Petrobras requer que Justiça interrogue ex-diretor sobre Mensalão Pernambucano do PSDB e PSB

Esquema de corrupção comandado por PSDB e PSB desviou recursos da obra de Abreu e Lima

 

Hora da verdade.  Petrobras quer que Paulo Roberto Costa conte como PSDB e PSB atuavam na refinaria Abreu e Lima
Hora da verdade. Petrobras quer que Paulo Roberto Costa conte como PSDB e PSB atuavam na refinaria Abreu e Lima

 

 

A pedido da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, irá prestar novo depoimento sobre desvios em Pernambuco, onde a estatal constrói a refinaria Abreu e Lima.
A Agência PT de Notícias, em reportagem publicada duas semanas atrás, revelou um esquema de desvio de recursos públicos relatados em investigações conduzidas pela Polícia Federal, a partir de 2007, no empreendimento. Na época, o governador do estado era Eduardo Campos, do PSB, falecido em um acidente de avião, em agosto.
Só na terraplanagem da refinaria e na escavação do leito oceânico a ser utilizado pelo estaleiro Atlântico Sul, foram desviados cerca de R$ 6 milhões, segundo a PF. As obras integram o complexo do porto de Suape, em Pernambuco.
Dessa vez, o depoimento de Costa foi solicitado pela estatal à Justiça Federal, para apurar desvios nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima, próxima a Recife, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O pedido tornou-se necessário devido à condição de prisioneiro do ex-diretor. A Justiça precisa liberá-lo para o depoimento.

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Investigação interna – A Petrobras alega, no pedido à Justiça, que esse novo depoimento integra os procedimentos internos de investigação sobre o escândalo conduzidos pela estatal. A empresa conta agora, inclusive, com a ajuda de duas empresas independentes, contratadas para apurar e auditar os procedimentos investigativos.
O objetivo da contratação das empresas, segundo nota divulgada pela Petrobras, é o de “apurar a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas no contexto das alegações feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, bem como apurar fatos e circunstâncias correlatos que tenham impacto material sobre os negócios da companhia”.
São elas a brasileira Trench, Rossi e Watanabe Advogados, e a americana Gibson, Dunn & Crutcher LLP. O procedimento é uma exigência das regras americanas para casos de corrupção como o relatado por Costa, na delação premiada firmada com a Justiça Federal, em empresas que comercializam papéis nas bolsas de valores dos Estados Unidos.

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Denunciados – O caso do esquema PSB-PSDB virou processo do Ministério Público de Pernambuco contra dezenas de denunciados. Entre eles, vereadores e ex-vereadores, a filha de um prefeito, funcionários da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, servidores do governo estadual e coordenadores das campanhas presidenciais e locais do tucano Aécio Neves e do ex-governador Eduardo Campos.
No processo pernambucano, a Polícia Federal apresentou o resultado de investigações sobre o esquema de corrupção que identificaram 29 núcleos criminosos coordenados por políticos. Eles se utilizavam dos serviços de um empresário e doleiro local para lavagem do dinheiro obtido com a cobrança de 5% a 35% de comissão sobre os contratos intermediados pela quadrilha.
Tais núcleos atuavam em várias áreas de interesse do governo local, inclusive no “negócio do petróleo” – como os investigados nas interceptações telefônicas da PF se referem às obras da refinaria Abreu e Lima. Os grampos das conversas das autoridades locais foram autorizados pela Justiça.
A quadrilha, segundo a PF, era comandada por um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves em Pernambuco, Geraldo Cisneiros, e pelo o ex-deputado federal pelo PSDB Bruno Rodrigues, agora no PSB, com ramificações por diversos órgãos estaduais.

