O pior tipo de homem de todos os tempos

O que vale aqui é o macho PMDB como simbologia de um dos piores tipos de homem da existência. O que recebe e não dá quase nada em troca

 

 

por XICO SÁ
El País/ Espanha

Em mais um serviço de utilidade pública deste cronista de costumes que vos bafeja a nuca, alerto, mulheres de todas as cores e credos, para os perigos de um tipinho de homem da pior categoria que circula livremente por aí, epa: o macho PMDB. Alto teor de periculosidade. Supera qualquer homem-bouquet e até o homem de Ossanha, dois dos tipos mais vexaminosos da minha catalogação masculina —vide bula ao final deste texto.

O macho PMDB é o tipo de cafa que repete no amor e na vida o mesmo comportamento dos Cunhas e Renans do Parlamento. Sabe aquele canalha que faz você pensar “pior sem ele”? O tal vive disso. E assim toca o terror ad infinitum. Vive desse medo que alimenta a cada segundo. O medo no Brasil, aliás, meu amigo Mauro Zafalon, é uma das melhores apostas no vaivém das commodities. O medo no Brasil vale muita grana.

O que seria da audiência dos programas policiais sem isso? Amedrontar no Brasil é negócio graúdo, o medo vendido à custa dos velhos preconceitos, haja cacau para as firmas de segurança. Corta pra mim, sujeito probo e moralista, amedrontar é vender uma pá de coisas, bem sabemos. Medo no Brasil é indústria, medobrás etc. Conheço muita gente que vive de susto… Espanto é dinheiro.

O macho PMDB não é homem que é homem, não passa de um aproveitador, não sabe que homem que é homem não sabe, nem sequer procura saber, o que é estria ou celulite

 

O homem PMDB, pois, aquele por quem você faz todo sacrifício e o tal lhe deixa na mão, sempre. Por mais que você se sacrifique, no acerto, ele diz: “Não foi isso que combinamos”. Os fofoqueiros de plantão, em Brasília ou na vizinhança aí em Juazeiro do Norte, sempre dão razão ao homem peemedebista, veja os nossos jornais. Mais uma vitória do macho PMDB, gritam as manchetes, orgulhosas.

Assim no relacionamento amoroso como no Governo. O homem dessa estirpe tem muito crédito, não se sabe como nem o porquê, muito menos o merecimento. Eis um mistério do planeta, como diriam os meus brothers dos Novos Baianos.

Não adianta. No dia-a-dia do lar, pior ainda. Você ali, toda gostosa comendo a sua granola matinal e ele, corvo dos infernos, mirando você de cima a baixo, no puro intuito de rebaixá-la.

Você diz, pela enésima vez: como posso me humilhar diante de um cara desse tipo. E repete o jogo perverso. O peemedebista, digo, o peemedebesta, o peemedebosta, humilha diante de qualquer miragem de estria ou celulite. O macho PMDB não é homem que é homem, não passa de um aproveitador, não sabe que homem que é homem não sabe, nem sequer procura saber, o que é estria ou celulite.

O homem PMDB é pior que a saúva na arte de acabar com o Brasil, como previu Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), grande naturalista francês. O macho peemedebesta está mais para a a adaptação da metáfora formigueira feita pelo escritor Mário de Andrade no livro Macunaíma: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”.

MacunaEmo

O homem PMDB está mais, justiça seja feita, para um MacunaEmo, mistura da preguiça da lenda Macunaíma com o chororô de um jovem roqueiro Emo. Nessa historinha, ele leva tudo que quer, sempre. Cargos de todos os escalões e todos os “por foras” possíveis.

O homem PMDB, amiga, é como me contava agorinha aqui no Rio a Jô Hallack, grande cronista, é aquele que só te ferra. Mesmo assim você pensa: sem ele eu tô frita. E não está. Ele já lhe trairia de qualquer jeito. Mesmo quando você é Governo, digo, Dilma, e já o contemplou de véspera. O macho peemedebesta é um traidor de nascença, sempre te passará a perna.

Boa, Jô, ele já trairia de qualquer forma. Este tipinho de homem, baby, é aquele que te explora e nada deixa em troca. Nem te defende na hora que precisas. Não te defende nem diante de um trombadinha da avenida Nossa Senhora de Copacabana. É pura chantagem. Serve para quê um homem desses? Nem para te levar, no passeio do amor, do lado de dentro da calçada, como manda a etiqueta amorosa.

Você o valoriza como um lorde, um milorde de Game of Thrones, e o besta, o peemedebista, nem ai para a hora do Brasil. Só pensa em lobby e cargos e mais cargos. Na real, esse cara está noutra.

