A fuga do senador asilado na Bolívia, repercussão total contra o Brasil, com um Encarregado de Negócios derrubando o Ministro do Exterior. Cabral não mora mais aqui. A voz do povo, que a partir de 6 de junho era objetiva, se dispersou. A Rússia (dos Romanoff), a França, a Inglaterra e os EUA, têm metrô e ferrovias há mais de 100 anos

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por Helio Fernandes

Depois das manifestações começadas em 6 de junho, que tinha reivindicações diretas relacionadas a providências especificas, houve mudança muito grande.

O protesto começou contra o inacreditável desprezo pela sobrevivência do povo. Que passava e continua passando três horas ou mais em transportes (ônibus, trens, metrô) para ir e voltar de casa para o trabalho.

Não existe um trabalhador (ou outros cidadãos) que não seja atingido por essa calamidade, mais do que isso, verdadeiro massacre d-i-á-r-i-o. Prometeram muito, não fizeram nada. Essa importante infraestrutura não pode ser “inventada” do dia para a noite, perderam dezenas de anos não construindo nada.

RÚSSIA, FRANÇA, INGLATERRA

O metrô da Rússia (desde os tempos dos Romanoff) tem 120 anos. Na Inglaterra, há 2 meses completou 100 anos, foi comemorado com a ida da própria Rainha a uma belíssima estação, das mais antigas.

Já construíram e em pleno funcionamento, o audaciosa transporte subterrâneo, que liga Inglaterra e França, por baixo do mar. E a França também tem metrôs para todos os lados e direções, que transportam milhões de pessoas, diariamente. Até ricos deixam os carros em casa e andam de metrô, com satisfação e eficência.

Nos EUA o transporte coletivo é quase obrigatório. Personalidades destacadas de várias cidades são vistas normalmente em coletivos. O prefeito de Nova Iorque, o bilionário Bloomberg, anda quase sempre de metrô, deixa de lado o carro oficial.

OS PROTESTOS POR MAIS
TRANSPORTES DESAPARECERAM

Inesperadamente, as vozes do povo nas ruas mudaram de volume, passaram do coletivo para o individual. Se concentraram em Sergio Cabral, nenhuma injustiça, tempo e objetivos desperdiçados. Insistiram no “fora Cabral”. Mas por que também não “fora Renan” ou “fora Henrique Eduardo Alves”. Ou “fora Alckmin”.

Nenhuma restrição ao “fora Cabral”. Só que, como no título do filme famoso, “Cabral não mora mais aqui”. Há mais de um mês fazem “plantão” em frente ao apartamento onde “mora” o governador. Só que ele está fazendo mistificação-enganação-empulhação sobre os manifestantes e os protestos.

CABRAL-CAVENDISH

O governador está MORANDO na cobertura do amigo, que naturalmente, por sorte ou coincidência, ganhou fortunas em obras do governo. Mas diariamente, a equipe do governador faz a operação “sai de casa” (pela manhã) e “volta para casa” (à noite).

Por volta de 8 ou 9 da manhã, dois ou três carros (blindados e com vidro esfumaçados) entram no edifício onde o governador mora. A impressão é de que vão buscá-lo, trafegando pela contra-mão. Passado algum tempo saem, como se Cabral estivesse no carro. À noite repetem a operação, inversa.

“POUPEM MINHA FAMÍLIA,
MINHA MULHER E FILHOS”.

Já repetiu esse quase bordão, várias vezes na televisão. Mas há muito tempo está na belíssima cobertura do empreiteiro Cavendish, com vista maravilhosa. Na verdade, é incontestável: ninguém resistiria tanto tempo, entrando e saindo de um local dia a dia “tranquilizado” pelos que querem apenas que ele “deixe o governo”.

O CABRAL DA BOLÍVIA
FOGE PARA O BRASIL

Nesta época de várias personalidades de repercussão internacional, asilado ou lutando por asilo, esse boliviano cria problemas e envolve o Brasil na fuga inacreditável.

