Qual o futuro da profissão de jornalista?

Ilustração Alfredo Sábat
Ilustração Alfredo Sábat

 

Todo pai, que faz parte da realeza, prepara o caminho do filho como sucessor.

Na monarquia brasileira, acontece entre os togados, os militares, os políticos. E noutras profissões que pagam bem: medicina, engenharia…

Por que nenhum jornalista sonha com o filho jornalista?

 

 Ilustração Dario Castillejos
Ilustração Dario Castillejos

 

 

 

 

As duas previdências: Pensões mínimas e máximas

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Mais um escândalo no Rio: Desembargador devolve pensões de R$ 43 mil a filha ‘solteira’ de magistrado, que é casada e tem dois filhos

por Carlos Newton

Os comentaristas Ricardo Ald e Jésus da Silva nos chamam atenção para uma denúncia impressionante de Raphael Gomide, do site IG, dando conta de que o desembargador Pedro Saraiva de Andrade Lemos, da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, devolveu a Márcia Maria Machado Brandão Couto, filha de um magistrado morto há 30 anos, o direito a pensões mensais de R$ 43 mil.

A decisão reformou a sentença da juíza Alessandra Tufvesson (15ª Vara de Fazenda Pública), que cortara os benefícios dois dias depois de o iG revelar o caso, em maio de 2012. E a matéria revela que continua a existir no Rio de Janeiro “pensão de filha de funcionário morto até que comece a trabalhar ou se case”. Você sabia?

Márcia no casamento. Que luxo!
Márcia no casamento. Que luxo!

Uma série de reportagens do iG mostrou que a “filha solteira” Márcia Couto casou-se no religioso e teve dois filhos com o marido – de quem depois pediu “alimentos” para os rapazes em juízo, declarando ter sido casada. Na ação popular que pede o cancelamento das pensões, porém, ela tem outra versão: nega ter tido união estável e afirma ser “filha solteira”.

FRAUDE Á LEI

É um escárnio. Embora trabalhe como dentista, a filha do desembargador José Erasmo Brandão Couto recebe duas pensões por conta da morte do pai, em 1982: uma de R$ 24 mil do Tribunal de Justiça e outra de R$ 19,2 mil do RioPrevidência (12 vezes o valor médio pago pela autarquia), somando R$ 43,2 mil mensais. O expediente é visto como uma “fraude à lei” pela Procuradoria do Estado.

A decisão do desembargador Pedro Saraiva que lhe devolve o direito às pensões ocorreu em agravo de instrumento à sentença. Como relator do caso no TJ, ele já vinha mantendo, liminarmente, a pensões de Márcia, antes de a sentença da juíza determinar o corte. Os benefícios somam R$ 559 mil, por ano, ou R$ 2,8 milhões, em cinco anos.

O iG mostrou que o caso de Márcia Couto não é isolado no Estado do Rio: o RioPrevidência paga a 30.239 pensionistas “filhas solteiras”, ao custo anual de R$ 447 milhões . As autoridades desconfiam que muitas mulheres, como Márcia Couto, formam família, mas evitam se casar oficialmente, com o único objetivo de não perder a pensão.

Após as reportagens, o RioPrevidência iniciou recadastramento, para coibir fraudes e pagamentos indevidos, e anunciou o corte de 3.527 pensões de mulheres, casadas de fato, que reconheceram isso em termo de responsabilidade – 122 se recusaram a assinar o documento, e 8.327 nem apareceram.

Reflexão final: e ainda criticam os militares que deixam pensão para as filhas, mas pagam para que isso aconteçam, enquanto no Rio de Sergio Cabral acontecem casos como o de Márcia Couto… Ah, Brasil.

 (Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Quando esposas de militares sobem a rampa do palácio

A presidente da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (UNEMFA), Ivone Luzardo, tentou hoje subir a rampa do Planalto, em protesto por “melhorias salariais para os militares”, “respeito aos presidentes dos Clubes Militares” e uma “política do governo para atendimento às mulheres dos militares que são impedidas de estudar e ter uma profissão por terem de acompanhar os maridos frequentemente transferidos pelo País”. Foi impedida pelos seguranças e criou um alvoroço em frente ao Palácio do Planalto.

Ivone protocolou um pedido de audiência com a presidente Dilma Rousseff para o dia da Mulher, 8 de março, quando quer apresentar diretamente a ela as reivindicações da categoria.

O protesto foi rápido. As mulheres exigem o pagamento de 28,86%, que já teria sido aprovado pelo STF e seria devido à categoria desde 1993, mas que o Ministério do Planejamento não atende. “Subimos a rampa para gerar um fato político e chamar a atenção para os nossos problemas. Hoje foi só a amostra grátis do que vamos fazer daqui para frente e a PM e os Bombeiros estão ao nosso lado”, ameaçou Ivone, ao lado de Marina Bavaresco, outra esposa de militar, que estava usando uniforme camuflado.

Comentário deste blogueiro:

MATRÍCULA COMPULSÓRIA 

Nos casos de transferências, militares, esposas e filhos têm direito à matricula compulsória em universidades públicas, inclusive os que estudam em faculdades particulares. Vide legislação e jurisprudência

APOIO DOS PM E BOMBEIROS

O presidente do Clube Naval, vice-almirante da reserva Ricardo Antônio da Veiga Cabral. “(Sobre a Comissão da Verdade) A verdade não tem de ser só de um lado. O que a gente espera é que haja equilíbrio.” Ele afirmou que o movimento dos clubes “não é como a greve do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar da Bahia”. “A coisa é um problema mais ético que financeiro”, destacou. “É preciso haver um diálogo sem radicalismos. Acho que a situação tende à acomodação.”

