FHC entregou 100.000 dólares à Brasif para que fosse remetendo valores dessa soma à amante jornalista

Revelações da jornalista Mirian Dutra, de 55 anos, ex-amante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sacudiram a já convulsionada vida política do Brasil. A jornalista, que atualmente vive em Madri, afirmou que uma empresa, a Brasif S.A. Exportação e Importação, que operava na época, entre outras coisas, as lojas de duty free de vários aeroportos, lhe enviava todos os meses, de 2002 a 2006, cerca de 3.000 dólares mensais em virtude de um contrato falso que, na realidade, era um pagamento encoberto de uma pensão que o ex-presidente dava a Dutra para ajudar na manutenção do filho de ambos, Tomás. O menino nasceu em 1991, fruto de uma relação que o político e a jornalista haviam mantido desde 1985. Em uma entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, a jornalista disse que Fernando Henrique Cardoso lhe pediu inclusive que abortasse, mas ela preferiu seguir em frente com a gravidez. “Fui para Portugal e a rede Globo me contratou, mas eu não ganhava o suficiente para manter meus filhos (…) anos depois, quando vivia em Barcelona, me senti exilada porque quis voltar ao Brasil e não me deixaram”.

A autora da entrevista lhe perguntou, então, quem não a deixou, e Dutra responde: “[O então senador] Antônio Carlos Magalhães e seu filho Luis Eduardo Magalhães (aliados políticos de Henrique Cardoso na época) estavam envolvidos na reeleição [do ex-presidente]”. Assim, a história do pagamento começou por meio de uma empresa intermediária para complementar o salário da jornalista na rede Globo.

Segundo explica Dutra, Cardoso, que governou o país de 1995 a 2002, entregou 100.000 dólares à Brasif para que fosse remetendo valores dessa soma à jornalista, à base de 3.000 dólares ao mês. O contrato, reproduzido em parte pela Folha de S.Paulo, especifica que Dutra realizava o “serviço de acompanhamento e análise do mercado de vendas a varejo a viajantes”. A ex-jornalista comenta que “jamais pisou em uma loja” em sua vida para trabalhar. A Brasif confirmou em nota que contratou a jornalista Mirian Dutra e que o ex-presidente não teve qualquer interferência nessa contratação, além de não ter feito depósitos em nenhuma empresa do grupo. Transcrevi trechos de artigo de Antonio Jiménez Barca, in El País, Espanha

Mirian Dutra ilumina a engrenagem rapinosa

por Paulo Henrique Amorim

Leblon: o PiG foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama

Mirian Dutra abre o quarto de despejo dos anos 90
A cumplicidade entre o dinheiro, a soberba e a mídia contém uma atualidade demolidora. A mídia foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama.

Por que só agora que o PT está a um degrau do cadafalso?

A suspeição que o jornalismo tucano consegue balbuciar em meio às alvejantes declarações de Mirian Dutra sobre a parceria público privada para silenciá-la no governo FHC, carrega um efeito bumerangue demolidor.

Pode ser respondida com uma arguição.

‘Quem publicaria antes, a história que furou um cerco de 23 anos de obsequiosa cumplicidade da mídia brasileira com esses acontecimentos, para somente agora vir a público num relato demolidoramente crível? (‘Só eu tenho condições de levar este país’, dizia o príncipe à jovem plebeia, há um mês da conquista).

Mirian Dutra abriu o quartinho de despejo dos anos 90. E mostra o que tem lá dentro.

Sua fala carrega a credibilidade de quem –convencida ou conivente– fez parte do acervo.

O que avulta nessa visitação retrospectiva são os bastidores de um projeto de poder e de interesses que se blindaram para mudar a lógica do desenvolvimento brasileiro.

‘Coveiros do ciclo Vargas’ não era assim que se jactavam aos mercados? Terceirizar o timão brasileiro ao mercado internacional requeria um método para vencer a travessia politicamente espinhosa.

O método, baseado num pacto granítico entre a mídia, os interesses afluentes e o vale tudo ético, é o que guarda o quartinho escuro escancarado agora.

Mirian, num dado momento, tornou-se um cisco no olho guloso do visionário do neo- renascimento bancado pelo capital financeiro global, e que se via como o Micheangelo Buonarroti da Capela Cistina brasileira.

Foi preciso expurga-la. O que se fez com a mesma determinação ética e a coesão grupal dos interesses que se fundiram na travessia preconizada para o país.

Surpreende que a mídia isenta tenha fugido dessa personagem por 23 longos anos, dispensando-lhe uma mordaça de silencio e dissimulação conivente?

Que veículo ou editor da chamada grande mídia teria bancado antes, e com o destaque merecido, a nova e demolidora entrevista concedida pela ex de Fernando Henrique Cardoso, neste final de semana, a um veículo alternativo?

Será necessário lembrar que na anterior, feita pela Folha de São Paulo, perguntas e nominações essenciais envolvendo a mídia foram evitadas?

E que depois disso o veículo dos Frias –cumprida a formalidade das aparências— suprimiu o assunto da primeira página mostrando estranha inapetência investigativa diante de pautas que gritam?

Quais?

Por exemplo, a história do jornalista lobista, já falecido, Fernando Lemos. Personagem expressivamente próximo de FHC, cunhado de Mirian Dutra, foi ele que mediou a participação da Brasif na operação para tirar Mirian do país e assim salvaguardar o tucano de constrangimentos na reeleição.

Lemos fez dinheiro no governo FHC com serviços de consultoria. Muito dinheiro. Participou do círculo estrito do poder que decidia inclusive as campanhas políticas de FH. Sua viúva, Margrit Schmidt, segundo a própria irmã contou ao Diário do Centro do Mundo, possui ‘apartamentos, um terreno em Trancoso que vale ‘um milhão’ e conta no Canadá’.

Mas ainda recebe recursos públicos como funcionária lotada no gabinete de José Serra, onde nunca comparece. Resquícios da ‘modernização’ das capitanias hereditárias pelo avanço neoliberal.

Eterno aspirante à presidência da República, Serra se declara velho amigo e parceiro de ideias da funcionária-fantasma, que brada contra a corrupção e a ‘corja’ do PT’ no facebook. Serra também é amigo muito próximo do pecuarista Jonas Barcellos, que bancou Mirian e ganhou rios de dinheiro com o monopólio dos freeshops no governo do PSDB.

Guarda esse tipo de álbum de recordações o quartinho de despejo dos anos 90 agora entreaberto, mas que a mídia quer lacrar e implodir.

A indiferença ética, o tráfico de influência e a lubrificação do dinheiro público a serviço do interesse particular condensados no episódio Mirian Dutra, não formam, como se vê, um ponto fora da curva no modo tucano de governar as relações entre Estado e mercado; entre capitalismo e democracia, enfim, com papel subalterno ao segundo elemento da equação.

Se pouco disso transparece ainda no debate político, deve-se ao protagonista ubíquo dessa trama.

A mídia figura como o grande Rasputin a coordenar os personagens desse ambiente farsesco em que as aparências não apenas são avalizadas, mas diretamente modeladas, conduzidas mesmo pelo poder midiático até a asfixiante rendição à narrativa pronta nas redações.

Ou Mirian Dutra não foi ‘induzida’ a dizer à Veja a frase para a qual Veja já tinha espaço, lugar e título, antes que a personagem soubesse que sua boca iria emiti-la?

Esse o paradigma da isenção que ordenava e ainda rege o sistema do monopólio emissor consolidado sob as asas do ciclo do PSDB na presidência do Brasil.

O maior conglomerado de comunicação do país e a principal revista semanal do mercado brasileiro –as Organizações Globo e a semanal Veja– não apenas informaram um script conveniente à reeleição de FH.

Elas ajudaram ativamente a produzi-lo –a exemplo do que fez a Folha nos anos 70, quando cedeu carros à repressão.

O tour de force para despachar Mirian é só um exemplo em ponto pequeno do empenho que movimentou grandes massas de interesses para o ciclo privatizante que viria então.

Nenhuma delação extraída pelo método da chantagem coercitiva, tão bem manuseado pela República do Paraná, carrega a delicadeza convincente desse desabafo –ao que tudo indica apenas iniciado—de uma mulher que talvez não tenha mais nada a perder.

Recém demitida pela Globo, Mirian provavelmente perdeu também a mesada que recebia de FHC e viu a relação com o filho ser trincada pela intempestiva intervenção do tucano que –em troca de um DNA polêmico– supriu Tomás com mesada própria, comprou-lhe um apartamento, pagou-lhe os estudos em caras universidades norte-americanas.

A mãe do filho que FHC lhe dizia que não poderia ter em seu nome decidiu agora reagir com o que tem de mais letal: a memória.

Mirian Dutra apenas começou a falar. Parece que tem muito a dizer: ‘Serra eu conheço bem…’, cutucou de relance na última entrevista.

Desde o início desse episódio Carta Maior tem insistido em que as relações entre um homem e uma mulher formam um assunto privado.

Mas a participação da mídia, de concessionárias públicas, bancos estatais e paraísos fiscais no caso fazem dele um tema público.

Foi a cobiça e a ganância econômica que politizaram o encontro entre o sociólogo cinquentão e a jornalista jovem; não o inverso.

A descrição impressionantemente crível, repita-se, do método tucano que Mirian Dutra relata em detalhes dá materialidade a tudo o que o PSDB ora denuncia e atribui aos adversários, sobretudo ao PT.

É um revés de dimensões esfarelantes.

As revelações em conta gotas trazem um olhar de dentro do fastígio das elites no poder nos anos 90.

Um olhar de alguém que circulou nas vísceras do condomínio cristalizado na farra da privatização, quando se desferiu um dos mais virulentos ataques à luta pelo direito a um desenvolvimento justo e soberano.

Conhece-se o custo contábil do desmanche patrimonial que fragilizou a capacidade articuladora do Estado e definhou a governabilidade democrática, subordinada desde então à supremacia dos capitais desregulados.

Abre-se a possibilidade agora de se iluminar o interior da engrenagem rapinosa.

Não para produzir uma arqueologia do revide.

Não para se nivelar ao vale tudo dos que buscam aniquilar as forças e lideranças empenhadas na reversão do desmonte para construir uma democracia social no coração da América Latina.

O que está em jogo não é o passado; é a urgência de se devolver esperança ao futuro.

O passo seguinte do desenvolvimento brasileiro enfrenta uma encruzilhada histórica. Um ciclo de crescimento se esgotou; outro precisa ser repactuado em novas bases.

Muitos dos personagens e interesses econômicos que atuaram no episódio Mirian Dutra – FHC, Organizações Globo, Veja, Jorge Bornhausen, José Serra etc— compõem a linha de frente da ofensiva conservadora atual, determinada a retomar o poder, custe o que custar, para concluir o serviço dos anos 90.

O mapeamento dessas peças do xadrez ganha luminosidade desconcertante nas revelações de Mirian Dutra.

Elas permitem recompor a seta do tempo que une a lógica e a ética dos anos 90 ao projeto intrínseco ao golpismo em 2016 .

Detalhar essa cruzada é uma das tarefas jornalísticas mais importantes do momento.

A ela se debruça Carta Maior na matéria ‘Lei para Todos’, desta edição.

Estão radiografados ali elos explícitos e dissimulados.

É impressionante como os elementos se interligam e convergem, muitas vezes para um mesmo espaço: os paraísos fiscais: FHC, Brasif, negócios e propriedades dos Marinhos, BNDES, lobistas, empresas de fachada, mansões, helicópteros e personagens referenciais da extrema direita brasileira, como Jorge Bornhausen.

O colunismo da indignação seletiva não fará esse garimpo do qual é a parte mais comprometida cascalho.

O ressentimento autoexplicativo de Eliane Cantanhede (‘ que sempre soube dessa história’, fuzilou Mirian Dutra) mostra como o jornalismo ‘isento’ sentiu o golpe de uma peça lateral do acervo, que mobilizou a parte graúda do tabuleiro para ser deslocada há 23 anos, e agora volta ao jogo revirando a mesa.

