CHACINA Vai ter selfies com os PMs de Osasco?

Por Altamiro Borges

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Nas marchas golpistas de março e abril, uma cena patética virou motivo de galhofa nas redes sociais. Dignos representantes das elites paulistas, hoje batizados de “coxinhas”, fizeram questão de tirar suas egocêntricas selfies com soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ao mesmo tempo que rosnavam pelo “Fora Dilma” e até pela volta dos generais ao poder, eles explicitaram o seu apoio incondicional à repressão policial. Neste domingo (16), estes adoradores da violência e do ódio bem que podiam fazer uma homenagem aos soldados da PM que assassinaram 18 pessoas em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Golpistas e carrascos em selfies simbólicas da barbárie.

A chacina ocorreu na quinta-feira (13). Homens encapuzados, de armas em punho, entraram em um bar na periferia da cidade e fuzilaram oito clientes. Na sequência, os assassinos percorreram outros 11 locais. Em cerca de três horas, 18 pessoas foram mortas e seis ficaram feridas em Osasco e Barueri. Apenas seis dos mortos tinham passagem pela polícia. A cena de violência revoltou os moradores da região. “Quando morre um policial, pode saber que em até 15 dias vai ter chacina. Nunca vai mudar, aqui não existe Justiça”, lamenta a costureira Rosângela Gonçalves – que há três anos perdeu um filho numa chacina e que na quinta-feira perdeu um amigo.

Tudo indica que o massacre foi planejado por um grupo de extermínio formado por PMs dispostos a vingar a morte de um policial na semana passada em um posto de gasolina – cena que ganhou enorme repercussão nos programas policialesco da televisão. “Se a hipótese for confirmada, o episódio não constituirá caso isolado. Ao contrário, a desconfiança quanto à participação de agentes de segurança se repete nas cinco principais chacinas registradas em São Paulo desde 2013”, aponta o editorial da Folha deste sábado (15). Nestes cinco massacres foram mortas 42 pessoas.

“Manifestações desse tipo expressam com crueza o quanto há de nefasto na existência de esquadrões da morte. Se as forças legalmente constituídas para garantir o respeito às leis não hesitam em violá-las, por que a população deveria confiar no Estado de Direito? O combate ao crime é um desejo de toda a sociedade, mas não pode ser feito ao arrepio das instituições. Fora dos marcos constitucionais não há ordem, mas barbárie; do ‘cada um por si’ resulta apenas mais violência e insegurança”, alerta a da Folha tucana, que sempre fez esforços para blindar o governador Geraldo Alckmin.

Será que os “coxinhas”, que voltarão a esbanjar seu ódio de classe contra pobres, negros e moradores da periferia neste domingo, vão tirar suas selfies sorridentes com os policiais de Osasco? Ou será que terão o mínimo de dignidade e exigirão uma imediata atitude do “picolé de chuchu” que ajudaram a eleger no primeiro turno das eleições de outubro passado? Os leitores já conhecem a resposta!

Torturadores e assassinos da ditadura de 64 são derrotados pelo povo nas ruas de São Paulo. Carlinhos Metralha lança candidaturas de Moro e Bolsonaro

A imprensa conservadora e os partidos da direita (PSDB & aliados), que votaram a terceirização na Câmara presidida por Cunha (PMDB), foram derrotados hoje nas ruas vazias de São Paulo.

Promoveram até estripitize como chamariz.

Juliana Isen, a musa dos analfabetos políticos, não fez sucesso
Juliana Isen, a musa dos analfabetos políticos, não fez sucesso

 

Mas o estripitize mais escandaloso foi de um conhecido e impune estripador: o ex-agente do Dosp Carlos Alberto Augusto, carinhosamente chamado pela imprensa pusilânime de “Vovô Metralha”.

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Bruna Bortoletto, no Facebook:  Metralha, esse cara torturou e matou pessoas, ele é um assassino, deveria estar preso!
Bruna Bortoletto, no Facebook: Metralha, esse cara torturou e matou pessoas, ele é um assassino, deveria estar preso!

O Movimento SOS Forças Armadas reuniu civis, policiais e militares do golpe de 64.

O carro de som da ordem unida tocando músicas marciais procurava animar o ajuntamento. Inclusive homenageou o ex-segurança do famigerado delegado Sérgio Fleury, Carlinhos Metralha, uma dupla de assassinos que participou da Chacina da Chácara São Bento, narrada no célebre romance Soledad no Recife, de Urariano Mota. Um massacre  de seis militantes de esquerda, dedurados por Cabo Anselmo.

Tinha carro de som, mas faltou gente
Tinha carro de som, mas faltou gente

Vestindo um paletó preto, gravata borboleta, capacete usado na Revolta Separatista de 1932, Carlinhos, que tem o alcunha de “Carteira Preta”, deitou falação. Disse que estava cercado de velhos parceiros, e revelou que o SOS era pelo retorno da ditadura dos marechais ou o juiz Moro para presidente.

 

Jair Bolsonaro, um candidato a presidente Daia Oliver: R7 SOS Forças Armadas. Foto
Jair Bolsonaro, um candidato a presidente do SOS Forças Armadas. Foto R7: Daia Oliver

É! faltou gente apesar das atrações circenses.

Noticiou o R7: O tratamento recebido em São Paulo pelo deputado Jair Bolsonaro foi bastante diferente do que vivenciou no Rio de Janeiro, quando foi vaiado por manifestantes.

Admiradores do Bolsonaro o rodearam e o chamavam de “presidente” enquanto pediam para o deputado tirar uma selfie.

Quem também marcou presença no protesto foi o deputado federal e major Olímpio Gomes, que preferiu não discursar.

— Eu vim aqui aplaudir.

