Crise institucional por Miriam Leitão

mesme fora cunha

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A Velha Senhora sempre foi mensageira de notícias ruins. Diz que a crise piorou nos últimos dias.  Lá na Europa. Ela se desdobra em ramificações que se cruzam, elevando o grau de tensão nos países satélites.

A Velha Senhora, quando fala do Brasil, acredita que a presidente da República vai se transformando em uma figura simbólica, sem qualquer capacidade de comandar a agenda.

Miriam Leitão, para enganar o povo bobo da Globo, confunde administração pública com registro de compromissos e pauta jornalística. Diz que os poderes se acusam. Isto é, confunde ações isoladas de Eduardo Cunha com votações do Congresso. E inventa brigas: do Supremo Tribunal Federal com a Câmara dos Deputados e Senado Federal, que brigam com a Presidência da República.

Acredita Miriam ser a reencarnação de Cassandra. E faz suas previsões: A economia se afunda em recessão, inflação alta e dívida crescente. Dívida que Miriam jamais pediria que fosse auditada.

Porque suas previsões de destruição são desacreditadas, Cassandra da direita apela para os economistas que aparecem nos programas dos telejornais da Globo. Garante Miriam que eles estão revendo para 2% a 2,5% o encolhimento do PIB de 2015.

Quando a Miriam fala, a gente nota que o silêncio lhe cai bem. Quando nada diz, pode-se ter esperança de que ela esteja entendendo o grau de confusão que cria para agradar os patrões. Ao falar, Miriam confunde confissões extraídas sob tortura na ditadura com delações previstas em lei, feitas por criminosos à Justiça, em pleno Estado de Direito. Nas reuniões de pauta, que faz para as redações do monopólio da família Marinho, Miriam mistura governo com partido.

Miriam acredita em pesquisa de opinião. Nunca perguntou quem paga. Crente, jura que existe uma crise política derivada da perda de apoio popular à presidente. Pela lógica do modelo do presidencialismo de coalizão, a desaprovação dos eleitores acaba desidratando a força política do chefe do executivo. Nos ciclos do modelo brasileiro, o poder atrai, a perda do poder afugenta. E discursa Miriam que Dilma perdeu o apoio dos bolsa-família, do MST, dos sem teto, dos movimentos sociais.

De Miriam a crença de que os políticos da base governista se afastam do chefe do executivo quando ele perde aprovação popular. Momentos assim exigem da Presidência grande habilidade para comandar a agenda política e voltar a ser um polo de atração dos políticos mercenários. Esse atributo parece não ser o forte da atual presidente. Esquece que Dilma conseguiu conquistar a maioria dos eleitores, e derrotar Aécio Neves, candidato dos patrões de Miriam, e de outros barões da mídia.

Há uma crise política (?) por uma situação peculiar do momento, em que os comandantes das duas Casas do Congresso estão sob investigação e sendo citados como beneficiários de propina. A reação deles é acusar o Executivo de estar por trás das ações da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça. Por elementar, se pode afastar essa visão persecutória. Se tivesse capacidade de manipular o órgão policial e as instituições do Ministério Público e Justiça, o governo o faria em seu próprio benefício. Não tem conseguido no MP nem na Justiça de primeira instância. Isso prova quanto a polícia, o MP, a Justiça atuam livres. Coisa de um governo democrático.

Sid
Sid

A reação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é uma tentativa de se desvincular de um escândalo que o pega de frente. Na sua declaração se vê a tentativa inútil de camuflar algo que está visível. “Essa lama, eu não vou aceitar estar junto dela.” Cunha rompeu com o governo, mas não pode se separar da Operação Lava-Jato, a menos que se prove que a acusação feita pelo delator Júlio Camargo, de que deu a ele US$ 5 milhões, não é verdadeira.

Miriam acreditava que Cunha era governista, eleito que foi presidente da Câmara com os votos da extrema-direita (Bolsonaro e bancada da bala e pastores fundamentalistas), da direita, do DEM, do PSDB, do pelego Paulinho da Força, um Central de Trabalhadores que apóia a terceirização.

