FHC: 4 MIL PROCESSOS ENGAVETADOS EM 8 ANOS

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Durante o governo do primeiro, nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido. O segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público. O que é mais republicano? Descobrir malfeitos ou encobri-los?

FHC, durante os oito anos de mandato, foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos órgãos públicos investigadores. Seu procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da República”. O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o procurador-geral simplesmente arquivou o caso. Arquivou! Um escândalo.

Durante a sabatina de recondução de Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4 mil processos parados no gabinete do procurador-geral. Brindeiro foi questionado sobre o fato de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.

Lula, não. Atendeu ao pedido dos procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo. Na época, o presidente lembrou que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo contra quem quer que seja neste país.”? E assim foi.

Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a impunidade em seu governo. Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém questiona o príncipe?

Esta semana, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne”, disse Carvalho. É verdade.

Imediatamente FHC foi acionado pelos jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta independência. A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu engavetador-geral.

O erro do PT foi, fazendo diferente, agir igual. In Plantão Brasil

Projeto de Lei propõe a extinção do Inquérito Policial e o fim da burocracia nas investigações

Agência Brasil

 

 

Encontra-se em tramitação e sob análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 7402/14, que regulamenta as investigações policiais e do Ministério Público, extinguindo o atual modelo de Inquérito Policial brasileiro.

Considerado um grande avanço, o projeto que também desburocratiza as investigações policiais, e coloca Polícia e Ministério Público em atuação conjunta e muito próxima, foi elaborado por uma equipe de juristas e investigadores policiais de campo, sob a supervisão da Diretoria da Fenapef.

O resultado foi uma proposta que, se implementada, colocará o Brasil em pé de igualdade com os EUA, França e Alemanha, em termos de modelo de investigação, e pode ser o começo do fim do falido, burocrático e anacrônico modelo brasileiro.

O autor do projeto é o Deputado Zequinha Marinho (PSC/PA) Presidente da Comissão de Legislação Participativa, que fundamentou a matéria nas conclusões alcançadas no seminário jurídico “Persecução Criminal – O modelo ideal”, realizado em 03/09/2008 e organizado pelo Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal – SINDIPOL/DF.

Confira os pontos principais do projeto:

1- Inspirado nos modelos de investigação dos EUA, França e Alemanha;
2- Estabelece alto nível de interação entre a Polícia e o Ministério Público;
3- buscou a construção de um modelo no qual se prestigia a experiência, a meritocracia e a formação multidisciplinar;
4-coloca os investigadores no local do crime, consagra o relatório circunstanciado elaborado pelos policiais de campo e situa a autoridade de investigação como compilador do trabalho dos vários cargos, dando a este, que poderá ser ocupante de qualquer cargo da carreira policial, algumas atribuições específicas para a coordenação da investigação, sem tornar-se atravessador e despachante do trabalho alheio;
5- aboliu o termo inquérito, substituindo por procedimento investigatório policial ou ministerial;
6- conceituou autoridade policial e estabeleceu requisitos para o exercício da função;
7- substituiu o termo policia judiciária por órgão policial de investigação e Inquérito policial por procedimento investigatório;
8 – Estabelece regras claras para a atividade investigatória da Polícia e do Ministério Público, resguardando os direitos fundamentais do investigado

O Projeto, juntamente com outros que tratam da mesma matéria, foi apensado ao PL 5776/2013, que regulamenta o poder de investigação do Ministério Público, permitindo que ele participe ativamente de investigações criminais. A matéria encontra-se aguardando parecer do Relator na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Fonte: Agência Fenapef

Como acontecia na ditadura, os governos Fleury, Covas, Serra e Alckmin enterraram 3 mil pessoas identificadas em valas comuns. Este pavoroso crime acontece noutros Estados?

Se tem vala comum no Rio de Janeiro, lá pode estar o corpo de Amarildo. Em Minas Gerais, o da amante do goleiro Bruno. E milhares e milhares de pessoas assassinadas pela polícia nos despejos, nas falsas resistências seguidas de morte. E os mortos por causa desconhecida e balas perdidas.

