A tragédia do viaduto em BH

por Cristina Moreno de Castro

 

image viaduto 1

 
Charlys saiu mais cedo de casa
– não voltou.
Hanna iria à Fan Fest hoje
Mas a Copa acabou.
Não era moto, era um Uno Vivace
Que levou 15 horas para sair
Charlys ia passar às 15h
Para fazer sua mulher sorrir.
Mas o que caíram foram lágrimas
Porque a pequena de Hanna
Fará 6 anos de idade
Sem o abraço da mama.
Prefeito que diz não ser babá
Diz também que foi acidente
“É normal”, “acontece”, anota lá
Mas é claro que muito se sente.
(Caiu pedaço de viaduto!
Já se viu tal absurdo?)
“Não quero avançar em responsáveis”,
Que ninguém sabe mesmo quem são
Fiscais, engenheiros, a Copa?
A pressa, a corrupção.
O que sei é que Hanna e Charlys
Tinham 24 e 25 anos
E as outras 22 vítimas
Terão toda uma vida de danos.
E uma cidade inteira
Perdeu a fé em seu próprio chão
“Debaixo de viaduto não passo”
Escuto do cabreiro povão.
Para mim, a Copa acabou
Perdi a vontade de torcer
E, se antes a Seleção chorou,
Agora quem chora sou eu e você.
Era verdade mesmo, então:
Brasil não merece evento-celebração
Porque só levou 22 dias
Pra festa virar decepção.

 

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15-M Brasil. Não temos movimento de indignados. Temos despejos da justiça. Sempre contra o povo

Esta manchete ( “15 horas de terror”) de um jornal de Belo Horizonte me enganou. Fui ler a notícia acreditando que falasse dos mil habitantes da Capital mineira que, às 6 horas da madruga, acordaram com a zoadeira dos latidos e dos relinchos da polícia, enquanto o prefeito de m. dormia, e dormia o desembargador Afrânio Vilela.

Justamente às 6 horas,  mais de mil belo-horizontinos eram acordados pela polícia montada e a pé, com seus cachorros treinados. Isto sim que é terror. Que a polícia em bairro de pobre, em rua de pobre, sempre chega metendo o pé na porta, e atirando.

A manchete do “Aqui” era sobre mais um sequestro de gerente em um assalto de banco. Para resolver tais casos falta polícia.

A imprensa chora. Não pelo pobre bancário. A imprensa conservadora sempre geme pelos bancos.

Espanto besta da imprensa. Dinheiro roubado de banco, o seguro paga. Banco sempre recebe com juros.

Um vivente retirado de sua casa, na marra, também considero terrorismo. E quando são mais de mil?

E quando as moradias dessas pessoas são derrubadas…  isso tem nome?

Descreve Diniel Silveira 

Em meio a um amontoado de colchões, roupas e o pouco que restou das dezenas de barracos da ocupação Eliana Silva, na Vila Santa Rita, Região do Barreiro, em Belo Horizonte, cerca de 100 pessoas decidiram permanecer no local desde essa sexta-feira, quando a Polícia Militar iniciou o cumprimento do mandado de reintegração de posse da área. Dormindo ao relento e se valendo de sombrinhas para se proteger do sol forte, os integrantes do grupo mantinham esperança de poder permanecer no local. Entretanto, após reunião entre as lideranças do movimento, ficou decidido que o terreno seria totalmente desocupado. As pessoas saíram da área no começo desta noite.

Entre as pessoas que permaneceram na área, cerca de 20 são crianças, a maioria de colo. Segundo um dos líderes da ocupação, Leonardo Péricles, coordenador do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, a situação precária em que as crianças se encontram foi determinante para a decisão de deixar a área.

Cerca de 50 policiais militares também permaneceram no local desde a noite anterior. Segundo o tenente Thiago Rocha, não houve nenhum tipo de protesto ou confronto. Ele permitiu a entrada de água e alimentos no terreno. Como os fogões industriais que havia no local foram retirados pela PM, restou ao grupo improvisar um fogão a lenha.

Frei Gilvander é uma das pessoas que também permaneceram no local. Articulador dos movimentos de sem teto e sem terra, ele recebeu permissão dos policiais para receber até cinco pessoas por vez dentro da área. Enquanto isso, todo o terreno começou a ser cercado pela prefeitura com arames farpados. Tal situação, segundo a assessoria do Ministério Público, seria questionada à Justiça por dois promotores da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Social, uma vez que a cerca está sendo instalada em um terreno sub-judice.