Ao falar é como se Miriam gritasse: ‘O Rei está nu’.

Não só ele, porém; toda a corte ao seu redor e, sobretudo, o seu projeto de volta ao poder.

Daí o alvoroço dos mensageiros do trono.

Mirian vai processar FHC na Europa

por Paulo Henrique Amorim

Mírian Dutra é a Lava Jato dos tucanos.

Mírian guardou todos os documentos, registrou todas as remessas e conversas, arquivou todas as cartas, bilhetes, cartões de embarque, registros de imóveis, transcrição das conversas com os chefes da Globo — tudo!

Ela se prepara para exercer a vingança há muito tempo!

Ela não tinha alternativa.

E a alternativa inevitável será processar o Casanova de Hygyenopolis na Espanha, ou seja, segundo as Leis da União Europeia.

Como?

Por submete-la a uma situação análoga à Escravidão: não poder voltar ao Brasil!

Ficar trancafiada num outro Hemisfério!

Remunerá-la através de expedientes ilegais, contas ilegais, empresas que deviam favor ao Presidente da República, seu opressor!

Violar os direitos de uma mulher e mãe de seu suposto filho!

Submeter o filho suposto a dois testes de DNA possivelmente fraudulentos!

Bem que o Moro tentou prender o João Santana para tirar a Mírian do noticiário e permitir que o Casanova de Hygyenopolis respire um pouco.

Ele e seu escudeiro, outro farsante, o Místico da Moóca.

A Mírian sabe que na União Europeia não tem Moro — do Não vem ao caso! — , não Procurador que opera no wi-fi de Deus, não tem delegado que grampeia mictório de preso — nem PiG.

Lá, a imprensa prefere as mulheres vitimadas por ditadores truculentos.

Não deixe de buscar o vídeo “Vincere”, que trata do que Mussolini fez com a amante e o filho.

Há precedentes…

Na União Europeia.

A amante exilada de Fernando Henrique presidente

BOMBA! MIRIAN DUTRA SCHMIDT FALA PELA PRIMEIRA VEZ EM 30 ANOS!

Revista Brazil com Z – A nossa matéria de capa: “Mirian Dutra Schmidt quebra o silêncio depois de 30 anos”, uma entrevista com a ex- jornalista da Globo que teve um relacionamento amoroso durante 6 anos com o ex- presidente da República do Brasil Fernando Henrique Cardoso. Mirian teve um filho com FHC. Uma mulher que escolheu o exílio no exterior para proteger- se e proteger os seus filhos (ela tem uma filha do primeiro casamento). Mirian também conta como foram os 35 anos trabalhando na Rede Globo e todas as dificuldades que enfrentou morando na Europa. Leia aqui

Paulo Henrique Amorim – Mirian: FHC usou empresa para me bancar no exterior. “Por que ninguém nunca investigou as contas dele aqui fora?

Em tempo: de novo, o PiG protegeu Fernando Henrique. O Globo ignorou a Mirian, sua funcionária zelosa e leal. A Fel-lha e o Estadão se perderam numa questiúncula: Mirian duvida do exame de DNA que atestou – duas vezes – que FHC não é o pai do filho dela.

Inútil discussão.

O moralista sem moral, o maior de todos os vivos Tartufos, já tinha reconhecido a paternidade e, portanto, o jovem é herdeiro da incalculável fortuna do suposto pai.

Em tempo2: a Fel-lha diz que tentou entrevistar todo mundo para fazer um texto mínimo e ridículo. Se esqueceu de entrevistar um seu próprio colonista. Quá, quá, quá! É tudo a mesma sopa, diria o Mino: a Fel-lha, o FHC, o Conde e a Mirian!

Em tempo3: faltou um ilustre personagem nessa gloriosa página tucana. Alberico de Souza Cruz, então diretor de Jornalismo da Globo. Segundo Palmério Dória, no clássico “Príncipe da Privataria”, Alberico foi o padrinho do suposto filho de FHC e mandou a Mirian para fora do Brasil: para proteger o moralista sem moral.

Segundo Palmério, a operação para esconder Mirian em Portugal contou com a frenética participação de alguns heróis do tucanismo: o Padim Pade Cerra, o então Ministro comprador de reeleiçto, Serjão Mota, e o embaixador do Brasil em Lisboa, Jorge Bornhausen.

É tudo a mesma sopa: Cerra, Serjão, Bornhausen, Conde, Mirian, FHC, a Fel-lha e a Globo!

O FHC que emerge da entrevista bomba da antiga amante

Por Paulo Nogueira

É devastador o retrato de FHC que emerge da entrevista em que, finalmente, a jornalista Mírian Dutra conta sua versão do romance que tiveram. Ela chamou FHC de “completamente manipulador” e disse que ele gosta de “fazer tudo sorrateiramente e posar de bom moço”.

Como em tantas coisas negativas de FHC, era um fato que a imprensa sabia mas não noticiava.

Mírian aparentemente resolveu falar porque enfim saiu da Globo – que a mandou para o exterior para não prejudicar as chances de FHC em sua tentativa de se eleger presidente. É possível também que o casamento dias atrás de FHC com uma funcionária do seu instituto a tenha animado a ferir o ex-namorado.

A entrevista foi dada na Espanha, onde ela mora, para uma publicação desconhecida, a revista digital BRAZILCOMZ, dedicada aos brasileiros que vivem na Europa.

A repercussão, pouco tempo depois de a revista ir ao ar, já é estrondosa. As redes sociais falam dela freneticamente. O objetivo de Mírian foi plenamente atingido.

É provável que Mírian tenha escolhido uma revista tão exótica por saber que a mídia brasileira protege FHC e não lhe daria voz.

A mídia foi cúmplice de FHC sempre. Primeiro e mais que tudo, a Globo, que empurrou Mírian para longe e, pelo que ela dá a entender, a obrigou a se calar em troca de mantê-la na folha de pagamentos. A raiva é tanta que, num determinado momento, lhe falta a palavra exata para dizer o que pensa da Globo, “uma empresa tão …”. Está claro que a palavra não pronunciada é filha da puta.

