CORDA-BAMBA

 

por Pedro Casarim

 

Pedro Casarim

o anão que é Deus em minha terra
é também meu patrão.
ele olha pra mim,
pois não tenho nada pra fazer,
e faz cara de bravo.
deveria arranjar algo melhor como regar as plantas,
varrer o chão,
ou quem sabe salvar o mundo
mas fumo um cigarro.

vivo na corda bamba
o enfisema está logo atrás daquela porta, eu sei disso
e ele sabe que eu sei disso
e nesse momento me distraio
e por um segundo quase caio
(lá embaixo só vertigem e escuridão)
mas recupero meu equilíbrio,
sempre com o cigarro na boca.

finalizo meu caminho pela corda
e olho para trás:
centenas, talvez milhares de pessoas
caminhando por ela.
inclusive meu patrão.

dou uma tragada e olho pro céu.
não sequer lua esta noite.

Polícia de Sérgio Cabral mata treze em favela

Moradores fazem protesto na Favela Nova Holanda, na tarde desta terça, após ação da PM que deixou treze mortos. A Globo, repetindo a polícia, contou nove cadáveres. 

Tiroteio na Nova Holanda esta madrugada
Tiroteio na Nova Holanda esta madrugada
Um dos treze cadáveres abandonados nas travessas da favela
Um dos treze cadáveres abandonados nas travessas da favela

 

PROTESTOS TAMBÉM NA ROCINHA

Informa Garotinho: Moradores da Rocinha decidiram aderir à onda de protestos. Vão se concentrar às 17h, em frente à quadra da Acadêmicos da Rocinha e depois pretendem seguir em passeata pela Avenida Niemeyer até a esquina da rua de Sérgio Cabral.

Aliás, políticos do PMDB estão fazendo pressão em cima da Associação de Moradores para tentar suspender a manifestação.

Em, Niterói também está prevista manifestação, às 17h.

_cabralchiliques

Acrescenta Garotinho: “Já tinham me contado, e cheguei a relatar aqui no blog, que na primeira manifestação com 2 mil pessoas, aquela na Central do Brasil, violentamente reprimida pela PM, Cabral – por telefone – gritou para o comandante da PM, coronel Erir: “Coronel, tire esses vagabundos do meio da rua, custe o que custar’. E deu no que deu.

Posso imaginar os chiliques arrogantes de Cabral, berrando com assessores, dando socos na mesa, como é seu estilo, ainda mais agora que foi colocado para correr do Leblon. Mais tarde vou tentar descobrir onde Cabral passou a noite, já que manifestantes continuam acampados na esquina do seu prédio.

Aliás, além dos chiliques de Cabral, por coincidência (será?), ontem, o líder do acampamento do Leblon que protesta contra o governador foi ameaçado de morte.

Uma coisa é certa, Cabral está doido para ‘soltar os cachorros’ em cima das manifestações.

_ameacaativista

O povo não larga a esquina da casa de Sérgio Cabral. Vem a polícia e dispersa.

Sai a polícia e o povo volta.

É o povo botar o pezinho, que Cabral manda a polícia, com seu pezão, pisotear, machucar, esmagar quem estiver na rua.

Manifestações acontecem noutras ruas.

_metrotrensforacabral

Denuncia Garotinho: “Mais uma manhã de sufoco para os trabalhadores do Rio de Janeiro. Metrô e dois ramais da Supervia pararam com problemas. Depois não adianta Cabral dar chiliques por causa das manifestações. Ninguém aguenta mais!”

 

Nota do Observatório de Favelas

invasão

Desde a noite de ontem a favela Nova Holanda, na Maré, está ocupada por agentes do BOPE, da Tropa de Choque e da Força Nacional. A ação se deu supostamente em resposta a um arrastão ocorrido em Bonsucesso momentos antes. Durante a incursão, por volta de 19h, bombas de gás lacrimogêneo foram arremessadas contra os moradores, sendo que uma delas atingiu o pátio externo da sede do Observatório, assustando as pessoas que estavam na instituição. O fato foi seguido de intenso tiroteio, que se estendeu pela madrugada, quando a energia da comunidade foi cortada.
Na manhã de hoje, a favela seguia ocupada, ainda sem luz, com o comércio fechado e a presença ostensiva de policiais. Segundo relatos de moradores, a operação, que até agora resultou em treze mortes, também teve como saldo uma série de violações de direitos, como invasões de domicílio seguidas de depredações, saques e intimidação de moradores por parte de policiais.

Até às 10h da manhã de hoje, apenas uma serralheria local já trabalhava na troca da quinta porta arrombada por policiais. Além das invasões e depredações, moradores denunciaram o confisco ilegal de dinheiro e documentos.

Agora à tarde, a entrada da Nova Holanda foi ocupada por policiais aparentemente equipados para confronto com manifestantes. Segundo o comando da operação, a presença destes agentes é para que a Av. Brasil não seja fechada.

Neste momento, há cerca de 400 policiais do BOPE no interior da favela realizando uma ação que até agora os moradores não conseguiram entender o sentido da operação.

O Observatório de Favelas convoca uma mobilização, com concentração em sua sede — na Rua Teixeira Ribeiro, 535, na Nova Holanda –, às 15h, para pressionar as autoridades a interromperem a operação imediatamente.

