Quando uma Salomé aparece numa redação, o jornalista dança

Jornais jamais destacam o assassinato de jornalistas.  Principalmente as ameaças de morte.

No Mato Grosso do Sul, a imprensa esqueceu o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, o Paulo Rocaro, editor do Jornal da Praça, em Ponta Porã (MS), que teve a morte encomendada pelo empresário Claudio Rodrigues de Souza.

Fotos Leo Veras
Fotos Leo Veras

rocaro carro 3

rocaro 2

rocaro corpo

Cadê a polícia rápida? Idem a justiça?
Cadê a polícia rápida? Idem a justiça?

O Brasil é campeão mundial de censura judicial, apesar da autocensura imposta pelo patronato, via feitores, que praticam um constante assédio moral.

A mafiosa prostituta Salomé invade as redações para exigir, em uma bandeja de prata, a cabeça de jornalistas, reclamando que, quem paga a publicidade, compra a mensagem jornalística.

Costumeiramente, a imprensa ataca grevistas e líderes de movimentos sociais, discrinados como arruaceiros, baderneiros e trapalhões do caótico trânsito.

Nos atuais protestos de rua, dá mais destaque aos infiltrados do que às reivindicações legítimas dos manifestantes.

Resultado: a imprensa passou a ser considerada – e é – inimiga do povo.

No Brasil, a liberdade de imprensa é uma propriedade da empresa. O jornalista cumpre uma encabrestada pauta.

Em cada redação a regra: a opinião fica para o editorial. Se o jornalista quer opinar, compre um jornal.

Assim sendo, ninguém deve confundir o empregado com o patrão.

Não sei que andou pintando e bordando o Mato Grosso do Sul, para a jornalista Talyta Andrade ser “agredida”.

DiarioMS

Transcrevo do Portal de Imprensa:

Thalyta Andrade, repórter do Diário MS, foi agredida [prefiro o termo abordada], na tarde da última terça-feira (30/7), por manifestantes que ocuparam a Câmara de Dourados desde o dia 4 deste mês. Após cobrir uma reunião entre vereadores e representantes do Movimento Popular pelo Passe Livre (MPPL), a jornalista teve uma folha de seu bloco de anotações arrancada à força por uma jovem a quem havia entrevistado minutos antes.

Segundo a jornalista, a agressão ocorreu quando já deixava o Palácio Jaguaribe. “Eu me dirigia ao carro quando fui abordada [o termo correto]. A menina que eu entrevistei no plenarinho, chamada Caroline, me chamou, pediu para eu repetir o que tinha anotado de falas dela novamente e disse que a imprensa estava sendo muito incoerente e por isso eles tinham que tomar cuidado”, relatou. “Ela estava acompanhada por três pessoas e enquanto eu respondia a outra, a que entrevistei tomou a folha”, completou a jornalista.

De acordo com o Correio do Estado, a jornalista disse que as agressoras argumentaram possuir o direito de praticar o ato, para que a entrevista não fosse publicada. A agressão à liberdade de imprensa foi testemunhada por profissionais de outras mídias que também trabalhavam na cobertura da reunião.

Thalyta contou que a atitude das agressoras foi inesperada. “Fiquei estarrecida e nem tive reação. Estou indignada”, disse. A repórter procurou o 1º Distrito Policial e foi orientada a retornar hoje para o registro de um B.O (Boletim de Ocorrência) junto ao 2º DP, que tem como titular a delegada Magali Leite Cordeiro, que já investiga dano ao patrimônio público causado pelos manifestantes.

A repórter informou que antes da agressão, quando ainda estava dentro da Câmara, ouviu integrantes do MPPL se referirem ao Diário MS como mentiroso. “Já tinha sido hostilizada antes, mas nunca pensei que chegaria a este tipo de situação”, contou a jornalista, que acompanha desde o início a ocupação da sede do Legislativo. Ela explicou que a hostilidade teve início a partir de uma matéria assinada sob o título “Ocupação da Câmara vira ‘Big Brother’”, publicada no dia 18 deste mês.

