Un pueblo argentino consigue prohibir la megaminería en el primer referéndum vinculante del país

El 3 de junio pasado Loncopué entraba en la historia. Se convertía en el primer pueblo argentino que prohibía la megaminería en una votación de obligado cumplimiento. Una lucha que comenzó en 2007. [Un village réussit à interdire un mégaprojet minier lors du premier référendum souverain du pays]

Loncopué es un pueblo de poco más de 7.000 habitantes en la provincia patagónica de Neuquén, en el sur argentino. Nadie hubiera sospechado de su existencia de no ser porque sus habitantes, aliados con las poblaciones y las comunidades mapuches cercanas, consiguieron expulsar no a una sino a dos multinacionales mineras de sus alrededores.

Pero algo distingue a Loncopué de otras experiencias semejantes de lucha contra la minería metálica a cielo abierto en Argentina. Después del 3 de junio de 2012 se ha convertido en el primer pueblo argentino que ha conseguido prohibir la megaminería a través de un referendum vinculante. El plebiscito de Esquel, en febrero de 2003, abrió el debate en el país sobre qué significa la minería a cielo abierto. El de Loncopué es el primero de obligado cumplimiento.

 

Esta é nova Argentina que os piratas temem e a imprensa vendida combate. O Brasil está repleto de minas a céu aberto, e ninguém protesta.

Primeiro o Brasil teme os referendos, os plebiscitos.

CARTA DE NOAM CHOMSKY AL PRESIDENTE COLOMBIANO JUAN MANUEL SANTOS

 

Me dirijo a usted por una preocupación general, que comparto con muchos otros, sobre los planes de operaciones mineras a gran escala, que, al parecer, suponen una grave amenaza para el delicado ecosistema del Macizo Colombiano. Pero escribo también por razones personales, que espero sean apropiadas para llamar su atención. Leer más

O que o massacre da África do Sul ensina ao Brasil

Paulo Nogueira 

Há uma piada na África do Sul que diz o seguinte: “Antes do apartheid, tínhamos uma das piores desigualdades sociais do mundo. Agora, temos a pior.”

 Grevistas são fuzilados

Hahaha. Não. Estou rindo do quê?

Desigualdade dá em tumultos, inquietações, protestos, greves, conflitos – todas aquelas coisas, enfim, que sociedades harmoniosas conhecem apenas de nome.

É dentro deste quadro que se encaixa a tragédia dos mineiros em greve da empresa sul-africana Lonmin, a terceira maior produtora de platina do mundo.

Numa das imagens mais perturbadoras dos últimos anos, câmaras captaram o fuzilamento de que eles foram alvo pela polícia sul-africana chamada para desfazer uma manifestação de protesto em Maricana, onde está a sede da Lonmin. Mais de trinta deles morreram.

Ao horror inicial se somariam, depois, dois outros.

Primeiro, testemunhas presentes ao massacre afirmaram que muitos grevistas foram mortos pelas costas, ao contrário do relato de defesa própria da polícia sul-africana.

Depois, no que foi uma das decisões mais estapafúrdias da história da África do Sul, a procuradoria colocou em 260 outros grevistas presos a culpa pelas mortes.

E compreensivelmente ondas de perplexidade se espalharam pelo mundo. O governo do presidente Jacob Zuma pode estar com os dias contados. Corre na mídia sul-africana que Zuma gastou alguns milhões na reforma de sua casa de campo.

Há uma estatística econômica que mede a desigualdade nos países. Ela se chama ‘Coeficiente Gini’. Até há alguns anos, o Brasil e a África do Sul tinham uma situação de iniquidade parecida: calamitosa, numa palavra.

Nos últimos anos, o Brasil progrediu, ao contrário da África do Sul. É uma das razões pelas quais o país não tem enfrentado tumultos sociais hoje tão comuns mesmo em países ricos – mas com crescente concentração de renda — como a Inglaterra. Todos se lembram dos famosos riots de Londres, há pouco mais de um ano.

Se as coisas tivessem permanecido como eram, os brasileiros estariam vivendo um inferno nas ruas. É importante ter isso na mente.

A paciência do povo tem limites. Os ricos franceses achavam que não, até um rei e uma rainha terminarem sem cabeça.

O mundo político brasileiro – a despeito dos nomes dos partidos – tem que colocar no topo do topo das prioridades o combate à desigualdade social. O mesmo vale para a mídia, que parece não ter ainda entendido isso — e se dedica a nhenhenhéns intermináveis em cima de coisas irrelevantes.

Ou viveremos pesadelos como este dos mineradores da África do Sul.