A ditadura policial do Brasil democrático oficializou imensas covas comuus de profundidade desconhecida, como se não bastassem os cemitérios clandestinos que se espalham por todo o país.

Comenta Gilmar Crestani: O PSDB não faz história, repete, como farsa. Dá continuidade ao que existia de pior ao que existia na ditabranda da Folha… É por isso que 20 anos de PSDB em São Paulo deveria também ser enterrado em vala comum. E nem vão poder lavar as mãos, porque conseguiram o impossível, racionamento de água no País da abundância d’água.

Alguém ainda lembra da história do bebê japonês da Yeda Crusius?! Este é PSDB do Aécio, do Serra, do Alckmin, do FHC.

Ministério Público de SP vai pedir exumação de ‘indigentes com RG’

Promotoria processará governo do Estado por enterrar pessoas identificadas em valas comuns

3.000 foram enterrados sem aviso às famílias nos últimos 15 anos em cemitérios da capital

por Reynaldo Turollo Jr. e Rogério Pagnande

O Ministério Público vai processar o governo de São Paulo por ter enterrado milhares de pessoas como indigentes, apesar de estarem identificadas quando morreram.

A ação será coletiva, isto é, movida em nome das cerca de 3.000 famílias que tiveram os corpos de seus parentes mandados para valas comuns da capital de 1999 para cá.

Além de indenizar as famílias, a ação pedirá à Justiça a exumação dos corpos e exames de DNA que comprovem a identidade dos mortos.

Como a Folha revelou ontem, os enterros foram feitos sem que as famílias fossem procuradas. Em alguns casos, elas buscavam por parentes mortos há 14 anos, como se estivessem desaparecidos.

Os promotores também querem a mudança dos procedimentos adotados pelo governo paulista, criando mecanismos para avisar as famílias.

Será provavelmente a maior ação já movida pelo Ministério Público contra o Estado de São Paulo –o processo poderá se estender a outras cidades, já que outros serviços funerários serão investigados.

A decisão de processar o Estado foi tomada após uma reunião de emergência no Ministério Público, depois da publicação da reportagem.

Participaram o procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, e a promotora Eliana Vendramini, que investiga o caso. Ela descobriu os chamados “indigentes com RG” durante uma investigação sobre desaparecidos.

Agora, a promotora está cruzando os nomes de desaparecidos do Estado com os cerca de 3.000 nomes de enterrados como indigentes.

“Nós estamos olhando um por um da lista para comunicar [parentes que ainda estiveram à procura]. Eu não encontro um nome para o que o Estado fez”, afirmou.

“[A ação pedirá para] exumar, fazer o DNA, retificar o registro [de óbito], trasladar o corpo e indenizar”, disse.

Os 3.000 corpos passaram pelo SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), ligado à Faculdade de Medicina da USP. O órgão faz autópsias em casos de mortes sem suspeita de violência, quando a causa dela ainda é desconhecida.

Foi o SVO quem mandou para valas públicas os corpos que não foram reclamados pelas famílias no prazo de 72 horas, valendo-se de uma norma instituída em 1993, no governo Fleury (PMDB), e mantida nos governos de Covas, Serra e Alckmin (PSDB).

A Promotoria questiona o fato de as famílias não terem sido procuradas, uma vez que todos os mortos estavam identificados, o que teria evitado as buscas sem fim.

Buscas como a da família de Cláudio Rocha, 53, que teve o pai desaparecido em 2000, mas até a semana passada ainda tinha esperança de encontrá-lo com vida. Foi Vendramini quem deu a Cláudio a notícia da morte do pai, ocorrida ainda naquele ano.

O governo não deve alterar a regra de 72 horas para reclamação de corpos antes do enterro, até por falta de geladeiras (leia nesta página).

O SVO afirma que segue a legislação, que não obriga o serviço a procurar as famílias. Até por isso não tem equipe para esse fim. Diz, porém, que está disposto a seguir as orientações da Promotoria.

Ficarão de fora da ação coletiva famílias que tiverem autorizado o enterro como indigente, por falta de condições financeiras. Para saber quantas foram, a Promotoria pedirá ao SVO documentos que provem o aval dos familiares.

