Para a visão dos analfabetos políticos que pedem uma intervenção militar e o retorno da ditadura

Condena a violência; venha de onde vier

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Chile, Sábado, 5 de Outubro de 1974 – Nos subúrbios de Santiago, a grávida Carmen Castillo é ferida e seu companheiro Miguel Enriquez, secretário Geral do MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária), é morto em combate. Assim começa a jornada pelas memórias dos vencidos na batalha contra a ditadura de Pinochet. Carmen e Miguel viveram 10 meses de felicidade com as filhas Camila e Javiera , na Rua Santa Fé, 725.

Depois da morte de Miguel, Carmen perdeu o bebê, foi exilada e encontrou refúgio com amigos, em Paris. Neste seu documentário, feito após a volta da democracia (1990), os companheiros que desapareceram, e os que sobreviveram, são retratados, numa costura perfeita entre a vida de ontem e de hoje no Chile. Destaca-se o ambiente de fraternidade entre todos, o sentimento de pertencer e querer realizar algo pelo país.

Um filme muito humano e lindo, que convida à reflexão. Abusos de poder e injustiça devem ser combatidos.

O vôo golpista dos tucanos no Brasil e Venezuela

AviaoTucanos

A imprensa brasileira noticia:

GOVERNO DA VENEZUELA PROÍBE QUE AVIÃO DE AÉCIO E ALOYSIO SOBREVOE OU POUSE NO PAÍS

De acordo com informações do Ministério da Defesa, o governo da Venezuela negou autorização para que avião militar com uma comitiva de Aécio Neves e companhia possa sobrevoar e pousar naquele país, no próximo dia 17.

O fato foi confirmado pelo senador tucano Aloysio Nunes Ferreira e pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves .

O Itamaraty disse que ainda não tem informações sobre o assunto. Aécio, Aloysio e Fernando Henrique e outros líderes da direita e da extrema-direita anunciaram viagem à Venezuela na próxima quinta-feira, para dar apoio a golpistas da oposição, que defendem uma intervenção militar dos Estado Unidos naquele país.

“Eu tenho dito que quando se fala de democracia e de liberdade não há que se respeitar fronteiras. Vamos, portanto, em um grupo suprapartidário, de forma absolutamente respeitosa, dizer que na nossa região o tempo do autoritarismo já passou”, proclamou Aécio.
Questionado sobre se temia alguma reação contrária do governo venezuelano à visita do grupo, alegando uma possível “intromissão” do Senado brasileiro em um assunto interno do país sul-americano, Aécio negou e disse que “não há mais espaço para presos políticos” no mundo atual.
“Eu espero que o governo venezuelano entenda essa nossa ida como uma manifestação do Congresso brasileiro em nome da esmagadora maioria brasileira, em nome da democracia e da liberdade”, complementou o tucano.
“Nós estaremos na verdade suprindo com o nosso gesto a omissão do governo brasileiro em relação a essa questão. Não estamos falando de apoio a A ou B, estamos falando de respeito à democracia”, concluiu o senador.

É entranhável que a Aeronáutica, com o dinheiro do povo brasileiro, banque essa viagem de conspiradores e inimigos da democracia, e que viola a autodeterminação dos povos.

Por que o Brasil mandar uma avião militar para a Venezuela, com dois notórios golpistas, para desestabilizar um governo democrático, eleito pelo voto direto e democrático do povo?

O golpismo e o retorno da ditadura militar motivaram Aécio e Aloysio, candidatos derrotados a presidente e vice nos primeiros e segundos turnos das eleições de outubro último, a convocar várias passeatas e marchas fracassadas nas capitais do Brasil. Os dois fazem parte do movimento para derrubar os presidentes Dilma Rousseff no Brasil, Nicolás Maduro na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina, Rafael Correa no Equador.

Um movimento patrocinado pela extrema-direita, pelo colonialismo e pelo imperialismo para minar a União dos Países da América do Sul.

 Sponholz
Sponholz

A Venezuela impedir a invasão de Aécio constitui uma medida de precaução. Aécio faz pregação golpista. E depois é bom ter cuidado. Não se sabe se o senador Zezé Perrella faz parte da comitiva. Perrella é mineiro e amigo íntimo de Aécio e do presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que responde a processos de contrabando no Brasil, e denunciado pelo envolvimento com o tráfico de drogas. Perrella é o dono do helicóptero, pego com meia tonelada de cocaína originária do Paraguai.

Tem mais: Foi encontrada cocaína em uma das duas fazendas de Aloysio. Cada fazenda, ele revelou para o cego tribunal eleitoral, vale um mísero real. Repetindo: dois reais o valor das duas fazendas. Ou latifúndios.

Para entender essa conspiração internacional leia:

A crônica de um desastre anunciado

Por Frederico Füllgraf

Jorge Alarminos
Jorge Alarminos

Finalmente Felipe González, advogado e ex-primeiro-ministro da Espanha (1982-1996), desembarcou na Venezuela para conseguir a liberdade de Antonio Ledezma e Leopoldo López, dois políticos acusados de conspiração e incitação ao golpe contra o governo Nicolás Maduro.

Em maio passado, as audiências nos tribunais venezuelanos foram adiadas, motivando o cancelamento provisório da “missão González”, cujo anúncio, em março, lançou mais lenha à fogueira desatada em 2014 pelo ex-presidente José Maria Aznar e pela recente “Declaração do Panamá sobre a Venezuela”, com a qual, à margem da última Assembleia Geral da OEA, 31 ex-presidentes ibero-americanos cobraram medidas internacionais contra o governo venezuelano.

González desembarcou, mas já retornou à Espanha após o veto da Justiça venezuelana de sua visita aos presos. No entanto, sua reunião com o oposicionista MUD – Mesa de la Unidad, cujas lideranças criticou pelas disputas internas em detrimento da unidade do movimento, deixa entrever a indisfarçada ingerência do líder espanhol na contenda entre governo e oposição, advertida por González para cerrar fileiras em torno da plataforma de Leopoldo López: exigir eleições parlamentares com observadores internacionais, o fim da perseguição aos opositores e a libertação dos presos políticos.

Deixando a Venezuela “pela porta dos fundos”, a bordo de um avião da Força Aérea Colombiana – especialmente enviado a Caracas pelo presidente Juan Manuel Santos –, Felipe González articulou seu protesto ao tratamento de persona non grata que lhe fora atribuído, abandonando a agenda do diálogo, agora trocada pela da confrontação.

Com a mobilização dos ex-presidentes Andrés Pastrana (Colômbia), Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Ricardo Lagos (Chile), que deveriam acompanhá-lo em comitiva a Caracas – mobilização na qual embarcou o candidato derrotado do PSDB, Aécio Neves, que viajará a Caracas em 17 de junho –, González definitivamente internacionalizou a queda de braço com o governo Maduro, simultaneamente articulando uma frente conservadora na América Latina e instigando a União Europeia para sanções contra a Venezuela – sanções esperadas durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia, ocorrida em Bruxelas, até 11 de junho.

Uma dramaturgia sem dúvida exitosa, mediante um arranjo orquestrado com a imprensa espanhola e o discreto movimento de peões do maior conglomerado da mídia venezuelana, o Grupo Cisneros.

O eixo Espanha-Chile

Em fins de março deste ano, os correspondentes estrangeiros oficialmente credenciados no Chile fomos convidados a uma entrevista coletiva do ex-presidente Ricardo Lagos, na sede de sua Fundação Democracia y Desarrollo, em Santiago.

