Por que os cristãos não adotam ou casam com uma Nakushi?

 

por Tania Nienkotter Rocha:

Mundo cruel: na Índia meninas indesejadas finalmente recebem nome em cerimonia

 

Autoridades indianas organizaram uma cerimônia para dar nesta semana novos nomes a 222 meninas batizadas de “Nakushi” (“Indesejada”), informa nesta terça-feira o diário The Indian Express. A cerimônia acontecerá no distrito de Satara, com a intenção de “fomentar” o prestígio das meninas na região ocidental de Maharashtra, onde na atualidade nascem apenas 881 meninas por cada mil meninos devido aos abortos seletivos e feticídios.
Na Índia, é notória a preferência por meninos: o filho varão perpetua a linhagem, herda a propriedade e cuida de seus pais na velhice, enquanto, no caso das meninas, os progenitores devem pagar um vultoso dote à família do noivo. No distrito de Satara, as autoridades produziram neste ano uma pesquisa para saber quantas meninas se chamavam “Nakushi”, com o que o oficial de saúde do distrito, Bhagwan Pawar, descobriu se tratar de 222. “Fazem isso para deixar claro que não queriam que seu bebê fosse menina. Esta região tem terras muito férteis e uma indústria poderosa, pelo que os pais acreditam que os meninos poderiam trabalhar a terra e ganhar mais dinheiro”, afirmou Pawar à Agência Efe desde o distrito de Satara. Segundo disse ao The Indian Express o assessor de comunicação do distrito de Satara, U. B. Sawant, as meninas poderão escolher o nome que terão a partir de agora no transcurso da cerimônia pública que acontecerá no próximo dia 21. O censo de 2011 revelou que há na Índia 7,1 milhões de meninas a menos que o número de meninos com idades compreendidas entre 0 e 6 anos. Além disso, no total da população indiana (1,2 bilhão de pessoas) há 940 mulheres por cada mil homens. Fonte:Terra
por Luis M. Faria:

São centenas de raparigas. Os pais não as querem. Dão-lhes o nome de ‘Indesejada’. O estado vai rebaptizá-las

Em certas partes do mundo, ter um filho homem não é uma mera questão sentimental ou de orgulho; é uma variável económica da maior importância. Muitos dos trabalhos disponíveis exigem a força de um homem. Além disso, uma rapariga pode implicar despesas extra.
Na Índia, por exemplo, é normal as filhas levarem dote para o casamento, e pagá-lo pode ser insustentável para a família. Assim, compreende-se que muitos pais sintam frustração, e que a exprimam de alguma forma, mesmo sem chegar ao extremo — infelizmente comum, nesse país e não só — de abortarem ou matarem os bébés do sexo errado.
Uma prática que se tornou habitual em certos estados indianos é dar às filhas o nome de Nakushi, que significa ‘indesejado’. Forma horrível de agressão a quem não tem culpa, esse estigma acompanha-las-á pela vida fora, e será quase de certeza transmitido à geração seguinte.
Nos últimos tempos, porém, os responsáveis públicos começaram a reagir.
No estado de Maharashtra, foi decretado que as centenas de raparigas chamadas Nakushi serão rebaptizadas. Algumas escolhem elas próprias o novo nome, outras deixam que o estado decida. O objectivo é combater a ideia de que as pessoas em causa têm menos valor do que as outras. O que parece ser comum, a avaliar por uma dessas cerimónias, é a felicidade das raparigas ao adquirirem um novo nome, o qual tipicamente alude a qualidades desejáveis (Vaishali, i.e próspera, bonita), deusas hindus ou estrelas de Bollywood. A reação das adolescentes faz pensar em quem recebe um bonito vestido quando jamais pensou que um dia teria direito a mais do que andrajos.