La izquierda y Thatcher

 

por Slavoj Zizec

Traducción de Pablo E. Chacón

thatcher

Margaret Thatcher, la dama de hierro, era un maestro. Fiel a sus decisiones, elevó gradualmente su singular locura bajo normas aceptables. Cuando se le preguntó sobre su mayor logro, respondió: “Nuevo Laborismo”. Su triunfo incluyó que sus enemigos políticos adoptaran sus políticas económicas básicas -el verdadero triunfo no es la victoria sobre el enemigo, sino que se produce cuando el enemigo comienza a usar una lengua ajena.

Entonces, ¿qué queda del legado de Thatcher cuando la hegemonía neoliberal se cae a pedazos? Ella fue la única que creyó en sus ideas. El neoliberalismo de hoy, por el contrario, “solo imagina que cree en sí mismo y exige que el mundo debe imaginar lo mismo” (para citar a Marx). En la actualidad, solo campean el cinismo y la corrupción.

El neoliberalismo, ¿se mantuvo solo para soportar la quiebra de Enron, en enero de 2002 (al igual que en todas las crisis financieras que siguieron), si es que se lo puede interpretar como un comentario irónico sobre la noción de sociedad del riesgo? Miles de empleados que perdieron sus puestos de trabajo y los ahorros fueron ciertamente expuestos a un riesgo, pero sin verdadera opción -el riesgo se les apareció como un destino ciego-. Quienes efectivamente tenían una idea de los riesgos, así como la posibilidad de intervenir en la situación (los directivos), minimizaron (sus riesgos) en acciones y opciones…antes de la quiebra. Es cierto que vivimos en la sociedad del riesgo, pero algunos (los directivos) pueden elegir, mientras que la gente común tuvo que pagar –los que pudieron- las hipotecas. Es decir: arriesgarse.

Una de las consecuencias extrañas de la crisis financiera y las medidas adoptadas para contrarrestarla (enormes sumas de dinero para ayudar a los bancos) fue la reactivación de la obra de Ayn Rand, la ideóloga del concepto “la codicia es buena”, que disparó las ventas de La rebelión de Atlas . Según algunos informes, ya hay señales de que el escenario descrito en ese libelo -los capitalistas que van a la huelga- está creciendo. En esa ficción, John Campbell, un congresista republicano, dice: “Los triunfadores van a la huelga. Estoy viendo, en un nivel pequeño, una especie de protesta de personas que crean puestos de trabajo (…) y que se están retirando porque serán castigados por ello”.

El otro aspecto de Thatcher criticado por la izquierda era su liderazgo autoritario, su falta de coordinación democrática. Sin embargo, las cosas son más complejas. Las protestas populares en curso en toda Europa convergen en una serie de demandas que forman una especie de obstáculo epistemológico respecto de la crisis del sistema político. Esto puede leerse como una versión de la política deleuziana: la gente sabe lo que quiere, es capaz de descubrir y formular esto, pero solo a través de su propio compromiso y actividad continua. Así que tenemos una democracia participativa activa, no solo la democracia representativa, con su ritual electoral que cada cuatro años se interrumpe la pasividad de los votantes. Esto es, es necesaria la auto-organización de la multitud, no un partido leninista centralizado en un líder.

Hay en todos los momentos de éxtasis revolucionario un proceso de solidaridad de grupo. Cuando cientos de miles de personas ocupan un lugar público, como en la plaza Tahrir hace dos años, existe un momento de participación colectiva donde se debate y decide. Las personas viven un estado de emergencia permanente, tomando las cosas en sus propias manos, sin líderes. Pero tales estados no duran, y el cansancio no es aquí un hecho psicológico sino una categoría de la ontología social.

La gran mayoría -yo incluido- quiere ser pasiva, depender de un aparato estatal eficiente para garantizar el trabajo en paz. Walter Lippmann escribió en suOpinión Pública (1922) que la manada de los ciudadanos debe ser gobernada por una clase especializada cuyos intereses llegar más allá de la localidad. Este es el funcionamiento de las democracias, con nuestro consentimiento: no hay ningún misterio en lo que decía Lippmann. El misterio es que a sabiendas, nos jugamos el juego. Actuamos como si fuéramos libres y decidiéramos no sólo aceptar sino también exigir un requerimiento judicial invisible (inscripto en la misma libertad de expresión) que nos dice qué hacer y pensar.

 

Seu Doutor os nordestinos têm muita ilusão

Capitalismo07_Piramide indignados
Por que o Brasil não deixa de ser o país da impunidade e pega todo o dinheiro dos superfaturamentos, mensalões, desvios e obras inacabadas e salva nossas vaquinhas e nossas vidas?

Tenho repetido tanto: somos tão gado.

Pode ser uma das mais tristes descobertas ou das mais tristes convicções. Mais uma vez e sempre que eu me lembrar: não precisas concordar e eu me obrigo a respeitar. Uma vez dito isto, sigo ao dizer que tenho tido cada vez mais certeza de como as aulas de geografia estavam incompletas ao mostrar as pirâmides sociais. Incompletas, contudo capazes de aumentar muito o conhecimento de quem as compreendeu. Talvez a razão de não ter sido abordado muitos aspectos das pirâmides seja a idade em que ela chega, chegava até nós. Eu era uma criança quando as conheci e no máximo as estudei na adolescência.

A reflexão me jogou contra um muro de concreto e ficou em mim como ferro em brasa. A conclusão foram as consequências. Estou em pedaços e o que resta tem uma marca que não sai. Base larga e uma ponta fina no topo. Descoberta triste? Quem está em cima cuida dos que estão embaixo como fazendeiros de seus rebanhos. Dão carinho, amor, comida, cuidam da vacinação, da reprodução, da alimentação, das agitações, etc. Quem conhece fazenda deve estar já se contorcendo, mas se você continuar e assistir alguns documentários, estudar, ler mais a respeito, pesquisar e o mais importante: refletir e aprofundar a reflexão, pode ser que vá sentir o ferro em brasa ou ver que a marca estava lá e você nem sabia.

Por onde começar? Se eu puder sugerir, comece pela revolução industrial na Inglaterra. Era necessário cuidar do povo para ter a mão de obra. Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Gostas da palavra povo? Quem é o povo? Você é? Eu? Eu sou. “Eu sou do povo, eu sou o Zé ninguém”.

Para seguir a dolorida reflexão que tal algo mais próximo? Os escravos no Brasil. Caramba, este exemplo é forte demais! Alguns eram marcados literalmente. Comprados e vendidos. Êêêêêêê ôôôô! Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Quer achar que só em casos muito específicos e com muito trabalho dá para sustentar esta idéia? Sorte sua. Desta vez não vou me alongar e fazer um texto gigantesco. Mas olha como vou terminar!
Conversa com um boi, uma vaca, um porco, uma ovelha ou seja lá que animal de fazenda você escolher. Ele vai te responder? Melhor ainda, ele sabe que é gado?
Em outras palavras: quem é gado provavelmente não sabe que é gado. E mesmo o “gado gente” continuo chamando de gado quando escapa de apenas uma das duas formas de ser gado.
Ou se é gado mentalmente,  os que sequer sabem que são, ou se gado por ser tratado como um.
Eu sou gado queridos leitores, pois sei há tempo que assim sou tratado pelos da pontinha da pirâmide, mas minha boa notícia é ter a consciência disso e ser 50% menos gado.

P.S.: adoro gado, fazenda e animais, contudo usei a palavra gado de forma assumidamente negativa. Que todos os animais me desculpem.

O petróleo é do povo. Nação rica e povo pobre é corrupção

Eta manchete mentirosa, safada e entreguista. Ficam com a dinheirama do lucro do petróleo os donos do Pré-Sal e da Petrobras. Deputados e senadores não botam as mãos nos royalties. Isso fica para o governo da União e os governos estaduais e prefeitos. Que deveriam gastar em obras e serviços sociais. Para tirar o povo da miséria. Acabar com a fome e o déficit habitacional de todo o Brasil. Mas ninguém faz nada que preste para o povo.

 

 

Islândia reduz desemprego dos 12 para os 5% em dois anos

Reykjavík, maior cidade
Reykjavík, maior cidade
Akureyri
Akureyri
Kópavogur
Kópavogur
Mosfellsbær
Mosfellsbær

A Islândia preferiu desobedecer o FMI. Fez tudo que a troika não ordenou. Nada de cortes no orçamento. Em vez de ajudar os bancos falidos, mandou os banqueiros corruptos para a cadeia. O povo nas ruas e nas urnas criou uma nova Islândia, com um novo governo, uma nova constituição. O povo legisla e governa via referendos e plebiscitos.  Resultado: Escreve Catarina Correia Rocha, in iOnline, Portugal:

A Islândia conseguiu descer para menos de metade a sua taxa de desemprego em apenas dois anos. Em Maio de 2010, a taxa situava-se nos 12% mas, em Setembro de 2012, já tinha descido para os 5%. As informações são do Gabinete de Estatística islandês, citados pelo jornal ABC. Este facto já mereceu rasgados elogios da comunidade internacional, levando mesmo a agência de notação Standard&Poor’s a adjectivar a economia islandesa como “próspera e flexível”. As mulheres continuam, contudo, a ser as mais afectadas pelo desemprego. Em 2011, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu um crescimento do PIB de 2,5% para esse ano, acompanhado de um novo crescimento de 2,5% em 2012. Estes números que representam quase o triplo do crescimento económico de todos os Estados-membros da União Europeia.

Parlamento Nacional da Islândia
Parlamento Nacional da Islândia
Dettifoss, a maior queda d'água da Europa, localizada no nordeste islandês
Dettifoss, a maior queda d’água da Europa, localizada no nordeste islandês
Geysir, um géiser no vale Haukadalur. É o mais antigo géiser conhecido
Geysir, um géiser no vale Haukadalur. É o mais antigo géiser conhecido