De início, desconfiamos que a pauta “aberta” escondia a intenção de Lagos de “vender-nos” sua recém-lançada página interativa na internet, que estimula a participação cidadã na coleta de propostas para a reforma constitucional prometida pela presidente Michelle Bachelet.
Ricardo Lagos (Foto: Frederico Füllgraf)

Com meia hora de conversa trivial, então o astuto Lagos surpreendeu-nos com um “furo”. Confidenciou-nos que em breve o ex-primeiro-ministro espanhol, Felipe González, empreenderia uma missão politica à Venezuela, à qual teria convidado os ex-presidentes Andrés Pastrana e Fernando Henrique Cardoso. Ele, Ricardo Lagos, sentia-se honrado como o terceiro na lista do espanhol, que cobrava representatividade continental à sua missão.

Politico calejado, o socialista Lagos não teve papas na língua, acusando o “regime bolivariano” de violar os direitos humanos e justificando uma ação concertada em nível internacional para “restabelecer a constitucionalidade” ultrajada – palavras que poderiam ter sido pronunciadas por seu conterrâneo e também ex-presidente, o conservador multibilionário Sebastián Piñera, que em janeiro viajara a Caracas em companhia de Pastrana para visitar Leopoldo López na prisão de Ramo Verde. Barrados pela polícia, os dois ex-presidentes foram reconduzidos ao centro de Caracas sob escolta do Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (Sebin).

Em defesa de Piñera, no final de janeiro, outro ex-presidente chileno, o democrata-cristão Eduardo Frei Tagle, partiu para o ataque frontal, afirmando que a Venezuela é “um país que não respeita a democracia”.

Nem mesmo Isabel Allende – filha do mitológico presidente chileno e presidenta simultânea do Senado e do Partido Socialista – se conteve. “O governo do Chile deve manifestar sua preocupação pela detenção de Ledezma na Venezuela”, disparou pelo Twitter, na ocasião da prisão. Em seguida endureceu o discurso: “O governo da Venezuela não é socialista, é uma ditadura militar, com tudo o que isso significa (…)”, disparate do qual finalmente recuou, corrigindo-se: “Eu não qualifico Maduro de ditador, ele foi eleito democraticamente (…) Não o comparo com Pinochet, nada que ver, são situações radicalmente diferentes”.

O “golpe baixo” de Ricardo Lagos e o cerco conservador a Bachelet

A certa altura da coletiva de Lagos, perguntei-lhe sobre o papel mediador das missões da Unasul em Caracas, que cobraram o diálogo entre o governo Maduro e a oposição. A resposta do ex-presidente, reverberada no dia seguinte pela mídia internacional, foi que admitia, sim, um “esforço significativo” de Ernesto Samper – ex-presidente colombiano e secretário-geral do organismo – mas que não era o suficiente.

Poucos dias depois, Lagos posava para foto da imprensa chilena, ladeado por Mitzy Capriles Ledezma e Lilian Tintori – respectivamente esposas de Antonio Ledezma e Leopoldo López – durante escala em Santiago do Chile de sua turnê pela América do Sul, em busca de apoio político à libertação de seus maridos.

E então Lagos cravou a seguinte comparação: “Há mais de 80 presos políticos [na Venezuela], creio que deve-se cobrar ao governo Maduro que a Cruz Vermelha seja aceita para visitar as prisões e ver as condições dos detentos… Não sei se direi uma impertinência, mas em seu momento Pinochet aceitou que a Cruz Vermelha viesse ao Chile”.

Foi a “bomba”.

Com o destemido título “El golpe bajo de Ricardo Lagos”, no Diario Radio Universidad de Chile (14/4/2015), a socióloga e colunista Antonia Garcia Castro assestou um agravo demolidor, aqui citado no original espanhol:

“Ricardo Lagos debe saber si se trata o no de una impertinencia. No puede no saberlo. No puede no conocer el valor que tiene cada palabra que se pronuncia en el espacio público, con toda la fuerza simbólica que otorga, además, el hecho de ser un ex Presidente de la República. ¿Qué está diciendo Ricardo Lagos? ¿Que “hasta” Pinochet tuvo un gesto “humanista” y/o “democrático”?”

E dirigindo-se diretamente ao ex-presidente, fulminou:

“Que usted lo cite a Augusto Pinochet para desarrollar un argumento supuestamente democrático y respetuoso del derecho es algo más que una impertinencia. Es una vergüenza. Es un golpe bajo. Es no haber entendido la propia historia”.

Entre coletivas com Lagos e abraços com Piñera, as esposas dos dois políticos venezuelanos acusados de conspiração tentavam forçar a agenda de Michelle Bachelet para recebê-las, mas a presidente permaneceu firme e seu então porta-voz, Alvaro Elizalde, foi taxativo: “O governo do Chile tem um compromisso com o roteiro traçado pela Unasul para fortalecer o diálogo entre o governo e a oposição venezuelanos” – ponto.

hitler pinochet indignados

Com nova escala em Buenos Aires – onde sua recepção festiva pelo prefeito Mauricio Macri, ferrenho adversário conservador de Cristina Fernández de Kirchner, foi ruidosamente repudiada por centenas de intelectuais, artistas e círculos simpáticos ao “chavismo” – finalmente, no dia 5 de maio, Mitzy Capriles Ledezma e Lilian Tintori concluíam seu tour com uma recepção no Brasil. Por Fernando Henrique Cardoso.

No Chile, a mais alta esfera do poder político as deixara de mãos abanando, mas em 20 de maio – véspera do “Dia das Glórias Navais” e com Michelle Bachelet distraída com a preparação do discurso de prestação de contas de seu primeiro ano de governo –, por 66 votos a favor, 26 contra e 10 abstenções, em Valparaíso, a Câmara de Deputados aprovava uma resolução cobrando da presidente retirar da Venezuela o embaixador Pedro Ramírez para consultas, “até que se resolva a situação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma; e do líder opositor, Leopoldo López”.

Extrema e hostil, com a medida as forças conservadoras do Legislativo chileno pretendem estremecer as – até agora – tranquilas relações oficiais entre Chile e Venezuela, agravando a polarização buscada pelo espanhol Felipe González, ao montar sua “frente de ex-presidentes” à margem das missões da Unasul, respeitada até mesmo por Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e candidato à presidência derrotado em 2013 por Nicolás Maduro pela margem mínima de 1,5% dos votos.

Tramas paralelas: Teodoro Petkoff, El País e o “fator Cisneros”

Contudo, no tabuleiro do xadrez político venezuelano operam dois “bispos” com notável poder de articulação dentro e fora do país, ambos vinculados aos meios de comunicação não oficialistas: Teodoro Petkoff e Gustavo Cisneros.

O primeiro, um ex-comunista, ex-guerrilheiro, dublê de ex-ministro de Economia do governo Carlos Andrés Perez, na década de 1980 e, há alguns anos, publisher do jornal oposicionista Tal Cual. O segundo, o homem mais rico e poderoso da Venezuela, dono do Grupo Cisneros de Comunicação, de oposição ao “chavismo”, mas considerado “intocável”.

Longe de Caracas, no dia 4 de maio, Petkoff deveria receber em Madri o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (15 mil euros e uma obra do artista plástico Sebastián Eduardo Chillida), outorgado a profissionais que se destacam na “defesa das liberdades, da independência e do rigor, como virtudes essenciais do jornalismo”.

