Prefeito do Recife inimigo público

Roberta Soares: Pedestres correspondem a 31% das vítimas indenizadas em acidentes de trânsito
Roberta Soares: Pedestres correspondem a 31% das vítimas indenizadas em acidentes de trânsito

Recife maltrata os pedestres. As novas pontes e viadutos não possuem passagens, nem caminhos para o povo.

O prefeito não constrói praças. Parques nem pensar.
.

Recife não tem passeio público.
.
Tem apenas uma biblioteca para um milhão e 500 mil recifenses.
.
Do mapa, prefeito e vereadores estão riscando tudo que é público. Não existe nenhum projeto de cemitério público. O último foi o Parque das Flores, municipalizado por Antonio Farias, um excelente prefeito.
.
Não existe nenhum mercado público na Zona Sul do Recife. O dono do shopping, financiador de campanhas eleitorais, proibiu para todo sempre. Uma desautorização válida para toda a Região Metropolitana.
.
Não se faz mais nada que preste para o povo.

Governar o Recife é construir os caminhos do shopping
Governar o Recife é construir os caminhos do shopping

Hoje o Diário de Pernambuco arrisca afirmar que “pedreste é associado a uma condição social de pobreza”.  Leia

Recife da Cultura desprezada. Duvido o prefeito destinar um palacete para os artistas

Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)
Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)

 

Artistas, escritores, poetas, jornalistas e educadores da rede pública morrem na miséria em Pernambuco, notadamente no Recife.

O poeta Carlos Pena Filho, termina assim seu Guia Prático da Cidade do Recife:

“Recife, cruel cidade,
águia sangrenta, leão.
Ingrata para os da terra,
boa para os que não são.
Amiga dos que a maltratam,
inimiga dos que não
este é o teu retrato feito
com tintas do teu verão
e desmaiadas lembranças
do tempo em que também eras
noiva da revolução”

Um prefeito não faz nada que preste para o povo, principalmente pela Cultura.

Que realiza um prefeito, se o Recife não tem museu, biblioteca, editora, universidade, cinema, tv educativa e passeio público?

As festas tradicionais – Carnaval, São João, Natal e Virada do Ano Novo – são animadas por artistas de fora, contratados a peso de ouro.

Que diabo um prefeito do Recife empreende com os bilhões que arrecada?

Constrói e varre os caminhos dos shoppings.

PALACETE PARA 50 ARTISTAS EM SÃO PAULO

foto 1 fachada

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, inaugurou nesta sexta-feira (12) o edifício Palacete dos Artistas, destinado a moradia popular de artistas com mais de 60 anos e renda familiar de um a três salários mínimos.

Os 50 artistas beneficiados terão que pagar de 10% a 12% da renda mensal deles pelo apartamento. O contrato será renovado a cada quatro anos.

O imóvel permanecerá como propriedade pública. “Uma locação social a um preço bastante módico para permitir que o prédio seja sempre destinado a artistas que dependam de locação”, explicou Haddad.

SÃO 50 HABITAÇÕES COMO HOMENAGEM E RECONHECIMENTO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS ÀS ARTES

foto 4

artistas foto 3

artistas foto 5

A Prefeitura de São Paulo entregou nesta sexta-feira (12) 50 apartamentos do Edifício Palacete dos Artistas, o antigo Hotel Cineasta, localizado na Avenida São João, a poucos metros do seu cruzamento com a Avenida Ipiranga. O edifício foi revitalizado e adaptado para ser o novo endereço de 50 artistas ligados a diversas entidades do meio, entre as quais o Sindicato dos Artistas, a Cooperativa Paulista de Teatro o Balé Stagium e o Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos.

“São 50 habitações, mas este número não expressa a importância do gesto. O nosso programa habitacional é mil vezes maior, mas [este gesto] significa muito mais do que isso. A sua dimensão quantitativa não retrata a dimensão qualitativa do projeto. Vocês certamente vão alegrar o centro, vão enriquecer a vida do centro e suas próprias vidas. Este é o reencontro da cidade com seu centro histórico. Requalificar o centro não é só reformar prédios. É, sobretudo, um gesto em direção às pessoas. E acho que o gesto não poderia ser mais significativo”, afirmou o prefeito Fernando Haddad na cerimônia onde foram entregues aos artistas as chaves de seus apartamentos.

A cantora aposentada Penha Maria, de 74 anos, é uma delas. Nesta sexta-feira (12), ao visitar o que será sua residência, não conteve a emoção. “Não tenho nem palavras. É um sonho. Achei o apartamento lindo”, disse com a voz embargada. O ator e diretor de teatro Kokocht, de 66 anos, elogiou a vista. “É maravilhosa, uma vista para a Avenida São João. Amei o apartamento. Está lindo”, afirmou.

O cantor Valdemar Farias, 85, popularmente conhecido como Roberto Luna, será um dos novos maradores do palacete. Atualmente, ele vive com sua companheira na casa de uma amiga no Horto Florestal, zona norte da capital. Nesta manhã, ele não escondia o seu contentamento pela conquista. “Sou da Paraíba e, quando cheguei em São Paulo, na década de 50, foi para o centro que eu vim. Fui morar no Hotel Excelsior. Hoje posso dizer que estou voltando às origens”, afirmou.

