CPI do Cachoeira denuncia apenas trinta. Faltam os governadores e outros peixões

A CPI do Cachoeira entregou nesta terça-feira (18) um pedido ao Ministério Público Federal de Goiás para acionar Justiça Federal para sequestrar 167 imóveis de pessoas e empresas denunciadas nas operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal, que investigaram um bilionário esquema de exploração de jogos ilícitos e de corrupção e lavagem de dinheiro comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

OS DENUNCIADOS

1. Edvaldo Cardoso de Paula

2. Eliane Gonçalves Pinheiro

3. Lúcio Fiúza Gouthier

4. Marcello de Oliveira Lopes.

5. José Carlos Feitosa (Zunga).

6. Joaquim Gomes Thomé Neto

7. Jairo Martins de Souza.

8. Rodrigo Jardim do Amaral Mello.

9. José Raimundo Santos Lima.

10. Marco Aurélio Bezerra da Rocha.

11. Santana da Silva Gomes.

12. Elias Vaz de Andrade

13. Fernando de Almeida Cunha

14. Wladimir Garcez Henrique

15. Gleyb Ferreira da Cruz.

16. Geovani Pereira da Silva.

17. Lenine Araújo de Souza.

18. Adriano Aprígio de Souza.

19. Idalberto Matias de Araújo.

20. André Teixeira Jorge

21. Leide Ferreira Cruz.

22. Andressa Alves Mendonça de Moraes

23. Andréa Aprígio de Souza

24. Cláudio Dias Abreu.

25. Rossini Aires Guimarães.

26. Fernando Antônio Cavendish Soares

27. Antônio Pires Perillo

28. Rubmaier Ferreira de Carvalho

29. Carlos Cachoeira

30. Policarpo Júnior

 

Leia o Relatório Final da CPI do Cachoeira

Trechos da Apresentação do Relatório:

Conquanto o caminho a trilhar pudesse se divisar à primeira vista relativamente singelo, em função de todo acervo investigativo que já havia sido produzido pela Polícia Federal no bojo das operações denominadas Vegas e Monte Carlo, tínhamos plena ciência da grandiosidade e da responsabilidade que iríamos enfrentar nos meses que se seguiram à instalação dessa Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Com efeito, o elogiável e abrangente trabalho inicial da Polícia Judiciária Federal, embora já apontasse para a abrangência das atividades da organização criminosa chefiada por Carlos Cachoeira tinha objetivos mais delimitados, na medida em que se concentrara inicialmente na investigação e repressão dos jogos de azar e nas práticas criminosas decorrentes dessas condutas.

Já substanciados nesse cabedal probatório preliminar, mergulhamos nesses últimos sete meses, de forma incansável e diuturna, numa imensa cachoeira de dados e informações produzidos a partir das decisões democráticas desse colegiado. Como consequência desse trabalho essa Comissão Parlamentar Mista de Inquérito identificou em pormenores uma das maiores e mais complexas organizações criminosas já estruturas no País e que há alguns anos vinha assacando de modo mais frontal o erário e a sociedade goiana e divisava, com a mesma ânsia e a total falta de pudores que detinha estender seus tentáculos para todo o País, não fosse a intervenção democrática da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Cumprimos com denodo nossa missão. O silêncio dos investigados em nenhum momento abalou nossa capacidade probatória. Os recessos e paralisações que levaram, em determinados momentos, à suspensão parcial das assentadas públicas da Comissão, em função dos compromissos democráticos da Nação e da sociedade, em nenhum instante interferiram no cumprimento da nossa tarefa.

Fizemos uma investigação profunda, consistente, serena e compromissada com a Nação brasileira. A organização criminosa chefiada por Carlos Cachoeira foi dilucidada à exaustão. O modus operandi do grupo criminoso, as relações com agentes públicos e políticos, suas fontes de financiamento, relações empresarias, enfim, todo o organograma e funcionamento dessa complexa estrutura criminosa foi minuciosamente delineada em nosso trabalho.