Criado em 1984 pelo jornal El País, do Grupo Prisa – que na comercialização de conteúdo audiovisual é parceiro do Grupo Telefónica e que na Espanha lidera a campanha midiática contra o chavismo, com colunistas ultraconservadores como o argentino Héctor E. Schamis, da Universidade de Georgetown (EUA) – o prêmio foi para o venezuelano de descendência búlgara, porque seus jurados o consideram “símbolo da resistência democrática”.

Mas Petkoff não tinha permissão para deixar a Venezuela, porque enfrenta uma ação judicial protocolada pelo presidente da Assembleia (Congresso) Nacional, o “chavista” duro Diosdado Cabello, que se sente difamado por um artigo de opinião publicado pelo Tal Cual em janeiro de 2014.

Quem recebeu o prêmio em nome de Petkoff foi Felipe González.

Embora taxado à esquerda como “privatizador agressivo” – que em 1989 adotou medidas de austeridade e silenciou o levante dos pobres da capital, massacrados por Andrés Pérez no temível episódio conhecido como “Caracazo” –, hoje Petkoff poderia ser definido como socialdemocrata com tentações neoliberais, “un izquierdista a modo”, segundo línguas ferinas, porém jamais como articulador da direita golpista. No entanto, como ironiza o também ex-privatizador Felipe González e em seu momento lobista de empresas espanholas na América do Sul, quando opina Teodordo Petkoff “treme o regime” de Nicolás Maduro.

Já Cisneros, “cubano por nascimento e venezuelano de coração” – proprietário dos conglomerados Venevisión e Venevisión Plus, da operadora de TV por satélite DirecTV, da franquia da Pepsi Cola na Venezuela e um dos mais requintados colecionadores de arte do mundo, dono de patrimônio líquido de 4 bilhões de dólares (Forbes, 2015) depositados nos EUA – comportou-se sempre como aliado de plantão de vários poderosos, entre os quais cita Carlos Andrés Pérez, George Bush pai e Felipe González.

Anticastrista figadal, por outro lado Cisneros tem se desempenhado como articulador de laços estratégicos da Venezuela com a Espanha e os Estados Unidos, sobretudo como facilitador das recentes reuniões-relâmpago do subsecretário de Estado dos EUA Thomas Shannon com Nicolás Maduro, em Caracas.

É nas mansões de Cisneros em Nova York, Madri e Aspen (Colorado) que costumam juntar-se líderes conservadores do mais alto coturno, como os espanhóis José María Aznar e Felipe González e o colombiano Alvaro Uribe, para sofisticadas tertúlias nos campos da arte, mas obviamente com um olho no mercado financeiro e outro no tabuleiro político.

Já em Caracas, no dia 14 de fevereiro, durante o lançamento do “Plano de Paz” – cujo objetivo é reduzir a criminalidade e a violência que assolam a Venezuela –, Nicolás Maduro surpreendeu a assistência abraçando Gustavo Cisneros como copatrocinador do programa. Episódio inusitado, indicando que para Cisneros é útil acomodar-se a “novas maneiras de fazer negócios”, enquanto que para Maduro o ombro a ombro com o mais poderoso dos empresários funciona como munição publicitária.

Felipe González e a internacionalização da crise venezuelana

Assinada pelo argentino Fernando de la Rúa, o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o chileno Ricardo Lagos, os mexicanos Felipe Calderón e Vicente Fox, os uruguaios Luis Alberto Lacalle e Julio María Sanguinetti e os espanhóis José María Aznar e Felipe González, a Declaração do Panamá faz um alerta à “grave alteração institucional, política, econômica e social que afeta sem distinções os nossos irmãos venezuelanos” , e denuncia a “ausência de independência da Justiça, a perseguição judicial dos que se manifestam e se expressam politicamente como dissidentes frente ao referido Governo [além da] presença reiterada de atos de tortura por funcionários do Estado, a existência de grupos paraestatais armados e de apoio ao próprio Governo, em um ambiente de total impunidade”.

Neste tom, os signatários afirmam promover “um clima de paz e de negociações”, a rigor desprezando esforços para o reatamento do diálogo e, figurativamente, jogando mais gasolina na fogueira.

A iniciativa para a declaração partiu de González e do atual primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, escolhido pelo Parlamento Europeu para tomar “todas as iniciativas pertinentes” e conseguir “a libertação imediata” de Ledezma, López y Ceballos. Com a delegação à Espanha do papel de trator, o Legislativo europeu finalmente dá pernas à sua resolução de 21 de dezembro de 2014, aprovada com esmagadora maioria de 476 votos contra 109 e 49 abstenções, mediante a qual condenou a “prisão de manifestantes pacíficos, estudantes e líderes políticos” – resolução que Nicolás Maduro desancou como “medida de despiste da crise europeia”.

O modus operandi de González em sua recente visita a Caracas não deixa dúvidas: para muito além da preocupação retórica com os direitos humanos dos presos, a estratégia hispano-europeia visa mesmo a interferir no processo eleitoral venezuelano, com a escolha de um lado.

Os crimes de López e Ledezma e o coro da tergiversação

Não é preciso ser “chavista”, mas apenas profissional em busca “da independência e do rigor, como virtudes essenciais do jornalismo”, como reza o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset, para perceber um fenômeno perturbador: um poderoso coro político-midiático-internacional tenta transformar Ledezma, López e Ceballos em heróis da resistência democrática, omitindo do noticiário e do debate a gravidade de seus atos.

Quais são as efetivas transgressões dos dois ex-prefeitos?

Em primeiro lugar, Antonio Ledezma não está mais encarcerado e, sim, usufruindo de prisão domiciliar, após submeter-se a uma cirurgia. Detido em 19 de fevereiro, é acusado pela Promotoria venezuelana de conspiração e associação criminosa ocorrida em setembro de 2014. Pano de fundo é seu contato com os paramilitares Lorent Gómez Saleh e Gabriel Valles, segundo o ex-ministro do Interior venezuelano Miguel Rodríguez Torres, associados ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Ledezma confirmou conhecer os dois agentes, mas negou envolvimento em planos de desestabilização do governo Maduro.

Ex-governador do Distrito Federal, eleito em 2008 com 52% dos votos para o cargo de prefeito de Caracas – cargo cujo poder Hugo Chávez esvaziou, criando a figura do “Chefe de Governo de Caracas” – Ledezma é antigo desafeto do “chavismo”, contra o qual já protestou com greves de fome e manifestações públicas.

A acusação de sua vinculação aos paramilitares do ex-presidente ultradireitista colombiano Uribe é grave, e soma-se à denúncia do colombiano como autor intelectual do assassinato do jovem deputado “chavista” Robert Serra, ocorrido em 2014, logo atribuído pela oposição venezuelana a “acertos de contas” entre os próprios “chavistas”.

As acusações contra Uribe – encarniçado desafeto do “chavismo” – não são invencionices ou mais uma “madurada” do presidente venezuelano, que desde sua posse, em 2013, denunciou mais de 12 conspirações golpistas. Cabe lembrar que em agosto de 2014, a Segunda Comissão do Senado da Colômbia deu início a demorado ciclo de debates sobre o eventual envolvimento de Uribe com o narcotráfico e a manutenção de bandos paramilitares clandestinos; debates que deverão gerar investigações.

Conterrâneo de Uribe, o secretário-geral da Unasul Ernesto Samper advertiu ao The Guardian (9/10/2014) que “o assassinato do jovem legislador Robert Serra, na Venezuela, é um sinal preocupante da infiltração do paramilitarismo colombiano”.