“Esta é a luta de nós artistas. Nós lutamos com a nossa alma, com a palavra, com a emoção e com o coração. E a nossa luta de tantos anos vai cada dia conquistando mais espaço”, afirmou a atriz Vicencia Militello, 71. Após receber a chave do apartamento que habitará, Vic, como é chamada pelos colegas, chamou atenção para a questão dos idosos e afirmou que o projeto contribui para uma melhoria da qualidade de vida dessa população. “Trazer para o Centro os idosos é importante, pois desobrigaremos eles a terem de andar de ônibus e atravessar a cidade frequentemente”, disse, lembrando que nem sempre os mais jovens são generosos de modo a facilitar suas vidas.

 

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE PENHA MARIA, A SAPOTI DO NORDESTE

por Germano Barbosa

 

Recife,1968, Jornal do Comércio
Recife,1968, Jornal do Comércio

Ela foi a maior cantora do Norte e Nordeste do Brasil, de todos os tempos. Brilhou no Rio, em shows do rei da noite, Carlos Machado, foi aplaudida e elogiada pela imprensa em mais de 10 países da antiga cortina de ferro, representando a Varig. Trabalhou com Abelardo Figueiredo, no Beco e nas melhores casas noturnas de São Paulo, até que resolveu parar, em 1972, para cuidar da família. Agora, 42 anos depois, eu a encontrei, pobre e doente, mas completamente lúcida, em um lar para idosos, na periferia da capital paulista.

Simpática e muito educada, ela quer dar a volta por cima e voltar a cantar.

Eu a procurei, incansavelmente, durante mais de 10 anos.

Nascida em 22 de dezembro de 1939, em João Pessoa, Paraíba, com o nome de Maria da Penha Soares, desde cedo seus pais, Antônio e Hercília, lhe deram uma educação religiosa, tendo ela começado a cantar na igreja aos 10 anos.

Com 18 anos, depois de ganhar um concurso de calouros, estreou profissionalmente na Radio Tabajara, a melhor da capital paraibana, e aí começou a sua trajetória de sucesso.

Dois anos depois, em 1959, o grande maestro Giuseppe Mastroianni a descobriu e levou-a para a Rádio Jornal do Comércio de Recife. No ano seguinte, ela inaugurou a TV Jornal do Comércio, onde sua voz, maravilhosa, aliada a sua beleza e elegância, deslumbrava os espectadores, participando dos famosos programas da época, Você Faz o Show, de seu grande amigo Fernando Castelão, Noite de Black-Tie e Bossa 2, de Nair Silva.

Durante cinco anos, foi eleita a melhor cantora de Recife, sendo conhecida como “a sapoti do nordeste”.

Penha era convidada para cantar para as grandes personalidades da época que passavam por Recife, como o governador de São Paulo Ademar de Barros e o presidente Juscelino Kubitchek, e cantou ao lado de grandes ídolos, como Cauby Peixoto e Angela Maria. Transcrevi trechos. Leia mais 

 

RECIFE QUEIMA DINHEIRO NO RÉVEILLON

No Palacete dos Artistas de São Paulo foram investidos cerca de R$ 8,2 milhões, sendo R$ 1,3 milhão em restauro; R$ 5,1 milhões em reformas e adequações em geral e R$ 1,8 milhão em reforços da estrutura do prédio e adequação e instalação dos elevadores. Outros R$ 4,2 milhões foram gastos com a desapropriação do edifício.

A fonte de recurso foi do governo federal, por meio do Programa Especial de Habitação Popular (PEHP), que previa o financiamento para esse tipo de empreendimento a fundo perdido por meio da Caixa Econômica Federal.

No Recife gasta-se muito mais com qualquer festança. Como acontece no Réveillon, com a queima de fogos e carnaval à baiana.

Os palacetes e casarões do Recife, reservados para a especulação imobiliária, deveriam ser transformados em museus, biblioteca de bairros, asilos, casas de artistas, de educadores, de jornalistas, ateliês, escolas de arte como a de João Pernambuco na Várzea, cinemateca, sede de bandas de música, galerias de arte etc

Acimentando o verde e o azul do Recife

 

jc

dp

Eta sorriso besta do prefeito Geraldo Júlio. Nem trepa nem sai de cima.

Depois de dois anos de improvisos. Metas, que é bom!

Olha que um prefeito do Recife não tem quase nada para fazer. A Prefeitura não possui universidade, nem hospital, nem biblioteca pública, nem museu, nem editora, não tem um passeio público, nenhum parque.

Não sei que um prefeito faz, além de criar avenidas, ruas e túneis para os shoppings, ou oferecer o espaço urbano para a especulação imobiliária.

O Estado cuida dos transportes, do trânsito, do ensino público, da saúde, da água, do saneamento, da segurança, da política habitacional.

Abandonada Recife. Cheia de obras inacabadas, terrenos baldios, favelas.

Estão cimentando o verde dos manguezais, o que resta da Floresta Atlântica, o azul das lagoas e da Bacia do Pina.

A Cidade das Águas está cada vez mais seca, quente, escura e cinzenta.

 

 

Shoppings: Império das empreiteiras, falência dos pequenos negócios e escravidão

DP shopping

 

Talis Andrade: Um shopping fecha centenas de pequenos negócios, levando famílias à miséria, despejando milhares de pessoas em troca de empregos temporários. Deveria existir uma lei proibindo shoppings e supermercados em áreas residenciais. Isso não acontece no centro das grandes cidades planejadas, civilizadas, humanizadas no Primeiro Mundo. Isso é cruel, selvagem, fica para países vassalos, sem governo, sem justiça social, sem leis que beneficiem o povo em geral. Rolê nesses templos de luxo, onde tudo fica mais caro, e separado do povo, motivando o racismo e a discriminação social.