Estribados na Constituição Federal que nos outorga uma competência de investigação,produzimos um trabalho que certamente alimentará as tarefas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e dos Ministérios Públicos Estaduais, órgãos de investigação e persecução permanentes do Estado brasileiro.

Nada passou ao largo de nossa investigação. Identificamos, sem paixões ou perseguições e apenas com base na realidade probatória amealhada na investigação, todos os agentes públicos e privados que aderiram ou colaboraram com a organização criminosa. Outrossim, afastamos em nossa investigação as suspeitas ventiladas contra tantos outros cidadãos. Deambulamos sobre as fontes de financiamento da organização criminosa a partir da empresa Delta, que por sua vez alimentava empresas de fachadas conduzidas e ‘administradas’ pelos líderes do grupo criminoso.

Seguimos e identificamos todos os beneficiários (pessoas físicas e jurídicas) dos recursos oriundos dessas empresas de fachada, de modo que o caminho do dinheiro está apontado e deverá ser percorrido, como dito, pelos órgãos de investigação permanente do Estado. Localizamos diversos bens móveis e imóveis adquiridos com recursos da organização criminosa. E em parceria com o Ministério Público Federal conseguimos o sequestro e a indisponibilidade de um grande acervo patrimonial da quadrilha.

Fora do fato determinado que direcionou nosso trabalho, mas em sintonia de conexão com o objeto da investigação que fazíamos, identificamos outras supostas irregularidades também alimentadas financeiramente a partir da empresa Delta e diversas empresas fora da região centro oeste. Não nos omitimos diante dessa realidade. Dentro das limitações constitucionais do nosso trabalho, identificamos todas essas empresas, os valores movimentados e as irregularidades que as caracterizam, de modo que também encaminharemos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal um trabalho bastante avançado, com um acervo investigativo que permitirá a continuidade e o aprofundamento das investigações.

Identificamos ainda, profissionais ligados aos meios de comunicação que de alguma forma aderiram aos desígnios da organização criminosa ou colaboraram com Carlos Cachoeira. Respeitando todos os limites e garantias constitucionais,

especialmente a liberdade de imprensa, dedicamos também um capítulo específico de nosso relatório para discorrer sobre as condutas desses profissionais.

Não haverá impunidades. Ninguém será protegido ou imunizado por essa Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Dentro da quadra constitucional que nos era permitido esgotamos os elementos de investigação. Tínhamos um compromisso com esse Colegiado, com o conjunto de nossos pares, mas substancialmente a sociedade e o Estado Democrático de Direito. Esse compromisso foi cumprido.

Trata-se de um texto verde, azul e amarelo, um relatório com as cores do Brasil e com a responsabilidade constitucional que temos como representantes da Nação no Congresso Nacional. A dureza com que divisamos algumas condutas nesse relatório é diretamente proporcional ao tratamento que o cidadão ou cidadã atingido(a) por este Relatório dispensaram à sociedade e ao erário brasileiro. O Relatório na íntegra. Leia

