Médica africana: no Brasil só é atendido quem tem dinheiro. “Um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe”

Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto Daia Oliver/R7
Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto
Daia Oliver/R7

Nascida no Congo Belga, na África, especialista em medicina familiar e hematologia, Kátia Miranda, de 62 anos, atua há 36 anos na área.

Em conversa com o R7, ela revela que fala seis idiomas e já trabalhou em Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Alemanha e Holanda.

— Sempre quis vir para cá e quando o meu filho casou com uma brasileira, essa vontade só aumentou. Não estou vindo pela conta bancária e, sim, pelas pessoas. Minha expectativa é ficar até o fim da vida aqui e usar meus anos de experiência para ajudar os brasileiros.

Kátia está impedida de trabalhar pelo Conselho de Medicina de São Paulo, que defende a privatização da Medicina, e contra o Programa de Mais Médicos.

Kátia se formou em Lisboa, e vai trabalhar em Indaiatuba, interior de São Paulo.

Escreve Brunna Mariel: Apesar de ter vivido muitas experiências em países desenvolvidos, a médica, filha de portugueses, disse que não vê diferença entre a infraestrutura da saúde pública do Brasil com a de países europeus, como Portugal e Espanha. Porém, ela revela que percebeu que existe uma grande diferença no tratamento do paciente.

Kátia diz que percebeu essas diferenças de postura não apenas durante seu treinamento de três semanas e na semana de acolhimento, mas também ao conhecer melhor a cidade de São Paulo.

— Você anda pela cidade e vê zonas muito pobres e zonas muito ricas. Sem contar as pessoas arrogantes que andam pela rua.

“Faltam médicos, não estrutura

Após visitar uma UBS (Unidade Pública de Saúde) no período do treinamento do programa, a estrangeira conta que notou que a infraestrutura das unidades “não deixa a desejar, mas que, sim, faltam médicos”.

— Vi que há uma grande equipe que tem vontade de trabalhar, mas faltam médicos. E um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe.

— Aqui você é atendido de acordo com o dinheiro. Se você tem condições, você tem médico. Em países como a França, se você não tem condições de pagar a consulta de um especialista, o governo paga para você.

Solidariedade entre as gerações. Suicídio de idosos

«Um povo que não cuida dos idosos, das crianças e dos jovens não tem futuro, porque trata mal a memória e a promessa». Afirmou o Papa Francisco.

O trabalho infantil, o tráfico de crianças (os desaparecidos), a prostituição infantil e a criança soldado das milícias e dos traficantes são crimes que fazem partem do cotidiano brasileiro.

O que dizer do idoso, quando é tratado como uma piada mórbida, uma peça obsoleta, carta fora do baralho?

Com que idade, no Brasil, uma pessoa começa a ser rejeitada – descartada – no mercado de trabalho?

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Suicídio de Idosos

por Luiza Gualhano

 

No dia 6 de fevereiro último, a antropóloga e sanitarista Maria Cecília Minayo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, participou de um debate no programa “Tema Livre”, da Rádio Nacional AM Rio de Janeiro (1.130 Khz), sobre o aumento dos casos de suicídios de idosos, um quadro muito preocupante apontado por pesquisa nacional realizada pela Fiocruz/Claves em 2012.

Sob o comando de Luiz Augusto Gollo, o debate contou também com Jaqueline Pitanguy, socióloga e coordenadora executiva da ONG CEPIA (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), e Zenaide Rocha, coordenadora regional do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Cecília Minayo coordenou a “Pesquisa nacional sobre suicídio de idosos e proposta de atuação do setor de saúde”, a qual identificou que enquanto o índice de suicídio no Brasil é em torno de 4,5% para cada 100 mil habitantes, entre idosos do sexo masculino, este índice dobra, podendo subir a 20% ou até 25% para cada 100 mil habitantes, dependendo dos lugares. Já a taxa de mulheres que cometeram suicídio no período analisado (1980-2009) quase não sofreu alteração.

A população idosa cresce no país, porém o suicídio nessa faixa etária também vem aumentando, e isto os levou a procurar saber o que está acontecendo, destacou a pesquisadora.

O jornalista Luiz Augusto Gollo questionou se o fato do homem afastar-se do mercado trabalho o leva a um isolamento, pois o faz sentir-se inútil. Gollo relatou que na velhice há perda da função social produtiva, de ganho financeiro. Além disso, esse idoso acaba tendo que voltar a trabalhar porque a renda da aposentadoria é muito baixa, contudo ele é preterido por uma mão-de-obra bem mais jovem. Em nosso país, infelizmente há uma cultura que tende a relegar o velho ao esquecimento, a um papel muito secundário na sociedade, declarou.

Jaqueline Pitanguy disse que pela forma como a nossa sociedade se organiza em torno do mito da juventude, de tudo o que ela traz, o envelhecimento representa uma perda, perda em nível corporal, financeiro, perda do sentido da pessoa no mundo. Ela acredita que para os homens talvez essa perda seja mais difícil e dolorosa, porque o papel masculino está muito calcado a partir da identidade profissional do homem, da ideia de potência, realização e então a perda torna-se mais significativa para o homem do que para a mulher. Nesse sentido, na medida em que a casa, o cuidado do lar, dos filhos e netos nunca foi a fonte de prazer principal na vida dele, a aposentadoria para o homem torna-se uma ruptura com a vida como um todo.

Zenaide Rocha afirmou que o suicídio em idosos é um problema que não é falado porque falta informação, sendo muito importante que todos tenham conhecimento da pesquisa realizada pela Fiocruz. Ela ressaltou que o CVV está aberto a todas as pessoas que queiram falar sobre os sentimentos que a estão infligindo e assim, estão colaborando para a prevenção do suicídio, pois a pessoa que fala dos seus problemas lá no início antes mesmo de ter pensamentos de morte, se ela tem alguém que a escute, que faça esse acolhimento, isto pode colaborar efetivamente para que ela mude de rumo e deixe de pensar em dar fim à sua própria vida. Zenaide comentou ainda que há vários fatores que contribuem para essa sensação de menos valia do idoso, porém também existem aspectos positivos e não só negativos na velhice, como por exemplo, os avanços na ciência e em tratamentos de saúde, melhoria na alimentação, acesso a exercícios físicos, ao lazer, possibilitando maior qualidade de vida e longevidade.

Cecília Minayo ressaltou que apesar de em outros países como na Europa, nos Estados Unidos e nas culturas orientais o idoso ser mais respeitado do que aqui, não podemos mitificar nada, porque na Europa há mais suicídio do que no Brasil, nas sociedades orientais também, em última instância há uma forte carga cultural nas taxas de suicídio e cada ato é uma decisão pessoal, paradoxalmente é uma opção de vida.

A antropóloga chamou a atenção para aspectos encontrados na pesquisa a respeito do suicídio dos homens idosos. Ela disse que a perda do status social tem um papel muito importante, sobretudo para os homens que se acostumaram a viver apenas do trabalho e dele derivar todas as suas relações sociais. Geralmente eles não pensam no momento após a aposentadoria. É como se para ele restasse um não-lugar social. Segundo a pesquisadora, mais de 85% dos idosos no Brasil são saudáveis, o que não quer dizer que não tenham algum problema de saúde, mas são ativos, têm autonomia. Porém há um percentual importante de 15% de idosos que começam a ter problemas de saúde sérios que exigem cuidados, perda de autonomia e, no caso dos homens, os maiores sofrimentos estão associados também à perda de sua potência sexual. “Nós homens dizendo: “eu não tenho mais que viver, eu não sou mais homem”. A questão do machismo se expressa não só no trabalho, não só no domínio da família, mas em todos os domínios da vida e nas formas de morte.

Com relação ao suicídio da mulher idosa, Cecília Minayo relatou que, embora em quantidade muito menor do que entre os homens, além de uma série de fatores, corrobora fortemente a perda da função social como esposas e como mães. Muitas justificam a desistência da vida, por acreditarem que cumpriram sua missão na terra.