Luiz Tagore: Desordem urbana, assalto nas saídas, pobreza extrema no entorno, consumismo e endividamento…

Sandri Rodrigues: + parques – shoppings

Caique de Lira: Árvores não pagam impostos

Daniel Moura: Olha a ideia da criatura. “arvore n paga imposto”…

Kaio Aragão Sales: No more shoppings!

Karenina Moreno: Chega de shoppings!!!

Robson Valentim: Lugar decente para alocar os comerciantes de rua ninguém encontra. E ainda tenho que aguentar ver a imprensa maquiar uma noticia deplorável como essa.

Flavio Silva: Camaragibe, ainda bem que não tem favela perto. Porque Shopping Recife e o Rio Mar, misericórdia

Glaucon Andrade: Camaragibe é uma favela

Wanda Lima: Mais escravidão

Rafael Comparato: Quer viver de bolsa esmola? Tem cara!

Wanda Lima: Não sabe brincar não queridinha, já trabalhei em shopping e é escravidão sim, quem quiser dizer o contrário que diga. Não preciso de bolsa esmola, já vou me formar, e paguei sem precisar disso. Então, não fale do que não sabe sua louca.

Lucia Amo Filha: Wanda Lima, te dou toda razão. Também trabalhei… e donos de lojas fazem dos funcionários escravos mesmo.

Wanda Lima: É absurdo. Agora, em dezembro, a coisa piora porque tem que pegar duas horas mais cedo, e o shopping, em um certo período, fecha às 23 horas. Agora, me diz se isso não é escravidão? Sei que ajuda muita gente que precisa, mas não deixa de ser escravidão.

Ruan Lima: + ar puro – ar condicionado

Matheus Beltrão: + moradias populares – shoppings

shopping segurança nazismo

Augustinho Guerra: Mais um exemplo do discurso noticioso. O Diário insiste em trazer esses discursos produzidos, colocando sempre o que dizem a respeito do que pensam o setor empresarial, os gestores públicos, e silenciando os outros atores sociais, deixando evidente a intenção de difundir ao público leitor uma boa imagem desses empreendimentos, apontando as qualidades, como a geração de empregos, e ocultando os possíveis problemas, evitando assim o debate e o caráter de imparcialidade, atrelando Crescimento com Desenvolvimento. Eu, leitor, critico, não caio nesse discurso!

Carlos Lira Jr.: Mais consumismo, mais endividamento, mais engarrafamento, mais salário mínimo, mais dinheiro pras empreiteiras.

Layssa Maria: Shopping é escravidão sim. Abrir novas oportunidades de emprego não significa que os brasileiros terão a oportunidade de crescer. O Ministério do Trabalho precisa mudar. Defender o nosso país das multinacionais. Nas empresas, com lojas em shopping, somos escravos. A hora que larga é um absurdo…

Adriano Hinderlandesön: Em ipojuca deveria ter… maior arrecadação do Estado….

Alexandre Albuquerque: Eu fico a observar. Recife tem chances de crescer de maneira sustentável, e com justiça social, mas comete os mesmos erros de outras grandes metrópoles do SE/S!

Ewerton Oliveira: Baderna? Então os países desenvolvidos, onde os shoppings estão em plena decadência, são baderneiros? Acorde rapaz, os shoppings só se desenvolvem em países atrasados como o nosso!!

Edilson Santos: Baderna. Então se mude daqui se está achando ruim

Sandri Rodrigues: Mais shoppings, lojas e ESCRAVIDÃO!

Elisangela Cantidio: O Ministério do Trabalho tem que defender os brasileiros dessa escravidão, fiscalizar, visando a integridade física e mental dos trabalhadores.

Elisangela Cantidio: Trabalhar Ok! Mas, com o mínimo de qualidade. O trabalhador tem que ter saúde, e tempo para a família.

Felipe Souza: Trabalhar em shopping não é lá das últimas maravilhas , mas tudo bem né?

Déh Mazzony: Mais escravidão… em todos sentidos.

André Eduardo: A RMR não precisa de mais shopping. Precisa de mais qualidade de vida, de uma requalificação do centro que valorize o comércio popular e incentive a moradia no centro. E já sabemos a qualidade dos empregos gerados nesses shoppings…

Foto dos rolês de 2013. A polícia do apartheid negro
Foto dos rolês de 2013. A polícia do apartheid negro. Nos shoppings negro entra para trabalhar. Os brancos têm passagem livre e protegida. 

Elisangela Cantidio: Fora a escravidão! Por favor apoiar já! gente. Abra os olhos por favor, perguntar pra quem trabalha lá se eles não querem meter o pé de lá.
Porque é escravidão pura. As pessoas precisam de ter, no mínimo, uma qualidade de vida (tempo para cuidar da própria saúde, e curtir seu bem maior que é a família).

Antonio Miguel: Horrível!  Prefeito faça como João Pessoa, PB . Faca um shopping para os camelôs. Eles merecem isso sim , seria uma boa ação .

Fernanda Melo: Mais trabalho escravo, quase me prejudiquei nas provas da faculdade, mas larguei! Um dia isso vai mudar.

Everton Machado: Escravidão!

Lucas De Sá: Menos shoppings.

