Queima eleitoral da feira de candidatos a prefeito sem plataformas de governo

Manchete mentirosa da parada eleitoral
Manchete mentirosa da parada eleitoral

Entenderam-se por política várias coisas, e precisamente:

1 – a doutrina do direito e da moral

2 – a teoria do Estado

3 – a arte ou a ciência do governo

4 – o estudo dos comportamentos intersubjetivos

Nada mais enganador que afirmar que a Política era a chama que animou a Parada Gay de São Paulo. Como acontece com as paradas estudantis no Chile ou com as marchas dos indignados em vários países do mundo civilizado.

O que existiu foi um queima eleitoral. Uma feira de candidatos que não discutiram sequer seus programas de governos (se é que eles existem). E nenhum dos participantes carregou qualquer cartaz de protesto contra a corrupção que domina os poderes executivo, legislativo e judiciário de São Paulo.

Eis a vencionice do Diário do Comércio:

Política ‘ferve’ na 16ª Parada Ga

Paulo Liebert/AE

A 16ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) tomou a Avenida Paulista ontem. Com a previsão de um público de 4 milhões de pessoas, a mesma do ano passado, a Prefeitura armou um esquema de segurança com 1.500 agentes à paisana. Desta vez, a organização adotou um tom mais político na escolha do tema: “Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização”, bandeira defendida durante o desfile de 14 carros alegóricos.

O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT (APOGLBT) de São Paulo, Fernando Quaresma, disse que a homofobia tem cura, não por ser uma doença, mas porque pode ser melhor abordada. “Ela deveria ser discutida nas escolas, por exemplo.”

Fada madrinha – Envolvida com a causa LGBT, especialmente desde que esteve na Prefeitura, em 2004, a senadora Marta Suplicy (PT) marcou presença na Parada criticando o que qualificou de retrocesso (leia mais abaixo) e o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) pela ausência de programas de educação sexual no ensino público municipal. Ao lado de Kassab (PSD) na entrevista que antecedeu a parada, Marta afirmou: “Na administração da prefeita Erundina, fui a coordenadora (dos programas de educação sexual) nas escolas. Na minha gestão, fizemos o mesmo. Comentei com o Kassab que hoje não existe mais isso e que todo esse trabalho, que inclui desde a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis até o respeito à diversidade, faz parte dos ensinamentos e deve estar na escola”.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), com uma jaqueta de paetês prateados

O prefeito afirmou que Marta não fez uma crítica aguda, mas pediu apenas que haja abordagem ao tema da homofobia em diversas frentes na Prefeitura. O prefeito exaltou o evento – o segundo mais importante para a Cidade do ponto de vista turístico, atrás da F-1.

A organização e a militância LGBT protestam pela aplicação do projeto Escola Sem Homofobia, voltado a professores da rede pública. O grupo também pede a aprovação do projeto de lei 122/06, que há seis anos tramita no Senado e pede a criminalização da homofobia.

Tema delicado – O assunto é espinhoso para o PT, que tentou promover o chamado kit gay na gestão do pré-candidato do partido nas eleições municipais, Fernando Haddad, no Ministério da Educação. Após protestos de vários setores, Haddad abandonou o projeto.

E os candidatos? – Dos candidatos a prefeito Celso Russomanno (PRB), Carlos Giannazi (PSOL) e Soninha Francine (PPS) foram acompanhar a Parada na Avenida Paulista. José Serra (PSDB), que tinha ido para os EUA,  desmarcou. Haddad havia viajado com a família. Gabriel Chalita (PMDB) marcou evento de pré-campanha no mesmo horário na zona leste.

Público menor – Pela primeira vez, a organização não divulgou  o público, que, segundo policiais  e habitués foi inferior aos 4 milhões de 2011.  O último trio elétrico chegou à Praça Roosevelt, no Centro, às 18h. No horário, a  Avenida Paulista já havia sido liberada. Não houve registro de incidentes.

Marta vê retrocessoe alfineta Haddad
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) criticou a demora na votação do projeto que criminaliza a homofobia. Em entrevista que precedeu a Parada Gay, ela disse que é um “retrocesso” o fato de o assunto não ter sido votado no Congresso após 16 anos de Paradas.

