PUTZ. O PLIN PLIN DE SILVIA PILZ: Blogueira do Globo esculacha pobres em artigo espantoso

Silvia Pilz resolveu externar todo o seu nojo contra pobres em um texto que viralizou na internet e causou manifestações de repulsa nas redes sociais. Conteúdo é espantoso 

 

 

Pragmatismo Político – Em artigo publicado na sua coluna de O Globo, a jornalista Silvia Pilz revela todo o seu nojo contra os pobres. Nele, Silvia descreve a relação entre pobres e saúde. Para a colunista, o pobre que frequenta consultórios médicos finge estar doente para se sentir em um cenário de novela. “O pobre quer ter uma doença” – como tireoide, é quase chique”, diz. Silva afirma ainda que o principal objetivo do pobre é “procriar”. Nas redes sociais, o texto provocou manifestações de repúdio. Confira abaixo a íntegra do texto:

O plano cobre

Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética e etc. Acontece que o pobre – normalmente – alega que se não tomar café da manhã tem queda de pressão.

Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre, sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um cenário de novela.

Normalmente, se arruma para ir a consultas médicas e aos laboratórios. É comum ver crianças e bebês com laçarotes enormes na cabeça e tênis da GAP sentados no colo de suas mães de cabelos lisos [porque atualmente, no Brasil, não existem mais pessoas de cabelos cacheados] e barriga marcada na camiseta agarrada.

O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está na moda. É quase chique. Outro dia assisti um programa da Globo, chamado Bem-Estar. Interessantíssimo. Parece um programa infantil. A apresentadora cola coisas em um painel, separando o que faz bem e o que faz mal dependendo do caso que esteja sendo discutido. O caso normalmente é a dúvida de algum pobre. Coisas do tipo “tenho cisto no ovário e quero saber se posso engravidar”. Porque a grande preocupação do pobre é procriar. O programa é educativo, chega a ser divertido.

Voltando ao exame de sangue, vale lembrar que todo pobre fica tonto depois de tirar o sangue. Evita trabalhar naquele dia. Faz drama, fica de cama.

Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos. O avanço da medicina – que me amedronta a cada dia porque eu não quero viver 120 anos – conquistou o coração dos financeiramente prejudicados. É uma espécie de glamourização da doença. Faz o exame, espera o resultado, reza para que o nódulo não seja cancerígeno. Conta para a família inteira, mostra a cicatriz da cirurgia.

Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre com atacada da ciática [leia-se nervo ciático inflamado]. Ah! Eles também têm colesterol [leia-se colesterol alto] e alegam “estar com o sistema nervoso” quando o médico se atreve a dizer que o problema pode ser emocional.

O que me fascina é que o interesse deles é o diagnóstico.

O tratamento é secundário, apesar deles também apresentarem certo fascínio pelos genéricos.
Mesmo “com colesterol” continuam comendo pastel de camarão com catupiry [não existe um pobre na face da terra que não seja fascinado por camarão] e, no final de semana, todo mundo enche a cara no churrasco ao som de “deixar a vida me levar, vida leva eu” debaixo de um calor de 48 graus.

Pressão: 12 por 8

Como são felizes. Babo de inveja.

 

O atestado de infelicidade de Pilz

Sílvia nunca viu a barriga roncar de fome. Puro sangue nobre e europeu e tão saudável que exibe sobrenome de fábrica de medicamentos.

Desconhece as doenças de quem ganha o salário mínimo do mínimo. Salário que não paga três refeições por dia.

Deve achar o salário mínimo demasiado alto, e o bolsa família um desperdício, riqueza que o pobre gasta em bares, boutiques, champanhe, caviar e viagens internacionais.

Em Wikipédia: “A desnutrição é uma doença causada pela dieta inapropriada, com falta de nutrientes essenciais. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, a cada ano entre 3,5 a 5 milhões de crianças com menos de cinco anos morrem de desnutrição nos países subdesenvolvidos”.

Talvez Sílvia quis testemunhar seu apoio aos governos de Lula e Dilma. Que erradicaram a fome crônica no Brasil terceiromundista.

Esquece a nobre Pilz as doenças são causadas pelas desnutrição: beriberi, pelagra, escorbuto, raquitismo, kwashiorkor, marasmo seco, cegueira noturna.

