Lula: “Se eles querem guerra, eu sei lutar também”

Ato pela Petrobras é marcado por discurso inflamado de Lula

 Foto Ricardo Stuckert
Foto Ricardo Stuckert

“Dilma ganhou a eleição democraticamente, tem que levantar a cabeça e cuidar do país. Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também”. Em ato, Lula disse que está pronto para defender a Petrobras, defender a reforma política e a democracia.

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“Somos 200 milhões de petroleiros”. A frase estampada na faixa aberta por militantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) retrata o espírito que animou o ato em defesa da Petrobras realizado na noite de ontem (24) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro.

Com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ato contou com expressiva presença de representantes de sindicatos, movimentos sociais e entidades de classe, além de estudantes, artistas e jornalistas.

Recebido aos gritos de “guerreiro do povo brasileiro”, o ex-presidente Lula fez uma comparação entre o atual momento político brasileiro e as campanhas de desestabilização contra Getúlio, Juscelino Kubitscheck, João Goulart e ele próprio (em 2005, na época das denúncias sobre o mensalão): “Querem punir a Petrobras e criminalizar a política. Essa empresa é motivo de orgulho para mim e para todos os brasileiros. A gente não pode jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas em uma família de 86 mil trabalhadores”.

“O que estamos vendo é a criminalização da ascensão social de uma parte da sociedade brasileira. Como vimos na campanha eleitoral, para eles é ofensivo as pessoas receberem Bolsa-Família, é ofensivo as pessoas participarem do Pro-Uni. A elite não se conforma com a ascensão social dos pobres que está acontecendo neste país”, completou o ex-presidente.

Lula defendeu a reforma política: “Qual a regra da democracia? Querem mudar, vamos mudar. Podemos começar transformando o financiamento privado de campanha em crime inafiançável”, disse.

Lula disse que a presidenta Dilma Rousseff tem que “levantar a cabeça e dizer: eu ganhei as eleições e vou governar. A Dilma não pode e não deve ficar dando trela, senão o país fica paralisado”.

Outro recado foi dirigido à militância: “Sou filho de uma mulher analfabeta. de um pai analfabeto. E o mais importante legado que minha mãe deixou foi o direito de eu andar de cabeça erguida e ninguém vai fazer eu baixar a cabeça neste país. Honestidade não é mérito, é obrigação. Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também”, desafiou.

O ex-presidente também criticou os grandes veículos de comunicação do Brasil: “Não precisa mais de Justiça. Se a imprensa falou está falado. Mas cheguei à Presidência [da República] duas vezes sem ela.”

Vídeo da íntegra do discurso de Lula no ato da Petrobras aqui

 

 

 

 

Do pibinho à eleição

por Woden Madruga

 

Duke
Duke

 

Ouvia a CBN com mais uma manchete negativa para a economia brasileira: “A produção industrial, em abril, cai pelo segundo mês consecutivo”. Fala de uma queda de 0,3% na comparação com o mês de março. Somando os dois meses, o baque chega a 0,8%. Os números são do IBGE. Semana passada o destaque nos cadernos de Economia foi o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (a soma de todos os bens e serviços), o tal PIB. Dizia a notícia: “As previsões para a economia brasileira pioraram. A previsão de alta do PIB baixa para 1.5% para este ano”. Os dados são do Banco Central. Ouvia a CBN quando vi na internet o artigo de Dora Kramer, no Estadão de ontem, no rasto de uma outra pesquisa, agora do Pew Research Center, dos Estados Unidos, de olho na economia brasileira. Dora Kramer coloca na sua análise uns temperos da política brasileira, passando pela Copa e lembrando as intervenções metafóricas de Lula com seus jumentos. Título do artigo: “Oito ou oitenta”. A pedido do mestre Gaspar, transcrevo-o por inteiro:

“A pesquisa do instituto americano Pew Research Center traduz em números e ajuda a organizar um pouco o raciocínio sobre os humores da sociedade brasileira que passou da euforia algo míope – para não dizer abobalhada – para um estado de mau humor à deriva.

