos no se mendigan. Se exigen.

 justiça comissão da verdade

La llamada del 15 de febrero para una protesta global

Nobel paz Europa

 

Hace diez años, millones de personas en el mundo entero dijeron “no a la guerra” el 15 de febrero de 2003. Ahora, decimos sí a la paz, sí a la desmilitarización, a llevar vidas decentes incluso a nivel económico, vidas determinadas por principios democráticos.

La invasión de Iraq todavía tuvo lugar tras las protestas de 2003, pero la violencia provocada por Bush quedaba aún más limitada que la infligida por el gobierno estadounidense en Vietnam una generación atrás. Nuestra vigilancia fue en parte el motivo de ello. De haber actuado antes, tal vez habríamos sido capaces de evitar la desastrosa invasión. Lo que hemos aprendido es que necesitamos más protestas a nivel global y solidaridad, nada menos. De hecho, de haber seguido energéticamente con las protestas, tal vez en los años que siguieron 2003 no habríamos sido testigos de la irresponsabilidad de los que crean las guerras, incluso de cómo se procesaban a los que, sabiéndolodenunciaron los hechos desde dentro.

Esto no es una reunión festiva. Todavía tenemos con nosotros los mismos impulsos que nos llevaron a las calles en 2003; la misma mentalidad de guerra prevalece en el mundo de los negocios. Los políticos que apoyaron la guerra en Iraq controlan los sistemas de política exterior de los Estados Unidos, Gran Bretaña y de otros países. La demonización de Irán por los medios de comunicación dominantes es similar a la que se hizo con Iraq. Estados Unidos intensificó su guerra en Afganistán y lanzó una serie de “guerras sucias” más pequeñas en Yemen, Pakistán asesinando con aviones teledirigidos (los “drones”) y ahora con AFRICOM y otros mecanismos amenazan con una guerra perpetua tanto en África cómo en Oriente Medio. El “giro hacia el este” (“pivot east”) de la  administración Obama amenaza con una guerra fría o peor con China.

Algunos dictadores fueron sustituidos con las revueltas árabes, que alcanzaron un mayor éxito cuando se llevaron a cabo de manera pacífica por los ciudadanos, como en Túnez y Egipto, a pesar de la violencia impulsada por lo regímenes. Sin embargo, los regímenes del Golfo no solo se libraron de una vigilancia auténtica, sino que en realidad están moldeando gran parte del resto de la región en conjunto con EE UU y otras potencias de fuera. Incluso tienen a los EE UU proclamando su apoyo a la “democracia”. Gran parte de la riqueza procedente de los países del Golfo, al igual que los dictadores y sus camarillas, fluye en bancos de Occidente, en lugar de beneficiar a la población local. El pueblo palestino sigue sometido a no solamente la dominación neoliberal, como ocurre en muchas zonas del mundo, sino también al colonialismo de asentamientos de las fuerzas israelíes.

Estos problemas no son algo exclusivo de Oriente Medio. Estados Unidos tiene más de 1000 bases militares en todo el mundo. EE UU y Rusia poseen decenas de miles de misiles nucleares que están amenazando la vida en el planeta. Hace falta una transformación fundamental. Las Naciones Unidas han fracasado en su tarea esencial de proteger a las futuras generaciones frente a la lacra de la guerra.

No solo decimos “no” a la guerra, decimos además “sí” a la paz, decimos sí a la creación de un sistema social y económico que no esté dominado por bancos centrales y grandes instituciones financieras. No solo decimos “no” a la guerra, exigimos que se acabe con el despilfarro masivo de dinero en los ejércitos, mientras miles de millones de personas se están quedando cada vez más pobres, ya que unos cuantos obtienen enormes fortunas totalmente desproporcionadas con respecto a cualquier trabajo o ingenio suyos.

No solo decimos “no” a la guerra. Rechazamos un sistema económico que, en el nombre de la “competitividad económica”, enfrenta a los trabajadores en regiones y estados para que acepten trabajar por cada vez menos y en condiciones cada vez peores. A partir de las semillas anti-guerra plantadas hace diez años, queremos que la democracia global florezca, de tal manera que podamos decir en serio  “Nosotros, el Pueblo”, sin las jerarquías basadas en origen étnico, sexo, clase social o nacionalidad.