Cazo
Cazo

Miriam profetiza o reinado de um primeiro-ministro, um parlamento comandado por um César. Miriam não escuta as vozes dos congressistas que se rebelam contra a ditadura de Cunha. Cega pela ódio não vê que Cunha perde apoio em todos os partidos.

debanda

Argumenta Miriam: Esse ambiente indica que o segundo semestre será pior do que o primeiro na política. Cunha tem grande poder sobre a pauta do Congresso, como se viu, e sabe exercê-lo. O governo é inoperante e inábil. Isso faz com que qualquer proposta que vá para o legislativo, mesmo que seja excelente do ponto de vista fiscal, pode se transformar em um projeto bomba. Eles fizeram isso no primeiro semestre, ao pendurar sobre uma MP que reduzia o custo com as viúvas jovens o projeto mais desestabilizador das contas previdenciárias.

votação camara cunha

Cassandra continua com suas costumeiras lamentações: Na economia, as perspectivas pioraram nos últimos dias. Esta semana, foram vários os especialistas de bancos e de consultorias que revisaram para pior as projeções da recessão. Economistas (eleitores de Dilma ou de Aécio?) como Marcelo Carvalho, do BNP Paribas; Silvia Matos, do Ibre/FGV; ou Luiz Carlos Prado, da UFRJ, não tiveram dúvidas em dizer que houve uma piora no quadro econômico recente. Silvia disse que a Fundação tem colhido uma deterioração cada vez maior nas sondagens de confiança dos setores empresariais e dos consumidores. Marcelo Carvalho disse que o país vai viver a pior recessão em uma geração. A última queda do PIB significativa foi a de 1990, do governo Collor. Para Miriam o PIB bom, e gostoso, o de Fernando Henrique. Não existe outro igual.

Essa mistura é explosiva: uma crise econômica com desemprego, inflação, recessão e piora fiscal; uma crise política que desfaz a coalizão de governo; um processo de investigação criminal que avança sobre algumas das principais lideranças do país. Não pelo que Cunha falou ontem, mas por tudo o que aconteceu este ano, já se pode dizer que o país não está apenas com dificuldades na governabilidade. O país está entrando numa crise institucional. Para acabar com essa guerra, Dilma tem que mandar parar qualquer investigação que envolva o presidente da Camara e do Senado. Imitar FHC que nunca mandou investigar coisa nenhuma. Inclusive deu uma de Mateus, criou o foro especial, a justiça secreta. Leia a versão original deste artigueto pessimista. 

Samuca
Samuca

“Você, que tem fama de esquerdista”: o estranho caso da jornalista sueca na GloboNews

por Kiko Nogueira

Lotten Collin
Lotten Collin

A jornalista Lotten Collin está há dois anos no Rio de Janeiro. Trabalha como correspondente da rádio pública da Suécia.

Após as manifestações de 15 de março, Lotten foi convidada a participar de um programa da GloboNews com dois colegas estrangeiros. Eles dariam suas impressões sobre o evento.

Ali se deu um fato inusitado. A certa altura, a apresentadora Leila Sterenberg embutiu uma observação no início de uma questão para Lotten: “Você, que tem fama de esquerdista…”.

Pega no contrapé, Lotten passou batido e contou o que viu no domingo, especialmente seu choque com as pessoas que pediam intervenção militar e a quantidade de brancos.

Findo o programa, porém, um produtor ainda a saudaria, cheio de confiança: “Olha a nossa comunista”.

Parte dessa conversa está no site da Globo News (com um banner dos Correios, aliás). A íntegra com a provocação — chamemos assim — é só para assinantes.

Lotten relatou essa experiência em seu boletim, intitulado “Uma comunista na TV brasileira”. Nele, apontou a onipresença, em seu cotidiano carioca, das opiniões de Merval Pereira, Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão.

Eu conversei com ela sobre a sutil enquadrada e seu choque cultural:

Eu achei muito ruim. Ela me falou, do nada, que eu tinha fama de esquerdista. Não acho certo me dar essa marca. Os outros dois convidados não tiveram esse tratamento. ‘Vocês, que são conhecidos por ser de direita…’

Por que eu?

Fiquei tão surpresa que nem pensei em responder na hora. Aquilo foi colocado junto com a pergunta sobre a manifestação. Depois da gravação, um produtor ainda me falou: “E aqui temos nossa comunista…”.