A pesquisadora também destacou que no Brasil, a relação de idosos que pensam ou tentam cometer suicídio é de 4 para 1. O que ela gostaria de frisar é que como a pesquisa é voltada para a área de saúde, e na atenção primária, o mais importante é manter o idoso em atividade. A primeira medida preventiva é manter o idoso valorizado e em atividade e a segunda medida é um alerta para os profissionais de saúde e os familiares: quando um idoso falar em se matar ou tentar fazê-lo, esses agentes precisam acreditar no que ouvem e no que presenciam. Esses idosos precisam  ser acompanhados e cuidados mais de perto por alguém da família e ter paralelamente uma assistência profissional, de preferência de um psicólogo. Ela lamentou que os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) não estejam preparados para enfrentar esse problema, o que é fundamental, tendo em vista que a população brasileira está envelhecendo e a área de saúde precisa acompanhar tais mudanças.

20/02/2013 – Revista Ciência & Saúde Coletiva 

“Erramos. A população ficou contra a gente”, dizem médicos

por Cláudia Collucci

 

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“Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente”.

Ouvi a frase acima de um médico após debate sobre mercado de trabalho médico, promovido na noite de ontem pelo núcleo da GVSaúde, da Fundação Getúlio Vargas.

Antes disso, outros médicos, inclusive um dos palestrantes, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, já havia manifestado sua insatisfação sobre a maneira como as entidades médicas conduziram o debate sobre o programa Mais Médicos até agora.

Ele lembrou que foi perdido tempo demais na defesa de que o país não precisava de mais médicos ou de mais escolas médicas, quando agora existe uma unanimidade de que não só o Brasil como o resto do mundo vive uma escassez de médicos.

Outros médicos avaliaram como “um grande equívoco” os protestos contra os cubanos, considerada a cereja do bolo da antipatia médica perante a população.

Em debate na USP na semana passada, Paulo Saldiva, professor de patologia da USP, resumiu a insatisfação numa frase. “Tive vergonha da minha categoria”, comentou, quando se referiu às vaias recebidas pelos cubanos ao chegarem ao Brasil.

Drauzio Varella, na sua coluna do último sábado, também já tinha ido na mesma linha: “O que ganhamos com essas reações equivocadas? A antipatia da população e a acusação de defendermos interesses corporativistas.”

Embora essa não seja a opinião oficial das entidades de classe que os representam, esses médicos estão certos em relação a que lado a população está agora. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada ontem, apontou que 73,9% dos brasileiros se declararam favoráveis à importação dos profissionais formados no exterior. Em julho, esse percentual era de 49,7%.

O número de entrevistados que disse ser contra o programa caiu de 47,4% em julho para 23,8% em setembro.

Talvez os médicos tirem uma lição disso tudo: a necessidade de se colocarem na pele de quem vive nos rincões sem assistência médica. Essa população não quer saber se a União está se esquivando de investir os 10% em saúde ou de que os estrangeiros teriam que passar por exames de revalidação do diploma antes de começarem a atuar no país. Ela só quer um médico por perto.

Essa resposta imediata as entidades médicas não deram. O governo federal, com mais erros do que acertos, deu.

Que a medida do governo Dilma é eleitoreira, tomada às pressas como resposta às manifestações das ruas, ninguém duvida disso. Tampouco há dúvidas sobre a insustentabilidade do programa a médio e longo prazo.

Sem mais recursos para a saúde, sem uma gestão eficiente do SUS, sem equipes multidisciplinares e sem um plano consistente para reter os médicos em regiões longínquas, há pouquíssimas chances de alguma coisa dar certo. Outros países como Canadá e Inglaterra já fizeram essa lição e deveríamos ter aprendido alguma coisa com eles.

Mas o ministro Alexandre Padilha, apontado pelo ex-presidente Lula como candidato ao governo de São Paulo nas eleições do próximo ano, não se lembra disso quando busca nesses países álibis para justificar a importação de médicos. E já colhe os frutos da iniciativa, com o aumento da aprovação popular. E agora, doutores?

