A Liberdade de Imprensa é do jornalista. Não pertence ao patrão

redação liberdade jornalista

Os grandes empresários nacionais e estrangeiros estão adquirindo, com dinheiro de fonte escondida, os meios de comunicação de massa.

A liberdade de imprensa é de propriedade das empresas, e nunca dos jornalistas, que levam um pé na bunda toda vez que escrevem contra os interesses do patronato.

Há uma conspiração golpista no Brasil, e quem defende a Democracia, a Verdade, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade não tem nenhuma garantia no emprego.

O Brasil não possui nenhuma Lei que regulamente a mídia, que impeça os monopólios, que defenda os direitos dos jornalistas, e a criação dos Conselhos de Redação.

IG demite Paulo Henrique Amorim e tira site do ar

Internet_Group
Carta Maior – O jornalista Paulo Henrique Amorim confirmou por telefone, no final da tarde de terça-feira, que foi demitido pelo portal IG por fax, informou Luiz Carlos Azenha, do site Vi o Mundo. Amorim relatou a Azenha que foi informado, por volta das 17 horas, por fax, que o portal não renovaria o contrato, que vence no dia 31 de dezembro deste ano. No fax, o IG menciona uma cláusula no contrato que daria ao portal o direito de tirar o site do ar dentro do prazo de 60 dias que antece o fim do contrato.

Paulo Henrique Amorim disse também que não poderia gravar entrevista por não ter consultado seu advogado. O jornalista disse que não foi informado do motivo que levou à decisão do IG.

“Paulo Henrique Amorim, que também é repórter da TV Record, é crítico tanto de José Serra quanto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, lembrou Vi o Mundo, que também informou:

Dentro de duas horas vai entrar no ar um novo site de Paulo Henrique Amorim. O endereço será http://www.paulohenriqueamorim.com.br.

Mino Carta retira blog do IG
Nesta quarta-feira, Mino Carta, diretor da revista Carta Capital, decidiu retirar seu blog do portal IG, em solidariedade a Paulo Henrique Amorim.

Mino Carta fez sua despedida: “Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada”.

Apoio e solidariedade da Carta Maior
A Carta Maior expressa aqui sua solidariedade a Paulo Henrique Amorim e também a Mino Carta, pelo seu gesto de apoio e defesa da liberdade de expressão. Episódios como este mostram que o Brasil ainda precisa avançar muito na democratização dos meios de comunicação.

Retorno de Lula em 2018 enlouquece Aécio

Pó pará, Aécio! A mais longa síndrome de abstinência da história

 

aecio-hjpocrita

 

por Gilmar Crestani

As operações da Polícia Federal, de que fala a ADPF, combinada com a perda das chaves do Aeroporto de Cláudio, deixaram Aécio Neves exasperado. A síndrome de abstinência persiste tanto mais porque apanhou nos dois Estados que ele tinha como se fossem sua própria casa: Minas e Rio.

É por comportamentos como este que o partido que tinha por projeto ficar 20 anos no poder, como verbalizou o PC Farias do PSDB, Sérgio Motta, que FHC e seus sequelados estão alijados do Poder Central. Pior, é o retorno de Lula em 2018 que os enlouquece. Uma compra de reeleição do país tolera, será que terá estômago para digerir este tapetão de obsessão infantil de maus perdedores.

Se ele pode me chamar, como eleitor de Dilma, membro de “organização criminosa”, por que eu não poderia chama-lo de toxicômano?!

 

A violência do Aécio não é tresloucada

 

organizacao-criminosa

 

por Paulo Henrique Amorim

Perdeu em casa, onde vive, onde fez romaria fúnebre

A loucura de Hamlet tinha uma lógica.

A violência pós-fascista de Aécio Never também.

Aécio perdeu em casa: Minas.

Perdeu onde vive: Rio.

Perdeu onde fez romaria fúnebre: Pernambuco.

A luta de Aécio é por sobrevivência.

Dentro do PSDB.

Ele perdeu a base de Minas.

E não tem a de São Paulo.

Ou ele acha que o Beto Richa, o Perillo e o Sartori apoiam ele?

Nem o Aloysio 300 mil, o vice que é mais cerrista que o genro do Cerra.

Aécio vai percorrer o caminho da extrema-direita, como tentou o Cerra em 2010.

Na sórdida campanha do aborto e da bolinha de papel.

Com o apoio de D Odilo e toda a Igreja !

Inclusive do Papa Bento.

Aécio vai tentar a mesma estrada de Damasco.

Cair no colo da extrema-direita para enfrentar os tucanos de São Paulo em seu território.

Onde a Veja o aguarda, com seus velhinhos.

Aécio não tem para onde ir. (Transcrevi trechos)

 

O presente de Aécio

 

janio

 

por Janio de Freitas


Se ele acha que está sendo ‘porta-voz da indignação’, fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo

Ela se apropriou da política econômica defendida por Aécio, mas Aécio não se deixa abater e já demonstra que pode fazer o mesmo: adere à redução da desigualdade social por meio da distribuição de renda, defendida por Dilma na campanha.

A reviravolta de Dilma foi mais surpreendente, mas a de Aécio é mais original no método. Veio pela TV, na amenidade noturna do fim de semana, e naquele estilo de elegância chamado “curto e grosso”.

Nas próprias palavras do ainda pretendente à Presidência da República: “Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político, eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinada por esse grupo político que aí está”.

De fato, Aécio não perdeu para um partido político. Perdeu para os eleitores, petistas, peemedebistas e nada disso, que lhe negaram o voto e o deram a Dilma. Qualquer deles agora habilitado, desde que capaz de alguma prova de sua adesão a Dilma, a mover uma ação criminal contra Aécio Neves por difamação, calúnia e injúria, e cobrar-lhe uma indenização por danos morais.

