Associação Cristã da Nigéria pede jejum e orações pela libertação das alunas detidas por Boko Haram

A Associação Cristã da Nigéria recorre à fé dos nigerianos, convidando-os a observarem três dias de jejum e oração a fim de ajudar a encontrar a centena de alunas raptadas do dormitório dum liceu a 15 deste mês de Abril.

A libertação das alunas do liceu de Chibok, no Estado de Borno, nordeste do país, se faz esperar e a inquietação é cada vez maior no seio dos familiares das meninas de idade compreendida entre os 13 e os 17 anos.

As famílias de mais de uma centena de raparigas, alunas de um liceu de Chibok, no nordeste da Nigéria, pedem desesperadamente ajuda para encontrar as filhas, raptadas, mas têm também medo e refugiam-se no anonimato para evitar represálias.

O exército e uma milícia civil estão a vasculhar uma imensa área de floresta densa mas até agora nada se sabe sobre as buscas.

O rapto em massa foi realizado por um grupo de homens fortemente armados que poderão pertencer ao grupo extremista islâmico Boko Haram.

Mães das alunas

 

“Eles levaram a minha filha e não sei que fazer” lamentava-se uma mãe, suplicando ao Governo nigeriano que encontre os raptores: “Eles não podem deixar estes assassinos destruir os sonhos das nossas filhas!”

Outro pai angustiado diz que vive um verdadeiro “pesadelo.” “Toda a cidade está de luto” afirma.

Os guerrilheiros do Boko Haram e grupos de homens armados raptam por vezes raparigas no caminho entre a casa e a escola, para cozinharem e serem escravas sexuais dos combatentes. Mas nunca sucedeu um tal rapto em massa.

O convite da Associação Cristã da Nigéria à oração e jejum a favor da libertação das meninas é dirigido – segundo o jornal on line Afrik.com – de modo particular aos cristãos dos Estados de Borno, Yobe e Adanawa. Temos fé de que com a oração, Deus tocará os corações dos raptores para que os libertem as jovens – disse Titus Pona, Presidente da Associação.

Afrk.com informa ainda que o número das meninas raptadas é incerto. Algumas fontes de informação falam de umas 200, outros de 129. Segundo as mesmas fontes, algumas delas teriam conseguido fugir, mas não se sabe ao certo quantas.

 

Segurança ineficaz

as alunas

 

As alunas preparavam-se para realizar exames no dia do rapto o que explica que estivessem tantas à mesma hora no liceu e que este tivesse as portas abertas. Dezenas de soldados tinham sido chamados para garantir a segurança durante as provas.

 

Os raptores fortemente armados entraram pela cidade dentro, em camiões e motociclos, dirigindo-se de imediato ao liceu. Atacaram os soldados e mataram um a um, conseguindo entrar no recinto, afirmam testemunhas.

 

Pelo menos 200 das raparigas presentes foram forçadas a sair das salas e a entrar nos camiões que depois se enfiaram entre a vegetação densa da região remota da Nigéria. A cidade foi incendiada.

Boko Haram

Boko Haram (figurativamente, “a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado”) é uma organização fundamentalista islâmica de métodos terroristas, que busca a imposição da lei Sharia nos estados do Norte da Nigéria.

 

Repor uma História branqueada

por JOANA GORJÃO HENRIQUES (TEXTO) E VERA MOUTINHO (FOTO)

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É o segundo país com mais negros no mundo, a seguir à Nigéria. Tem mais de 50% de população negra entre os 200 milhões de habitantes. E, no entanto, o papel dos negros no Brasil foi ignorado durante séculos, ao ponto de só em 2003 ter sido introduzida uma lei que torna obrigatório o ensino da história africana e afro-brasileira nas escolas.

É por isso que entrar no Museu Afro Brasil, que ocupou um pavilhão desenhado por Oscar Niemeyer, em pleno Parque Ibirapuera, é sentir de imediato o statement do seu ideólogo, Emanoel Araújo, um dos nomes importantes da cena cultural de São Paulo (que entrevistámos para uma das nossas reportagens): a arte vem repor uma História branqueada, sim, e num espaço nobre, de poder.

Papa pediu paz e citou todas as guerras que hoje ensanguentam o mundo

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O papa Francisco foi direto ao foco dos conflitos e guerras, ao pedir paz para o mundo em sua primeira mensagem de Páscoa, lida do balcão principal da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Francisco voltou a mostrar sua preocupação com a violência no Oriente Médio, destaque na meditação da Via Sacra que presidiu na Sexta-feira da Paixão, no Coliseu. O papa lembrou o sofrimento de libaneses, israelenses, palestinos, iraquianos e sírios, que enfrentam a violência sem perspectiva de paz.

O papa pediu orações, em especial, pelo Iraque e “sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto”. Angustiado, Francisco perguntou: “Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se encontrar uma solução política para a crise?”

Ao falar da violência no continente africano, o papa mencionou os conflitos no Mali, os atentados na Nigéria, e pediu paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, “onde muitos se vêem forçados a deixar suas casas e vivem ainda no medo”.

Referindo-se à Ásia, Francisco pediu sobretudo “para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação” entre as Coréias.

Depois, estendeu seus anseios de paz “para o mundo todo ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família; um egoísmo que faz continuar

o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século 21″.

Ao anunciar que Cristo ressuscitou, o papa argentino disse que gostaria que essa “grande alegria”, chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente, onde há mais sofrimento, como hospitais e prisões. “Ao final da missa, Francisco percorreu a Praça São Pedro no papamóvel, cumprimentando e abençoando a multidão. Beijou várias crianças de colo que os pais lhe apresentaram e abraçou, rosto no rosto, duas crianças aparentemente portadoras de paralisia cerebral.

Entre centenas de bandeiras carregadas pela multidão, sobressaíam as da Argentina, levantadas por peregrinos entusiasmados, e de alguns dos países citados, como o Líbano. Mais de 250 mil pessoas, segundo a Rádio Vaticano, lotaram a Praça São Pedro e as ruas vizinhas.

A cerimônia encerrou-se às 12h10 (7h10 no Brasil) com a bênção Urbi et Orbi (à Cidade de Roma e ao mundo)..