É! as fotos mostram as ruas vazias. Portal Metropole publica:

Movimento “Fora Dilma” também fracassa em SP e leva menos de 5 mil à Paulista

Sem números oficiais da PM, a imprensa apura que menos de 5 mil pessoas estiveram presentes no movimento na Avenida Paulista

Avenida Paulista
Avenida Paulista. Foto M7
O da bandeira é da PM? É! havia mais fardados que paisanos. Foto M7
O da bandeira é da PM? É! havia mais fardados que paisanos. Foto M7

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Quem é Eduardo Cunha, pretenso primeiro-ministro?

Até os idos de março ninguém conhecia Eduardo Cunha. Perdia feio para a esposa jornalista. De Cláudia Cruz, historia a Wikipédia: “Foi âncora do Fantástico, Jornal Hoje e RJTV. (…) Egressa da TV Educativa do Rio de Janeiro, ela foi no final de 1989 a 2001 apresentadora da Rede Globo de Televisão (…) dos telejornais Bom Dia Rio entre 1989 e 1991, o Jornal Hoje eventualmente entre 1989 e 1992 e 1994 e 2001, sendo fixa desse mesmo telejornal entre 1992 e 1994, RJTV 1ª edição entre 1989 e 2001 e RJTV 2ª edição entre 1999 e 2001, onde recebeu o título de “musa do RJTV“, título dado a apresentadora que encarava com sensualidade apresentação do telejornal e anteriormente este título pertencia a jornalista Valéria Monteiro; Globo Ciência, Globo Comunidade, Jornal da Globo e Fantástico. Após 2001 foi para a Rede Record ancorar a segunda edição do Jornal da Record, um concorrente do Jornal Nacional. Porém a rejeição do público paulista ao estilo da apresentadora, fez com que a mesma fosse substituída por Paulo Henrique Amorim. E deixou a Rede Record após recusar a proposta de apresentar o local Informe Rio (hoje extinto) e ser repórter especial do Jornal da Record. Atualmente se dedica às artes plásticas”.

Nesta de terceirização, Claudia Cruz, historicamente, não concorda com o marido. Comenta Maria Flô: “Vejam vocês, se o PL 4330 [da terceirização de Eduardo Cunha] existisse em 2008, sua esposa, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, com doença ocupacional, estaria a ver navios, desprotegida pela legislação e não poderia ter entrado com a ação judicial contra a Globo”.

Maria Flô transcreve:

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Terceirizada, mulher de Cunha ganhou ação contra Globo e foi contratada

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Segundo o Portal da Imprensa, publicação voltada para o mundo da comunicação, na sentença o TST informou que a jornalista teve de criar uma empresa (C3 Produções Artísticas e Jornalísticas) para prestar serviços à TV Globo. Em julho de 2000, após vários contratos de “locação de serviços”, a emissora informou que o acordo com Cláudia não seria renovado, após ela ter sofrido uma faringite, considerada doença ocupacional.

A jornalista entrou com ação trabalhista pedindo vínculo de emprego e ressarcimento das despesas e indenização por danos morais, já que passou por uma cirurgia em razão da faringite e nenhuma despesa foi paga pela emissora da família Marinho.

O TRT do Rio de Janeiro reconheceu a existência de vínculo empregatício, uma vez que a jornalista tinha de cumprir horário de trabalho e relação de subordinação com a Globo, condenando a emissora a registrar Cláudia em carteira de trabalho por todo o período de contrato, entre maio de 1989 e março de 2001.

A Globo recorreu, mas o TST rejeitou a apelação, mantendo a decisão do tribunal fluminense.

Segundo o ministro do TST Horácio Senna Pires, relator do caso, a atitude da emissora “se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho, caracterizada pela imposição feita pela Globo para que a jornalista constituísse pessoa jurídica com o objetivo de burlar a relação de emprego”.

Se o PL 4330 [que cria a terceirização ampla, geral e irrestrita] de Eduardo Cunha existisse naquela época, sua mulher estaria desprotegida pela legislação e não poderia ter entrado com a ação judicial.

Musa do Jornalismo e artista plástica

 

Cláudia Cruz
Cláudia Cruz

 

Jeff Benício, autor do livro Fama Ordinária, escreveu em seu blogue: “Cláudia Cruz ganhou o título de musa do jornalismo da Globo nos anos 90. Sua beleza chamava mais atenção do que as notícias — e ainda impressiona.

Deixou a emissora em 2001, após 12 anos. Pouco depois, as duas partes travaram uma batalha jurídica por conta de um processo trabalhista.

Cláudia transferiu-se para a Record, mas ficou pouco tempo no canal. Logo abandonou a carreira na TV, para decepção de seus fãs.

Na internet há comunidades e fóruns criados para pedir o retorno ao telejornalismo da apresentadora, hoje com 47 anos.

(…) Cláudia Cruz possui outro título: o de primeira-dama da Câmara dos Deputados. Seu marido, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi eleito presidente da casa.

Desde que se afastou do vídeo, a jornalista tem se dedicado às artes plásticas. Ela também organiza eventos culturais. É uma personagem recorrente nas colunas sociais cariocas.

O casal Cunha tem quatro filhos. Uma delas, Bárbara, de 17 anos, gerou manchetes na imprensa ao longo dessa semana.

Herdeira da beleza da mãe, a estudante foi considerada a musa da cerimônia de posse da nova legislatura, em Brasília”.

Filha de Eduardo Cunha e Cláudia Cruz
Filha de Eduardo Cunha e Cláudia Cruz

Herdou a beleza da mãe. Noticiou o Diário de Pernambuco: “A estudante Bárbara Cunha, de 17 anos, filha do novo presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), virou uma espécie de “musa da eleição”. Leia mais

 

O Frank Underwood brasileiro

 

Escreve Quintino Gomes, editor do Diário do Rio: “Chamado por alguns como Frank Underwood brasileiro, apelido dado pela deputada Clarissa Garotinho, e do qual faz jus e, dizem, até gosta. Para quem não sabe Underwood é o personagem interpretado na série House of Cards, um político que faz tudo pelo poder.