Avener Prado/Folhapress
Acrescento ao texto de Cláudia Collucci, trechos do prounciamento da presidente Dilma Rousseff, no Dia da Independência:
“O Pacto da Saúde irá produzir resultados rápidos e efetivos. O Mais Médicos está se tornando realidade, e tenho certeza de que, a cada dia, vocês vão sentir os benefícios e entender melhor o grande significado deste programa. Especialmente você que mora na periferia das grandes cidades, nos pequenos municípios e nas zonas mais remotas do país, porque você conhece bem o sofrimento de chegar a um posto de saúde e não encontrar médico, ou ter que viajar centenas dequilômetros em busca de socorro.
O Brasil tem feito e precisa fazer mais investimentos em hospitais e equipamentos, porém a falta de médicos é a queixa mais forte da população pobre. Muita morte pode ser evitada, muita dor, diminuída, e muita fila, reduzida nos hospitais, apenas com a presença atenta e dedicada de um médico em um posto de saúde.
A vinda de médicos estrangeiros, que estão ocupando apenas as vagas que não interessam e não são preenchidas por brasileiros, não é uma decisão contra os médicos nacionais. É uma decisão a favor da saúde.
O Brasil deve muito a seus médicos, o Brasil deve muito à sua Medicina, mas o país ainda tem uma grande dívida com a saúde pública e essa dívida tem que ser resgatada o mais rápido possível”.
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Este velho jornalista, editor deste blogue, não sabe bem o que é medida eleitoreira.
No nosso Brasil ninguém faz nada que preste para o povo.
Hospital tem que ser de Terceiro Mundo. Escola tem que ser de Terceiro Mundo. Casa tem que ser de Terceiro Mundo. Não temos um metrô com o luxo do metrô de Moscou. De repente apareceram os estádios da Copa do Mundo de 2014, como seus camarotes de luxo e luxúria, cujos ingressos para as arquibancadas as antigas torcidas – a geral – não podem pagar.
No meu entender, precisamos defender a saúde pública. E não o absurdo de existir cidades e mais cidades repletas de farmácias, sem médicos, sem farmacêuticos e sem enfermeiros.
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Por que faltam médicos para atender os pobres?

VITÓRIA
VITÓRIA
GOIÂNIA
GOIÂNIA
FORTALEZA
FORTALEZA
SALVADOR
SALVADOR

 

Médicos cubanos atuarão num Brasil do século passado

por FELIPE BÄCHTOLD
e LUCAS REIS
Folha de S. Paulo

Os 206 municípios que receberão os primeiros profissionais de Cuba vivem realidade próxima à do Brasil do final do século passado.

Esses municípios –ontem, o governo informou que 91% dos 400 cubanos que já chegaram irão para o Norte e o Nordeste– têm indicadores socioeconômicos abaixo da média nacional do ano 2000.

Na Bahia, consultório médico só tem mesa e três cadeiras

Em renda, são ultrapassados até pela média aferida em 1991, segundo dados do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), da ONU.

São cidades com limitações orçamentárias, geralmente distantes de metrópoles e com grande população na área rural. Integram um total de 701 municípios que devem receber os médicos de Cuba até o final deste ano.

Somadas, essas centenas de cidades abrigam 11 milhões de pessoas, ou 5% da população brasileira.

Um retrato da precariedade é o índice de mortalidade infantil. Enquanto o país conseguiu reduzir suas taxas em 50% na última década, no grupo de 701 cidades o nível segue próximo da média nacional do ano 2000 [e antes era melhor?]

São locais como Ipixuna (AM), de 22 mil habitantes, que tem o 12º pior IDH do país. “A cidade é isolada. É um sacrifício enorme atrair médicos”, diz o secretário de Saúde, Rogério Araújo.

LEILÃO

No interior baiano, a estrutura à espera dos cubanos em unidades visitadas pela reportagem conta com poucos recursos, além de estetoscópios.

O sanitarista Carlos Trindade, diretor da Fundação Estatal de Saúde da Bahia, diz que as cidades pequenas vivem uma “competição predatória” por profissionais.

Não têm recursos para atrair equipes ou são preteridas porque prefeituras vizinhas oferecem ilegalmente carga horária flexível. [Que diabo é carga horária “flexível”.

Que aceita novas circunstâncias facilmente: acomodatíciocomplacentecondescendentecontemporizadorindulgentetolerantetransigente?]

Estado com a pior proporção de médicos do país, o Maranhão é o terceiro com mais cidades entre as 701 que devem receber cubanos — atrás de Piauí e Bahia (veja quadro). O Estado tem 0,5 médico para cada mil habitantes — o mesmo índice do Iraque [Depois da invasão. Das duas guerras: com Irão e os Estados Unidos].