Já Lepoldo López encarna sem dúvida a facção mais agressiva da oposição venezuelana, cuja liderança disputa com Henrique Capriles, tentando atrair os seguidores deste para uma plataforma mais radical, de aberta ruptura com a institucionalidade democrática. Contra ele pesam graves acusações, envolvendo a marcha oposicionista de 12 de fevereiro de 2015, em Caracas, durante a qual López conclamou a massa pela derrubada de Maduro, ocasionando a morte de três e o ferimento de dezenas de pessoas.

Segundo Luis Vicente León, diretor do instituo de pesquisa de opinião Datanálisis, simpatizante da oposição, “López tinha perdido terreno, pois já não era prefeito (do distrito de Chacao) e estava inabilitado politicamente”. Uma vez que Capriles fora consagrado como líder inquestionável da oposição, segundo León, “o radicalismo foi a única saída enxergada por López para recuperar sua suposta liderança”.

Como derradeiro lance, ao entregar-se voluntariamente López apostou em sua martirização, mas a conta não fechou. Preso, as acusações da Promotoria foram do homicídio ao terrorismo, logo atenuadas para “instigação ao delito, danos materiais, incêndio de edificação pública e associação criminosa”.

Projetada sobre esse cenário, a intenção de Felipe González – com sua mirada de soslaio para a conjuntura espanhola e na ressurreição eleitoral do PSOE – de “reinserir os direitos humanos no topo da agenda latinoamericana” merece toda a desconfiança como manobra demagógica.

Nicolás Maduro em seu labirinto

Marcando distância da direita, mas também do “chavismo” empedernido, ganha credibilidade e respeito a posição da presidente Dilma Rousseff, quando adverte em recentes entrevistas à TV francesa e à Deutsche Welle TV que o Brasil não incentiva o golpismo, nem é intervencionista, mas aposta na garantia das liberdades individuais e insiste no diálogo como método imperativo para dirimir conflitos e salvaguardar a prevalência do Estado de Direito – um recado para a direita gorila e sua imprensa, mas também ao governo Maduro.

Na Venezuela não impera uma ditadura. Talvez o estilo “chavista” de governar possa ser descrito como “hegemonismo radical” com tinturas autoritárias; intransigente e pouco criativo.

Ao Brasil não interessa o prolongamento da interminável crise venezuelana, mas seu governo não se tem deixado pressionar pela “missão González”, preferindo agir cautelosamente, por vezes, nos bastidores.

Tentativas golpistas para varrer do mapa os governos do PSUV na Venezuela foram notórias, com Hugo Chávez vítima de uma delas, em 2002. Porém, não escapa à observação da diplomacia brasileira que, tanto Chávez como Maduro têm apelado à “Ley Habilitante” para governar por decreto; decisões que soem provocar urticária no Planalto

São notórias também duas inabilidades de Nicolás Maduro. Primeiro, sua impaciência ou inapetência para insistir no diálogo com a oposição, ainda que setores desta se revelassem embirradas e recalcitrantes. Denunciando seu confrontacionismo, Maduro e o núcleo duro do PSUV teimam em cair na armadilha, apostando, eles mesmos, na confrontação e desse modo engessando o diálogo genuíno . Foi o que advertiu José Pepe Mujica, durante sua presidência pro tempore da Unasul, cansado de insistir na necessidade de paciência e crença no diálogo.

A segunda e catastrófica imperícia de Maduro consiste em não articular a divisão da oposição e investir em pactos pontuais com Henrique Capriles, afastando-o dos setores abertamente golpistas. Sem falar de sua boquirrotice e seu destempero no tratamento de personalidades do cenário internacional, que ao invés de impulsionarem a solidariedade mais contribuíram, se não para o isolamento da Venezuela, pelo menos para a ridicularização de seu mandatário.

Em Caracas continua o jogo da polarização e não há sinal de que seus atores queiram mudar a tática de seus times.

Infelizmente, o tempo não corre a favor de Nicolás Maduro.

***

Frederico Füllgraf é jornalista em Santiago (Chile). Transcrito do Observatório da Imprensa.

bolsonaro

 

Bolsonaro deveria ser cassado pelos vários crimes que praticou. Principalmente por fazer a apologia da ditadura, da tortura, do ódio, de uma guerra civil entre brasileiros. É um inimigo da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.

Da bancada da bala, da qual participa violentos delegados de polícia e corruptos coronéis da polícia, selecionei alguns dos seus petardos mais divulgados.

 

Tortura. Assassinato de presos políticos. Cemitérios clandestinos

 “O único erro foi torturar e não matar.”

“O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.”

“Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas.”

“Pinochet devia ter matado mais gente.”

“Quem procura osso é cachorro.”

 

Violência contra a mulher. Homofobia. Racismo. 

“Já que está difícil ter macho por aí, eu estou me apresentando como macho e ela aloprou. Não pode ver um heterossexual na frente. Ela deu azar duas vezes: uma que sou casado e outra que ela não me interessa. É muito ruim, não me interessa.”

“Não vou estuprar você porque você não merece.”

“Eu não corro esse risco. Meus filhos foram bem educados”(Respondendo pergunta de Preta Gil, como reagiria caso um filho se relacionasse com uma negra)

 

Política. Fidelidade partidária. Corrupção. Nepotismo e curral eleitoral

“Competência? É problema do deputado. Se quiser botar uma prostituta no meu gabinete, eu boto. Se quiser botar a minha mãe, eu boto. É problema meu!”

“O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”

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Bolsonaro já mudou de partido, mais do que Marina Silva. Faz campanha com Aloysio Nunes, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, para derrubar Dilma Rousseff.  Aloysio participou da guerrilha urbana e praticou vários atos terroristas.

Convocou cinco fracassadas marchas, depois do segundo turno em São Paulo, pelo retorno da ditadura.

 

Foi casado com Rogéria Bolsonaro, a quem ajudou a eleger vereadora da capital fluminense em 1992 e 1996, com que teve três filhos: Flávio Bolsonaro — deputado estadual fluminense —, Carlos Bolsonaro — assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro —, e Eduardo. De seu segundo casamento com Ana Cristina, teve Renan.

Em 1988 entrou na vida publica elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Nas eleições de 1990, elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. Seguiriam-se outros quatro mandatos seguidos. Foi filiado ao PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL, hoje DEM (2005), e desde 2005 integra o PP.

 

A ONU pede a cassação de Bolsonaro

 

Bolsonaro cascos

Um órgão de defesa dos direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou, nesta segunda-feira (15), uma declaração do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que durante discurso na Câmara, na última terça (9), disse à colega Maria do Rosário (PT-RS) que “não a estupraria” porque ela “não merece”.

“As declarações são uma ofensa não apenas para a deputada, mas também para a dignidade das mulheres e de todas as vítimas de abusos graves como violência sexual e estupro”, disse o representante para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra. Segundo ele, esse tipo de afirmação é “inaceitável” em uma democracia como a brasileira, principalmente quando se trata de autoridades públicas eleitas por voto popular.

Em nota, Incalcaterra manifestou apoio à representação protocolada contra Bolsonaro, após o episódio, pela Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho Nacional de Direitos Humanos na Procuradoria Geral da República. “Fazemos um chamado ao Congresso Nacional, às autoridades políticas, judiciárias e a toda a sociedade brasileira a condenar amplamente este tipo de discurso de ódio e a defender a dignidade humana em todo momento”, afirmou.

Conhecido principalmente pela postura polêmica, o deputado do PP atacou Rosário, que é ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, ao rebater um discurso feito pela petista em defesa da Comissão da Verdade e das investigações de crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar.

“Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias [na verdade a discussão ocorreu há alguns anos] você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir“, disse.

Foi a segunda vez em que Bolsonaro, na condição de deputado, fez afirmação do tipo a Rosário. Em novembro de 2003, os dois discutiram diante das câmeras da RedeTV! no Congresso Nacional.

 

petardos bolsonaro

Os escândalos do propinato na Petrobras e da cartelização em São Paulo

por Luís Fernando Veríssimo

 

petro

Despidas de todas as suas outras óbvias implicações, as revelações sobre a relação das empreiteiras com as estatais e o poder público são uma aula do capitalismo de compadres em ação. Os escândalos do propinato na Petrobras e da cartelização em São Paulo para assegurar contratos sem obedecer à aborrecida formalidade de licitações provam, como se fosse preciso mais provas, o que está no Marx para principiantes: o caminho natural do capital é para o monopólio.

O compadrio das empreiteiras faz pouco da importância da competição no mercado supostamente autorregulavel da pregação liberal. É compreensível que a direita festeje o embaraço da esquerda com as revelações que levaram diretores de empreiteiras à prisão e podem até punir a Dilma pela audácia de ganhar as eleições. Mas o capitalismo brasileiro também está levando suas lambadas neste entrevero.

O Roberto Campos chamava a Petrobras de ‘Petrossauro’ e entregá-la a estrangeiros mais competentes sempre foi um mantra da direita. Os entreguistas não orquestraram o que está acontecendo com a Petrobras agora, mas, se tivessem planejado sua atual transformação, de orgulho nacional em vergonha nacional, não teriam tido tanto sucesso. É, irônica e dolorosamente, sob um governo de esquerda, aspas à vontade, que o orgulho está chegando a um estado terminal.

Nem a Margaret Thatcher, que privatizou toda a Inglaterra, tocou no serviço nacional de saúde do país, que atravessou governos conservadores e pseudoprogressistas e permanece até hoje como uma espécie de cidadela socialista, sem aspas, em meio à comercialização de tudo.

O Chile de Pinochet seguiu à risca a receita neoliberal da escola de Chicago para a sua economia, mas nem Pinochet acabou com o controle estatal do cobre, que também continua até hoje.

Não se esperava que a cidadela Petrobras, que sobreviveu aos ataques da direita durante todos estes anos, fosse ser atacada por dentro. Mesmo que o governo não esteja envolvido diretamente no esquema da corrupção, é responsável pelo desleixo que a propiciou. E pela alegria dos entreguistas.

 

Nani
Nani

Roberto Carlos morreu

 

por Fernando Monteiro
SUL 21

Dedicado à memória de SOLEDAD BARRETT VIEDMA, companheira do “Cabo Anselmo” — que nem cabo era – e por ele entregue para ser assassinada pelos facínoras da Ditadura que não pode ser aliviada, de modo algum, nas suas culpas tenebrosas perante a História e a hoje democrática (institucionalmente) sociedade brasileira.

É o que estão dizendo, a notícia circulando, parece, desde a manhã, muito cedo, se é verdade, não sei: Roberto Carlos parece que sofreu um acidente, ontem de noite, e morreu hoje, de madrugada, no hospital de Santos, foi na estrada, justo na estrada das curvas que ele cantava: preciso de ajuda/ por favor me acuda/ eu vivo muito só sempre vivi cercado dessas canções, dessas baladas, como todo mundo da minha geração e de mais adiante, ao longo de trinta anos, não é pouco, nunca deixou de se escutar RC, o “Rei” (esse negócio de “Rei” consegue me irritar: rei de quê?, da Jovem Guarda, da vendagem de discos de “Jeesus Cristo, Jeeesus Cristo, Jeeeesus Cristo!, estou aqui”…??, pois então está mesmo, acabou chamando a atenção de JC: morreu, é incrível, a noticia surpreende, faz a gente parar – será que é verdade? – embora eu esteja me lixando, na verdade é o que eu estou, me l-i-x-a-n-d-o mesmo, a caminho do trabalho, mais uma vez atrasado e abalado, mas não porque Roberto Carlos morreu, ora bolas, todos têm de morrer, os cantores e os fãs dos cantores, se Frank Sinatra cantava parecendo que não iria morrer – olhava firme para algum ponto obscuro da platéia fascinada, erguia o braço direito com um anel de pedra no dedo mínimo, os olhos faíscando daquele azul de alumínio lixado – e eu me lixei quando, também, quando o velho mafioso morreu, meus abalos são mais fundos, são pessoais, mais íntimos, não posso ficar abalado porque Roberto Carlos morreu, sem faísca nos olhos apagados, beijando a santinha de Aparecida com seus cabelos pintados de “rei” ancião da jovem guarda que não quer morrer.

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Brasil abasteció a Pinochet de sustancias bioquímicas para envenenar adversarios

pobre Chile!

Las neurotoxinas botulínicas producen intoxicación y llevan a la muerte por asfixia

por Juan Arias
El País/ Es

Las armas químicas que el dictador chileno Augusto Pinochet usó para envenenar a sus adversarios políticos se llamaban neurotoxinas botulínicas y fue el Gobierno de la dictadura militar brasileña quién se la proveyó.

El balance oficial de muertos durante los 17 años en que el dictador chileno estuvo en el poder (1973-1990) fue de 3.225 muertos y desaparecidos, además de los 37.000 presos políticos. Parte de esas muertes fueron provocadas por envenenamiento con el arma bioquímica llegada desde Brasil, un veneno mucho más fuerte que el cianuro. La neurotoxina botulínica produce intoxicación con parálisis y lleva a la muerte por asfixia.

Como es sabido, Brasil apoyó el golpe militar chileno de 1973. El entonces Gobierno militar de Brasilia ofreció plena ayuda a Pinochet, desde financiera a diplomática. Ambos Gobiernos dictatoriales continuaron socorriéndose mutuamente durante los años de la represión.

Lo que era menos conocido y que es indagado por los actuales Gobiernos democráticos de Brasil y Chile es la ayuda bioquímica que Brasil ofreció a Pinochet para poder eliminar con mayor eficacia a sus adversarios políticos, como informa el diario brasileño O Globo.

Para disimular el contrabando de la toxina obtenida en Brasil se usó como fachada el Instituto Bacteriológico chileno, hoy Instituto de Sanidad Pública (IPS). Ha sido la médica, Ingrid Heltmann Ghigliotto, exdirectora del IPS que estuvo presa durante el régimen militar, quien ha contado a la agencia DPA que encontró en los sótanos del instituto dos cajas con ampollas de toxinas botúlicas del Instituto Butantan de Sâo Paulo, que hubiesen sido suficientes para matar a la mitad de los habitantes de Santiago de Chile.

El Ministerio de Sanidad de Brasilia afirma que no posee registros de envíos al antiguo Instituto Bacteriológico de Santiago. A su vez, en Sâo Paulo, el Instituto Butantan dice que no le consta el envío de anatoxina botúlica a Chile en la década de los 70 a los 80.

Fue la CIA la primera que habría descubierto en 1978 el interés del dictador chileno por el uso de armas químicas como las que le llegaban desde Brasil para eliminar con mayor eficacia a sus adversarios.

Mientras comienza a identificarse a los chilenos involucrados en la historia, se desconocen aún los colaboradores en Brasil que ofrecieron a Pinochet la toxina mortífera. En este país están en curso los trabajos de la Comisión de la Verdad, creada por la presidenta Dilma Rousseff para esclarecer todos los crímenes perpetrados durante la dictadura militar que aún siguen ocultos o en el olvido. Podría ser una ocasión para conocer a ciencia cierta la verdad y la envergadura sobre estas informaciones que la justicia chilena está investigando.