Uma foto em manifestação, uma doação ou um serviço para a campanha, um cartaz ou um retrato na janela, uma propaganda no carro, em qualquer lugar do país podem se juntar às demais provas para dar uma resposta à acusação de Aécio Neves tão gratuitamente agressiva e tão agressivamente insultuosa.

É difícil admitir que Aécio Neves esteja consciente do papel que está exercendo. A situação social do Brasil não é de permitir que acirramentos, incitações e disseminação de ódios levem apenas a efeitos inócuos, de mera propaganda política. Para percebê-lo, não é preciso mais do que notar a violência dos protestos com incêndios ou a quantidade de armas apreendidas.

Se Aécio acha, como diz, que está sendo “porta-voz de um sentimento de indignação”, pior ainda: fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo, e aonde isso o leva.

 

 

As almas de Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira

Um encontro no céu. Espero que no final deste século.

paulo_henrique_amorim

Paulo Henrique Amorim (com cara de espanto):  – Não sei como São Pedro deixou você, do Pig, entrar aqui?

Heraldo

Heraldo Pereira (com cara de espanto): – ‘Seu’ conversa afiada, como você me reconheceu?

QUO VADIS. Cuidado que tem boi na linha

Gente, cuidado com os aventureiros. Quem pede um impeachment, pede em nome do vice-presidente ou do vice-governador.
Gente, cuidado com os aventureiros.
Gente, cuidado com o PIG – o Partido da Imprensa Golpista.

 

AOS CACOS

AOS CASCOS. Por Heriberto PozzutoEquipe da Globo é expulsa de manifestação em SP

Manifestantes expulsam equipe da Rede Globo. O jornalista Caco Barcellos e seus repórteres não conseguiram ficar no protesto, que fecha a avenida Faria Lima.
Os manifestantes que protestam contra o aumento da tarifa do transporte público no largo da Batata, em São Paulo, expulsaram uma equipe da Rede Globo do ato que acontece desde as 17h. O jornalista Caco Barcellos e seus repórteres não conseguiram ficar no protesto, que fecha a avenida Faria Lima. Os manifestantes expulsaram os profissionais com gritos de “Fora Globo” e “Central Globo de Mentiras”.
tv marcha povo pensamento indignados

Por Gilmar Crestani: Para a Rede Globo e seu retransmissores, manifestantes “com rumo” só os do CANSEI. Quando o rumo é contra os grupos mafiomidiáticos, são eles que perdem o rumo. Hoje os grandes responsáveis pela desinformação são os próprios meios de comunicação. Hoje, não. Lembro de 1987 quando participei da greve dos bancários em Porto Alegre, e Olívio Dutra era do Sindicato dos Bancários. Numa assembléia da categoria no Gigantinho, quando o pessoal da RBS apareceu toda categoria virou as costas, porque sabíamos que a RBS estava ao lado dos banqueiros, não dos bancários. No outro dia a Zero Hora estampou foto dizendo que os bancários haviam virado as costas aos seus dirigentes. Hoje, uma mentira como esta seria desmentida em tempo real na internet. É por isso que eles, os a$$oCIAdos do Instituto Millenium estão perdendo o rumo.

ELIANE CANTANHÊDE, da Folha, só tem olhos para Dilma, mas, pelo que se tem visto, todas as movimentações tem mais  olhos para gente como Eliane.

Juan Hervas
Juan Hervas

Paulo Henrique AmorimClique aqui para ler “Globo se esconde do povo”.

Foi mais fácil protestar em frente ao Palácio do Governador do que em frente de quem governa, de fato.

Estava navegando nas redes sociais, e eis que encontro o vídeo cujo endereço segue nesta mensagem. É uma crítica de Claudia Riecken ao comentário que o Arnaldo Jabor fez sobre a manifestação contra o aumento do  transporte coletivo em São Paulo.  Como não assisto a Globo, fui buscar o “comentário” do Jabor, que se encontra no youtube. Quem tiver estômago veja o mesmo.

Não conheço a Claudia Riecken,  mas uma rápida busca na internet trouxe informações sobre a mesma. Ela é uma cidadã que não usa ônibus, que não teria porque se indignar com o ocorrido. Mas ela externa o que parece ser a realidade: o aumento de R$ 0,20 na passagem do transporte coletivo em São Paulo foi a gota d’água. (Lembrei-me da música do Chico Buarque: “deixe em paz meu coração, ele é um pote assim de mágoa “Deixe em paz meu coração. Que ele é um pote até aqui de mágoa. E qualquer desatenção, faça não. Pode ser a gota d’água”).

Vejam o vídeo da Claudia Riecken: Aqui 

 

De Luiz Carlos AzenhaDa direita nada podemos esperar. É preciso que Haddad e Dilma, eleitos por um partido que tem compromisso com os movimentos sociais, se manifestem e assumam a dianteira. Se ficarem à reboque da direita, vão se perder. Até o FHC já elogia os manifestantes…

De NataCastro:Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso

 

slavoj

Infanticidas e escravocratas contra Bolsa Família

O boato do fim do Bolsa Família nasceu de um balão de ensaio da Folha de São Paulo, que reverberou na classe média escravocrata e ameaçou as empregadas domésticas. Ouvi de uma dondoca: – “Essa gente pobre, sustentada pelo governo, não quer mais trabalhar”.

Esquecem os católicos o sermão do Papa Francisco: – “Salário indigno é escravidão”.

Que reclamem as madames: elas ajudaram a espalhar o boato infanticida.

br_atarde. bolsa família mortalidade infantil

E para Áecio o aviso: os conselhos da Folha de São Paulo derrotam qualquer candidato.

O povo não lê a Folha, cujas opiniões e notícias são espalhadas por proprietários de rádio e outros meios de comunicação do PIG.

Escreve Paulo Henrique Amorim: “O editorial da Folha – que só este ansioso blogueiro leu – critica severamente o Aécio Neves, porque deu ‘sinais de hesitação’: já que se recusou a atacar com ‘denúncia ácida’ o assistencialismo do Bolsa Família”.