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Desconhecido por muitos cariocas, que nunca entendem como ele consegue se eleger deputado, Cunha está “por aí” faz muito tempo. Mas foi em 1991 que ele foi nomeado por Collor como presidente da TELERJ, aquela mesmo. Depois foi orbitando vários políticos e grupos, mas só em 2001 que conseguiu se tornar deputado estadual, ainda assim ocupando a cadeira como suplência. Mas em 2002 sai candidato a deputado federal pelo PP, com apoio de Anthony Garotinho (PR), hoje seu inimigo politico, e obtém 101.485 votos. Logo ao assumir Cunha troca o PP pelo PMDB,

Desde a primeira vitória Cunha só aumentou o poder dentro da bancada, e sempre envolto em escândalos, mas sempre saindo ileso. Agora sua escalada no poder é coroado com a presidência da Câmara.

 

Eduardo Cunha cria de Fernando Collor e bispo Robson Rodovalho

Confunde a presidência da Câmara dos Deputados com a função de primeiro-ministro de um Portugal salazarista
Confunde a presidência da Câmara dos Deputados com a função de primeiro-ministro de um Portugal salazarista

Eduardo Cosentino da Cunha (Rio de Janeiro, 20 de setembro de 1958) é um economista, radialista e político brasileiro. Evangélico, é fiel da igreja neopentecostal Sara Nossa Terra e seguidor do bispo Robson Rodovalho. Atualmente, é deputado federal, pelo PMDB do Rio de Janeiro, e presidente da Câmara dos Deputados desde 1º de fevereiro de 2015.

Filiado ao Partido da Reconstrução Nacional, foi presidente da Telerj durante o Governo Collor . Já pelo Partido Progressista Brasileiro, comandou a Cehab no mandato de Anthony Garotinho. Candidatou-se pela primeira vez a um cargo eletivo em 1998, tendo sido eleito suplente de deputado estadual do Rio de Janeiro e assumido uma vaga na Alerj em 2001. Elegeu-se deputado federal em 2002, ainda pelo PPB. Reelegeu-se em 2006 e 2010, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Como radialista, tem atuado em sete rádios FM (Rádio Melodia desde meados da década de 1990) nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí e Paraná. Leia mais 

 

 

Lava a jato nomes de delegados e togados

Na Lava a Jato não aparecia nome de delegado.

Como milagre acontece. Ainda não surgiu nenhum nome de juiz, de desembargador, de polícia, de procura dor e não encontra, e de fiscal, que no Brasil tem fiscal pra tudo, e sobra gente em tribunal de (faz de) contas.

Diz Marcos Simões: “Ladrão, mas com muitas cobranças sobre os outros. Esse tipo é o pior dos bandidos”.

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Outra coisa inusitada: toda CPI tem uma musa. Na da Petrobras não apareceu nenhuma.

Graça Foster não vale.

Fraga

Se estenderem a CPI pros tempos blindados de FHC vamos ter várias lindezas. Vai virar concurso de misse.

Outra coisa esquisita: não veio bater calçada nenhuma Ana. Nem uma prostituta respeitosa. Na CPI da Refinaria do Manguinhos tinha uma.

A Refinaria do Manguinhos, que de Magra ficou para os Gordos, é mais uma prova do que o crime compensa.

 

 

 

 

 

A mulher de César

por Mauro Santayana

 

 

transparência
Depois de pedir licença de seu mandato, o deputado André Vargas renunciou à primeira vice-presidência da Câmara dos Deputados, após instauração de processo no Conselho de Ética da Casa, para apurar denúncias contra ele, a propósito de suas relações com o doleiro Alberto Youssef, detido pela Polícia Federal em uma operação que investiga lavagem de dinheiro.

O envolvimento de André Vargas com o doleiro teria vindo à tona a partir do pedido de “empréstimo”, feito pelo deputado, de um jatinho, para viajar de férias a Youssef.

Já houve caso de quem viajasse em avião público por questões estéticas; de quem pegasse carona em aeronaves destinadas a atendimento médico; de quem tivesse a própria aeronave apreendida com substâncias proibidas.

Há grandes e pequenos escândalos, e episódios que são vistos, por alguns, como “pecadilhos”, que atingem, infelizmente, de forma indiscriminada, partidos das mais variadas legendas, tendências e orientação política.

Embora quase todo mundo tenha um lado, e nem sempre os fatos sejam abordados com o rigor, a honestidade e a isonomia que merecem — há assuntos que são rapidamente julgados enquanto outros passam anos sem ser sequer investigados — a verdade é que leis como a da Ficha Limpa e a do voto aberto para o julgamento e a cassação de parlamentares já deveriam ter sido vistas, por todos, como sinal de alerta e mudança nos riscos e cuidados da vida pública.

Leis da Ficha Limpa e do voto aberto para julgamento e cassação de parlamentares já deveriam ter sido vistas
Para gregos e troianos da odisseia política brasileira, talvez nunca seja demais lembrar a frase atribuída por Plutarco a certo prócer romano, ao repudiar sua mulher, filha de Quintus Pompeius Rufus: “À mulher de César, não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”.

Embora a expressão, para alguns, coloque as aparências na frente da verdade, ela reflete a necessidade do rito; da manutenção de regras básicas de convívio e de respeito entre pares e por seus eleitores; e até por si mesmos, no exercício da atividade pública, no sentido de que todos deveriam se dedicar ao objetivo de mantê-la, sempre que possível fosse, ao abrigo de qualquer suspeita.

Ao colocar seu comportamento em dúvida, estendendo o opróbrio e a desconfiança da população sobre a atividade política e a instituição de que toma parte, o homem público não macula apenas a si mesmo.

Ele agride e arrasta na lama a imagem da Democracia que, como à mulher de César, não deveria bastar que fosse — majoritariamente — honesta, mas também que assim transparecesse aos olhos da nação.