Como a Globo não dá nada de graça, é legítimo perguntar o que a empresa levou em troca. Dinheiro público é a melhor resposta. Não apenas na forma de publicidade multimilionária do governo FHC mas também em financiamentos de bancos estatais. O BNDES financiou, por exemplo, a gráfica nova da Globo, inaugurada no fim dos anos 1990. FHC prestigiou a inauguração, e fotos o mostram sorridente ao lado de Roberto Marinho.

Por coisas assim, a entrevista de Mírian Dutra, muito mais que mera fofoca, tem imenso interesse público.

A Veja teve também uma participação repulsiva na trama. Mírian afirma que FHC combinou com o então diretor de redação da Veja, Mario Sergio Conti, que a revista daria na seção Gente uma nota com uma mentira arranjada. Nela, seria noticiada a gravidez de Mírian – mas de outro homem.

É só verificar no arquivo que a nota forjada está lá, diz ela. E está mesmo, conforme você pode ver na foto abaixo.

Naquele instante, era generalizada a convicção de que o pai era FHC. Poderia ter consequências funestas para suas pretensões presidenciais a divulgação de que ele seria pai de uma criança fora do casamento – e com uma mulher 30 anos mais nova.

Na entrevista, Mírian fala do DNA segundo o qual o pai não era FHC. Ela coloca em dúvida a autenticidade do exame. Afirma que FHC arrumou uma maneira de fazer o teste sem que ela soubesse. Foi FHC também, diz ela, que tratou de espalhar o resultado na mídia brasileira.

É possível que esta história vá longe. Mírian diz ter muitas cartas do amante perdido — cujo nome recusou pronunciar. Numa delas, conta, FHC diz que jamais a tirou da mente desde que a conheceu, em 1990, num restaurante em Brasília.

Dona Rute Cardoso sempre soube, de acordo com Mírian. FHC dormia frequentemente em sua casa, afirma. Era, diz, um “casamento de conveniência”. Ele próprio usou essa expressão em cartas, acrescenta Mírian.

É a conversa mais antiga do mundo: homem casado diz para namorada solteira que o casamento é de conveniência. FHC também nisso não foi propriamente um inovador.

Mírian diz que o caso durou seis anos, os dois últimos dos quais péssimos, na sua avaliação. Ela afirma que tentou romper várias vezes, mas foi sempre perseguida pelo namorado. A gravidez surgiu no final.

O filho, sustenta, é mesmo de FHC. Eis uma afirmação duvidosa: por que ela não fez um segundo exame de DNA no garoto? A alegação é frouxa: o filho ficou traumatizado com o primeiro.

FHC lutou para esconder dos brasileiros sua história com Mírian, tarefa em que contou com a ajuda inestimável dos barões da mídia.

Não adiantou.

Sua canalhice está exposta em detalhes – e junto com a dele a da mídia que foi seu cúmplice no episódio.

A amante de Fernando Henrique presidente, a pedido dele, foi sustentada por uma empresa de traficantes de moedas

– Que empresa? perguntou a Folha de S. Paulo

Respondeu a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo, que tem um filho de sua relação de oito anos com Fernando Henrique: – Não sei se eu posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou.

Folha: – Você não quer nominar, mas tem como provar? Algum recibo?
M.D: – Tenho. Tenho contrato. Tudo guardado aqui. É muito sério. Por que ninguém nunca investigou isso? Por que ninguém nunca investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora?

Folha: – Contas?
MD: – Claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de € 200 mil para o filho que ele agora diz que não é dele? Ele deu um apartamento para o Tomás.

Folha: – O exame de DNA diz que o Tomás não é filho dele…
MD: – É dele [e gargalha]. É óbvio que é dele.

Folha: – Você afirma então que ele forjou o exame de DNA?
MD: – Não estou afirmando nada, mas tudo me parece muito estranho, porque eu nunca me neguei a fazer o exame de DNA. Não vou afirmar porque isso seria uma irresponsabilidade da minha parte. Além do mais, uma mulher sabe quem é o pai. A não ser que provem que Deus é o pai do meu filho.

O jornalista Miguel do Rosário revela o nome da empresa:

– A empresa é a Eurotrade, sediada nas Ilhas Cayman.

O editor deste blogue acrescenta: A Eurotrade Ltda., sediada em um paraíso fiscal, aparece na imprensa como pertencente à Brasif S.A., empresa de importação e exportação.

Eurotrade constitui uma artimanha de quadrilha de sonegadores, de traficantes de moedas, de dinheiro de origem desconhecida.

Dizem que a publicidade é a alma do negócio. Tanto a Eurotrade como a Brasif preferem ficar escondidas.

LTDA é a sigla para limitada, e refere-se a um tipo de sociedade empresarial, organizada por quotas, onde cada um possui uma responsabilidade limitada. LTDA é um termo de natureza jurídica.

A sociedade LTDA é uma empresa constituída por dois ou mais sócios, e o capital está dividido por quotas.

Quais são os sócios da Eurotrade? Aparece apenas um, Brasif S.A., que não assume a propriedade. E depois, e depois, quais são os proprietários da Brasif que possui negócios com os governos da União e estaduais, e cheia de processos correndo na justiça.

 

 

Miriam Dutra explode o mensalão de FHC!

por Miguel do Rosário
Não, não me interessa a vida privada de FHC.

Entretanto, as revelações de Miriam Dutra vão muito além da vida pessoal de um ex-presidente da República, que ainda é uma figura política tão ativa no Brasil quanto o ex-presidente Lula.

Dutra afirma que foi sustentada por uma empresa, a pedido de FHC, enquanto este ainda era presidente da república.

Eu quero só ver o empenho da mídia em descobrir que empresa era esta.

Ou a curiosidade da imprensa brasileira se encerra em Lula?

Miriam Dutra afirma ter provas. Documentos.

Provavelmente, ela está indignada com a hipocrisia de Fernando Henrique Cardoso, posando de moralista exaltado em seus artigos no Globo.

[Atualização: a empresa é a Eurotrade, sediada nas Ilhas Cayman. Hum…].