Ele pediu asilo ao Brasil, concedido. Mas a Bolívia, um direito dela, não concedeu salvo-conduto para ele viajar. O mesmo que aconteceu com Assange do WikiLeaks, fechado num quarto da embaixada do Equador em Londres, e com o agente Snowden, que conseguiu na Rússia um asilo provisório. Sem isso não poderia sair do aeroporto de Moscou.

O CHANCELER DO BRASIL
NADA A VER COM A FUGA

Já critiquei muito o ministro do Exterior pela falta de participação e de agressividade de nossa política externa. Só que ele cumpre ordens. O que não aconteceu agora. Na altura da Bolívia e na altura dos acontecimentos, só podia agir como agiu.

O fato é inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro. Não existe um item explicável. O senador Roger Pinto fugiu da Embaixada do Brasil num carro diplomático, tinha transporte para vir para o Brasil, com toda proteção. Chegou a Mato Grosso, foi para a capital e andou pelas ruas como se fosse um cidadão no pleno gozo de seus direitos.

Quando o ministro Patriota foi comunicado, não acreditou. Um diplomata me disse que ele ficou “estarrecido” (palavra textual e mais do que razoável).

DIPLOMATA EDUARDO SABOIA
DIZ QUE SALVOU UM SER HUMANO

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O senador asilado saiu da Embaixada e fugiu num carro diplomático (do Brasil) durante 22 horas. De Mato Grosso foi para Brasília, tendo acionado para protegê-lo o senador brasileiro Ricardo Ferraço, que lhe deu cobertura total, quebrando todas as regras diplomáticas. Que conhece como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Me disseram que o senador Ferraço (que é do PMDB-ES), assim que decidiu ir buscar o fugitivo, conversou com Renan Calheiros, disse o que ia fazer. Nada surpreendente. Ferraço não tem cacife político ou gabarito para agir sozinho. Mas segundo o mesmo informante, Renan respondeu: “Você é presidente da Comissão de Relações Exteriores”. E não se comprometeu.

PS – Para terminar, Patriota, que iria viajar hoje, a trabalho, para a Europa, cancelou a viagem e logo em seguida foi demitido pela presidente.

PS2 – O ministro Eduardo Sabóia, que responde como Encarregado de Negócios (a Bolívia está sem embaixador), ficou em situação dificílima. Na primeira declaração ao chegar ao Brasil ontem, por volta das 6 horas da noite, ele assumiu a responsabilidade da fuga do asilado.

PS3 – E disse, no que pode ser considerado o Prêmio Nobel da bajulação: “Decidi ajudar um ser humano, PERSEGUIDO, da mesma forma que a presidente Dilma foi PERSEGUIDA no passado”. Acho que piorou sua situação.

MP: 53 inquéritos investigam as propinas do metrô de São Paulo

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Marli Moreira*
Agência Brasil
São Paulo – A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social abriu mais seis inquéritos para apurar as denúncias de superfaturamento em contratos e de formação de cartel em licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Com isso, chega a 53 o número de inquéritos sobre o caso, relativo a concorrências públicas abertas no período de 1998 a 2007.

Dezenove inquéritos referem-se a ações investigativas que tinham sido arquivadas e foram retomadas após ter sido divulgada a informação de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está apurando se as empresas envolvidas fizeram acordos para aumentar o valor dos contratos.

Entre os processos reabertos, apenas quatro chegaram a dar origem a ações civis públicas. Um deles se refere à ação movida contra ex-diretores da CPTM e três multinacionais: a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a espanhola Caf.

O processo em tramitação na 7ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo investiga se houve irregularidades no contrato de fornecimento de trens no valor de R$ 223,5 milhões. De acordo com o Ministério Público, o indício de irregularidade foi detectado no fornecimento de 12 trens, além dos 30 estabelecidos no contrato original, dispensando uma nova licitação.

Os executivos das empresas que figuram nos inquéritos devem começar a ser ouvidos pelo Ministério Público de São Paulo ainda neste mês. A Promotoria do Patrimônio Público e Social apura se foram cometidos atos que configurem improbidade administrativa, dano ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.

*Colaborou Daniel Mello

Título do editor do blogue

 

A disputa dos governadores. Quem faturou o estádio mais caro?