Polícia rápida

Na última quarta-feira (31/7), a delegada Magali Leite Cordeiro ouviu o depoimento da manifestante do MPPL (Movimento Popular pelo Passe Livre).

A delegada diz que a agressora deve ser condenada a cumprir pena de prestação de serviços comunitários ou pagamento de cestas básicas.

“Ela [agressora] prestou depoimento e apresentou a mesma versão da Thalyta [vítima], mas acreditando estar com a razão”, disse a delegada.
Segundo o Diário MS, a manifestante arrancou à força uma folha o bloco de anotações da jornalista, sob a alegação de que não queria ter suas falas publicadas.
O MPPL publicou uma nova versão para o ocorrido em sua página. Eles pediram desculpas “aos leitores de nossa página pela nota publicada ontem [quando acusaram a jornalista de agir errado], já que visivelmente ela foi movida pela emoção e o calor do momento”.
O MPPL ainda disse que uma integrante do movimento “abordou a jornalista e pediu a mesma para ser retirada a fala” de uma entrevista concedida anteriormente. Eles alegaram que as duas conversaram de forma educada e que “tudo transcorreu na mais possível civilidade e, mesmo depois do pedido da pessoa entrevistada para que se retirasse a entrevista em questão não foi o que aconteceu”.
polícia nas ruas
.
[E quando a polícia agride?
Nunca vi nenhum jornal pedir a punição dos policiais dos governadores que batem e prendem jornalistas.
Dos policiais que atiram balas de borracha contra jornalistas.
Dos policiais covardes que jogam bombas de gás lacrimogêneo contra jornalistas.]
Ilustração de Alexander Dubovsky
Ilustração de Alexander Dubovsky

Acusados de executar o jornalista Paulo Rocaro circulam livremente

Toda morte de jornalista sempre tem a participação de policiais e/ou ex-policiais. Esta a razão de federalizar a investigação e julgamento dos assassinos. São crimes  de repercussão internacional, e que mancham o nome do Brasil, e assinalam que não temos um regime verdadeiramente democrático.

Relata o Portal da Imprensa:

Moradores de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, afirmam ter visto recentemente os acusados pela morte do jornalista Paulo Rocaro na cidade. No dia 12 de fevereiro de 2012, a mando do empresário Claudio Rodrigues de Souza, o Claudinho “Meia Água”, os contratados Hugo Stancatti Ferreira da Silva e Luciano Rodrigues de Souza executaram Rocaro enquanto este dirigia em Ponta Porã (MS).

Leia também

– Empresário mandou matar Paulo Rocaro por motivos políticos, diz polícia do MS
– Polícia Civil de Ponta Porã (MS) revela os nomes dos assassinos de Paulo Rocaro

Assassinos de jornalista (foto) circulam livremente no Paraguai
De acordo com o Mídia Max News, as testemunhas contaram que Silva vinha circulando livremente pelas ruas da cidade paraguaia, mesmo tendo mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira, por outros crimes. Já o outro acusado, Souza, esteve há poucos dias na residência de Claudinho “Meia Água”, em Ponta Porã, passando pelo município de Pedro Juan, até fugir para São Paulo, destino que outras fontes informam ser seu atual paradeiro.

O delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, condutor do inquérito do assassinato de Rocaro, disse que a Polícia Civil de Ponta Porã ficou durante muito tempo à espreita, na tentativa de prender Silva.

Mesmo não tendo o mandado de prisão pela morte do jornalista, Mesquita contou com a possibilidade de deter o acusado por seu envolvimento em outros crimes, eventualmente fazendo-o confessar sua participação na morte de Rocaro. No entanto, Silva nunca saiu do território paraguaio e a polícia local também não mostrou interesse em prendê-lo.

Mato Grosso do Sul: Quantos jornalistas foram assassinados em 2012?

Terra sem governo, terra sem justiça, o jornalismo também tem gosto de terra e sangue.

A lei da bala impera na fronteira do Mato Grosso do Sul.

Transcrevo um artigo de Eduardo Carvalho, que pode ser seu próprio epitáfio e nomeação dos seus possíveis assassinos:

Em Mato Grosso do Sul vagabundo morre, vira herói ou ‘empresário’

Um vagabundo dos piores, e foi abatido a tiros por algum desafeto, e em virtude de sua morte vira herói, ou ainda é denominado ‘’empresário de comunicação’’, tão somente por ter adquirido sabe-se Deus como, um Jornal.