Há lugares, como o Uruguai, em que o presidente anda de Fusca.

No Brasil, escancarar o convívio, até em festas e redes sociais, com bicheiros, lobistas e doleiros, está ficando mais comum, nos últimos anos, do que o prosaico gesto de passar pelo check-in e embarcar em um avião de carreira.

 

Eray Özbek
Eray Özbek

BAILE DA ILHA FISCAL (Breve história sexual dos governantes do Brasil)

por Talis Andrade

 

 

baile

 

 

 

 

O Brasil uma grande farra

O Chalaça arrumava a cama

das amantes de Pedro I

que proclamou a Independência

para dormir com Domitila

 

Deodoro proclamou a República

na disputa da amante

com o primeiro-ministro de Pedro II

que perdeu o trono por desconhecer

não se empresta dinheiro a quem não trepa

 

Getúlio saboreava grossos charutos

depois de furtivos gozos oscuros

Jânio bêbado passava a cantada

nas esposas dos embaixadores do Itamarati

enquanto assistia filmes

de trás pra frente

horas seguidas

No pesadelo da noite

o secretário de imprensa

fretava o vôo das vedetes

para amenizar as dores

de cotovelo e da perna

do presidente coxo

 

Amigos contrataram Xuxa

que seria embrulhada

em papel de presente

para o safenado presidente

 

Cachaça de pêra

para o Senhor das Diretas

supositório de cocaína

para o Caçador de Marajás

sapatos azuis para Shirley

desfilar os chiliques

nas gerais

 

Aérea passagem de ida

para Miriam

jornalista platinada

criar no primeiro mundo

o filho exilado

de Fernando II

O luxo e a luxúria de uma das máfias que roubava São Paulo. Existem outras nas prefeituras das grandes cidades

mafia fiscais

 

Luís Alexandre Cardozo de Magalhães, um dos auditores fiscais de São Paulo investigados por corrupção, foi libertado na madrugada desta segunda-feira última. Essa investigação começou em 2006 e revelou um esquema que pode ter causado um prejuízo de até meio bilhão de reais aos cofres da prefeitura paulistana, informou o Jornal Nacional da Tv Globo.

Eram prefeitos: José Serra, empossado em 1 de janeiro de 2005, e Gilberto Kassab, que governou São Paulo de 31 de março de 2006 a  1 de janeiro deste ano.

Segundo a investigação, Luis e outros três auditores fiscais formaram uma quadrilha para cobrar propina de construtoras em troca da liberação do termo de quitação do ISS, o Imposto Sobre Serviços, com valores muito abaixo do real. Sem esse documento, as construtoras não conseguiriam o Habite-se.

O esquema começou a ruir quando a controladoria da prefeitura comparou os salários com a declaração de bens dos envolvidos. Outra peça importante na investigação foi Vanessa Alcântara, apontada pelos promotores como ex-amante de Luis Alexandre.

O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que foram abertas outras investigações para erradicar a corrupção.

“Novos 16 processos foram instaurados envolvendo suspeitas que não dizem respeito a esse esquema. Mas que podem nos ajudar a descobrir outras quadrilhas, dado o tamanho da incompatibilidade entre o patrimônio declarado e o patrimônio real que foi apurado pelas investigações da controladoria”, declara Fernando Haddad.

 

Vanessa Alcântara máfia alvarás São Paulo

Revela Istoé: Testemunha-chave do escândalo, Vanessa Alcântara revelou como agia o grupo acusado de desviar cerca de R$ 500 milhões dos cofres públicos. Vestida sobriamente, bem maquiada e como uma voz firme, ela diz que o ex-companheiro sempre afirmou que, se um dia o esquema ruísse, iria entregar todo mundo, sem poupar ninguém.

Istoé – Como você conheceu o Luís Alexandre?
Vanessa –
 Eu era representante comercial em 2010 e fui atendida por ele na prefeitura. Trocamos cartões e ele me ligou para sairmos. Depois de um tempo, começamos a namorar. Eram jantares e noitadas maravilhosas regadas a vinhos e champanhes nas melhores casas da noite paulista. Não conhecia esse mundo de se gastar R$ 10 mil reais em um jantar. Ele era muito encantador e sedutor comigo. Logo no início, ele me deu uma gargantilha de ouro. Não foi difícil se apaixonar por uma pessoa que te trata tão bem. Principalmente, porque estava separada, com um filho, e carente.

Istoé – Você ficou encantada com esse mundo de luxo?
Vanessa –
 Tudo era muito fantástico e real. Adorava aqueles jantares com pratos exóticos, com javalis, hotéis deslumbrantes e passeios em lanchas. Quando você está acostumado com o lixo e se depara com aquele luxo é deslumbrante. O Luís não era nenhum príncipe encantado, mas depois que começamos a namorar ele emagreceu 16 quilos, cortou a barba e começou a se vestir melhor. Ficou bem.

Istoé – Você levava uma boa vida, então?
Vanessa – 
Tinha uma vida de madame. Morávamos numa casa de 500 m², com quatro quartos, três banheiras de hidromassagem. O aluguel era de R$ 6 mil. Na verdade, dinheiro não era o problema. Ele não me deixava trabalhar. Nossa casa tinha quatro empregados e tudo à disposição. Em muitos fins de semana, a gente ia de avião particular para Angra dos Reis, pegava a lancha dele de 44 pés, que ficava na Marina Pirata, e dormia em alto-mar. Era fantástico. A gente ia tomando champanhe na proa. Não posso negar que eu adorava.

Istoé – Você também fazia gastos extravagantes?
Vanessa – 
Adoro moda. Apesar de ter um estilo hi-low, sempre consegui combinar peças populares com outras de grife. Não era de exagerar, mas já cheguei a comprar uma bolsa Chanel de R$ 8 mil, diversos casacos de pele e contabilizei 120 pares de sapatos.

