Aécio made in USA

tio sam brasil bandeira

 

por Gilmar Crestani

A cada dia que passa uma nova revelação, uma pior que a outra, a respeito da vida pregressa do candidato da direita hidrófoba. Não bastasse a promiscuidade entre privada e público, agora também a comprovação de que seu principal agente econômico é um cidadão norte-americano.

Se já não era de estranhar o alinhamento automático de FHC com os EUA, a ponto de seus diplomatas aceitarem de cabeça baixar terem de tirar os sapatos para entrarem nos EUA, agora a revelação de Armínio Fraga, que já foi cogitado para ocupar cargo no Banco Central dos EUA, seja o homem bomba de Aécio Neves.

 

 

O alinhamento automático, desde a ditadura até o último dia de FHC, não trouxe ao Brasil melhorias ao povo. Quem se beneficiava era aqueles que, por indicação do pai, do avô, do tio, tinham empregos, os melhores, garantidos, e sem precisar trabalhar. O verdadeiro aparelhamento do Estado era a ocupação de postos pelo DNA. A Lei anti-nepotismo é recente. No Judiciário havia a linhagem do “gen jurídico”. Bastava um tubarão no topo da pirâmide para que cabeças de bagres e piranhas infestassem os cargos públicos. Como fez agora o Ministro Fux em relação às filhas (copie e cole no google “Fux Filhas” para ver onde vais parar…). É a tal de meritocracia do Aécio que, no popular, se chama pistolão… Este é o verdadeiro patrimonialismo, o aparelhamento do Estado. Em Minas tratou o Estado foi tratado por Aécio como se fosse sua privada, espalhando familiares por todos os órgãos. Não existe prova maior do que a construção, com dinheiro público, do aeroporto na fazenda do Tio Quedo, deixando as chaves do aeroporto aos cuidados do tio.

Não é inacreditável que em São Paulo, onde as manifestações foram as mais violentas e onde a polícia baixou o cassetete sem dó nem piedade, tenha sido reeleito no primeiro turno exatamente quem desceu o porrete de forma mais violenta. O mesmo Estado que hoje é principal fornecedor de votos a Aécio, e onde Tiririca, Silas Malafaia e Marco Feliciano sejam os campões de votos? Ou seria porque é em São Paulo que fica a sede do Instituto Millenium, aquele puteiro que coordena as ações dos grupos mafiomidiáticos de que são exemplo a sra. Judith Brito e ANJ? Não é mera coincidência que as sedes dos principais “partidos opositores” aos movimentos sociais, às esquerdas em geral e ao governo federal em particular tenham sede em São Paulo: Grupo Abril que edita a Veja; o Grupo Folha, o Estadão, a Multilaser, o Banco Itaú…

Não é mera coincidência que os mesmos atores do golpe de 1964 (CIA e Rede Globo) estejam novamente ao lado de Aécio Neves

euaglobo

Não é inacreditável que no Estado onde o PSDB é forte, o Ministério Público arquiva toda e qualquer investigação que envolva políticos do PSDB? Mesmo tendo sido condenados na Suíça e na Alemanha, pela corrupção instalada respectivamente pela Alstom e Siemens, Robson Marinho continue presidindo o Tribunal de Contas daquele Estado?

Não é inacreditável que todos os processos para investigar os desvios cometidos pelos políticos paulistas, na maioria tucanos, tenha sido arquivado pelo Ministério Público. Será que o PSDB contratou o advogado do Fluminense, a Justiça paulista é igual ao STJD?

Se tudo isso, que é muito, não é tudo. Há algo que reputo ainda pior.

Há uma coincidência muito grande em manifestações que explodiram em vários países do mundo, mas só naqueles cuja principal riqueza é o petróleo. Aconteceu na Líbia, no Egito, na Turquia, na Ucrânia, na Venezuela e… no Brasil.

Todas manifestações espontâneas, mas todas atentando contra os interesses nacionais. Todas, também coincidentemente, com finanCIAmento de ongs norte-americanas.

Desde os vazamentos do WikiLeaks do Julian Assange se sabe da parceria de políticos tucanos, alguns jornalistas e um outro tanto de empresários que trabalham alinhados com o serviço de inteligência dos EUA, também conhecida como CIA.

A mesma que deu suporte e logística ao golpe de 1964 e que, pelas revelações, busca insuflar conflitos religiosos no Brasil (por aí mora a explicação dos 14% de crescimento da bancada evangélica…)

Mais recentemente, os papéis filtradas por Edward Snowden mostraram a infiltração de agentes na CIA que grampearam até a Presidência da República. Embora que os EUA grampearem é regra e não exceção, também foi revelado que o alvo principal sempre foi a Petrobrás.

