São Paulo cenário da guerra do futuro pela água

 

 

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 Alfredo Martirena
Alfredo Martirena

O racionamento d’água em São Paulo, região metropolitana e capital, virou um cenário de estudo das guerras futuras, entre países, pela posse do ouro azul.

Trechos de uma reportagem da agência inglesa BBC, por Renata Mendonça:

“É desumano. Chegou num ponto que a gente começou a ver situações inacreditáveis. Uma pessoa chegou na bica com uma arma e falou pro pessoal: passa a água! Olha a inversão de valores que a gente tem’.

Cenas como a descrita acima assustaram Victor Terraz, morador de Itu (102 km de São Paulo), a cidade mais afetada pela seca que assola o Estado de São Paulo. Assim como os outros 163 mil ituanos, ele tem sofrido com a falta de água na região, que já está há nove meses em racionamento.

A Águas de Itu é uma empresa privada que tem a concessão da prefeitura para o abastecimento de água da cidade. Em meio à crise, a companhia está disponibilizando caminhões pipa para levar água a residências, escolas, hospitais e prédios públicos. São cerca de 34 a 38 caminhões pipa por dia, segundo a empresa.

Mas os caminhões viraram alvo de ‘ataques’ da população. No desespero da falta de água, alguns moradores chegaram a fazer emboscadas para conter os caminhões da empresa antes que eles chegassem ao seu destino.

‘Aqui na rua, o caminhão foi passar só 1h30 da manhã, porque ele senão ele é atacado’, explica Luiz Carlos.

‘Os caminhões sofrem retaliações, teve um motorista de um deles que foi espancado, tudo isso por causa da briga pela água. Agora os caminhões que entram na cidade são escoltados pela guarda municipal para não dar problema’, conta Victor.

Publica G1: Em meio à crise de falta d’água que atinge a Grande São Paulo, a Polícia Civil prendeu na quinta-feira (10), durante a operação “Gato Escaldado”, o dono de cinco hotéis e o proprietário de uma churrascaria por furto de água.

Policiais da 3ª Delegacia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais contra Órgãos e Serviços Públicos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fiscalizaram nove locais e encontraram sinais de furto de água em uma churrascaria de Cangaíba, na Zona Leste, em cinco hotéis de um mesmo proprietário no bairro do Ipiranga e nas vilas Monumento e Clementino, na Zona Sul; e também em uma fábrica de gelo em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Os dois donos da fábrica de gelo ainda não foram localizados.

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O Brasil, rico em água, possui os dois maiores aquíferos do mundo, e centenas e centenas de rios perenes, inclusive um Mar Doce, o Rio Amazonas.

Faltar água para o povo em São Paulo, um estado de cobiçada riqueza hídrica, pelas engarrafadoras de água de poço e de água mineral, pelos fabricantes de bebidas frias e quentes, e sorvetes, escancara a corrupção das outorgas, o entreguismo das privatizações, e a degradação do governo estadual.

As propostas do corrupto e mentiroso governador Geraldo Alckmin são indecentes. A começar pelo rodízio de quatro por dois (quatro dias sem água e dois com), para tentar evitar o colapso completo.

O racionamento coloca vizinho contra vizinho. A Folha divulga hoje: “Moradores de prédio em São Paulo escutam canos para vigiar banho dos vizinhos”.

Quando morei na Espanha da ditadura de Franco, para estudar na Universidade de Navarra, os meus vizinhos diziam, como piada, que as paredes que separavam os apartamentos eram finas, para uma família espionar a outra. Esse dedurismo, também, era incentivado no Brasil da ditadura militar de 64.

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Os vizinhos Catherine Sabbagh e Aristides Costa em prédio que vigia banho de morador. O síndico incentiva que todos sejam “guardiães da água”

O biógrafo, romancista e poeta Fernando Monteiro observou, em sua página na intenert:

“São Paulo… Tem gente lá capaz de tudo — principalmente na faixa da alta renda.

Curioso: a moça sorri. E o senhor com camisa de grife esboça um… Bem, deixa pra lá.

[AQUI no Nordeste velho, desde pelo menos 1888, nós lidamos com secas horrendas e tivemos — ainda temos? — até a famosa ‘indústria da seca’ etc.]”

Previu, com humor, o professor universitário José Eugenio Guimarães: “Vai ter a ‘Delação premiada’ da água”.

Fernando Monteiro concluiu: “E senhores executivos de multinacionais fazendo cálculos exponenciais do consumo de água na descarga dos vasos sanitários dos vizinhos das torres residenciais mais altas”.

Contra a espionagem
Contra a espionagem

Quando as principais providências seriam policiais: investigar as posses de outorgas, as privatizações, principalmente a da Sabesp, o tráfico de água para o exterior, e proibir a exportação de água, de cervejas e refrigerantes.

A campanha milionária para economizar água visa culpabilizar a população. Veja apenas uma prova do desgoverno

O poeta Juareiz Correya mostra a beleza do Rio Tietê antes de chegar a São Paulo
O poeta Juareiz Correya mostra a beleza do Rio Tietê antes de chegar a São Paulo
Rio Tietê poluído na região de Salto, SP (Foto- Vinícius Marques:TEM Você)
Rio Tietê poluído na região de Salto, SP (Foto- Vinícius Marques:TEM Você)
Rio Tietê em São Paulo Capital
Rio Tietê em São Paulo Capital

Veja outras providências nos links deste post

A Serra do Gandarela e o malfeito de Dilma

por José de Souza Castro

 

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Faltando 52 dias para encerrar meu contrato com o jornal “Hoje em Dia”, para redigir seus editoriais, publiquei ali, no dia 27 de abril deste ano, um texto intitulado “Pensando grande em Rio Acima”. Elogiava o prefeito Antônio César Pires de Miranda Junior, do PR, pelo tombamento municipal do Conjunto Histórico, Arquitetônico, Natural, Arqueológico e Paisagístico do Gandarela. Escrevi:

“O tombamento de 11.269 hectares da Serra do Gandarela localizados em Rio Acima relembra a luta entre Davi e Golias. A medida assinada pelo novo Davi ameaça um projeto de R$ 4 bilhões, valor trombeteado pelo gigante da mineração que, de fato, cobiça o tesouro de uma serra situada no centro do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, a aproximadamente 50 quilômetros da capital.”

E prossegui:

“O minério é o alvo, mas a serra tem outros tesouros. Ela abriga a segunda maior reserva de Mata Atlântica de Minas e meia centena de grutas e cavernas, ricas em fauna e flora. Mas sua principal riqueza é a água. Para protegê-la, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade tenta criar o Parque Nacional da Serra do Gandarela. O tombamento se apresenta como estímulo ao projeto do ICMBio e jamais ao da Vale.

Os defensores do parque têm dificuldade para traduzir em dinheiro um valor intangível, como é a paisagem natural e o bem-estar de milhões de pessoas e a vida de animais que não se acham à venda no mercado.

E quanto valerá a água do Gandarela ameaçada pela mineração? Provavelmente, ela vale bem mais que os R$ 4 bilhões que a Vale ameaça não investir, se prevalecer esse projeto do parque.

O certo é que água doce será cada vez mais valiosa e sua falta no Gandarela afetará moradores de Belo Horizonte e cidades próximas. Em Rio Acima, a água já é um problema, pois a única estação de tratamento foi construída em 1979 e a rede existente não chega a todas as residências.”

Eu sabia dos riscos, pois já então o jornal pendia abertamente para apoiar a candidatura Aécio Neves à Presidência da República. Apesar disso, o editorial foi escrito e publicado. Mesmo que o projeto de R$ 4 bilhões da Vale tenha sido lançado em 2009, com apoio do então governador Aécio Neves (PSDB). Um apoio que não faltou por parte de seu sucessor Antônio Anastasia, também tucano, e do atual governador, Carlos Alberto Pinto Coelho, do PP.

O que eu não esperava é que, em plena campanha eleitoral, Dilma Rousseff, do PT, assinasse finalmente o decreto que, no dia 13 de outubro, criou o Parque Nacional do Gandarela, cedendo aos interesses da Vale. Aécio Neves, se presidente, não teria feito melhor.

A reação ao decreto demorou. Só no dia 10 de novembro, o Movimento Águas do Gandarela editou um informativo dando as verdadeiras dimensões do desastre ambiental que vem pela frente. O jornalista e blogueiro Carlos Cândido, do Jornalaico, republicou-o no mesmo dia, com uma pequena introdução:

“Dilma cria parque, mas deixa de fora dele o mais importante e autoriza a mineração que vai destruí-lo. ‘O desenvolvimento’ é prioridade, para o PT, como para o PSDB. Desenvolvimento é o outro nome do capital, cujos interesses prevalecem, sempre. A mineração e as divisas que proporciona são mais importantes do que o ambiente, as espécies animais, a vegetação, as nascentes, a água. A consequência é a seca, que está aí nos castigando.”

Acho que Carlos Cândido foi o primeiro petista declarado com quem trabalhei. Eu chefiava a redação da sucursal do “Jornal do Brasil” em Minas. Ele era recém-formado e iniciou ali sua carreira. Para mim, portanto, essa avaliação dele é de certo modo surpreendente. Não deve ter sido fácil, para ele, fazer esse tipo de comparação, depois de 12 anos do PT no governo.

A decepção parece clara, também, para o Movimento Águas do Gandarela. Tem tom de protesto o seu informativo:

“O Parque Nacional da Serra do Gandarela, pedido pela sociedade e em estudos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desde 2009, foi criado pela Presidência da República, com área de 31 mil hectares, conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU) de 14 de outubro de 2014.

Deveria ser motivo para grande comemoração mas, infelizmente, não temos muito a festejar já que os limites da nova Unidade de Conservação federal, tão sonhada e batalhada por muitos, foram profundamente alterados.

Não respeitaram todo o processo de criação, as consultas públicas realizadas em 2012 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os objetivos de conservação e as demandas de comunidades locais. Esperamos que o governo federal reverta este fato!