Cachoeira prestes a abandonar a estratégia do silêncio

Cachoeira, diante das derrotas judiciárias, pode abrir a boca

Cachoeira, diante das derrotas judiciárias, pode abrir a boca

por Wálter Fanganiello Maierovitch
Nesta semana, a sorte de Carlinhos Cachoeira mudou. O jogo virou pro lado dele  e deu zebra. E Cachoeira está nervoso a ponto de ter acabado de desacatar um agente penitenciário.
Cachoeira, a propósito, estava animadíssimo com o voto equivocado do desembargador federal  Tourinho Neto. No momento, e segundo avaliam policiais federais consultados por este articulista, Cachoeira, que está a perder fichas no jogo jogado, poderá “quebrar o silêncio e detonar”.
 Como todos lembram, – até porque assustador em termos de insegurança social –, o desembargador Torunho Neto havia, em voto, concedido a Cachoeira ordem de habeas-corpus. Isto para  colocá-lo em liberdade. E, também, para anular todas as interceptações telefônicas realizadas, – com autorização judicial e aval do Ministério Público –, na chamada operação Monte Carlo, conduzida pela Polícia Federal.
Mais animado Cachoeira ficou quando, em outro e diverso feito, o precipitado Tourinho Neto deu efeito extensivo ao habeas corpus concedido em favor de um tal Careca. Com o efeito extensivo, a ordem de soltura de Careca beneficiava Cachoeira.
Mas, a festa judiciária promovida por Tourinho Neto virou, ontem e para Cachoeira, uma tragédia.
Como já informado e comentado neste espaço, por 2×1,  o voto de Tourinho Neto foi rejeitado pelos seus colegas togados do Tribunal Regional Federal (1ª.Região), na segunda-feira passada.
Ontem, o ministro Gilson Dip, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar para cassar o efeito extensivo, concedido por Torurinho Neto,  para colocação de Cachoeira em liberdade, junto com o referido Careca.
Para rematar e ainda ontem, uma nova zebra apareceu para Cachoeira.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal denegou ordem de habeas-corpus em favor de Cachoeira. Ele pretendia cair fora da cadeia em face de prisão preventiva imposta nos autos do inquérito iniciado pela operação Sain Michel. A operação Sain Michel refere-se a fraudes em licitações de bilhete eletrônico de transporte público em Brasília.
Resta a Cachoeira bater à porta do Supremo Tribunal Federal (STF). E as suas esperanças voltariam num STF que conta com um ministro Marco Aurélio, que soltou Salvatore Cacciola (fugiu para a Itália e só foi recapturado quando foi passear em Monte Carlo) e um Gilmar Mendes que, contrariando jurisprudência do STF, pulou instâncias para conceder liminar e soltar o banqueiro Daniel Dantas. Fora isso, Gilmar Mendes soltou o médico Roger Abdelmassih, que estaria no Líbano, como lhe convém espalhar para tirar a polícia do seu encalço em território brasileiro.
Pelo que circula, Cachoeira, — que de tolo não tem nada–, já analisa se “jogou certo” ao optar pelo silêncio.
Pelas informações que circulam, Cachoeira já está a achar que  o silêncio não foi suficiente para ganhar a liberdade e reduzir a pó as operações Monte Carlo e Vegas (a que ficou anos na gaveta do procurador-geral Roberto Gurgel, apesar do prazo de 30 dias estabelecido pela lei processual  para se manifestar). E pouco valeu a defesa técnica entregue ao influente advogado Márcio Thomaz Bastos, contrato a peso de ouro.
Por isso, Cachoeira já estaria a imaginar numa outra cartada, pois insatisfeito com o poder de pressão dos seus amigos poderosos e potentes. E até o seu fâmulo, senador Demóstenes Torres, caiu no desespero pela não prevalência do voto de Tourinho Neto e manutenção das conversas telefônicas gravadas. Demóstenes estava pronto para afirmar a inexistência de provas lícitas das suas ligações com Cachoeira. 
 Num pano rápido. Cachoeira pode mudar e virar uma metralhadora giratória. Para tanto, bastará abrir a boca e deixar o silêncio de lado. Essa cartada é desaconselhada pelos seus defensores, certamente.

As relações de Cachoeira com a justiça precisam ser investigadas. Veja uma pista

Delta do Rio Amazonas
Delta do Rio Amazonas
Delta do Rio Parnaíba
Delta do Rio Parnaíba

Cachoeira está por trás das eleições de governadores, prefeitos, senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores; da indicação de desembargadores por governadores; idem nomeação de comandos policiais, secretários de Estado; da contratação de empresas de serviços; da construção de importantes obras públicas. Uma quadrilha que, parte dos crimes, foi investigada nas Operações Monte Carlo e Las Vegas da Polícia Federal.