“Os sintomas da desnutrição dependem da sua gravidade e duração, mas podem compreender desmaios, ausência de menstruação, atraso do crescimento nas crianças, perda de cabelo. A depleção do glicogênio causada por ela leva à apatia e prostração. Por sua vez, quando há hipoglicemia, as funções do cérebro sofrem muito. Sem o tecido adiposo subcutâneo a pele torna-se mais grossa, há grande perda de massa muscular e as feições do indivíduo ficam mais esqueléticas. A força muscular diminui muito e pode sobrevir o óbito. Um estado crônico de desnutrição leva a alterações notáveis e irreversíveis do desenvolvimento físico e mental. Pessoas desnutridas estão mais sujeitas às doenças, devido a uma debilitação do sistema imunológico”.

Apesar de confessar, implicitamente, seu estado de tristeza, melancolia, Sílvia garante: “os pobres são felizes”.

 

 

 

 

Papa Francisco se encontra com sem-teto nos Estados Unidos: “O Filho de Deus entrou neste mundo como uma pessoa que não tem casa. O Filho de Deus sabe o que é começar a vida sem um teto”

 

 

“Na oração, não há pessoas de primeira classe ou segunda; há fraternidade”

 

 

Jans tot Sint Geertgen, 1490
Jans tot Sint Geertgen, 1490

por Alessandra Borges

Nesta quinta-feira, 24, após ser o primeiro Papa a discursar no Congresso dos Estados Unidos, Francisco, seguiu para o Centro Caritativo da Paróquia de São Patrício, em Washington, onde se encontrou com os sem-teto e os abençoou.

Em suas primeiras palavras, o Santo Padre, agradeceu pelo acolhimento e os esforços para que este encontro pudesse ser realizado. O Pontífice disse que ao olhar para aquelas pessoas ele viu o rosto de São José, santo, que serviu para ele de apoio e fonte de inspiração.

 

“Na vida de São José, houve situações difíceis de enfrentar. Uma delas aconteceu quando Maria estava prestes a dar à luz Jesus. A Bíblia é muito clara: não havia lugar para eles na hospedaria. Imagino José, com sua esposa prestes a ter o filho, sem um teto, sem casa, sem alojamento”, refletiu Francisco.

Segundo as palavras do Sumo Pontífice, Jesus entrou no mundo com uma pessoa que não tem casa e, deste modo Francisco propôs aos presentes uma reflexão sobre os questionamentos de José naquele momento que não tinha uma casa para oferecer ao Filho de Deus.

“São perguntas que muitos de vós podem pôr-se cada dia. As perguntas de José perduram até hoje, acompanhando todos aqueles que, ao longo da história, viveram e estão sem uma casa. Foi a fé que permitiu a José encontrar a luz naquele momento que parecia uma escuridão completa; foi a fé que o sustentou nas dificuldades da sua vida. Pela fé, José soube seguir em frente, quando tudo parecia sem saída”, disse Francisco.

O Pontífice destacou que não podemos encontrar justificativas morais e sociais para aceitar a carência de habitação. Afirmou também que Deus olha por cada pessoa e não a abandona.

“É a fé que nos diz que Deus está connosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; aquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros”, afirmou o Santo Padre.

A oração é capaz de unir os povos, principalmente a Deus, por isso reforçou que quando rezamos nos aproximamos uns dos outros.

“Na oração, não há pessoas de primeira classe ou segunda; há fraternidade. É na oração que o nosso coração encontra a força para não se tornar insensível, frio perante as situações de injustiça”, frisou.

Ao final do seu discurso, Papa Francisco, pediu a todos que rezassem a oração do “Pai Nosso” – cada qual em sua língua materna – como um gesto de fraternidade e proximidade.

 

Discurso do Papa Francisco no encontro com sem-tetos

 

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Queridos amigos!
A primeira palavra que quero dizer-vos é «obrigado». Obrigado por me acolherem e pelo esforço feito para que este encontro se pudesse realizar.

Aqui recordo uma pessoa que amo e que foi muito importante na minha vida. Serviu-me de apoio e fonte de inspiração. É uma pessoa a quem recorro quando estou com algum problema. Vós fazeis-me lembrar São José. Os vossos rostos falam-me do dele.

Na vida de São José, houve situações difíceis de enfrentar. Uma delas aconteceu quando Maria estava prestes a dar à luz a Jesus.

Diz a Bíblia: «Quando eles se encontravam [em Belém], completaram-se os dias de [Maria] dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 6-7).