USO INDEVIDO DE TRAJES MILITARES

Estatuto dos Militares: LEI Nº 6.880, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1980 – DO USO DOS UNIFORMES….SE LÊ “… Parágrafo único. Constituem crimes previstos na legislação específica o desrespeito aos uniformes, distintivos, insígnias e emblemas militares, bem como seu uso por quem a eles não tiver direito.”

Custa uma nota um uniforme camuflado feminino. Confira os preços

MELHORIAS SALARIAIS

Até agora não apareceu nenhum estudo sobre os gastos com aposentadorias e pensões, inclusive como heranças das filhas que, para alguns críticos, superam as despesas com o pessoal da ativa.

Fome no Brasil dos salários além do teto e das pensões especiais como herança

por Sebastião Nery

Em 2008, o País se escandalizou com a denúncia da Leila Suwwan (Globo) de que 60% da população do Maranhão só comia porque recebia os 150 reais (no máximo) do Bolsa Família. E não é só o Maranhão. No Piauí, eram 59%. Em Alagoas, 58%. Na Paraíba, 55%. No Ceará e Pernambuco, 53%.

Abaixo de 50%, a Bahia e Roraima com mais de 49%. Rio Grande do Norte, 48%. Acre, 47%. Sergipe, 46%. Tocantins, 45%. Pará, 42%. Abaixo de 40%, Amazonas com 39%, Amapá 38%, Rondônia 35%.

A partir daí, os que poderíamos chamar de não escandalosos: Espírito Santo e Minas Gerais com 25%, Mato Grosso do Sul 22%, Mato Grosso e Goiás 20%, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro 7%, São Paulo 12%, Santa Catarina 10%, Brasília 6%.

BOLSA FAMÍLIA

Essa é uma estatística bíblica, dos tempos das sete pragas do Egito. Ou africana, da África de Biafra e Sudão, com suas multidões miseráveis. Dirão os insensíveis e insensatos que, se não houvesse o Bolsa Família, esses milhões de brasileiros iriam procurar trabalho para comer. Trabalho onde, se o desemprego aumenta e a educação não os prepara?

Os Mailson da Nóbrega da vida acham que essa merreca de 10 bilhões que o governo gasta por ano, para matar a fome de 50 milhões de pobres e miseráveis, devia ser dada aos banqueiros, para acrescentar aos 180 bilhões que o governo já paga de juros. Se dependesse desses “economistas”, o Banco Central fazia uma raspa e dava tudo aos bancos.


Transcrevi trechos do artigo Na Rússia náo tem fome. Cento e cinquenta reais, isso não passa dos oitenta dólares.

Ministros dos supremos tribunais e desembargadores recebem megasalários além do teto. E filhas de militares de alta patente recebem como herança altas pensões. Eta Brasil desconforme e repleto de regalias para uma minoria.

Ordem desunida por regalias quebra a hierarquia e a disciplina nas forças armadas

Mulheres de oficiais foram ao front em ofensiva salarial. Que bom. Que sejam discutidas as pensões, herdadas por filhas.

Veja esta: Pensão militar para neta adotada como filha do ex-presidente Médici

(30.06.11)
O STJ considerou o ato “válido e eficaz”. O TRF da 2ª Região tinha entendido que “a finalidade da adoção é a de prestar assistência, não podendo ser usada como manobra para burlar lei previdenciária”.

A 5ª Turma do STJ considerou legal a pensão paga pela União a Cláudia Candal Médici, neta de Emílio Garrastazu Médici – ex-presidente do Brasil entre 1969 e 1974. Cláudia foi adotada como filha pelo general e por sua esposa, Scylla Gaffrée Nogueira Médici, em 1984.

Médici morreu no ano seguinte e Cláudia, na condição de filha adotiva, passou a receber a pensão.

Vários absurdos idênticos acontecem. De 2008 destaco esta crítica sobre megapensões para esposa e filhas. As pensões como herança das filhas, como acontecia na monarquia com os de sangue azul.

Quantos bilhões o Brasil desperdiça com pagamento de pensões que serão pagas até perto do final deste século?

Na Revista Piauí, ed. 29, reportagem sobre a filha do general Mourão Filho, que deflagrou o golpe de 64:

Laurita leva uma vida de rica, mas não tem propriedades ou herança. Sua maior extravagância são as férias em Punta, durante as quais ela desembolsa 12 mil dólares de aluguel pela temporada. O ex-marido rico faliu e o general Mourão, segundo disse, “morreu pobre como as ratas: deixou sua dentadura, um relógio carrilhão e a aposentadoria”.

Como filha de general, Laurita recebe uma pensão mensal de 24 mil reais. Por ter trabalhado no Itamaraty, ganha uma aposentadoria de 2 700 reais, quantia que ela considera injusta. Essa pensão já aumentou. A rev Piauí está na ed. mensal 69.

Os clubes militares não tocam nestas regalias de casta, preferem exclusivamente defender a anistia: o perdão para qualquer tipo de crime cometido durante a ditadura militar. Parece que a última barbaridade foi o caso Herzog, em 1975. Quem entrou nas forças armadas nestes 36 anos não tem nenhuma mácula. E mesmo antes, o povo sabe, que a grande maioria das forças armadas sempre teve as mãos limpas.  Portanto, “as forças armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública”.