É sempre salutar o despertar de consciências, mas, como aponta a responsável pela pesquisa, Juliana Horowitz, chama atenção a mudança tão radical. Segundo ela, nos 82 países pesquisados desde 2010, oscilações semelhantes só foram observadas naqueles abatidos por graves crises ou rupturas institucionais.

“Antes” (dos protestos de junho de 2013 ou do quê?) não havia nada errado, estava tudo na mais santa paz; agora o clima é de véspera de fim de mundo.

Ainda que pipocassem escândalos de corrupção por todos os lados e que a cúpula do partido do governo estivesse denunciada e prestes a ser julgada por comprar a maioria no Congresso, este mesmo governo foi reeleito e ainda ganhou o direito a mais um período dando ao então presidente o cheque em branco pedido por ele para a eleição da sucessora.

Os números sobre o desempenho do governo são impressionantes: 86% desaprovam o combate à corrupção, 85% estão insatisfeitos com a situação de insegurança pública, 84% repudiam o serviço de saúde, 76% desaprovam o sistema de transportes, 71% não concordam com a política externa, 71% acham ruim a educação, 67% estão contra as preparações para a Copa do Mundo, 65% revoltam-se contra a pobreza e 63% estão em desacordo com a situação da economia.

Justamente a economia, o item apontado como o grande vilão da insatisfação, o fator ao qual se atribui o agrado ou desagrado em relação a um governo, é o que tem o índice menos alto. No entanto, é o setor que mais de deteriorou. Os outros já vinham devidamente degradados. Mesmo no tempo da euforia com o consumo desenfreado, do Brasil que dava lições aos Estados Unidos e à União Europeia, do ilusionismo dos sucessivos PACs, cujas obras atrasadas ou não iniciadas não serviram de sinais de alerta para a incapacidade objetiva de fazer acontecer de maneira decente uma Copa e uma Olimpíada.

Era evidente que a farra não duraria sempre. A situação externa não explica tudo, porque países em desenvolvimento como o Brasil saíram-se muito melhor nesse período porque fizeram outras escolhas. As ações aqui foram todas referidas no imediatismo da conquista da unanimidade com fins de obtenção de hegemonia política, social e cultural.

Para ganhar eleições, vende-se otimismo. Mas, para que o poder perdure é preciso entregar o prometido e, da maneira como as coisas foram conduzidas desde o início, era evidente que a conta chegaria.

Não viu quem não quis ou quem achou que a bonança é eterna e não tem preço. Um palpite para o motivo da irritabilidade à deriva? A retirada do palco de Lula como exímio animador de plateias. Levou a maioria na conversa até quando era evidente o vazio, quando não a enganação, da conversa. Saiu de cena o ilusionismo e o país se viu no convívio diário com a realidade.

E o produtor daquela euforia extrema, o homem das metáforas futebolísticas, o líder das massas, a alegria do povo, o presidente que trouxe a Copa para o Brasil onde estará nos jogos do Mundial, inclusive na abertura no estádio de seu Corinthians do coração? Segundo ele, em casa, vendo tudo pela televisão.

A fim de não correr o risco de ser alvo do mau humor à deriva nos estádios aonde o brasileiro ‘vai a pé, descalço e de jumento’.”

 

Emilio Agra
Emilio Agra

Quando o censor é o próprio Judiciário é hora de começarmos a nos preocupar

por Noélia Brito

Noélia Brito
Noélia Brito

A Constituição Federal traz em seu bojo um sistema protetivo das garantias e direitos individuais e coletivos que inclui de maneira expressa tanto o direito à informação, passando pelo direito à livre manifestação do pensamento e culminando com a vedação a toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística e ainda a qualquer restrição à manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo.