E acrescenta: “O boato sobre a extinção do Bolsa Família atingiu 12 estados. Milhares de brasileiros (os mais pobres) correram às agências da Caixa com medo de não receberem o benefício.

Dizem que o boato começou na internet. Pode ser. Mas duvide-o-dó que tenha sido espalhado por ela. Aí tem rádios populares, com toda certeza, pois o povão do Bolsa Família só tem computadores, carros e aviões na mensagem distorcida da mídia corporativa.

Esse atrevimento de bolar e botar em execução um plano com esse alcance só acontece porque temos três ministérios fracos, acocorados – o da Justiça, o da Comunicação e a Secretaria de Comunicação, que enche de verba o inimigo que lhe ataca. Três bananas.

A presidenta Dilma que não se engane: esse boato plantado, e que atingiu seu objetivo de provocar pânico, é apenas balão de ensaio do que vem por aí.

Caso ela continue apoiando esses ministérios inoperantes, pode ter a desagradável surpresa de ver adiante um boato como o de que todos devem correr aos bancos porque eles vão quebrar, ou, ainda (vamos ver se assim ela se move), o de sua renúncia, um golpe etc., trazendo caos ao país, sem que nada disso tenha sido detectado pelas agências de inteligência (nas mãos do bananão da Justiça), com apoio das concessionárias de rádio, TV e teles ( nas mãos do bananão da Comunicação) e com as fartas verbas publicitárias do governo (nas mãos da bananona da Secom).

Presidenta, Lula quando chegou à presidência já havia concorrido três vezes. Além disso, percorreu o país com a Caravana da Cidadania, nasceu pobre no interior do nordeste, e virou um grande líder metalúrgico.  Sua imagem é conhecida, admirada e está na imaginação e no coração de todos. Lula fala diretamente com o povo. Você, presidenta, ainda não. Grande parte do seu prestígio ainda vem dele, por isso a mídia não se cansa de querer dissociá-los.

Portanto, cuidado. João Goulart, com uma proximidade do movimento sindical imensamente maior que a sua, foi defenestrado com um aviso falso de que havia fugido do país, divulgado pelas rádios e espalhado pelos jornais. O Congresso fez o resto, enquanto os tanques tomavam as ruas.

O boato do fim do Bolsa Família abriu a jaula. Ou a presidenta prende as feras ou pode vir a ser devorada por elas”.

Para Luiz Carlos Azenha: O “resumo do filme: hoje o Bolsa Família tem um benefício médio de R$ 237 por mês, o que dá R$ 2.844,00 por ano. Por outro lado, desde 2000, por cálculos oficiais, a família Marinho recebeu um Bolsa Família anual de R$ 488 milhões e 824 mil reais em recursos públicos federais, só através da TV. Chique, né?”
bf

Utilizam a justiça para censurar Paulo Henrique Amorim, Lúcio Flávio, Esmael Morais, Mino Carta, Rubens Glasberg, Luiz Carlos Azenha, Luiz Nassif, Rodrigo Vianna, Juca Kfouri

 

justiça

A Justiça é usada como instrumento de censura contra os jornalistas? Há realmente liberdade de imprensa e expressão no Brasil? É necessária a criação de um marco regulatório nas comunicações? Para responder essas e outras perguntas, o jornal Unidade ouviu os jornalistas e “blogueiros sujos” Paulo Henrique Amorim, Lino Bocchini e também o jurista Fábio Konder Comparato.

Abaixo, a entrevista com Paulo Henrique Amorim.

A questão da mídia, da liberdade de expressão e a Justiça estão em pauta ultimamente. Vários jornalistas vêm sendo processados e, inclusive, perdendo alguns processos contra os chamados “Barões da mídia”. Você acabou de perder uma ação contra o Ali Kamel da TV Globo. Você se sente vítima da Justiça?

Paulo Henrique Amorim– Eu não diria que eu sou vítima da Justiça. Eu sou vítima de um processo que utiliza a Justiça para nos censurar. Não a mim apenas, evidentemente. Temos exemplos múltiplos, desde o Lúcio Flávio no Pará, o Esmael Morais no Paraná, aqui em São Paulo tem o Mino Carta, o Rubens Glasberg, o Luiz Carlos Azenha, o Luiz Nassif, o Rodrigo Vianna, o Juca Kfouri, que não é exatamente um blogueiro sujo, mas sofreu e sofre cerca de 50 processos movidos pelo Ricardo Teixeira.

Então, a Justiça acaba servindo aos interesses dos barões da mídia?

P.H.A.– O que aconteceu historicamente, em minha opinião, é que estamos participando de dois fenômenos simultâneos. O primeiro fenômeno é que houve uma cooptação completa pela Casa Grande. Casa Grande com C maiúsculo, G maiúsculo, na concepção do Mino Carta. Não a Casa Grande do Gilberto Freire, mas a Casa Grande da elite brasileira que hoje fica mais no Jardim Europa do que no Engenho, não é? Mas a Casa Grande cooptou a imprensa. A imprensa, que no meu blog eu chamo de PIG (Partido da Imprensa Golpista), foi completamente devorada pelos interesses da Casa Grande e nada mais é do que a expressão dos interesses políticos, culturais e filosóficos da Casa Grande. Esse é um primeiro fenômeno.

Esse fenômeno tem a ver com o fim da Lei de Imprensa?