O macho PMDB é o pior dos moralistas. Cagado e cuspido um Eduardo Cunha. Condena qualquer desvio da tradição, da família e da propriedade, embora viva na putaria de Brasília como qualquer outro. Condena qualquer desvio de conduta, embora, como o presidente da Câmara, viva, desde o PC Farias, como o mais faminto mamífero dos esquemas –cansei de vê-lo mendigando grana de PC em muitas salas de espera do Rio e São Paulo, ele sabe que estou falando daquele flat na Vila Olímpia. Aquele narigão não me engana. PC o achava um mala, me dizia, mas o cara era caixa de bufunfa na Telerj, a companhia telefônica carioca, como desprezá-lo?

Medo no Brasil é indústria, medobrás etc. Conheço muita gente que vive de susto… Espanto é dinheiro

 

Saí do prumo, desculpa. O que vale aqui é o macho PMDB como simbologia de um dos piores tipos de homem da existência. O que recebe e não dá quase nada em troca. O que faz questão de não cumprir os tratos, sempre jogando na confusão que a mídia, cúmplice na narrativa canalha, adora.

O homem PMDB é pior que a saúva ou qualquer praga. Não há cafajeste que se compare. O cafa, mesmo minimamente, cumpre, comparece. O homem PMDB, esquece. Este só cobra caro e nada dá de volta. Quase um assalto. Um assalto sentimental ou político. Que sirva pelo menos para levar quem aceita este jogo para a terapia. Imediatamente. Pense nisso, Denise, a garçonete que me fala de amor no quiosque do posto 5 de Copacabana, pense também, igualmente, respeitável presidenta Dilma.

Agora explicando, como prometi, o homem-bouquet: Aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa cheio de dramas e nove-horas, cheira a rolha, balança a taça, sente o amadeirado. Gostar de vinho bom, velho Baco, não é um delito. Pecado mesmo é arrotar esse conhecimento ridículo por horas nas oiças da moça.

Ah, o Homem-Ossanha, só rindo. Trata-se daquele cara que repete o comportamento da música “Canto de Ossanha”, quanta obviedade, samba de Vinícius de Moraes e Baden Powell: “O homem que diz vou/ Não vai!”Aquele que tira a maior onda no mundo virtual e, na hora agá, quase nada. Coitado.

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O medo irracional de Cunha

Até os veneráveis ministros do Supremo não parecem ter pressa em tirá-lo de cena e dizem que vão “estudar” como impedir que possa transformar-se dentro de alguns dias na segunda autoridade da República

 

Cunha é o político mais temido e até invejado por seu poder. Quando mais atacado, mais forte se sente

por JUAN ARIAS
El País/ Espanha

Se alguém de fora quisesse analisar o fenômeno Eduardo Cunha, não poderia deixar de se perguntar: “Por que todos têm medo dele?”.

É um medo irracional ou real? Esse medo poderia ainda se agravar se for verdade que, na iminência de poder ser preso, o presidente da Câmara dos Deputados brasileira tenha já preparada uma delação premiada (acordo para confessar em troca de vantagens judiciais) cujos documentos conserva lacrados em um cofre, talvez fora do país, e que fariam tremer meia República. Serão seus segredos a força de seu poder?

E se tudo fosse um blefe?

“O medo da sombra (imaginário) é maior que o medo do escuro (real). O homem joga com as aparências, bandido, manipulador, imagina o que os outros imaginam que sabe”, diz Augusto Messias, catedrático da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e membro da Academia Nacional de Medicina do Brasil.

Condenado e até depreciado por 90% da sociedade por ter acumulado tanto peso de corrupção e cinismo sobre suas costas, Cunha é, na verdade, o político mais temido e até invejado por seu poder. Parece que acaba ganhando sempre. Quando mais atacado, mais forte se sente.

Do Sansão bíblico se dizia que sua força residia em sua cabeleira. Onde reside a de Cunha?

A sociedade que não conhece o emaranhado de leis jurídicas e regulamentos não entende por que com todas as incriminações contra ele pode continuar presidindo a Câmara dos Deputados e ser a terceira autoridade da República.

Depois de cada investida contra ele, cada vez que parece enredado em uma nova disputa acaba ressurgindo como uma ave fênix. E volta a desafiar todos.

Dizem que quanto mais atacado, mais cresce. E ainda não renunciou a um sonho: ser, ainda que somente por um dia, presidente da República.

Se o Supremo não se apressar em despojá-lo da presidência da Câmara até poderá conseguir. Nesse dia, se chegar, o Brasil deveria estar de luto.