 

Buracos da morte. No Rio Grande prefeito caça transeuntes

As calçadas vão ficando cada vez mais estreitas. E cheias de arapucas. Que os prefeitos só pensam naquilo. No Rio Grande é assim. E noutras grandes cidades. Recife é um buraco só. E pior: Não existe nenhum passeio público.

O engraçado é que reclamam metrôs para os estádios da Copa. E avenidas. E ruas. Para os carros.

E ninguém pensou nas calçadas.

A gente conhece uma cidade andando pelas ruas. Caminhando. Não existe outro jeito.

 

br_agora.Rio Grande

História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

por Josué Nogueira

 

Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José
Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José

 

A preservação da história de um centro urbano passa pela manutenção de edificações, paisagens e peculiaridades que documentam o passado e dão fisionomia à localidade.

Infelizmente, a cara do Recife, cidade nascida sobre ilhas, braços de rios e canais cortados por pontes, tem desaparecido aos poucos.

Áreas que reuniam cenários naturais e construções antigas de valor arquitetônico inquestionável vem sumindo gradativamente.

 

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo
Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo

Impossível reconhecer o Cabanga olhado a partir de São José e do Recife Antigo, por exemplo.

O shopping Rio Mar e empresarias substituíram um trecho grande do estuário que compõe a Bacia do Pina – um dos últimos indícios de que vivemos sobre o mangue.

Do mesmo modo, é estranho olhar para o centro a partir das pontes que ligam Cabanga e Pina.

O casario secular e igrejas históricas são engolidos pelas “torres gêmeas” levantadas no cais vizinho à antiga ponte giratória.

O cenário vai ficar ainda mais estranho com o tal do projeto do Novo Recife entre o Cais José Estelita e a Av Sul.

Nada contra a ocupação de zonas esquecidas que devem e merecem ser revitalizadas, abrigando gente, comércio e “povoando” a cidade.

Foto de Ricardo Fernandes
Foto de Ricardo Fernandes

Mas, tudo contra a especulação imobiliária que toma mangues, viola paisagens e faz brotar espigões de concreto onde a história da cidade é contada (por que não limitar o número de pisos?).

A falta de limites na altura dos edifícios, associada à cultura do exclusivismo (prédios e condomínios fechados em si, erguidos como se estivessem em territórios independentes da urbe), rouba a feição e a alma da cidade.

As fotos do post atestam um pouco do escrito aqui. As duas primeiras, postadas na página de uma amigo, me estimulara a escrever este post.

O tema pode não estar na ordem do dia, mas segue carente de debate e de atitude (e comprometimento com a história) por parte do poder público.

É triste ver a cidade perder DNA diariamente e ser convertida em mais uma entre tantas, com prédios espelhados – tidos como atestado de luxo e “desenvolvimento” – e desconectados com a realidade circundante.


Dos comentários ao oportuno texto de Josué Nogueira, destaco dois anônimos (Recife é a cidade do medo, das patrulhas, do pensamento único, assim fica justificado o anonimato.

1 – Pois é… nos roubam a paisagem em nome de uma “mudernidadhy” pra lá de atrasada. Difícil escutar – todo o tempo – de gente que se diz esclarecida, e que já viajou mundo afora: “mas vai crescer como?”. E que não consegue captar bons exemplos de cidade, e que tem a mente no caixote que só enxerga o mundo na caixa fechada de espelhos a 100 metros de altura.

E é bom investigar os EIV’s (estudos de impactos de vizinhança) e os EIA’s (estudos de impactos ambientais) desses empreendimentos

2 – Engraçado, o blogueiro mora onde?
Deve morar em Boa Viagem ou em outro bairro nobre da cidade. Recife tem que se desenvolver e ficar uma cidade bonita. É muito fácil para esses intelectuais, com suas roupas de grifes, quererem que a cidade fique feia, enquanto eles moram na parte bonita.


[O comentarista n. 2 não diz em que lugar e que tipo de moradia deve residir o despejado pela justiça dos ricos e pelo braço armado da polícia que prende e arrebenta. Que todo arranha céu que aparece ocupa espaços antes habitados pelos pobres, pelos sem teto, pelos sem nada.

Quem são esse altos moradores que ocupam as novas altas torres?

Nada se faz que preste para o povo. Não há espaço para a vida e a morte das populações. Recife não tem um passeio público. Os hortos, parques e praças estão abandonados. Não se constrói mercado público. Centros de lazer, de cultura, de esportes. Nem cemitérios. O recifense não tem onde viver, nem onde morrer]

APARTHEID NEGRO. Rolezinho, uma invasão do espaço dos brancos

Rolezinho devem acontecer sim, do jeito que rolam em diferentes partes do mundo: para combater o isolamento, a falta de locais de lazer dos jovens pobres.

No Brasil, os rolezinhos nasceram para combater o apartheid dos jovens negros e pardos, que vivem cercados nos cortiços do centro e nas favelas das periferias das grandes cidades. Presos nos guetos e favelas.

Não há locais de lazer para o povo, além das praias fluviais e marítimas. Recife é uma cidade que não tem nenhum passeio público, e o espaço urbano da capital pernambucana está todo grilado pela especulação imobiliária. Veja o escândalo desta manchete bem demonstrativa do descaso da prefeitura de Cuiabá:

diario_cuiaba. terreno baldio grilagem

Vários prefeitos – com a desculpa de fazer caixa – vendem terrenos baldios, ruas e praças para as construtoras. Ainda no Recife, temos a Bacia do Pina toda destinada para o rasga céu de pavorosas torres, e o rasga verde da destruição dos manguezais, inclusive para a construção de uma autopista, com investimento de meio bilhão de reais do governo, para beneficiar um empreendimento privado, oficializando o tradicional abuso da violentação dos shoppings em bairros residenciais.