E… reparem bem, a Globo não está dando nada sobre o caso.

Não é estranho?

A Globo tem dado manchetes garrafais sobre puerilidades do ex-presidente Lula, sob o pretexto de que Lula foi e continua sendo uma figura política importante.

Não vai dar nada sobre Miriam Dutra? Quer dizer, nada sobre FHC? Não falo de matérias na Folha, publicadas uma vez e em seguida enterradas. Falo de campanhas jornalísticas, de exércitos de repórteres investigando, de ampla cobertura midiática, de infográficos.

A Globo crucificou Renan Calheiros quando sua ex-mulher confessou que recebia mesada via operador de uma empresa.

Quando é com FHC, não vem ao caso?

A entrevista de Miriam Dutra aborda, além disso, alguns pontos políticos. FHC era contra a reeleição, diz Miriam. Em suas palavras:

Eu tinha que ter metido a boca no trombone no começo. Eles não aceitaram porque estavam em plena história da reeleição. Isso foi quando Fernando Henrique estava tentando mudar a Constituição. É uma coisa estranha porque eu lembro que quando [José] Sarney quis ficar cinco anos, ele estava na minha casa jantando e deu um baile: “como este homem pode ficar cinco anos? O poder tem que ser quatro anos, e renovável”. E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo, que ele, por meio de uma empresa, mandava um dinheiro para mim.

Que empresa?
Não sei se eu posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou.
Reparem bem. Miriam fala: “FHC estava tentando mudar a Constituição [e conseguiu, para beneficiar a si mesmo]. É uma coisa estranha (…) E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo, que ele, por meio de uma empresa, mandava um dinheiro para mim.

“E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo”, diz Miriam. “Nisso tudo” é a campanha da reeleição, um processo comprovadamente corrupto, onde, aí sim, um partido comprou votos para garantir mais quatro anos de poder.

É sabido que a reeleição fez muito mal a FHC e ao PSDB. Tão mal que o partido nunca mais ganhou nenhuma eleição presidencial depois disso.

A mídia sempre escondeu, omitiu, manipulou, qualquer informação sobre os escândalos de corrupção na era FHC.

Mas o povo quer saber. Que empresa bancou os gastos de Miriam Dutra no exterior? E o que isso tem a ver com a campanha da reeleição?

A TV Globo, uma concessão pública, vai abordar o assunto?

É muita hipocrisia, pelo amor de Deus. Marisa Lula não pode comprar uma canoa de lata de 4 mil reais que a coisa vira um escândalo. Lula não pode frequentar um sítio. Já FHC pode receber, dentro do Palácio do Planto, empresários para pedir dinheiro para seu instituto. Pode dar um apartamento de 1 milhão à sua namorada e um outro, de valor parecido, ao filho que nunca aceitou.

Não vem ao caso…

A imprensa brasileira vai continuar concentrada nos pedalinhos, nas caixas de bebida, na churrasqueira do sítio em Atibaia?

Em relação ao triplex de Lula, a imprensa já esqueceu tudo. Sergio Moro mandou soltar os presos ligados ao condomínio Solaris, todo mundo apavorado com as ligações cada vez maiores entre a Mossack Fonseca, que a força-tarefa achou ser uma grande descoberta, e a família Marinho, dona do grupo Globo.

E olha que, no início, os procuradores falaram que a etapa Triplo X era uma das mais importantes!

O nome da operação, Triplo X, referência óbvia ao triplex que não é de Lula, sumiu misteriosamente do noticiário.

A mídia agora está com dois enormes esqueletos em seu armário. Esqueletos fantasmas, mas que fazem barulho assustador: um dos esqueletos é a relação subterrância, obscura, criminosa entre os Marinho e a Mossack Fonseca, uma das mais famosas firmas de lavagem de dinheiro do mundo; o outro esqueleto são as revelações bombásticas de Miriam Dutra sobre Fernando Henrique Cardoso.

***

Abaixo, a entrevista, para registro histórico.

Na Folha.

FHC usou empresa para me mandar dinheiro no exterior, diz ex-namorada

por Natuza Nery

A jornalista Mirian Dutra Schmidt, 55, com quem Fernando Henrique Cardoso manteve um relacionamento amoroso, sustenta que o ex-presidente da República bancou despesas de seu filho Tomás no exterior por meio de uma empresa.

Em entrevista à Folha, ela afirma que esses pagamentos coincidiram com o período em que FHC comandava o país (1994-2002), mas não quis revelar a identidade da companhia.

Garantiu ter provas para atestar o que diz. De Madri, onde mora, Mirian falou longamente com a reportagem por telefone. “Eu não quero morrer amanhã e tudo isso ficar na tumba. Eu quero falar e fechar a página”, afirma.

Fernando Henrique admitiu manter contas no exterior e ter mandado dinheiro para Tomás, mas nega ter usado empresa para bancar a jornalista (leia abaixo).

*

Folha – Por que decidiu falar, depois de 30 anos?
Mirian Dutra – Para mim foi muito difícil. É muito complicado porque a minha vida inteira sempre foi trabalho e, de repente, essa história pessoal cruzou a minha vida.

Como foi a história de vocês?
Eu o conheci em janeiro de 1985, quando Tancredo [Neves] estava no hospital. Eu estava jantando no restaurante Piantella [em Brasília] com vários amigos jornalistas e ele entrou sozinho. Um amigo jornalista o convidou para a nossa mesa.

Logo que a gente se conheceu, um mês depois, ele disse para mim, era o governo Sarney: “Vai ter espaço para mim. Eu tenho que ser presidente. Só eu tenho capacidade para levar este país”.

Dei a entrevista à revista “BrazilcomZ” para desmentir tudo o que escreveram ao meu respeito. Eu quero que meu nome não fique numa rede social como uma rameira. Eu fui uma pessoa apaixonada por um homem. Quando tentei sair

Descobriu que estava grávida
Eu estava grávida de quase três meses. Eu não estava aguentando mais essa história toda de ser amante, de ser a outra. Aí eu fiquei quieta, esperei ele voltar [de viagem] e, quando voltou, foi jantar na minha casa.