O presidente do Conselho Regional de Medicina maranhense, Abdon Murad, diz que faltam “condições de fazer medicina” no interior. “Não tem laboratório, raio-x, ultrassom, equipe de saúde. Como vai resolver?” [É aí que o médico cubano faz a diferença]

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Vergonha à brasileira

A agressão contra os médicos cubanos em Fortaleza é o cartão de visita de quem aprendeu a cuspir no “escravo” para manifestar uma duvidosa repulsa à escravidão

por Matheus Pichonelli

Veio de um usuário do Twitter um dos melhores comentários feitos até agora sobre a gritaria em torno da vinda dos médicos estrangeiros (leia-se cubanos) ao Brasil. “Médico estrangeiro é populismo. Tem que voltar a política de deixar morrer”. (Módulo ironia off)

Populismo, oportunismo, escravidão (?). Enquanto médicos, fariseus e doutores da lei tentam filtrar os mosquitos, uma fila de camelos é engolida nos rincões fora da rota turística do País. Em outras palavras, as pessoas seguem morrendo, sem que mereçam um franzir de testa de quem parece disposto a armar uma Intifada contra o programa Mais Médicos.
A opção de ficar nos grandes centros é, de certo modo, compreensível. Não se discute as fragilidades de um programa de emergência. Seria pouco razoável, por exemplo, negar a ausência de uma estrutura adequada para a atuação de quaisquer médicos pelo interior do País. Seria pouco razoável também negar a dificuldade para amarrar juridicamente um contrato de trabalho que prevê a triangulação entre países (um deles, bem pouco afeito à transparência) para remunerar o trabalhador. Não se nega ainda a necessidade de se regular a atuação desse médico conforme o tamanho de sua responsabilidade. Não se discute a necessidade de se validar diplomas com base em um critério honesto que não tenha como finalidade a reserva de mercado. Da mesma forma, seria razoável (ou deveria ser) supor que a urgência para a garantia de atendimento básico preceda os ajustes de rota – estes facilmente remediados com boa vontade, o que não é o caso de uma vida por um fio.

Mas, para boa parte dos ativistas de ocasião, cruzar os braços diante da suposta politicagem, do suposto populismo, do suposto oportunismo e do suposto navio negreiro é mais nobre do que atacar o problema real. Parecem a versão remodelada da conferência das aranhas do conto A Sereníssima República, de Machado de Assis. É a mais perfeita alegoria de nossa incompetência histórica: “Uns entendem que a aranha deve fazer as teias com fios retos, é o partido retilíneo; outros pensam, ao contrário, que as teias devem ser trabalhadas com fios curvos, – é o partido curvilíneo. Há ainda um terceiro partido, misto e central, com este postulado: as teias devem ser urdidas de fios retos e fios curvos; é o partido reto-curvilíneo; e finalmente, uma quarta divisão política, o partido anti-reto-curvilíneo, que fez tábua rasa de todos os princípios litigantes, e propõe o uso de umas teias urdidas de ar, obra transparente e leve, em que não há linhas de espécie alguma”.

Nessa conferência, a discussão gira em torno dos símbolos atribuídos a uma mesma teia. O imobilismo é o único resultado da gritaria.

Como as aranhas de Machado de Assis, preferimos discutir o sexo dos anjos em vez de atingir o cerne de uma questão urgente: o abandono de uma parte considerável da população. Seria razoável que elas estivessem no centro do debate. Mas a razoabilidade é um objeto raro quando a ala (sempre em tese) mais esclarecida do País tem como um cartão de visita a vaia, a arrogância e a agressão.

(Transcrevi trechos)