A Bíblia é muito clara: não havia lugar para eles na hospedaria.

Imagino José, com a sua esposa prestes a ter o filho, sem um tecto, sem casa, sem alojamento.

O Filho de Deus entrou neste mundo como uma pessoa que não tem casa. O Filho de Deus sabe o que é começar a vida sem um teto.

Imaginemos as perguntas que José se punha naquele momento: Como é possível? O Filho de Deus não tem um teto para viver? Por que estamos sem casa? Por que estamos sem um teto? São perguntas que muitos de vós podem pôr-se cada dia. Como José, questionais-vos: Por que estamos sem um teto, sem uma casa? Mas tais perguntas, será bom que no-las ponhamos também todos nós: Por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, porquê?

As perguntas de José perduram até hoje, acompanhando todos aqueles que, ao longo da história, viveram e estão sem uma casa.

José era um homem que se punha perguntas, mas sobretudo era um homem de fé. Foi a fé que permitiu a José encontrar a luz naquele momento que parecia uma escuridão completa; foi a fé que o sustentou nas dificuldades da sua vida. Pela fé, José soube seguir em frente, quando tudo parecia sem saída.

Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Como sucedeu com José, a fé abre-nos à presença silenciosa de Deus em cada vida, em cada pessoa, em cada situação. Ele está presente em cada um de vós, em cada um de nós.

Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou doutro género para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente connosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos.

Sabemos que Jesus não quis apenas ser solidário com cada pessoa, não quis apenas que ninguém sentisse ou vivesse a falta da sua companhia, da sua ajuda, do seu amor; mas Ele próprio Se identificou com todos aqueles que sofrem, que choram, que padecem qualquer tipo de injustiça. Ele no-lo diz claramente: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me» (Mt 25, 35).

É a fé que nos diz que Deus está convosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; aquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros.

Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos-de-artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Queridos amigos, uma das formas mais eficazes de ajuda, temo-la na oração. A oração une-nos, irmana-nos, abre-nos o coração e lembra-nos uma verdade maravilhosa que às vezes esquecemos. Na oração, todos aprendemos a dizer Pai, papá, pelo que nela nos encontramos como irmãos. Na oração, não há ricos e pobres; há filhos e irmãos. Na oração, não há pessoas de primeira classe ou segunda; há fraternidade.

É na oração que o nosso coração encontra a força para não se tornar insensível, frio perante as situações de injustiça. Na oração, Deus continua a chamar-nos e incitar-nos à caridade.

Como nos faz bem rezar juntos! Como nos faz bem encontrarmo-nos naquele espaço onde nos olhamos como irmãos e nos reconhecemos necessitados do apoio uns dos outros. Hoje quero unir-me a vós, preciso do vosso apoio, da vossa proximidade. Quero convidar-vos a rezar juntos uns pelos outros, uns com os outros. Assim, poderemos prestar este apoio que nos ajuda a viver a alegria de saber que Jesus está sempre no meio de nós. Aceitais?
Pai nosso…

Antes de vos deixar, gostaria de dar-vos a bênção de Deus:
O Senhor vos abençoe e proteja;
O Senhor vos olhe com benevolência e mostre a sua bondade;
O Senhor vos olhe com amor e conceda a sua paz (cf. Nm 6, 24-26).
E não vos esqueçais de rezar por mim.

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Salários nas alturas

Alfredo Sábat
Alfredo Sábat

Dispararam os salários. Dos deputados. Dos vereadores. Dos togados. Dos coronéis das PMs.
E o salário mínimo da fome precisa deixar de ser degradante, humilhante.
Basta de tanta desigualdade.

A grande maioria da população passa fome, recebendo um salário, ou pensão, ou aposentadoria de 788 reais.
Eta Brasil cruel.

Que ironia! Velhos ladrões votam a menoridade penal

 Mohammad Saba'aneh
Mohammad Saba’aneh

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fechou nesta terça-feira (16) um acordo com os tucanos para aprovar a redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos. Com o apoio de pelo menos outros seis partidos da ditadura parlamentarista, a adesão à proposta foi selada em um almoço na residência oficial do presidente da Câmara. Ela deve ser aprovada nesta quarta-feira (17), em sessão secreta, na comissão especial da Casa e, na próxima semana, será levada a votação no plenário da Câmara.