Com informações de Pedro Ferreira.

Cerca de arame farpado lembra campo de concentração. Veja vídeo 

Veja a razão da minha revolta, de meu nojo dessa gente. Leia 

Prefeito de m. Márcio Lacerda despeja 350 famílias. Falta agora doar o terreno para um empresário amigo

Belo Horizonte virou uma Roma de Nero
Belo Horizonte virou uma Roma de Nero

A justiça brasileira tão lenta e cara, costuma agir rápida e militarmente no desalojamento de pobres famílias pobres. Isso no Brasil dos sem teto. É a justiça PPV. Do Pinheirinho, em São José dos Campos. Com a soldadesca comandada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Ivan Sartori. Cães de guerra que atiram balas contra o povo, jogam bombas contra o povo, toda uma batalha desigual para favorecer um empresário corrupto, Naji Nahas, ex-preso da Polícia Federal. É a justiça PPV. Do governador Sérgio Cabral, também inimigo do povo, que desapropriou matas, bosques, fazendas e praias, em São João da Barra, para presentear o bilionário Eike Batista, que se autodenomina Bundinha de Ouro. Leia mais 

É a justiça dos despejos e dos precatórios que beneficiam os  corruptos moradores de palácios encantados no Brasil e no exterior. Taí o dono da Delta como exemplo. Isso acontece porque empresas corruptas não podem ser punidas criminalmente.  Tanto que, só agora,  informa o jornalista Flávio Ferreira,

a comissão do Senado que prepara a proposta de um novo Código Penal aprovou a inclusão da criminalização de empresas que participam de casos de corrupção contra a administração pública.

Se aprovado, o anteprojeto poderá permitir o fechamento ou a imposição de penas como multas ou prestação de serviços à comunidade contra as empresas.

Segundo o relator da comissão, o procurador da República Luiz Carlos Gonçalves, nos delitos contra o patrimônio público é insuficiente punir apenas os executivos ou funcionários de pessoas jurídicas diretamente envolvidos nos crimes.

“A ideia é surpreender esse fenômeno infelizmente comum no Brasil no qual a pessoa jurídica se vale de funcionários como se fossem laranjas, e quando chega a hora da responsabilização criminal, só os funcionários são responsabilizados e a empresa continua com sua atividade perniciosa e nociva. Pela nossa proposta isso acabou”, disse Gonçalves.

É a justiça de um Brasil cruel. Que escravizar uma pessoa constitui uma inflação menor que um conflito de trânsito. Confira .  E todo escravocrata sequestra, prende, tortura e rouba o salário dos miseráveis.

A polícia herodiana em ação hoje em Belo Horizonte
A polícia herodiana em ação hoje em Belo Horizonte

PREFEITO DE M.

O prefeito de Belo Horizonte, do PSB, mandou despejar 350 famílias sem teto da Ocupação Eliana Silva, localizada no bairro Barreiro de Baixo, na Avenida Perimetral, Santa Rita, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. O despejo começou a partir das 6 horas da manhã desta sexta-feira, quando “seu” M. ainda dormia. Cem barracos já foram demolidos e os moradores que se danem.

Faz bem o povo cantar. O nome dele  “Começa com m, termina com erda. Adivinha o que que é”.  Escute a música.

Os cães contra o povo
Ensinaram 400 cães a morder os pobres

DIVINA AÇÃO

A ação de despejo coletivo, realizada no prende e arrebenta, por 400 policiais fortemente armados, foi autorizada pela juíza da 6ª Vara de Feitos da Fazenda Municipal da Comarca de Belo Horizonte,  Luzia Divina de Paula Peixoto, cujo despacho foi publicado em 26 de abril último. Exemplar justiça rápida!  Veja vídeo da brutalidade policial contra o pobre povo pobre. São 1. 400 pessoas jogadas na rua. Viviam miseravelmente. Mesmo assim toda mãe de família, que morava em um casebre,  chora: – perdi tudo.

Cavalaria montada no povo de Belo Horizonte
Cavalaria montada no povo de Belo Horizonte

Leia.