Médicos cubanos: a revolução é outra

Latuff

Weden Alves 

Embora a direita ultra-conservadora esteja com medo dos médicos cubanos reeditarem a revolução castrista no Brasil (sim, é possível que alguém pense assim nesse mundo de Deus!), a questão é outra. Ou são outras. A medicina de Cuba não é ultra-dependente de duas grandes máfias industriais: a dos diagnósticos e a farmacêutica.
A discussão sobre ideologias médicas não é nova e foi trazida para o Brasil pelo saudoso Sérgio Arouca, a partir de Canguilhem. Nenhum dos dois está vivo, mas a discussão continua, no meio acadêmico, na crítica severa à medicamentação excessiva dos sujeitos, o que produz enormes lucros das farmacêuticas.
Outra discussão em curso e que também não encontra voz no senso comum e na mídia é a substituição da escuta e do diálogo pela intermediação, por vezes desnecessária, pelos aparatos tecnológicos: uma indústria que movimenta bilhões de dólares (e que alimenta gigantes da mídia, como a Sony e a MGM, que tem braços empresariais no setor das diagnoimagens) e é vendida sem que se esclareça sua determinação pelo lucro.
Em artigo recente no Huffington Post, jornalistas mostraram que o custo com diagnósticos caríssimos está solapando a saúde pública mesmo nos EUA (que já não é grande coisa).
Há um estudo muito interessante de Charles Rosemberg, um pesquisador americano de Harvard, publicado no texto “The tyranny of diagnosis: specific entities and individual experience”. Ele fala não somente da “tirania” das máquinas de diagnóstico, mas no que se transformou a febre das taxonomias médicas (vide as discussões atuais sobre o DSM).
Discussões essas importantes que passam ao largo da mídia, mais ainda da nossa mídia (Não temos uma cobertura crítica da saúde! Não há preparo jornalístico para tal infelizmente, deficiência a exigir uma reflexão de nossas faculdades!).
A medicina cubana não tem grandes recursos. Teve que se virar com o que tem. E o que tem é gente. Afinal, e no final das contas, quando vamos ao médico queremos, em primeiro lugar, ser ouvidos. E remédios não escutam. Máquinas não confortam.
Abaixo, o anúncio de um produto de “diagnoimage” da Sony, gigante do setor de entretenimento.
5MP High Resolution Display Monitor Diagnostic
sony

Transcrito do O Esquerdopata

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A estranha série de arquivamentos de erros médicos em Brasília

Médico também mata

Leandro Mazzini, Coluna Esplanada

Um levantamento feito pela Coluna junto ao MP do Distrito Federal, pela Lei de Acesso à Informação com dados da Promotoria de Saúde, revela números estarrecedores.

Brasília vive uma série de arquivamentos de denúncias de erros médicos, tanto para casos em hospitais públicos, como privados.

Os números explicam por que vai mal a saúde no DF. De 2008 a 2012, o promotor de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde, Diaulas Ribeiro, deu prosseguimento apenas em 192 casos, e mandou para a gaveta 1.178 processos.

Durante os anos de 2011 e 2012, Diaulas arquivou 133 casos e deu entrada em apenas 14 ações – a média de um caso a cada dois meses.

Diaulas é investigado pela corregedoria do MPDFT sobre conflito de interesses: ligações com a classe médica. Questionada, a assessoria do MP não respondeu.

Programa Mais Médicos fortalece a saúde pública contra a privatização da medicina

Publica o R7 Notícias:

Contrário à Medida Provisória que institui o programa Mais Médicos, o CFM (Conselho Federal de Medicina) vai iniciar um empreitada contra a medida, apelando para a população, tentando convencê-la de que a ação é negativa.

— Vamos lutar, inclusive esclarecendo a população que se trata de uma farsa, que ela é apenas um engodo porque não faltam médicos no Brasil”, afirmou o presidente do conselho, Roberto D’Ávila.

Segundo D’Ávila, a conscientização dos médicos se dará por meio de panfletos que serão entregues a pacientes e também de orientação boca a boca nos consultórios e hospitais. Para o presidente do CFM, a MP é “improvisada, eleitoreira, imediatista e populista” e atende a “interesses que serão consolidados em 2014”.

— A cada paciente que atendermos, vamos entregar um folheto, vamos orientar, dizer que não é assim que se faz saúde, que isso é fruto apenas de uma maquiagem, ilusionismo para atender interesses que serão consolidados – não espero que aconteça isso – mas serão consolidados em 2014.