Por sinal, veículo de imprensa que era tido, e havido, como arma de ataque a juízes, e outras profissionais da área  de segurança pública na área de fronteira.

Foi esse justo, amável, e trabalhador  ‘’empresário’’, que era acusado de ter financiado a morte de um jornalista de verdade, e que foi brutalmente, e covardemente assassinado por gente que não aceita o processo democrático reinante no país, apesar desse sério profissional ser um paraguaio de origem, mas que incomodava com seu trabalho na área de comunicação realizado do lado de lá de Ponta Porã. Tulú foi acusado pela prática de mando do assassinato.

Tulú como gostava de ser chamado o ‘’quase capo’’ fronteiriço, não era flor que se se cheira, assim como seu irmão, um outro covarde metido a bandido, de vulgo ‘’tatá’’ e que age pelas costas de suas vítimas, ou ainda as cagueta, assim como fez ano passado, quando aqui na capital esteve, e para entregar a uma autoridade, todo esquema de contrabando de cigarros, e outros coisas que ele mesmo disse ser “anormais’’, e que ocorrem na área de fronteira.

O cagueta safardana,  com fama e jeito  de  ‘’sanguinário perigoso’’, e que por sinal está pedido pela INTERPOL, mandava recados de morte para jornalistas, e desafetos, e há quem diga que a morte de Paulo Rocaro pode ter seu ‘’dedinho’’ para incriminar inocentes.

Foi no casino, ou melhor, no ‘’Bingo Guarani’’ de propriedade do contraventor, misto de empresário TULÚ que encomendaram quem pudesse  dar conta de minha vida, o convescote criminoso, e sob os olhos complacentes do tal  TULÚ, é que vagabundos iguais a si, tramaram minha morte, e que segundo quem me repassou as valiosas informações, essa deveria ser feita com requintes de crueldade.

Deus amante, e justo pela vida, e sapiente da justiça, não deixou que comigo nada acontecesse, o mesmo não ocorrendo com o marginal apelidado de TULÚ, esse que agora acompanha o satanás nas fornalhas do mais profundo inferno, restou seu fiel puxa saco, outro bandido igual a si, o tal ‘’Ananias’’ um paraguaio safardana,  seria o ‘’contratante’’ dos pistoleiros, e segundo informes,  os trazer ia a Campo Grande, a fim de fazer o serviço de morte.

Deus me protegeu! Agora tenho recebido e-mails, tais quais os aqui apresento em público para que as pessoas saibam que bandido defende bandido igual a si, e pelo que vejo tenho que me proteger tendo em vista que iguais protegem iguais e bandidos familiares tais quais ao vagabundo que morreu, por pura paixão, ou ainda  pela moleza do dinheiro fácil que acabou, devem estar tramando minha morte, ao qual deixo o aviso: “Pode vir que encontra resistência, não morrerei que nem a porco escanteado, em reais chances de defesa, todo aquele que vir, pode também levar. Dado o recado! Leia o e-mail e saibam que lado a verdade prevalece.

[Eduardo escreveu este texto em 8 de outubro. No dia 21 de novembro foi assassinado. Por que usou apelidos? Que tipo de polícia insinua defender? Que justiça? Polícia e justiça atacadas por um jornal concorrente, cujo proprietário também foi morto. Temos, no texto, quatro mortes anunciadas: 1. um dono de jornal, 2. um “jornalista verdadeiro”, 3. Paulo Rocaro, 4. Eduardo Carvalho]
Em 11 de novembro, Israel Espíndola escreveu no UH News:
Jornalista entrega vídeo e farta documentação à PF para ser enviada ao CNJ
O jornalista Eduardo Carvalho entregou, na Sede da Polícia Federal, farta documentação impressa e em video dando conta das falcatruas perpetradas pelo ”doutor” Joseph Sleiman, vulgo ”zuzão” e sua quadrilha. Segundo a denuncia, ”zuzão” alega ser vedendor de sentenças, essas proferidas por desembargadores e juízes do TJ MS.Num dos trechos da gravação, ”Zuzão” diz saber quem matou o ex-policial civil Serjão, e aponta como mandante o pecuarista Antonio Dameto; noutro trecho diz que o também advogado Paulo Macetti é um estelionatário, e que seu traballho consciste em jogar dois dos lados da clientela que atende; fala sobre decisões judiciais e, tempos atrás, Zuzão estaria arquitentando a morte desse jornalista, na cidade de Ponta Porã, com seu cumpadre de alcunha Tulú e outros de seu bando. É aguardar e conferir!