Recebi muitas mensagens sobre o episódio. A maioria me dando apoio, mas muitos afirmando que eu deveria ir embora. Houve quem no Facebook afirmasse que eu fui cortada quando ela chamou os comerciais. Isso, na minha opinião, não aconteceu.

Eu sou jornalista, não sou partidária, não sou pró-PT. Por que me caracterizar assim?

Não entendi muito as felicitações pela minha coragem. Eu estava tentando apenas fazer o meu trabalho.

No meu texto para a rádio, contei do poder da Globo: ‘Quando acordo pela manhã no Brasil, eu quero ouvir e ver fatos e perspectivas que possam retratar a diversidade do país. Só que, aqui, aparecem sempre as mesmas pessoas. É muito estranho que isso ocorra num país com 200 milhões de habitantes’. E por aí vai.

E pensar que eu fiquei lisonjeada de aparecer na Globo.

Nos anos 70, tornou-se folclórica a maneira como Roberto Marinho teria se referido a alguns de seus funcionários que incomodavam o regime. “Dos meus comunistas, cuido eu”, disse ele a um ministro, segundo a historiografia oficial. Essa passagem aparece em geral para realçar a “hombridade” do doutor Roberto.

A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

Jornalista diz que Élcio Alvares mentiu ao afirmar que não perseguiu Miriam Leitão

A perseguição implacável do governador da ditadura a jornalistas

 

Durante a sessão dessa terça-feira (26) na Assembleia Legislativa o deputado estadual Élcio Álvares (DEM) leu uma nota tentando esclarecer as declarações da jornalista Míriam Leitão ao jornal A Gazeta desta terça-feira (26). Em entrevista, Míriam relatou que Élcio fez uma perseguição implacável contra os presos políticos.

A jornalista relatou que o Élcio era o governador do Estado depois que ela foi libertada, e que ele exerceu perseguição contra aqueles que haviam sido presos. Míriam afirmou que acabou saindo do Estado porque onde ia trabalhar o governador biónico exigia sua demissão.

O jornalista Rubinho Gomes, que acompanhou os fatos, faz um resgate histórico das relações entre os veículos de comunicação do Estado e os governos durante o período da ditadura militar (entre 1964 e 1985) e afirma que o deputado Élcio Álvares mentiu ao tentar contestar as declarações da jornalista Míriam Leitão.

Acompanhe o artigo de Rubinho Gomes sobre o episódio
 

 Eyad Shtaiwe
Eyad Shtaiwe

 

 

Quem acompanha a política do Espírito Santo desde os anos 1960 sabe muito bem que o deputado estadual Élcio Alvares (DEM) foi suplente de deputado federal na eleição de 1966, a primeira em que recebeu apoio financeiro do empresário João Santos Filho, que poucos anos depois adquiriu do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, o jornal A Tribuna, e contratou o jornalista Plínio Martins Marchini para diretor-geral. Em 1969, Plínio me contratou de O Diário para ser o secretário de redação do jornal, onde trabalhei ao lado de Vinicius Paulo de Seixas, os irmãos Pedro e Paulo Maia, Luis Malta, Cláudio Bueno Rocha (CBR), dentre outros colegas, alguns já falecidos.

O jornal A Gazeta lançou sua versão off-set a cores em 1970, mesmo ano em que Élcio Álvares se elegeu deputado federal mais votado pela Aliança Renovadora Nacional (a famigerada Arena), partido criado para defender a ditadura militar que havia deposto o presidente constitucional Jango Goulart em 1964, sempre com apoio financeiro do grupo industrial João Santos, que tinha como superintendente nacional o Marechal Cordeiro de Farias, um dos ideólogos do golpe militar que colocou o Brasil nas trevas até a eleição indireta de Tancredo Neves/José Sarney em 1985.

Em 1971, Plínio Marchini e Alvino Gatti convencem João Santos Filho a também adquirir maquinário e implantar o sistema de impressão off-set que fazia tanto sucesso no jornal do grupo Lindenberg, suspendendo a publicação de A Tribuna pelo antigo sistema tipográfico por cerca de um ano e meio. Enquanto Plínio foi fazer um curso de Comunicação na Costa Rica, Gatti começou a estruturar uma gráfica, adquirir equipamentos e preparar A Tribuna para concorrer diretamente com A Gazeta. Enquanto isto, o outro jornal de Vitória, O Diário, começava a definhar, uma vez que não tinha o mesmo suporte empresarial.

