Doze assassinatos covardes. A polícia lava as mãos de sangue

 

 

 

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Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana

 

 

Os laudos cadavéricos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia apontam que as doze vítimas da operação policial, que ficou conhecida como Chacina do Cabula, em Salvador (BA),  foram executadas. As informações são do jornal baiano Correio.

De acordo com os relatórios, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns dos rapazes baleados apresentam perfurações na palma da mão, braços e antebraços. As análises indicam ainda que a maioria possuía pelo menos cinco marcas de tiros — alguns deles disparados a curtas distâncias, de menos de 1,5 metro.

Em um dos casos, as perfurações em um dos suspeitos dá a entender que o projétil entrou pela base da cabeça e saiu pelo queixo. Consultada pelo Correio, uma fonte ligada à investigação declarou que disparos desse tipo ocorrem normalmente quando as vítimas foram mortas em posição de defesa, e afirmou que há “sinais evidentes de execução”.

Também procurado pela reportagem, um perito baiano que preferiu permanecer anônimo disse que os diparos de cima para baixo indicam “que a pessoa morta está numa região mais baixa do que quem atirou”. “Isso subentende que a pessoa baleada estava deitada, agachada ou ajoelhada”, adiciona. Quanto aos corpos com marcas de perfurações no antebraço e braço, a situação sugere que a pessoa deve ter sido “pega de surpresa e que por isso elevou o braço”.

Relembre o caso

Chacina da polícia petista
Chacina do Cabula 

As doze mortes ocorreram há quase dois meses, na madrugada do dia 6 de fevereiro, durante ação levada a cabo por policias militares das Rondas Especiais (Rondesp). A versão da PM é a de que o grupo – suspeito de planejar um assalto a uma agência bancária –, ao perceber a chegada das viaturas, disparou em direção a elas. Em resposta, os agentes teriam iniciado o tiroteio. Os homens fugiram e adentraram um matagal, onde se encontravam outros integrantes da quadrilha, em um total de trinta pessoas. A ocorrência deixou, ao todo, 16 baleados.

No entanto, os moradores da comunidade de Vila Moisés, onde tudo aconteceu, contam outra história. Testemunhas afirmam que os “suspeitos” foram executados. “De repente, ouvi rajadas. Me abaixei. Quando ouvi que não tinha mais nada, todos os rapazes estavam no chão”, contou um dos moradores da região.

 

Jornalista denunciou PMs na Bahia sofre ameaças e deixa Salvador para não morrer

Marcado para morrer pela polícia petista. Enderson Araújo no bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, onde mora
Marcado para morrer pela polícia petista. Enderson Araújo no bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, onde mora

 

O editor-chefe do blog Mídia Periférica, Enderson Araújo, denunciou abusos de policiais militares na Bahia, sofreu ameaças e deixou Salvador. Marcado para morrer, ele está em local desconhecido.

Araújo foi abordado por um policial militar ao sair de uma padaria no último dia 9. “Ele disse que era melhor eu segurar o dedo e parar de escrever porque ficaria sem segurança”. Para o ativista em direitos humanos, a ameaça foi motivada por uma matéria dele publicada no site de CartaCapital sobre recentes ações da Polícia Militar (PM) em Salvador, que deixaram 15 jovens negros mortos em três dias.

Na madrugada do último dia 6, a PM matou 12 jovens no bairro do Cabula, em Salvador. A polícia matou dois jovens no bairro de Cosme de Farias no dia seguinte (7) e mais um jovem no bairro Sussuarana, onde Araújo vive, no dia 8.

O blogueiro também publicou um vídeo em que policiais ordenavam a dois jovens que tirassem a roupa para facilitar a revista durante a operação em Sussuarana. “O vídeo e a matéria [publicados] em um veículo de circulação nacional como a CartaCapital, questionando os métodos da PM, irritaram alguns policiais.”

PM da Bahia: humilha e mata
PM da Bahia: humilha e mata

A Polícia Militar da Bahia alega que em todos os casos houve resistência à abordagem e parte dos mortos tinha passagem por roubo, tráfico de drogas, posse de explosivos e de armas de alto calibre. Movimentos sociais questionam a versão e alegam que a maioria dos mortos é jovem, pobre e inocente. A maioria deles sequer tinha passagem pela polícia e, apesar da versão de “troca de tiros”, nenhum policial foi morto ou ferido nas ações.