P.H.A.– Um fenômeno mais circunstancial, digamos mais conjuntural, é que houve aqui no Brasil uma medida que à primeira vista foi muito progressista que foi o fim da Lei de Imprensa. Ela foi promulgada pelos militares com objetivos restritivos e, quando acabou a Lei de Imprensa, não ficou nada embaixo, não ficou nada que protegesse os jornalistas. Porque mal ou bem, essa Lei era, como diria aquele famoso presidente do Corinthians, uma faca de dois legumes: ela prejudicava a imprensa, mas também a beneficiava. Agora, não tem nada embaixo. E é muito fácil hoje você chegar até a Justiça e dizer que está sendo vítima de uma ofensa moral. Acontece que lá no Supremo, ao julgar a Lei de Imprensa, já foi estabelecida uma jurisprudência que é: não há limite ou restrição à liberdade de expressão. Então, até você provar que houve uma ofensa moral, no caso de uma figura pública, você terá que rasgar a Constituição várias vezes. O problema é que até nós, jornalistas e blogueiros, chegarmos até o Supremo, a gente vai gastar muito tempo e muito dinheiro. Então, qual é a tática, por exemplo, do Daniel Dantas, que move contra mim duas dezenas de ações? É me calar pelo bolso, porque a estratégia dele não é reparar um direito. Ele não está interessado em reparar um direito, em se ressarcir de uma ofensa grave. Para ele, o processo é o fim em si mesmo, a ação na Justiça é o objetivo em si mesmo. Quer dizer, ao me acionar, ele imagina que vou me depauperar financeiramente, vou desistir e parar de falar dele. Ele já percebeu que isso não vai acontecer, porque eu estou falando dele há dez anos e tenho dinheiro para ir até o Supremo. Eu, felizmente, fiz uma carreira no jornalismo bem sucedida por que o salário de televisão é maior do que o da imprensa escrita. Eu fiz, modestamente, uma carreira que me permitiu uma boa remuneração. Eu soube aplicar o meu dinheiro. Então, não há o menor problema. Eu vou ao Supremo cinquenta vezes. Agora, eu me pergunto, quantos jornalistas no Brasil podem fazer isso?

O jurista Fábio Konder Comparato perdeu uma batalha na Justiça contra a Folha de S.Paulo. E o Daniel Dantas, que move dezenas de processos contra você, tem boas relações no Judiciário. Como você, jornalista, vai enfrentá-lo?

P.H.A.– Eu tenho certeza e a minha própria vida nessa batalha na Justiça demonstra isso, que eu sou muito mais vitorioso do que perdedor. Tenho certeza de que a Justiça se faz e se fará. O problema é chegar até o fim. O problema é chegar até o final da Copa do Mundo, tantas são as etapas anteriores. E o que a gente assiste hoje é a tentativa de sufocar por esse desenrolar sufocante de etapas, etapas e etapas. Quantas e quantas vezes eu já fui ao Fórum da Barra Funda. Eu já sou íntimo dos funcionários do Jecrim, que é o Juizado Especial Criminal. Eu sou íntimo, nos tratamos de você, contamos piadas uns para os outros, de tantas vezes que eu fui até lá. Tem gente que sofre quando fica ao lado de um algemado no Jecrim. Para mim isso é normal. Faz parte da minha rotina de jornalista. O meu país, lamentavelmente, criou as condições institucionais para que nós jornalistas sejamos tratados assim. Agora, paciência, eu vou lutar nessa batalha.

O fim da lei de Imprensa teve quais efeitos para a sociedade brasileira?

P.H.A.– Existe um vácuo legal que é o que acontece nas instâncias inferiores até você aplicar a jurisprudência que foi estabelecida na hora em que acabou a Lei de Imprensa. Acabou a Lei porque o ministro Ayres Britto e um dos votantes, o voto mais eloquente, que foi o ministro Celso de Melo, disseram que não há restrição à liberdade de expressão. Aquela que é garantida pela Constituição, entretanto, acabou. Agora, até os juízes intermediários chegarem a essa decisão e, muitos deles, submetidos às pressões que homens como o Daniel Dantas são capazes de fazer, para quem o processo é o fim e não a reparação da injustiça, até que isso se resolva, nós somos a primeira geração de jornalistas que teremos que enfrentar essas coisas e nós vamos enfrentar.

Aparentemente, os jornalistas estão indefesos, não possuem mais nenhuma salvaguarda. Não conseguiram formar o Conselho Federal de Jornalismo, não existe um marco regulatório na comunicação, a sociedade não tem controle sobre as informações que recebe. Como fazer para mudar este quadro?

P.H.A.– Nós temos que disputar em todos os fóruns, em todos os capítulos. Temos que aproveitar todas as chances e uma dessas janelas que nós temos para enfrentar esses ataques à liberdade de expressão é o nosso próprio blog. É dar divulgação a essa batalha. Precisamos informar a opinião pública. Eu, particularmente, sou visado porque eu fui cercado pelo que eu chamo de o sistema planetário que tem o Daniel Dantas como um sol. É um conjunto em que ele é o ponto de referência, ele é o mastro do circo e tem vários picadeiros. Todos os artistas que trabalham nesses picadeiros entraram em ação contra mim, mas eu não tenho a menor dúvida de que ele é o mastro. Ele é o mestre de cerimônias e talvez seja o tesoureiro, entendeu? Então, meu caso é muito peculiar. Mas, não tem problema, porque eu estou agora para fazer e eu vou processar o Daniel Dantas por abuso de usar o Direito. Todo mundo tem o direito de recorrer à Justiça para se defender daquilo que considera um direito ameaçado. Ele, ao me processar 20 vezes, está abusando do direito que o Direito confere e ele vai pagar caro por isso. Estou esperando ele na esquina. Quando ele completou um número significativo de ações contra mim e quando ele entrou no crime também, aqui em São Paulo. Completo esse quadro, essa estante de processos judiciais que configuram um excesso, um abuso de um direito que cada cidadão tem, ele será processado e terá que me ressarcir do dano financeiro que eu tive e o dano moral que eu passei quando estava lá no meu trabalho, na Record, como jornalista e fui interrompido com a chegada de dois seguranças e um oficial de Justiça como se eu fosse um traficante de cocaína. Entendeu? Isso tem um custo.

cigarro Kamel suave

Você foi recentemente condenado em primeira instância em uma ação movida pelo Ali Kamel, o todo poderoso diretor da Rede Globo. Como você analisa esta pendência judicial?