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Depoimento – Um questionário a ser submetido a Costa foi apresentado ao Judiciário pela Petrobras. Nele, a empresa solicita do ex-diretor esclarecimentos sobre o teor das reuniões internas, realizadas entre 2005 e 2006, sobre a Abreu e Lima.
Costa também será indagado pela Petrobras sobre a atuação do ex-diretor Internacional Nestor Cerveró. Ele foi o responsável pela assinatura de um acordo com a estatal de petróleo venezuelana PDVSA relativo às obras da refinaria.
Por Márcio Morais, da Agência PT de Notícias. Leia mais AQUI. Marina Silva sabia do contrato de R$ 120 milhões da empresa de seu coordenador de campanha com a Petrobras para as obras de Abreu e Lima e das doações de areia de Bezerra Coelho pra empreiteiras? Transcrito do Blog de Noelia Brito, excelente jornalista. Não esqueça: esse e outros crimes são escondidos pela imprensa pernambucana: Jornal do Comércio, Folha de Pernambuco e Diário de Pernambuco. A pedra fundamental da refinaria foi lançada pelos presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez da Venezuela, um empreendimento internacional, na época avaliado em 2 bilhões de dólares, que foi, misteriosamente, rompido.

Os malefícios provocados pelo neoliberalismo econômico

A nefasta ingerência dos EUA na América Latina

Carlos Frederico Alverga

Escrevo esse comentário sob o impacto de ter visto o documentário do cineasta australiano John Pilger, “A guerra na democracia”. O filme denuncia a imensa e nefasta lista de intervenções dos Estados Unidos na política da maior parte dos países latino americanos.

Os exemplos são incontáveis: Guatemala 54; Brasil 64; Chile 73; Nicarágua 78/79; El Salvador no Governo Reagan (primeiro mandato), entre 80 e 84 etc. Mas o interessante é que Pilger baseia o filme nas relativamente recentes reações políticas ocorridas em países latino- americanos contra as políticas econômicas ditadas pelo FMI, pelo Banco Mundial(este, repartição do Governo americano), pelo Consenso de Washington e pelos Estados Unidos, todas orientadas pelo neoliberalismo e pelo dogma de que o Estado não deve regular a economia capitalista e que deve sempre prevalecer o livre mercado.

O diretor australiano destaca os exemplos da reação popular na Venezuela, em 2002, quando houve o golpe contra Chávez, com participação direta da CIA, e na Bolívia, quando, reagindo contra um massacre de camponeses, o povo indígena depôs o presidente pró EUA e depois elegeu Evo Morales. (Um outro excelente filme sobre o povo depondo Presidentes é o “Memórias do Saqueio”, do diretor e deputado argentino Fernando “Pino” Solanas).

O aspecto que achei interessante no documentário foi o enfoque dado pelo diretor australiano no sentido de que esses movimentos não foram eventos isolados, mas consistiram numa reação quase que deliberada contra os efeitos deletérios do neoliberalismo na América Latina. Nesse movimento, pode-se incluir as duas eleições de Lula no Brasil e as eleições de Rafael Correa no Equador e de Olanta Humala no Peru.

AS MISSIONES DE CHÁVEZ

No caso da Venezuela, apesar do déficit democrático decorrente de um predomínio do Poder Executivo sobre o Legislativo e, principalmente, o Judiciário, houve fatos positivos e ganhos efetivos para a população de baixa renda da Venezuela, o que foi causado pelo fato meritório e louvável de Chávez ter usado o dinheiro arrecadado com a exportação do petróleo pela empresa estatal PDVSA para financiar políticas sociais, principalmente as denominadas Missiones, que reverteram em benefícios inegáveis para a população pobre venezuelana.

O documentário representa o “basta” que os latinos-americanos deram ao receituário econômico neoliberal de privatização indiscriminada, desregulamentação financeira (que redundou na crise financeira depois econômica global de 2008) e trabalhista, elegendo governos de esquerda no Brasil, na Argentina, na Bolívia, no Uruguai, no Equador, no Peru, na Nicarágua, o que representa um movimento generalizado de reação contra os malefícios econômicos provocados nesses países pelo neoliberalismo econômico.

O filme também aborda com destaque a ditadura militar de Pinochet no Chile, que a mídia amestrada considera o modelo econômico a ser seguido, no qual a Previdência Social foi privatizada, salientando as enormes desigualdades e iniquidades sociais que caracterizam o panorama social e econômico chileno.