 

 

Vala comum em Bergem-Bergem (ou Belsen) na Alemanha nazista
Vala comum em Bergem-Bergem (ou Belsen) na Alemanha nazista
Vala comum em Ruanda
Vala comum em Ruanda
Vala comum na Bósnia
Vala comum na Bósnia

Alstom: Esqueceram de mim

Na versão brasileira: a não diagnosticada procura dor fantasma de esquecer a Alstom, caçadora de tucanos nos subterrâneos do metrô de São Paulo, onde estavam enterradas milhões de botijas de ouro e prata.

Total perda de memória esquecer o maior ato de vandalismo praticado em um buraco negro que continua sugando imensa massa de dinheiro.

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ESQUECIMENTO? SÓ UM IDIOTA ACREDITARIA

por Gilmar Crestani

O que mais me espanta nesta história é a ousadia que avacalha a inteligência e causa vergonha alheia. Se uma diarista esquecer o local dos talheres ou do balde e vassoura, está desculpada. Ela é diarista. Um Procurador da República que recebe um documento internacional, mandado por um órgão similar, vindo da Suíça e não do Paraguai, que envolve desvio de milhões de reais, justificar a inoperância com esta desculpa, é uma cusparada na cara de quem acredita nele. Este sujeito deveria ser posto no olho da rua se o Conselho Nacional do Ministério Público servisse para algo mais do que a defesa do corporativismo.

Alguém pode acreditar num Ministério Público que comete um erro providencial destes? Tudo seria tão simples de entender não fossem seus serviços prestados ao PSDB de São Paulo e sua longínqua parceria com José Serra.

Rodrigo de Grandis prova que a existência de um Gurgel não é um acaso, como pode se repetir. Se Rodrigo chegar lá. O sobrenome pode ser de grandis, mas sua desculpa é de gradante!

 
PROCURADORIA DA REPÚBLICA: UM ESQUECIMENTO PROVIDENCIAL

por Luiz Eduardo Brandão

Sem apoio do Brasil, parte do caso Alstom é arquivado pela Suíça

Sem a cooperação dos colegas brasileiros, procuradores da Suíça que investigam negócios feitos pela multinacional francesa Alstom com o governo do Estado de São Paulo arquivaram as investigações sobre três acusados de distribuir propina a funcionários públicos e políticos do PSDB. A Suíça pediu em fevereiro de 2011 que o Ministério Público Federal brasileiro interrogasse quatro suspeitos do caso, analisasse sua movimentação financeira no País e fizesse buscas na casa de João Roberto Zaniboni, que foi diretor da estatal CPTM entre 1999 e 2003, nos governos dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin, mas nenhum pedido foi atendido. De acordo com a Procuradoria da República em São Paulo, o gabinete do procurador Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações sobre os negócios da Alstom no Brasil, cometeu uma “falha administrativa”: o pedido da Suíça foi arquivado numa pasta errada e isso só foi descoberto na quinta-feira. O pedido ficou sem qualquer providência por dois anos e oito meses. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo.

A procuradoria suíça também solicitou que fossem interrogados os consultores Arthur Teixeira, Sérgio Teixeira e José Amaro Pinto Ramos, suspeitos de atuar como intermediários de pagamento de propina pela Alstom. Os procuradores da Suíça apontam que Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira foram os responsáveis pelos repasses ao ex-diretor da CPTM. Após perceber a falha administrativa, a Procuradoria no Brasil disse que já avisou o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) sobre o problema e que as autoridades suíças serão indagadas se ainda querem adotar medidas quanto aos suspeitos. No entanto, nesta semana autoridades brasileiras receberam a informação de que os suíços arquivaram as investigações sobre Zaniboni, Ramos e Sérgio Teixeira, morto em 2011. Eles haviam sido indiciados por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. O único que continua sendo investigado é Arthur Teixeira, controlador da empresa Gantown, sediada no Uruguai, que teria feito repasses da Alstom para Zaniboni entre 1999 e 2002. Zaniboni afirma que o dinheiro se referia a serviços de consultoria prestados antes de sua chegada à CPTM.