Cadê o Haddad? – Ao ser questionada sobre a razão da ausência no evento do pré-candidato petista a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, Marta, vestida com uma jaqueta de paetês prateados – “que a ocasião pede” –, foi evasiva. Perguntada se o fato de Haddad não participar da parada era um modo de evitar perda de votos entre evangélicos, segmento do eleitorado no qual é questionado por haver proposto o kit anti-homofobia quando era ministro da Educação, a senadora disse: “Isso é muito sério. Temos de pensar o que está acontecendo com a sociedade brasileira, que vive um retrocesso. Uma força de setores conservadores que não representam a maioria da sociedade acaba impondo essas ações e esses valores”, afirmou, sem citar diretamente Haddad.

O ministério, na época de Haddad, chegou a preparar material com vídeos, boletins e um caderno que trabalhava o tema da homossexualidade em sala de aula e no ambiente escolar.

A distribuição do chamado kit anti-homofobia, no entanto, foi suspensa pela presidente Dilma Rousseff após protestos das bancadas religiosas no Congresso.(AE)

Feita a transcrição, comento: a homofobia faz parte da violência que ensanguenta São Paulo. E a participação de um prefeito no combate aos crimes hediondos é mínima. Considerando que não tem nenhum poder para conter uma ação  contrária à ordem moral, jurídica ou política. É o governador quem comanda as polícias civil e militar. A Polícia Federal tem o comando da presidência da República. Idem as Forças Armadas. E o poder de prender, em uma democracia, é exclusivo da Justiça, que julga conforme a Lei. Lei votada pelo legislativo.

Compete a um prefeito administrar a cidade. Construir coisas que prestem para o povo. Que humanize a cidade. Construa moradias para o povo. Ofereça os serviços essenciais. Cuide da educação. Da saúde. Do saneamento. Ofereça áreas de lazer. Realize o combate à especulação imobiliária. Crie impostos para as moradias fechadas, os terrenos baldios. Retire o lixo. Limpe as ruas. Livre a cidade da sujeira e das pestes tipo dengue. E que tenha como política a urbanização social. Este é o bom combate de um prefeito. Notadamente contra a violência.

No mais, o homofóbico é um psicopata. A psicopatia não tem cura. Não se deve confundir crimes passionais com homofobia nem as mensagens isoladas de líderes religiosos ou políticos que condenam a sexualidade. O fanatismo religioso e o extremismo político terminam quando desmascarados pela imprensa. Quem prega o ódio e a morte sempre faz por demagogia, ou falso puritanismo, ou oportunismo faccioso, ou doença mental.

Do comportamento. Temos que considerar que o comportamento pode ser passivo (opinião), predisposição (atitude) e ativo (ação). A opinião é livre. Um idéia se combate com outra idéia. Uma atitude pode resultar em nada. Como acontece com o desejo de deixar de fumar.

Devemos combater as ações. Seja um pecado (regra adotada pelas religiões). Seja um delito. Em alguns casos para transformá-los em crime. Como acontece com o trabalho escravo. Desde o cortador de cana, cuja média de vida ativa sempre foi de doze anos, aos escravos do tráfico de sexo.

 

 

Parada Gay de São Paulo rende mais de R$ 200 milhões. Não precisa de dinheiro público

 

Parada encolheu. Apenas 270 mil participantes.
Parada encolheu. Apenas 270 mil participantes.

 

Qualquer verba federal, estadual e municipal dissipada em paradas gays precisa ser investigada. Principalmente em anos eleitorais. O mesmo deve acontecer com os embalos que os prefeitos realizam todo final de semana. Os chamados shows comícios com contratos superfaturados de artistas.

O surgiu.com.br informa:

“Embora a organização do evento e a Polícia Militar ainda não tenham divulgado a estimativa de público, a impressão é que a 16ª edição da Parada Gay deste ano atraiu menos público. Em 2011, cerca de 4 milhões foram à avenida Paulista para a Parada do Orgulho LGBT (nome oficial da Parada Gay), cujo tema foi a homofobia. Para a PM, o público parecia menor.

Previsto para começar às 12h deste domingo (10), o evento teve atraso de mais de uma hora para começar. Pouco antes do início oficial, policiais identificaram como skinheads um pequeno grupo que estava atrás do Masp (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Segundo a polícia, cerca de 10 skinheads foram abordados a caminho da Parada, e liberados em seguida”.