Araújo acionou a Superintendência de Direitos Humanos da Bahia e o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Juventude e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Ele recebeu a oferta de entrar no programa de proteção a testemunhas, mas recusou a proposta. “Não posso abandonar meu trabalho de militância e de articulação. Se entrasse nesse tipo de programa, seria silenciado para sempre.”

O Ministério Público Federal está acompanhando as investigações. Araújo defende uma perícia externa dos corpos. “A Polícia Militar da Bahia já fez uma perícia, mas o ideal seria que o governo federal entrasse na investigação”, alega. Até agora o único caso de ameaça explícita ocorreu com Araújo, mas o blogueiro acredita que vários ativistas foram coagidos. “A polícia monitora as redes sociais e os telefones dos ativistas. Certamente, mais pessoas foram acuadas nos últimos dias, mas não denunciaram por medo.”

A presidenta do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia, Vilma Reis, cobra que a PM baiana investigue a ameaça ao blogueiro de forma imparcial. “Coações como essas são inaceitáveis no Estado Democrático de Direito. O serviço de inteligência da polícia tem de funcionar para investigar a polícia”, diz.

Vilma relata que as mães dos jovens mortos no bairro do Cabula ouviram provocações de policiais durante manifestação na última quinta-feira (12). “Agentes se infiltraram no protesto e insultavam as mães. Tivemos de pedir ao comandante [da operação] que retirasse os agentes do meio da manifestação para evitar um confronto.”

Durante o trajeto manifestantes foram xingados e ameaçados pelos policiais.  Foto Rafael Bonifácio/ Ponte Jornalismo
Durante o trajeto manifestantes foram xingados e ameaçados pelos policiais. Foto Rafael Bonifácio/ Ponte Jornalismo

O secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, diz que o governo federal, embora não esteja oficialmente envolvido na investigação, está monitorando o caso. “É importante ressaltar que, enquanto a investigação não acabar, não estão confirmadas as chacinas porque a Polícia Militar alega auto de resistência. Estamos em contato permanente com a rede de ativistas, aguardando o desenrolar da história, e o Conanda [Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente] soltou uma nota expressando a preocupação com as mortes em Salvador.”

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. A superintendente de Direitos Humanos do estado, Anhamona de Brito, disse que, recentemente, esteve com Araújo e ouviu seus relatos sobre as ameaças.

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Leia

A Bahia está mergulhada num mar de sangue 

Comunidade protesta contra chacina no Cabula, em Salvador. PM intimida

Pai faz, mãe cria e a polícia dá sumiço

por Aganju Shakur JiJaga

(Fotografia- Morgana Damásio. A foto foi tirada na II Marcha (Inter)Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, organizada pela Campanha Reaja ou será mort@ Foto
 II Marcha (Inter)Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, organizada pela Campanha Reaja ou Será Mort@ Foto Morgana Damásio

Arão de Paula Santos, 23 anos, Luan Lucas Vieira de Oliveira, 20, Elenilson Santana da Conceição, 22, são três, dos treze jovens negros executados sumariamente por policiais militares da Rondesp em uma operação policial na madrugada da última sexta feira (06/02/2015) em Salvador-BA. Não foram um, dois, muito menos seis. São 13 jovens executados pela política de segurança pública genocida do governo democrático popular (PT) agora sobre o comando do Governador Ruí Costa.

A Chacina do Cabula ratifica os dados lançados recentemente pelo Índice de Homicídios na Adolescência, em que a Bahia é o segundo Estado brasileiro com maior concentração de assassinatos de jovens entre 12 e 18 anos. Ou mesmo as estatísticas levantadas pelo Mapa da Violência (2014) que apontam que o Brasil é o país que mais mata NEGROS no mundo. Além, é claro, dos dados dos próprios policias. Os Anuários da Segurança Pública (2012-2014) assinalam que a polícia da Bahia é a que mais matou em termos relativos em todo Brasil.
O Estado brasileiro é o país que mais mata negros/as no mundo e têm na policia da Bahia o principal agente impulsionador do aspecto mais manifesto do Genocídio do Povo Negro: o extermínio sistemático de jovens negros. Se a vida é bem mais que a luta de classes, como já disse Hamilton Cardoso, nós da Campanha Reaja ou Será Morta/o temos demonstrado nos últimos 10 anos que nossas mortes são bem mais que estatísticas: é política racial de Estado. Sendo assim, a Chacina dos 13 releva aspectos conjunturais e estratégicos da luta política Contra o Genocídio do Povo Negro.