O texto acertado pelo primeiro-ministro Cunha e tucanos prevê a redução da maioridade para os casos de crime hediondo (como estupro e latrocínio), lesão corporal grave e roubo qualificado (quando há sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias).

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Em um discurso no qual criticou a eventual redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira (16), durante audiência pública na Câmara dos Deputados, que os presídios do país são “verdadeiras escolas do crime”. Segundo ele, não é razoável colocar adolescentes dentro de penitenciárias com criminosos experientes, que, de acordo com o ministro, comandam das cadeias boa parte da violência registrada no Brasil.

Se vamos reconhecer a responsabilidade penal do menor temos que modificar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Principalmente no Capítulo da Prevenção Especial, no que se refere a liberação de diversões e espetáculos, informação e lazer, do uso de produtos e serviços, da autorização para viajar, da liberdade sexual, do direito de trabalhar etc.

A menoridade penal não altera nada na justiça, que continuará sendo a PPV de sempre. Para apenas prender os pobres. Para prender os jovens pretos, que continuarão sendo assassinados pelos policiais militares, as putas adolescentes (o Brasil tem 500 mil prostitutas infantis), e os viados, vítimas do fanatismo religioso dos pastores homofóbicos.

Tomas
Tomas

Caritas: “as pessoas que cada vez se tornam sem-abrigo e passam fome”. Laudato si: Papa apela a responsabilidade ecológica

Francisco adianta preocupação com os mais pobres na nova encíclica

Rita Angus
Rita Angus

Cidade do Vaticano, 17 jun 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco revelou hoje no Vaticano que a sua próxima encíclica, ‘Laudato si’, quer ser um apelo à “responsabilidade” ambiental e em favor dos mais pobres.

“Amanhã [quinta-feira], como sabeis, será publicada a encíclica sobre o cuidado da casa comum que é a criação. Esta nossa casa está a ficar em ruínas e isso prejudica todos, especialmente os mais pobres”, disse, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

Perante milhares de pessoas, Francisco afirmou que o novo documento é “um apelo à responsabilidade, com base na missão que Deus deu ao ser humano na criação: ‘cultivar e guardar’ o ‘jardim’ em que o colocou”.

“Convido todos a acolher com espírito aberto este documento, que surge na linha da Doutrina Social da Igreja”, acrescentou.

Francisco tinha pedido no último domingo que a sua nova encíclica promova uma maior atenção de “todos” sobre os problemas do meio ambiente.

“Convido a acompanhar este acontecimento com uma renovada atenção sobre a situação de degradação ambiental, mas também de recuperação, nos territórios de cada um”, disse, perante milhares de pessoas reunidas para a oração do ângelus.

“Esta encíclica dirige-se a todos: rezemos para que todos possam receber a sua mensagem e crescer na responsabilidade para com a casa comum que Deus nos confiou”, acrescentou.

‘Laudato si, sobre o cuidado da casa comum’ é o título da encíclica que vai ser lançada no Vaticano, com a presença do presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson; do metropolita de Pérgamo, Ioannis Zizioulas, representante do Patriarcado Ecuménico e da Igreja Ortodoxa; de John Schellnhuber, cientista do Instituto Potsdam para a Investigação da Impacto Climático (Alemanha) e autor da proposta de limitar o aumento médio de temperatura em 2º; e a economista Carolyn Woo, natural de Hong Kong e presidente do ‘Catholic Relief Services’ (EUA), congénere norte-americana da Cáritas.

A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve; entre os principais documentos do atual pontificado estão a encíclica ‘Lumen Fidei’ (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, e a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A alegria do Evangelho), estando a decorrer um Sínodo sobre a Família, em duas sessões.

A expressão ‘Laudato si’ (louvado seja) remete para o ‘Cântico das Criaturas’ (1225), de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o Papa argentino na escolha do seu nome, após a eleição pontifícia.

“Bomba” climática

“A Encíclica do Papa Francisco chega num momento-chave para o desenvolvimento. A Caritas espera que nos dê todo o ímpeto e a inspiração necessária para alcançar a transformação da mudança climática à mudança pessoal e política. Em meados dos anos 80 não sabíamos se íamos ser eliminados da terra a qualquer momento”, escreve Michelle Hough, da Caritas Internacional.