Dez skinheads contra um público esperado de 3 milhões de pessoas parece piada.

“Não houve outras ocorrências significativas. Responsável pelo policiamento na região da Paulista para a parada, o tenente-coronel Benjamin Francisco Neto disse que foram registradas 100 ocorrências, todas por abuso de bebidas alcoólicas; quatro pessoas precisaram ser levadas a hospitais. Embora as autoridades de segurança trabalhassem com reforços para combater o comércio ambulante, o UOL flagrou muitos participantes que levaram bebida alcoólica para a Parada”.

O povo anda sem dinheiro. E os bares e restaurantes localizados no trajeto da Parada cobram caro. Aproveitam o evento para elevar os preços. E o comércio ambulante é uma oportunidade de fazer um extra.

“O último trio elétrico da 16ª edição da Parada Gay em São Paulo chegou à praça Roosevelt, região central de SP, por volta das 18h deste domingo. No horário, a avenida Paulista já havia sido liberada. No total, 14 trios elétricos desfilaram na parada”.

Se o movimento gay constitui uma campanha, espero que os trios não cobraram nenhum tostão.

“Embora a política fosse um dos focos neste ano, com a proximidade da eleição municipal e a pressão pela aprovação do Projeto de Lei Complementar 122/06, que criminaliza a homofobia, esta Parada fica marcada pela ausência de políticos. Ou melhor, pela ausência de políticos que querem governar São Paulo: a maioria dos pré-candidatos à Prefeitura não foi à Parada.

Em Nova York, José Serra (PSDB) cancelou a participação na Parada; durante a semana, o tucano havia confirmado presença. Uma das poucas lideranças políticas a ir ao evento foi a senadora Marta Suplicy (PT-SP); a petista inclusive postou uma foto no evento em seu Twitter. A senadora qualificou de ‘retrocesso’ a demora na votação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, e foi evasiva quando questionada sobre o porquê da ausência de Fernando Haddad, pré-candidato de seu partido à Prefeitura da capital.

Com o tema ‘Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização’, a parada gay paulistana é a que reúne o maior número de participantes entre todas as paradas do gênero. O tema parodia instituições religiosas que dizem curar a homossexualidade; com ele, a organização cobra do poder público a aplicação de políticas púbicas em educação para combater a discriminação a homossexuais.

Como nos anos anteriores, os organizadores pedem a aprovação do Projeto de Lei Complementar 122/06, que torna crime a prática de homofobia, assim como ocorre com o racismo, e tramita há seis anos no Congresso. Neste ano, a organização decidiu não estimar o público da parada para que o foco seja justamente o tema escolhido. No ano passado, chegou-se a divulgar público de 4 milhões, número contestado pelo Datafolha.

Além de Marta, também estiveram presentes ao ato na Paulista o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e a pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS)”.

Os políticos participam da Parada pela certeza de que serão cortejados. A Parada não tem nenhum outro objetivo que criminalizar a homofobia. É reivindicar muito pouco. A homofobia não tem cura. É coisa de psicopata. Tal como acontece com o estuprador. Com o pedófilo. Com o serial killer.  A Parada devia exigir a punição de todos os crimes de motivação sexual.

MEGA FATURAMENTO

“Dados da São Paulo Turismo (SPTuris), órgão da prefeitura responsável pelo turismo na capital, apontam que a Parada Gay, organizada pela primeira vez em 2007, com cerca de 2.000 participantes, tornou-se um dos maiores eventos da cidade e do país, atraindo 600 mil turistas que deixam mais de R$ 200 milhões em receita.

Estudo realizado em 2011 pelo Observatório do Turismo, vinculado à SPTuris, apontou que 83,8% do público da parada é da capital, 11,3% de outras cidades da Grande São Paulo e 4,9% de turistas. As mulheres são maioria (58,9%).

A orientação sexual de 49,5% dos participantes é homossexual, 15,8% é bissexual e 34,6% heterossexual. A faixa etária com maior presença na parada é a de 18 a 24 anos (38,1%), seguida pela de 25 a 29 anos (28,4%) e 30 a 39 (19,1%)”.

