A corrupção é ampla, geral e irrestrita. A farsa de propagar que ela apenas existiu na Petrobras

A Justiça Justiça pode melhorar, e muito, a vida do brasileiro. Um bom começo seria condenar – colocar na cadeia – os prefeitos e governadores ladrões. Principalmente os que desviam verbas da saúde e da educação.

Quem desvia verbas da saúde, mata, condena à morte os sem teto, os sem terra, os sem nada, pratica a eutanásia, o genocídio. Existem casos impunes de governadores que afanaram bilhões de reais.

Quem desvia verbas da educação rouba o futuro dos jovens.

Prender os traidores da Pátria, que entregaram e contrabandeiam nossas riquezas, através das privatizações das estatais, notadamente da Vale, telefonia, energia, água, minérios; da criação de latifúndios para engordar o gado e plantar a lavoura de exportação para alimentar o Primeiro Mundo.

Prender os sonegadores, os traficantes de moedas, os que vendem leis, concessões, alvarás, sentenças, habeas corpus, despejos judiciais, e cobram propinas no executivo, no legislativo, no judiciário.

Existe uma campanha de propagando que visa demonstrar que a corrupção apenas existiu na Petrobras. E apenas nos últimos dez anos. Puro teatro. Farsa. Despiste.

Esse pastoril poderia ser desfeito com a transparência dos pagamentos de precatórios com correção monetária, pagos com as assinaturas dos presidentes dos tribunais, em conchavo com prefeitos e governadores.

A corrupção é ampla, geral e irrestrita. Nada mais corrupto que as condições de moradia e emprego do povo em geral.

A Justiça podia exigir dos governos municipais, estaduais e federal o fim das favelas. São mais de duas mil na capital São Paulo, e mais de mil no Rio de Janeiro.

Patrocinar campanhas pela liberdade. Pelo pensamento livre e manifestações de rua. A justiça é campeã em censura a jornalistas e blogueiros.

O país é tão elitista que não realiza plebiscitos e referendos.

Patrocinar campanhas pela fraternidade. A polícia prende e arrebenta, tortura e mata. Lutar contra o femicídio, a homofobia, os assédios, a escravidão, a prostituição infantil, o tráfico humano, o tráfico de órgãos.

Patrocinar campanhas pela igualdade. A igualdade começa pelo fim dos salários indignos, humilhantes e da fome. Da criação de castas, de apartheid racial, de apartheid social.

É corrupção receber um salário acima do teto constitucional. É desumano legalizar empregos precários, terceirizados e temporários. O Brasil tinha uma legislação trabalhista humanizada, uma CLT que foi rasgada pelo presidente Fernando Henrique, a estabilidade no emprego que foi cassada pelo ditador Castelo Branco.

Do Piauí, o exemplo de um desembargador que impede o governador de privatizar a saúde.

A tentativa criminosa de privatizar a saúde do Piauí

Desembargador impede o avanço do capitalismo cruel. Do estado mínimo. O posicionamento do magistrado é devido ao pedido do Governo do Estado em relação à contrato com OS para gerir Upa em São Raimundo Nonato.

In Portal do Dia: O desembargador Arnaldo Boson Paes negou pedido de liminar em mandado de segurança impetrado pelo Governo do Estado junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região – Piauí. O Governo pretendia derrubar uma decisão da Vara do Trabalho de São Raimundo Nonato que declarou nulo o contrato entre a Secretaria de Saúde do Piauí e a organização social Cruz Vermelha. O contrato tinha como objeto a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Raimundo Nonato, localizado a 520 km de Teresina.

Na decisão, Arnaldo Boson destaca que o modelo de gestão da UPA/ SRN, segue uma tendência que se alastra pelo país, que configura prática deletéria de terceirização de serviços, com efeitos danosos sobre a qualidade do serviço público e sobre os direitos dos trabalhadores. Essa prática, na visão do desembargador, substitui a contratação de concursados pela contratação de trabalhadores terceirizados, levando à extrema precariedade laboral, com redução e até sonegação de direitos.

O magistrado ressaltou ainda que foi realizado concurso público destinando vagas para a UPA/ SRN, mas os aprovados foram surpreendidos com a decisão de que a unidade seria gerida pela organização social em detrimento à convocação deles.