Nesse sentido, refere que passados 30 anos a bomba que caiu “não é nuclear mas climática”, com eventos extremos como “o aumento do nível do mar, o degelo da calote polar e as pessoas que cada vez se tornam sem-abrigo e passam fome”. Michelle Hough destaca que pelas informações recolhidas, a Encíclica do Papa Francisco vai encorajar a olhar para a relação com o meio ambiente e a viver com simplicidade.

A Caritas Internacional está animada com a publicação da Encíclica e contextualiza que muitas organizações do braço caritativo da Igreja Católica em todo o mundo trabalham sobre o clima e o meio ambiente e exemplifica que, com as comunidades, distribuem ajuda durante o período da seca e dos tufões, auxiliando as pessoas a reconstruírem as suas casas, os meios de subsistência e a reduzir o impacto dos desastres.

Michelle Hough adianta também que trabalham com comunidades devastadas por indústrias extrativas e promovem uma mudança fundamental nas questões políticas pessoais e ambientais. Neste contexto, a Caritas Internacional relaciona o tema do documento do Papa com o tema de trabalho da instituição para os próximos quatro anos – “Uma família humana, cuidando de criação”.

Oito mitos sobre o meio ambiente, segundo a Caritas 
Miguel Villalba Sánchez
Miguel Villalba Sánchez

A Cáritas Internacional publicou um artigo onde aborda oito “mitos” sobre o clima, no contexto da encíclica ‘Laudato si, sobre o cuidado da casa comum’, do Papa Francisco.

Mito 1: Os cientistas não concordam sobre se existe ou não o aquecimento global.

FATO: A grande maioria dos cientistas concorda que a atividade humana é responsável pelo aquecimento global. Eles também concordam que o clima está mudando pela atividade humana.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC) é considerado a principal autoridade científica sobre a mudança climática . É constituída por 2.000 cientistas de mais de 150 países. O seu relatório em 2013/14 – Quinto Relatório de Avaliação ( ‘ AR5 ” ) – fornece as informações mais detalhadas e atualizadas sobre o estado da nossa informação climática. As conclusões do IPCC são aprovados pelos seus 195 países membros.

MITO 2: E apenas parte da mudança natural.

FATOS: O clima sempre mudou ao longo da história da terra , no entanto, as enormes mudanças que ocorrem ao nosso clima hoje não são devido a causas naturais . As variações naturais ocorrem a milhões de anos. A investigação científica mostra que a última era glacial terminou cerca de 11.000 anos atrás, e desde então o clima da Terra tem sido relativamente estável, em cerca de 14° C.

No entanto, durante o último século, o nosso clima começou a mudar rapidamente, com um aumento anormal da temperatura global, acompanhada de mau tempo. Há evidências científicas de que o IPCC sugere que isso é devido a um aumento da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera . Gases do efeito estufa ocorrem naturalmente na atmosfera, mas a atividade humana, a queima de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo, aumenta.

MITO 3: O mundo parou de aquecer-se

FATOS: Os registros das temperatura mostram claramente que o mundo se aqueceu gradualmente ao longo do século passado e continua a fazê-lo agora. A intensidade do aquecimento varia, mas a tendência é sempre para cima. Por exemplo, os últimos 30 anos foram os mais quentes que o hemisfério norte experimentou durante os últimos 1.400 anos. Este aquecimento começou a ter um impacto sobre o sistema climático e os projetos não só no aumento da temperatura global, mas também alterou os padrões de precipitação e um aumento de eventos climáticos extremos. Os seus efeitos já se fazem sentir em todo o mundo.

MITO 4: Os vulcões emitem mais dióxido de carbono que os humanos.

FATO: Em média, os vulcões emitem menos de 1% de CO2 que os seres humanos deixam na atmosfera em um ano. Esta percentagem está diminuindo, porque as emissões resultantes da atividade humana estão a aumentar.

MITO 5: O dióxido de carbono não é um poluente; é natural e essencial à vida.

FATOS: O “natural” nem sempre significa “seguro”. As altas concentrações de CO2 e de outros gases do efeito estufa estão aumentando rapidamente, geradas pela atividade humana, estão provocando mudanças climáticas e ameaçam a sobrevivência humana, a saúde e o bem-estar.

MITO 6: Voltando no tempo, episódios de aquecimento global não tinham nada a ver com os níveis de dióxido de carbono.