Parada Gay deve reunir 3 milhões na Paulista para esquecer os que sofrem e propagar o mito do Brasil cordial

Na terra do maior tribunal de justiça do mundo – com 360 desembargadores -, a parada gay  tem apenas uma mensagem de luta: a homofobia. E todos esquecem os flagelos de São Paulo: um deles, a violência. Destaco apenas a violência sexual:  a homofobia, a lesbofobia, o femicídio, o assédio sexual no trabalho, o bulismo, o stalking, o  estupro, a pedofilia etc.

Como acontece no São Paulo violento doutros crimes – sequestros, assaltos, mortes encomendadas, chacinas – as vítimas são sempre os pobres. E a classe média que não pode pagar seguranças.

No Brasil impera a Justiça PPV. “Só existe para pobres”. Definiu o íntegro ministro Édson Vidigal, quando presidente do Superior Tribunal de Justiça: “Concordo plenamente: é a justiça do PPV, para pobre, puta e veado. São as pessoas mais discriminadas, as minorias. Isso acontece porque não têm defensores. Os ricos, que têm advogados, não vão para a cadeia: eles conseguem escapar dos processos porque a lei no Brasil é tão emaranhada que é preciso gente muito especializada para enfrentar essa selvageria que é nossa legislação processual.”

Considerando as populações miseráveis, pobre passa a ser sinônimo de preto. Assim temos a justiça do preto pobre, da puta pobre, do veado pobre. Nesta parada não há nenhuma reivindicação para proteger o gay pobre, a principal vítima da homofobia. Discriminado, inclusive, pelos gays ricos. Sem emprego. Ou recebendo o salário da fome. Sem moradia. Perseguido pela polícia. Apodrecendo nos cárceres, nos asilos de velhos, nas filas dos hospitais. Ou morrendo, lentamente, na aflição e dor de quem não tem medicamentos nem atendimento médico. O gay pobre não participa da parada. Não faz parte da contagem dos 3 milhões.

Há uma grande diferença entre os movimentos gays do Brasil e de outros países.Destaquei o esquecimento do veado pobre. E não falei do que bate calçada, o prostituto de rua, que vende o corpo. Uma situação de pobreza idêntica a milhões de mulheres. Basta salientar que o Brasil possui, oficialmente, informa a ONU, 250 mil prostitutas infantis no tráfico do sexo.

Segundo a despolitização. Veja o exemplo da Argentina. Promoveu-se uma campanha pela casamento igualitário e libertário.  Todo tipo de apartheid termina com o fim da proibição do casamento inter-racial. Da obrigação de casar no próprio grupo social (endogamia).  Toda sociedade deve lutar pelo casamento morganático (entre duas pessoas de estratos sociais), pelo casamento misto (entre duas pessoas de religiões diferentes). Celebraram os argentinos, com a conquista do casamento igualitário e libertário, o casamento gay, o fim do homossexualismo, que é um termo médico criado no final do século XIX para identificar o sujeito homossexual.

A presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner promulga  a lei que habilita o casamento gay, o que torna a sociedade do país "mais igualitária"
A presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner promulga a lei que habilita o casamento gay, o que torna a sociedade do país “mais igualitária”

E justiça seja feita! o mito do Brasil cordial, que beneficia as elites, protege todos os seus membros. Não conheço nenhum gay rico vítima da homofobia. E hoje exercem cargos nos três poderes. Comandam empresas. São celebridades nas artes.

A Parada carnavalesca constitui uma transposição para as ruas de São Paulo do baile Gala Gay do Rio de Janeiro. Tornou-se uma festa que rende milhões para a indústria do turismo. E para os promotores do evento. Que defendem os guetos de luxo. Onde são proibidos de entrar as lésbicas, os gays, os bissexuais, os travestis, os transexuais e os transgêneros sem grana.

Qual a diferença entre o tradicional Gala Gay do Rio de Janeiro e a Parada dos 3 milhões de São Paulo?
Qual a diferença entre o tradicional Gala Gay do Rio de Janeiro e a Parada dos 3 milhões de São Paulo?

Que parte dos 3 milhões leve cartazes de protesto. Contra a marginalização econômica dos LGTB.

Fica o desafio. E o aviso: os inimigos da liberdade de expressão, a Gestapo, os comissários de partidos políticos e as milícias da ditadura econômica são mais cruéis que os homofóbicos. E mais: os promotores enriquecidos da Parada promovem uma camuflada censura. Para satisfazer os interesses dos que patrocinam o milionário evento.