A Tribuna retornou em outubro de 1973, tendo como editor-chefe o jornalista Paulo Torre e eu fui convidado e assumi novamente a secretaria de redação. O editor de Geral (hoje Cidades nos dois jornais diários capixabas) era o hoje médico psicanalista Paulo Bonates e em cada editoria havia dois copidesques. No caso da Geral de Bonates, as redatoras eram Miriam Leitão e Sandra Medeiros. Com a proximidade da eleição de 1974, quando afinal pela primeira vez o candidato do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), único partido de oposição consentido pelo ditador Garrastazu Médici, que era o ex-pessedista Dirceu Cardoso, derrota fragorosamente o candidatado da Arena, que era o então deputado federal José Carlos da Fonseca.

Foi nesta eleição que o então deputado federal arenista Élcio Alvares mostrou sua face fascista ao invadir a redação de A Tribuna (claro que isto foi consentido pelos diretores de então) para reescrever pessoalmente numa máquina Olivetti a reportagem que o repórter Pedro Maia havia feito em Linhares relatando o fracasso do comício de Fonseca por lá, mesmo ao lado de Álvares, Arthur Gerhardt, Eurico Rezende e outras lideranças da Arena. Élcio mentiu descaradamente dizendo que o comício mesmo debaixo de chuva havia sido um sucesso sem precedentes.

É bom recordar que, na tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, Élcio Alvares tecia loas quase diárias para o regime militar em discursos na Câmara em Brasília, e o ditador cujo governo foi marcado por torturas e assassinatos de adversários do regime o premiou pouco depois. Isto chegou ao ponto de Élcio ter sido relator da instituição da pena de morte no Brasil, dentre outras posturas que até hoje tentam esconder aos capixabas. O fato é que ele acabou escolhido para ser o sucessor do então governador biônico número dois no ES, o engenheiro Arthur Carlos Gerhardt Santos.

Tão logo foi escolhido, com suas íntimas relações com seu financiador político João Santos Filho, Élcio passou a interferir diretamente na redação de A Tribuna. Foi quando ele exigiu da direção do jornal a demissão da jornalista Miriam Leitão (que havia sido presa em 1972) e outros que ele considerava “subversivos”, como o estudante de Medicina Gustavo do Vale, o jornalista Jô Amado, o catarinense Nei Duclós, dentre outros. É bom lembrar que Miriam e Gustavo haviam sido presos naquele grupo acusado de integrar uma célula do PCdoB e que foi vítima de bárbaras torturas no quartel de Vila Velha do 38º Batalhão de Infantaria, fato que acaba de ganhar repercussão nacional, após anos de silêncio.

Miriam foi então para A Gazeta trabalhar com o então editor-chefe Rogério Medeiros, que permaneceu alguns meses no comando da redação que funcionava na Rua General Osório. Depois, Miriam acabou seguindo para Brasília, com o filho Vladimir Netto e o então marido, jornalista Marcelo Netto que, após ser jubilado pela Ufes pelo Decreto Lei 477, foi aprender jornalismo com Medeiros em A Gazeta.

Depois que se tornou governador, Élcio não parou de interferir nas redações. Em A Gazeta, através de seu dileto amigo Eugênio Pacheco de Queiroz, e em A Tribuna através do velho financiador João Santos Filho (com quem passou a viver uma relação difícil, sobretudo depois que Élcio apoiou o grupo Gazeta na escolha da empresa de comunicação que assumiria como afiliada da programação da Rede Globo, em 1975, vencida pelo grupo Gazeta). Isto levou Cariê a contratar de A Tribuna o então superintendente Plínio Marchini que foi ser o diretor comercial da nova emissora de TV. E Paulo Torre foi ser o editor-chefe do jornal A Gazeta. Foi quando eu assumi a direção de A Tribuna, até ser demitido juntamente com meu secretário de redação Luzimar Nogueira Dias, também a pedido de Élcio Álvares.

