Patrícia Poeta e a briga dos executivos da TV Globo

pat poeta

 

247 – O afastamento de Patrícia Poeta do posto de âncora do Jornal Nacional, principal programa da TV Globo, pode estar relacionado com uma decisão pessoal da jornalista.

Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, a notícia tem a ver com a compra de um apartamento feita por ela e seu marido, o diretor de programação da TV Globo, Amauri Soares.

O imóvel, no Rio de Janeiro, teria custado R$ 23 milhões. Mas não estaria aí o problema, e sim no proprietário que vendeu o apartamento para o casal.

Trata-se do empresário Georges Sadala, citado nas investigações sobre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e como membro da chamada “gangue dos guardanapos”, termo criado pela oposição ao ex-governador Sérgio Cabral.

De acordo com a coluna, o vazamento à imprensa da notícia da compra do apartamento pela apresentadora do JN teria desagradado a cúpula da emissora dos Marinho e até sido tema de reunião.

Mais de um ano na ‘geladeira’

De acordo com o colunista de TV Ricardo Feltrin, também da Folha, os protagonistas do embate que resultou na saída de Poeta do JN foram Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, e Soares, marido da apresentadora, que vivem em “constante rixa”.

Kamel, que já estudava Renata Vasconcellos na bancada do jornal, teria sido determinante para a saída de Patrícia.

Segundo Feltrin, não há, até o momento, nenhum projeto de novo programa para a jornalista, seja no entretenimento, no jornalismo ou na dramaturgia, fato que a deve deixar na geladeira por um ano ou mais.

William Waack, persona non grata. O facciosismo da Globo

indignados globo

Podetti
Podetti

 

Em uma entrevista coletiva, participam os jornalistas e os meios de comunicação de massa convidados.

Nos debates realizados pelos meios de comunicação, fundações, associações, sindicatos, ONGs etc, nenhuma autoridade ou celebridade é obrigada a aceitar um convite ou intimação. Não é preciso fazer como Alckmin que, recentemente, simulou uma doença.

Tem mais: um jornalista pode ser considerado persona non grata. Idem suspeita a presença de uma mídia. Isso explica porquê jornalistas, principalmente da TV Globo, foram apedrejados nos protestos de junho de 2013, que tinham reivindicações municipais, como o preço das passagens dos transportes; ou estaduais, como hospitais e escolas padrão Fifa.

Nunca são levados para as ruas do povo temas nacionais como reformas de base, reforma do judiciário, do legislativo, do executivo, política internacional, a estabilidade no emprego cassada pelo ditador Castelo Branco, o nacionalismo, a auditoria da dívida, a desmilitarização das polícias dos governadores, a anistia política, o entreguismo, as privatizações das estatais, da saúde, da educação, o fim dos sigilos fiscal, bancário e da justiça secreta do foro especial, e a felicidade do povo.

 

POR QUE DILMA FEZ MUITO BEM EM NÃO IR AO JORNAL DA GLOBO
William Waack
William Waack

 

 

por Paulo Nogueira

 

Errar uma vez, tudo bem.

Mas duas, uma em cima da outra?

Acho que foi mais ou menos esta a lógica que governou Dilma ao recusar participar da entrevista-suplício para a qual fora convidada-intimada pelo Jornal da Globo.

Depois da experiência excruciante da entrevista no Jornal Nacional, seria incrível que Dilma comparecesse ao Jornal da Globo.

Foi um ato de sanidade o WO presidencial.

Ter Dilma seria bom para o JG. Mas e para ela?

William Waack mostrou as perguntas que seriam feitas. A mais branda delas indagava se Dilma achava correto oferecer dentes postiços a uma “cidadã pobre” pouco antes que ela participasse de um programa da campanha.

Num tom acima, Dilma era questionada sobre até quando continuaria a culpar a crise internacional pelos problemas econômicos brasileiros.

Quer dizer: Waack já decretara, com toda a sua genialidade econômica, que a culpa não é da crise internacional.