Superfaturamento de shows acontece no Brasil inteiro. É uma órgia geral

A farra começa nos camarotes dos governadores e prefeitos nos carnavais. E continua nas festas de santos padroeiros de cidades. Nas inaugurações de elefantes brancos.

Tem constado superfaturamento de 400 por cento. Que enriqueceu promotores de eventos, artistas famosos e autoridades.

Tem música, tem dança, tem sexo e outras comidas e bebiba. Tudo pago pelas secretarias de turismo e/ou cultura.

Ontem pegaram o Rio Grande do Norte como amostra.

rn mascaras caidas

 

Tribuna
Marco Carvalho
DO NOVO JORNAL

O Ministério Público deflagrou uma operação que visa aprofundar a investigação sobre supostas práticas fraudulentas na contratação de bandas musicais no interior do Rio Grande do Norte. A ação ocorreu de forma simultânea com operações deflagradas em outros 11 estados do país por Grupos de Combate ao Crime Organizado. Do tráfico de drogas à sonegação fiscal, nada escapou da ação dos promotores. No RN, doze pessoas foram presas e suspeita-se que ao menos R$ 3 milhões tenham sido desviados através de superfaturamento.

A ação nacional de combate à corrupção ocorre às vésperas da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 na Câmara dos Deputados. Uma eventual aprovação da proposta teria como consequência direta, e mais conhecida, o afastamento dos poderes de investigação criminal do Ministério Público. Representantes do MP em outros estados confirmam que a ação nacional tem ligação direta com as operações deflagradas e servem como alerta para o tema. No RN, o MP nega qualquer conexão.

[É verdade os ladrões de colarinho branco pretendem continuar impunes. E sem as investigações do Ministério Público o Brasil vai virar uma zona]

Em nota enviada à imprensa, o MP potiguar chegou a admitir que a operação “Máscara Negra”, como foi batizada, “faz parte da Operação Nacional contra a Corrupção deflagrada na manhã de hoje [ontem] em 12 outros Estados pelo Ministério Público brasileiro, por meio do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC)”.

Posicionamento divergente foi apresentado pelo procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto.

Em entrevista ao NOVO JORNAL, após conceder coletiva de imprensa na tarde de ontem, Onofre foi enfático ao ser questionado sobre a data da deflagração da operação e a relação com a movimentação nacional contra a PEC 37: “De jeito nenhum. Essa ação foi organizada lá atrás. A operação [nacional] não é do Ministério Público, é de diversas instituições capitaneadas em alguns estados pelo MP, pelo grupo de GNCOC”.

Ele reforçou que a data escolhida não sofreu qualquer interferência para ocorrer ontem. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, onde também se realizou uma operação, o promotor de Justiça Alexandre Themistocles esclareceu que as iniciativas tomadas lá são um movimento em defesa do “legítimo e pleno” poder investigatório do Ministério Público. As declarações foram publicadas pela Agência Brasil.

O promotor carioca acrescentou: “Essas ações foram desencadeadas no contexto contrário à Proposta de Emenda à Constituição, apelidada de PEC da Impunidade. O Ministério Público, no exercício do seu poder investigatório, lançou mão de várias diligências como meio de prova, como ação controlada, infiltração de agentes, todas autorizadas judicialmente”, disse o promotor.

Apesar de negar a relação com a PEC 37, o procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, dedicou os primeiros minutos da entrevista coletiva a criticar a estrutura da Polícia Civil. “O MP tem sido parceiro da Polícia Civil, da PM, da Polícia Rodoviária Federal. Em particular com a Polícia Civil, existe uma dificuldade porque eles não têm uma estrutura especializada, como o MP tem, que investigue crimes contra a administração pública”, pontuou.

Segundo ele, o MP tem buscado reiteradas vezes que o problema seja sanado com uma complementação de estrutura na Polícia. O Governo tem demorado na resposta. “Esse [criação de uma estrutura para investigação de crimes contra a administração pública] é um pleito nosso reiterado formalmente e já deliberado pelo Conselho Superior da Polícia. É algo que já deveria existir porque é uma das poucas capitais do Brasil que não tem”, disse Onofre.

