O Belo e os Monstros

Mandela

“Mandela não era propriamente um líder político” – opinou o pivô da RTP. Estava dado o tom. As televisões, nos seus noticiários, empenham-se em fazer uma espécie de esterilização da memória de Nelson Mandela. Como se para homenagear o homem fosse necessário negá-lo previamente.

O despudor o a hipocrisia estão, hoje, à solta. Já vi e ouvi os ditirambicos elogios feitos por três ministros de Cavaco Silva – com duas intervenções de Deus Pinheiro, ministro dos negócios estrangeiros da altura! -, o mesmíssimo governo que considerava Mandela terrorista e um dos três que, na ONU, juntamente com os EUA e o RU, votou contra a sua libertação da infindável prisão a que esteve sujeito. Tal como votou em todas as organizações internacionais sempre que se discutiam moções e deliberações, mesmo de carácter humanitário, sobre este tema.

Esta repugnante herança não pode ser esquecida nem apagada e os seus protagonistas só ganham o direito a admirar Mandela se forem capazes de um reconhecimento auto-crítico da sua prática ao tempo. Sejamos claros: Mandela não foi um mártir, nem um santo. Foi um herói, um homem à altura das suas circunstâncias. Foi – e de que maneira – um grande líder político e revolucionário. A sua obra tem as grandezas e imperfeições do que é humano. A África do Sul não foi transformada num paraíso, longe disso; foi libertada. Faz o seu caminho. Esperemos que esteja à altura do caminho de Mandela. Que era um homem de paz, mas não um pacifista; que lutou com todos os meios para que o seu povo tivesse direito a construir uma nação igualitária. Tendo sempre presente: “Se tu queres fazer as pazes com o teu inimigo, tens que trabalhar com o teu inimigo. E então ele torna-se o teu parceiro.”

A morte de um herói discreto

por Leneide Duarte-Plon

A criança soldado e o sol  de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.   Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele
A criança soldado e o sol de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.
Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele

Em fevereiro de 1958, graças ao livro La Question, de Henri Alleg, a França descobriu que seu Exército torturava na Argélia, como os nazistas da Gestapo tinham torturado os resistentes franceses. Imediatamente, o jornalista comunista nascido em Londres sob o nome de Harry Salem, filho de judeus russo-poloneses, se transformou num ícone da luta anticolonial, em plena guerra da Argélia.

Antes, alguns intelectuais haviam escrito artigos na imprensa mas naquele livro, um homem torturado dava seu testemunho. O diretor do jornal Alger Républicain – militante da luta anticolonialista, sequestrado e preso no ano anterior – confirmava as suspeitas num relato que se transformou imediatamente num best-seller. A partir da segunda edição, o livro passou a ter um posfácio de Jean-Paul Sartre, no qual o filósofo dizia: “Henri Alleg pagou o mais elevado preço para ter o direito de continuar um homem”.

Dia 17 deste calorento mês de julho, Henri Alleg faleceu em Paris, aos 91 anos, vítima de um AVC. Os principais jornais franceses noticiaram sua morte com espaço dedicado somente aos grandes personagens. O Le Monde deu uma página inteira, Libération, duas, e o comunista L’Humanité, do qual Alleg foi diretor, deu a notícia na capa, ressaltando os combates do jornalista e escritor contra o colonialismo, a opressão e todo tipo de racismo.

O presidente François Hollande louvou “o anticolonialista ardente cujo livro alertou o país sobre a realidade da tortura na Argélia”.

O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, escreveu que o nome de Henri Alleg “permanecerá para sempre sinônimo de verdade, de coragem, de justiça”.

O diretor do jornal L’Humanité, Patric Le Hyaric, escreveu :

“A melhor homenagem que o Estado francês poderia fazer a Henri Alleg seria, enfim, reconhecer oficialmente a tortura na Argélia, assim como os crimes de guerra.”

Outra articulista, Rosa Moussaoui ressaltou que Alleg combateu “até o fim, sem cessar, a direita francesa sempre disposta a exaltar os ‘aspectos positivos’ da colonização”. Ela se referia ao longo debate durante o governo de Nicolas Sarkozy que, tentando reabilitar o período colonial, se pôs a apontar “aspectos positivos” na colonização francesa.