Entretanto, alguns magistrados brasileiros, em especial, em Pernambuco, têm preferido ignorar o texto constitucional, para conferir a alguns agentes públicos e figuras políticas absurda blindagem, atribuindo-lhes verdadeira imunidade, sequer deferida a quem ocupa o cargo político máximo da Nação, que é a presidência da República.

As decisões de alguns juízes e desembargadores pernambucanos chegam ao escárnio institucional de proibir toda e qualquer referência sobre qualquer notícia que diga respeito a esses cidadãos acima da lei e que ocupam cargos importantes na estrutura política de nosso Estado.

As decisões em questão transformaram seus protegidos em verdadeiros intocáveis, quando nosso sistema constitucional veda a criação de cidadanias privilegiadas. Por vontade desses julgadores, membros do Poder Judiciário e do Poder Executivo e até marqueteiros de políticos e partidos foram alçados à qualidade de majestades, onde qualquer crítica ou notícia que não lhes seja elogiosa ou favoráveis devem ser implacavelmente proibidas, sob pena de pagamento de pesadas multas, para que a população em geral permaneça ignorante sobre a realidade que se oculta nos diários oficiais, que ninguém lê e nos sites de acompanhamento judicial, que ninguém visita.

Não satisfeitos em mandar retirar do ar notícias que gestores descompromissados com a transparência querem ocultar, esses juízes e desembargadores ainda instituem ignominiosa censura prévia contra os cidadãos que ousam exercer sua cidadania e denunciar, exigir e cobrar dos gestores públicos transparência da administração de bens, recursos e serviços públicos.

“A EXPRESSÃO MAIS ODIOSA DA FACE AUTORITÁRIA”

A situação em Pernambuco de censura ilegal e inconstitucionalmente por alguns membros do Judiciário local contra a cidadania é tão grave que já começa a merecer uma denúncia ao CNJ e aos órgãos de proteção aos direitos humanos, órgãos estes que, este ano, já colocaram o Brasil no banco dos réus dos direitos humanos internacionais, justamente por violar tratados internacionais sobre a liberdade de expressão.

As decisões de alguns juízes e desembargadores do TJPE que censuram cidadãos em suas críticas e publicações sobre processos criminais, ações de improbidade, investigações pelo Ministério Público de tráfico de influência, entre outros crimes ou mesmo de atos de gestão administrativa, tais como dispensas e inexigibilidade de licitações milionárias têm proliferado em nosso Estado e de acordo com o Ministro Marco Aurélio do STF são “a expressão mais odiosa da face autoritária do poder público.”

A cidadania, assim, vê-se em perene ameaça de ser vítima de novos ataques à liberdade de expressão e informação, tão caras à nossa jovem democracia. Como destacou o relator da ADCP nº 130, Ministro Ayres Britto, que decidiu pela não recepção da Lei de Imprensa pela Constituição de 1988, o “pensamento crítico é parte integrante da informação plena e fidedigna. O possível conteúdo socialmente útil da obra compensa eventuais excessos de estilo e da própria verve do autor. O exercício concreto da liberdade de imprensa assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero ou contundente, especialmente contra as autoridades e os agentes do Estado. A crítica jornalística, pela sua relação de inerência com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível de censura, mesmo que legislativa ou judicialmente intentada. O próprio das atividades de imprensa é operar como formadora de opinião pública, espaço natural do pensamento crítico e real alternativa à versão oficial dos fatos’.

Merece nosso mais absoluto repúdio os atentados que têm sido praticados contra nosso regime democrático, via Judiciário e em flagrante desrespeito à própria Constituição e em afronta escandalosa à Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, com o intuito flagrante de blindar aqueles que deveriam antes de qualquer outro cidadão, prestar contas à sociedade, em razão dos cargos públicos que exercem ou que um dia exerceram. Quando é o próprio Judiciário quem fragiliza a democracia é hora de começarmos a nos preocupar. Transcrevi trechos. Leia mais 

 Bernard Bouton
Bernard Bouton

A CENSURA E A DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO

[Nota do redator do blogue: A justiça pernambucana na censura a Ricardo Antunes criou a persona “jornalista inimigo”. No caso da mordaça e cabresto para Noélia Brito: “repercussão viral”, uma expressão estranha às Ciências da Comunicação e à Ciência do Direito.