P.H.A.– Essa questão é a seguinte: o Ali Kamel me processa várias vezes porque eu critiquei aquele livro que ele escreveu, Nós não somos racistas. Eu disse, repito e repetirei, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que aquele livro leva água para o moinho do racismo, joga lenha na fogueira do racismo. Porque aquele livro é um dos centros ideológicos, uma das matrizes filosóficas do pensamento racista ao delegar, ao subtrair a maldita herança da escravidão que está aqui até hoje no Morro do Alemão, na Rocinha, Paraisópolis, Heliópolis, na USP. Entre na USP e vá à Poli e você vai ver o legado da escravidão, entendeu? E o seu Ali Kamel escreveu um livro para dizer que no Brasil a maioria não é negra, que a maioria é de pardos e como não há negros, não precisa de cota. E ele é o ideólogo contra o Bolsa Família. A matriz do pensamento conservador do Brasil contra o Bolsa Família está nas páginas de O Globo em artigos assinados pelo Ali Kamel. Então, eu direi até o fim dos meus dias que o senhor Ali Kamel é um dos esteios mais sólidos do pensamento racista brasileiro. Aí ele ficou chateado. Então fica essa batalha,. Ele ganha uma, eu ganho outra, ele ganha mais uma e eu outra. Ele ganhou uma agora, mas ganhou uma etapa.[…]

Como você mesmo disse, é necessário ir até o final nesses processos. Mas o que você diria a jornalistas que não têm a mesma condição?

P.H.A.– Nós temos que encontrar mecanismos dentro do Sindicato, dentro do Instituto Barão de Itararé. Precisamos criar mecanismos que deem apoio a esses blogueiros sem condições de ir até o Supremo. Nós temos que fazer isso através das OABs. Veja bem: esse é o início da batalha. Agora que está começando. Por acaso eu sou pioneiro nisso, como o Nassif foi pioneiro, como o Mino Carta. O Mino responde a dez processos do Daniel Dantas. Somos pioneiros nisso, então temos que criar os mecanismos institucionais dentro das nossas próprias instituições, seja no Sindicato, seja na OAB e defender o Lino, por exemplo, até ele ter força para chegar lá. Porque é isso que eles querem. É isso que a Folha quer: sufocar o Lino no começo do campeonato. Entendeu? Na primeira rodada, porque ela sabe que quando chegar lá na final no Morumbi, renovado, a gente ganha. Então tem que matar antes. Até se firmar uma jurisprudência que vá descendo os escaninhos da Justiça e chegue às primeiras instâncias do Brasil inteiro, entendeu?

Qual a sua concepção de liberdade de expressão ou liberdade de imprensa. Como você analisa este tema?

P.H.A.– O ministro Ayres Britto, ao sair da presidência do STF, criou no Conselho Nacional de Justiça, um fórum para elucidar os juízes de primeira instância sobre a questão da liberdade de imprensa. E ele cometeu três erros. Primeiro, ele usou a expressão liberdade de imprensa e, como diz o professor Vinícius [Venício] Lima, o mais importante é a liberdade de expressão. A liberdade de imprensa é uma expressão ligada ao direito empresarial, comercial, industrial de imprimir. A liberdade de expressão é um direito do cidadão que vem desde a Revolução Francesa. O ministro não misturou estes conceitos por acaso e por quê? Porque ele fez com que esse fórum tivesse representantes de fora de duas instituições. Ele não chamou o Guto (José Augusto Camargo, presidente do SJSP), não quis saber do Guto. Ele chamou a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) que é controlada pela Globo e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) controlada pelo Globo. Então, vai ser um fórum dentro do Conselho Nacional de Justiça com os membros do Conselho Nacional de Justiça, um representante da Globo, que deve ser o Ali Kamel e outro representante de O Globo que deve ser o Merval Pereira. Isso que ele fez. Agora nós, do Barão de Itararé, através do nosso presidente pro tempore, Altamiro Borges, estamos batendo na porta com a ajuda do nosso advogado Joaquim Palhares, dizendo: “Queremos sentar aí. Queremos sentar aqui, queremos discutir aqui com o Ali Kamel e com o Merval”. Porque só eles dois podem participar desse fórum? Porque esses dois aí, a ANJ e a Abert querem que nós, blogueiros sujos, façamos parte daquele conjunto de pessoas que foram queimadas nas fogueiras da Inquisição. É isso. Nós temos que ter fôlego e temos que criar os mecanismos dentro dos nossos próprios fóruns para poder enfrentar essa batalha, porque o objetivo deles é nos matar no início.

Observatório da Imprensa/ SJSP

Ali Kamel demite funcionários da Globo por “razões técnicas”.

Ali Kamel
Ali Kamel
Rodrigo Vianna
Rodrigo Vianna

O blogueiro Rodrigo Vianna foi condenado a indenizar por danos morais o diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Para reparar os prejuízos à imagem do autor da ação, Vianna terá de indenizá-lo em R$ 50 mil, de acordo com sentença da 23ª Vara Cível do Rio de Janeiro.

Arrazoa a juíza Andrea Kintel: “Trata-se de ação de indenização ajuizada por ALI AHAMAD KAMEL ALI HARFOUCHE contra RODRIGO DE LUIZ BRITO VIANNA na qual afirma ser jornalista e escritor, ocupando o cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo da TV Globo; que o réu prestou serviços para esta empresa até dezembro de 2006, ocasião em que não fora renovado o seu contrato por razões técnicas (…)”.

Vianna trabalhou doze anos na Globo, tempo demasiado para provar que “razões técnicas” não existem. Entendo que “razões técnicas”, no caso, insinuam vários tipos de comportamento do profissional, jamais incompetência para exercer a profissão. Essas razões precisavam ser melhor esclarecidas.