Na atitude de Dilma, há um gesto tardio, mas ainda assim relevante. Por que os candidatos têm que comparecer aos telejornais da Globo?

Porque a Globo manda no país?

É um comportamento obtuso e inercial. No passado, os Ibopes da Globo eram intimidadores, do ponto de vista dos candidatos.

Mas hoje o quadro é outro.

A internet está matando a audiência da tevê aberta.

O Jornal da Globo tem um Ibope na faixa de 7%, coisa que no passado você associava a emissoras de segunda ou mesmo terceira linha.

O próprio Jornal Nacional faz força, hoje, para se manter na casa dos 20%, uma migalha em relação às taxas de alguns anos atrás.

Dias atrás, soube-se que a Globo teve em agosto o pior Ibope de sua história no horário nobre: 12,5% em média. (Uma hora, e não vai demorar, o desabamento da audiência vai-se refletir fortemente na bilionária receita publicitária da Globo. O milagre da Globo, hoje, é ter a maior publicidade de sua história com a menor audiência. Só que este paradoxo é, simplesmente, insustententável. Quando um grande anunciante acordar, haverá um efeito dominó, semelhante ao que vem acontecendo no universo das revistas.)

Poderia haver uma razão maior para os candidatos se submeterem às entrevistas da Globo: informação para as pessoas sobre planos, visões, etc.

Mas essa informação – na era da internet – está espetacularmente disseminada.

Coisas boas, coisas más, coisas nebulosas: você pode saber tudo sobre qualquer candidato se rodar pela internet.

Com algum cuidado, você pode se informar sem o conhecido viés – já que estamos falando dela – da Globo.

Em suma: Dilma só teria aborrecimento caso fosse ao Jornal da Globo. Perguntas hostis, feitas para matar e não para informar, e se não bastasse isso uma audiência esquálida e composta maciçamente de antipetistas viscerais.

Dilma tinha muitas razões para não ir, e nenhuma para ir.

Sua decisão não poderia ser melhor.

 

As duas faces de Patrícia Poeta. A Bonner de saia justa entrevista Dilma Rousseff

A raivosa

Com cara de nojo e dedo em riste, Patrícia Poeta entrevista a presidente do Brasil
Com cara de nojo e dedo em riste, Patrícia Poeta entrevista a presidente do Brasil

A amorosa

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Patricia 2

De olhos fechados, Patrícia poeta com o veterano locutor Galvão Bueno
De olhos fechados, Patrícia poeta com o veterano locutor Galvão Bueno

Transcrevo do 247:

Foi inacreditável a ação eleitoral do Jornal Nacional contra a presidente Dilma Rousseff; William Bonner fez perguntas quilométricas; Patrícia Poeta chegou a fazer cara de nojo e a colocar o dedo em riste diante de Dilma em razão do “nada” que teria sido feito na área da saúde em 12 anos, ditos com ênfase pela apresentadora; Dilma mal teve a oportunidade de responder perguntas que eram acusações, como sua suposta incapacidade de se cercar de pessoas honestas e os números da economia; quando teve oportunidade falar, Dilma disse que seu governo “estruturou o combate à corrupção” e que “nenhum procurador foi chamado de engavetador-geral da República”; ela lembrou ainda o baixo desemprego e a inflação que se aproxima de zero nos últimos meses; não foi entrevista, foi agressão, fora de qualquer padrão civilizado de jornalismo; presidente conseguiu falar sobre o progama Mais Médicos e informar que a inflação está baixando, com zero de elevação em julho

VESTIDOS DE PRETO PELA MORTE DE CAMPOS, AGREDIRAM DILMA

247 – Com posturas até então desconhecidas do grande público, os apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta deixaram a elegância de lado e partiram para o ataque sobre a presidente Dilma Rousseff, na entrevista ao Jornal Nacional concedida no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta segunda-feira 18. Ambos estavam vestidos de preto, indicando luto pela morte do ex-governador Eduardo Campos, cujo último compromisso eleitoral foi a entrevista da quarta-feira 13. Eles não dirigiram nenhuma pergunta sobre o fato à presidente.