Do ponto de vista conjuntural a atuação letal da Rondesp é reflexo de uma política de segurança pública pautada em uma lógica genocida, que coloca a instituição policial como um instrumento belicista a serviço do Estado e coordenado pelos partidos políticos, que tem o único e claro objetivo de abater o inimigo interno da nação: negros/as. É um fato inconteste que esse aspecto genocida da política de segurança pública na Bahia toma uma nova dimensão durante a gestão do governo democrático popular do Partido dos Trabalhadores (2006-2015), que vem nos últimos anos, através da atuação de “forças policiais especiais”, como a Rondesp (Salvador), Peto (Recôncavo) e Caatinga (Sertão da Bahia), tornando-se um Partido que se especializou tecnicamente e logisticamente em capturar e abater negros/as.

De fato a polícia da Bahia não tem nada a aprender com o Bope. Chacina para essa corja é sinônimo de trabalho bem feito, medalha de honra e declaração de apoio do secretário de segurança pública Maurício Barbosa, que em entrevista disse em alto e bom som sobre a chacina: “A resposta é essa. O estado tem que atuar de forma enérgica no combate a criminalidade e ao crime organizado. Defendo muito a vida dos meus policiais, o que importa é a vida dos policiais e da sociedade” (Mauricio Barbosa, em entrevista ao Jornal A Tarde).

Em perfeito consenso com às declarações do Secretário de Segurança pública foram às afirmações em entrevista coletiva do então Governador da Bahia Ruí Costa (PT):
“É como um artilheiro em frente a um gol, que tem que decidir em alguns segundos como é para colocar a bola para fazer um gol. Depois que a jogada termina, todos os torcedores da arquibancada, se foi feito o gol vai dizer que fez um golaço e vai repetir várias vezes na televisão. Se o gol foi perdido, o artilheiro vai ser condenado, se tivesse chutasse desse ou daquele jeito teria entrada”, afirmou o governador. Segundo ele, no entanto, a polícia deve agir como determina a legislação. “A polícia, assim como manda a constituição e a lei, tem que definir a cada momento, e nem sempre é fácil fazer isso. Qual o limite de energia e de força? Tem que ter a frieza necessária e a calma necessária e a escolha muitas vezes não resta muito tempo. São alguns segundos que nós temos para decisão”. (Entrevista coletiva)

No discurso do governo democrático popular as vidas de negros/as são comparadas a um jogo. O jogo do baralho do crime. O jogo dos contêineres utilizados para “estocar” presos. O jogo das operações lombrosianas: Saneamento I e Quilombo II. E agora um jogo de futebol onde faz mais gols quem mata mais preto. A Rondesp é o artilheiro em campo e o PT é o grande técnico e cartola dessa seleção da morte. A guerra arrasada contra as comunidades negras ganha um novo no hall na recente gestão do Governador Rui Costa, que já avisou que vai sentar o aço nos pretos favelados.

De fato as declarações do Governador não nos choca. Como já havíamos afirmado durante o ano eleitoral, esquerda e direita no Brasil possuem uma matriz racial-cultural comum, alicerçada no racismo e na consolidação de uma política de governabilidade da morte negra.

Rui Costa, desde o começo de sua campanha deixou bem claro para que veio, defendendo a pena de morte legal e apoiando senador que discursou a favor da prisão perpetua e redução da maioridade penal.

Não sem, é claro, o apoio político de um setor majoritário do Movimento Negro, a turma do “voto negro consciente” que mesmo lambendo muito saco dos supremacistas brancos de esquerda, perderam o lobe da “promoção da igualdade racial” e tiveram que engolir guela abaixo uma composição ministerial majoritariamente de homens brancos e uma SEPROMI hegemonizada por um grupo político que historicamente nunca pautou a questão racial.
Como é de costume, o governo, a polícia e a mídia tá botando tudo na conta do tráfico. Em nota o comando da polícia militar disse:

A Polícia Militar da Bahia esclarece que, na madruga desta sexta-feira (6), por volta das 2h40, policiais da Rondesp-Central receberam, via Centel, uma informação levantada através do Serviço de Inteligência da SSP, que um grupo suspeito composto por cerca de 30 pessoas planejava arrombar uma agência bancária na Estrada das Barreiras. Durante a diligência, a guarnição encontrou um veículo abandonado naquela região. Ao realizar a verificação da ocorrência, perceberam que os bandidos, cerca de 30 homens, estavam escondidos em uma baixada. Os policiais foram recebidos a tiros, e, neste momento, um sargento foi atingindo de raspão na cabeça. Em defesa, os PMs reagiram e atingiram 15 homens. Onze baleados morreram no local, três formam socorridos para o Hospital Roberto Santos e passaram por cirurgia, e um não corre risco de morte. O sargento da PM foi socorrido, medicado e liberado. Com os criminosos foram encontradas 16 armas, muitas de calibre restrito com carregadores alongados, e farta quantidade de droga (Nota da polícia militar).

A farsa se revela a todo o momento. De acordo fotos divulgadas pelos próprios policiais, os jovens tiveram os corpos perfurados pelos projeteis da Rondesp nas costas e cabeça, um forte indício de execução sumária. Também vários moradores, familiares e amigos já relataram que os jovens foram enfileirados nas viaturas e assassinados como cães. E a tese do comando da polícia militar de que ocorreria uma tentativa de roubo a caixas eletrônicos é uma grande piada, não precisa ser especialista em segurança, ladrão ou ter lido Manual do Guerrilheiro urbano, para saber que essas ideias não batem.

Na Bahia a morte negra é pensada politicamente pelo Partido dos Trabalhadores e gerida pela secretaria de segurança pública, que protege e justifica a matança desenfreada de negros/as, a partir de uma lógica de governabilidade alicerçada no racismo, colonialismo e no supremacismo branco de esquerda. Nós não somos a “sociedade”, somos menos que bichos, ou mesmo escravos, nós somos o inimigo a ser eliminado.

Ato Público contra Violência Policial dos Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados
Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

No que concerne aspectos estratégicos da luta contra o genocídio do povo negro, a Cachina na Estrada das Barreiras também nos diz muito. Há 10 anos a Campanha reaja abriu caminho na (re)construção de uma política racial baseada nos princípios da ação direta nas ruas, no trabalho comunitário permanente em favelas, vilas, malocas, quilombos, cadeias e no enfrentamento direto e centralizado ao Genocídio do Povo Negro. Não Genocídio da população negra, muitos menos, genocídio da juventude negra. A luta política em curso é civilizacional e diz respeito à luta de libertação nacional de um Povo encarcerado em território hostil. Somos uma tradição radical de luta negra. Temos uma cultura política própria. Temos um modus operandi característico. Nós temos nossos marcos históricos e não é nenhum segredo que nos referenciamos no Black Party Panther, somos panteristas, nós acreditamos que PODER NEGRO é, sobretudo, autonomia e dignidade.

Estamos apontando para estruturação de um movimento social de maioria negra, que construa uma plataforma pan-africanista de enfrentamento ao Genocídio do Povo Negro, especialmente em seus aspectos mais manifestos: o extermínio sistemático de jovens negros e o encarceramento em massa do povo negro. Não somos sabidinhos, pelo contrário, nós instituímos a má educação na política racial. E é um fato latente que somos um perigo para elite política negra que, durante os últimos 12 anos, tem se sustentado na governabilidade supremacista branca de esquerda, através do silêncio e colaboração com o genocídio negro em curso. Esse grupo é nosso maior entrave organizacional, fizeram escola e tem muito menino/a nova geração 2000, de turbante, batinha da hora e textinho gringo trilhando o mesmo caminho, muitos escondendo-se entre nós. Não inimigos, muito menos aliados.

Ato Público contra Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados
Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

Não foram três, quatro, seis, ou 10, foram 13 jovens negros executados pela Rondesp na estrada das barreiras. Não vai ter charge de Latuff, muito menos texto “polêmico” de Sakamoto. Aqui é Bahia disgraça! Sem massagem e solidariedade com os pretos da Bahia. Não vai ter campanha: Somos Todos Estrada das Barreiras, ou mesmo, passeatas como em Ferguson. No entanto, mesmo a turma da “promoção da igualdade” fingindo que não vê e os afrocentados preocupados em terminar o próximo capítulo do Dra. Karenga, por aqui, quando os policias matam pretos como baratas em nossas comunidades, se queima ônibus e barricadas são levantadas todas as semanas – Não tá no face, muito menos na TV.