MARCHA ESTUDIANTIL A 40 AÑOS DEL GOLPE MILITAR

CADÁVER DE PINOCHET GOVERNA O CHILE DOMINADO POR UM GOVERNO DE ZUMBIS E UMA DAS POLÍCIAS MAIS VIOLENTAS DO MUNDO

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Jueces chilenos pidieron perdón por omisiones en la dictadura de Pinochet

[Quando a Justiça brasileira vai fazer o mesmo? Até a Globo pediu perdão]

La dictadura de Augusto Pinochet dejó poco más de 40 mil víctimas, tres mil 200 fatales, entre las que se incluyen todavía un millar de desaparecidos forzados. Los jueces solicitaron al actual presidente de la Corte Suprema, Milton Juica, hacer también un pedido de perdón.

Durante la dictadura de Augusto Pinochet, unas 40 mil personas resultaron víctimas de violaciones a los derechos humanos
Durante la dictadura de Augusto Pinochet, unas 40 mil personas resultaron víctimas de violaciones a los derechos humanos

La Asociación de Magistrados del Poder Judicial de Chile pidió perdón este miércoles a las víctimas de la dictadura de Augusto Pinochet y sus deudos “por acciones y omisiones cometidas” durante el régimen militar (1973-1990).

“Ha llegado la hora de pedir perdón a las víctimas, sus deudos y la sociedad chilena”, dijo la agrupación de jueces en una inédita declaración pública a 40 años del golpe de Estado que derrocó el gobierno del socialista Salvador Allende e instaló la dictadura de Pinochet, el 11 de septiembre de 1973.

“Hay que decirlo y reconocerlo con claridad y entereza: el Poder Judicial y, en especial, la Corte Suprema de la época, claudicaron en su labor de tutelar los derechos fundamentales y proteger a quienes fueron víctimas del abuso estatal”, agrega la declaración.

La dictadura de Augusto Pinochet dejó poco más de 40 mil víctimas, tres mil 200 fatales, entre las que se incluyen todavía un millar de desaparecidos forzados.

“La inadmisibilidad o el rechazo por parte de nuestros tribunales de miles de recursos de amparo, muchos de los cuales fueron fundadamente interpuestos en nombre de compatriotas de cuya suerte nunca más se supo, la negativa sistemática a investigar las acciones criminales perpetradas por agentes del Estado y la renuencia a constituirse personalmente en centros de detención y tortura, sin duda alguna, contribuyeron al doloroso balance que en materia de derechos humanos quedó tras ese gris período”, agregaron.

En la nota, los jueces solicitan al actual presidente de la Corte Suprema, Milton Juica, hacer también un pedido de perdón.

“La respuesta que esperamos aliviará a las actuales y futuras generaciones de magistrados de la vergüenza y oprobio anudados a este capítulo de nuestra historia”, agrega la declaración.

Organizaciones sociales y movimientos civiles chilenos celebran este miércoles el 43 aniversario de la victoria del expresidente Salvador Allende, un Gobierno enmarcado en la participación política del pueblo y de reivindicación ciudadana.

Salvador Allende, quien fuese electo presidente de la República de Chile el 4 de septiembre de 1970, inició una transformación política y social para el pueblo chileno, ávido de justicia e igualdad. Sin embargo sus trabajos por el bienestar social fueron truncados tras ser víctima hace 40 años del golpe de Estado líderado por el dictador Augusto Pinochet, quien instaló su dictadura el 11 de septiembre de 1973.

Discursos que anticipan el estallido. Comunicación política en contextos neoliberales

por Rodrigo F. Miranda

 

La aplicación de las políticas neoliberales en distintas partes del mundo desde la década de los 70 hasta la actualidad en el Sur de Europa, han ido acompañadas de una fuerte estrategia comunicativa que manifiesta grandes similitudes.

 

indignados receita neoliberal

“La ideología neoliberal colma de tranquilidad a los más pudientes”

(Jean Ziegler)

Más allá de sus implicaciones sociales, políticas y económicas, la implementación del neoliberalismo tiene también connotaciones en el ámbito de la comunicación. Analizando algunas experiencias históricas del modelo, ¿cómo se configuran los discursos de los representantes públicos antes, durante y después de la puesta en marcha de estas políticas?

Desde finales de los años 70 distintos Gobiernos de democracias occidentales iniciaron la aventura neoliberal, tanto en países centrales como periféricos. La puesta en marcha del recetario (un paquete simple y homogéneo de medidas que no necesita adaptarse a los diferentes contextos a los que se aplicaba) supuso en todos los casos importantes esfuerzos de comunicación.

Un análisis de la comunicación política en contextos de neoliberalismo podría comenzarse unos años antes, en las dictaduras de Augusto Pinochet en Chile (1973) o la Junta Militar en Argentina (1976). No obstante, a estos gobiernos cívico-militares no les fue necesario utilizar el arte de la persuasión política para aplicar o justificar las medidas neoliberales: la sistematización de asesinatos, persecuciones, secuestros, torturas y demás formas de terrorismo de Estado impedían toda crítica a sus programas y hacían vano el uso de cualquier argumento.

Por lo tanto, se tomarán como punto de partida los Gobiernos de Margaret Thatcher Ronald Reagan a finales de los 70 y la década de los 80 en Inglaterra y Estados Unidos, continuando en algunos países de América Latina durante los años 90 y principios de 2000, y finalizando en la actualidad en el sur de Europa.

A partir del ensamblaje de algunas piezas clave de los discursosde los principales responsables políticos en estos distintos momentos históricos, se puede ilustrar cómo se modula y articula el discurso del poder en contextos neoliberales. Un esquema discursivo coherente, integrado por un puñado de ideas repetidas hasta el hartazgo. Relatos que, por su reiteración y simplificación, pueden alcanzar un fuerte grado de interiorización social, incorporándose al “sentido común”.

Medidas que no se anuncian: en campaña nadie es neoliberal

Dado que no existe un partido que públicamente asuma una ideología neoliberal (y seguramente nunca vaya a haber un “partido neoliberal” como tal), este modelo llegó a las democracias occidentales de la mano de partidos políticos de los más diversos colores ideológicos. Partidos de tradición conservadora o socialdemócrata,  formaciones de nueva creación, espacios históricamente vinculados al movimiento obrero y sindical o bien coaliciones de partidos [1].

Teniendo en cuenta que las recetas neoliberales han afectado y afectan necesariamente de forma negativa a amplias mayorías sociales, resultan impopulares. Un asunto que no pasa desapercibido para los expertos en marketing político y propaganda. ¿Quién sería capaz de incluir en su programa electoral medidas que van a perjudicar a la mayoría de la población?

En todos los casos, estos partidos llegaron al poder con los países en situación de crisis financiera, desempleo, deuda pública o inflación elevados, y por ende con un grado de descontento social. Las promesas electorales durante las campañas se centraron en ofrecer soluciones a estos escenarios, omitiendo la concreción de cómo se llegaría a éstas [2]. Ninguno de los entonces candidatos habló de recortes de inversión pública, de abandono de la tutela social del Estado, de privatizaciones de bienes y servicios públicos, de reducción de puestos de trabajo y achicamiento del Estado o de mercantilización de derechos sociales.