O livro

Quando foi proibido na França, três meses depois de ser lançado, o livro La Question já era um best-seller, com 65 mil exemplares vendidos. O governo do general Charles De Gaulle, tendo o escritor André Malraux como ministro da Cultura, não sabia ainda como iria acabar a guerra que, aliás, não era chamada de guerra pela França, mas “les événements d’Algérie” (os acontecimentos da Argélia). A expressão guerra da Argélia só foi imposta pelos historiadores muito depois da independência da antiga colônia.

A partir da proibição, o livro passou a ser impresso na Suíça e depois saiu em diversos países. Na França, o texto de Alleg passou a ser distribuído clandestinamente por uma rede de militantes católicos, socialistas e comunistas. Antes do livro, a revista católica Esprit havia denunciado a tortura na Argélia, mas Alleg veio trazer à opinião pública um texto-testemunho de grande qualidade literária. Nele não há psicologia ou julgamento moral – o texto é límpido, seco e objetivo.

O relato de Alleg tinha deixado a prisão em folhas soltas, levadas por seu advogado, burlando o controle dos torturadores. La question foi editado por Jérôme Lindon nas Editions de Minuit, num clima de debate passional entre os anti e os pró-colonização. O livro despertou a consciência de toda uma geração que descobriu horrorizada a tortura exercida pelos paraquedistas franceses em nome do combate à “subversão” da Frente de Libertação Nacional, que lutava pela independência da Argélia.

Em 1960, Alleg foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados. No ano seguinte, fugiu da prisão indo se refugiar num país do Leste europeu. Escreveu diversos livros e dedicou toda sua vida ao jornalismo, à causa comunista e ao combate anticolonialista.

A notícia da morte de um herói discreto me transportou ao mês de dezembro de 2011, quando fui à sua casa nabanlieue parisiense para uma entrevista em torno do seu livro e de sua experiência de resistente à guerra colonial na Argélia. Ele será um personagem do livro que estou escrevendo sobre como os militares franceses na Argélia exportaram técnicas de tortura e de controle das populações civis através do general Paul Aussaresses, que viveu no Brasil por quase três anos como adido militar da França.

Apesar da idade avançada, Alleg tinha a memória intacta e a inteligência preservada pelo tempo. E ao contar sua prisão, tortura e engajamento, seus olhos brilhavam cheios de vida e de generosidade.

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Nota do redator do blogue: A França continua colonialista. A propaganda sempre cria neologismo para seculares crimes de guerra. Os países colonizados são classificados como departamentos ultramarinos. No nosso continente temos a Guiana que, inclusive, invade terras brasileiras.
Guiana Francesa livre!, repetindo o grito de De Gualle.
A França imperialista continua a mesma, desde quando tentou uma França Antártica, em 1555, no Rio de Janeiro; em 1594, no Maranhão.
Recentemente, em abril de 1988, na Ilha de Ouvea, Nova Caledônia, mais um massacre de libertadores nativos, contado no filme A Rebelião, dirigido por Mathieu Kassovitz, e proibido de ser exibido nas colônias francesas, a começar, obviamente, pela Nova Caledônia. O filme foi rodado no Taiti, em 2010, pelas dificuldades criadas pelo exército francês.
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Cartaz original
Cartaz original
 Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Um dos libertários
Um dos libertários
Trailer do filme:
A brutal Legião Francesa, formada por mercenários e criminosos internacionais, jamais abandonou a África.  François Hollande começou seu governo com a invasão do Mali, onde pretende manter, permanentemente, mil soldados, sob a desculpa de combater o terrorismo islâmico religioso. Até a queda do Muro de Berlim era o terrorismo ateu do comunismo.

A presidente Dilma Rousseff fez críticas à ação francesa para conter “grupos rebeldes” que dominam parte do norte do Mali. Em declaração à imprensa junto a autoridades da União Europeia, em Brasília, a presidente defendeu que as ações no país sejam realizadas por vias multilaterais e criticou o que chamou de “tentações coloniais”, referindo-se ao protagonismo da França – que colonizou o país africano até meados do século 20 – nas ações militares.

Fotos: veja a intervenção francesa no Mali

“No que se refere a essa questão do Mali, nós defendemos a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU com atenção à proteção dos civis. O combate ao terrorismo não pode violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, afirmou Dilma.

Outro filme interessante: Zarafa. Ver link

As almas de Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira

Um encontro no céu. Espero que no final deste século.

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Paulo Henrique Amorim (com cara de espanto):  – Não sei como São Pedro deixou você, do Pig, entrar aqui?