Legado da copa da África do Sul, por Rajesh KC
Legado da Copa da África do Sul, por Rajesh KC

Digo sempre: não se faz nada que preste para o povo.

A pauta da imprensa seria fotografar o camarote do governador em cada estádio. Quanto mais luxuoso mais dinheiro para a mordomia.

A gastança começa com o deslocamento: sua excelência vai para o estádio de helicóptero ou em um luxuoso carro blindado seguido por seguranças armados para uma imaginária guerra.

Todo poder absolutista requer proteção exclusiva. Os coronéis de quartel das PMs e das Forças Armadas trancam as ruas que moram. Ninguém pode passar na calçada.

Criaram espaços restritos para os condomínios da elite, quando a rua é do povo. No Brasil é proibido praia particular. E guardas armados com metralhadoras estão fechando praias. Esses abusos ditatoriais – que começaram em primeiro de abril de 1964 – precisam acabar já.

Preço até agora: 1,7 bilhão
Preço até agora: 1,7 bilhão

Intolerância da polícia e a tolerância da imprensa

Por Dioclécio Luz

No sábado (14/6), na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, a Polícia Militar caiu batendo sobre um grupo que protestava contra os custos da Copa. Uma boa parte eram estudantes universitários. Não houve negociação. A PM determinou que o grupo não poderia se aproximar do estádio, fechou um círculo sobre eles e, não satisfeita, lançou gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha. Por fim, deteve duas dúzias de jovens. Qual a acusação? Bem, pode se inventar algo como “tentativa de atrapalhar as festas dos ricos”. Ou, então, “tentativa de fazer algo que a polícia de Brasília não gosta, manifestar-se contra o poder instalado”. Talvez se apele para o velho e mofado bordão que protege os que abusam do poder: “Teje preso por desacato à autoridade”.

A bem da verdade, o crime de “desacato à autoridade”, estabelecido pelo Código Penal, costuma aparecer quando o poder público abusa ou quando surge uma reivindicação cidadã. Por exemplo, tudo que é repartição pública que presta um serviço de quinta categoria tem lá a sua placa ameaçando os possíveis críticos. Todo hospital público que atua mal e porcamente (e são muitos no Brasil) expõe cartazes com esta ameaça. Os jornalistas que atuam na linha de frente das investigações, os que questionam o poder, vez ou outra são detidos e indiciados por “desacato à autoridade” – é a panacéia para o poder se impor diante de quem ousa lhe questionar.

É claro que, conforme a Constituição brasileira, constitucionalmente todos têm direito a se reunir e se manifestar. Nenhum poder pode impedir isso. A não ser, claro, o poder da bala. E foi o que se usou. Questionar esse método é também desacato…

Força vs. inteligência

A PM de Brasília, a bem mais paga do país e, ao que parece, tão despreparada quanto as outras, tem um histórico de intolerância com os jovens. Há cerca de três anos um grupo tentou impedir a transformação de uma pequena área indígena num bairro de elite, o Noroeste. A PM foi para cima e saiu batendo nos garotos. A repercussão na imprensa foi pequena porque uma parte dessa imprensa já tinha negócios com as empreiteiras.

Em 2010, quando o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda estava prestes a ir para cadeia por conta de tramoias, essa mesma PM foi para cima dos manifestantes que pediam sua saída – a cavalaria lançou-se sobre a garotada deitada no chão. Se um cavalo pisoteia a coluna de uma pessoa ela podia morrer ou ficar paralítica para o resto da vida. As imagens do caos provocado pela polícia mostram que isxo poderia ter acontecido.