Não se sabe se Cachoeira é o chefe de uma máfia ou um lugar-tenente. De um caudaloso rio da corrupção, que forma uma ou várias devastadoras cachoeiras.  Um rio com um invisível delta. Esta desconhecida foz precisa ser conhecida. Acontece que o Brasil, país que criou a bizarra lei do segredo eterno, não favorece o descobrimento.

Hoje a imprensa não destaca esta notícia do Jornal Floripa, repleta de informações subentendidas:

Juiz pede apuração contra colega que comandou caso Cachoeira

Sob suspeita de ter vazado informações da Operação Monte Carlo, o juiz Leão Aparecido Alves, titular da Vara Federal responsável pela prisão de Carlinhos Cachoeira, fez uma representação no TRF (Tribunal Regional Federal) contra o colega Paulo Augusto Moreira Lima, juiz substituto que tocou o caso.
Leão, o titular, não despachou na Monte Carlo porque estava cedido ao TRF. Com isso, todas as decisões judiciais da operação foram tomadas por Moreira Lima.
Esta semana, Moreira Lima deixou o caso, após anunciar que estava sofrendo ameaças. Leão assumiria, mas se declarou impedido por ser amigo de um dos réus, José Olímpio de Queiroga Neto, acusado de exploração ilegal de jogos.
Agora, com os rumores de que teria vazado dados da operação, Leão fez uma representação contra Lima para saber se foi alvo de investigação a mando do colega.
Por conta das regras do foro privilegiado, Leão só pode ser investigado com aval do TRF. Caso ele tenha sido investigado sem autorização, o que seria ilegal e toda Monte Carlo poderia ser anulada.
SUSPEITAS


Semanas antes de a operação ser deflagrada, Moreira Lima e a Polícia Federal passaram a suspeitar de vazamentos. Em fevereiro, escutas mostraram que Queiroga, o réu amigo de Leão, sabia que havia uma apuração em curso. A PF juntou mais de 20 conversas que reforçariam a suspeita de vazamento.
Queiroga chegou a combinar com Cachoeira formas de protocolar pedidos de informação na 11ª Vara.
As suspeitas da PF sobre o vazamento recaíram sobre a mulher de Leão, que é advogada. Foi quando o juiz representou contra Moreira Lima.
PROCEDIMENTO
O juiz Cândido Ribeiro, que na época era o corregedor do TRF, disse que a representação é “apenas uma forma de pedir esclarecimentos”. Ribeiro, segundo o tribunal, “recebeu a representação, ouviu três pessoas [não foi informado quem] e saiu da corregedoria”.
Moreira Lima e Leão Aparecido não comentaram.
A corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, minimizou o vazamento e classificou a operação como “um sucesso”. Segundo ela, a questão principal agora é garantir a segurança de Moreira Lima.
Calmon disse que o pai do juiz foi abordado por um policial e ele próprio recebeu ligação de um carcereiro informando que seu nome fora citado por presos. Moreira Lima também alegou cansaço, disse ela. “Deixá-lo [à frente do processo] seria um ato de desumanidade”, concluiu.

 

Delta do Ganges
Delta do Ganges
Delta do Niger
Delta do Niger
Delta na Groelândia
Delta na Groelândia

Por que Globo, Abril e Folha têm medo da CPI do Cachoeira?

Carlos Cachoeira, durante muitos anos, foi a principal fonte de informações da TV Globo, dos jornalões e revistas de papel cuchê.

Forneceu releases, filmes e fotos que viraram furos jornalísticos.

Escrevi que grandes jornalistas usurparam prêmios Esso que deveriam, por direito, pertencer ao “jornalista” Cachoeira.

Para prestar este serviço à grande imprensa, contratou agências de espionagem nacionais e internacionais e (pasmem!) arapongas do extinto CNI.

Veja, istoé, que bizarra época vivida com o “professor” no comando do jornalismo investigativo do Brasil, forjando reportagens que viraram comissões parlamentares de inquérito.