Nós respeitamos as barricadas. Respeitamos os ônibus incendiados. É entre o ônibus incendiado e o choro das mães que estamos consolidando nossa tradição radical de luta negra. Pelas vielas, morros e becos a trilha sonora do levante negro bate alto nos alto falantes dos tabletes.
Aganju Shakur JiJaga, articulador da Campanha Reaja ou Será Morta/o
Cachoeira-BA, Fevereiro de 2015

 

Revista

BLOGUEIROS REPUDIAM CHACINA DE SALVADOR E DENUNCIAM PERSEGUIÇÃO DA POLÍCIA ASSASSINA

Chacina da polícia petista
Chacina da polícia petista

Os blogueiros e ativistas digitais reunidos em torno do #BlogProg manifestaram-se publicamente sobre a chacina de 15 jovens ocorrida em Salvador, na Bahia, no dia 6 de fevereiro. Em nota, os blogueiros repudiaram a violência da polícia e a postura do governador Rui Costa (PT), mas também denunciaram a ameaça que ativistas digitais e comunicadores sociais estão recebendo por parte da Polícia Militar do estado.

Confira a íntegra do texto:

Nós, da Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas digitais vimos a público repudiar a violência institucional da polícia baiana que, em três dias de ação do GRUPAMENTO RONDESP, resultou na morte de 15 jovens negros em Salvador.

Repudiamos igualmente o pronunciamento lamentável do governador Rui Costa (PT) , que fez uso de uma metáfora futebolística ao comparar ações dos policiais envolvidos na chacina de 12 jovens negros no Cabula em 06/12/2015 com a atitude de um artilheiro diante do gol.

Sem qualquer investigação, sem ouvir testemunhas, o governador saiu em defesa de uma corporação com histórico de extrema violência, fazendo uso de um discurso assustadoramente irresponsável diante de um crime destas proporções.

A Anistia Internacional diz haver ‘indícios de execuções sumárias’, uma testemunha ouvida pela Ponte.org afirma que os jovens foram mortos quando já estavam rendidos. Blogs baianos afirmam terem consultado dados da Secretaria de Segurança e constatado que apenas uma das vítimas tinha passagem pela polícia devido a brigas durante o Carnaval.

Recebemos denúncias de que ativistas digitais (que denunciaram a violência policial) estão sendo ameaçados por PMs, como se não vivêssemos em uma estado democrático.

Tais práticas de terror, comuns em regimes autoritários e que ferem direitos constitucionais e os direitos humanos, estão sendo usadas para coibir denúncias de abuso de poder e ações criminosas por parte da corporação.

O governador no exercício de seu poder precisa investigar as denúncias dos parentes das vítimas e das testemunhas (sobre as acusações que recaem sobre o grupamento Rondesp), e tomar todas as medidas legais possíveis. Ao mesmo tempo precisa investigar as denúncias de ameaças contra ativistas que, no seu direito democrático de livre expressão combatem o genocídio negro da juventude brasileira institucionalizado. É o mínimo que nós da Comissão Nacional de Blogueiros entendemos que é dever de uma autoridade realizar num momento de tamanha gravidade.

A chacina ocorrida na Bahia contribui para as vergonhosas estatísticas que ano após ano que apontam que 70% dos jovens assassinados no Brasil são da cor negra.

Ate por isso é recomendável que o governador petista Rui Costa, respeitando a longa história de seu partido na defesa dos direitos humanos, se retrate perante a sociedade sobre as sua lamentáveis declarações. Fonte Barão de Itararé 

 

 

 

 

A polícia assassina da Bahia de todos os santos e pecados

“Todos deveriam ter muito cuidado porque a tropa está com sangue no olho” e nas mãos

 

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Sindicato repudia tentativas de intimidação de jornalistas por PMs da Bahia

 
O Sindicato dos Jornalistas da Bahia manifesta repúdio, preocupação, e solicita providências ao Governo do Estado, Secretaria de Comunicação, Secretaria da Segurança Pública e Comando da Polícia Militar da Bahia às tentativas de intimidação praticadas contra jornalistas dos jornais Correio e A Tarde envolvidos na cobertura do desaparecimento de Geovane Mascarenhas de Santana, 22 anos, ocorrida no dia 02/08/2014, que foi visto pela última vez ao ser filmado quando era agredido e colocado numa viatura por policiais militares da Companhia de Rondas Especiais Baía de Todos os Santos (Rondesp/BTS).