FATOS: O papel do dióxido de carbono, na história do planeta, está razoavelmente bem compreendido. Embora as mudanças nos níveis de CO2 certamente não são a única força que influencia o clima, as mudanças em curso no fenômenos meteorológicos não poderiam ser explicada sem compreender os efeitos do dióxido de carbono no aquecimento.

MITO 7: Alguns países sempre tiveram secas, ondas de calor e condições meteorológicas extremas. Não há nenhuma relação com as alterações climáticas.

FATOS: Os efeitos das mudanças climáticas estão causando o aumento de eventos extremos, como ondas de calor e secas, que por sua vez afetam nossos modos de vida e saúde. Esses eventos climáticos extremos, segundo as previsões, vão piorar nas próximas décadas.

Mito 8: O aquecimento global é bom para nós!

FATOS : Sem qualquer intervenção, a mudança climática tornará a vida muito mais difícil para muitas pessoas, especialmente pobres do mundo, aqueles que menos podem dar ao luxo de se adaptar. Se as previsões do IPCC se tornarem realidade, as alterações climáticas influenciarão tudo, desde o abastecimento de alimentos até a saúde global. O maior impacto dos efeitos da mudança climática no futuro, como agora, ocorrerá nas comunidades mais pobres e vulneráveis ​​do planeta.

Papa prega a Teologia da Pobreza: «quando a fé não chega aos bolsos, não é uma fé genuína»

Riqueza e pobreza

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Foi a «teologia da pobreza» o nó central da homilia do Papa Francisco na missa celebrada na terça-feira, 16 de Junho, em Santa Marta. A reflexão do Pontífice partiu do trecho da segunda carta aos Coríntios (8, 1-9), no qual são Paulo «está a organizar na Igreja de Corinto uma colecta para a Igreja de Jerusalém, que vive momentos difíceis de pobreza». Para evitar que a colecta se verificasse de forma errada, o apóstolo «faz algumas considerações», uma espécie de «teologia da pobreza».

Especificações necessárias porque, explicou Francisco, «pobreza» é uma palavra «que causa sempre perplexidade». Com efeito, quantas vezes ouvimos dizer: «Mas este sacerdote fala demasiado sobre a pobreza, este bispo fala de pobreza, este cristão, esta religiosa falam de pobreza… Mas são um pouco comunistas, não é?». E, ao contrário, sublinhou o Papa, «a pobreza está precisamente no centro do Evangelho», a ponto que «se nós tirássemos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus».

Eis então explicada a catequese de Paulo «sobre a esmola, a pobreza e as riquezas» que começa com um exemplo tirado da experiência da Igreja da Macedónia. Ali, «na grande prova da tribulação – porque sofriam tanto devido às perseguições – na pobreza extrema, a sua alegria superabundou e superabundaram na riqueza da sua generosidade». Ou seja, «ao dar, ao suportar as tribulações enriqueceram-se, tornaram-se jubilosos. É, acrescentou Francisco, o que se encontra numa das Bem-aventuranças: «Bem aventurados sois vós quando vos insultarem, e perseguirem…».

Depois de ter feito este exemplo, Paulo dirige-se de novo para a Igreja de Corinto: «E dado que vós sois ricos, pensai neles, na Igreja de Jerusalém». Mas, perguntou o Papa, de qual riqueza fala Paulo? A resposta lê-se imediatamente depois: «Sois ricos em todas as coisas: na fé, na palavra, no conhecimento, em cada zelo e na caridade que vos ensinamos». Segue-se uma exortação: «Assim, dado que sois ricos, abundai também nesta obra de generosidade». Ou seja, fazei com que, explicou Francisco, esta riqueza tão grande – o zelo, a caridade, a palavra de Deus, o conhecimento de Deus – chegue aos bolsos». Porque, acrescentou, «quando a fé não chega aos bolsos, não é uma fé genuína»; e esta é «uma regra de ouro» que deve ser recordada.

Do trecho paulino sobressai, portanto, uma «contraposição entre a riqueza e a pobreza. A Igreja de Jerusalém é pobre, está em dificuldade económica, mas é rica, porque tem o tesouro do anúncio evangélico». E foi precisamente «esta Igreja de Jerusalém, pobre», que enriqueceu a Igreja de Corinto «com o anúncio evangélico: deu-lhe a riqueza do Evangelho». Quem era rico economicamente, na realidade, era pobre «sem o anúncio do Evangelho». Há, disse o Pontífice, «um intercâmbio recíproco» e assim «da pobreza vem a riqueza».