De esta forma, con propuestas abstractas, una fuerte inversión publicitaria y valiéndose de los errores de sus predecesores, ThatcherReaganMenemFujimoriSánchez de LozadaRajoy o Samarás, entre otros, se alzaron con el poder del Estado.  Recién en ese momento, las buenas intenciones y la abstracción de los programas dieron paso a la aplicación del recetario neoliberal.

Empezando a mostrar las cartas: “no hay alternativa”

Fue Margaret Thatcher quién inmortalizara en 1979 la frase “no hay alternativa”, en relación a que el neoliberalismo era la única opción posible, dadas las circunstancias sociales y económicas por las que atravesaba Gran Bretaña en ese momento. Una frase tantas veces repetida por la Dama de Hierro que desde entonces comenzó a utilizarse como sigla, TINA (“There Is No Alternative”).

En el inicio de la puesta en marcha de un programa neoliberal, esta consigna es una de las claves en la comunicación política. El presidente del Gobierno español decía en 2012 que “el Gobierno ha tenido que hacer cosas que no le gusta hacer para salir de la grave situación en la que se encuentra”. Dicho de otra forma, “ya nos gustaría poder hacer otra cosa, pero con la herencia que hemos recibido, no tenemos otra alternativa que hacer esto”.

El argumento que justifica el ajuste estructural del Estado es la necesidad de reducción del déficit público, ocultando la fuerte transferencia de riqueza desde el sector público hacia el privado concentrado. Siguiendo con el mandatario español, “corregir el déficit es una obligación y algo imprescindible para España”, o”recortar (…) es imprescindible porque en este momento no hay dinero para atender a los servicios públicos”.

En este punto, y para apoyar esta idea, suelen usarse sobre-simplificadas explicaciones del funcionamiento económico. Margaret Thatcher aclaraba décadas atrás “esta verdad fundamental: el Estado no tiene más dinero que el dinero que las personas ganan por sí mismas y para sí mismas. Si el Estado quiere gastar más dinero, sólo puede hacerlo endeudando tus ahorros o aumentando tus impuestos. No es correcto pensar que alguien lo pagará. Ese «alguien»eres «tú». No hay «dinero público», sólo hay «dinero de los contribuyentes»”.

Otros ejemplos de lo mismo: un referente del neoliberalismo en Argentina, Domingo Cavallo [3], mientras anunciaba como Ministro de Economía en 2001 el enésimo ajuste del gasto público, afirmaba que “hay que ir a déficit cero y dejar de vivir de prestado”. También Rajoy arrojaba luz sobre esta cuestión en 2012 asegurando que “lo que no se puede gastar es lo que un país no tiene”.

Como puede verse, resulta curioso que la comunicación de la economía neoliberal, según sea conveniente, puede apoyarse en modelos inteligibles sólo para un selecto grupo de “expertos” (ocultación) o, por el contrario, puede ser tan simplista como las afirmaciones anteriores (reduccionismo). “La teoría económica convencional acostumbra a practicar, no se sabe muy bien si a partes iguales, la ocultación y el reduccionismo desvirtuando el carácter y la percepción de la economía” (Martinez González-Tablas & Álvarez Cantalapiedra, 2013).

Además de querer minimizar la pérdida inexorable de apoyo popular, la idea de la inexistencia de alternativas al neoliberalismo también tiene como trasfondo un intento de des-ideologizar el modelo, queriendo instalarlo en la opinión pública como si fuera una cuestión referente a las ciencias puras. “No nos gusta lo que estamos haciendo (no elegimos, no es ideología), pero no tenemos opción (es una decisión científica)”.

Además de su inevitabilidad y su carácter científico, existen otras cartas de presentación del modelo. La primera, como una “modernización” de las instituciones democráticas y el aparato productivo. Cavalloafirmaba que “vivimos una época de modernización de todo el aparato productivo después de que Argentina había quedado rezagada en todos los sectores”. La segunda, que existe una suerte de consenso global sobre la adopción de este tipo de medidas. “Hay que recuperar la confianza de los mercados” o “hay que estar insertado en el mundo” son frases utilizadas repetidas veces por la primera línea del Partido Popular español.

Ya puesto en marcha el recetario neoliberal, parte de la sociedad, el periodismo y la oposición parlamentaria exige a los Gobiernos explicaciones por la incoherencia entre las propuestas plasmadas durante la campaña electoral y las medidas de política real que se implementan.

En este punto, se pueden ver dos estilos diferenciados de un particular mea culpa. Uno más pragmático:Mariano Rajoy afirmaba en 2013 que “quién me ha impedido cumplir mi programa es la realidad” o “dije que bajaría los impuestos y los estoy subiendo (…) han cambiado las circunstancias y tengo que adaptarme a ellas”. Otro estilo, impunemente “sincericida”: el ex presidente Carlos Menen declaraba meses después de comenzar su andadura neoliberal en la Argentina que “si yo hubiera dicho lo que iba a hacer, nadie me hubiera votado”.

Primeros impactos: “Estamos mal, pero vamos bien”

Cuando los impactos de las medidas neoliberales, en lugar de atenuar la situación de dificultad e insatisfacción que sufrían distintos sectores sociales antes de su puesta en marcha, evidencian un rápido empeoramiento de sus condiciones de vida, un retroceso de sus derechos sociales y un aumento del descontento social, la retórica de los representantes políticos y portavoces del poder debe dar un nuevo giro.

Cuando las cosas empeoran para la mayoría, se intenta transmitir el hallazgo de “brotes verdes”, de una ilusoria “luz al final del túnel”. La idea es que los “sacrificios” que viene haciendo el grueso de la ciudadanía bajo el yugo del libre mercado y sin tutela del Estado están empezando a dar sus frutos. Aunque éstos todavía no sean visibles para los sacrificados por el modelo.

En un discurso en 1996, Menem sentenciaba que “estamos mal, pero vamos bien”. En la misma dirección, Rajoy afirmaba en 2013 que “aún no podemos decir que España va bien, pero va mejor y el rumbo marcado es el correcto”. Este intento por vender esperanza e ilusión a sus votantes tiene como fin seguir pidiéndoles “sacrificios”.

Otra línea argumental consiste en incidir en que las decisiones que adopta el Gobierno son responsabilidad deotros actores o circunstancias.Principalmente, los resultados de las políticas de sus predecesores: afirmaba Mariano Rajoy, con el país plagado de protestas y movilizaciones como consecuencia de las medidas de su Gobierno, que “el PSOE carga con una culpa histórica. Hay que decirlo alto y claro”. Thatcher decía que “curar la enfermedadde Gran Bretañacon el socialismo es como intentar curar la leucemia con sanguijuelas”. Y Menem, incluso hasta el último año de su década de mandato, no desistía en señalar “la pesada herencia” dejada por su antecesor.

La culpa de la política y de lo público

El debilitamiento y la denostación de la política y lo público son condiciones sine qua non para la implementación del modelo neoliberal.

Desacreditar a la política como un instrumento de transformación a disposición de las mayorías promueve la desafección y, de esta manera, facilita que ésta pase a ser de dominio del poder económico concentrado. Ronald Reagan dejaba a las claras su visión sobre la política. “Se supone que la política es la segunda profesión más antigua de la Tierra. He llegado a la conclusión de que guarda una gran semejanza con la primera”.

Igualmente prostituido debe quedar lo público. Un ex ministro menemista, Roberto José Dromi, en referencia a las políticas de privatizaciones del Gobierno, afirmaba: “nada de lo que deba ser estatal permanecerá en manos del Estado”. No es un dato menor que Dromi en ese momento fuera Ministro de Obras y Servicios Públicos del Estado nacional argentino.