“O que se busca por meio do contrato de gestão é que a “OS” se instale no hospital público, construído pela União, equipado com recursos públicos, recebendo dinheiro do orçamento para vender os serviços que presta com a instalação pública. Como se vê, não se trata de simples terceirização, mas de privatização da saúde pública”, frisou Arnaldo Boson Paes.

Boson ressaltou que as atividades próprias, típicas e fundamentais do Estado, como são as de Segurança, Saúde e Justiça, não podem ser terceirizas, tampouco privatizadas, principalmente em casos flagrantes como este em que há uma clara preterição dos candidatos aprovados em concurso público.

De acordo com a decisão do TRT, a anulação do contrato não causa qualquer prejuízo ao funcionamento da UPA/SRN na medida em que o município já dispõe de profissionais habilitados para o exercício das diversas atividades, bastando a nomeação e contratação dos concursados, dentro do prazo de 30 dias fixado pela decisão judicial, “tempo razoável à sua consecução”.

Piauí. Cadeia já para a quadrilha que assassinou o jornalista Donizetti Adauto

  Oleg Dergachov
Oleg Dergachov

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogerio Schietti Cruz manteve a decisão que levará a júri popular Francisco Brito de Souza Filho, acusado da morte do jornalista e apresentador de televisão Donizetti Adalto. O crime ocorreu em Teresina (PI), em 1998, quando a vítima era candidato a deputado federal. Rogerio Schietti Cruz considerou intempestivo (apresentado fora de prazo) o recurso da defesa do réu, um dos seis acusados pelo homicídio.

O recurso no STJ era contra a decisão do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) que confirmou a sentença de pronúncia. Os desembargadores entenderam que, estando o juiz convencido da existência de indícios suficientes de autoria e da materialidade do crime, deve pronunciar o réu, levando-o a julgamento perante o júri.

A defesa sustentou que o juiz de primeiro grau modificou a descrição do fato contido na denúncia, o que impossibilitou a defesa quanto às circunstâncias qualificadoras. O recurso especial não foi admitido pelo TJPI, em decisão publicada no dia 11 de outubro de 2013. Contudo, o agravo em recurso especial, encaminhado ao STJ, foi protocolado no dia 22 seguinte, portanto, além dos cinco dias de prazo legal.

O ministro Schietti aplicou a Súmula 699 do Supremo Tribunal Federal para decidir a questão: “O prazo para interposição de agravo, em processo penal, é de cinco dias, de acordo com a Lei 8.038/90, não se aplicando o disposto a respeito nas alterações da Lei 8.950/94 ao Código de Processo Civil.”

Mandante

Donizetti Adalto foi espancado e assassinado com sete tiros à queima roupa na madrugada do dia 19 de setembro de 1998, na Avenida Marechal Castelo Branco, nas proximidades do bairro Primavera, Zona Norte de Teresina. À época, o jornalista era candidato a deputado federal pelo Partido Popular Socialista (PPS). No momento do crime, Adalto estava com seu companheiro de chapa, o advogado e vereador Djalma da Costa e Silva Filho, que buscava uma vaga para deputado estadual na Assembleia Legislativa do Piauí, também pelo PPS.

As investigações da Polícia Civil, auxiliada pela Polícia Federal, apontaram Djalma da Costa e Silva Filho como o mandante do crime. A intenção seria beneficiar-se politicamente como sobrevivente do atentado contra o jornalista, e chamar a atenção para a sua candidatura, já que as pesquisas indicavam seu fraco desempenho de Djalma Filho junto ao eleitorado.

Pouco tempo depois do crime, os ex-policiais civis João Evangelista (Pezão) e Ricardo Alves, o estudante de Direito Sérgio Silva e Djalma da Costa e Silva Filho foram indiciados criminalmente e presos. Djalma Filho teve o mandato de vereador cassado por quebra de decoro parlamentar. Os três primeiros foram condenados a penas superiores a 19 anos de reclusão. Após cumprirem parte da pena, obtiveram progressão de regime. Djalma Filho entrou com recursos e é o único dos acusados que aguarda o julgamento em liberdade.(ABI)

A JUSTIÇA LENTA DO BRASIL. Advogados vão às ruas para protestar contra processos atrasados no Piauí

Kike Estrada
Kike Estrada

 

Foi para prender e censurar jornalistas, a justiça é rápida.