A gota d’água para nossa saída foi a manchete feita por Luzimar para o cumprimento de uma ordem do então governador do Estado para expulsarem um grupo de posseiros de uma área na Serra conhecida como Concheiras. A foto aberta na primeira página de A Tribuna com a PM derrubando barracos e expulsando homens, mulheres e crianças de suas casas, que foram derrubadas, irritou tanto o governador Élcio Alvares que ele chegou a discursar na Barra do Jucu inaugurando trecho da Rodovia do Sol dizendo que não aceitava “a insinuação malévola da legenda”.

É mais fácil pegar um mentiroso do que um manco. Até porque ele, anos depois, foi demitido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso do Ministério da Defesa por posturas incompatíveis com a moral, a ética e os bons costumes políticos. Da mesma forma que há poucos meses deixou melancolicamente a liderança do governo Casagrande na Assembleia.

Élcio iniciou sua carreira de radialista e teleasta no início dos anos 60 com um programa chamado “Quem Sou EU?”. Demorou, mas agora todo mundo já sabe quem ele é e como se formou seu caráter político.(Século Diário)

O EXÉRCITO AMBICIOSO, TORTURADOR, COM DESPREZO POR SI MESMO, MENTIROSO, NEGANDO OS ASSASSINATOS QUE PRATICOU

por Helio Fernandes

Matteo Bertelli
Matteo Bertelli

Todas as ditaduras torturaram, perseguem, assassinam para se manterem no Poder. Não existe ditadura complacente ou compreensível. Nos 15 anos de Vargas, a crueldade foi terrível, embora Vargas negociasse muito com políticos, empresários e proprietários de jornais, não jornalistas.

Nos 20 anos do golpe que tentou se identificar como Revolução, (desculpem pela letra maiúscula, era o que pretendiam), perseguirem mais, torturarem mais, assassinaram mais. Exageraram na crueldade, no desapreço pela vida, no desinteresse pelo nome do Exercito, que desmoralizaram completamente. Um nome que para eles deveria ser sagrado, reverenciado e consagrado. Mas que estavam impedidos de fazer, viviam com suas mãos e as roupas vermelhas de sangue. Não deles e sim o das vitimas.

Os generais mentirosos

Oficialmente a Comissão da Verdade já exigiu dos comandantes do Exercito, Marinha e Aeronáutica que informassem em que quartéis se passavam fatos que citava. E com provas irrefutáveis. Resposta, repetidas: “Nos quartéis só ocorriam ou aconteciam fatos comuns a um quartel”. Mentira de fazer vergonha.

A prisão, tortura e sevicia humilhante de Miriam Leitão

Ela tinha 19 anos, estudante, ainda nem havia decidido o que fazer da vida, como acontece nessa idade.

Grávida, foi presa, humilhada de todas as maneiras, seviciada, mantida presa nove meses. Como uma jovem de 19 anos, podia ameaçar, intimidar ou assustar o Exercito todo poderoso?

Isso ocorreu em 1972, o auge da tortura, comandada pelo presidente “Medice” (o mais torturador dos generais) e o Ministro do Exercito, Orlando Geisel. Este chefiava todo o “sistema Doi-Codi”, que começou em SP, como Operação Bandeirante”, depois se transformou simplesmente em Oban.

  Gianfranco Uber
Gianfranco Uber

 

PS- Miriam Leitão foi mantida meses nesse sistema de escuridão completa. Isso veio da Grã-Bretanha, adotado pelo Brasil, Argentina, Chile. Das torturas mais cruéis, inimagináveis.

PS2- Também invenção britânica, o habito de jogar os torturados no mar, quase mortos, mas ainda vivos. Esta diferença, importante. Se fossem jogados no mar já mortos, reapareceriam 24 horas depois.

PS3- A Argentina usou largamente o método. O Brasil examinou mas não concretizou. O mesmo fez o Chile.

PS4- Vou continuar. Como dois grandes amigos (um deles ex-ministro de Jango) sofreram esse processo bárbaro, vou contar o que sei (Agora foi um britânico que decapitou um jornalista. Parece que não mas tem tudo a ver).