Superfaturamentos de até 400% foram identificados pelo MP
No Rio Grande do Norte, a Operação Máscara Negra resultou nas prisões temporárias de 12 pessoas. A investigação teve foco nos gastos em Guamaré e Macau, cidades distantes 40 quilômetros entre si e localizadas na região salineira potiguar. Estima-se que a operação deflagrada ontem tenha sequestrado judicialmente cerca de R$ 1,5 milhão para eventual ressarcimento ao Poder Público.

Os valores milionários dedicados à execução de festejos de carnaval, por exemplo, chamaram a atenção do MP. Entre 2008 e 2012, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP potiguar, apurou a aplicação de verbas e a contratação de bandas nas cidades e chegou à constatação que, dos R$ 13 milhões gastos pelos dois municípios em eventos recentes, há indícios de superfaturamento de pelo menos R$ 3 milhões.

A partir da deflagração da operação, os promotores pretendem aprofundar e estender a apuração. Parentes e amigos do ex-prefeito de Guamaré, Auricélio dos Santos Teixeira, assim como funcionários públicos da cidade foram presos temporariamente. O MP justificou o pedido como forma de evitar uma eventual destruição de provas. “Um dos fundamentos principais [do pedido de prisão] é para evitar que aquele alvo, aquela pessoa investigada, venha a se desfazer de provas. Estando solta, pode se desfazer de provas importantes nesse momento da investigação em que se está colhendo esses documentos”, justificou a promotora Patrícia Antunes Martins, coordenadora do Gaeco.

O Ministério Público irá apurar a responsabilidade de bandas no suposto esquema. De acordo com a coordenadora do Gaeco, não é possível dimensionar no momento a responsabilidade dos artistas e seus empresários. “Algumas bandas provavelmente sabiam sim. Estamos agora na fase de coletar documentos. A prudência aponta que é melhor a investigação concluir análise desses documentos e quando a denúncia for apresentada, os senhores e a população de um modo geral terão conhecimento”, disse Patrícia Antunes.

A apuração das responsabilidades será compartilhada com o Tribunal de Contas do Estado, que receberá visita do MP nesse sentido.

O procurador-geral de Justiça mensurou a gravidade das constatações realizadas através da Operação “Máscara Negra”. “Estas ações de corrupção tiram os recursos de políticas públicas, que deveriam ser empregadas em tantas outras ações direcionadas à população. Em particular, nesses dois casos que são emblemáticos, foram detectadas irregularidades vultosas nas contratações de bandas e serviços como um todo para os festejos nessas duas cidades”, afirmou Onofre.

Para a promotora Patrícia Antunes, que coordenou as investigações, as provas são “vultosas”. “Os indícios são muito fortes. Muitas das provas já são claras e comprovam o patente superfaturamento na contratação de bandas, shows e todos os gastos desses festejos. Tanto em Macau, quanto em Guamaré. É evidente o superfaturamento, e esse superfaturamento é avaliado com base não no valor da contratação desse artista com o particular, mas sim na contratação desse artista com outro ente público”, detalhou.

De acordo com a promotora, o superfaturamento pode ter chegado a 400% a mais do preço que poderia ter sido pago pelo Município. “E o que se mostra são casos de superfaturamento de 100%, 200%, 300% e até casos de 400% nesses contratos. Além da contratação para esses shows, há também patente e evidente superfaturamento na contratação de decoração para essas festas também nesses municípios. Além do desrespeito da forma como deveria acontecer esse contrato”, disse.

Leia mais

MP tenta expurgar a maldição nacional

 

 

br_diario_comercio.pragaO Ministério Público realizou  ontem operações de combate à corrupção em 12 Estados para desarticular uma série de esquemas suspeitos de desviar recursos públicos federais, estaduais e municipais com fraudes em licitações. Entre os suspeitos e presos, há ex-prefeitos e empresários.

As verbas públicas sob investigação, somadas, ultrapassam R$ 1,1 bilhão, com pagamento de propinas, superfaturamento de produtos e serviços, utilização de empresas fantasmas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito de agentes públicos e empresários.