Viral é a peste da corrupção. Se uma pessoa comum  faz uma denúncia, dever da justiça investigar, e não punir quem exerceu o direito de cidadania. A impunidade é mãe de todos os crimes.

A justiça não pode ser contra o jornalismo investigativo e o jornalismo opinativo. Nem à crítica, quando o debate constitui a alma do jornalismo e da democracia.

Cito o Papa Francisco: “O futuro está na diversidade, não na homogeneização de um pensamento único, teoricamente neutro”. O último reduto do pensamento único, em uma democracia,  é a propaganda política. E a censura é uma arma letal da persuasão.

Noélia Brito tem um blog censurado. Primeiro quero lembrar que a ONU decidiu classificar os blogueiros como jornalistas onlines]

O BIZARRO EUFEMISMO REPERCUSSÃO VIRAL 

Transcrevo reportagem de Antonio Nelson:

A secretária de Educação de Ipojuca, Margareth Zaponi ingressou com a ação nº 0074071-68.2013.8.17.0001,com a finalidade de censurar Noelia, que havia publicado artigos sobre contratos e dispensas de licitação da prefeitura de Ipojuca e do governo Eduardo Campos, da época em que Margareth Zaponi era secretária de Rede da Secretária de Educação da gestão.

O juiz Paulo Torres, da 20ª Vara Cível do Recife, negou a liminar para Zaponi censurar Noelia, mas através de um agravo de instrumento (315177-5), o desembargador Patriota Malta expediu um mandado intimando à blogueira para que excluísse dentro de 24 horas qualquer publicação em que constasse o nome de Margareth Zaponi, sejam através de blogs ou de redes sociais de sua titularidade. Abstendo-se de fazer novas referências à mesma, em redes sociais, blogs ou qualquer tipo de site na internet, seja pelo cargo que ocupa ou por qualquer outra forma que possibilite de identificá-la. Para a hipótese de descumprimento desta decisão, fixou multa diária no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais) por dia de circulação da notícia publicada online.

O Juiz Paulo Torres afirmou na decisão, que negou a censura, porque não via prova suficiente para impor à blogueira uma censura à sua manifestação, inclusive porque o que fora levado a juízo não era conteúdo de lavra de Noemia, já que apenas replica matérias de outros blogs, inclusive do BLOG DO JAMILDO, exemplificado por Margareth Zaponi como exemplo de respeitabilidade. O Juiz ainda registra que uma das notícias publicadas por Noelia, apenas menciona a existência de uma ação penal promovida contra Margareth Zaponi, o que ante o caráter público de que se revestem as medidas judiciais, menos ainda pode ser objeto de censura. E que, em se tratando de matérias replicadas de outros blogs – estes sim de caráter jornalístico – o destaque para o dispositivo constitucional que assegura a liberdade de expressão da atividade de comunicação.

Retirar as matérias do blog de Noelia Brito de nada adiantaria, já que as matérias permaneceriam na origem e, neste caso, protegidas por preceito da Lei Maior. Embora não possua caráter “jornalístico”, continua o juiz, o blog da ciberativista está igualmente protegido por dispositivo constitucional que garante a todos a liberdade de manifestação do pensamento. Contudo, o advogado da secretária de Ipojuca deixa transparecer que os reais motivos de querer censurar a  a blogueira e ciberativista seria a capacidade desta de disseminar as informações nas Redes Sociais e que suas postagens já teriam se transformado, segundo suas palavras reproduzidas pelo desembargador Patriota Malta, em “virais” na internet. Confira 

ENSINO PÚBLICO SUCATEADO DE IPOJUCA

Ressalto que Ipojuca tem o segundo maior PIP de Pernambuco, e apenas 87 mil 928 habitantes.  Jaboatão, por exemplo, 676 mil. Não se sabe para onde vai o dinheiro do município, com uma péssima rede escolar.