Os crimes da Vale do Rio que era Doce

O Brasil que envenena seu povo nos vales que eram doces
O Brasil que envenena seu povo nos vales que eram doces

As 380 famílias da localidade de Piquiá de Baixo, no Maranhão, são obrigadas a conviver com a elevada contaminação da água, do ar e do solo, causada pelo vizinho polo siderúrgico. O lugar toma seu nome da árvore piquiá, que dá uma madeira altamente apreciada, mas que se extinguiu na região, onde estão instaladas, há 25 anos, cinco usinas siderúrgicas, lideradas pela Vale, empresa de mineração. Atualmente são produzidas nesse lugar 500 mil toneladas de ferro-gusa, matéria-prima do aço, que se obtém fundindo em altos fornos carvão, calcário e minério de ferro.


O polo de Açailândia, município com jurisdição sobre a área, depende do fortalecimento da atividade das minas de ferro da Vale, cuja produção é levada aos portos do Atlântico nas proximidades de São Luís, capital do Estado, que fica a 500 quilômetros de distância. Os moradores da pequena localidade, onde os quintais de suas modestas casas ficam ao lado dos terrenos das grandes fábricas, já apresentam em sua saúde os impactos da contaminação e da degradação ambiental.

Devido à péssima qualidade do ar que respiram e da água que consomem, mais de 40% dos moradores de Piquiá de Baixo se queixam de doenças e males respiratórios e dos pulmões, bem como de lesões dermatológicas, segundo um estudo do Centro de Referência em Enfermidades Infecciosas e Parasitárias, da Universidade Federal do Maranhão.

Esta população, que reclama sua transferência para um lugar seguro, limpo e distante do polo siderúrgico, é formada em sua maioria por agricultores que hoje só podem trabalhar a terra a mais de 200 quilômetros de suas casas. Este é um drama que se repete em muitas das cidades com atividade de mineração do Brasil, várias delas também mobilizadas.

Edvard Dantas Cardeal, de 68 anos, preside a associação dos moradores de Piquiá de Baixo, afetados pela fumaça e pelos resíduos gerados pelos 70 fornos de fundição existentes na região. “Estamos em perigo, pois vivemos ao lado de cinco siderúrgicas e, além disso, a Vale tem um posto de minério a 300 metros de nossas casas, e todos os dias centenas de toneladas de ferro cruzam nosso povoado durante as 24 horas do dia”, disse à IPS.

A denúncia das precárias condições de vida em Piquiá de Baixo está destacada no Relatório de Insustentabilidade da Vale 2012, apresentado no dia 18 no Rio de Janeiro pela Articulação Internacional dos Afetados pela Vale, que reúne 30 movimentos sociais de Brasil, Canadá, Chile, Argentina e Moçambique, alguns dos países onde a empresa atua.

A diretora-executiva da organização não governamental Justiça Global, Andressa Caldas, afirmou à IPS que o caso de Açailândia é emblemático, porque é uma comunidade assentada há mais de 50 anos e que “pede para ser trasladada devido ao grau de degradação ambiental e contaminação tóxica que sofre”.

Concordando com Andressa, Danilo Chammas, advogado dos moradores de Piquiá de Baixo, observou que o lugar já existia quando foi instalado o polo siderúrgico na região, há 25 anos. Agora, “a convivência se tornou inviável, já que a população respira todos os dias pó de ferro misturado com carvão”, ressaltou.

“O traslado das famílias deveria ter sido feito quando começou a construção do polo, e ainda hoje esta alternativa é a única e urgente”, assegurou Chammas à IPS, acrescentando que exige-se “da Vale um compromisso maior com os moradores e que, efetivamente, forneça recursos para a construção de um novo assentamento longe da contaminação”.

Segundo o Relatório de Insustentabilidade, a Vale “nega-se a reparar os danos causados a essas pessoas e, por conseguinte, a assumir o custo de reassentar as famílias”. Cardeal também aderiu a essa reclamação, porque sua comunidade “não pode mais ficar ali, já que existe um grande risco de a saúde pública degradar ainda mais”. E enfatizou que “não podemos mais, as siderúrgicas contaminam o rio que cruza a cidade e só podemos pedir a Deus para sair deste lugar”.

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A Vale vale mais de 3 trilhões. É a maior mineradora do mundo. Foi vendida aos corsários por apenas 2 bilhões e 200 milhões. Coisa de Fernando Henrique.
Todo bilionário faturamento da Vale vai para o exterior, para manter o alto nível de vida do Primeiro Mundo, enquanto metade da população brasileira tem um rendimento mensal máximo de 270 reais.
Este foi um crime hediondo praticado pela ditadura econômica de FHC, que transformou o Brasil em uma colônia internacional.
BELEZA ROUBADA
Os verdes vales de rios doces
RIQUEZA ROUBADA
Centenas de campos de mineração a céu aberto transformam a vida de milhões de brasileiros em um inferno