Noam Chomsky, As’ad AbuKhalil, Junaid Ahmed, Daniel Ellsberg, Bill Fletcher, Arun Gupta, Sam Husseini, Kathy Kelly, David Marty, Harpreet Paul, David Swanson, Deborah Toler

 

Polícia do governador Beto Richa bate em estudante da passeata pela paz (vídeo)

Imagine o que acontece quando esses policiais de Richa chegam nas favelas, atirando e derrubando portas…

O que eles fazem quando pegam uma mulata, uma negrinha…

Veja o vídeo da estudante de 18 anos agredida pelos bandidos fardados.
Clique.

Solo importan la riqueza, el poder y los privilegios

¿Quién quiere vivir así?

Los acontecimientos diarios deberían asustarnos a todos. ¿En qué tiempo nos ha tocado vivir? La furia guerrera se propaga sin descanso. Un conflicto armado tras otro. Las libran y las financian las sedicentes democracias.Los necesitados tienen que mendigar. Se prioriza la conquista, la ocupación, la colonización y la explotación, y la rapiña. Las personas normales se están hundiendo o haciendo el supremo esfuerzo antes de ahogarse.Las sociedades ricas se declaran pobres. Afirman que no queda dinero disponible para las necesidades sociales. Las prioridades de financiar las guerras son más importantes. Por eso hacen políticas que favorecen a los banqueros, a las empresas favoritas del sistema y a las élites plutocráticas. La realidad puesta patas arriba de hoy día pone a todo el mundo en peligro. La prolongada depresión global se hace más profunda. Se adoptan unas políticas que empeoran las cosas en vez de mejorarlas.

Se recompensa la delincuencia y el crimen no se castiga. Qué mejor explicación que la información en primera plana del viernes. Imagínense a los miembros del Comité del Nobel otorgando el premio más codiciado a la OTAN.

Los que hacen las guerras ganan el Premio de la Paz. Quizá les anime a seguir causando estragos en los países, a nivel global. ¿Por qué no cuando la guerra se considera paz?

Los líderes que libran las guerras cosechan grandes recompensas. Los pacificadores son vilipendiados.

Lo importante es la conquista, el favoritismo corporativo y beneficiar a la plutocracia financiera. A la gente normal se le deja más tiesa que una regla. Los recursos se dedican cada vez más a la guerra y a otras formas de recompensar a los privilegiados.

Los que hacen las guerras pueden llegar a hacerla a nivel mundial. Quizás planean destruir todas las sociedades para salvarlas. El número de muertos no importa ni ha importado nunca. Solo importan la riqueza, el poder y los privilegios. Eso es lo que mueve su mundo. Haced todas las guerras que sean necesarias y ya no tendréis ni una. Hoy en día vivir no es nada seguro.

A la edad de 93 años, el compromiso de Doug Dowd con la igualdad, la justicia y la paz se mantiene firme. Su carrera académica abarcó seis décadas. Todavía sigue escribiendo libros y artículos de vanguardia.

Es un economista radical en el mejor de los sentidos. Quiere volver del revés las sociedades de derechas. A este que escribe y a otros escritores nos envía por e-mail sus últimas reflexiones. Abarcó mucho terreno. Puso el titular: “Debemos frenar ya el despeñamiento actual hacia el desastre y desbrozar el sendero hacia una sociedad decente”.

Las guerras amenazan con globalizarse, Dawd está justificadamente aterrado. “El armamento actual es demencialmente más destructivo tanto cuantitativa como cualitativamente que el hace décadas”

“Las guerras futuras pueden casi con toda certeza acabar con la vida en la tierra”. “Resulta a la vez improbable que nadie haga lo que sea necesario para llevar al gobierno a la cordura y a la decencia respecto de la guerra”.

