Ordem desunida por regalias quebra a hierarquia e a disciplina nas forças armadas

Mulheres de oficiais foram ao front em ofensiva salarial. Que bom. Que sejam discutidas as pensões, herdadas por filhas.

Veja esta: Pensão militar para neta adotada como filha do ex-presidente Médici

(30.06.11)
O STJ considerou o ato “válido e eficaz”. O TRF da 2ª Região tinha entendido que “a finalidade da adoção é a de prestar assistência, não podendo ser usada como manobra para burlar lei previdenciária”.

A 5ª Turma do STJ considerou legal a pensão paga pela União a Cláudia Candal Médici, neta de Emílio Garrastazu Médici – ex-presidente do Brasil entre 1969 e 1974. Cláudia foi adotada como filha pelo general e por sua esposa, Scylla Gaffrée Nogueira Médici, em 1984.

Médici morreu no ano seguinte e Cláudia, na condição de filha adotiva, passou a receber a pensão.

Vários absurdos idênticos acontecem. De 2008 destaco esta crítica sobre megapensões para esposa e filhas. As pensões como herança das filhas, como acontecia na monarquia com os de sangue azul.

Quantos bilhões o Brasil desperdiça com pagamento de pensões que serão pagas até perto do final deste século?

Na Revista Piauí, ed. 29, reportagem sobre a filha do general Mourão Filho, que deflagrou o golpe de 64:

Laurita leva uma vida de rica, mas não tem propriedades ou herança. Sua maior extravagância são as férias em Punta, durante as quais ela desembolsa 12 mil dólares de aluguel pela temporada. O ex-marido rico faliu e o general Mourão, segundo disse, “morreu pobre como as ratas: deixou sua dentadura, um relógio carrilhão e a aposentadoria”.

Como filha de general, Laurita recebe uma pensão mensal de 24 mil reais. Por ter trabalhado no Itamaraty, ganha uma aposentadoria de 2 700 reais, quantia que ela considera injusta. Essa pensão já aumentou. A rev Piauí está na ed. mensal 69.

Os clubes militares não tocam nestas regalias de casta, preferem exclusivamente defender a anistia: o perdão para qualquer tipo de crime cometido durante a ditadura militar. Parece que a última barbaridade foi o caso Herzog, em 1975. Quem entrou nas forças armadas nestes 36 anos não tem nenhuma mácula. E mesmo antes, o povo sabe, que a grande maioria das forças armadas sempre teve as mãos limpas.  Portanto, “as forças armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública”.