Eis uma pista: “Vianna trabalhou durante 12 anos na TV Globo e deixou a emissora em 31 de janeiro de 2007, após ter sido informado que o seu contrato não seria renovado por razões técnicas. Criticou a cobertura das eleições 2006 feita pela TV e disse que este seria o real motivo do seu afastamento”.

Sempre denunciei que nos anos pares, antes e depois das eleições, os proprietários dos meios de comunicação realizam demissões de jornalistas por motivação política. Puro partidarismo. Que não se faz jornalismo imparcial no Brasil. Os jornalistas escrevem, mostram e falam o que o patrão manda via seus empregados que ocupam cargos de confiança, que no Brasil não existe Conselho de Redação, nem Estatuto do Jornalismo.

No caso, o termo “razões técnicas” pode ser um eufemismo para uma suposta incompetência profissional ou pode esconder muito mais: assédio moral, falta de liberdade de expressão (a liberdade de imprensa no Brasil é um direito exclusivo da empresa, do patronato, e não do empregado) etc.

Acrescenta a juíza Andrea Kintel: (…) que o réu também jornalista mantém sítio na internet com o nome ‘escrevinhador’ e através do mesmo ataca o autor de forma lamentável com intenção de difamar a anterior contratante e em especial o autor, seu antigo diretor; que as manifestações do autor revelam ressentimento e rancor em razão da rescisão de seu contrato de trabalho encerrado após 12 anos; que antes da rescisão a relação com o réu era cordial; que o réu há mais de um ano intensificou os ataques ao autor e em agosto de 2009 insinuou em sua página na internet que este estrelou filme pornográfico na década de 1980, informação falsa que causou constrangimento ao autor; que esta manifestação do réu foi publicada em seu sítio na internet ocasião em que o réu assim se manifestou: ‘Dois anos atrás recebi de uma colega jornalista a informação sobre o filme ‘Solar das Taras Proibidas’ — Ali Kamel — diretor da Globo estaria no elenco, dizia-me este colega. Alguns meses depois vi as imagens do Youtube; que em seguida o réu se manifestou afirmando que ‘as sacanagens do filme são de uma inocência angelical comparadas às sacanagens de determinado jornalista praticado hoje no Brasil’; que apesar do réu ter afirmado que para ele o fato de o autor ter sido ator pornô não seria problema dele, por outro lado não desmentiu a informação; que o réu não só divulgou texto com o título ‘As Taras de Ali Kamel’ como também disponibilizou um link para acesso às imagens do filme; que o réu ajudou a disseminar a falsa informação demonstrando maldade e intenção de ofender; que após ser demitido da TV Globo o réu teria ficado preso na portaria porque seu crachá estava cancelado e teria dito ‘deve ser mais uma tara de Ali Kamel’; que em data posterior o réu fez publicar novamente em seu sítio na interne novas afirmações sobre a suposta atuação do autor em filme pornô afirmando que ‘o que me chama atenção é como o canhão da ‘Globo’ perde força a cada burrada de Ali Kamel (aquele diretor de jornalismo da ‘Globo’ que tem como ‘cover’ um ator pornô’; que em continuação o réu publicou mais uma vez notícia de outro sítio da internet denominado ‘cloaca News’ onde afirma ‘O cloaca News é aquele site que publicou , há alguns dias, informação sobre o filme ‘Solar das taras proibidas’. O filme é estrelado por Ali kamel, um suposto ator que — aparentemente — é homônimo de Ali Kamel, suposto jornalista carioca….. o Ali Kamel que deveria preocupar o Brasil não é o ator pornô, mas o jornalista — contra as quotas, o Bolsa-Família e os quilombolas, ele dirige a TV Globo como se fosse um partido. A história não o absolverá! Com ou sem taras!’. Que o réu reproduziu em seu sitio na internet a capa montada de um livro também montando e que ao que parece tem o livro escrito pelo autor como base da montagem; que meses depois mais uma vez o réu se manifestou afirmando que alguns jornalistas são subservientes aos chefes poderosos e que o autor estava incluído em uma lista dos cem brasileiros mais influentes de 2009, afirmando que era o jornalista e não o ator quem estava listado; que em março de 2010 o réu mais uma vez se manifestou fazendo menção ao autor; e novamente em julho do mesmo ano; que em outubro de 2010 o réu se manifestou afirmando que ‘Dilma no poder significa a derrota de Ali Kamel e seu pornográfico jornalismo de bolinhas na Globo’; que o réu age de forma dolosa e com motivação torpe de vingar-se do autor em razão do seu afastamento da TV Globo; requer a condenação do réu ao pagamento de indenização por danos morais, bem como nos ônus da sucumbência. Inicial instruída com os documentos de fls. 21/85.