Heraldo

Heraldo Pereira (com cara de espanto): – ‘Seu’ conversa afiada, como você me reconheceu?

Será o Benedito, um papa negro de alma branca?

Os cristãos acreditam em profecias (um dos Evangelhos, o Apocalipse de João é um livro exclusivamente profético) e no aparecimento do Anti-Cristo, que seria um falso papa ou profeta do final dos tempos.

Os evangélicos condenam os católicos pela pecado de idolatria (culto de imagens, inclusive adoração ao papa).

Até para muitos católicos, o Anti-Cristo seria um papa de nome Pedro e/ou negro.

Diferentes profecias continuam usadas como propaganda política.

Obama foi apresentado como o “papa negro”. Na última campanha presidencial, voltaram a falar do perigo de um presidente negro na mais poderosa nação do mundo.

Escreveu Maquiavel: “Jamais ocorre qualquer acidente grave em uma cidade ou província que não tenha sido prevista por adivinhos ou por revelações, por prodígios ou outros sinais celestes”.

Para Franco Cuomo constitui uma necessidade existencial: “a urgência de conhecer, sem cessar, o próprio futuro, ao qual se tentou dar resposta, em épocas diferentes, recorrendo-se a práticas adivinhatórias que às vezes confiavam no acaso e outras vezes nos deuses. Aos adivinhos que falavam por conta própria e aos sacerdotes que interpretavam os oráculos nos templos juntaram-se depois, ao longo dos séculos, profetas designados pela vontade popular – ou pela própria divindade, na tradição bíblica -, a fim de receber as mensagens de Deus e divulgá-las. A estes últimos se soprepuseram por fim, na era cristã, as manifestações diretas de entidades que, através de aparições e outros eventos considerados miraculosos pelos crentes – ou talvez inexplicáveis à luz da razão -, comunicaram previsões de interesse universal.  Fenômenos deste gênero foram se intensificando, em vez de rarearem, na idade moderna, provocando uma ressonância que alcançou o ponto culminante em eventos como os de Fátima e Medjugori. Se revisarmos a história das grandes profecias que alimentaram através dos  séculos as mais indecifráveis fantasias humanas – e continuam a alimentar até hoje -, descobriremos que correspondem a uma matriz comum, da qual brotam surpreendentes semelhanças nos mais famosos oráculos de todas as religiões, desde aquelas dos antigos caldeus e egipícios à epístola evangélica, corânica e talmúdica. Sem excluir as sibilas do mundo pagão greco-romano e os abalos cosmogônicos da mitologia germânica”. Sem excluir o totemismo e o animismo ainda cultuado na África e nas três Américas.

As profecias fazem parte da prática de várias ciências, como a medicina, a astronomia, a geografia, a política etc. Um bom cientista político é um profeta.

Importante salientar que estudiosos negam a existência de qualquer profecia sobre um papa negro. A confusão teria nascido do título de um livro satanista de Anton LaVey, contando como criou a seita ‘Church of Satan’.

O padre-geral da Companhia de Jesus chamado de “Papa Negro” entra nesta lista de “indesejáveis”.

As profecias são palavras de catequese religiosa e, também, poderosas armas de propaganda política.

Para a preocupação dos racistas – no Brasil, Benedito XVI tem o nome de Bento -, ou dos pregadores e crentes na proximidade do fim do mundo, a Igreja Católica tem cardeais com pele escura (morena), e inclusive um negro papável.

Cardeal Francis Arinze
Cardeal Francis Arinze

O melhor perfil escrito sobre o cardeal negro nigeriano Francis Arinze, 72, tem a assinatura de Clarice Spitz:

O cardeal nigeriano Francis Arinze, 72, amigo próximo de João Paulo 2º e influente na hierarquia da Igreja Católica, pode se tornar o primeiro papa comprovadamente negro a chefiar a Santa Sé.

A Igreja Católica não tem registros sobre a raça dos mais de 200 papas que já comandaram o posto máximo desde Pedro e não se pode afirmar com segurança se houve papas negros já que a fotografia é uma invenção do fim do século 19.

Sabe-se, no entanto, que três deles, que ocuparam a chefia do papado entre o século 2 e o século 5, tinham origem africana: Vitor 1º, Melquíades e Gelásio 1º.

Santo Agostinho, um dos maiores pensadores cristãos, era africano, mas não negro.

