A eterna ameaça dos militares golpistas

Segundo o coronel Jarbas Passarinho,

  • “O movimento militar de 64 foi uma contrarrevolução, que só se efetivou, porém, quando a sedução esquerdista cometeu seu erro vital com a rebelião dos marinheiros, com a conivência do governo, o golpe de mão frustrado de sargentos em Brasília e a desastrosa fala de Jango para os sargentos no Automóvel Clube do Rio de Janeiro. A disciplina e a hierarquia estavam gravemente abaladas. As Forças Armadas só então se decidiram pela ofensiva, reclamada pela opinião pública. O apoio da sociedade brasileira, da imprensa, praticamente unânime, da maioria esmagadora dos parlamentares no Congresso, da Igreja,, maciçamente mobilizada nas manifestações das enormes passeatas, as mulheres rezando o terço e reclamando liberdade, tudo desaguou na deposição de João Goulart, sem o disparo de um tiro sequer, o povo aclamando os militares”.
Jango discusa para os sargentos
Jango discusa para os sargentos

Vem agora um bando de anistiados e/ou saudosistas quebrar a disciplina e a hierarquia. Esquecidos que os governos dos ditadores militares perderam o apoio do povo. Isso já em 68, quatro anos depois da tomada do poder.

A passeata dos cem mil no Rio de Janeiro testemunha esse momento histórico libertário.

Que beleza! Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel abrem alas na passeata dos cem mil
Que beleza! Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel abrem alas na passeata dos cem mil

Rebeliões dos marinheiros tivemos várias, inclusive contra a Lei da Chibata. Que terminou numa selvagem matança dos revoltosos.

A dos marinheiros de 64 foi uma criação dos infiltrados da CIA, liderados pelo famigerado cabo Anselmo, que era sargento.

Escreve Gilmar Crestani:

As Forças Armadas e as Polícias Militares sempre se safaram com o argumento que, nelas, reina o cumprimento da ordem e não há  quebra da hierarquia. Balela. Todo dia há quebra de hierarquia e os patentes (meu nono diria que não há nome mais apropriado…) superiores não conseguem se fazer ouvir pelas subalternos. E olha que a diferença salarial é única hierarquia que não é quebrada. Religiosamente, os superiores batem continência para uma salário também superior. Agora me digam, se não conseguem manter a ordem unida, como podem querer controlar a turba desunida? Só se for a bala. Bem, é aí que vem o nome da força, a arma. De fato, uma Força armada é bem mais perigosa que uma força desarmada. Portanto, quem deve ser punido são os superiores que são incapazes que impor a obediência hierárquica. A única razão de ser de sua existência e dos salários superiores.
Transcreve Crestani no blog Ficha Corrida:

Forças Armadas vão punir militares que assinaram manifesto

Enviado por luisnassif.

Autor: Adriano S. Ribeiro

BRASÍLIA – O ministro da Defesa, Celso Amorim, decidiu nesta quarta-feira, em conversa com os três comandantes militares, que os cem oficiais da reserva que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, aqui não passarão” serão repreendidos por suas respectivas forças. A punição pela indisciplina depende do regulamento de cada um, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e varia de uma simples advertência até a exclusão da força. Mesmo militares da reserva podem ser excluídos.

Nesse texto, os militares da reserva criticaram a interferência do governo no site do Clube Militar e o veto a um texto ali publicado que critica a presidente Dilma Rousseff e duas ministras. Nesse “Alerta à Nação”, os oficiais afirmam não reconhecer “qualquer tipo de autoridade ou legitimidade” de Celso Amorim.

“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade”, diz o documento.

Como no manifesto vetado no site do Clube Militar, o documento de terça-feira também critica a criação da Comissão da Verdade.

“A aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”.

O texto publicado no site do Clube Militar atribuía à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e à ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, declarações que estariam a serviço do que classificaram de “minoria sectária”, disposta a reabrir feridas do passado. O primeiro manifesto polêmico foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa; do Clube Naval, Ricardo Cabral; e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, todos já na reserva.

No texto, dizem que Rosário vem apregoando a possibilidade de apresentação de ações judiciais para criminalizar agentes da repressão, enquanto Eleonora teria usado a cerimônia de posse — em 10 de fevereiro — para tecer “críticas exacerbadas aos governos militares”, sendo aplaudida por todos, até pela presidente. Eleonora foi presa durante a ditadura militar e, na cadeia, conheceu Dilma.

O texto diz ainda que o Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante e diz que as Forças Armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública.