Alvarás da Prefeitura de Santa Maria e dos bombeiros abanaram o fogo da boite Kiss

Kiss tragédia incêndio Alfredo Martirena

O incêndio na boate Kiss matou 242 pessoas e feriu 116. Ninguém está preso. E vai terminar sobrando para algum músico liso e sem poder político.

Se, se condenados os gananciosos donos da boite da morte vão pegar, no máximo, dois anos de cadeia.

E Alckmin e Sérgio Cabral querem “prisão perpétua” para os participantes de passeatas de protestos, irregularmente presos pelos soldados estaduais. 

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Comedores de moedas assassinaram 241 pessoas nas câmaras de gás da boite Kiss

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A Polícia Civil entregou o inquérito no Setor de Distribuição do Fórum. Em seguida foi apresentado, em coletiva de imprensa, um resumo do relatório das investigações, na Universidade Federal de Santa Maria. O chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Junior, estava presente. Foram citados 35 nomes, destes, 16 foram indiciados. Os outros, tiveram apenas indicação de responsabilidade, e cabe ao Ministério Público definir se serão indiciados. “Não investigamos pessoas, investigamos os fatos, e os fatos levam a responsabilizações”, afirmou o delegado regional da Polícia Civil, Marcelo Arigony. O ex-sócio da boate foi indiciado por fraude processual.

Marcelo dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, foi indiciado por homicídio doloso – dolo eventual qualificado, assim como o produtor, Luciano Bonilha Leão. Elissandro Spohr e Mauro Hoffman, proprietários da boate, também foram indiciados por homicídio doloso – dolo eventual qualificado. A irmã de Elissandro, Ângela Callegaro, a mãe, Marlene Callegaro, que eram proprietárias, e o cunhado, Ricardo Pasche, gerente da boate, foram indiciados pelo mesmo motivo.

Bombeiros: Gilson Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho, responsáveis pelas vistorias na boate, por homicídio com dolo eventual. O Major Gerson Pereira, dos Bombeiros foi indiciado por fraude processual, assim como Renan Severo Berleze, sargento dos Bombeiros. Nove membros do Corpo de Bombeiros foram indicados para a Justiça Militar e podem responder por homicídio culposo, entre eles o Comanante Moisés Fuchs.

Prefeitura: O prefeito Cezar Schirmer foi indicado por improbidade administrativa, que não é crime, e apontado por indícios de prática de homicídio culposo, para a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que deve apurar a responsabilidade criminal do prefeito. O secretário de Controle e Mobilidade Urbana, Miguel Passini, por homicídio culposo. O secretário de Proteção Ambiental, Luiz Carvalho Junior, também foi indiciado, assim como Marcus Biermann, que emitiu o alvará de localização da boate indiciado por homicídio culposo.

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MP diz ter elementos para denunciar suspeitos da Kiss por homicídio doloso

O promotor de justiça Joel Dutra disse ontem que deverá acompanhar a tese da polícia e aceitar o indiciamento por homicídio qualificado com dolo eventual. Com a entrega do inquérito policial, o MP começa o processo criminal e terá um prazo inicial de cinco dias para apresentar denúncia a Justiça.

Em outro processo, o MP investiga possível improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Aberto no dia 30, o processo quer apurar à expedição de alvarás e a legislação, tanto de bombeiros quanto da prefeitura. A responsabilidade deste caso é do promotor Cesar Augusto Pivetta Carlan.

Explicando o dolo – segundo Dutra, o dolo (intenção de matar) fica evidenciado, pois os donos da Kiss assumiram o risco de matar ao desprezarem as questões de prevenção de incêndio. Já os músicos, eles assumiram o risco quando ignoraram a advertência de que os artefatos usados no show pirotécnico não poderiam ser utilizados em ambiente fechado. O fato qualificador seria a morte por meio cruel, no caso por asfixia.

Em um mês de investigação a Polícia Civil de Santa Maria acredita já ter formulado o panorama geral da tragédia que vitimou 239 pessoas. Restam poucas dúvidas sobre as causas e responsabilidades do incêndio na boate Kiss.

O inquérito policial, que deve ser entregue a Justiça até a próxima segunda-feira, apontará como responsáveis diretos pelo incêndio os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Augusto Bonilha Leão. E os sócios da casa noturna, Elissandro Spohr e Mauro Hoffman. Os quatros estão detidos provisoriamente em Santa Maria e deverão ser ouvidos novamente ainda esta semana. A polícia ainda não confirmou, mas outras pessoas ligadas à administração da boate podem ser indiciadas. O principal crime apontado será o de homicídio qualificado com dolo eventual.

Agentes públicos, como fiscais e bombeiros responsáveis pela autorização do funcionamento da boate, além de outras implicações (como o caso da empresa Hidramix, que prestou serviços para a Kiss), devem continuar a serem investigados pela polícia. E eventuais indiciamentos poderão ocorrer num momento seguinte. “Não é uma divisão do trabalho, mas como estamos numa investigação complexa é natural que não concluiremos todos os pontos em 30 dias”, diz o delgado Marcelo Arigony.

Inquérito com quatro mil páginas – a 1ª Delegacia de Polícia centraliza as investigações do caso Kiss. Nesse ultimo mês, foram ouvidas mais de 400 depoimentos. Uma média de 20 por dia. E o inquérito final deve ter mais de quatro mil páginas. Para a conclusão até o final de semana, a polícia ainda analisará os resultados de laudos do Instituo Geral de Perícias (IGP). Dois delegados, Marcelo Arigony e Sandro Meinerz, estiveram em Porto Alegre para receber estes resultados. A Polícia também aguarda relatório da Secretaria estadual da Saúde para contabilizar o número de atendimentos em todo o estado de frequentadores da boate Kiss. Com esse número, e cruzando com os testemunho de pessoas que não precisaram de atendimento medico, a polícia pretende chegar o mais próximo possível do número de clientes que estiveram na Kiss. Há uma estimativa de que essa quantidade possa ser superior a mil pessoas.

Ontem foram encerrados os depoimentos de fiscais da Prefeitura Municipal. 26 nomes foram ouvidos. E de bombeiros. Já os sobreviventes devem continuar a depor, inclusive depois da entrega do inquérito. “É um trabalho conjunto, os depoimentos não irão ser interrompidos, conseguimos dividir o trabalho para que possamos entregar o inquérito e continuar as oitivas”, disse o delegado Sandro.

Cinco delegados trabalham diretamente no caso. O delegado regional Marcelo Arigony, que coordena o caso, e os delegados Sandro Meinerz, Gabriel Zanella, Marcos Vianna e a delegada Luiza Souza. Além de mais 20 outros policiais.

Ontem o defensor de Mauro Hoffman, Mário Cipriani voltou a pedir ao Superior Tribunal de Justiça a soltura de seu cliente. (A Razão, jornal de Santa Maria)

Oito feridos continuam hospitalizados

Os corpos amontados no banheiro da boiate Kiss
Os corpos amontados no banheiro da boiate Kiss