Mário Sérgio Cortella, 51, professor titular de Teologia da PUC-SP, diz acreditar na existência de papas negros. “O cristianismo nasce numa região de não-brancos, a Palestina. Jesus de Nazaré não era branquinho de olhos azuis como afirmam nos filmes de Hollywood”, afirma.

Apesar de a Igreja Católica ter apoiado a escravidão na América Latina, por exemplo, Cortella destaca que a questão da negritude importa para o mundo-pós-renascentista. “Afirmar que Arinze seria o primeiro papa negro é absolutamente surpreendente.”

Para o frei Davi Santos, 53, diretor-executivo da ONG Educafro, que coordena 255 cursinhos pré-vestibular para negros e carentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, a eleição de Arinze abre espaço para a luta contra o racismo.

“Se eleito, ele vai ser um grande sinal de chamada à consciência de toda a humanidade frente à discriminação em escala mundial”, afirmou.

No entanto, frei Davi alfineta o cardeal nigeriano que, segundo ele, esqueceu-se de combater os desafios do continente mais pobre do planeta. “Se Arinze quisesse denunciar o abandono da África já poderia ter feito enquanto cardeal.”

Conheça os principais candidatos 

Prender fica feio para uma democracia. O justo é decretar a falência do jornalista

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No Brasil, a polícia não fecha mais jornais, como aconteceu adoidado no Brasil Colônia, no Brasil Império, e no Brasil República, notadamente nas ditaduras de Vargas e Militar.  Hoje quem faz este serviço sujo é a justiça.

Prender jornalista pega feio. A ditadura militar, em 1 de abril de 1964, não fechou o Congresso, e manteve o sistema de voto direto para eleger deputados e senadores. Uma ditadura precisa manter o simulacro de que se governa em nome do povo.

Foi solto Ricardo Antunes. Mas existe outro jornalista preso no Rio de Janeiro. Ninguém se lembra do pobre coitado. É pobre, miserável, e publicava um jornal nanico para distribuir de porta em porta. Atacava as autoridades locais, e terminou condenado, e foi até um bem, porque estava marcado para morrer. Que o estado do Rio de Janeiro gosta de matar jornalistas. E lugar que mata jornalistas mata juízes. Não tem outra.

Em um regime capitalista, liberal, cristão e democrático, a prisão de um jornalista é coisa da escuridão dos regimes do Irão, da China e de Cuba. A coisa está preta na Venezuela, na Bolívia, no Equador, que o povo entorpecido (pela coca?) teima em votar em Hugo Chávez, Rafael Correa e, até em um índio, Evo Morales. E pior, ainda, Evo é um legítimo “negro da terra” com alma índia.

Escreve Natalia Mazotte: “A maioria das investidas judiciais buscam a retirada de conteúdos publicados por veículos informativos e partem de autoridades públicas. Muitas são bem-sucedidas, principalmente em primeira instância.

(…) Casos mais graves envolvem pedidos de indenização que podem significar o atestado de óbito de alguns veículos. Foi o que ocorreu com o jornal Já, mensário de bairro de Porto Alegre (RS) que circulou por 26 anos e encerrou suas atividades após ser condenado a indenizar por dano moral a mãe do ex-governador gaúcho Germano Rigotto.

Contudo, não é só o revés judicial que ameaça as atividades de jornalistas, blogueiros e veículos. Enxurradas de ações em um mesmo período e contra um único alvo, como as direcionadas ao site Congresso em Foco e ao jornalista Fernando Pannunzio, tornam inviável a participação em todas as audiências e o pagamento dos custos das representações na justiça”.

"Não somos racistas"
“Não somos racistas”

Veja o caso Paulo Henrique Amorim:

KAMEL ESCREVEU O LIVRO “NÃO SOMOS RACISTAS”

1 – Nesta quinta-feira (28/2), a 35ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro manteve a sentença que condena o jornalista Paulo Henrique Amorim a indenizar o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Amorim acusou Kamel de racista em diversos posts em seu site, o Conversa Afiada.