Há também o caso do “Galinho de Brasília”, um pequeno bloco de frevo inspirado no “Galo da Madrugada” do Recife, que ao encerrar seu desfile no carnaval de 2008 teve os foliões atacados por um arrastão policial. Na rua transitavam crianças, idosos, mulheres, mas como veio a ordem de limpar a via deu-se o caos: gás, tiros de festim, balas de borracha, correrias, espancamentos…

Na abertura da Copa das Confederações, como aconteceu em outras praças do país, mais uma vez houve enfrentamento da polícia com os manifestantes. Talvez em virtude do seu treinamento militar, a polícia não se pergunta sobre a real dimensão do problema – ao seu modo, ela foge do problema. Porque em Brasília certamente esses manifestantes que eram contra, principalmente, os gastos na Copa, não poderiam causar danos materiais ou às demais pessoas. Era, fundamentalmente, um ato simbólico. Eram senhoras, senhores, jovens estudantes. Ninguém estava armado com fuzis, metralhadoras, bazucas… Isto é, não era uma guerra.

Poderia ter alguém planejando um ato violento? Sim, é possível. Mas para isso existe os serviços de Inteligência. Basta alguém se infiltrar para identificar os possíveis “baderneiros”. Por que a polícia não usou a inteligência e apelou para força bruta é algo que merece ser avaliado pela imprensa. Aliás, por que a polícia de Brasília adotou como prática apelar para força bruta ao invés da inteligência?

Outra pauta

O ato simbólico da garotada era legal, justo e cidadão. Ao invés de bater em quem não tinha como se defender, a polícia deveria defender e apoiar esse grupo. O que o governador Agnelo Queiroz está fazendo, além de enterrar o Partido dos Trabalhadores, ainda não foi dito pela imprensa local que tem lá suas razões (financeiras?) para se associar a esse governo. Os manifestantes questionavam, por exemplo, o fato de o Governo do Distrito Federal (GDF) investir tanto na Copa, mas oferecer um dos piores serviços médicos do país. Questionavam o transporte público na capital do país: os ônibus são sujos, lotados, não cumprem horários e costumam quebrar. Se parte da imprensa local opta por defender o governador, muitos brasilienses sabem disso. E uns poucos foram à rua protestar. O problema é que esse protesto poderia atrapalhar a festa do governador Agnelo, da presidente Dilma Roussef, e do chefe deles todos, Joseph Blatter, presidente da Fifa. E isso eles não iriam tolerar. Por isso mandaram a polícia sobre a garotada.

Conforme a rádio BandNews, na manhã do dia 14/6 os dois grupos – polícia e manifestantes – haviam se desentendido. Diz o repórter que, quando tudo parecia em paz, um dos manifestantes ofereceu uma flor ao policial. O militar não tolerou aquilo que, para ele, era uma provocação. Na verdade, receber uma flor não pode ser entendido como provocação. A princípio é um gesto de paz em qualquer lugar do mundo. E mesmo que, no extremo, fosse um deboche, um policial não deveria se descontrolar. A tropa ainda precisa ser treinada naquilo que é fundamental para um agrupamento militar: tolerar e saber como agir, se provocada. O policial, no caso, mostrou que não sabe como reagir nesses momentos de tensão. Na verdade, é uma péssima lição para a sociedade – se o policial não sabe como agir em momentos de tensão, que dirá o cidadão comum? Se o relato do repórter exprime a realidade, certamente a PM não está preparada para lidar com manifestações contrárias ao poder.

Mas, e quanto às críticas dos manifestantes. Têm fundamento? E se tem fundamento o que a imprensa apurou e denunciou?

Conforme o noticiado, o Ministério dos Esportes gastou R$ 26 milhões somente na preparação dos voluntários da Copa das Confederações da Fifa. Voluntárias são aquelas pessoas que toparam trabalhar de graça para a Fifa, a empresa bilionária que está promovendo o evento no Brasil. Mas isso é outra história. Outra pauta…

O Brasil, com dinheiro público, construiu uma dezena de estádios de futebol para os eventos da Fifa. Somente no Estádio Nacional de Brasília, o país investiu R$ 1,2 bilhão, segundo as fontes oficiais, ou R$ 1,6 bilhão segundo fontes reais. E não está pronto ainda. Consta que ainda é preciso fazer um túnel entre o Centro de Convenções – onde será instalado um comitê de imprensa – e o estádio, para que os jornalistas não se exponham ao sol e ao vento na caminhada de 100 metros entre os dois espaços. Também falta construir o estacionamento, fazer o paisagismo… O que vai custar mais R$ 350 milhões, ou algo assim. Aposte no “algo assim”, porque esse estádio deveria custar R$ 750 milhões, mas recebeu aditivos financeiros e chegou ao bilhão anunciado. É o estádio mais caro do Brasil.