“A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho”

por Valfrido Silva

dedo duro

Não é porque morreu, assassinado (…) na porta de sua residência, na frente da família, em Campo Grande, que o jornalista Eduardo Carvalho (na foto, com o dedo-duro da Uragano, Eleandro Passaia) entra para o rol dos santos. Tinha lá seus pecados. E muitos, sobretudo no campo da ética profissional. Destemido, até pela formação como policial militar, talvez por isso mesmo abusando da audácia sempre que à mesa de negociações para a fechamento de contratos em seu site UHNews. Sua empresa, de comunicação impressa, virtual e até televisiva, era daquelas cujo crescimento se dava mais pelos seus controvertidos critérios de autocensura do que, efetivamente, pela receita publicitária. Mas, daí a ser rifado, pura e simplesmente, pela bandidagem do colarinho branco, são outros quinhentos. Até porque, espera-se, que esse negócio de esquadrão da morte, pelo que se vê, seja apenas do lado de lá da barranca do Rio Paraná.

A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho. Só não vê quem não quer os possíveis responsáveis pela pistolagem. As pistas abundam a partir de uma simples olhadela na listagem de matérias do UHNews. E nem precisa uma busca mais avançada. Mas alguém duvida que este seja apenas mais um crime desse tipo a cair no esquecimento? Assim como o de Paulo Rocaro. Pior, o do colega ponta-poranense, caindo num providencial esquecimento depois de o Secretário de Segurança Pública, Wantuir Jaccini, ter afirmado com todas as letras que já tinha todos os elementos para chegar aos autores, acrescentando, inclusive, que haveria “surpresas”, quando até as crianças dos grupos escolares dos dois lados da fronteira desconfiam quem são os pistoleiros e seus respectivos mandantes.

Coincidência ou não [uma semana antes], Eduardo Carvalho me ligou. Queria vir a Dourados conversar sobre algumas denúncias que andei fazendo aqui no blog. Disse que havia apurado mais detalhes sobre um desses rumorosos casos de crime de colarinho branco, envolvendo regime especial e uns bacanas que, não faz muito tempo, até já andaram fazendo curso de canarinho, mas que, impunes, continuariam agindo no Estado por meio de poderosos laranjas. “Sartei de banda”, como diz o Russo, prometendo visitá-lo numa dessas minhas cada vez mais raras idas a Campo Grande. Quer pista melhor que esta?

Outra coisa: atentem aos detalhes da foto que ilustra este texto e reflitam sobre um dos mais conhecidos ditos da humanidade: diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

[Sempre tem polícia na morte de jornalistas]

Enquanto delegado de polícia acobertado pelo Judiciário continuar se achando no direito de bater à porta de jornalista de arma em punho com a desculpa de lavar a honra da família e ninguém tomar providências, outros profissionais de imprensa podem ter o mesmo destino.

Pelo sim, pelo não, está dado o recado. Nós, jornalistas, de verdade, agradecemos a turma do colarinho branco, por tanta cortesia e amabilidade.

Mortes encomendadas. Jornalistas na mira dos pistoleiros

Transcrevo artigo publicado no O Arastão, dirigido por Geraldo Ferreira, mais conhecido por Gegê, que também sofreu ameaça. Possivelmente da bandidagem policial.

Assassinato de jornalista na fronteira expõe insegurança da profissão

Ser jornalista está se tornando profissão de risco no Brasil. Após a morte do jornalista Paulo Rocaro em Ponta Porã, ainda sem esclarecimento e sem explicações por parte da Polícia e das demais autoridades, outros casos de agressão estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.