Si la política y lo público son partes del problema, las soluciones deben pasar por lo individual.En palabras de Margaret Thatcher “Están situando el problema en la sociedad. Y «la sociedad»no existe. Hay hombre y mujeres individuales, y también hay familias. Ningún gobierno puede hacer nada excepto a través de cada persona, y las personas necesitan mirar por sí mismas en primer lugar. Es nuestra obligación mirar por nosotros mismos, y después por nuestro vecino”.

Discursos que anticipan el estallido

Cambian los momentos históricos, los contextos mundiales, los territorios y los Estados-nación, las condiciones materiales de subsistencia de los pueblos, los nombres o las tendencias ideológicas de los partidos políticos. Pero en los casos analizados hay al menos tres cosas que no se alteran: las recetas en política económica, sus impactos sociales y los conceptos subyacentes al discurso de quienes, desde las instituciones políticas, deben implementarlas y legitimarlas.

Discursos que niegan lo que van a hacer, lo que hacen, y también las consecuencias de lo que hacen. Discursos que buscan responsables fuera, desacreditan a la política, injurian lo público y tiñen decisiones ideológicas de científicas. ¿Lo hacen por pragmatismo de realpolitik o por vergüenza ideológica?

Más allá de las palabras, parece evidente que los gobiernos neoliberales hacen lo que quieren hacer y saben lo que ello implica. Quieren instalar un nuevo “contrato social” que busque la legitimación de otro régimen de propiedad, con clases dominantes mucho más dominantes, un desmantelamiento y privatización del Estado, y la primacía de la competencia y la lógica mercantil en una sociedad  individualista, insolidaria y descohesionada.

Dado que este sistema político y económico profundiza la desigualdad y la injusticia social, empobrece y expulsa a grandes mayorías, estos gobernantes,condenadosa recoger el apoyo popular, necesitan un relato fuerte para poder implementar la versión más voraz que ha conocido el capitalismo en su historia.

Más allá de las palabras, los gobiernos neoliberales han dejado o están dejando los mismos legados económicos, sociales y políticos. Los discursos analizados anticipan el estallido de una crisis social que se va gestando durante todo el tiempo que duran estas medidas. Más allá de que se repita incesantemente la idea de que “no hay alternativa”, en última instancia, y como dijera José Saramago: “la alternativa al neoliberalismo se llama conciencia”.

Kike Estrada
Kike Estrada

 

Notas:

[1] Por ejemplo, Margaret Thatcher llegó al Gobierno desde el Partido Conservador, Ronald Reagan desde el Partido Republicano o Mariano Rajoy desde el Partido Popular. Por su parte, Alberto Fujimori ganó las elecciones generales peruanas con formaciones nuevas, como Cambio 90 y Nueva Mayoría; Carlos Menen se alzó con el poder desde el Partido Justicialista, Fernando De la Rúa fue electo presidente argentino con la Alianza, y Antonis Samarás fue nombrado Primer ministro griego con Nueva Democracia en coalición con PASOK y DIMAR.

[2] Algunoseslóganes de estas campañas coincidieron en sus ideas abstractas. “Amanece en América” o “América ha vuelto” (Ronald Reagan, EEUU);  “Revolución productiva y salariazo” (Menem, Argentina); “El laborismo no funciona” (Thatcher, Inglaterra);  “Perú, país con futuro”(Fujimori, Perú); “Súmate el cambio” (Rajoy, España).

[3] Cavallo fue presidente del Banco Central durante la Dictadura Militar argentina (1981), Ministro de Economía durante la presidencia de Carlos Menem (1991-1996) y también durante la de Fernando De la Rúa (2001).  

 

Bibliografía citada:
Martínez González-Tablas, A. & Álvarez Cantalapiedra, S. (2013). “Aportaciones para una representación compleja y abierta del sistema económico capitalista”. Revista de Economía Crítica n. 15.

O novo Papa e a atualidade do espírito de São Francisco

por Leonardo Boff

Lucas Nine
Lucas Nine

Pelo fato de o atual papa ter escolhido o nome de Francisco, muitos voltaram a se interessar por essa figura singular, talvez uma das mais luminosas que o cristianismo e o próprio Ocidente já tenham produzido: Francisco de Assis.

Seguramente, podemos dizer que, quando o cardeal Bergoglio escolheu esse nome, quis sinalizar um projeto de Igreja na linha do espírito de são Francisco, que optou por viver o evangelho puro, ao pé da letra, na mais radical pobreza, numa simplicidade quase ingênua e numa humildade que o colocava junto à terra, no nível dos mais desprezados da sociedade. Nunca criticou o papa ou Roma. Simplesmente, não lhes seguiu o exemplo. Para aquele tipo de Igreja e de sociedade, confessava explicitamente: “Quero ser um ‘novellus pazzus’, um novo louco” – louco pelo Cristo pobre e pela “senhora dama” pobreza, como expressão de total liberdade: nada ser, nada ter, nada poder, nada pretender.
Resistiu o mais que pôde e, no fim, teve que se render à mediocridade e à lógica das instituições que pressupõem regras, ordem e poder. Mas não renunciou ao seu sonho. Frustrado, voltou a servir aos hansenianos, deixando que seu movimento, contra sua vontade, fosse transformado na Ordem dos Frades Menores.

A humildade ilimitada e a pobreza radical lhe permitiram uma experiência que vem ao encontro de nossas indagações: é possível resgatar o cuidado e o respeito para com a natureza?
Francisco mostrou essa possibilidade e sua realização mediante uma prática vivida com simplicidade e paixão. Ao não possuir nada, entreteve uma relação direta de convivência, e não de posse, com cada ser da criação.

QUESTÃO DE RESPEITO

A pobreza e a humildade assim praticadas não têm nada de beatice. Supõem algo prévio: o respeito ilimitado diante de cada ser. Cheio de devoção, tira a minhoca do caminho para não ser pisada, enfaixa um galhinho quebrado para que se recupere, alimenta no inverno as abelhas que esvoaçam perdidas. Ao renunciar a qualquer posse de bens, rechaçando tudo o que poderia colocá-lo acima de outras pessoas e acima das coisas, possuindo-as, emergiu como irmão universal. Foi ao encontro dos outros com as mãos vazias e o coração puro, oferecendo-lhes apenas a cortesia, a amizade, o amor desinteressado, cheio de confiança e ternura.

A fraternidade universal surge quando nos colocamos com grande humildade no seio da criação, respeitando todas as formas de vida e cada um dos seres. Essa fraternidade cósmica, fundada no respeito ilimitado, constitui o pressuposto necessário para a fraternidade humana. Sem esse respeito e essa fraternidade, dificilmente a Declaração dos Direitos do Homem terá eficácia. Haverá sempre violações, por razões étnicas, de gênero, de religião e outras.

Essa sua postura de fraternidade cósmica, assumida seriamente, poderá animar nossa preocupação ecológica de salvaguarda de cada espécie, de cada animal ou planta, pois são nossos irmãos e irmãs. Sem a fraternidade real, nunca chegaremos a formar a família humana que habita a “irmã e Mãe Terra” com respeito e cuidado. Essa fraternidade demanda inarredável paciência, mas encerra também uma grande promessa: ela é realizável. Não estamos condenados a liberar o animal feroz que nos habita e que ganhou forma em Videla, Pinochet, Fleury e em outros covardes torturadores.
Oxalá o papa Francisco de Roma, em sua prática de pastor local e universal, honre o nome de Francisco e mostre a atualidade dos valores vividos pelo “fratello” de Assis.