Istoé – Luís revelava que o dinheiro daquelas noitadas e das compras vinha da corrupção?
Vanessa – 
Só depois que começamos a viver juntos é que soube. Aí, ele adorava vangloriar-se que era corrupto. Ele adorava ser o mafioso, o bandido grandioso e esperto. Ele gosta de contar a história de sua primeira mala de dinheiro conseguida com a corrupção. Ele diz que comprou um Vectra zero. O Luís gosta tanto do mundo do crime que, sobre a mesa do nosso escritório, ele mantinha um boneco do Al Capone.

Istoé – Quando vocês começaram a se desentender?
Vanessa – 
Ele tinha um ciúme doentio. Brigava comigo e com outras pessoas na rua por causa desses rompantes de agressividade. Nós assinamos vários boletins de ocorrência juntos. Como eu não sei apanhar e não reagir, também batia nele.

Istoé – Então as brigas de vocês eram violentas?
Vanessa –
 Muito. Ele me batia, eu batia nele. Ele me chutava, eu o mordia. Às vezes, essas brigas acabavam na polícia. A única vez que instalei um inquérito foi quando eu estava grávida de dois meses e apanhei dele. Ele queria que eu tirasse o bebê. Não aceitei. Tomei vários chutes e socos na barriga. Saí do flat dele sangrando e inconsciente numa ambulância para o hospital. Mas não perdi o filho.

Istoé – Mas por que você ainda ficava com uma pessoa tão violenta?
Vanessa –
 Ele tem uma conversa terrível, bom de lábia. Depois das brigas, ele acabava levando buquês de flores e até uma guia espiritual para intermediar as crises. Eu acabava perdoando. Com dois filhos, a gente sempre acha que o outro vai mudar. Ele pedia perdão e eu acabava cedendo. Gostava dele.

Istoé – Como é esta história de guia espiritual?
Vanessa – 
Depois das brigas ele chegava em casa junto com a mãe de santo e me convencia de que estávamos possuídos. Ela gastava três horas benzendo tudo, espalhando arruda pelo flat e rezando. Eu não resistia e acabava perdoando.

Istoé – Quando foi que o relacionamento de vocês acabou?
Vanessa – 
No meio deste ano, coloquei ele para fora de casa. Não aguentava mais aquela relação doentia. Ele chegou com um fusca verde 66 em casa e já tínhamos outros cinco carros na garagem. Eu perguntava: pra que tudo isso? Ele dizia que era dinheiro.

Istoé – E você não denunciava o Luís porque também se beneficiava desse dinheiro?
Vanessa – 
Eu sempre ameacei denunciá-lo toda vez que apanhava, que a gente brigava. Uma vez escrevi um e-mail para a Polícia Federal com poucas informações, dando as pistas sobre a corrupção e citava o nome dele. Crie até o e-mail BMW3886@gmail.com para fazer a denúncia – era o nome do carro que ele mais gostava, com a idade e o ano do veículo.

Istoé – Você queria dinheiro com essa denúncia?
Vanessa – 
Ele achava que era isso. Errou. Nós nos separamos e ele não quis aceitar as condições que eu tinha estabelecido, como uma pensão de R$ 3 mil, que era o equivalente ao salário dele.

Istoé – Você chegou a ver como era o relacionamento dele com a quadrilha?
Vanessa –
 De altos e baixos. Depois que um deles ficou viciado em cocaína, as coisas começaram a desandar e vieram as brigas.

Istoé – Como eles operavam o esquema?
Vanessa –
 Eles superfaturavam as guias do ISS e negociavam a propina. O dinheiro era dividido entre os quatro (Luís Alexandre Magalhães, Ronildo Bezerra Rodrigues, Carlos Augusto de Lallo Amaral e Eduardo Horl Barcelos). Eles alugavam um escritório perto da prefeitura que eles chamavam de cafofo – os promotores chamam de ninho, mas eles não usavam esse nome. Quando marcavam encontros, falavam cafofo. Era lá que aconteciam as negociações.

Istoé – A propina era paga em dinheiro vivo?
Vanessa –
 Não sei se era toda assim. Mas o Luís chegava em casa com mochilas cheias de dinheiro. Quando os blocos de dinheiro chegavam desorganizados, nós sentávamos no tapete de casa, espalhávamos aquela dinheirama e separávamos em pacotinhos iguais para os quatro do esquema.

Istoé – O esquema funcionou durante todo o tempo em que eles trabalharam na prefeitura, com todos os prefeitos?
Vanessa – 
Eles operavam na gestão Kassab. Teve uma ou outra coisa no governo Haddad, mas fiquei sabendo por um despachante que só tinha uma pessoa operando nesse atual governo.

Istoé – Eles mostravam algum medo de serem descobertos?
Vanessa –
 Eles nunca achavam que iam ser pegos ou que ia dar alguma coisa errada. Eles não tinham limites para roubar e nem medo de serem presos. Eu sempre perguntava qual era o limite. O Luís falava que tinha filhos e que precisava montar um patrimônio para eles. O único medo dele é de macumba. O negócio dele era dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. Quanto ao risco de ser preso, ele sempre dizia que, se um dia o esquema ruísse, ele seria o primeiro a entregar todo mundo. Ele não ia poupar ninguém. Ia ser o primeiro a se oferecer para a delação premiada.

Istoé – Como ele investia o dinheiro?
Vanessa –
 Imóveis. Só em Angra ele tem cinco flats. Em Araraquara, ele tem uma casa com uma adega para 400 vinhos e uma charutaria climatizada no centro da casa. Tudo registrado na empresa da ex-mulher, Ana Luzia Passos.

Istoé – Ele contou se operava só com os grandes empreendimentos?
Vanessa – 
Corriam processos maiores e outros menores. Nem sempre os grandes negócios caíram nas mãos dele. Teve uma época que a turma tirou ele do esquema das grandes operações e aí cada um agia por conta própria. Existiam vários grupos atuando dentro da prefeitura.