O que a sociedade vê é que até a oposição fecha os olhos para não o enfrentar. Que a Câmara segue firme a seu lado, como se viu no aplauso que recebeu quando votou a favor da destituição da presidenta Dilma Rousseff. E agora fará parte do possível novo Governo do que hoje é vice-presidente, Michel Temer.

Todos iriam querê-lo a seu lado, se não fosse corrupto. Até Dilma Rousseff tentou, em vão.

Alguns o quereriam mesmo sabendo o que é. Existe entre os políticos um mórbido fascínio inconfessável por essa força, para alguns diabólica, do personagem.

Até os veneráveis ministros do Supremo não parecem ter pressa em tirá-lo de cena e dizem que vão “estudar” como impedir que possa transformar-se dentro de alguns dias na segunda autoridade da República.

Uma das chaves do caso Cunha, talvez a mais importante, foi revelada neste jornal pelo agudo analista da alma humana Xico Sá há mais de um ano, quando o qualificou como “o pior tipo de homem de todos os tempos”.

Em seu texto, Xico, a quem acredito me une uma certa cumplicidade em nossa formação juvenil, antecipou o que poderia ser a verdadeira força oculta de Cunha: “Vive desse medo que alimenta a cada segundo”.

Um medo perigoso. Ao que parece, disse há algum tempo que “morreria matando”, E está começando a matar a presidenta da República. E ele continua vivo.

E assim, Cunha, em vez de morrer com os filisteus depois de ter quebrado as colunas do templo, poderia acabar até se salvando deixando morrer abandonados pelo caminho os seus inimigos, que podem ser muitos.

A luta, até a da Justiça, com Cunha não parece fácil.

Tem razão, Xico, o monstro “vive do medo que alimenta”.

Medo que parece contagiar a todos, dada a reverência com a qual é tratado até pela mais alta corte de Justiça.

Temer também terá medo de Cunha?

A ver.

O voto do ódio fez o nazifascismo triunfar na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini

A eleição do melhor candidato. A eleição do melhor para o povo em geral.

No Brasil, por falta de debate, censura da mídia e da justiça, o eleitor não conhece os candidatos aos cargos executivos e legislativos. Vota no escuro em políticos de ficha suja. Em ladrões. Em assassinos. Ou vende o voto. Ou vota pelo ódio a um partido. instituto Vox Populi: ódio ao PT atinge 12% do eleitorado.

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Os comícios chows, com cantores pagos, transformam a campanha em um pastoril. O voto na Mestra. Na Contra-Mestra. Na Diana. Na Borboleta. No pastoril não existe ideais, idealismo. Apenas a paixão, a festa de ser vermelho, ou azul, ou vestir uma camisa com um lado encarnado e outro azulado.

Corrompe o pleito o voto vendido. E o voto do ódio. Do nazismo. Pelo retorno da ditadura.

Thiago Lucas
Thiago Lucas

O voto racista. O voto homofóbico pregado pelos pastores. A guerra religiosa. O voto iconoclasta.

homofobia religião indignados

O voto do medo. Medo dos sem teto. Medo dos sem terra. Quando o Congresso deve representar todas as classes sociais, e não apenas os ricos, a elite.

Ensina Marcos Simões: “O motivo do ódio? Entorpecimento e envenenamento midiático. O pior de tudo isso? É saber que existem pessoas que dão audiência à mídia corrupta e sonegadora de impostos. Pior ainda é saber que não conhecem um pingo, uma gota da História do Brasil! Tem-se que ter paciência, pois o fruto não cai da árvore verde”.

por Giancarlo Moser — lavagem cerebral pensamento propaganda tv

A Globo mente e ataca a Petrobras

 

Carta aberta à Leticia Fernandes e ao jornal O Globo

 

petrobras-michelle

 

Por Michelle Daher Vieira no seu Perfil do FaceBook

 

Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria. Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.

Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.

Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas estas experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se vivêssemos a mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal em que ela trabalha, já tendo vários colegas sendo demitidos[1], a rotina de e-mails com represálias e determinando que tipo de informação deve ser publicada ou escondida devem ser rotina em seu trabalho[2], sempre na intenção de desinformar a população e transmitir só o que interessa, mantendo a população refém de informações mentirosas e distorcidas.

Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado. Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. Mas dá para entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido[3] em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.

Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. O único escândalo que me lembro ter ganho as mesma proporção histérica nas páginas deste jornal foi o da AP 470, por que? Por que não revelam as provas escondidas no Inquérito 2474[4] e não foi falado nisto? Por que não leio nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do HSBC[5]? Quem são os protegidos? Por que o silêncio sobre a dívida da sonegação[6] da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos “receberam” da corrupção na Petrobras? Por que não é divulgado que as investigações em torno do helicoca[7] foram paralisadas, abafadas e arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria ser um escândalo, não? E o dinheiro usado para construção de certos aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais [8]? Afinal este dinheiro também veio dos cofres públicos e desviados do povo. Já está tudo esclarecido sobre isto? Por que não se fala mais nada? E o caso Alstom[9], por que as delações não valem? Por que não há um estardalhaço em torno deste assunto uma vez que foi surrupiado dos cofres públicos vultosas quantias em dinheiro? Por que você e seu jornal não se escandalizam com a prescrição e impunidade dos envolvidos no caso do Banestado[10] e a participação do famoso doleiro neste caso? Onde estão as manchetes sobre o desgoverno no Estado do Paraná[11]? Deixo estas perguntas como sugestão e matérias para você escrever já que anda tão sem assunto que precisou dar destaque sobre o cafezinho e o papel higiênico dos funcionários da Petrobras.

A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha, que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil[12], cresceu e chegou onde está graças a este apoio. Ao contrário da Petrobras, a empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil.

Quanto às demissões que estão ocorrendo, é muito triste que tantas pessoas percam seu trabalho, mas são funcionários de empresas prestadoras de serviço e não da Petrobras. Você não pode culpar a Petrobras por todas as mazelas do país, e nem esperar que ela sustente o Brasil, ou você não sabe que não existe estabilidade no trabalho no mundo dos negócios? Não sabe que todo negócio tem seu risco? Você culpa a Petrobras por tanta gente ter aberto negócios próximos onde haveria empreendimentos da empresa, mas a culpa disto é do mal planejamento de quem investiu. Todo planejamento para se abrir um negócio deveria conter os riscos envolvidos bem detalhados, sendo que o maior deles era não ficar pronta a unidade da Petrobras, que só pode ser culpada de ter planejado mal o seu próprio negócio, não o de terceiros. Imputar à Petrobras o fracasso de terceiros é de uma enorme desonestidade intelectual.

Quando fui posar para a foto, que aparece na reportagem, minha intenção não era apenas defender os empregados da injustiça e hostilidades que vem sofrendo sendo questionados sobre sua honestidade, porque quem faz isto só me dá pena pela demonstração de ignorância. Minha intenção era mostrar que a Petrobras é um patrimônio brasileiro, maior que tudo isto que está acontecendo, que não pode ser destruída por bandidos confessos que posam neste jornal como heróis, por juízes que agem por vaidade e estrelismos apoiados pelo estardalhaço e holofotes que vocês dão a eles, pelo mercado que só quer lucrar com especulação e nunca constrói nada de concreto e por um jornal repulsivo como O Globo que não tem compromisso com a verdade nem com o Brasil.

Por fim, digo que cada vez fica ainda mais evidente a necessidade de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a uma diversidade de informação maior à população que atualmente é refém de uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia em prol de seus interesses, no qual tudo que publica praticamente não é contestado por não haver outros veículos que o possa contradizer devido à concentração que hoje existe. Para não perder um poder deste tamanho vocês urram contra a reforma, que se faz cada vez mais urgente, dizendo ser censura ou contra a liberdade de imprensa, mas não é nada além de aplicar o que já está escrito na Constituição Federal[12], sendo a concentração de poder que algumas famílias, como a Marinho detém, totalmente inconstitucional.

Sendo assim, deixo registrado a minha repugnância em relação à matéria por você escrita, utilizando para ilustrá-la uma foto na qual eu estou presente com uma intenção radicalmente oposta a que ela foi utilizada por você.

As fontes citadas confira aqui

 

Michelle Daher Vieira
Michelle Daher Vieira

Dois poemas de David Harsent

David Harsent

Franco-atirador

Estou abrigado aqui e longe da vista. Estou abrigado aqui em cima
na torre sineira de Nossa Senhora da Vingança: aqui é o meu lugar,
bem provido e com tudo em ordem. Esta torre foi erguida no ano de
tal e tal, o ano do corvo, ano da nossa desgraça.
Estou abrigado aqui em cima à sombra da cruz,
com abafos para os ouvidos, tenho a minha manta e um colchão de palha,
ajoelhado, mas olho para baixo, como um homem a rezar.

Uma mulher atravessa a praça levando água.
Corre lenta, corre para não verter. Depois uma criança, à vista
desarmada, segue numa diagonal e corre como uma lebre
numa esquiva. Estou aqui ao abrigo, certinho, com uma salsicha e uma cerveja,
um fogareiro para me deixar os dedos livres. Passam os dias.
Estou perfeitamente aqui neste aconchego, a minha toca;
tenho onde pousar a cabeça, lugar onde mijar
e, como contraditório cómico, as aves dos ares.