Este jornalismo marrom, baseado em meias-verdades, balões de ensaio e mentiras grosseiras, continua sendo praticado. Agora, para extinguir e/ou desmoralizar a CPI das Operações La Vegas e Monte Carlo.  (T.A.)

MISSÃO MIRO TEIXEIRA 

Na edição de hoje da Folha, há até uma nota emblemática na coluna Painel, da jornalista Vera Magalhães. Chama-se “Vacina” e diz o que segue abaixo:

“O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”.

O argumento de Miro Teixeira é o de que jornalistas não poderão ser forçados a quebrar o sigilo da fonte, uma garantia constitucional. Ocorre que este sigilo já foi quebrado pelas investigações da Polícia Federal, que revelaram mais de 200 ligações entre Policarpo Júnior e Carlos Cachoeira. Além disso, vários países discutem se o sigilo da fonte pode ser usado como biombo para a proteção de crimes, como a realização de grampos ilegais. (Esmael Morais) 

O LOBISTA DA VEJA 

Foi visto circulando em Brasília o executivo Fábio Barbosa, ex-presidente do Santander e atualmente presidente do grupo Abril, que publica Veja. Bem relacionado em todos os partidos, por ter sido também presidente da poderosa Febraban, Fábio Barbosa foi a Brasília com uma missão delicada: convencer lideranças do Congresso Nacional a evitar a convocação, pela CPI, do empresário Roberto Civita, presidente do grupo Abril.

A tarefa é muito difícil. Primeiro, porque são fortes as ligações entre a revista Veja e o esquema do contraventor Carlos Cachoeira. Além das 200 ligações entre o bicheiro e o jornalista Policarpo Júnior, várias reportagens publicadas pela revista apontam um nexo entre os grampos ilegais do bicheiro e os furos de reportagem da publicação.

A IRMANDADE DOS MARINHO

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

E por que os quatro, juntos, de mãos dadas, o Robert(o) Civita e os tres filhos do Roberto Marinho precisam subir à forca ?

Porque eles são a corda e a caçamba.

O jn não tem produção própria.

A Veja não tem repercussão nacional.

O crime organizado se organiza na Veja e se expande no jornal nacional, na liturgia trevosa de seu Cardeal Ratzinger, o Ali Kamel.

O jn transforma em Chanel # 5 o detrito solido de maré baixa da Veja. Por Paulo Henrique Amorim 

O que diferencia Carlinhos Cachoeira de tantas outras organizações criminosas foi sua extraordinária influência política. E ela se devia, na maior parte, ao acesso que tinha à revista Veja, à possibilidade de detonar adversários ou recalcitrantes com matérias escandalosas – mesmo, muitas delas, não obedecendo sequer aos critérios de verossimilhança. Blog do Saraiva

Amizades encardidas da CPI do Cachoeira: Perillo, Cabral e Gilmar Mendes

Os três mosqueteiros da Delta: governadores Agnelo Queiroz (Brasília), Marconi Perillo (Goiás) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro)

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mandava recados para o chefe da organização criminosa chefiada pelo bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por intermédio do senador Demóstenes Torres (ex-DEM). Os negócios da quadrilha não se resumiam ao império dos jogos de azar no Centro-Oeste do país, mas chegavam até o Supremo Tribunal Federal.

O abraço de Demóstenes ao bicheiro deixou evidente, na realidade, uma face mais deformada no relacionamento entre os integrantes dos poderes Legislativo e Judiciário. A influência exercida por Demóstenes junto a altas patentes do Superior Tribunal Federal era usada na tentativa de influenciar decisões das cortes mais altas do país. Há pouco mais de um ano, após a prisão pela PF de 19 policiais militares no Mato Grosso do Sul durante a operação Sexto Mandamento, (“Não matarás”), todos envolvidos com um grupo de extermínio acusado de matar inclusive crianças, adolescentes e mulheres sem envolvimento com práticas criminosas, a ação de Cachoeira e Demóstenes para influir no processo judicial foi captada nas escutas telefônicas.