Regularmente citado o réu apresentou a contestação de fls. 92/124 acompanhada dos documentos de fls. 125/174 alegando que o autor descontextualizou os textos publicados pelo réu e premeditou a editoração dos mesmos; que o autor pretende a censura à livre manifestação do pensamento e crítica profissional ao exercício do jornalismo; que após sair da TV Globo o réu ganhou prêmios jornalísticos; que pratica o jornalismo sério e ético; que não tem antipatia biliar ou reserva pessoal quanto ao autor; que ante posição tomada por seu anterior empregador quanto ao segundo turno das eleições presidenciais houve um abaixo-assinado que o réu não assinou e a partir deste fato não foi mais escalado para cobrir assuntos nacionais, mas somente locais; que mantém o sitio da internet chamado ‘Escrivinhador’ através do qual trata de assuntos econômicos, políticos, internacionais e faz a chamada crítica da mídia; que de fato o autor é mencionado em diversas vezes neste sítio, pois é diretor de jornalismo da maior rede de TV brasileira, com a qual o réu não concorda; que não nutre fúria, irresignação, ressentimento ou rancor contra o autor; que o móvel dos artigos publicados pelo réu nunca foi divulgar ou propagandear a pretensa participação do autor em filmes pornográficos; que a alusão a ‘taras de Ali Kamel’ é uma metáfora informal para referir as práticas jornalísticas e de chefia condenáveis do autor; que a expressão ‘ator pornô’ pode ser chula, mas é admitida nos ambientes de ‘blogs’; que a metáfora quer significar que o autor ao engajar o jornalismo que pratica acaba por vitimá-lo e prostituí-lo; que a metáfora serve como crítica e não para acusar o autor de ser fornicador profissional; que o autor ao tirar partes do texto para reproduzi-las nesta ação faz com que o sentido fique diverso; que o trabalho em um blog não é similar ao de um jornal, revelando opinião, crônica política, econômica e social. Que os textos em seu blog são recheados de sátira e ironia com elementos laterais e secundários de picardia e crítica e o cerne quando se refere ao autor é a crítica à conduta profissional do autor; que não qualquer intuito de ofender o autor; que o réu não está sozinho em suas críticas ao autor; que tem o direito de exercer a sua profissão sem qualquer censura; que a hipótese dos autos não se encaixa na previsão legal do dano moral; que a simples informação acerca da existência de filme pornô com o nome de um homônimo do autor veiculada com as cautelas devidas não tem o condão de macular a esfera intima do autor; requer a improcedência do pedido. ‘Réplica’ às fls. 182/199.

Instadas as partes a se manifestarem em provas, o autor às fls. 201/202 requereu o julgamento da lide e o réu ás fls. 203/205 requereu as provas oral e pericial estilística. Decisão de fls. 206 indeferiu as provas requeridas pelo réu e foi atacada por Agravo Retido por este interposto às fls. 207215 e respondido às fls. 218/224.

Vieram-me os autos conclusos.
É o Relatório.

Decido.
Pretende o autor a condenação do réu ao pagamento de indenização por danos morais que alega ter suportado em decorrência de publicações feitas por este em seu sítio na internet com o intuito de difamar e causar constrangimentos ao autor. As mencionadas publicações estão reproduzidas nas peças principais desta ação, bem como foram juntadas pelas partes. Em razão disto não há qualquer dúvida acerca de seu conteúdo ou sobre o contexto no qual as mesmas foram lançadas pelo réu. Por isso, andou bem a decisão de fls. 206 que indeferiu as provas testemunhal e pericial estilística requerida pelo réu. Os elementos necessários à formação do convencimento do julgador encontram-se presentes nos autos.

O cerne da controvérsia posta em julgamento é a atitude do réu, tomada repetidas vezes, e consubstanciada na publicação no seu ‘blog’ de referências expressas ao nome do autor e que envolve um suposto homônimo seu, que seria ator pornográfico. Por algumas vezes ao longo de mais de um ano o réu fez publicar notícias em seu ‘blog’, seja reproduzindo notícias de outros colegas jornalistas, seja expressando seu próprio pensamento, no sentido de que o autor teria feito filme pornográfico quando jovem e que o filme poderia ser visto em outro sítio da internet, fornecendo, inclusive, o endereço eletrônico. As publicações, como dito antes, encontram-se nos autos. A sua leitura é fácil e, também, conclusiva.

Importante registrar em um primeiro momento que o réu em sua contestação se esforça para identificar uma diferença entre os diversos sítios de informação jornalística e os ‘blogs’, afirmando que nestes últimos é permitida a expressão dos seus autores de maneira mais relaxada, satírica e até debochada. Com relação a tal afirmação, devo dizer que todos os meios de comunicação escritos ou falados, fomentados por jornalistas, sejam eles famosos por suas capacidades de enfrentamento crítico das notícias ou não, devem se pautar pela verdade, pela ética e, acima de tudo, pelo profissionalismo. Não há diferenciação em termos de garantias constitucionais às espécies de veículos de comunicação existentes e que servem para propagar notícias.

O território da ‘internet’ está repleto de sítios e ‘blogs’ acessíveis por milhares de pessoas em todo o mundo que buscam informações acerca de notícias dos seus interesses. Tal território está, inclusive, neste momento sendo objeto de proposta de regulamentação através do ‘marco civil’ como está sendo conhecido o Projeto de Lei 2.126/2011, que tem como objetivos, dentre outros, o de estabelecer parâmetros e responsabilidades para todos aqueles que dela se utilizam, com intuito comercial ou não. Ultrapassada a desinfluência do ‘status’ do ‘blog’ frente aos demais meios de comunicação, é de bom alvitre esclarecer que esta magistrada em outras oportunidades apreciou e julgou demandas envolvendo a manifestação de pensamentos jornalísticos de um lado e a honra e dignidade do outro, para reconhecer a fundamental importância das palavras propagadas por jornalistas quando no desempenho de sua tarefa constitucional de informar, exortando aqueles que se revelam comprometidos com a informação verdadeira e com a crítica, doa a quem doer.

Em se tratando do tema dever de informação é comum existirem interesses opostos que revelam a necessidade de se fazer uma ponderação entre eles: o que deve prevalecer o dever do jornalista de informar ou o direito à privacidade e à dignidade? Ninguém duvida da necessidade do trabalho desempenhado pelo réu, que conforme dito na contestação foi merecedor de prêmios por sua atuação profissional. O autor não pretende com esta ação qualquer censura ao réu ou ao seu trabalho. O que está posto para julgamento é a atitude do réu de publicar em seu ‘blog’ repetidas vezes notícias alusivas à suposta participação do autor em um filme pornô e da existência de taras tituladas também pelo autor. Através da leitura destas manifestações é possível verificar que, de fato, o réu se valia das expressões ‘ator pornô’ e ‘taras de Ali Kamel’ sempre que tinha a intenção de se referir ao autor ou à empresa na qual o mesmo trabalha.