Mais rápida ainda para conceder habeas corpus para os ricos.

JUSTIÇA LENTA

A medida foi encabeçada pela Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, de Piripiri, e contou com o apoio da própria Seccional da OAB, que mandou à cidade a vice-presidente da entidade, Eduarda Mourão, bem como do advogado Daniel Oliveira, um dos líderes do movimento em prol do Segundo Turno no Judiciário do Piauí.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piripiri, que também sofre com o atraso da Justiça, principalmente quanto às causas previdenciárias, participou do movimento.

JUSTIÇA CARA

“A falta de juízes é um problema que aflige a todos: advogados e sociedade em geral. Somos abordados pelos clientes nas ruas porque eles querem retorno das custas processuais que pagam. Se a Justiça não funciona, não temos como dar respostas”,  explica Mauro Benício Júnior, presidente da subseção da OAB em Piripiri.

“Viemos dar nosso apoio, porque, infelizmente, este é um problema que vemos não só em Piripiri, mas em todas as comarcas do Piauí. Muitas vezes a própria classe dos advogados é que é penalizada com o descrédito”, disse Eduarda Mourão, vice-presidente da OAB-PI.

Para o advogado Daniel Oliveira, a implantação do Segundo Turno na Justiça Estadual, aliada a mais investimentos na contratação de servidores e magistrados, poderia diminuir o impacto deste tipo de problema. (Fonte: Portal O Dia)

TRABALHO ESCRAVO. Piauí possui 16 empresas na lista suja do Ministério do Trabalho

 Konstantinos Roungeris
Konstantinos Roungeris

 

 

 

Representantes do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sinait) estão reunidos hoje em frente à sede da Superintendência do Ministério do Trabalho para protestar contra o trabalho escravo no Piauí. A manifestação acontece em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo celebrado hoje.

A superintendente regional do trabalho e emprego do Piauí, Paula Mazullo, diz que a ação é uma forma de conscientizar a sociedade da necessidade de varrer a escravidão da realidade brasileira. “É uma vergonha que, em pleno século XXI nós ainda tenhamos registros desse tipo de exploração”, declara.

Dentre as reivindicações dos manifestantes está o pedido de condenamento dos mandantes da Chacina de Unaí, episódio acontecido em 2004 no qual quatro auditores fiscais foram assassinados quando faziam uma ronda em uma fazenda no Estado de Minas Gerais. Os executores da chacina já foram julgados pela justiça e condenados em agosto do ano passado, mas os mandantes do crime continuam impunes.

No Piauí, o último registro de trabalho escravo aconteceu recentemente quando dois funcionários de uma fazenda de soja localizada em Baixa Grande, fugiram da propriedade alegando condições desumanas de trabalho e procuraram abrigo na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uruçuí. Na ocasião, o Ministério do Trabalho foi acionado.

Sobre as condições de trabalho dos auditores fiscais no Piauí, o diretor nacional do Sinait, Francisco Nunes, afirma que há uma sobrecarga dos serviços por conta do número reduzido de funcionários em atividade no Estado. “São apenas 55 auditores fiscais em todo o Piauí e nós estamos aqui para pedir também o aumento desse número. Nós precisamos de mais trabalhadores para poder diminuir a acumulação de serviços que estamos tendo ultimamente”, diz.

O Piauí já possui 16 empresas na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego. Para os sindicalistas, esta é uma realidade que precisa ser mudada.

Repórter Beto Marques (do local)

Maria Clara Estrêla (da redação)
Portal O Dia

INTEGRANTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA ALERTA SOBRE A IMPUNIDADE DAS AUTORIDADES CORRUPTAS

por Fausto Macedo

 

Pavel Constantin
Pavel Constantin

 

Membro do Conselho Nacional de Justiça, Gilberto Martins, que coordena o Grupo de Monitoramento da Meta 18 diz que “basta vontade“ para melhorar o desempenho da Justiça. O objetivo da Meta 18 era julgar, até o fim de 2013, os processos contra a administração pública e de improbidade administrativa distribuídos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), à Justiça Federal e aos estados até 31 de dezembro de 2011.

Não há critério definido nos tribunais?