Protesto em Ipojuca
Protesto em Ipojuca

 

Escola Jarbas Passarinho
Escola Jarbas Passarinho

Apesar de ter o segundo maior PIB – Recife é o primeiro – Ipojuca recebe verbas do Estado e da União para aplicar no ensino público.

A crise obriga o Brasil a retomar as reformas

por José Chaves

Certo de que o Brasil enfrentará um longo período de baixo crescimento, o governo trava uma grande batalha para que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano alcance, pelo menos, o de 2011 ─ 2,7%. Em outro “front”, a luta é contra a inflação, que deverá superar o centro da meta de 4,5%, fixada pelo Banco Central. Para fazer o PIB crescer mais rapidamente e com maior vigor, o governo reduziu as taxas de juros nos bancos oficiais, tendo por alvo o consumo das famílias e das empresas. Os bancos privados seguiram no mesmo caminho de baixa em ritmo menos intenso, mas aumentaram as tarifas cobradas de suas clientelas.

O ataque aos juros altos foi escolhido porque sua queda contribui ─ como efetivamente aconteceu ─ para elevar o crédito na economia e, por conseguinte, estimular o aumento do consumo. Ocorre que o crescimento do consumo vem pressionando fortemente a inflação, porque a oferta começa a se retrair, uma vez que a taxa de investimento continua fraca. Tampouco as empresas estão dispostas ao risco de buscarem recursos de capital de giro para diminuírem a capacidade instalada ociosa em setores básicos da indústria. O resultado disso é o que se vê: o PIB não reage e o perigo de volta da inflação revitalizada ronda a atividade econômica, preocupação constante do governo.

Visando a quebrar esse cenário, o governo anunciou que vai ampliar em R$ 6,6 bilhões suas compras no ano, elevando para R$ 8,4 bilhões o total que será gasto, no segundo semestre, com equipamentos, veículos e máquinas. A determinação é que as compras sejam feitas no mercado interno, embora a preços de até 25% superiores aos vigentes no exterior. O que o governo espera é que o impacto desses investimentos ainda influencie o PIB deste ano, porque, paralelamente, reduziu de 6% para 5,5% a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), facilitando empréstimos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião do lançamento do pacote, a presidenta Dilma Rousseff disse que “não é hora de se brincar à beira do precipício”, expressando o sentimento de que a crise chegou ao Brasil para valer. Se isso é real, o jeito é proteger os setores mais frágeis da população e continuar empreendendo uma vigorosa política de combate aos juros altos; de realizar investimentos como os anunciados esta semana e de fortalecer a expansão da infraestrutura econômica e social, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Tudo isso é correto diante da crise, mas temos a convicção de que as reformas iniciadas nos últimos governos devam ser imediatamente retomadas ─ reforma tributária, reforma administrativa e reforma eleitoral, entre outras ─, cabendo até mesmo uma grande cruzada nacional que as tornem conquistas reais da sociedade. Sem essas reformas, perderemos o bonde da história, quando tudo voltar ao normal, quando os efeitos negativos da crise tiverem passado.

 

José Chaves é deputado federal (PDT – PE)

Contas públicas se deterioram e Brasil tem déficit primário inédito: inferior ao preço do estádio de Pernambuco para a Copa do Mundo

pensão aposentadoria pensionista previdência

Pois é: o preço baratinho da arena pernambucana, na mata de São Lourenço, fica perto dos 600 milhões hoje, e falta ser concluído, sem contar as obras paralelas: a via Mangue, a torre do aeroporto, a puxada do metrô e outras belezocas.

Veja o espanto das agências estrangeiras: O setor público brasileiro registrou déficit primário de 432 milhões de reais no mês passado, primeiro resultado negativo para agosto desde o início da série histórica do Banco Central em dezembro de 2001, mostrando que o governo tem tido dificuldades em manter as contas fiscais equilibradas.