Os rolezinhos contra o apartheid nos shoppings recebem da imprensa  elitista e patronal  manchetes terroristas, reverberando ameaças da polícia e da justiça.

diario_cuiaba.750 justiça rolezinho

correio_braziliense. rolezinho fecha

 

Shopping não é local para comício. A simples presença do jovem negro  uma chocante e reveladora denúncia contra o racismo, a prova de que o aparheid existe. Outros tipos de protestos sejam organizados, principalmente, nas ruas e praças.

Dos prefeitos a obrigação de construir hortos e parques; passeios públicos e praças; centros culturais e desportivos.

O Brasil não investe em  lazer. E nada se faz que preste para o povo.

Latuff
Latuff

Rolezinho rola até Não Vai Ter Copa

JOANA GORJÃO HENRIQUES (TEXTO) E VERA MOUTINHO (VÍDEO)

Um enorme centro comercial, Iguatemi do Lago Norte, o mais frequentado pela classe alta de Brasília, fecha as suas lojas de luxo a um sábado à tarde. Fica cercado por polícia e por homens que olham de frente quem se aproxima. No lado de fora, um grupo de não mais de duas dezenas de rolezeiros — muitos deles estudantes universitários, alguns de juventudes partidárias e uns quatro jovens da periferia – saca de uma coluna de som, e põe a tocar funk e até o Geração Coca-Cola dos Legião Urbana. Num terceiro grupo, uma dezena de jornalistas sentados na relva tecla ao computador.

Em Junho, isto chamar-se-ia protesto, hoje chamou-se rolezinho e foi marcado no Facebook por um grupo de amigos activistas (entre eles Pilar de Freitas, Serginho Lopes e Franklin Rabelo de Melo, que irão conhecer numa das nossas reportagens): quiseram estar solidários contra a violência policial exercida em rolezinhos passados. Rolezinhos são encontros marcados pelas redes sociais entre jovens da periferia para irem passear dentro do centro comercial, juntando às vezes grandes grupos, e estalou um polémica recentemente porque alguns shoppings em São Paulo barraram a entrada a jovens e por a polícia ter usado balas de borracha e violência.

De manhã, os jornais tinham anunciado que o shopping Iguatemi iria fechar, portanto a organização já estava à espera que não aparecesse muita gente. Mas o aparato policial dá afinal ainda mais força a quem o organizou: o gigante tem medo do anão e protege-se na sua fortaleza accionando a segurança máxima. Passada uma hora e meia, e com um protesto Não Vai Ter Copa marcado para as 17h no Brasília Shopping, desliga-se a música, arruma-se o megafone, e os rolezeiros rolam nos seus carros até ao Não Vai Ter Copa. Se estavam mais de 50 manifestantes ao todo, contando com os do rolezinho, era muito. Já de polícia e polícia militar, o número era bem maior. Para os rolezeiros, o dia já tinha sido ganho.
Ouçam a Mácia Teixeira: Vídeo de Vera Moutinho

 

Rafael Balbueno
Rafael Balbueno

Lições dos protestos de junho, rolezinhos e revolução boliviana contra o apartheid e o capitalismo selvagem e colonizador

Artsenal
Artsenal

Parece óbvio: a oposição visa tomar o poder; o governo, manter.

Não existe um novo poder quando tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, apenas uma troca de pessoas com o mesmo pensamento, o mesmo jeito de ser e de fazer as coisas.

Para saber o futuro de um governo, basta conhecer seus financiadores e marqueteiros. Ninguém financia uma campanha de graça. Se um marqueteiro, como Duda Mendonça, faz campanha para qualquer partido, significa que todos os partidos possuem a mesma ideologia. É o caso do banqueiro Antônio Lavareda.

Numa campanha contra o povo prende-se o líder dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada, dos movimentos sociais e estudantis. Basta exemplificar com os recentes protestos de rua, que começaram em junho de 2013, e com a criminalização dos atuais rolezinhos.

Se os citados movimentos fossem realmente politizados votariam contra os governadores que mandaram os soldados estaduais usar armas letais contra o povo nas ruas.

E dos rolezinhos uma campanha de boicote aos shoppings da qual fizesse parte a classe média negra (e parda, que nega sua ascendência nas senzalas e aldeias indígenas) com alto poder de compra. E, principalmente, a classe média baixa, os prestamistas.

O bom propagandista político tem que conhecer bem a alma do povo, a história da propagação das filosofias e religiões, e as ciências encruzilhadas.

Nesta campanha presidencial, que meios deve usar um partido político que não possui tempo nas televisões e rádios, e nem espaço na imprensa?

Ou ainda: como evitar a prisão de um líder, de um agitador, de um propagandista?

Não existe uma única maneira válida para todas as campanhas. Mas este exemplo boliviano é inspirador.

La Paz
La Paz

 

CUANDO EL GIGANTE SE DESPIERTA

En octubre de 2003, los vecinos de El Alto, a 5 km de La Paz, forzaron la caída del presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada.

El secreto de la fuerza de El Alto reside en su tejido social, sobre todo en su movimiento vecinal.

“Con el referente de octubre, muchos de los gobiernos que han venido después ya ven El Alto como un gigante que puede levantarse y derrumbar gobiernos”.

