“No desfalcado time da cultura brasileira, o badalado Rui Barbosa seria um razoável reserva do Millôr”

por Moacir Japiassu

Millôr Fernandes
Millôr Fernandes

Tudo suposto

Janistraquis encontrou em nosso arquivo esta nota que o considerado João Bosquo(*) despachou de Cuiabá há algum tempo:

Saiu no portal Folha.com, podemos dizer, esta “suposta reportagem” sobre uma “suposta fraude” por causa de uma “suposta pane”.

Suposta fraude na Caixa pode dar prejuízo de R$ 100 mi ao FGTS

As transações financeiras da corretora carioca Tetto realizadas após uma suposta pane no setor de informática da Caixa Econômica Federal ameaçam lesar em cerca de R$ 100 milhões o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), conforme aponta o banco em ação judicial, informa reportagem de Natuza Nery, Dimmi Amora e Rubens Valente publicada na Folha.

Confira: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1023716-suposta-fraude-na-caixa-pode-dar-prejuizo-de-r-100-mi-ao-fgts.shtml.

(*) João Bosquo, jornalista, ex-repórter dos jornais “A Gazeta”, de Cuiabá, “O Estado de Mato Grosso” (fechado nos anos 90), entre outros, atualmente na Secom-MT; e poeta, autor de “Abaixo-Assinado” (1977), com Luiz Edson Fachin; “Sinais Antigos” (1984), “Outros Poemas” (1985) e “Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol” (2006).

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Novas acepções

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo varandão desbeiçado sobre a fábrica de eufemismos do Congresso é possível enxergar as palavras certas afogadas no espelho d’água, pois o Mestre resolveu radicalizar:

Os veículos não mais enguiçam. Quebram: “O engarrafamento foi por causa de um ônibus quebrado na pista” (mas o coletivo estava inteiro…).

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Anedocta

Nos bares de Lisboa conta-se que o Manuel entrou num bar do Rio de Janeiro cerca das 20 horas. Escolheu lugar junto de uma loura vestida com camiseta do PT, criatura muito parecida com Marta Suplicy, e olhou para a TV no momento em que começava o Jornal Nacional. A equipe de reportagem cobria a notícia de um homem que estava prestes a atirar-se do alto de um enorme edifício.

A loura voltou-se para o Manuel e perguntou:

– Você acha que o gajo vai saltar?

Manuel respondeu:

– Eu aposto que ele vai saltar.

A sósia da Marta Suplicy respondeu:

– Bem, eu aposto que não vai.

Manuel pôs uma nota de 20 euros na mesa e exclamou:

– Vamos apostar?

– Sim!

Logo que a loura colocou o dinheiro na mesa, o homem atirou-se e morreu no embate com o solo.

A loura ficou muito aborrecida, mas entregou-lhe a nota de 20 euros.

-Aposta é aposta… é justo… Aqui está seu dinheiro.

Manuel respondeu:

– Não posso aceitar o seu dinheiro; vi a reportagem anteriormente no noticiário das 18 horas. Eu sabia que ele ia saltar.

A loura respondeu:

– Eu também vi, mas nunca pensei que ele o faria novamente.

Manuel pegou o dinheiro e saiu…

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Nota dez

O considerado Sérgio Augusto, maior jornalista cultural do Brasil, escreveu no Estadão:

(…) Conheci Millôr no primeiro semestre de 1963, na revista O Cruzeiro. Era a maior estrela da casa, onde só aparecia às sextas-feiras para entregar as duas páginas de sua seção, o Pif-Paf, e recalibrar o Q.I. da redação. Sempre de terno, de uma feita chegou sobraçando alguns rolos a mais de papel cartonado. A pedido da direção, adaptara para a revista uma sátira lançada no teatro sobre a “verdadeira” história de Adão e Eva no Paraíso.

Eram doze páginas magistrais, de humor e grafismo, que acabariam indignando alguns leitores carolas e provocando a demissão do autor. Acusado de “traidor” pela direção da revista, Millôr jogou para o alto os seus 20 anos de O Cruzeiro e meteu-lhe um processo, que afinal ganhou com o pé nas costas.

Leia no Blogstraquis a íntegra do texto que é uma ode ao mais inteligente brasileiro de todos os tempos. Sem temer a heresia, Janistraquis diz: “No desfalcado time da cultura brasileira, o badalado Rui Barbosa seria um razoável reserva do Millôr.”

T.A.: Trechos transcritos do Jornal da ImprenÇa.
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O badalado Machado de Assis considero um razoável reserva do romancista Moacir Japiassu. Duvida? Então leia Concerto para Paixão e Desatino – Romance de uma Revolução Brasileira (a de 1930) e Quando Alegre Partiste – Melodrama de um Delirante Golpe Militar (o de 1964).
Machado de Assis
Machado de Assis
O exaltado humor inglês de Machado é prentencioso, e mais ainda os abusos de frases em latim. Parece sermão do Padre Vieira. Prefiro os nacionalistas Coelho Neto, Aluísio Azevedo e José de Alencar, mestre renegado de Machado.
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As tramas machadianas lembram novelas da Globo. Pais que desconfiam da paternidade dos filhos, e filhos que desconhecem os pais. Machado que deixava estas dúvidas para o leitor resolver, não previu o futuro com as descobertas da medicina de vanguarda. São dilemas que qualquer DNA resolve.
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Aliás, hoje é possível determinar a paternidade sem o uso de exame de DNA ou testes de DNA. Tire suas dúvidas já. Aqui e agora.
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Filho de mulatos, escondia a cor da pele com roupagem fechada e uma densa barba. Nunca abordou este seu drama pessoal, nem a escravidão nem o sofrimento dos negros de sua época. Um verdadeiro romancista não é um fugitivo do seu tempo.