Coincidentemente, a Petrobrás também é o alvo principal de investigações mal explicadas, com vazamentos seletivos e condenações a priori pelos envolvidos com a candidatura do melhor amigo dos EUA neste momento no Brasil. É através de Aécio Neves, e seu cogitado homem forte da economia, Armínio Fraga, que fecha os pontos do desenho que mostra a figura do Tio Sam nestas eleições.

A proximidade com os EUA só é bom para cidadãos norte-americanos. México que o diga, aliás, como já dizia Porfirio Díaz: “Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.”

 

tio sam

O único brasileiro que ganhou o Prêmio Nobel teve a cidadania cassada

Peter Brian Medawar
Peter Brian Medawar

Zoólogo britânico, de origem brasileira, nascido em 1915, no Rio de Janeiro, e falecido em 1987, em Londres. Partilhou o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina, em 1960, com o físico e virólogo australiano Macfarlane Burnet, pela descoberta do fenómeno de desenvolvimento de tolerância do sistema imunológico, quando verificou que animais adultos, injetados durante os primeiros tempos de vida com células de outro organismo, aceitavam transplantes de pele desses organismos.

Presidente Dutra cassou a cidadania de Peter Medawar  

A Segunda Guerra Mundial trouxe, entre outros horrores, um tipo de combate utilizando bombas e bombardeiros, causando um aumento marcante do número de vítimas com queimaduras graves. Com a descoberta da penicilina em 1928 por Alexander Fleming (que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, em 1945) os antibióticos passaram a ter um papel decisivo no controle das infecções, e assim, muitos destes pacientes “grande queimados” sobreviveram. Com esta nova realidade, a necessidade de se encontrar alternativas de tratamento para os pacientes com grandes áreas de queimadura se tornou iminente e o uso de enxertos de pele para tratamento destes casos passou a ser crucial. Em casos de queimaduras de pequena extensão, eram realizados auto-enxertos de pele apresentando quase sempre bons resultados. No entanto, em casos de grandes áreas de queimaduras, a possibilidade de auto-enxerto não era viável e tentativas começaram a ser feitas utilizando-se fragmentos de pele autólogos, ou seja, de outros doadores (aloenxerto).

Neste contexto, Peter Medawar teve um papel de destaque. Nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1915, perdeu a nacionalidade brasileira por uma intransigência do então ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, por causa do serviço militar, mudando-se para Oxford onde cursou zoologia. Na Inglaterra, Peter Medawar se interessou pela questão dos enxertos de pele, cujos resultados mostravam claramente que auto-enxertos eram aceitos e que aloenxertos eram rejeitados. Observou que um segundo enxerto do mesmo doador era rejeitado mais precocemente ainda. Desenvolveu então, modelos experimentais para compreender os mecanismos envolvidos na rejeição, até então desconhecidos. Após extensos e cuidadosos experimentos em coelhos, Medawar estudou parâmetros importantes como tempo, dose, especificidade da primeira e da segunda rejeição, assim como as alterações clínicas e histológicas. Com estes experimentos históricos realizados em 1944 e publicados em 1945, foi demonstrado que a rejeição ao aloenxerto era imunológica. Medawar redescobriu as leis do Transplante apresentadas anteriormente por Schöne e Tizzer, definindo as bases da imunologia de transplante de tecidos.

Mais tarde, na década de 50, Medawar descobriu que a imunidade ao enxerto poderia ser desencadeada também por células mortas e por extratos celulares. Os conceitos de alo-reconhecimento, dos linfócitos como células imunocompetentes e da reação do tipo hipersensibilidade retardada com componente principalmente celular e não humoral foram definitivamente estabelecidos. Por todo o seu trabalho, Peter Medawar foi agraciado com o prêmio Nobel de Medicina em 1960.

Brasil, o vazio intelectual da humanidade

Antigamente no Brasil, era possível ser professor universitário por notório saber. Também se concedia pensões especiais para intelectuais e cientistas e artistas. Pelos relevantes serviços prestados ao país.

Hoje conheço muitos que morrem na miséria. Principalmente professores e jornalistas. Idem pintores, músicos, escritores.

Quando o cara morre, colocam o nome em ruas, escolas e promovem outras homenagens fúnebres. Existem outros que são completamente esquecidos. É o caso de Peter Medawar.

 Assim fica explicado: a Argentina tem 25 prêmios Nobel. O Brasil, nenhum.