Quando disse que estava grávida, ele disse “você pode ter este filho de quem você quiser, menos meu”. Eu falei: “não acredito que estou escutando isso de uma pessoa que está há seis anos comigo”.

Ele pediu para você abortar?
Pediu. Óbvio. “Eu te pago o aborto agora”, disse. Aliás, vou te contar uma coisa mais séria ainda. Durante os seis anos com ele, fiquei grávida outras duas vezes, e eu abortei.

Ele soube?
Ele pagou. Pagou por dois abortos. Eu não queria ter outro filho, eu tinha minha filha estava muito feliz. Nunca pude tomar pílula, colocar DIU [método intrauterino], porque tenho um problema de rejeição absoluta a hormônio que venha de fora. Ele sabia disso.

O que houve a partir daí?
Aí que, pela primeira vez, em seis anos, ele deixa de falar comigo. Porque sentiu que a decisão era firme. Aí eu disse que não tinha que contar para ninguém quem era o pai, que era livre e desimpedida.

Ficaram sem se falar até o nascimento do seu filho?
Ele foi umas duas ou três vezes na minha casa. Quinze dias depois do nascimento, ele foi me visitar. Minha mãe estava lá [em casa] quando ele foi conhecer o filho. Só que eu tinha decidido que eu iria embora [do Brasil]. Aí antecipei todos os meus planos e meio que fugi mesmo. Lembro que, quando do impeachment do Collor, vi esse homem [FHC] lambendo as botas do Itamar [Franco], que ele criticava a vida inteira. Fui buscar trabalho em Portugal. Recebi ajuda do [ex-senador] Jorge Bornhausen, que era meu amigo de Santa Catarina.

Mas ele reconheceu o filho…
Nunca fez.

Por que você não o desmentiu à época?
Em 2009, ele foi para os Estados Unidos e simplesmente colocou na cabeça do Tomás que o Tomás não poderia contar para mim, mas que iriam fazer um DNA. Ele visitava o Tomás nos EUA depois da Presidência. Mas nunca foi criado com pai nenhum. Nunca me casei, nunca tive namorado, esse departamento [namoro] se encerrou na minha vida.

Ele bancou seu filho fora do Brasil?
Quando Tomás fez três anos de idade, isso foi mais ou menos em 1994, aceitei que ele pagasse o colégio do Tomás, pois queria que ele estudasse num bom colégio. A partir daí, ele pagou. Quando vim para Barcelona, que é quando eu digo que fui exilada, porque eu queria voltar para o Brasil e não permitiram que eu voltasse…

Quem não permitiu?
[O então senador] Antonio Carlos Magalhães pediu para que eu não voltasse para o Brasil, o Luís Eduardo Magalhães [filho de ACM]. Diziam para ficar longe. Diziam “deixa a gente resolver essas coisas aqui”. Aí eu pensei e achei que, para os meus filhos, era melhor eu ficar [no exterior], pois eles seriam muito perseguidos no Brasil.

Eu tinha que ter metido a boca no trombone no começo. Eles não aceitaram porque estavam em plena história da reeleição. Isso isso foi quando Fernando Henrique estava tentando mudar a Constituição. É uma coisa estranha porque eu lembro que quando [José] Sarney quis ficar cinco anos, ele estava na minha casa jantando e deu um baile: “como este homem pode ficar cinco anos? O poder tem que ser quatro anos, e renovável”. E aí tem uma história muito cabeluda nisso tudo, que ele, por meio de uma empresa, mandava um dinheiro para mim.

Que empresa?
Não sei se eu posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou.

Você não quer nominar, mas tem como provar? Algum recibo?
Tenho. Tenho contrato. Tudo guardado aqui. É muito sério. Por que ninguém nunca investigou isso? Por que ninguém nunca investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora?

Contas?
Claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de € 200 mil para o filho que ele agora diz que não é dele? Ele deu um apartamento para o Tomás.

O exame de DNA diz que o Tomás não é filho dele…
É dele [e gargalha]. É óbvio que é dele.

Você afirma então que ele forjou o exame de DNA?
Não estou afirmando nada, mas tudo me parece muito estranho, porque eu nunca me neguei a fazer o exame de DNA. Não vou afirmar porque isso seria uma irresponsabilidade da minha parte. Além do mais, uma mulher sabe quem é o pai. A não ser que provem que Deus é o pai do meu filho.

Você teve alguma outra relação no período?
Claro que não.

Gostaria de voltar à empresa. Como foi esse acerto para você receber esse dinheiro?
O ex-marido da minha irmã, o Fernando Lemos [morto em 2012], era o maior lobista de Brasília e era ele quem conseguia tudo. Eu sempre fui muito ingênua nessas coisas. Eu não devia nada a ninguém, por que eu ficaria cheia de pecados e pruridos? Eles fizeram contrato comigo como se eu fosse funcionária deles [da empresa], só que eles nunca me permitiram trabalhar e aí eu ganhava.

Isso acabou quando?
Dois anos depois que ele saiu do governo.

Por que você nunca expôs essa história? Você, como jornalista, não sabia que era irregular uma empresa pagar em nome do presidente?
Eu acho que eu tinha que ter feito um escândalo quando eu fiquei grávida. Depois, as coisas foram acontecendo, entendeu? Meus filhos ficaram maiores e eu já não podia ficar fazendo tanta confusão.

E por que você decidiu falar agora?
Porque eu estou cansada de ver pessoas escrevendo coisas erradas, essa história do DNA. Estou cansada de tudo isso. Eu não quero morrer amanhã e tudo isso ficar na tumba. Eu quero falar e fechar a página. E quero tentar ser feliz, porque eu não consegui até hoje.

Alguém está por trás de sua quebra de silêncio?
Ninguém. Eu vivo absolutamente sozinha na Espanha, nunca vivi tão sozinha como agora. Vivo com um cachorrinho chamado Xico, com X, não tenho vida social, não tenho nada, até pela minha fibromialgia e pela polipose adenomatosa. Eu não estou falando isso para tirar proveito de absolutamente nada. Estou lavando a minha alma. É muito difícil você ser xingada por milhões de pessoas e não vou deixar isso acontecer mais. Não podia entrar na justiça contra porque eu trabalhava na TV Globo.