Convocamos a todos a multiplicar estas informações para garantir a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável com os limites adequados.”

Recomendo a leitura na íntegra. Vale prestar atenção aos mapas e às demais ilustrações do informativo do Movimento Águas do Gandarela, com as respectivas legendas, que mostram bem a dimensão do problema.

Para mim, não está claro, ainda, é se, afinal, terá algum efeito o tombamento municipal feito pelo prefeito de Rio Acima, para proteger parte da serra localizada em seu território. Espero que ele também não tenha sido tratorado pelo decreto de Dilma.

 

 

El oro azul del siglo XXI

por  Montse Aparicio/ Barcelona

Tercera Información

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El oro azul del siglo XXI está generando problemas a escala mundial como nunca antes lo habíamos visto. Quizás porque ahora se sabe todo o, seguramente, porque ahora nos afecta a nosotros. No se trata de un problema de cantidad de agua, sino de calidad. En las grandes ciudades se debe garantizar la salubridad del abastecimiento.

Esta semana salía en los periódicos la noticia de que la primera iniciativa ciudadana Europea a favor de la gestión pública del agua, tenía ya más de 1.500.000 de firmas.

Esta presión social ha ocasionado consecuencias positivas: el comisario europeo de mercado, Michel Barnier, anunció que el agua quedaba al margen de la propuesta de regulaciones público-privadas sobre concesiones para los servicios de interés público como los ferrocarriles o correos.

A todo esto, se le debe añadir tal y como dice Edmundo Fayanas, la posición que están teniendo países centroeuropeos. Ciudades como París o Berlín están re-municipalizando su servicio de agua; “París lo re-municipalizó en el año 2010. En el año 2011, la empresa municipal “Eau de París” consiguió un beneficio de 35 millones de euros, lo que le permitió un recorte de tarifas del 8% y además siguió invirtiendo en el mantenimiento de su red de agua“.

El claro sistema neoliberal

A estas alturas de la película no sorprende que el afán de lucro de algunos vaya por delante de la vida de los demás. Pero no viene de nuevo: En la Declaración de Dublín de 1992, sobre el agua y el desarrollo sostenible, se marca en el principio 4 que <el agua tiene un valor económico en todos sus diversos usos en competencia a los que se destina y debería reconocerse como un bien económico>.

Este bien económico llamado agua choca de frente con reconocer el agua como derecho humano: esto es el gran ejemplo de paradoja. La gran contradicción de los de arriba. La hipocresía de las palabras. Un derecho humano no puede ser, de ningún modo, un bien económico. Se trata de un elemento necesario para la vida, no solo humana. No somos los dueños de este planeta ni los únicos que vivimos en él.

La hidromafia

El máximo exponente del pensamiento económico liberal, Stuart Mill, argumentaba que la gestión del agua es un monopolio natural que debe estar en manos de administraciones públicas. Pero la realidad es que hay dos gigantes multinacionales que están controlando la mayor parte de los sistemas hidráulicos del mundo: Vivendi y Suez.

El agua necesita una gestión puesto que el ciclo que un atento profesor nos enseñó, cuando cursábamos primaria, necesita de nuestra ayuda para poder garantizar, como se ha comentado antes, la salubridad de esta. Como dice Mill, debería ser pública y que sea el Estado quien se encargue de regularlo. Pero el creciente déficit que muchos países estamos teniendo ahora ha conllevado que una de las formas de obtener “dinero fácil” sea privatizando servicios públicos y el del agua es uno más que está quedando silenciado.

Este recurso tiene usos tanto públicos (higiene o alimentación) como privados (industria). Que sea público no significa que sea privado puesto que se necesita un mantenimiento de las instalaciones y del tratamiento. Cuando este sostenimiento recae en manos privadas se esta hablando de monopolios, que es lo que son Suez o Vivendi (…) quien además controla el 40% del mercado (sistema público de aguas) mundial, en más de 200 países.

Tanto Suez como Vivendi han incrementado ingresos a medida que iban privatizando, lo cual deja claro que se mueves por el ánimo de lucro no por el servicio público. El director de Suez, Sr. During, dijo claramente que “están aquí para hacer dinero”.

En el interesante artículo de Fayanas, Agua uso público o privado, se pueden encontrar más ejemplos de estas hidromáfias: Vivendi encareció el Agua en la provincia de Tucumán, en Argentina, y cortó el agua al 80% de la población de la ciudad de Alexandra Township en Sudáfrica, por qué sus habitantes no podían pagarla.

Conflicto a escala mundial

La lucha por oro azul hace tiempo que empezó pero que parecía que aún estaba muy lejos en los países que nosotros llamábamos del Sur. Pero ahora resulta que el Sur también somos nosotros. No se trata de un choque entre países, sino entre clases sociales y económicas.

Ya se sabe, la ONU dijo que el agua es un derecho humano esencial fundamental. Seguramente se olvidó de continuar la frase; El agua es un derecho humano esencial fundamental solamente para aquellas personas que puedan pagarla.

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