É neste ponto, explicou o Papa, que «Paulo com o seu pensamento, chega ao fundamento daquilo a que podemos chamar “teologia da pobreza”, porque a pobreza está no centro do Evangelho». Lê-se na epístola: «De facto, conheceis a graça do nosso Senhor Jesus Cristo: era rico e fez-se pobre por nós, a fim de que vos torneis ricos por meio da sua pobreza». Portanto, «foi precisamente o Verbo de Deus que se fez carne, o Verbo de Deus nesta condescendência, neste abaixamento, neste empobrecimento, que nos tornou ricos nos dons da salvação, da palavra, da graça». Este «é o centro da teologia da pobreza» que, de resto, se encontra na primeira bem-aventurança: «Felizes os pobres de espírito». Francisco explicou: «Ser pobre é deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo e não querer ser rico com outras riquezas excepto as de Cristo, é fazer o que Cristo fez». Não é só fazer-se pobre, mas é «dar mais um passo», porque, disse, «o pobre me enriquece».

Citando um exemplo concreto do dia-a-dia, o Papa explicou que «quando oferecemos uma ajuda aos pobres, não fazemos de modo cristão obras de beneficência». Estamos diante de um acto «bom», «humano», mas «não é a pobreza cristã que Paulo menciona e prega». Porque pobreza cristã significa «que eu ofereço ao pobre do que é meu e não do que é supérfluo, também do necessário, porque sei que ele me enriquece». E por que me enriquece o pobre? «Porque Jesus disse que ele próprio está no pobre».

O mesmo conceito é afirmado por Paulo quando escreve: «Nosso Senhor Jesus Cristo de rico que era fez-se pobre por vós, para que vós vos tornásseis ricos por meio da sua pobreza». Isto acontece «cada vez que me despojo de algo, mas não só do supérfluo, para dar a um pobre, a uma comunidade pobre, a tantas pessoas pobres às quais falta tudo», porque «o pobre me enriquece» enquanto «é Jesus quem age nele».

Eis porque, concluiu o Papa, a pobreza «não é uma ideologia». A pobreza «está no centro do Evangelho». Na «teologia da pobreza» encontramos «o mistério de Cristo que se abaixou, se humilhou e se empobreceu para nos enriquecer». Assim, compreende-se «porque a primeira das bem-aventuranças é: “Bem-aventurados os pobres de espírito”». E «ser pobre de espírito – frisou o Pontífice – é ir por este caminho do Senhor», o qual «se abaixou» a ponto de se fazer «pão por nós» no sacrifício eucarístico. Isto é, Jesus «continua a abaixar-se na história da Igreja, no memorial da sua paixão, no memorial da sua humilhação, no memorial do seu abaixamento, no memorial da sua pobreza, e enriquece-nos com este “pão”».

Eis a sugestão final para a oração: «Que o Senhor nos faça entender o caminho da pobreza cristã e a atitude que devemos assumir quando ajudamos os pobres». In Osservatore Romano/ Vaticano

Tico Santa Cruz
Tico Santa Cruz

A pobreza leva à loucura

Estudos estabelecem relação direta entre a desigualdade social e a incidência de doenças mentais nos desassistidos

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por Gabriel Bonis

Na Londres do século XIX, Charlie Chaplin viveu uma infância atormentada pela pobreza e a instabilidade familiar. O ícone do cinema mudo perdeu o pai para o alcoolismo e acompanhou o declínio mental da mãe em meio à miséria. Embora evidências recentes sugiram que a “loucura” de Hannah Chaplin tenha sido causada pela sífilis, o comediante registrou em sua autobiografia que os problemas mentais da matriarca, surgiram porque ela passava fome para que os filhos pudessem comer.

Ainda que cientificamente incerto, o caso é um exemplo longínquo da relação entre pobreza e transtornos mentais, estudada ao menos a partir dos anos 1930. Desde então, surgiram pesquisas mais contemporâneas, entre elas uma análise que transplanta essa correlação ao Brasil. Feita em 2013 com dados do Censo do IBGE de 2010, um levantamento da ONG Meu Sonho Não Tem Fim indica que das mais de 2,4 milhões de pessoas com problemas mentais permanentes acima de 10 anos no Brasil, 82,32% são pobres.

pobreza loucura estatística

Dentro desta proporção, 36,11% não possuíam rendimentos mensais e 46,21% viviam com até um salário mínimo. Outras 15,49% estavam na faixa entre um e cinco salários e apenas 2,19% recebiam acima desse patamar. “É preciso considerar que esses problemas também são causados por aspectos como a genética, mas a falta de uma alimentação mínima pode contribuir para o aparecimento de doenças que afetam o desempenho mental”, afirma Alex Cardoso de Melo, responsável pela pesquisa e idealizador da ONG, focada em trabalhos educativos com populações carentes.