Temos que ter consciência de que as ações de grande repercussão social, onde um gestor público desviou milhões do erário, deixou em estado de calamidade a saúde e a educação e enriqueceu, não pode ter o mesmo ritmo daquela em que o inquilino sofre uma cobrança por deixar o imóvel danificado. É o que se chama de políticas públicas e o Judiciário não pode deixar de adota-las. O ideal é que todas as ações sejam concluídas em prazo razoável. Mas como o Judiciário é hiperdemandado o que se pretende é que as demandas de grande repercussão social tenham uma instrução mais célere, em nome da coletividade e do interesse geral da sociedade. Essa é a política que um tribunal sério deve adotar, por isso a Meta 18. Alguns tribunais, como o TRF 4 (Tribunal Regional Federal da 4.ª Região), chegaram a um porcentual excepcional, superior a 90% da meta. Outros, como o Tribunal de Justiça do Piauí, apresentaram desempenho muito baixo, com 8% de julgamentos.

Quais as causas?

Percebemos que, em alguns tribunais, essas ações ficavam em regra nas prateleiras, mas não por uma questão relacionada a uma tendenciosidade de uma proteção a acusados por improbidade e condutas criminosas, mas por uma série de fatores. Todo juiz tem que atender a uma cota de produtividade, a carreira é muito exigida. Aí o juiz depara com uma ação de altíssima complexidade, de difícil instrução e um número enorme de investigados que vai levar pelo menos 2 meses só para fazer a sentença. O juiz está habituado a ações mais simples. Em um mês ele produz 30 sentenças de casos comuns. Por isso a ação mais complexa acaba na prateleira, o juiz não quer perder muito tempo com uma demanda cheia de recursos e embaraços e se vê inclinado a julgar as demandas mais simples, que não exigem muito tempo, apresentando assim um altíssimo desempenho. Não estou dizendo que o eventual descaso se dá por uma tendência de proteção àquele que detém foro especial por prerrogativa de função.Mas se algum juiz negligenciou ou agiu com leniência tem que responder porque agiu dessa forma. O CNJ certamente vai cobrar para identificar se magistrados não julgaram porque não tinham condições de julgar por causa da estrutura ou se a origem foram outros problemas, até provocados por outras instituições. Por exemplo, algum promotor demorou demais para devolver o processo.

Como avalia os resultados da Meta 18?

Ou os magistrados não deram a importância devida à Meta 18, ou os próprios administradores do tribunal não ofereceram estrutura mínima para que esses juízes pudessem desenvolver o seu trabalho a contento. Não sabemos quais as condições desses juízes com competência para julgar essas ações, principalmente nos tribunais da Bahia e do Piauí, se não dispõem de de pessoal ou até mesmo se ocorreram problemas provocados por outras instituições, se o Ministério Público não devolveu os processos, temos que saber o motivo. Os juízes não julgaram por que não instruíram e não fizeram diligências para colocar o processo apto para ser julgado? Vamos recomendar aos tribunais que estabeleçam padrão mínimo de condições para que o magistrado possa produzir. Temos que copiar as boas práticas já em uso por tribunais, como o Tribunal de Justiça de Pernambuco que, no início de 2013, apresentava uma produtividade muito baixa. Esse tribunal criou um grupo de trabalho, uma força tarefa com vários juízes para concluir essas ações e aumentou sua marca significativamente. Basta boa vontade e disposição para trabalhar. A Meta 18 foi aprovada novamente em Belém, dia 18 de novembro passado, para ser repetida em 2014.  É isso que a sociedade quer: punir aquele que assume uma função pública e não honra os seus compromissos. A resposta deve ser dada.

A perereca da justiça avaliou uma fazenda por R$ 5,39

Guadêncio Torquato, jornalista e professor (escreveu os principais livros que introduziram a propaganda política, a comunicação governamental e o marketing nos cursos de Jornalismo), revela quanto estão desvalorizadas as terras no Piauí. Uma fazenda, avaliada pelo Estado e pela justiça, custa R$ 5,39 (não é engano. É isso aí: cinco reais e trinta e nove centavos). Com terras assim baratinhas, baratinhas, o governo poderia realizar a prometida reforma agrária desde os tempos da Campanha Abolicionista, no Século Dezenove. Mas fico pensando: se essa fazenda fosse herança ou propriedade de um governador – Mão Santa, Kléber Dantas Eulálio, Hugo Napoleão do Rego Neto,  José Wellington Barroso de Araújo Dias, Wilson Nunes Martins – o preço seria mais camarada, mais justo?