Dawd discutía sobre las necesidades domésticas. “El militarismo ya es en sí malo”, afirma. Y qué decir de hacer las cosas aún peor por la depravación social en la madre patria. Se están destrozando servicios vitales a la vista de todos, en directo. Entre ellos se encuentra la sanidad, la educación, la vivienda, y muchas cosas más. Se producirán con toda certeza consecuencias devastadoras a menos que se frene la tendencia y se invierta su sentido.

La gente normal debe actuar en defensa de su propia supervivencia y bienestar. No existe otra forma que funcione. Ser testigos de lo que está pasando “vale para chillar”, señala Dowd. Las élites se benefician mientas son millones los más necesitados que tienen que mendigar.

La casta política está encamada con los ladrones corporativos. A ellos no les importa absolutamente nada la vida, la libertad, la igualdad, la justicia y las necesidades humanas. Las políticas que dictan y respaldan lo demuestran claramente.

Cuanto más tiempo permanece la injusticia, peores se vuelven. Una carrera hacia el fondo asegura el desastre. Está ocurriendo en EE.UU., por toda Europa y en Israel. ¿Quién quiere vivir así?

Millones de desempleados. La pobreza se expande exponencialmente y lo mismo los sin techo, los hambrientos y la depravación total. Se ignoran los peligros medioambientales. Dawd cita un terrorífico análisis, diciendo:

“Está claro que a menos que hagamos cambios substanciales en cómo y qué producimos y consumimos el mundo se hundirá en peligros crecientes e irreversibles para la atmósfera, el agua y muchos más elementos naturales de los que depende nuestra vida.”

“Siempre ha habido destrucción y derroche, con sus correspondientes desperdicios, por supuesto, pero en el siglo pasado la explosión cualitativa y cuantitativa estaban ya al borde de ser letales.”

“Los modos modernos de qué, cómo y las maneras en que producimos y consumimos han ido envenenando todo aquello de lo que nuestra vida depende”.

“Los productos de los que depende la vida de los consumidores, son los mismos de los que depende la agricultura y la industria para conseguir su beneficio. Empujados por sus necesidades y deseos todos los productores – la mayoría inmoralmente, y exitosamente los gigantes que hay entre ellos – han traído inacabables cambios y encima la publicidad atontó a los consumidores, y se produjeron peligrosos niveles de desperdicios de nuestros recursos naturales”.

“Debemos despertar ya de este encantamiento porque el tiempo corre agotando nuestros recursos. La vida era difícil para la mayoría antes de la edad del consumismo. Debido a nuestro medio ambiente cada vez más frágil, lo hemos convertido en peligrosamente delicado”.

“No es ningún secreto que hoy día nos enfrentamos a una emergencia medioambiental planetaria que pone en peligro especies del planeta, incluyendo la nuestra, y que esta catástrofe que pende sobre nosotros tiene sus raíces en el sistema económico capitalista”.

Trate de encontrar en los medios de información lo que todo el mundo deberíamos saber. Los occidentales miran para otro lado. La mayoría de la gente no tiene ni idea de lo que está pasando ni de cómo les afecta. El “Pan y circo” de los romanos les preocupa más que su propio bienestar.

No se comprende el empeoramiento de la las condiciones de la crisis. Tampoco se es consciente de la necesidad de actuar. El cambio depende del activismo de masas desde la base. Ninguna otra cosa funcionó antes y no lo hará ahora. No se trata de una cuestión de izquierdas, derechas o centro. Está en juego la supervivencia.

Siempre son necesarios los esfuerzos antibélicos.

Nunca resulta fácil, rápido ni exento de peligros. A menos que la gente lo intente, las condiciones empeorarán con toda seguridad. La inacción garantiza más miseria para más gente. También asegura una guerra que “acabe con todo”. Si esta no es suficiente motivación para actuar, ¿qué lo es?

(Transcrevi trechos)

POEMA PELA PAZ

de Talis Andrade

Só os cegos não viram
a filha de Nazin
de porta em porta
pelo mundo
a coletar assinaturas
para que jamais exista
outra Hiroxima sobre a terra

Só os cegos não viram
os brinquedos devorados
Só os cegos não choram
a face mutilada da menina
tão bonita outrora


In livro Poemas. A Tribuna, Recife, 1957. Capa de Paulo Bruscky