Bonner parecia o mais irritado, mas Patrícia não quis ficar atrás. Ela chegou a apontar, em riste, o dedo para a face próxima da presidente, insistindo que o governo dela e do ex-presidente Lula não fizeram “nada” na área da saúde. A presidente conseguiu dizer, entre interrupções da entrevistadora, que hoje, ao contrário do passado, o atendimento de saúde pública atinge 50 milhões de brasileiros.

No início da entrevista, Bonner perguntou, por mais de um minuto, sobre “corrupção e malfeitos”, citando uma série de ministérios e também a Petrobras.

– Qual a dificuldade de formar uma equipe de governo com gente honesta?, questionou ele, mais ao estilo botequim de esquina do que o que emprega normalmente, todos os dias, à exceção dos domingos, na bancada do JN. O jogo de apertar a presidente ficou claro desde o primeiro momento.

A própria Dilma percebeu e não se intimidou com a postura da dupla. Procurou responder a todas as perguntas e manter a calma, mas não dando as respostas que Bonner e Patrícia esperavam. Dilma tinha argumentos na ponta da lingua.

– Fomos o governo que mais estruturou o combate à corrupção e aos malfeitos, respondeu ela.

– Nenhum procurador geral da República foi chamado no meu governo de engavetador geral da República”, acrescentou, numa referência nada sutil a Geraldo Brindeiro, dos tempos do governo Fernando Henrique.

BONNER NUNCA FIZERA PERGUNTAS TÃO LONGAS E EM TOM TÃO DURO

O âncora do Jornal Nacional insistiu no tema da corrupção, usando cada vez mais ênfase sobre a presidente:

– Um grupo de elite do seu partido foi condenado por corrupção, são corruptos, posso dizer por que a Justiça já julgou, mas o seu partido protegeu essas pessoas. O que a sra. acha dessa postura do seu partido?

Dilma não respondeu diretamente, optando por lembrar sua posição institucional:

– Enquanto eu for presidente da República, não externarei opinião pessoal sobre decisões do Supremo Tribunal Federal. Eu tenho a minha opinião, mas não vou externá-la.

– Mas o que a sra. diz sobre a postuta do seu partido? A sra. não diz nada?

– Olha, Bonner, eu não vou entrar nisso de me manifestar contra a decisão de um poder constitucional. Isso é muito delicado, merece o meu maior respeito.

PATRÍCIA APONTOU O DEDO EM RISTE PARA A PRESIDENTE

Patrícia, que até então estava calada, perguntou sobre saúde, afirmando que “nada fora feito” nos governo Dilma e Lula, e que “as filas se multiplicam nos hospitais e postos de saúde”. Dilma, outra vez, procurou responder sem aceitar a indagação como provocação.

Patrícia não gostou do que ouviu, e lá veio Bonner atacar de novo:

– A sra. considera justo culpar ora a crise econômica internacional, ora os pessimistas pelo baixíssimo crescimento da economia brasileira, pela inflação alta?

– A inflação cai desde abril, Bonner, agora mesmo saiu um dado oficial mostrando que houve zero por cento de aumento de preços em julho. Por outro lado, todos os dados antecedentes ao segundo semestre, aqueles que anunciam o que vai acontecer na economia, mostram que haverá crescimento em relação ao primeiro semestre.

Bonner não pareceu satisfeito com a resposta, mas em razão do tamanho das perguntas que havia feito antes, percebeu que o tempo de 15 minutos estava estourando. Foram, de fato, questionamentos quilométricos os que ele fez.

– Eu vou garantir um minuto para a sra. encerrar, disse ele, visivelmente insatisfeito.

– Obrigado, Bonner, eu quero dizer que acredito no Brasil, reiterou Dilma, que ainda foi mais duas vezes interrompida para que fosse cumprido o tempo estabelecido.

– Eu compreendo, vou suspender a minha fala, encerrou Dilma, com classe, diante dos entrevistadores que se mostraram em pleno ataque de nervos.

 

 

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