Que compra uma família com dez dólares por mês?

O Brasil é um país cordial.
Acostumado com a miséria, a fome, a peste, o atraso, o povo brasileiro não fica mais indignado com nenhuma monstruosidade.

O Brasil que entrega suas riquezas para os piratas, que vendeu a preço de banana mais de 70% de suas empresas, incluindo a maior mineradora do mundo – a Vale do Rio Mais do que Doce para os corsários – não chora pelos que morrem de fome, nem denuncia as chacinas da polícia para limpar as cidades para a Copa do Mundo. Nem com a matança dos sem terra, quando se faz a reforma agrária dos latifúndios para o plantio de soja, de milho, de cana, de capim. Tudo lavoura de exportação.

Açúcar para adoçar a boca do Primeiro Mundo.
Milho para os Estados Unidos fabricarem álcool. E alimentar o gado.
Soja para alimentar o gado na Europa.
Capim para alimentar o gado de corte no Brasil. Que o Brasil é maior exportador de carne do mundo.
E o brasileiro passando fome. Uma fome danada. Uma fome que mata.

Uma fome que leva à prostituição 250 mil crianças, conforme dados da Unesco, e da Polícia Federal. As ONGs afirmam que são cerca de 500 mil meninas, de 7-8 a 12-13 anos.
Isso não incomoda o Brasil cordial.

O Brasil dos luxuosos aeroportos. Que estão para ser doados.
O Brasil dos Coliseus de Nero. O governo vai gastar bilhões e mais bilhões com luxuosos estádios de futebol.
O Brasil da grana de sobra para os agiotas da dívida.
É o mesmo Brasil cordial, que não tem nenhum tostão furado para matar a fome dos sem nada. Dos que sobrevivem com uma renda mensal de  18 reais. Ou dez dólares, no máximo. Eta Brasil cordial!