Em 3 de março de 2011, logo após a prisão dos PMs, o assunto mobilizou Cachoeira e Demóstenes. Este foi portador de um pedido de Cachoeira ao governador Marconi Perillo, para que o chefe do Executivo goiano transferisse os policiais para um presídio em Goiânia. As gravações ilustram como o senador orientou o bicheiro no procedimento para ajudar os PMs acusados de assassinato.

“Eu tava com o Ronald hoje (…) o Estado interceder através do Ronald para puxar esse pessoal pra cá pra cumprir aqui”, diz Cachoeira.
“Ronald” era o Ronald Bicca, procurador-geral de Justiça de Goiás à época, e estava escalado para a tentativa de liberar os suspeitos. Ele seria auxiliado por ninguém menos do que o próprio senador, que já havia ocupado o cargo de procurador-geral do Ministério Público (MP) de Goiás e de secretário da Segurança do Estado.

– Eu já falei com a turma para dar o parecer favorável. Fica tranquilo – diz Demóstenes a Cachoeira, que pergunta quanto tempo levaria para que a situação fosse resolvida.

Demóstenes o tranquiliza e diz que será quando “assumir o moço”.
Passados oito desde o diálogo, Benedito Torres, irmão de Demóstenes, assumiu a Procuradoria-Geral do MP de Goiás. Em junho daquele ano, a Justiça autorizou a transferência dos 15 presos para o Centro de Custódia da Polícia Militar, em Goiânia e hoje, pouco mais de um ano depois da prisão, apenas um dos acusados continua preso. Os outros exercem atividades administrativas na PM.

Amizades encardidas

Enquanto o senador Demóstenes ainda ocupava o papel de defensor da moral e dos bons costumes no Congresso, ele e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, faziam questão de aparecer juntos em ocasiões sociais, ao longo de uma década de amizade acima de qualquer suspeita. Ambos figuravam nas páginas políticas dos meios de comunicação enquanto discutiam temas de interesse nacional, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visava reforçar o papel da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre outras.

“Até o dia em que vieram a público os fatos em torno do senador Demóstenes, autoridades públicas se relacionavam com naturalidade com o referido senador. Até então o senador era credor da respeitabilidade de que desfrutava”, desconversava na semana passada, em nota, o ministro Gilmar Mendes. Mas os ventos mudaram de direção. Nos quatro minutos de diálogo, gravados no dia 16 de agosto do ano passado, Cachoeira e Demóstenes falavam sobre a queda de Wagner Rossi (PMDB) do Ministério da Agricultura e sobre o ex-ministro José Dirceu (PT), até que o nome do ministro Gilmar Mendes foi à tona, em um processo a que responde a Companhia Energética de Goiás (Celg). Cachoeira comemorava a decisão do ministro favorável à companhia.

– Conseguimos puxar aqui para o Supremo uma ação da Celg aí. Viu? O Gilmar mandou buscar, deu repercussão geral pro trem aí – lembra Demóstenes.

Na véspera, Gilmar Mendes dissera no processo que o STF era o órgão competente para julgar uma disputa em que a Celg reclama indenização de R$ 1,2 bilhão da União, da Eletrobras e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O processo tramitava na Justiça Federal de Goiás, mas advogados da Celg recorreram ao Supremo por entender que a Corte era o foro adequado. Gilmar aceitou os argumentos da Celg.
“Há patente conflito federativo”, afirmou Gilmar em sua decisão, baseado em uma “jurisprudência do Supremo”. Ele também negou aos jornalistas que o procuraram ter tratado do assunto com Demóstenes.