Com um olho sobre a mira, o mundo fica por perto,
particular: este avô que abraça uma sombra, cabelo a cabelo
na cabeça, olhos orvalhados, no bolso a moeda
de antes da guerra, presa a uma corrente, o tecer do casaco. Além,
junto ao meu amigo, o Homem da Marlboro, é onde
me sentava a beber um café de manhã: o café do Arno,
uma máquina de flíperes, a jukebox, a rapariga com a cara da Madonna
até lhe vermos os dentes; inclinava-me na cadeira
contra a parede a apanhar sol. Vão a medo. Vão com medo
de mim. E aonde vão, vão com as minhas boas graças.

Estou aqui em cima com muita coisa de reserva.
O céu da noite inunda-se, depois clareia, desfralda uma só estrela,
e a cidade recolhe ao silêncio debaixo da minha arma.
A mulher, a criança, o avô, não são coisa nenhuma, ou nada mais
do que a história pode ignorar, ou o amor apagar.

David Harsent, Selected Poems 1969–2005, Faber & Faber, 2007

(Tradução de Hugo Pinto Santos)

 

Mergulho

Um pouco mais fundo, a luz perde-se dela. Primeiro
mal se pode tocar a superfície – há formas que podiam ser nuvens,
pássaros em voo… Ela pousa a cara na espuma,

a ver pela última vez o mundo de onde veio, uma frágil
impressão de vozes que esmorecem enquanto ela se escoa
desde a alvorada até ao anoitecer, um sombrear glauco que vai

primeiro ao azul, depois mais que azul, e logo a um azul nunca visto
por ninguém que não ela, e aquele lento curso descendo disposto a cindir
tudo quanto ela tinha ou queria, tudo o que ela havia sido.

David Harsent, Fire Songs, Faber & Faber, 2014

(Tradução de Hugo Pinto Santos)

 

Seleta Público/ Portugal 

 OPERAÇÃO CONDOR

por Talis Andrade

 

 

Herzog torturado. Desconheço a autoria deste excelente quadro que ilustra o cartaz do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog

1

Em uma ceia demoníaca
os generais do Cone Sul
aprovaram a Operação Con
dor cujas asas agourentas
selam a noite com chumbo

O conúbio dos generais
arranca do calor dos lares
artistas e intelectuais
para os interrogatórios imbecis
de cegos vampiros
as cabeças lavadas
nas apostilas da CIA
os cérebros curetados
pelas palavras-ônibus
dos pastores eletrônicos

2

Em sombrios porões
os massagistas atestam
os instrumentos de suplício
os massagistas adestram
os toques de fogo
arrancando unhas e gritos
espicaçando as últimas palavras
os nomes e codinomes
de um exército de fantasmas
um exército apenas existente
nas doentias mentes dos agentes

3

Em refrigerados gabinetes
os técnicos em interrogatórios
e informações estratégicas
trabalham noite e dia
na burocracia cívica
de selecionar os copiosos
relatórios dos espias
decifrar os depoimentos
tomados sob tortura
depoimentos escarnificados
na escuridão dos cárceres
depoimentos cantados
no limiar do medo
confissões soluçadas
nas convulsões da morte

QUEM TEM MEDO DA COPA?

por Jomard Muniz de Britto

 

Jomard Muniz de Britto
Jomard Muniz de Britto

 

Para os militantes dos pré-conceitos e pós-tudo
das preguiças mentais e experienciais
NÃO PODE SER
a nossa cópula midiática.
QUEM TEM MEDO das REDES SOCIAIS e
dos resíduos patrimoniais?
O que faz falta de fato é o espírito crítico?
Mas quem educa nossos educadores?
Salve-se quem souber da brevidade dos
ATENTADOS POÉTICOS.
O que fazer?

SER e NÃO SER

Da maior e melhor teatralidade.
Dos eternos enquanto perdurem.
Mas continuar sendo e permanecendo
ex-PERI-mental no corpo a corpo
dos paradoxos. Conflitos em transe.
Quem tem medo de Lígia Fagundes e/ou
Hilda Hilst das BUFÓLICAS?
Paradoxos para todos: eternos e efêmeros,
cômicos e trágicos.
Lutas cotidianas além das
Redes Sociais e Enredos Palacianos.
Que twitaço é esse ou aquele?

Recife, maio de 2014.

 

Seleta de José Mário Austregésilo