Talvez depois de alguns meses ele tenha o mesmo destino inglório do Maracanã. Construído na década de 1950 para abrigar a Copa do Mundo, graças ao esforço do pernambucano Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, o Maracanã não é mais nosso. Depois de ter recebido algo em torno de R$ 1 bilhão em recursos públicos, ele foi cedido ao nosso grande ícone capitalista, o nosso Tio Patinhas, Eike Batista. Mas isso é outra história. Ou outra pauta…

Vaias certeiras

No Estádio Nacional Mané Garrincha os gastos não se encerram. A cada evento mais recursos públicos são injetados. Por exemplo, para o jogo do Brasil contra o Japão, havia um contingente de, pelo menos, 2.500 policiais militares. Qual o custo disso? Considerando que se trata da força policial mais cara do Brasil, com salário médio de R$ 4mil…

Há outras contas. Considere-se que trabalhou a Polícia Militar, o Detran, os Bombeiros, a Polícia Federal e até o Exército. Adicionem-se os gastos com combustíveis das viaturas, deslocamentos, e até a manutenção de um ou dois helicópteros sobrevoando – por mais de 4 horas – as imediações do estádio. Esta conta (gastos públicos) ainda não foi feita. E não se encerra aí. Como a Fifa receia atos terroristas, mandou o governo federal adotar medidas para que isso não aconteça. Obediente, o Brasil teve que comprar uma série de artefatos ultrassofisticados de controle de segurança e, consta, até dispositivos antimísseis. Esses equipamentos, dentro do mercado da morte, digo, mercado de armas, mede-se em milhões e bilhões de dólares. Considere-se também que, há meses, muitos funcionários do governo federal e distrital dedicaram-se exclusivamente à Copa.

Sim, são duas Copas: há essa agora, a “das Confederações” e a outra, a “do Mundo”. A duas são da Fifa. Isto é, a bilheteria é dela. O Brasil entra com os estádios, infraestrutura, pessoal… enfim, com tudo. O Estado dá o circo e eles faturam com o espetáculo.

O que o país ganha com isso? Os grandes negociantes vão faturar bastante; os pequenos ficam com as sobras do banquete. A população ganha o espetáculo do circo, o efêmero, um carnaval sem marchinha. Selecionado. Quem quiser entrar no circo – construído com recursos públicos – vai ter que pagar caro pelo abadá, muito caro. Pobre que vá engolir pela TV o discurso míope e moralista de Galvão Bueno, narrando um jogo que não é aquele que passa à sua frente.

Se esses são fatos, por que a maioria da imprensa é tão tolerante com a farta distribuição de dinheiro público para um evento de caráter privado? Por que tolerou compras sem licitação, quebrando uma regra de transparência (constitucional) na administração pública? Por que aceita que o Estado se humilhe às condições impostas pela Fifa? A imprensa não deveria ser tolerante com esse tipo de coisa. E a polícia deveria ser tolerante de quem se organiza e questiona tudo isso. Os manifestantes estavam do lado da lei, da transparência, na defesa do bem público. A polícia deveria – sempre – estar ao lado de quem faz isso.

Quanto à seleção brasileira. Por conta da TV Globo, dos negócios e dos negociantes, dessa política e de alguns empresários, o futebol enquanto paixão está em plena decadência. O povo não é bobo. Daí as vaias para Joseph Blatter, Dilma Roussef e a polícia de Brasília. O que fazem os manifestantes em todo país é alertar sobre isso.

O metrô do Rio está com 300 anos de atraso. O de Londres festejou 150 anos, até a rainha foi lá. O de Moscou dos Romanoffs tem mais do que isso. O mesmo no resto do mundo. E a incompetência com as enchentes?

por Helio Fernandes

O deputado Alexandre Molon fez restrições e acusações ao governador. Só em matéria de metrô, são as seguintes, assustadoras e arrasadoras. E todas com nome e sobrenome, dele e de Cabral.