O resultado veio bem pior que o esperado por analistas consultados pela Reuters, cuja mediana apontava para superávit primário de 1,85 bilhão de reais no mês passado, depois do superávit de 2,287 bilhões de reais em julho.

O governo credita o desempenho ruim de agosto aos maiores gastos da Previdência Social, que registrou déficit de 5,7 bilhões de reais no mês.

“O reajuste do salário mínimo pesou nesse resultado”, comentou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, em referência ao impacto do salário mínimo sobre os benefícios pagos pela Previdência Social, que em agosto foram ampliados com o início do pagamento do 13º salário a aposentados e pensionistas. Leia mais 

 [Tudo culpa do salário mínimo do mínimo que o Brasil paga, um dos mais baixos entre os países do Terceiro Mundo nas Américas e África, e inferior a qualquer país em crise da Europa.
No Brasil não se faz nada que preste para o povo, que paga um dos mais caros impostos indiretos do mundo. Que rico no Brasil não paga nada.
Sempre a culpa fica para o bolsa família, o salário mínimo, e ninguém fala dos fundos de pensão desviados por prefeitos e governadores e outros ladrões, nem nos salários além do teto, na sonegação, no tráfico de moedas para as ilhas fiscais, no sumiço das verbas dos serviços básicos, na farra da Copa do Mundo e sacanagens mil do “jeitinho brasileiro” dos lá de cima de “levar vantagem em tudo”.
Veja os faturados preços do (de a)gosto dos Neros:

Custos em agosto de 2013 dos Coliseus: 7,98 bilhões

Arena da Baixada: 265 milhões
Arena da Amazônia: 605 milhões
Arena das Dunas: 350 milhões
Arena Pantanal: 519,4 milhões
Arena Pernambuco: 529,5 milhões
Beira-Rio: 330 milhões
Castelão: 623 milhões
Fonte Nova: 591,7 milhões
Mané Garrincha: 1,43 bilhão
Maracanã: 1,19 bilhão
Mineirão: 695 milhões
Arena Corinthians: 855 milhões

O Brasil é um país sem igual: sua mais moderna cidade – Miami – fica nos Estados Unidos. Até o presidente do STJ tem apartamento por lá. Sinal de que a cultura brasileira caiu muito. As cidades antes preferidas eram Lisboa,  Londres e Paris.

Leia mais

A cidade queridinha dos brasileiros

Miami celebra recorde de brasileiros

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“Está naciendo una nueva cultura política”

Entrevista con Raúl Zibechi, escritor y periodista uruguayo

Raúl Zibechi
Raúl Zibechi

 

Debate

 

 

El analista internacional Raúl Zibechi, editor de la sección Mundo del semanario uruguayo Brecha ,  dedicó su último libro Brasil. ¿El nuevo imperialismo? (Lavaca) al análisis geoestratégico del gigante sudamericano.

Como especialista en movimientos sociales, ¿qué lectura hace del estado de malestar y movilización popular en Brasil?-Es interesante pensar cómo está naciendo una nueva cultura política, que incluso se puede comparar con lo que ocurrió en la Argentina, en 2001. Digo nueva, en la medida en que funciona sobre la base de los principios de horizontalidad, autonomía de los partidos y del Estado, apartidismo, pero no antipartidismo. Un espacio juvenil más abierto, que no encuentra lugar en las instituciones. Esto ocurre en un país donde la cultura política siempre ha sido muy autoritaria, caudillista y patriarcal. Y en la que los liderazgos siempre han estado vinculados a la vieja hacienda, a la estancia, al latifundio. Históricamente, la cultura esclavista ha sido muy determinante en este sentido.

-Entretanto, la represión avivó las protestas…-El comportamiento brutal de la Policía Militar en las últimas manifestaciones revela una sociedad poco habituada a este tipo de movilizaciones. Una situación que se agrava en las favelas. Porque Brasil son dos sociedades. Una, la que vive en un barrio común o en el centro de la ciudad y otra, la que vive en las favelas, donde la PM entra con tanques, a la guerra. En este contexto, se desarrollan las obras para el Mundial, que facilitan una suerte de “limpieza social” impulsada por la especulación inmobiliaria, que desplaza a los pobladores de esos predios.