Em 2011, o blogueiro havia perdido a ação em primeira instância e sido condenado a pagar R$ 30 mil a Kamel. Após pedir análise de mérito, Amorim voltou a perder. No entanto, a indenização agora foi fixada em R$ 50 mil.
Amorim criticou Ali Kamel pela autoria do livro “Não Somos Racistas”, afirmando que “racista é o Ali Kamel”, “que escreveu um livro racista para dizer que não há racismo no Brasil”.
Na sentença de primeiro grau, a juíza Ledir Dias de Araújo ressaltou que as críticas jornalísticas eram sustentáveis e incentivam as pessoas a formarem as suas opiniões.
Na nova sentença, o juiz Rossodelio Lopes da Fonte constatou que, mesmo após a decisão judicial de 2011, houve uma intensificação dos ataques de Amorim a Kamel no perído de janeiro de 2011 a janeiro de 2012. “O réu publicou em seu site mais de 130 postagens com o objetivo de ofender o autor e acusá-lo novamente de ser racista, de incentivar o racismo ou associou o nome do autor a racismo, vinculando-o a atitudes racistas de terceiros”.
Diante da reincidência, o juiz determinou a extinção do processo de apreciação de mérito e determinou verba reparatória de R$50 mil, considerada adequada pelos danos morais sofridos por Kamel. Além de pagar o valor, o jornalista também foi condenado ao pagamento “das custas processuais e nos honorários advocatícios que arbitro em 10% (dez por cento) do valor da condenação, quantia esta devidamente corrigida e acrescida dos juros legais da data da citação. P.R.I.”.
JORNALISTA CONDENADO POR RACISMO
racismo
 O apresentador e jornalista Paulo Henrique Amorim não cumpriu integralmente o acordo judicial com Heraldo Pereira e foi condenado a publicar novamente a retratação pública nos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense e em seu blog. Caso não cumpra, pagará multa de R$ 10 mil por dia ao jornalista.
A briga começou em 2009 quando Amorim publicou textos afirmando, entre outras coisas, que Pereira é um “negro de alma branca” e que seria empregado do ministro Gilmar Mendes. Pereira entrou na Justiça e o próprio Amorim propôs um acordo, no qual publicaria as retratações e doaria R$ 30 mil a uma instituição de caridade, em parcelas mensais de R$ 5 mil.
Amorim publicou os textos, porém, na Folha de S.Paulo, a retratação foi publicada depois do prazo estipulado pela Justiça, e no Correio Braziliense não seguiu as especificações do acordo. Ele “acrescentou novas informações, com juízo de valor e nova tentativa de defesa”, segundo o juiz Alex Costa de Oliveira, da 12ª Vara Cível de Brasília.
Entre as frases acrescentadas por Amorim está uma conclusão que ele tirou. “Logo, Heraldo Pereira de Carvalho concorda: a expressão ‘negro de alma branca’ não foi usada com sentido de ofender, nem teve conotação racista”. Na retratação em seu blog, Amorim acrescentou o que “retratação não é reconhecimento de culpa. Não houve julgamento, logo não houve condenação”.
Porém, a sentença que homologou o acordo “exigia do réu apenas publicar a retratação, sem acréscimo algum”, disse Oliveira. Além dos acréscimos, Amorim pagou apenas duas das seis parcelas da doação para a instituição de caridade.
A quarta cláusula do acordo previa que se a obrigação da publicação não fosse cumprida no prazo, o réu terá de aumentar para duas vezes. O juiz determinou que os textos sejam publicados nos dois jornais em até 20 dias e que, no blog, a retratação seja corrigida e deixada em destaque por 10 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil até R$ 100 mil.
DANIEL DANTAS GANHA MAIS UMA VEZ NA JUSTIÇA
Daniel Dantas preso
Daniel Dantas preso
O blogueiro Paulo Henrique Amorim foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao banqueiro Daniel Dantas, informou o portal Conjur  (26/9). Amorim também deve publicar a íntegra da sentença condenatória em seu blog Conversa Afiada.
O jornalista havia publicado no blog um texto intitulado “Piauí concede asilo político a Dantas”, e foto de um homem, que não é Dantas, algemado e sendo levado por policiais.
Daniel Dantas preso cartoon
O juiz Marcelo Oliveira da Silva, da 45ª Vara Cível do Rio de Janeiro, afirmou que “não se nega a possibilidade de utilização do humor ou até do sarcasmo em matérias de conteúdo jornalístico, mas, o jornalista, tem o dever com a veracidade dos fatos e com as informações divulgadas”.
Segundo a decisão, “correlacionar o nome do autor ao momento de prisão de uma pessoa, por certo, extrapola a liberdade de expressão, eis que, ao contrário de esclarecer o destinatário da informação, confunde-o”.
 Fontes: Portal Imprensa/ Conjur/ Observatório de Imprensa
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[Negro da terra, assim classificava a justiça, a igreja: os índios. Eu dizer que Evo Morales é um negro que não tem alma de branco contenta a imprensa direitista e entreguista.
Para os barões da mídia, o desejável era que Evo fosse um índio, um negro da terra de alma branca. Kamel deixaria de criticar o presidente da Bolívia]
Obs. Os textos do Portal Imprensa e Conjur divinizam as sentenças. Como se fosse da justiça a única e última verdade.