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Altamiro Borges: Dilma em cadeia nacional driblou monopólio da palavra

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Dilma na TV. PSDB sentiu o baque!

por Altamiro Borges

O PSDB divulgou hoje à tarde uma nota oficial confessando que sentiu o baque com o pronunciamento de Dilma Rousseff em rede nacional de rádio e tevê na noite de quarta-feira. Os tucanos adoram a “liberdade de expressão” dos “calunistas” da mídia. Eles têm orgasmos com as análises “imparciais” de Miriam Leitão, Merval Pereira, Ricardo Noblat e até com os rosnados dos pitbulls da Veja. Mas ficaram indignados com a presidenta, que anunciou à nação a redução das contas de luz e retrucou os “pessimistas” de plantão. A tal “liberdade de expressão” da direita não contempla sequer a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros.

Os tucanos, que minguam a cada eleição, parecem que esqueceram a postura autoritária que adotaram no triste reinado de FHC. Exército acionado para reprimir os grevistas da Petrobras, ações truculentas contra ocupações de terras ociosas, rolo-compressor no Congresso Nacional, submissão do Judiciário e relação promíscua com os barões da mídia. Quem sempre desqualificou os adversários foram os caciques tucanos, que acusaram os que resistiram à privataria das estatais e à retirada de direitos trabalhistas de “dinossauros”. Para usar uma famosa expressão de FHC, os tucanos agora repetem o blablablá dos derrotados.

A reação intempestiva e patética do PSDB ao pronunciamento da presidenta confirma porque a direita teme tanto a regulação democrática da mídia. Ela quer manter o monopólio da palavra nas emissoras de rádio e TV, que são concessões públicas. Ela quer garantir a exclusividade de espaço para os seus porta-vozes na radiodifusão, para os seus “calunistas” amestrados. O PSDB sabe que só sobrevive hoje graças à “turma do contra” da mídia venal. Quando Dilma utilizou um direito constitucional, a direita sentiu o baque!

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Rodrigo Vianna: Globo tem medo da blogosfera

PSDB ataca pronunciamento de Dilma

Mas, o que foi que ela disse que causou tanta reação?

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Dicionário canalha

por Sebastião Nery

Miriam Leitão
Miriam Leitão

SARDENBERG

No “Globo”, o Carlos Alberto Sardenberg, pseudônimo da Miriam Leitão, faz o serviço dos banqueiros : – “No quesito dívida, isso que acontece com a Grécia – não ter dinheiro para pagar seus compromissos externos – já aconteceu com o Brasil, México, Coréia do Sul, Rússia, Argentina. Lembram-se dos pacotes da Era FHC? Eram programas de corte de gastos e aumento de impostos para quê? Fazer caixa para pagar dívida”.

“Lembram-se do início do governo Lula? Aumentou o superávit primário – fez quase o dobro do “neoliberal” FHC – para pagar juros e, assim reduzir o endividamento público. Isso mesmo, segurou gastos com a educação e saúde, para pagar juros. Só por que o mercado exigia”?

 


ROSSI

O mestre Clovis Rossi, na “Folha”, dá uma lição da crise grega:

– “O fato é que a Grécia, sob intervenção européia, só fez regredir nesse ano e meio, qualquer que seja o indicador para o qual se olhe. Cito um, talvez o mais dramático: o número de suicídios nos cinco primeiros meses do ano aumentou 40% na comparação com os cinco primeiros meses de 2010.

Robert Kuttner (“The American Prospect”) explica: -“Papandreou está cansado de ser o agente da destruição econômica de seu próprio país nas mãos dos banqueiros, Está também cansado da impopularidade política que vem com seu papel de corretor da austeridade”.

Kuttner desconfia, além disso, que o premiê resiste a eventual truque da banca para driblar o corte de 50% na dívida grega, decidida pelos europeus há uma semana…Ele está jogando a única carta que tem: se os banqueiros refugarem no alívio da dívida a que se comprometeram em princípio, a Grécia dará o calote. E Papandreou quer que a decisão seja feita pelo povo grego e não pelos burocratas. Do que se pode acusar Papandreou é de não ter tomado decisão parecida antes”.

“Tudo indica que ele se deixou levar pela infernal gritaria dos mercados de que, se a Grécia não pagasse integralmente sua dívida, estaria condenada aos infernos para todo o sempre – o mesmo cantochão que se gritou no caso da Argentina há dez anos e se revelou falso”.

A diferença é que a Argentina tinha um verdadeiro presidente. E continua com uma presidente verdadeira.