Delta, Cabral e Perillo

As ligações entre os governadores Marconi Perillo e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, com o bicheiro e sua “organização criminosa”, segundo descrição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ganham um ponto de apoio com a ascensão meteórica da Delta Construtora. O processo, encaminhado à CPMI do Cachoeira, em curso no Parlamento, deixa mais clara a ligação entre Perillo e a organização criminosa. Os grampeados falam em detalhes sobre a situação de diversos contratos da Delta. (Jornal Correio do Brasil). Transcrevi trechos. Leia mais

Delta e o TJ-RJ

Como se sabe, tudo que foi revelado é apenas parte do processo da Operação Monte Carlo, nos trechos selecionados que envolvem o senador Demóstenes Torres, que visam transformar em bode expiatório.

 

Nada foi divulgado sobre a relação da Delta com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Até agora, repito, foi revelada parte dos documentos da Operação Monte Carlo. E esta parte já envolve pistoleiros, políticos, empresários, magistrados, governantes e o “professor” Cachoeira e sua desconhecida quadrilha, desde que se desconhece seu verdadeiro papel: se de mando, de poderoso chefão, quando tudo indica que seja apenas um chefete, um lugar-tenente.

A documentação mais importante é da Operação Las Vegas, a operação mãe, arquivada no Superior Tribunal Federal.

O Senado precisa investigar este suspeito engavetamento.

A Operação Las Vegas envolve ministros dos supremos tribunais federais e desembargadores dos tribunais estaduais. Daí o medo de futuros vazamentos…

 

 

CPI do Cachoeira. O Brasil não precisa de bode expiatório

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, senador Vital do Rego (PMDB-PB), vai receber na próxima quarta-feira (2), cópia do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A decisão de compartilhar o inquérito com a CPI mista foi tomada hoje (27) pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandoski.

Uma CPI para investigar um senador? Considero o feito parcial. Não se faz preciso. A CPI do Cachoeira, pelo próprio nome, visa investigar o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Isso só será possível se a CPI tiver a posse de todos os documentos das operações Vegas e Monte Carlo. Principalmente da Vegas, a investigação mãe, que a Monte Carlo constitui um desdobramento.

Cópia do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres limita, fixa, representa  uma simples parte. Que se investigue o todo.

Como foi feita esta seleção de documentos que apenas incriminam uma única pessoa? Se o STF possui todos os documentos contra o senador, que faça sua parte, a esperada justiça, e para tal não se faz necessária nenhuma CPI.

Compete à CPI dizer para o Supremo: ou tudo ou nada. O Senado possui este poder constitucional.

Corre na internet as seguintes acusações:

“1) Coisas mais graves do que as apuradas pela operação Monte Carlo (da PF, criada para investigar Demóstenes e Cachoeira) foram apuradas na operação Las Vegas, que trata de ligações do Cachoeira com a cúpula do Judiciário. Haveria material incriminando (em maior ou menor grau) nove ministros do STJ e quatro do STF. Só que o STF requisitou toda a documentação a respeito, determinando que a PF não ficasse com cópia, e sentou-se em cima da papelada. Isso era sabido não só pelo Chico Otávio (Globo) e pelo Rubens (Folha), mas (pasmem!) pelo Wagner Montes.

2) Como a área de atuação de Cachoeira é perto de Brasília e ele tem desenvoltura e poder de articulação, ele atua como representante de um pool nacional de contraventores que exploram bingos, caça-níqueis, video-poquer e afins. Não fala só por ele. Daí sua desenvoltura (e seu dinheiro)”.

Creio que se trata de um boato, mais um entre mil. O boato ou fofoca se manifesta em crise ou pela falta de informação, pode ser voluntário (noticia) ou involuntário (boca-a-boca). Nunca se consegue descobrir a origem, aparece com uma credibilidade inexplicável, em geral possuem:

• Atrativo para o maior número de pessoas.
• Tema ambíguo e com diferentes interpretações.
• Fator de ansiedade dá mais rapidez a circulação do rumor.
• Fácil estimulação e assimilação.
Á medida que o boato circula fica cada vez mais estereotipado.

Em qualquer dicionário esta definição é encontradiça. Mas a crença em um boato advém de sua verossimilhança.