-Respecto de su último libro, usted explora la potencialidad de que Brasil ejerza un nuevo imperialismo en la región. ¿Cómo lo explica?-Brasil fue un “subimperialismo”, es decir, dependiente del Norte y del capital. Un país que implementaba en la región la política de Estados Unidos y una plataforma adonde llegaban las multinacionales para producir y exportar a la región. Hoy, en cambio, tiene capacidad propia de acumulación de capital y tiene sus propias multinacionales. Sin embargo, esto no quiere decir que automáticamente se haya convertido en un imperialismo. En todo caso, es un escenario abierto, que habrá de revelarse en las próximas décadas. Si bien las empresas brasileñas tienen una presencia muy fuerte en la Argentina, así como en Uruguay, Paraguay o Bolivia, la exportación de capital por sí sola no configura un hecho de imperialismo. Tiene que haber además subordinación política y militar. Y Brasil se ha propuesto tener un diálogo con los países de la región para tratar sus contradicciones de forma negociada, caso concreto, las relaciones con la Argentina.

-¿Brasil está actuando débilmente frente a una suerte de reposicionamiento de Estados Unidos en América Latina?-No lo creo. Brasil es como China, trabaja con el gobierno que sea. Lo que no quita que tenga, desde hace mucho tiempo, un proyecto de integración regional autónomo de Estados Unidos que, si bien en el gobierno de Lula se fortaleció, encuentra dificultades enormes de implementación. Hay sectores que impiden el desarrollo de este proyecto, en contraposición a otros que pugnan por más autonomía, como las fuerzas armadas, el aparato de gobierno actual, es decir, el complejo administrativo del Estado federal, y un sector importante del empresariado que ve en América del Sur una gran oportunidad para crecer.

-¿Esto se vincula con la “remodelación de las elites dominantes” que explica en su libro?-Sí, porque las multinacionales brasileñas, muchas de ellas en gran parte estatales, se expanden hacia la región, les interesa la integración regional. Ahora bien, con ellas llega también una clase que domina, en cuya composición, en los últimos años, ha logrado incrustarse un sector partidario, que es el PT, y un sector del movimiento sindical o de la cúpula sindical. El poder de estos dos actores proviene del manejo de los enormes fondos de pensiones de esas empresas. En Brasil, estos fondos en su conjunto representan aproximadamente el 20 por ciento del PBI brasileño.

Chávez, héroe nacional con error fatal: no haber expropiado a los medios de información

USA
USA
MÉXICO
MÉXICO

por Pedro Echeverría V.

1. La muerte de Hugo Chávez ha cimbrado al mundo y a las clases pobres venezolanas impulsado las manifestaciones de cariño hacia él –a las que me uno- quizá las más grandes de los últimos siglos. Sin embargo no bastará con los homenajes; urge revisar también sus posibles errores, cometidos pensando en estrategias electorales. No vio, no quiso, no pudo, hacer nada contra los grandes empresarios de su país apoyados por el gobierno de EEUU. ¿No son acaso los que maniobran con el aumento del dólar, esconden productos básicos provocando protestas, se burlan del gobierno chavista en medios internacionales y aumentan su influencia entre los sectores de las clases medias que en Caracas crecen con toda la libertad burguesa?

2. Chávez gobernó 13 años (1999-2012) a favor de los pobres, como nunca ningún gobernante los había hecho: aumentó los ingresos de los trabajadores, disminuyó radicalmente la pobreza y el desempleo, casi acabó con el analfabetismo, expropió algunas empresas, se solidarizó con varios países y, sobre todo, sus discursos contribuyeron a la liberación del pensamiento de muchos pueblos de América y el mundo. Sin embargo, ahora que ha muerto Chávez, sigue presente la continua amenaza de los países imperialistas sobre los pueblos débiles. No se si Maduro, Cabello, el partido venezolano, cuenten con la capacidad para igualar y superar a Chávez en sus batallas antimperialistas; pero sí estoy seguro de la urgencia de radicalizarla.

3. Lo que sucede es que todos los gobiernos progresistas: Venezuela, Bolivia, Cuba, Ecuador, Nicaragua, Argentina, Brasil, Uruguay viven de manera continua con eso que se conoce como “Espada de Damocles”, es decir, con la permanente amenaza del imperio y de eso que hoy se conoce como “poderes fácticos o imperiales”. Estos sectores imponen su ideología, su política, sus intereses y dominan durante décadas el pensamiento de las masas. ¿Por qué no expropiar esos poderes de la radio y la TV que violan todas las normas de enriquecimiento, de monopolio, de información falsa, de campañas mentirosas, de politización desviada, de alianzas con intereses extranjeros, de manipulación de la población, y mucho más? ¿Será que los gobiernos no confían en el apoyo de masas?

4. En México de 2005-2006, durante la campaña presidencial, y antes, la propaganda anticomunista y contra Hugo Chávez que se desplegó contra el candidato López Obrador fue definitiva para aniquilarlo. López Obrador y sus seguidores prefirieron no responder como si el comunismo o el chavismo fueran una cosa mala. ¿Quiere decir que los medios de información han logrado manipular el pensamiento del pueblo y los sectores progresistas y de izquierda no tienen presencia alguna? Han sido tan poderosos y manipuladores los medios que hasta a los izquierdistas les da vergüenza defender su ideología que es precisamente la del pueblo explotado y oprimido. ¿Cómo permitir que la ideología empresarial y derechista avance?

5. El gobierno cubano de Fidel Castro, en sus primeros siete años expropió una gran cantidad de empresas yanquis y sometió a los medios de información. Si no lo hubiese expropiado Cuba sería hasta hoy la “gran isla de la alegría” donde las empresas y negocios yanquis estuvieran reinando. Pero también así le fue a Cuba: los yanquis la acordonaron y han buscado estrangularla; le prohibieron a todos los países comerciar o relacionarse con ella por más de 50 años. Pero allí siguen los 11 millones de cubanos con algunos problemas económicos, pero sobresaliendo en el mundo en educación, salud, solidaridad y en una gran firmeza ideológica. Se ha luchado radicalmente contra la penetración de la ideología y las costumbres propagadas por el imperialismo.

6. Alguien pediría que no expropien a los medios de información y que bastaría con llamarles la atención o hacer que cumplan reglas. En México esto ha sido imposible porque el 99 por ciento de la radio y la TV están en manos de grandes empresarios encabezados por Televisa y por TV Azteca; los gobiernos, desde los años sesenta, han preferidos someterse a los medios y, en lugar de limitarlos, les ha otorgado cada vez más privilegios. Ese 99 por ciento se pasa el tiempo haciendo campañas contra Chávez, contra las posiciones de izquierda y contra la delincuencia que se origina de los miserables y desempleados, tapando su propia delincuencia. La delincuencia de los ricos o de “cuello blanco” es silenciada o escondida.

7. Nos hemos pasado la vida negando o silenciando que luchamos de manera abierta por la igualdad de riquezas y derechos; que batallamos contra el desempleo, la miseria y el hambre de nuestro pueblo; que no podemos aceptar que unas cuantas familias –menos de mil- acumulen las riquezas que pertenece en México a 115 millones de pobladores. Muchos lo decimos, pero los poderosos medios de información, al decir lo contrario o silenciarlo, borran cualquier idea. Por ello esos medios deben expropiarse para garantizarle medios de información públicos que orienten y enseñen con mucha objetividad. Toda la propaganda internacional contra Hugo Chávez fue difundida por los medios de información al servicio de los empresarios y de los EEUU.