A ideia de traçar a relação entre pobreza e problemas mentais no Brasil, diz Melo, surgiu após a divulgação de um estudo de 2005 de Christopher G. Hudson, Ph.D em politicas de saúde mental. O trabalho analisou dados de 34 mil pacientes com duas ou mais hospitalizações psiquiátricas em Massachusetts, nos Estados Unidos, entre 1994 e 2000. E concluiu que condições econômicas estressantes, como desemprego e impossibilidade pagar o aluguel, levam a doenças mentais. E mais: a prevalência destas enfermidades nas comunidades ricas analisadas foi de 4%, contra 12% nas mais pobres.

Os estudos sobre o tema percorrem as décadas e suas conclusões são similares nestes períodos, descobriu o doutor em Psicologia Fernando Pérez del Río, do projeto Homem de Burgos, na Espanha. No estudo Margens da Psiquiatria: Desigualdade Econômica e Doenças Mentais, ele analisou mais de 20 levantamentos sobre o tema e reuniu as principais conclusões.

Entre elas, está a de que em países desenvolvidos como EUA e Reino Unido existem mais doentes mentais, proporcionalmente, que na Nigéria, Dinamarca, Noruega e Suécia. E que estudos estabelecem uma relação entre o grau interno desigualdade econômica de um país como condicionante direta da saúde mental de seus cidadãos.

Exemplo disso é o estudo The Distribution of the Common Mental Disorders: Social Inequalities in Europe, de 2004. O documento, citado por Del Río, indica que dos 20% da população europeia de baixa renda, 51% possuem algum transtorno menta­l grave. São pessoas que, devido a suas dificuldades de adap­tação social, acabam condenadas a trabalhar em condições precárias e com salários insuficientes, levando a má nutrição e à manutenção do circulo de pobreza e exclusão.

A integração social, por outro lado, é determinante para o acesso dos cidadãos aos seus direitos e a suas expectativas de futuro. “Ser pobre em uma sociedade rica pode ser ainda mais danoso à saúde que o ser em uma área de extrema miséria”, conta Del Rio, a CartaCapital. “É obviamente muito difícil trabalhar a frustração em uma sociedade rica, onde as expectativas são mais altas e se deprecia o fracasso.” Algo que pode ser retratado por um estudo da Organização Mundial da Saúde de 2004, no qual foi identificada a prevalência de 4,3% de transtornos mentais na conturbada Xangai, na China, contra 26,4% nos EUA.

Del Río destaca, em seu estudo, que os problemas de saúde de uma população também estão ligados a forma como a desigualdade de poder econômico e social condiciona as políticas públicas. “As doenças mentais são uma construção social. A desigualdade torna as sociedades mais classistas, o que significa que as origens familiares interferem mais nas posições sociais, o que implica na transmissão intergeracional da pobreza”, diz a CartaCapital.

Sob esse ângulo, revelam os estudos, países com menos diferenças econômicas entre seus habitantes possuem os cidadãos mais sãos. Enquanto nações com políticas neoliberais mais agressivas e individualistas estariam mais sujeitas a problemas mentais por retratar as pessoas necessitadas como “parasitas sociais”. Um cenário que reforçaria ansiedades e os níveis de estresse, favorecendo o aumento destas doenças.

No artigo The Culture of Capitalism, Jonathan Rutherford, docente de Estudos Culturais da Universidade de Middlesex, na Inglaterra, acrescenta que uma sociedade desigual é mais violenta, pois não dá o apoio correto aos seus cidadãos. O que evidencia uma vulnerabilidade capaz de gerar ansiedades. E isso pode piorar com a crise mundial e os cortes de benefícios sociais na Europa, defende Del Río. “Hoje a situação é pior, pois está se produzindo um corte das ajudas, que levam as pessoas a situações limites.” In Carta Capital, maio 2013