Cheque da Assembleia Legislativa do Mato Grosso em poder de Avilmar de Araújo, investigado por montar e receber de empresas fantasmas. - L.A. Adolfo: Folhapress
Cheque da Assembleia Legislativa do Mato Grosso em poder de Avilmar de Araújo, investigado por montar e receber de empresas fantasmas. – L.A. Adolfo: Folhapress

 

A “Operação Nacional Contra a Corrupção” cumpriu 92 mandados de prisão, 337 mandados de busca e apreensão, 65 mandados de bloqueio de bens e 20 mandados de afastamento das funções públicas. Participaram da operação cerca de 150 promotores e 1.300 policiais federais, rodoviários, civis, militares, servidores de Tribunais de Contas, Controladoria-Geral da União, Receitas Federal e Estaduais.
As ações foram  coordenadas pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.  As ações  foram realizadas na Bahia, no Ceará, no Espírito Santo, em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais, em Pernambuco, no Paraná, no Rio Grande do Norte, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em São Paulo.
EMENDAS EM SÃO PAULO 
O Estado de São Paulo concentrou a maior parte da operação  Fratelli, que investiga contratos suspeitos firmados com prefeituras de 80 municípios da região, no total de mais de R$ 1 bilhão, com a  empreiteira Demop. A empresa  centralizou o maior montante de verbas originárias de emendas parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
 Foram  cumpridos 13 mandados de prisão contra empresários, funcionários públicos e políticos e 160 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Equipes do Gaeco cumpriram mandados de busca nas prefeituras de Urupês, Catiguá, Paulo de Faria, Palestina, Guapiaçu, Ibirá, Uchoa, Monte Aprazível, Ariranha, Novo Horizonte,Potirendaba, Catanduva, Fernandópolis, Jales, Votuporangae também de Cafelândia. Muitas delas ficaram ontem  com as portas fechadas por conta da operação.
PROPINA 
Na capital fluminense, a polícia tentou  cumprir seis mandados de prisão contra membros do tráfico de drogas no Morro da Mangueira, acusados de atuar na região e de oferecer propina a um PM lotado em uma unidade pacificadora.
Falsificação e venda de documentos
A operação Risco Duplo investiga há seis meses a venda de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. As fraudes podem ultrapassar os R$ 500 mil.
Os suspeitos são funcionários de autoescolas e aliciadores que tinham a função de cooptar clientes interessados na compra de CNHs e na aquisição de cursos que permitam a condução de cargas perigosas e de passageiros.
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), declarou que há indícios de que funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Mato Grosso forneciam o papel-moeda utilizado na fabricação dos documentos, já que o material não teria sido furtado.
Segundo o promotor de Justiça Marcos Alex Vera de Oliveira, os clientes eram pessoas semi analfabetas que não teriam condições de passar no exame e que precisavam da habilitação para trabalhar. “Essa é apenas uma parte da quadrilha. Ainda estamos investigando funcionários do Detran nos dois Estados”, garantiu o promotor.
Oliveira disse ainda que uma psicóloga é suspeita de fraudes em exames psicológicos no Detran.
Foram expedidos ontem sete mandados de prisão: seis em Anastácio, Ivinhema, Nioaque, Jateí e Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, e um em Cuiabá, Mato Grosso.
O principal suspeito de liderar a quadrilha e o irmão dele foram detidos em Anastácio. Os  detidos por envolvimento no grupo podem ser indiciados por falsidade ideológica e formação de quadrilha.
 Os que forem identificados como compradores  podem ser enquadrados por corrupção ativa.
Sonegação fiscal 
Aoperação Robusta foi montada para combater a sonegação fiscal na compra e venda de café. A produção anual de café do Rio de Janeiro é de 250 mil sacas. O Rio de Janeiro enviou ao Espírito Santo, no entanto, mais de 3 milhões de sacas em 2012, o que chamou a atenção das autoridades.
As investigações duraram  um ano.