 [Bom. Só assim aumenta o tempo da consulta médica que, costumeiramente, não passa dos cinco minutos. Tem médico que nem olha o paciente, um intocável. Intocáveis eram os portadores de certas doenças consideradas heréticas (os leprosos, os loucos, os epilépticos); pessoas em estado de impureza (por exemplo, as mulheres menstruadas); e trabalhadores de profissões malditas (os carrascos, os coveiros).
Faltam médicos em pequenas cidades brasileiras. Outras têm médico de passagem. Médico que passa a manhã numa pequena cidade do interior; a tarde, noutra; e dorme na capital, onde reside. Tem todo tipo de médico caxeiro-viajante. Médico que mora na cidade grande, com uma rapidinha no emprego público em um posto de saúde municipal e/ou hospital do Estado; outra, em uma sala de espera cheia em um hospital privado, que ganha por produtividade (quanto mais consultas, mais trocados); e, para terminar a jornada, as consultas do consultório particular, para manter a tradição de ser um profissional liberal.
No mais, o brasileiro leva seis meses de espera para uma consulta e, no dia marcado, numa sala superlotada, aguarda três, quatro horas para ser atendido. Muitas vezes fica em pé no consultório, posto de saúde ou hospital. Espera meses e horas para uma consulta de menos de cinco minutos.
O médico faz a clássica pergunta cretina: – Que lhe trouxe aqui? O trouxa responde, e o bata branca passa uma bateria de exames. Isso significa: mais filas para marcar os exames, mais tempo de espera, e rezar para que morte não chegue antes da “volta”, para ser medicado.
Isso acontece nas filas do SUS e dos privados planos de saúde cada vez mais caros. Principalmente para os velhos, os idosos, os anciãos.
O programa Mais Médicos significa a melhoria da saúde pública. Contra o programa estão os engajados na privatização, que transforma o médico em um empregado das multinacionais].
maismedicos

“Um problema grave no Brasil é não ter médicos perto da população”

por Thais Leitão
Agência Brasil

Brasília – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse hoje (9) que o governo federal está “muito seguro” da validade jurídica do Programa Mais Médicos, lançado ontem (8). Ele rebateu críticas feitas por entidades médicas, entre elas a relativa à criação do segundo ciclo do curso de medicina, medida que condiciona o recebimento do diploma à atuação, por dois anos, de alunos que entrarem nesse curso a partir de 2015, no Sistema Único de Saúde (SUS). As entidades de classe avaliam que essa mudança é uma exploração do profissional de saúde. A Medida Provisória que institui o programa e a portaria interministerial que fixa suas diretrizes, além dos editais com as regras definidas foram publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU).

“Não só o Ministério da Saúde, a AGU [Advocacia-geral da União], a Casa Civil e todos os ministérios envolvidos estão muito seguros da constitucionalidade das medidas. Agora, o momento é o do debate no Congresso [Nacional]. Quem tiver propostas diferentes para levarmos mais médicos à população brasileira apresente-as e vamos debater no Congresso. Não venham tentar cercear o debate e as medidas que o governo federal está tomando para resolver um problema grave no Brasil, que é ter médicos perto da população”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao apresentar os dados regionais do programa.

O ministro ressaltou que esses dois anos de atuação no SUS não representa uma espécie de “serviço civil obrigatório”, na medida em que se trata de um processo de treinamento ligado às instituições formadoras. Pelo menos três propostas de criação do serviço civil obrigatório tramitam nas comissões do Senado. A ideia é que os estudantes que ingressarem nos cursos de medicina, em universidades públicas e as instituições de ensino privadas que recebem recurso público, paguem com trabalho o que o Estado gastou na sua formação acadêmica.

“O serviço social obrigatório é quando o Estado escolhe para onde o profissional vai. O médico em treinamento ficará dois anos na atenção básica, na medicina da família, na urgência e emergência, ligado à instituição formadora. Ou seja, a faculdade onde ele estuda vai ter que se aproximar da atenção básica e lá ele vai fazer o processo de treinamento [na rede de saúde local]. Não tem nenhuma relação com serviço civil obrigatório, com serviço social obrigatório”, disse, enfatizando que esses dois anos servirão para melhorar a formação dos profissionais e torná-los “especialistas de gente”, com uma visão mais geral e integral do paciente.

Ainda durante a entrevista coletiva, Padilha ressaltou que são consideradas prioritárias 1.582 áreas, no âmbito do Programa Mais Médicos, que também prevê estímulos aos médicos para atuação exclusiva na atenção básica em periferias de grandes cidades, municípios de interior e no Norte e Nordeste do país. Ele disse, no entanto, que essa priorização não significa que outros municípios não possam aderir ao plano e também receber médicos inscritos.