E agora que não trabalha mais lá você optou por falar…
Exatamente. Eu agora não devo mais nada a ninguém.

OUTRO LADO

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) admitiu manter contas no exterior, ter mandado dinheiro para Tomás e ter lhe presenteado recentemente com um apartamento de € 200 mil em Barcelona, na Espanha.

O ex-presidente diz que os recursos enviados a Tomás –tanto para a compra do apartamento, quanto para ajudá-lo em seus estudos– provêm de “rendas legítimas” de seu trabalho, depositadas em contas legais e declaradas ao Imposto de Renda.

Segundo ele, as contas estão “mantidas no Banco do Brasil em Nova York e Miami ou no Novo Banco, em Madri, quando não em bancos no Brasil”.

“Nenhuma outra empresa, salvos as bancárias já referidas, foi utilizada por mim para fazer esses pagamentos”, afirma FHC.

O ex-presidente diz ainda que o repasse dos recursos para que Tomás comprasse o apartamento em Barcelona foi feito por meio de transferências de sua conta bancária no Bradesco “com o conhecimento do Banco Central” brasileiro.

DNA

Embora Mirian negue, FHC diz ter reconhecido Tomás em 2009, o ex-presidente afirma ter feito dois testes de DNA nos Estados Unidos.

“[Com] o propósito de dar continuidade a meu desejo de fundamentar declarações feitas por mim em Madri de que Tomás seria meu filho”, declarou o ex-presidente.

“Para nossa surpresa, o primeiro teste deu negativo, daí [fizemos] o segundo, que também comprovou que não sou pai biológico do referido jovem”, declarou FHC.

Mirian diz que os testes foram feitos sem que ela soubesse e que o ex-presidente pediu para que Tomás não lhe contasse nada.

FHC rebate as afirmações da jornalista dizendo que se dispôs a fazer outro teste de DNA e, mesmo diante dos resultados negativos, procurou manter “manter as mesmas relações afetivas e materiais com o Tomás”.

O ex-presidente afirma ainda que, “quando possível”, atende Tomás nas necessidades afetivas.

O ex-presidente não respondeu a acusação de que teria pagado para que Mirian fizesse dois abortos antes da gravidez de Tomás.

Declarou apenas: “Questões de natureza íntima, minhas ou de quem sejam, devem se manter no âmbito privado a que pertencem”.

Sobre Mirian afirmar que [o então senador baiano] Antonio Carlos Magalhães pediu para que a TV Globo não a mandasse de volta ao Brasil para, segundo ela disse, “ficar longe” de FHC, o ex-presidente diz desconhecer detalhes da vida profissional da jornalista.

FHC e os misteriosos pedidos de Michel Temer, Sarney, Jader Barbalho, Moreira Franco

Isso explica a caça ao Lula

ladrão corrupto impunidade justiça

por Gilmar Crestani


Isso diz tudo sobre a perseguição constante ao Lula. FHC foi protegido internamente, principalmente pela Rede Globo que o havia capturado via Miriam Dutra, mas também externamente, pela entrega do nosso patrimônio aos EUA. A Petrobrás era o próximo alvo, e havia começado com a mudança de nome para Petrobrax.

Durante os dois governos de FHC não havia necessidade de espionagem dos EUA por aqui. Tudo era entregue de bandeja. O William Waack sabe muito bem disso. Os vazamentos dos Wikileaks mostraram. Foi com Lula e Dilma que a NSA, conforme denunciou Edward Snowden, se viu obrigada a espionar o Governo Federal e também a Petrobrás. As informações fornecidas à Lava Jato tem dedo do FBI, CIA e NSA. Os objetivos de criminalizar Lula e proteger FHC também se conjugam com os interesses dos EUA. Nem mesmo FHC admitindo que nomeou ladrões o MPF e PF se dignam a ir atrás. Aliás, há um extensa bibliografia narrando com fartura de documentos a dilapidação do patrimônio nacional destes que agora estão buscando derrubar Dilma e caçar Lula.

Quando a agência Reuters entrevista FHC, os assuntos que podem comprometê-lo ela se dispõe a tirar da entrevista. Quando alguém do PSDB é mencionado nas delações da Lava Jato, “não vem ao caso”. E nem mesmo com a confissão de FHC há indignação. Aliás, tudo como acontece em relação ao Eduardo CUnha.

Todos sabemos que a corrupção no governo FHC é responsável por pelo menos uma morte: Paulo Francis! Por que FHC cruzou os braços?

Ou o Brasil varre os golpistas, ou golpe paraguaio ainda vai nos jogar no lixo da história.

FHC confessa ter nomeado ‘ladrões’

indignados ladrão de galinha

247 – No livro “Diários da Presidência”, sobre seus primeiros anos no poder, o tucano Fernando Henrique Cardoso diz que foi pressionado por parlamentares para nomear “ladrões” em troca de apoio em votações no Congresso.

Em 31 de maio de 1995, ele relata uma das reuniões com ministros para discutir as nomeações: “No fim da tarde estive (…) naquelas infindáveis discussões sobre nomeações, alguns são ladrões e nós temos algumas provas. (…) É vergonhoso, mas é assim”. Entre os políticos que pediram cargos, ele cita José Sarney, Valdemar Costa Neto, Jader Barbalho, Wellington Moreira Franco e Michel Temer.

O episódio sobre o atual vice-presidente é revelado em gravação de 3 de outubro de 1995. Temer teria pedido a indicação de um protegido seu para o fundo de pensão dos portuários. “É para ser mais solidário com o governo, ele quer também alguma achega pessoal nessa questão de nomeações. É sempre assim. Temer é dos mais discretos, mas eles não escapam. Todos têm, naturalmente, os seus interesses.”