Istoé – Ele achacava muita gente?
Vanessa – 
Ele era baixo. Certa vez, ele chegou numa obra para fazer uma vistoria, o empreendedor estava sem dinheiro para pagar o achaque e ele levou uma televisão do cara.

Istoé – Ele chegou a trabalhar diretamente com o prefeito?
Vanessa – 
O esquema colocou o Luís Alexandre no gabinete para ele dar uma maneirada, acalmar um pouco. Ele operava de uma forma muito agressiva, era louco.

Istoé – Por que você decidiu denunciar tudo?
Vanessa – 
Quando a polícia e o Conselho Tutelar entraram na minha casa com um mandado para buscar meus filhos, alegando que eu era louca e não tinha condições de cuidar das crianças, peguei o telefone e liguei para todo o grupo e disse a eles que iria detonar o esquema. Falei para o Ronilson, o Barcelos e o Lallo: ‘Vou f… todo mundo’.

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Istoé – Como eles reagiram?
Vanessa – Ficaram apavorados. O Barcelos disse: ‘Agora a briga é nossa. Nós compramos essa briga para você. Fica calma’. Na verdade, eles queriam pôr panos quentes e pediam para eu segurar um pouco. Mas eu não segurei.

Istoé – E então o que fez?
Vanessa – No início de setembro liguei para a Controladoria-Geral do Município e falei com o corregedor Spinelli. Os meninos da prefeitura e o promotor vieram ao meu encontro aqui em Valinhos e entreguei para eles 150 páginas de documentos e vídeos que comprovavam a corrupção. A partir daí fiz jogo duplo.

Istoé – Como assim?
Vanessa – Eu não sabia, mas quando eu liguei para o Ronilson e o Lalo na noite em que a polícia levou os meus filhos e disse que iria revelar tudo, eu já estava grampeada pela Federal. Depois que soube disso continuei a negociar com o grupo, sem que eles desconfiassem que a polícia estava gravando tudo. Nessas conversas ficou comprovado que eu não queria dinheiro, mas meus filhos de volta. Nas tratativas, eles falam até em “comprar meu bebê de mim”. Servi como uma cola superbonder que uniu todas as peças da investigação.

Istoé – O que tinha nesse material que você entregou para o promotor?
Vanessa – Está sob segredo. Não posso dizer para não atrapalhar as investigações, mas eram documentos que comprovavam minhas denúncias. Havia também gravações que mostram como funcionava o esquema.

Istoé – Em algum momento você ficou com medo?
Vanessa – Ainda tenho muito medo. Mas o maior problema foi naqueles dias de silêncio que tive de aguentar. Ligava para o MP, para a CGM, enfim, queria pôr a boca no mundo para tentar trazer meus filhos de volta. Isso foi em setembro e os investigadores me pediram até o fim de novembro para estourar o esquema. Foi uma aflição ficar tanto tempo em silêncio.

Istoé – Quando você soube das prisões?
Vanessa – Assim que a polícia começou a executar os mandados de busca e apreensão. Eram seis horas da manhã do dia 30 de outubro.
Eu gritava dentro do carro como se fosse um gol.

Istoé – Se o Luís Alexandre tivesse feito o acordo para pagar a pensão você teria denunciado o esquema?
Vanessa – Não. Se ele tivesse me deixado quieta com meu filho, dado a pensão correta, ficaria quieta. O Luís não aceitou minhas condições, mesmo depois que seus amigos o advertiram.

Istoé – Quais eram as suas exigências?
Vanessa – O filho, a pensão, o cachorro Thor, um sharpei que amo, e minha máquina fotográfica profissional.

Istoé – Quais serão os próximos passos?
Vanessa – Tudo que eu quero são meus filhos de volta. Esse processo precisa ser revisto urgentemente. Foi tudo uma grande armação. Depois de uma briga nossa pelo telefone, eu surtei de raiva dele e quebrei uns jarros e algumas peças da prateleira. Com isso, ele entrou com um processo na Justiça, alegando que eu sou louca e perdi a guarda das crianças. Tenho certeza que meu marido armou tudo isso. Pior. Ele foi preso e nosso filho ficou com a babá.

Istoé – Como você está vivendo?
Vanessa – Trabalho como gerente de uma loja, moro em um apartamento de 50 metros quadrados e tenho o mesmo carro, uma Tucson.

Istoé – É verdade que o apelido do Luís Alexandre é “louco”?
Vanessa – Louco e camicase. Na verdade, deveria ser burro. Perder R$ 15 milhões por causa de uma pensão de R$ 3 mil, um cachorro de estimação e uma máquina de fotografia, não é loucura. Aí já é burrice.

 

O mensalinho mineiro matou a modelo Cristiana Ferreira?

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No dia 20 de julho o Contexto Livre indagava:

E quando vai ser julgado o mensalão tucano

(…) rebatizado pela grande imprensa de “mensalão mineiro”, que é bem mais antigo e vem se arrastando desde 1998?
O “mensalão tucano” foi simplesmente escondido pela mídia reunida no Instituto Millenium, que não quer nem ouvir falar no assunto. Quem quiser saber a quantas anda o processo que dormita no Supremo Tribunal Federal precisa acessar aquilo que o tucano José Serra chama de “blogs sujos”.
Sob o título “Mensalão tucano e silêncio da mídia”, o blog de Altamiro Borges tratou do asunto:
“Finalmente o Supremo Tribunal Federal decidiu incluir na pauta o debate sobre o “mensalão tucano”, o esquema utilizado patra alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o “mensalão mineiro” também será julgado em breve (…) a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em mensalão tucano”.
Quer dizer, 14 anos depois, o STF decidiu colocar na pauta e vai começar a debater o “mensalão tucano”. Nem se pensa ainda em marcar uma data para o julgamento, ao contrário do que aconteceu com o “mensalão do PT”, que virou um caso de vida ou morte para a mídia e precisa porque precisa ser julgado – e todo mundo condenado – antes das eleições de outubro. Altamiro explica:
“O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF, em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi “a origem e o laboratório” do mensalão do PT. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso “valerioduto” para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas”.
Muitos anos antes, em 2 de outubro de 2007, meu velho amigo Carlos Brickmann, jornalista dos bons que pode ser acusado de tudo, menos de ser petista, já tinha tocado no mesmo assunto em sua coluna “Circo da Notícia”, publicada no Observatório da Imprensa. Sob o título “Quando a polícia abre o baú da imprensa”, Brickmann escreveu:
“Que o mensalão começou em Minas Gerais, até os fios de cabelo de Marcos Valério sabiam. A primeira investida do esquema beneficiou o governador tucano Eduardo Azeredo, candidato à reeleição (perdeu para Itamar Franco). A imprensa até que deu a notícia, embora discretamente. E esqueceu o assunto”.
(…) “Pois é: há asuntos que entram na moda, há assuntos que não há força humana capaz de colocá-los na mídia. Tudo bem, vai ver que o mundo é assim. Mas precisava transformar o mensalão tucano, na imprensa, em mensalão mineiro?”
O Blog do Mello resgatou trecho de uma entrevista com Eduardo Azeredo publicada pela “Folha” em 2007 na qual podem estar os motivos para esta preferência da mídia tratar furiosamente do  “mensalão do PT” e deixar de lado o chamado “mensalão mineiro”:
Folha – A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha…
Eduardo Azeredo – Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era só minha, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.
Folha – O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
Azeredo – Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.
Fundador do PSDB e presidente do partido quando o escândalo estourou, Eduardo Azeredo conseguiu desta forma o apoio irrestrito dos tucanos de bico grande que cuidaram de tirar o assunto da mídia.
A acusação central de que o PT usou dinheiro público para comprar o voto de parlamentares no Congresso foi derrubada pelo Tribunal de Contas da União, como informou Marta Salomon, em nota publicada no portal Estadão.com:
“O Tribunal de Contas da União considerou regular o contrato milionário da empresa de publicidade DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, com o Banco do Brasil. O contrato é uma das bases da acusação da Procuradoria-Geral da República contra o empresário mineiro no julgamento do mensalão, marcado para agosto”. Mais adiante, a matéria lembra:
“De acordo com a Procuradoria-Geral da República, contratos das agências de publicidade de Marcos Valério com os orgãos públicos e estatais serviam de garantia e fonte de recursos para financiar o esquema de pagamentos a políticos aliados do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Se e quando o STF finalmente marcar o julgamento do “mensalão tucano”, vamos ver o que Eduardo Azeredo terá a dizer e se a imprensa vai lembrar do que ele falou nesta entrevista de 2007.
Podem até querer esquecer esta história, mas o Google lembra. Está tudo lá. Escreveu
A pergunta continua sem resposta:

E quando vai ser julgado o mensalão tucano?

Vai ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, depois do julgamento da Chacina de Unaí, também envolvendo tucanos.

O julgamento do Mensalão tucano, também chamado de mensalinho, tag que uso para lembrar o decidido pela imprensa marrom e o STF. Repetindo: o caixa dois da campanha eleitoral do PT é Mensalão (para o STF foi para comprar votos de deputados na Câmara Federal); do PSDB, mensalinho.

Por falar em compra de votos no Congresso, a maior escândalo que se conhece foi a da mudança da Constituição, para criar a reeleição do presidente da República, que terminou sendo uma lei para também reeleger prefeitos e governadores. Isto é, veja, para reeleger Fernando Henrique na época.

Acontece que o mensalinho tucano também tem dinheiro manchado de sangue.  Veja o vídeo  (leia os comentários)

Vários versões foram divulgadas sobre o assassinato da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000.

Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais, (Cemig), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”.

Carlos Eloy, ex-presidente da Cemig entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.

MARES GUIA, AMANTE DA MODELO

Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristina, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Leia mais, conheça os nomes do executivo, do judiciário e do legislativa que aparecem na lista.

QUEM MATOU A MUSA DO MENSALINHO? 

Para desvendar o mistério é preciso saber o que motivou o crime:

1. Queima de arquivo

2. Ciúme de alguma esposa de importante figuraço da política mineira

3. Latrocínio

4. Crime passional

5. Punição por desviar 1 milhão e 800 mil reais

Não entendo muito dos namoros de hoje, mas garota de programa não tem namorado ou noivo. Tem cafetão. Clique para ler os comentários.

Morreu com 1 milhão e 800 mil reais na bolsa. Dinheiro que pegou sumiço.

Existe também a versão que era, também, agenciadora de adolescentes da sociedade mineira para a nata do poder.

Tem garota que o pai é uma fera. E nunca vi campanha política sem sexo. Legiões de moças bonitas são contratadas para trabalhar nos comitês, sempre inaugurados com rega-bofes, e outras bocas, inclusive de urma.

No mais, muita agente esquece que Marcos Valério era apenas um laranja. Herdou as duas agências que articularam o Mensalão e o mensalinho. Uma das agências era de um sobrinho de José de Alencar. Outra do vice-governador de Minas Gerais.

Agências secretas existem em quase todos os estados, para receber a publicidade dos governos estaduais e prefeituras. Acontece o mesmo com os meios de comunicação de massa. Os marqueteiros políticos também possuem agências com nomes desconhecidos no mercado publicitário. São agências motéis que mudam de nome em cada campanha eleitoral. As prostitutas nunca dão o nome verdadeiro.

Nas listas de uma campanha, várias pessoas citadas jamais receberam dinheiro. A rubrica indica que foi pago o aluguel de um avião, a hospedagem em um cinco estrelas, o cachê de uma acompanhante…

Acontece assim nos casos de morte encomendada: Ao pistoleiro entregam uma foto: ‘O cara é este’.