Insensatez e desfaçatez


Gaudêncio Torquato

Não dá para acreditar, mas esta verdade é bem brasileira: a União ofereceu a um pobre agricultor do Piauí, Nelson Nascimento, de 67 anos, R$ 5,39 (isso mesmo) pela indenização de sua propriedade, que corta o traçado da ferrovia Transnordestina, uma das principais obras do PAC.

A ferrovia, promessa do governo Lula, começou com orçamento de R$ 4,5 bilhões, as obras estão pela metade, e o custo hoje seria de mais de R$ 8 bilhões. A Secretaria de Transportes do Piauí, responsável pelas desapropriações, garante que o preço da indenização segue “as normas à risca”. O Dnit, que firmou o convênio com a secretaria, confirma que o cálculo de R$ 5,39 obedeceu “a parâmetros usados em todas as desapropriações”.

A trombeta da Justiça anuncia o veredito: o Estado de direito vence por nocaute o estado do bom senso. Pior é ver que a balança dos justiceiros não raro pende para um lado, desequilibrando o sistema de freios e contrapesos, engenhosa construção que o barão de Montesquieu criou para harmonizar os Poderes.

Um exemplo? O “palpitômetro” montado para combater o PL 4.330/2004, que trata da terceirização de serviços, em debate na Câmara dos Deputados, e visa formalizar a situação de 15 milhões de trabalhadores, hoje sob a égide da ultrapassada Súmula 331 do TST. Pois bem, o verbo contra esse projeto legislativo não só foi encampado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, como recebeu o endosso de 19 ministros do TST, cuja assinatura em manifesto público escancara a tese de um prejulgamento.

Imagine-se como se comportaria a plêiade de altos juízes ante a eventual aprovação de uma lei pelo Poder ao qual, de direito, cabe legislar. Sua decisão seria justa? Não estamos diante de um flagrante de controle prévio de constitucionalidade?

A insensatez faz-se presente na vida de outros figurantes da vida institucional. Entorta seus passos em variadas instâncias. Veja-se o caso do Ministério Público, com sua função essencial à justiça, constituído por um batalhão de guerreiros em defesa da sociedade, muitos ainda jovens, mas tocados pela chama cívica.

AÇÕES DO MP

Projetos de magnitude, vitais para o desenvolvimento do país, são retardados ou mesmo se tornam inviáveis por ações impetradas pelo MP, com base em irregularidades apontadas na concessão de licenças ambientais. Recorrente indagação: os processos não estariam contaminados por vieses ideológicos, visões ortodoxas, erros de análise ou mesmo falta de informações?

Multiplicam-se queixas contra o Ibama, o órgão de licenciamento ambiental. Recorde-se o caso da perereca de dois centímetros encontrada na Floresta Nacional Mário Xavier, em Seropédica, entre a Via Dutra e a antiga Rio-São Paulo, que atrasou em um ano e meio as obras do Arco Metropolitano – 77 km de pistas que ligam Itaboraí ao porto de Itaguaí. Solução? Um viaduto sobre o lago das pererecas. Há mais de 1.600 processos de licenciamento em curso, o que cria suspeitas sobre as razões da excessiva morosidade.

Da insensatez para a desfaçatez o salto é menor que o da perereca fluminense. A questão é saber se um Estado carente de serviços básicos pode esbanjar seus parcos recursos. Ora, no Brasil, tudo é possível. (transcrito de O Tempo)

Mineradora e Transnordestina trazem mais pobreza para os pequenos municípios

Estrada de ferro no Brasil é uma linha reta entre um porto e uma mineradora. Que leva riqueza para bem longe. Que os Sertões de Dentro e de Fora continuarão na pobreza de sempre.

Riqueza que é embarcada para o Primeiro Mundo desde a conquista do Brasil em 1500. Assim foi destruída a Mata Atlântica (T.A.)

Spiros Derveniotis
Spiros Derveniotis

Ferrovia e ação de mineradoras preocupa moradores e a Igreja

Os agricultores e moradores da comunidade Baixa dos Belos temem que suas terras sejam subavaliadas pelo governo e mineradoras. A região possui uma das maiores reservas de minério de ferro do Nordeste

por Erivan Lima

Moradores da comunidade Baixio dos Belos e de outras localidades vizinhas, pertencentes ao município de Curral Novo do Piauí, realizaram uma reunião nesta quarta-feira (15), com mais de cinqüenta pessoas. O encontro teve, também, a participação do Bispo de Picos, Dom Plínio José Luz da Silva e de outros representantes do clero diocesano.