Empregada domestica veste avental e tem cara negra

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Esta visão das choferes de fogão faz parte do mito mineiro. Não é racismo. A realidade que o carnaval leva para as ruas.

Um jornalista processou outro por ser chamado de negro de alma branca. E se fosse o contrário: branco de alma negra?

Negro de alma branca não ofende. Tem um sentido dubitativo

Negro de alma branca é uma expressão popular criada pelos escravos. Depois explico.

Escreve Fábio Pannunzio:

O blogueiro Paulo Henrique Amorim vai ter que se retratar novamente em face do jornalista Heraldo Pereira. A decisão acaba de ser tomada pelo juiz Alex Costa de Oliveira, do Distrito Federal, que acolheu os argumentos do repórter e apresentador da Rede Globo de que o acordo celebrado entre ambos em 15 de fevereiro passado não foi cumprido.

No acordo proposto por PHA e aceito por Heraldo, o dublê de porta-voz da ala mensaleira do PT e da Igreja Uniuversal se comprometeu a publicar em sua própria página eletrônica , na Folha de São Paulo e no Correio Braziliense um texto pedindo desculpas a Heraldo. O texto chegou a ser publicado, mas o blogueiro introduziu uma série de comentários que zombavam dos termos do acordo e adulteravam o propósito da retratação. Entre esse comentários, PHA escreveu que retratação não é reconhcimento de culpa, e ameaçou processar todos os jornalistas que afirmassem que ele se utilizou do jargão racial para atingir HP.

De acordo com o juiz Alex Costa de Oliveira, a publicação da retratação pela Folha aconteceu somente depois de vencido o prazo estabelecido na sentença que homologou o acordo.

ambém não foi cumprido o pagamento de R$ 30 mil de indenização, destinados por Heraldo Pereira ao Mosteiro de São Bentos de Brasília. PHA depositou apenas as duas primeiras parcelas e suspendeu os pagamentos. “Como se nota, eram seis parcelas de R$ 5.000,00 e o réu depositou apenas duas, nos dias 13.03.2012 e 13.04.2012. Houve o descumprimento [também] dessa cláusula” asseverou o magistrado.

Agora, PHA terá 20 dias para republicar o mesmo texto, sem comentário, em seu blog e nos dois jornais. Se não o fizer, estará sujeito à aplicação de uma multa de R$ 10 mil por dia.

Paulo Roque Khouri,  advogado que representa HP no processo, comemrou a decisão. Segundo ele, “O problema do Sr. Amorim era com a Justiça brasileira e foi ela própria quem deu resposta de modo firme: decisão judicial é para ser cumprida e ponto final. Como não cumpriu o acordo agora vai sentir no bolso o deboche à Justiça Brasileira.”

(Transcrevi trechos)

 

 

4. Negro de alma branca

Elias Cândido

 

 

“Negro de alma branca”, na verdade, é como alguns brancos racistas, se reportam a alguns negros. São os negros que não se rebelam, que toleram passar por humilhações e que, segundo alguns brancos, “sabem o seu lugar na sociedade”.

A Rede Globo é racista. Se olhar com atenção o quadro de seus artistas, vai notar que a maioria é branca. Se observar também o tratamento que é dado aos negros nas suas novelas, vai verificar que a Globo os coloca em posições que seriam de “negro”, que é escravo, segurança ou bandido. Isso é um comportamento completamente racista, porque induz a sociedade a enxergar o negro daquela maneira.

Já nos negros isso tem um efeito psicológico extremamente cruel. A pessoa passa a não almejar coisas maiores na sociedade a não ser aquelas coisas que lhes são impostas, dado o poder cultural das novelas da Globo sobre o nosso povo de um modo geral.