Para a pistoleira: ‘Taí o retrato. Se você dormir com o homem tem um  bônus. Ele tem que acreditar que é amor a primeira vista’.

Jornalista Ricardo Antunes preso. Policarpo Júnior, diretor da Veja, solto

Andressa Alves Mendonça de Moraes, mulher de Cachoeira, foi indiciada por corrupção ativa pela Polícia Federal por ter tentado chantagear o juiz Alderico Rocha Santos.

A notícia foi publicada no Globo no domingo e no portal G1, também da Globo, que protegeram tanto Veja, como Policarpo, assim como a Folha já havia feito no sábado.

“Segundo relato de Rocha Santos na época, Andressa esteve em sua sala e disse que havia um dossiê contra ele, envolvendo as pessoas cujos nomes foram escritos no pedaço de papel que ela entregou ao magistrado. De acordo com ofício enviado pelo juiz ao MPF, a tentativa de constrangimento tinha como objetivo ‘obter decisão revogando a prisão preventiva e absolvição’ de Carlinhos Cachoeira. Em troca, o suposto dossiê não seria divulgado pela imprensa”, diz a reportagem.

Ao sugerir a publicação do dossiê, Andressa não falou de forma genérica na imprensa. Ela foi específica. Disse com todas as letras que o jornalista Policarpo Júnior era “empregado de Cachoeira” e que as denúncias contra o juiz seriam publicadas na revista Veja – e não em outro veículo. Portanto, se Andressa está indiciada, não há razões para que Policarpo não o seja. Até para que possa se explicar.

Ninguém defende Ricardo Antunes, preso pela polícia do governador Eduardo Campos por tentar “vender” uma noticia de um milhão de dólares (?) ao bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda.

Extorsão, chantagem, censura, transformação da imprensa em balcão de negócios, assédio judicial, stalking da polícia e jornalismo marrom podem ser ou não ser crimes. Tudo depende das pessoas envolvidas. Ricardo Antunes é pobre. Um simples blogueiro. Preso permanece, incomunicável.

Catástrofe política ou natural? Chuva no Brasil é tragédia anunciada. A virgindade de Sandy

Chuva nas médias e grandes cidades alaga ruas, dissolve casas alka seltzer, derruba morros, soterra e afoga a plebe rude que prefere a aventura do esporte radical de morar em áreas de risco.

Não é o caos no trânsito provocado pelas greves de professores  que reivindicam o privilégio de receber um salário igual ao de uma empregada doméstica ou de um soldado de polícia de Brasília.

Depois da contagem dos mortos, os costumeiros pedidos de verbas dos governadores. Dinheiro para o enriquecimento rápido dos Noés de cada dilúvio, cujas arcas navegam  águas tranquilas para ancorar nas ilhas fiscais.

Lastimam, os aproveitadores da chuva sem “medida”, o Brasil ser pobre de ciclone, de terremoto, de maremoto. Um vulcão no Rio seria bom para o turismo. Renderia mais que uma copa do mundo, uma olimpíada. O ruim é que o governo não precisava gastar nenhum tostão em superfaturados Coliseus.

Brasil tem mulher furacão. A última foi Denise Rocha.

Originalmente, eram dados aos furacões nomes de santos que foram homenageados no dia em que cada desastre ocorreu. Por exemplo, o furacão Santa Ana de 1825 se formou em 26 de julho, o dia dedicado à santa.

A partir de 1953 , os nomes de furacões são do sexo feminino.  O primeiro de uma  “menina” chamada Maria, heroína do romance  “A Tempestade” (1941) de George Rippey Stewart.

As feministas, em 1979, protestaram. Que os nomes fossem alternados. Sandy – que devastou a cidade símbolo do capitalismo, a desvirginada Nova Iorque – foi o último mundialmente conhecido. Que o próximo seja macho. E todos os nomes masculinos denunciem os  genocidas, ditadores, governantes corruptos e banqueiros que provocaram a atual crise global.

La tormenta tropical Sandy.
¿Catástrofe natural o política?
Diez días después de la tormenta Sandy, más de 730.000 personas seguían sin electricidad en los estados de Nueva York y en Nueva Jersey, y casi 150.000 en la ciudad de Nueva York. Cerca de 50.000 personas se encuentran desalojadas; cientos de miles esperan en el frío para conseguir algo de agua, comida y gasolina de los repartos. Millones de personas se apelotonan dentro de los escasos medios de transporte públicos que están operativos, al tiempo que los ánimos se van enardeciendo; los viajeros se pegan codazos y empujones para poder llegar al trabajo, al colegio o para cumplir con sus obligaciones diarias.

Militarismo en el extranjero y decadencia en casa

Cada año, el gobierno de Estados Unidos gasta más de 800.000 millones de dólares en armas, bases militares en el extranjero (más de 700), carreteras militares, autopistas, puentes, y transporte de tropas; aunque no lo haga público, gasta miles de millones en la financiación de guerras indirectas, mercenarios privados, operaciones de las Fuerzas Especiales, y regímenes marioneta en los cuatro continentes. Los sistemas federal, estatal, y municipal gastan miles de millones en “Seguridad Nacional” y en sus filiales locales destinadas a espiar a 40 millones de ciudadanos estadounidenses, a perseguir a ciudadanos y vecinos musulmanes y a detener, deportar y abrir expedientes a millones de inmigrantes latinoamericanos y asiáticos.

Cuando se trata de movilizar a la flota naval por el Golfo Pérsico para intimidar a Irán, o de suministrar las más modernas armas a Israel, el Pentágono se “compromete con la causa” ipso facto; pero cuando se trata de evacuar a miles de estadounidenses mayores, discapacitados y vulnerables, atrapados en sus apartamentos dentro de altas torres de pisos, sin luz ni calefacción, no se ve a los Marines por ningún lado.

Obviamente, el imperio es “eficiente” en el extranjero, y la seguridad nacional deja mucho que desear en casa.

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