Um dos jornalistas recebeu solicitação para que se identificasse durante entrevista coletiva concedida pelas autoridades policiais, na última sexta-feira, dia 15/08, e foi surpreendido com a declaração de que “é muito bom saber quem escreve sobre a gente”. Repórteres do Correio receberam telefonemas na redação do jornal de dois homens que se identificaram como policiais militares e que parabenizaram pela reportagem, mas alertaram que “todos deveriam ter muito cuidado porque a tropa está com sangue no olho”. Fonte de um jornalista também alertou que “a tropa está muito revoltada e era preciso cautela”.

A direção do Correio encaminhou ofício ao secretário Maurício Barbosa informando sobre os fatos havidos na redação.

Os jornalistas envolvidos na cobertura realizaram seu trabalho de forma ética e responsável, não generalizando uma ação isolada praticada por um grupo de policiais que agiram contrariando as leis que regulam a atividade da Polícia Militar. Assim, não existe qualquer justificativa para qualquer forma de insatisfação por parte de integrantes da PM, a menos que esses comunguem com atos que vêm sendo investigados e repudiados pela própria corporação.

O livre exercício do jornalismo é inerente à democracia brasileira e garantido pela Constituição do Brasil, cabendo às autoridades a garantia de segurança e o respeito à integridade física e moral dos profissionais de imprensa.

O Sinjorba está atento a esses fatos e encaminhou alerta à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e à Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc).

Salvador, 18/08/2014.

Marjorie Moura
Presidente do SINJORBA

Fonte: Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe

 

A CLARIDADE VERSUS A ESCURIDÃO DA DITADURA

Qualquer cidadão que faz greve, que reivindica, que protesta pode ser preso como terrorista. Nos 21 anos de ditadura era rotulado como subversivo/comunista, e sequestrado e assassinado.

No passado e no presente, a lista macabra de mortos, com a etiqueta de “desaparecidos”, falseia o número de vítimas.

Nenhum lugar, na ditadura militar, era seguro. Qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência. As polícias dos governadores de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro atuam descaradamente contra os direitos humanos.

E a justiça nem aí.

Para conhecer a Verdade bastava abrir os processos que correram no judiciário a partir de 64, notadamente nos tribunais militares.

O portal Terra mostra os documentos revelados pelos EUA

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Conheça mais os tempos da negra e corrupta escuridão. Clique aqui

A greve engatilhada da polícia da Bahia é subversão, terrorismo. Quem persegue os movimentos grevistas não tem o direito de cruzar os braços e promover baderna

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O soldado obedece ao cabo que obedece ao sargento que obedece ao subtenente que obedece ao tenente que obedece ao capitão que obedece ao major que obedece ao tenente-coronel que obedece ao coronel que obedece ao comandante da polícia militar que obedece ao governador.

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É uma hierarquia que tem como lema manda quem pode, obedece quem tem juízo. Na Bahia quebraram a hierarquia, o mando, e todo mundo endoidou de vez para ganhar um salário maior.

Como um subalterno não pode ganhar mais que o superior, vai terminar um coronel da Polícia Militar recebendo um provento maior que um de coronel do Exército.

A quem interessa esta greve com gatilho salarial? Que diabo faz o Tribunal de Justiça Militar da Bahia?

Quais as regalias desejadas pela sublevada Polícia Militar?

O governador fraco já ofereceu: a separação do Corpo de Bombeiros do resto da corporação, redução do tempo mínimo para promoção dos policiais e redução do tempo de serviço para 25 anos no caso de policiais mulheres. Também ofereceu 7% de reajuste para cabos e soldados.

Que diabruras faz a Polícia Militar contra os movimentos grevistas – notadamente dos professores? Atira bombas de gás lacrimogêneo, de gás pimenta, dispara balas de borracha, distribui cacetadas, detona balas de festim, de chumbo, joga os cachorros loucos contra os manifestantes e a cavalaria desembestada. Ou abre os canhões de água e paraliza com pistolas de raio lazer. É o prende e arrebenta. Que a Polícia Militar receba o mesmo tratamento.