Lembra-se da época em que Xuxa tinha as Paquitas e o sonho de todas as meninas era ser Paquita, uma menina loura, de cabelos lisos? Aquilo tinha efeito devastador na cabeça das meninas negras. Leia mais. Entrevista concedida à Conceição Lemes

2. Negro de alma branca. O racismo da Globo

Pintar um artista branco para encenar um negro faz parte da história das novelas brasileiras.

Que papéis eram reservados para os atores negros nas novelas globais?

Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?
Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?

Historia a Wikipedia:

A Cabana do Pai Tomás é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida entre 7 de julho de 1969 e 1 de março de 1970 às 19 horas. Escrita por Hedy Maia, baseada no romance Uncle Tom’s Cabin, de Harriet Beecher Stowe, e dirigida por Régis Cardoso. Teve 205 capítulos. Foi produzida em preto e branco.

Plínio Marcos, em sua coluna no jornal Última Hora, liderou uma campanha de repúdio a escolha do ator branco para interpretar um negro. A opinião geral na classe artística era que Milton Gonçalves deveria fazer o papel.

Assim, a televisão brasileira usava de uma prática iniciada no cinema norte-americano, chamada de “blackface”, onde atores brancos eram pintados de preto, encarnando assim uma visão destorcida de que atores negros não estavam à altura de representar, bem como para não chocar a sociedade marcadamente racista e segregacionista. O “blackface” todo o tempo reporta ao espectador que aquele negro na verdade esconde um branco.

Além da trama de A cabana do pai Tomás, a novela tinha partes tiradas de …E o vento levou, de Margaret Mitchell, com o personagem Dimitrius correspondendo a Rhett Buttler.

O ator branco pintado de negro é Sérgio Cardoso.

Escreve Paulo Senna:
A trama abordava a luta política, social e econômica entre escravos e latifundiários do sul dos Estados Unidos, à época da Guerra da Secessão, tomando por base a vida do velho escravo Pai Tomás (Sérgio Cardoso) e de sua mulher, Cloé (Ruth de Souza). Ele era um escravo negro de bom coração, que
passava de mão em mão, enfrentando senhores de engenho cada vez mais cruéis.

É bom lembra que Sérgio Cardoso (na foto como Pai Tomás ao lado da atriz Ruth de Souza) foi contratado pela Globo para viver o papel, mas contra a vontade de Glória Magadan, a supervisora de novelas da emissora na época. Ele teve que pintar o corpo, usar peruca e rolhas no nariz. Afinal, era um trabalho de composição, e ninguém melhor do que ele para fazê-lo. Apesar de que tinhamos e temos ótimos atores negros que poderiam ter interpretado o velho Pai Tomás

Um Ator Branco a Interpretar um Negro

 POR 

O protagonista da novela era o velho negro Tomás. A emissora, em um momento de preconceito racial que marcaria a nossa televisão, entregou o papel a um ator branco. Sérgio Cardoso, para interpretar o negro Tomás, tinha que pintar o corpo com uma tinta negra, usar peruca e rolhas no nariz. O ator Milton Gonçalves teria sido preterido ao papel, por exigência de uma subsidiária norte-americana da agência publicitária Colgate-Palmolive, patrocinadora das telenovelas à época.

Na classe artística, houve muitos movimentos de protesto contra a escolha de um branco para o papel de um negro. Incomodado, Sérgio Cardoso, conhecido por sua famosa falta de habilidade com as palavras, tentaria justificar-se em uma desastrosa declaração, que o faria ser visto como racista: “Tenho vários amigos de cor que são como meus irmãos; tenho afilhados pretinhos que amo como se fossem meus filhos.”

Sérgio Cardoso vivia três papéis nesta novela, além do negro Tomás, era Dimitrus, um galã a Clark Gable, e o presidente Lincoln. Dos galãs da época, Sérgio Cardoso era o único que arriscava fazer personagens deformados, para ele pintar o corpo de negro, era mais uma caracterização de uma personagem, não enxergando no fato uma discriminação racial da televisão. A novela resultou em um grande fracasso.

(Transcrevi trechos) Vale a leitura. Jeocaz escreve o perfil de Sérgio Cardoso, um verdadeiro ator. “No dia 18 de agosto de 1972 o Brasil parou, emocionado com a morte súbita do ator Sérgio Cardoso. O país perdia um dos maiores atores do teatro e da televisão do século XX”

Próximo desta série: Blackface. E ainda as diferenças entre negro e preto. Aguarde