Los vecinos bloquearon las calles con autobuses, carrocerías viejas, piedras, maderas, incluso con gigantescos vagones de tren descarrilados.

Miles de mineros celebran la renuncia del presidente boliviano en el centro de La Paz (2003). / Fotografía: Jorge Sáenz (AP)
Miles de mineros celebran la renuncia del presidente boliviano en el centro de La Paz (2003). / Fotografía: Jorge Sáenz (AP)

por Martín Cúneo Emma Gascó

Casualidades de la historia, fue precisamente en El Alto (Bolivia) donde se instaló en 1781 el campamento de los indígenas sublevados contra la colonia, desde donde Tupaj Katari dirigió el asedio a La Paz. Desde el centro de la ciudad era posible ver, 400 metros más arriba, a los prisioneros españoles ahorcados en altísimas estructuras de madera.

Con la misma mezcla de temor y respeto han seguido alzando la vista los sucesivos ocupantes del Palacio Quemado, sede del Gobierno. El secreto de la fuerza de El Alto, hoy una ciudad de 1,2 millones de habitantes, reside en su tejido social, sobre todo en su movimiento vecinal. Cada zona, en ocasiones apenas una manzana, tiene un presidente elegido por una asamblea, que se reúne cada mes.

Cuando estalló la guerra del gas, en octubre de 2003, Mónica Apaza era secretaria de Juventudes de la Federación de Juntas Vecinales (Fejuve) de El Alto, la integrante más joven de toda la directiva. “Con el referente de octubre  –dice– muchos de los gobiernos que han venido después ya ven El Alto como un gigante que puede levantarse y derrumbar gobiernos”.

Evo Morales. Dignidad de América Latina, por Lucas Nine
Evo Morales. Dignidad de América Latina, por Lucas Nine

“El gas es nuestro”

El desencadenante de la revuelta que tumbaría a Sánchez de Lozada fue el plan del Gobierno de exportar gas a EE UU a través de Chile, dos países, según el imaginario popular, enemigos de los intereses bolivianos. Mientras la inmensa mayoría de la población no tenía cubiertas sus necesidades básicas, tres multinacionales, una de ellas la española Repsol, se quedarían con el 82% de los beneficios de la operación.

Aunque las comunidades aimaras del Altiplano llevaban casi un mes bloqueando caminos, el principal impulso para destituir a Sánchez de Lozada provino de un paro indefinido decidido por la Fejuve de El Alto. La organización convocó a todos los presidentes de zona, en representación de cerca de 600 juntas vecinales, a una asamblea general. El 8 de octubre El Alto inició una vez más el cerco a La Paz. La guerra del gas había empezado.

A los pocos días, los bloqueos habían dejado sin gasolina los 58 surtidores de La Paz y El Alto. El problema del abastecimiento empezaba a preocupar también a los vecinos. “Era el tercer día y nosotros no sabíamos cómo iba a hacer la gente para comer”, recuerda Mónica Apaza. No tardaron en encontrar una salida. “Hablamos en los mercados y las caseras [vendedoras] iban a vender a las cuatro de la mañana y hasta las seis y media, cuando cerraban los mercados… Y otra vez a la movilización, todo el día. Al día siguiente, igual: abrían los mercados por la madrugada y los cerraban para las movilizaciones”.

Las mujeres no sólo eran las encargadas de gestionar las despensas y las ollas comunes que se montaban en plena calle con la comida que aportaban los vecinos. También eran mayoritarias en las protestas, señala Apaza. Cuando los presidentes de zona no llamaban a la movilización, “eran las mujeres las que se organizaban y convocaban”.

América Latina de pie, Europa en caída, por Lucas Nine
América Latina de pie, Europa en caída, por Lucas Nine

“Vamos a meter bala”

“Si quieren diálogo sobre el gas, habrá diálogo sobre el gas; si quieren guerra por el gas, habrá guerra por el gas, y vamos a meter bala”, dijo Sánchez de Lozada el 11 de octubre. Ese mismo día, con munición de guerra, el Ejército y la Policía disparaban contra los vecinos que bloqueaban el paso de los camiones cisterna que salían de la planta de gas de Senkata, en El Alto. Las primeras muertes generalizaron la rebelión.

Miles de alteños rodearon el convoy militar, que fue obligado a refugiarse en un cuartel de la zona. Los choques entre las fuerzas militares y los manifestantes se extendieron por todo El Alto y los barrios más elevados de La Paz. Los tanques ametrallaban a los manifestantes por las laderas. Los helicópteros y los francotiradores disparaban sobre los civiles…

Las muertes alimentaban la revuelta. Era un ejército contra cientos de miles de personas desarmadas. Al igual que la tropa de Tupaj Katari, los vecinos tenían palos, piedras, hondas, algún cóctel molotov y algunos “cachorros” de dinamita. Bien colocada, la carga permitió derribar tres de los seis puentes elevados que atraviesan la principal entrada a El Alto.

Los vecinos bloquearon las calles con autobuses, carrocerías viejas, piedras, maderas, incluso con gigantescos vagones de tren descarrilados. En las principales avenidas, inmensas zanjas cavadas en el asfalto y en la tierra hacían imposible el tránsito. 77 muertes y 400 heridos por las balas de la Policía y el Ejército hicieron que la demanda del gas pasara a un segundo plano. La primera demanda ya era innegociable: la renuncia de Gonzalo Sánchez de Lozada.