 Cabral, a “autoridade”

1 – Para expandir o metrô da Barra, foi necessário fechar por 10 meses a estação da General Osório.

2 – Abandonaram o projeto da Linha 4, essencial, que ligaria a Barra ao Centro da cidade, passando pelo Jardim Botânico. (Que tem um dos trânsitos mais congestionados dos bairros).

3 – A BBC fez estudo comparando o metrô do Rio com o de outras grandes capitais. Conclusão: o do Rio precisaria de 300 anos para chegar até onde já foi o metrô de Londres.

4 – A BBC lembra também que o metrô foi fundamental para a última Olimpíada, em Londres, e o que será da próxima, no Rio?

5 – Molon mostra que o metrô do Rio cresce 1,03 de estação, por ano. Enquanto o de Xangai cresce 16,2. Algum comentário do governador, ou ele explicará que está tentando levar o metrô até Mangaratiba?

Moradia popular. Não se faz nada que preste para o povo

Taí mais um caso de polícia. Que a justiça faz que não está vendo. Se faz de cega.

Quem vai investigar este conto do vigário? Um mil e oitocentas famílias enganadas, atraiçoadas, burladas, espoliadas, fraudadas, iludidas, lesadas, ludibriadas, trapaceadas pelos espertalhões. Tem na jogada uma cachoeira de dinheiro. Os moradores dessa geringonça, em Goiânia, estão pagando (que os governantes brasileiros não realizam nada de graça para o povo), mensalmente, o equivalente a 10% da renda familiar por um período de 10 anos.

Jardim Cerrado VII foi inaugurado há menos de um ano, mas as casas apresentam defeitos estruturais

Escreve Catherine Moraes:

Rachaduras no chão e nas paredes,  teto  do  banheiro desabado, problemas hidráulicos, elétricos e inúmeras  infiltrações. Estes são apenas alguns dos problemas sofridos pelas 1.808 famílias moradoras do Jardim Cerrado  VII,  beneficiadas  pelo programa  “Minha Casa Minha Vida”. As casas, entregues pela prefeitura  em  dezembro  de 2011, ainda não completaram um ano  já são alvo de críticas, processos e reclamação popular. Os moradores, que pagam 10% da renda pelo local, reclamam  de Estrutura  precária. Anteontem,  a  construtora Brookfield, responsável pela obra, foi autuada pelo Procon Goiás.

O conjunto habitacional é dividido  em  quadras,  sendo que cada uma delas possui vários  blocos.  Nestes,  quatro apartamentos  são  divididos em  dois  andares.  O bairro conta ainda com creches, escola e Cais, todos construídos pela Brookfield,  e,  segundo moradores, todos os projetos estão com as mesmas  falhas. Por esse motivo, eles estão se organizando em grupos para dar entrada em processos contra a construtora.

“Os apartamentos são entregues sem cerâmica no chão e eu coloquei o piso em minha sala. Agora, descobri que o meu vizinho que mora embaixo está sofrendo infiltração. O que me disseram é que vou ter de retirar minha cerâmica toda para poder solucionar o problema. Eu me mudei em 31 de dezembro e, desde então, tenho sofrido vários problemas. As escadas estão cedendo, as rachaduras são inúmeras. Precisamos de uma solução”, indigna-se a manicure Gislaine de Souza.

Impedido

Segundo Regina Célia de Oliveira, síndica do condomínio 34, a fiação elétrica é feita no chão e, com a chuva, está acumulando areia e água junto aos fios, causando mau contato na energia. O motorista Walter de Paula Ramos, 39, sofre isso na pele. Há dias, ele está impedido de  ligar todos os eletrodomésticos na tomada e por pouco não foi vítima de um incêndio.

“Eu trabalhei na empresa e afirmo: nem todos os contratados são capacitados para o serviço. A mão de obra está escassa  e muitas  construtoras contratam  pessoal  inexperiente. Além disso, não fornecem cursos. É tudo muito malfeito, rachaduras,  energia, o disjuntor, por exemplo,  fica a meio  quarteirão  da  minha casa. Quando cai a energia, preciso  ir lá  ligar de novo. É um absurdo”, reclama Walter.