Em contestação o réu afirmou que tais expressões revelam um mote ou uma metáfora e que a metáfora serve como critica e não para acusar propriamente o autor de ser fornicador profissional. Não é preciso ser jornalista para conhecer os conceitos de mote e de metáfora. A segunda se fundamenta em uma relação de semelhança e o primeiro se refere a um tema. Pois bem, por qualquer lado que se olhe, seja pelo lado do mote, seja pelo da metáfora vê-se que a intenção do réu era de colocar o autor em plano de evidência usando para isso da notícia, que é verdade, não fora por ele veiculada, de que o autor teria sido ator em um filme pornográfico e com esta afirmação fez diversas suposições. A pergunta que fica é a seguinte: qual o motivo de usar estas expressões, voltando ao tema do filme pornográfico, repetidas vezes, em contextos diferentes de notícias? Os documentos trazidos aos autos revelam que o réu fez referência à suposta participação do autor em um filme pornográfico para falar de assuntos que não guardavam relação de conexão entre si.
É bastante difícil, diante do contexto dos fatos nesta ação, concordar com o réu quando ele afirma que o uso das expressões acima serve como crítica ao desempenho profissional do autor e não para afirmar que ele seja um fornicador profissional. As informações disponibilizadas no ‘blog do autor’ contém indubitavelmente grande interesse público, sendo certo que é absolutamente desnecessário fazê-las acompanhar de expressões ‘ator pornô’ e ‘tara de Ali Kamel’, valendo-se repetidas vezes da história lançada por terceira pessoa. Não se trata assim do direito de informar, uma vez que este é constitucionalmente assegurado ao autor, mas sim de ataques desnecessários, sem fundamento na verdade, pois não restou provada a participação do autor em tal filme, com o evidente intuito de propagar e manter na mídia a falsa notícia, sem qualquer ligação com as informações que o réu pretendia dispor ao seu público.

Não se pretende com esta sentença que o réu seja proibido de lançar críticas ao autor, ao seu trabalho ou a empresa para a qual o mesmo trabalha, mas apenas e tão somente assegurar que estas críticas sejam feitas nos limites do direito de informação. Um destes limites é a privacidade e a dignidade das pessoas por eles citadas. E mais: não há qualquer interesse público relevante ao se propagar a suposta participação do autor em um filme pornô. Ao contrário, a atitude do réu revela unicamente a intenção de fazer piada, constranger e expor o autor.

Como afirmei linhas antes, o caso dos autos não revela a necessidade de se escolher qual valor proteger: o da liberdade de imprensa ou o da privacidade ou dignidade. A presente ação não está analisando o exercício da liberdade de imprensa e sua necessidade de um lado e de outro a dignidade do réu. Trata-se antes de reconhecer que no desempenho de suas atividades jornalísticas o réu deve sempre pautar-se pela verdade, pela urbanidade, pela crítica fundada em elementos robustos de prova, sem utilizar-se de motes ou metáforas desnecessárias e que resultam em agressões e ofensas à honra de terceiros. As diversas menções feitas pelo réu ao autor em seu ‘blog’ vieram todas acompanhadas da desnecessária repetição da história do filme pornográfico, da atuação do autor em tal filme, de suas supostas taras, enfim, atitude que se não fosse ofensiva seria pueril. A postura revela conduta voluntária e culposa, porque contrária ao direito a ensejar o devido reparo.

Diante de todo o exposto, entendo presente o dano moral a se revelar no constrangimento, no sentimento de afronta a honra ou a dignidade, bem como no atingimento do nome do autor.

Na fixação do valor da indenização esta magistrada levará em consideração o princípio da razoabilidade, a fim de evitar o enriquecimento ilícito do autor. Isto posto, JULGO PROCEDENTE o pedido para condenar o réu ao pagamento de indenização no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a título de danos morais, a serem corrigidos monetariamente pelos índices da Corregedoria-Geral da Justiça a partir desta data e acrescidos dos juros legais desde agosto de 2009, data da publicação da primeira manifestação do réu sobre o autor.

Fica, ainda, o réu condenado ao pagamento das custas e honorários advocatícios que fixo em 10% sobre o valor da condenação.

Transitada em julgado, certifique-se. Após, em nada sendo requerido no prazo de 30 dias, dê-se baixa e arquive-se.

P.R.I

Rio de Janeiro, 05 de julho de 2012.

ANDREA QUINTEL
JUÍZA DE DIREITO

[Realmente existe um Ali Kamel artista pornô. Confira. E uma gíria jornalística a considerar: um “puta jornalista” significa excelente jornalista. Quando se diz publicar na sexta-página é uma ordem para jogar o texto no cesto de lixo.

Um programa de jornalismo de tv ruim é chamado de lixo, de pornô. Centenas de jornalistas classificam de pornô o Jornal Nacional da Globo, engradado entre duas novelas.

Por que Nacional? Talvez por substituir, pelo monopólio, a Hora do Brasil, o programa de rádio criado, em 1930, pelo ditador Getúlio Vargas.

Marco Aurélio Mello
Marco Aurélio Mello

Por que Ali Kamel, que “afirma ser jornalista”, tem como tara processar jornalistas? Marco Aurélio Mello, ex-editor de Economia do “Jornal Nacional”, em São Paulo, foi condenado a indenizar Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, em R$ 15 mil reais por danos morais.

Paulo Henrique Amorim
Paulo Henrique Amorim

En 28 de fevereiro último, o juiz Rossodelio Lopes da Fonte, da 35ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, condenou novamente o jornalista Paulo Henrique Amorim, também um ex-funcionário da Globo, como âncora e excelente comentarista, a indenizar o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, após tê-lo chamado de racista em diversos posts em seu site, o Conversa Afiada. Ali Kamel, técnico em jornalismo, que “afirma ser escritor”, assinou um livro provando que não há racismo no Brasil. Quantos processos contra racistas correm pela justiça?]