“Nosotros somos la historia”

“Como un gigante que duerme en el momento en que lo despiertas, no descansa hasta que termina lo que ha empezado”, dice Mónica Apaza. Sánchez de Lozada hablaba de un proceso “sedicioso” financiado desde el exterior, encabezado por el entonces diputado Evo Morales y el líder campesino Felipe Quispe. Pero al cuarto día de movilizaciones ya ni la Fejuve dirigía a los manifestantes, señala Apaza.

“Después de las masacres, ya nos ha sobrepasado la misma base, la misma gente se empezó a organizar; ya no había una dirección”, prosigue Mónica, que se sumó como una más a los bloqueos. “Nuestra lucha ha sido desde abajo, no había alguien arriba.  Éramos nosotros, todos nosotros movilizándonos”.

Recordar aquellos días sigue siendo doloroso para ella: “Me ha tocado llevar gente herida al hospital y que en mis manos se mueran muchas personas”. Las noticias y las imágenes de las masacres extendieron las protestas por todo el país. Los cocaleros, los indígenas del Altiplano, los mineros de Potosí y Oruro, dinamita en mano: todos se unían a los bloqueos y avanzaban hacia el Palacio Quemado.

El 16 de octubre, en una gigantesca manifestación, “todo El Alto bajó a La Paz”. Las huelgas de hambre se extendían a todos los rincones de Bolivia. La situación era insostenible para Sánchez de Lozada. La toma militar de El Alto había fracasado. El 17 de octubre de 2003, el presidente escapó en helicóptero. Después de unas breves escalas se instaló en Estados Unidos.

El profesor aimara Pablo Mamani llevaba tiempo viviendo en El Alto, pero confiesa que nunca había imaginado que sus habitantes fueran capaces de una resistencia semejante. “En esos momentos descubrimos que éramos sujetos históricos capaces de hacer más de lo que habíamos pensado. Y en ese momento descubrimos que la historia está aquí, que nosotros somos la historia, no ellos”.

Para Mónica Apaza, sin el levantamiento de octubre la historia del país hubiera sido muy distinta: “Las muertes, todo lo que hemos vivido, valió la pena. Estamos en un proceso que nunca se hubiera dado en Bolivia si no hubiera sido por esto”.

* Con la colaboración de Héctor Rojo Letón

Nota dos movimentos em defesa dos rolezinhos, contra o racismo e a discriminação social

Latuff
Latuff
Neste final de semana, ao menos 5 estados vão presenciar a realização de vários Rolezinhos em diversos shoppings das suas capitais. Esses Rolezinhos assumiram um caráter de protesto pelo o que ocorreu no último final de semana no Rolezinho parte 3, no Shopping Metrô Itaquera, na capital paulista.

Os rolezinhos surgiram no final do ano passado, em que jovens da periferia paulistana combinaram através das redes sociais um encontro no shopping para se divertirem, encontrarem colegas, amigos, conhecerem pessoalmente as pessoas com quem conversam na internet. Sim, os objetivos eram simples, nada muito diferente do que jovens de 14, 15, 16 anos tem interesse de fazer nessa fase da vida. Ocorre que essa forma de integração social e a posterior repressão sofrida no último final de semana pela ação truculenta da PM expressam muito além disso.

Em primeiro lugar, a busca dos jovens pela integração social dentro dos shoppings demonstra que há poucas alternativas de cultura, lazer e integração para os jovens da periferia. A maioria está de férias, os cinemas são caros, as iniciativas de envolvimento dos jovens em atividades culturais, por parte dos governos, são precárias e a recente restrição da meia entrada fechou mais ainda as possibilidades de um programa bacana para a juventude.

É claro que para justificar a ação da polícia, construiu-se um rol de justificativas infundadas de que os jovens promoveram algo parecido com arrastão, furtos e roubos, etc. Isso não é verdade. Houve sim uma correria pelo shopping, isso é parte do rolezinho, mas não com o objetivo de roubar ou fazer arrastão. Os jovens se animaram com o programa “daora” que organizaram e para quem já frequentou alguma sala de aula de jovens dessa faixa etária sabe que a energia da idade promove euforia, risada por qualquer coisa, bagunça, etc. Mas essa iniciativa de correr também tem um fundo político, não necessariamente consciente da parte dos jovens: eles são moradores da periferia, a maioria negros. Isso assusta em ambiente de rico e os shoppings são isso: ambiente de quem tem dinheiro pra gastar e não ambiente de quem não tem dinheiro para se divertir e improvisa diversões, como os jovens fizeram.

A reação dos donos dos shoppings expressa a defesa exata desse propósito desses ambientes de consumo. E o rolezinho atrapalha esse propósito. A ação da PM expressa o compromisso do governo com os donos dos shoppings e, portanto com essa concepção restrita, elitista e excludente de cultura, lazer e diversão. A ação da PM reproduziu no shopping o que ocorre todos os dias nas periferias brasileiras. Os jovens são reprimidos de graça, os negros já são identificados como bandidos. O recente acontecimento no bairro do Ouro Verde na periferia de Campinas não deixa dúvida: ser pobre, negro e morar na periferia é um atraente para a violência policial.

Os rolezinhos ganharam um caráter de protesto mesmo. Ganharam o apoio e a força dos movimentos sociais sim. E com certeza, a reação dos donos dos shoppings, da PM e do governo faz com que esses jovens que só queriam se divertir reflitam os problemas políticos e sociais que o rolezinho e suas consequências destamparam.