Walter  reclama  ainda  de problemas de planta, como a caixa  de  esgoto que  fica  em frente às casas. “Onde o engenheiro  estava  com  a  cabeça quando fez isso? Minha janela não fecha, meu chão está completamente rachado. Não temos nenhuma segurança, não existe estética. É notória a diferença, por exemplo, de casas particulares, construídas também pela Brookfield aqui no bairro. O material é de outra qualidade, o projeto existe de verdade. Estamos pagando por essa casa, merecemos respeito. Estou cansado de reclamar e não ser atendido, não perceber nenhuma solução”, completa.

Em algumas residências, o gesso do teto do banheiro caiu, mas depois de denunciada por uma emissora de televisão, a construtora providenciou os ajustes necessários.

Acessibilidade

Ordália Borges Oliveira, de 80  anos, mora  sozinha  e,  já usuária de uma cadeira de rodas, não possui casa adaptada. De forma otimista, ela fala que desce sozinha as escadas que dão acesso à rua do condomínio. O banheiro também sem corrimão não possui  instalações adequadas para a  idosa. Ainda assim, ela diz que  “dá um
jeitinho”.

Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração

A crise grega. Todo planeta está em luta?

Metrô de Moscou

 

metrô do Rio de Janeiro

Há uma guerra no mundo árabe. De salvação, revela a imprensa dos países invasores – sabidamente Estados Unidos, e os países mais ricos da Europa.

Dinheiro para a guerra a Europa tem. Apesar da crise na Itália, Espanha, Portugal, Inglaterra, países que compraram as estatais brasileiras de telefonia, energia, bancos, e exploram nosso petróleo, gás, e toda riqueza de nossos minérios, inclusive o nióbio, o precioso nióbio, que o Brasil detém 98 por cento das jazidas. Também em crise a Irlanda, a Grécia.

Os europeus culpam os banqueiros, os especuladores da bolsa.

O Brasil é hoje uma colônia internacional com montadoras, oficinas, bancos, mineradoras e serviços estrangeiros. Isso o governo Fernando Henrique, que vendeu mais de 70 por cento das estatais, chamou de globalização. Todo o Brasil foi devorado por leilões. Esta queima Lula da Silva chamou de rodadas. Foi assim fatiada a quarta maior empresa petrolífera do mundo – a Petrobras. E doada a maior mineradora do mundo – a Vale do Rio Doce. A Vale foi vendida por 2 bilhões e 200 milhões. Vale três trilhões. Foi o mais valioso e impune roubo da história mundial. Eis porque chamo a globalização de unilateral.

No Brasil ninguém protestou. Apesar dos processos que correram e correm em foro especial, criado por Fernando Henrique.

O foro especial, em segredo de justiça, criou a justiça secreta, apenas possível em uma ditadura. No caso uma ditadura econômica, com uma justiça absolutista. Assim foi consolidada a corrupção no Brasil.

Como explicar o milagre brasileiro de um governo rico, em um pais das filiais estrangeiras, se a Matrix está em crise?

Fácil. Os europeus e os estadunidenses não querem perder seus direitos de viver bem. De comer bem.

Portugal faz passeata por mais queijo e mais vinho.

O direito de morar bem. De ter tempo para a família, para o descanso, o lazer. De ter espaço. De ter cidades que ofereçam os serviços essenciais, e conforto. Compare o metrô de Moscou com o metrô do Rio, de São Paulo. O Brasil não constrói nada luxuoso para o povo. O povo não merece.

Existe crise para um sem terra, um sem teto, um bolsa família, que vive abaixo da linha de pobreza?

Ou para um assalariado, um pensionista, um aposentado que recebe o miserável, humilhante salário mínimo do mínimo de 545 reais?

O governo tem dinheiro porque tira do povo. Não investe em benefício do povo.

Tudo que se tira do povo vira lucro para o governo, para a corrupção. É dinheiro que termina nos países ricos e nos paraísos fiscais.