Fotos do protesto

Polícia favela nove mortos

maré 2

maré 1

Este protesto de hoje é o segundo. O protesto de ontem motivou a chacina.

NOTA CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL: APÓS PROTESTOS POLÍCIA REALIZA CHACINA NA MARÉ

As favelas da Maré foram ocupadas por diferentes unidades da Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ), incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com seu equipamento de guerra – caveirão, helicóptero e fuzis – ontem, dia 24 de junho. Tal ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho. As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira. Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

Diversas manifestações estão ocorrendo em todo o país e intensamente na cidade do Rio de Janeiro. Nas última semanas a truculência policial se tornou regra e vivemos momentos de bairros sitiados e uma multidão massacrada na cidade. No ato do último dia 20, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, o poder público mobilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), contando com o Choque, Ações com Cães (BAC), Cavalaria, além da Força Nacional. A ação foi de intensa violência contra a população, causando um clima de terror em diversos bairros da cidade.

Não admitimos que expressões legítimas da indignação popular sejam transformadas em argumento para incursões violentas e ocupações militares, seja sobre a massa que se manifesta pelas ruas da cidade, seja nos territórios de favelas e periferias!

Tal ocupação das favelas da Maré evidencia o lado mais perverso deste novo argumento utilizado pelos órgãos governamentais para darem continuidade às suas práticas históricas de gestão das favelas, de suas populações e da resistência popular. Sob a justificativa de repressão a um arrastão, a polícia mais uma vez usou força desmedida contra os moradores da Maré, uma prática rotineira para quem vive na favela. É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”.

Repudiamos a criminalização de todas as manifestações. Repudiamos a criminalização dos moradores de favelas e de seu território. Repudiamos a segregação histórica das populações de favela – negras/os e pobres – na cidade do Rio de Janeiro.

Não admitimos que execuções sumárias sejam noticiadas como resultado de confrontos armados entre policiais e traficantes. Não se trata de excessos, nem de uso desmedido da força enquanto exceção: as práticas policiais nesses territórios violam os direitos mais fundamentais e a violação do direito à vida também está incluída nessa forma de oprimir. Foi reconhecendo a gravidade destas práticas nos diferentes estados da federação que o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) produziu, em dezembro de 2012, a resolução nº8, recomendando o fim da utilização de designações genéricas como “auto de resistência” e “resistência seguida de morte” e defendendo o registro de “morte decorrente de intervenção policial” ou, quando for o caso, “lesão corporal decorrente de intervenção policial”.

O governo federal também contribui com o que ocorre nas favelas cariocas, não apenas pela omissão na criação de políticas públicas, mas também por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual.

As/Os moradoras/es de favelas e toda a população têm o direito de se manifestar publicamente – mas pra isso precisam estar vivas/os. E o direito à vida continua sendo violado sistematicamente nos territórios de favelas e periferias do Rio de Janeiro e de outras cidades do país.

Exigimos a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais que estão matando suas/seus moradoras/es com a justificativa das manifestações. Exigimos que seja garantido o direito à livre manifestação, à organização política e à ocupação dos espaços públicos. Exigimos a desmilitarização das polícias.

A nota está aberta para adesões de movimentos sociais e organizações através do e-mail contato@enpop.net.

Assinam a nota:

Arteiras Alimentação do Borel
Bloco Planta na Mente
Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA)
Central de Movimentos Populares (CMP)
Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS)
Cidadania e Imagem-UERJ
Círculo Palmarino
Coletivo Antimanicomial Antiproibicionista Cultura Verde
Coletivo de Estudos sobre Violência e sociabilidade – CEVIS-UERJ
Coletivo das Lutas
Coletivo Tem Morador
Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Conselho Regional de Psicologia (CRP/RJ)
Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/RJ)
DCE-UFRJ
Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
DPQ
FASE
Fórum de Juventudes RJ
Fórum Social de Manguinhos
Frente de Resistência Popular da Zona Oeste
Grupo Conexão G
Grupo Eco Santa Marta
Grupo ÉFETA Complexo Alemão
Instituto Brasileiro De Análises Sociais E Econômicas (IBASE)
Instituto Búzios
Instituto de Formação Humana e Educação Popular (IFHEP)
Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Justiça Global
Levante Popular da Juventude
Luta Pela Paz
Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ)
Mandato do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
Mandato do Vereador Renato Cinco (PSOL/RJ)
Mandato do Vereador Henrique Vieira (PSOL/Niterói)
Mariana Criola
Movimento pela Legalização da Maconha
Movimento DCE Vivo (UFF)
Nós Não Vamos Pagar Nada
Núcleo Piratininga de Comunicação
Núcleo de Direitos Humanos da PUC
Núcleo Socialista de Campo Grande
Ocupa Alemão
Ocupa Borel
PACS
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Pré-Vestibular Comunitário de Nova Brasília Complexo Alemão
Raízes em Movimento do Complexo do Alemão
Rede FALE RJ
Rede de Instituições do Borel
Redes e Movimentos da Maré
União da Juventude Comunista (UJC)
Universidade Nômade
Revista Vírus Planetário
maré 3