No esquema, o produto do Espírito Santo era vendido dentro do próprio Estado, mas com nota fiscal de empresas supostamente de fachada do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A estimativa é que, nos últimos três anos, o esquema tenha lucrado mais de R$ 180 milhões. Aproximadamente R$ 2 bilhões em notas fiscais eletrônicas foram emitidas pelas empresas envolvidas no esquema.
No Rio de Janeiro, a operação cumpriu três mandados de busca e apreensão. Em, sete empresas e dois escritórios de contabilidade foram alvos. No Espiríto Santo, 10 mandados de prisão temporária contra empresários foram  cumpridos, principalmente em cidades do interior.
Shows   superfaturados 
Onze suspeitos de participar de um esquema de corrupção que desviou R$ 13 milhões com a contratação fraudulenta de shows musicais, entre 2008 e 2012, foram presos  no Rio Grande do Norte na operação Máscara Negra.
Os gastos nas festas foram feitos com 90% de valores recebidos em royalties do petróleo e mais de 70% do recebido do Fundo de Participação dos Municípios.
A sede da Prefeitura de Guamaré foi alvo de busca e apreensão, assim como as secretarias de Turismo e Finanças, cujos secretários foram presos.
As casas de uma ex-primeira dama da cidade e do atual chefe de gabinete da prefeitura, também preso, foram alvo da operação. A Promotoria aponta que a Prefeitura de Guamaré gastou em 2012 R$ 6.138.548 para contratar atrações musicais. O ex-prefeito Emilson de Borba Cunha (PTN), está  procurado pela Justiça.
Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador (BA) e um em  Serrinha (BA). A ação foi um aporte da investigação potiguar, por se tratar dos mesmos grupos musicais. (Folhapress)
Sentenças
Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)  cumpriram cinco mandados de prisão e outros cinco de busca e apreensão no Mato Grosso contra acusados de envolvimento na venda de decisões judiciais em favor de traficantes de drogas.
Uma suposta negociação de compra de liberdade   teria custado mais de R$ 1 milhão  na cidade de  Porto Esperidião. Além disso, foram constatadas duas tentativas de suborno de um assessor jurídico da Vara Especializada contra o Crime Organizado e Administração Pública.
Quadrilha
Oex-prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, foi preso em Rondônia. Cinco mandados de prisão foram expedidos, depois que 25 servidores da prefeitura e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdur) foram investigados por desvios de dinheiro, por meio de uma organização criminosa instalada no órgão e que seria chefiada pelo então prefeito.
O ex-vereador Mario Sérgio e o policial militar Edson Penha Ribeiro Filho também  foram presos.
Desvios
Em Garanhuns (PE), quatro pessoas foram presas, suspeitas de desviar cerca de R$ 260 mil em verba pública do Hospital Regional Dom Moura, uma das mais importantes unidades de saúde da região. Entre eles está uma ex-diretora do hospital que comandou a unidade de 2007 a 2012. Foram presos ainda um auxiliar administrativo, um ex-porteiro que seria usado como “laranja” e a mulher do ex-porteiro. Foram apreendidas câmeras fotográficas, notebooks, pendrives e outros materiais que serão analisados pelos peritos.
APolícia Civil, em conjunto com os promotores do Ministério Público Estadual, cumpriu os 30 mandados de busca e apreensão expedidos na operação de combate à corrupção na Prefeitura de Quixeramobim (CE). A ação ocorreu na sede da prefeitura e nas residências do prefeito, do vice-prefeito, de secre-tários e do procurador-geral do município. Todos são suspeitos de fraudar licitações na ordem de R$ 6 milhões relativas a serviços públicos,  obras e compra de combustível.
Pirataria 
Mais de 20 mandados de prisão foram cumpridos em Apucarana, Londrina,  Cambé e outras duas cidades no norte do Paraná. Ao todo, foram expedidos  24 mandados de prisão e 46 de busca e apreensão no Estado.
A operação foi batizada localmente de “Jolly Roger”, em alusão à bandeira pirata. Em Apucarana,  empresários estariam pagando propina à policiais para poder fabricar mercadorias ilícitas. Além disso, eles também são suspeitos de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.