O padre Feliciano Santos Dias, pároco de Pio IX representou o presbitério da Diocese de Picos, composto por todos os padres. O chanceler da Diocese, padre Sebastião Francisco dos Santos, representou a paróquia de Ipiranga. A reunião contou ainda com a participação do padre Francidilso Silva, pároco de Simões; padre Adauto Vieira dos Santos Filho, pároco da paróquia São José Operário e do padre Antonio Cristo, pároco de Marcolândia.

Os sacerdotes compareceram ao povoado Baixio dos Belos, em Curral Novo, que fica a mais de 250 quilômetros de Picos, atendendo aos apelos dos moradores das comunidades. Eles pediram que a Igreja Católica os acompanhe no processo das terras em negociação com representantes da Ferrovia Transnordestina e das companhias mineradoras.

ESTRADA DE FERRO E MINÉRIO

A região de Baixio dos Belos, em Curral Novo do Piauí, detém uma das maiores reservas de minério de ferro do nordeste. Por causa dessa imensa riqueza existente no subsolo, está sendo construído na região um ramal da Ferrovia Transnordestina e as companhias mineradoras já realizaram o trabalho de identificação (sondagem) das jazidas de minério de ferro, para a extração.

São essas companhias mineradoras que vão retirar e exportar os milhões e milhões de toneladas do minério de ferro, existentes na região. Centenas dessas jazidas já estão devidamente localizadas, identificadas e catalogadas para que o material seja extraído.

Mas, os moradores da região e proprietários das terras, de onde o minério de ferro será retirado, revelam preocupação pela forma com a qual estão sendo abordados por pessoas que se apresentam como representantes das companhias mineradoras, e de outros que se identificam como advogados.

O QUESTIONAMENTO DOS MORADORES

De acordo com os relatos feitos pelos moradores na reunião desta quarta-feira, há um clima generalizado de dúvida e perplexidade em todos. Um dos motivos é a aparição dessas pessoas que se apresentam como advogados, fazendo propostas de compra das terras, sem terem sido procurados.

Conforme os moradores da região, esses advogados fazem propostas de valores a serem pagos pelas mineradoras, apresentando, também, os valores dos seus honorários advocatícios, sem terem sido procurados por eles (moradores) para realizarem essa mediação.

Socorro, uma das integrantes do grupo de moradores, disse que outras pessoas abordam os proprietários de terra na região, como representantes diretos das companhias mineradoras. “Os valores oferecidos ficam sempre abaixo do que se considera uma justa quantia de indenização”, explica.

Os moradores reclamam ainda do tom com que são feitas as abordagens pelos que dizem representar as mineradoras. Conforme os moradores, muitos deles são procurados com insistência e não raramente pressionados, a ponto de se sentirem sufocados e até amedrontados.

O PAPEL DA IGREJA

O Bispo Diocesano de Picos, Dom Plínio José Luz da Silva, disse após a reunião, que a presença da Igreja Católica, pelos seus sacerdotes, teve o objetivo de ouvir as preocupações dos moradores. “Fomos chamados a uma ação solidária e vimos ver a situação e ouvir as aflições do povo”, disse.

Segundo explica Dom Plínio, a Igreja não produzirá nenhum ato precipitado ou que resulte em obstáculo ao progresso ou ao desenvolvimento. “O que desejamos é tão somente que essas pessoas sejam tratadas com respeito e com justiça”, ressalta.

O Bispo de Picos lembra que a missão da Igreja Católica é a mesma de Jesus Cristo, que é se colocar sempre com critério em defesa da dignidade e da preservação da vida das pessoas, sobretudo agir em solidariedade aos mais pobres e aqueles que enfrentam maior aflição.

Dom Plínio disse que a Igreja vai procurar as autoridades constituídas a quem cabe a responsabilidade de oferecer resposta adequada para a situação, bem como se informar sobre os encaminhamentos a serem adotados. O Bispo garante que a Igreja será solidária, atendendo ao apelo feito pelo povo.