Todos os documentos, principalmente da operação Las Vegas, ou nada. O hábito bíblico do bode expiatório, que como portador de todas as impurezas pecadoras do homem foi expulso para o deserto, representa uma farsa: a perda do mandato do senador Demóstenes.

Vejam as manchetes de hoje (boatos em forma de notícias?):

O Governo Federal também vem sendo alvo da imprensa chamada golpista.
Verdade, meia-verdade, balão de ensaio, ou mais uma fofoca divulgada pela Folha de S. Paulo:
“Um dos interlocutores do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirma que ele caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará no Congresso, informa a coluna de Mônica Bergamo”. 
Não será o sacrifício de um bode expiatório que fará o rito da expiação do Congresso, de que toda CPI termina em pizza.
O Levítico menciona. Por ocasião da Expiação, o Grande Sacerdote recebia dois bodes oferecidos pelos personagens mais importantes. De acordo com o resultado de um sorteio, um deles era imolado e o outro recuperava sua liberdade.
O mais importante nesta CPI não é o destino do dinheiro. Mas sua origem, além do  “pool nacional de contraventores”. Dinheiro que financia, inclusive, uma onda de boatos como despiste.
Nesta CPI, por um Brasil mais independente, mais democrático, mais justo, o fortalecimento dos Três Poderes.

Operação Monte Carlo, adocicado chá de flor de laranjeira. Mas a Operação Las Vegas é uma boceta de Pandora que ninguém quer abrir

 Operação mãe

Para começar a Operação Monte Carlo é uma filha bastarda da Operação Las Vegas. Esta sim tem de tudo, mas tudo mesmo, e envolve os três poderes da República.

Para investigar a filha tem que se investigar a mãe. Dizem que todos os documentos existentes da Operação Las Vegas se encontram sob sete chaves, e as chaves jogadas no fundo do Lago de Brasília.

Cidade em que realmente vivia Cachoeira. E nela tinha seu bunker. Ou melhor explicado: não fez nenhum amigo nos 1001 palácios do DF.

Basta conferir. Apagaram todas as notícias da Operação Las Vegas nos portais de busca. Para despistar, a PF pega aqui e acolá alguns pivetes. Bodes expiatórios ou bois de piranhas.

Assim sendo, a Operação Monte Carlo ou do Cachoeira apenas vai revelar o que foi já divulgado e explorado pela imprensa. Será a CPI do segredo de pó de chinelo. Fritação de alguns notáveis. Que poderão ser salvos. Cada uma das vítimas escaladas ameaçam que não vão cair sozinhas. Portanto, cada figuraço apontado pode terminar saindo do corredor da morte para comer pizza com os inquisidores.

A CPI em marcha lenta

por Carlos Chagas

Senão devagar, quase parando, a CPI do Cachoeira começa em marcha lenta. Só vai trabalhar depois do feriado do Dia do Trabalho, anunciando seus dirigentes não pretender tomar depoimentos, por enquanto. Vão requisitar do Supremo Tribunal Federal cópias do inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, analisando-o primeiro, coisa capaz de levar tempo.

Só depois se preocuparão em preparar a lista de depoentes. Serão criadas sub-comissões para dedicar-se a cada tema sob investigação, das atividades de Carlinhos Cachoeira à Delta Engenharia, das ligações do bicheiro com os governos de Goiás, Distrito Federal e Tocantins e também com o governo federal, além da sua atuação no exterior.

Seria mais oportuno que já na próxima semana convocassem o próprio Cachoeira, pois boa parte das acusações contra ele são do domínio público, divulgadas pelos jornais através de vazamentos variados. Ainda que ele pudesse ser convocado outras vezes, essa imediata oitiva definiria a disposição da CPI de mergulhar nas diversas facetas do escândalo.

É cedo para apreciações, os trabalhos não começaram, mas a primeira crítica torna-se pertinente: já deveriam ter começado.