Entre as áreas prioritárias estão 1.290 municípios de alta vulnerabilidade social, 201 cidades de regiões metropolitanas, 66 cidades com mais de 80 mil habitantes de baixa receita pública per capita e 25 distritos de saúde indígena. De acordo com o Ministério da Saúde, 209 dos municípios prioritários estão no Norte, 1.042 no Nordeste; 45 no Centro-Oeste, além do Distrito Federal; 135 no Sudeste e 125 no Sul. A quantidade de vagas disponíveis só será conhecida a partir da demanda apresentada pelos municípios.

Também foram apresentados dados relativos à criação das 11.500 vagas para graduação e das 12.400 para formação de especialistas (residência médica), que integram outra vertente do Programa Mais Médicos. O Norte vai receber 1.231 vagas de graduação e 1.291 para residência; o Nordeste, 4.237 de graduação e 4.132 de residência; o Centro-Oeste, 1.274 de graduação e 934 de residência; o Sudeste, 3.185 de graduação e 5.177 de residência; e o Sul, 1.520 de graduação e 838 de residência.

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As melhores e piores profissões

Nada melhor do que a vida de um faraó ou marajá do executivo, do judiciário, do legislativo. Ou possuir uma banca blindada de advocacia. Ou faturar como promotor de e-ventos de um bando de prefeitos ladrões.

Fácil saber qual profissão paga o pior salário. Quando os empregadores públicos e privados consideram que é  um trabalho que se faz por amor. Um apostolado.

E elogiam: o jornalista nasce feito. O professor, um vocacionado. Um mal de raíz, dizia Ascenso Ferreira de sua sina de ser poeta.

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Grana saiu de programa de fiscalização para a conta de 12 pessoas da ativa e seis aposentados. Uns marajás

O TCU (Tribunal de Contas da União) retirou R$ 636,5 mil do programa de fiscalização da aplicação de recursos públicos, principal função do tribunal, e repassou para a conta pessoal de 18 ministros. O dinheiro corresponde ao auxílio-alimentação retroativo. As informações são do jornal O Globo.

Ao todo, 12 ministros da ativa e seis aposentados receberam o dinheiro referente ao vale-refeição, mordomia autorizada pelos próprios integrantes do tribunal. As informações foram obtidas de acordo coma Lei de Acesso à Informação.

Um dos ministros, Marcos Bemquerer, chegou a receber R$ 57,2 mil de vale-alimentação retroativo. O atual presidente do TCU, Augusto Nardes, ganhou R$ 44,7 mil de auxílio e o ex-presidente Zymler recebeu R$ 52,2 mil.

O repasse referente ao auxílio-alimentação totalizou R$ 476,6 mil entre os ministros da ativa, enquanto os seis aposentados do TCU receberam R$ 159,8 mil.

O repasse aconteceu em duas parcelas em dezembro de 2012, assim que o presidente do TCU na época, Benjamin Zymler, assinou uma portaria que autorizava o repasse de R$ 1,02 milhão do programa de controle de gastos para acertar as contas com os servidores.

Além dos R$ 636,5 mil, o restante do dinheiro foi usado para a capacitação de recursos humanos e assistência pré-escolar aos dependentes dos servidores.  (Do R7)

PROTESTOS CONTRA MÉDICOS ESTRANGEIROS

Os médicos que realizaram uma manifestação ontem estão tão preocupados com a saúde pública que dispensaram a presença de outros profissionais. O corporativismo é a alma do fascismo”. Poeta Lau SiqueiraBRA^BA_COR médico

Porto Alegre
Porto Alegre

BRA^SP_AC médicos diminuem tempo de consulta e aumenta tempo de horas extras. Resultado- profissional e eticamente não trabalho nenhum um minuto. Enrolou o dia

No Brasil pobre tem hora para nascer e morrer

Duke hospital camera

Hospital fecha de noite. A justiça também fecha. O governador dorme.
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BRA^SP_FDR saúde hospitalBRA^SP_TI hospital médico

Falta médico até em Porto Alegre. Acontece nas capitais e nas distantes e pequenas cidades do distante interior.
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Nenhum rico está nesta fila. Também nenhuma autoridade. Fila no Brasil fica para os pobres.
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Tem hospital que fecha de noite. No final de semana.
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