Leia aqui na reportagem de Renato Onofre sobre o assunto.

corrupto ladrão roubar

Nossa elite midiática tem autoridade moral de dirigente da Volks

por Gilmar Crestani

folha-ditadura

Só não sei se as peruas que a Folha emprestava para levar os corpos dilacerados para o Cemitério de Perus também eram da Volks. A prova de que a ditadura fez muito sucesso por aqui se mede pelo empenho da nossa imprensa em revelar porque todo preso da ditadura era estuprado. O estupro está para a ditadura como a fidelidade de Miriam Dutra está para FHC.

Se nossa imprensa participou ativamente para derrubar Jango, da mesma forma que atua agora para derrubar Dilma, também é verdade que atuou para legitimar a ditadura, com a qual se locupletou. As cinco irmãs (Folha, Estadão, Globo, Veja e RBS) se consolidaram com a ditadura. Por que iriam querer revelar os crimes dos seus parceiros? Nem seria justo esperar que o fizessem. Esperava-se, sim, que os que não se beneficiaram com a ditadura não fossem coniventes. Neste quesito o STF pisou no Boimate. Comprou tomate por bife…

Da mesma forma que o STF aceitou a lei com a qual os ditadores se auto anistiaram, também protegeram os crimes praticados posteriormente à referida lei, como o caso da bomba no Riocentro. No popular, não deu em nada. A Folha chegou ao cúmulo da desfaçatez ao dizer que não tivemos uma ditadura, mas uma ditabranda. Tem a mesma lógica do livro do Ali Kamel, “Não somos racistas”… Da mesma forma e pelas mesmas razões com que se livraram os criminosos da ditadura, também se livraram da justiça os criminosos da privataria tucana. Se quisermos entender melhor o que isso significa, basta que olhemos para nosso lado. Carlos Menem e Alberto Fujimori, parceiros de todas as horas do rei da privataria, foram presos, mas por aqui o responsável foi levado por Roberto Marinho e José Sarney para a Academia Brasileira de Letras. Na Argentina, Chile e Peru, os ditadores sofreram as consequências da lei. Muito diferente do que houve por aqui. Não culpo torturadores, porque tinham prazer com os estupros que praticavam, mas qual será o prazer dos assoCIAdos do Instituto Millenium em tergiversar sobre o assunto?!

Le Monde lembra aliança da VW com os militares

E ajuda a desmoralizar a Comissão da 1/2 Verdade

fusca volks VW

por Paulo Henrique Amorim

Essa foi a ilustração que o Monde deu à reportagem sobre a tortura a Bellantani.

O respeitado jornal francês Le Monde publicou reportagem sobre a ligação sinistra da Volkswagen brasileira com o regime militar.

O artigo sai no contexto da crise que envolve a Volkswagen americana, que fraudou os testes de poluição em carros movidos a diesel e vai ter pagar multas bilionárias, depois de envenenar milhares de pessoas, mundo afora!

O Monde lembra aqui a experiência do operário metalúrgico Lucio Antonio Bellantani, que, aos 28 anos, o serviço de segurança da própria Volkswagen entregou à polícia por discutir política e defender a democracia.

Bellantani foi torturado para denunciar outros colegas “agitadores”.

A certa altura das greves do Lula no ABC, diz o Monde, os militares receberam uma lista de 463 grevistas, entre eles, os da Volkswagen.

O depoimento de Bellantani foi recolhido pela Comissão da /1/2 Verdade brasileira.

O que o Monde não diz é que o Brasil se tornou o único pais latino-americano, vítima de um regime militar, que conseguiu desmoralizar uma Comissão de Verdade!

E quando foi se aprofundar nas relações das empresas – e bancos – com o regime militar, adotou a filosofia “sergio morinha”: “não vem ao caso”!
Vive le Brésil!

Ao Monde:

Mardi 22 septembre, divers syndicats ainsi que le Forum des travailleurs pour la vérité, la justice et la réparation ont réclamé l’ouverture d’une procédure d’enquête contre le groupe, accusé d’avoir collaboré aux persécutions et aux tortures lors de la dictature militaire (1964-1985).

Le Forum est une émanation d’un groupe de travail issu de la Commission nationale de la vérité (CNV), chargée depuis 2012 d’enquêter sur les violations des droits de l’homme pendant les années noires du pays.

Selon les documents collectés par le Forum, le groupe allemand, présent au Brésil depuis plus de soixante ans, aurait collaboré avec la police militaire, donnant sans gêne les noms de salariés potentiellement perturbateurs au service d’ordre de l’Etat. Charge ensuite aux policiers de les arrêter et de les torturer.

Lucio Antonio Bellantani, 71 ans, fut l’une des victimes de ce « nettoyage ». Son témoignage, rapporté par le site du magazine CartaCapital, est sans équivoque. En 1972, alors âgé de 28 ans, il fut livré aux policiers militaires par le propre service de sécurité de « Volks ».

Son crime? « Discuter politique avec d’autres collègues afin de les syndiquer et de lutter avec eux contre la dictature et pour la démocratie », raconte-t-il.

Cette audace lui a valu plus d’un mois de détention ponctué de séances de torture, l’obligeant à donner les noms de personnes liées au Parti communiste. Aujourd’hui, Lucio Antonio se bat pour que le pays accomplisse son devoir de mémoire, que l’on enseigne aux enfants cette période sombre du Brésil, afin que « jamais plus » l’histoire ne se répète, dit-il. Et de rêver à la construction d’un « mémorial », par le groupe.

Véritable institution au Brésil, Volkswagen, fabricant de la voiture populaire Fusca, nom local de la Coccinelle, est la première entreprise mise en cause. Elle ne sera sans doute pas la seule. « Nous avons collecté beaucoup d’éléments sur cette société, mais nous avons aussi des documents à même de prouver l’implication d’autres entreprises », indique Carolina Freitas, membre du Forum.

En 1980, lors de la grande grève de quarante et un jours – orchestrée par celui qui n’était encore qu’un syndicaliste chahuteur, Luiz Inacio Lula da Silva (président brésilien de 2003 à 2010) –, la police militaire aurait reçu les noms de 436 grévistes, de Volkswagen, mais aussi d’autres entreprises alentour paralysées par l’arrêt de travail. Contacté, le groupe allemand n’a pas donné suite à nos sollicitations.