Uma justiça com a cara do povo. Isso é possível

Justiça Justiça! clama o jornalista Helio Fernandes.
Uma definição que pressupõe: a justiça pode ser dupla.

O ministro Edson Vidigal revelou, quando presidente do Superior Tribunal de Justiça, a existência de uma justiça PPV.

Acrescento: contra o preto pobre, a puta pobre, o veado pobre.

Durante a escravidão legal garantiam para o escravo os três pês: pão, pano e pau.
Com a Lei Áurea tomaram o pão e o pano. Restou o pau no lombo. A polícia que chega derrubando portas e atirando nos morros murados do Rio de Janeiro.

Quando a Justiça tem fins: a) a felicidade, b) a utilidade, c) a liberdade, d) a paz.

No mundo inteiro existem marchas dos indignados.

Em 1971, o Papa Paulo VI demonstrou sua preocupação com a Justiça no mundo:

“As antigas divisões entre nações e impérios, entre raças e classes, possuem agora instrumentos técnicos novos de destruição; a corrida veloz aos armamentos ameaça o maior de todos os bens do homem, que é a vida; torna os povos e os homens pobres, mais miseráveis, enriquecendo, por outro lado, os que já são poderosos; gera continuamente o perigo de uma conflagração e, se se trata de armas nucleares, ameaça mesmo destruir totalmente a vida da face da terra. Ao mesmo tempo, nascem novas divisões para separar o homem do seu próximo. O influxo da nova organização industrial e tecnológica, se não for combatido e superado por adequada acção social e política, favorece a concentração das riquezas, do poder e da capacidade de decidir num pequeno grupo de directores, seja ele público, seja privado. A injustiça económica e a falta de participação social impedem o homem de desfrutar dos direitos fundamentais humanos e civis.

(…) Os processos judiciais dêem ao acusado o direito de conhecer os seus acusadores, bem como o direito a uma defesa conveniente. A justiça, para ser completa, deve incluir rapidez nos processos.

A esperança do Reino futuro mostra insofrimento por habitar nos espíritos humanos. A transformação radical do mundo, na Páscoa do Senhor, confere a plenitude de significado aos esforços humanos, e especialmente dos jovens, no sentido de minorar a injustiça, a violência e o ódio, e de se verificar um progresso de todos e simultâneamente, na justiça, na liberdade, na fraternidade e no amor”.

O POVO ELEGE A JUSTIÇA

Na Bolívia existia uma justiça branca e racista, que legalizava o apartheid indígena de 91 por cento da população, incluindo a maioria dos 30 por cento de crioulos.

Era a justiça de uma minoria de nove por cento. Mas isso mudou. Eleita nas urnas democráticas, pelo voto direto e secreto de cada cidadão livre, a Justiça tem nova cara: a do povo.