Paulo Rocaro
Paulo Rocaro

 

No começo do mês, em Campinas, São Paulo, jornalistas que chegavam ao estádio Moisés Lucarelli foram agredidos por torcedores que estavam lá para assistir o jogo São Paulo e Ponte. Não se sabe ainda o motivo das agressões.

Na cidade de Barreiras, Bahia o jornalista Carlos Alberto Sampaio, acusa o vereador Sidnei Giachini (PP) de tentá-lo agredi-lo e de preferir palavras de baixo calão, precisando ser contido por populares e funcionários da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães para evitar que o ato se consumasse.

No final de janeiro em São Paulo o repórter Felipe Frazão, da TV Estadão, foi agredido por um manifestante enquanto cobria protesto em São Paulo contra ações do governo na cracolândia e em Pinheirinho.

O fotógrafo e diretor do site Nossacara, de Eunápolis, Bahia, Urbino Brito, foi agredido no dia 05 de fevereiro por um jovem de vulgo “Dingo”, filho de um comerciante local do ramo automobilístico, que ainda feriu mais duas pessoas com garrafas de cerveja. Motivo: fotografou o jovem bloqueando a passagem de pedestres com o carro.

Mais casos

Já o jornalista André Luiz de Oliveira, da Rádio Frequência Garopaba, Santa Catarina apanhou porque estava registrando as atividades de um caminhão utilizado em limpeza de fossa, em um restaurante à beira mar. Levou 10 dez pontos no rosto e ainda corre o risco de perder parcialmente a visão do olho direito.

Em Caxias do Sul, o ex-deputado federal e ex-prefeito da cidade gaúcha, Paulo Marinho ameaçou o editor da coluna Caxias em Off, do Jornal Pequeno, Jotônio Vianna, que o deixou irritado com as análises do jornalista sobre a sucessão municipal. No blog que mantém lembrou a morte de um jornalista de Caxias ocorrido em 1992 e disse que o fato poderia se repetir agora com Jotônio Vianna, que registrou boletim de ocorrência contra o acusado.

Ex-prefeito Paulo Marinho
Ex-prefeito Paulo Marinho

 

Em Campo Grande quem foi agredido foi o jornalista Ademar Cardoso, 49 anos, durante o evento de Desfile de Fantasias do Armazém Cultural. A assessoria da empresa privada que prestava serviço à prefeitura da capital disse que os seguranças estavam apenas se defendendo do jornalista.

No Carnaval de Recife quem levou a pior foi o repórter do NE10, Nilton Villanova que fazia a cobertura dos desfiles de blocos nas ladeiras de Olinda, no início da tarde de domingo (19), quando foi surpreendido por um grupo de jovens. Além de levarem o equipamento de trabalho do jornalista (um IPhone), os jovens o cercaram e o agrediram com socos na barriga e empurrões.

Já Paulo Rocaro foi o segundo jornalista morto no Brasil este ano. Antes dele, haviam assassinado no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Vassouras, Mário Randolfo Marques Lopes e de sua companheira Maria Aparecida Guimarães, ambos executados com um tiro no ouvido.

Mário havia sofrido um atentado em julho de 2011, quando recebeu cinco disparos de um homem encapuzado, no seu antigo endereço em Vassouras. O atentado não foi esclarecido pela polícia e ele mudou para Barra do Piraí. Ele veiculava denúncias de corrupção e escândalos políticos no site “Vassouras na net”, de sua propriedade.

Em 2011, a ONG Repórter Sem Fronteiras registrou a queda do Brasil, em 41 posições, no ranking mundial da liberdade de imprensa elaborado pela entidade.

A insegurança presentes em todas as regiões foi determinante para o país ocupar a 99ª posição. A cobertura de temas como a corrupção, meio ambiente e crime organizado foi apontada como a mais perigosa para jornalistas e blogueiros brasileiros. Foram assassinados quatro jornalistas no ano passado e o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro durante uma cobertura no Rio de Janeiro. Nenhum dos crimes foi solucionado.

Federalização já!

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”.