O Movimento Mulheres em Luta, o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, a CSP Conlutas e a ANEL vão pro rolê. Vamos expressar nossa indignação contra o racismo, contra o preconceito, a discriminação social e a repressão. Queremos dizer que a juventude deve ter direito à cultura, lazer e diversão, e que isso é responsabilidade dos governos. Vamos demonstrar que somos contra a restrição da meia entrada, e se quiserem comparar com os protestos de Junho, nós vamos dizer: sim, tem tudo a ver.

Mais uma vez, expressamos nossa indignação com o descaso dos governos sobre a população. A diversão e “boa recepção” dos turistas que vem para Copa é alvo de grande preocupação dos governos, mas a juventude, os trabalhadores e o povo pobre do país sofrem com o caos no transporte, saúde, educação e nem direito ao lazer tem. Partiu role, partiu protesto. 2014 começou.

Central Sindical e Popular Conlutas
Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
Movimento Mulheres em Luta
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!
Blog de Júnior Lima
Blog de Júnior Lima

Seleta de charges sobre rolezinhos (rolê quer dizer encontro)

Pernambuco. Jovens de classe média se articulam para apoiar rolezinhos

rec 1

Leonardo Bulhões, 24 anos, filho de funcionários públicos e estudante de música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), frequenta centros de compra quando precisa. No fim de semana 25 e 26, porém, sairá de casa com os amigos para um “rolezinho”. Os encontros organizados via rede social no Sudeste por jovens de classe baixa sob o pretexto do direito ao lazer chegará ao Recife trocando os bonés, bermudas e cabelos pintados pelas vestes da classe média ativista que protagonizou os protestos do ano passado.

Três páginas no Facebook anunciam “rolezinhos” na capital pernambucana. O maior dos eventos está marcado para acontecer no RioMar, no próximo dia 25, às 16h, e já reúne mais de 890 confirmações. A maioria delas é de pessoas como Leonardo Bulhões. “Vivemos em um país que tenta esconder o racismo. Os rolezinhos na grande parte do país são diferentes dos de São Paulo. Estamos fazendo o ato em solidariedade aos que sofreram repressão policial”, comentou o estudante, que pretende ir também ao encontro marcado para acontecer no dia 26, no Shopping Recife, em Boa Viagem, às 16h. No Tacaruna, em Olinda, haverá um rolezinho contra a homofobia, no dia 24, uma sexta-feira, às 17h.

O professor de sociologia da UFPE Ricardo Santiago explica que a participação de um extrato social diferente nos rolezinhos modifica o caráter do encontro. “Ele não é político por princípio, exceto pelo fato de ser uma afirmação de ocupação de espaço. Ao ganhar proporção em função da violência policial, ganha tom político, reivindicatório, contrário à ideia de discriminação”, comentou ele, acrescentando que é possível ainda encontrar similaridade com os protestos realizados no segundo semestre de 2013. “A ação da polícia detonou um processo que extrapolou o próprio movimento. Quando se reprime, gera solidariedade.”

Os universitários Leonardo Bulhões e Janaína Oliveira irão aos encontros por aqui. Foto: Edvaldo Rodrigues
Os universitários Leonardo Bulhões e Janaína Oliveira irão aos encontros por aqui. Foto: Edvaldo Rodrigues

O advogado Pedro Josephi, conhecido por participar ativamente dos movimentos no ano passado, também confirmou presença. “Não queremos nos colocar como jovem de classe baixa, mas problematizar a desigualdade social, a falta de espaços públicos, o direito à cidade”, contou. A universitária Janaína Oliveira, 23, que estuda ciências sociais na UFPE, também já confirmou presença. “Quero combater o racismo e a higienização social”, diz

O jornalista João Paulo Guma, 29, que também vai ao encontro, acredita em bipolarização do passeio. “Há os que estão enxergando o rolezinho como uma ação política e há os verdadeiros “rolezeiros”, que vão se aglomerar, se divertir, entoar seus mantras de periferia”, defende. O sociólogo da Universidade Católica de Pernambuco Nadilson Silva não acredita em segregação. “O preconceito de classe em sido diluído entre os jovens, com o maior acesso à educação e a mistura de culturas”, pontua.

Erick Miller, 19 anos, estudante secundarista e criador dos rolezinho locais

“Tem um grupo que quer politizar o evento”

O que te motivou a realizar rolezinhos nos shoppings do Recife?
Os ocorridos em São Paulo foram o motivo para pensar em realizar esses eventos aqui. Acho uma ótima iniciativa pra marcar encontros com pessoas desconhecidas, fazer novas amizades, curtir e se divertir.

Como você vê a participação de grupos de classe média e a politização do encontro?
O evento está meio dividido entre pessoas que querem apenas curtir e outras que querem politizar o evento. Eu não vejo nenhum problema. Mas preferiria que ficasse apenas como uma curtição.

Você costuma frequentar o shopping com os seus amigos?
Sim, sempre que posso vou, mas não para consumir. Geralmente só vou com os amigos ao cinema. Geralmente vou ao Shopping Guararapes, porque moro em Jaboatão. Às vezes vou ao Shopping Recife. Recentemente passei a ir ao RioMar.

O que o rolezinho terá de diferente de quando você vai com os amigos?
Esse evento vai ser totalmente diferente porque tem mais pessoas. Vai ser algo novo, pelo menos para mim. Eu acho a ideia muito legal de encontrar pessoas desconhecidas, nos conhecermos e nos divertirmos. Essa é a ideia do rolezinho. (Transcrito do Diário de Pernambuco)