Passeata do retorno foi uma piada. As leis da ditadura contra o povo continuam em vigor

Deputado Jair Bolsonaro liderou a passeata no Rio
Deputado Jair Bolsonaro liderou a passeata no Rio

 

Começa com o fim da estabilidade no emprego e a repressão aos protestos populares (protesto é coisa de traficantes, de arruaceiros, de baderneiros, de vândalos, de terroristas). Também são consideradas ilegais as greves. Faz greve quem fiscaliza, prende e condena.Passeatas para fazer cumprir as promessas eleitorais estão proibidas. Quando as marchas pela Família, Propriedade e um deus nada cristão continuam. E fazer a apologia do golpe é permitido, para eleger a bancada da bala.

cartaz manifesto

Quase três décadas após o fim da ditadura (1964-1985), o Brasil continua regido por uma série de leis, práticas e códigos criados pelos militares

por João Fellet/ BBC

São daquela época, por exemplo, as atuais estruturas tributária, administrativa e financeira do país. E mesmo após a Constituição de 1988 definir como pilares do Estado brasileiro a democracia e o respeito aos direitos humanos, seguem em vigor normas e práticas que, segundo especialistas, contrariam esses valores.

Gilberto Bercovici, professor de direito econômico e economia política da Universidade de São Paulo (USP), diz que, em busca de refundar o país e valendo-se de medidas autoritárias, os militares redefiniram as regras de várias das principais áreas da administração pública.
As ações, segundo ele, anularam os esforços da Presidência de João Goulart (1961-1964) para ampliar a participação popular na gestão do país.
“Até hoje isso (maior participação popular) não foi recuperado. Parece que temos na nossa democracia certos limites que não podem ser ultrapassados”, diz.

Práticas policiais

Ainda que a Polícia Militar (PM) tenha sido criada antes do Golpe de 1964, organizações que militam pelos direitos humanos dizem que, durante a ditadura, foram incentivadas práticas que violam esses valores e que seguem em vigor.
O advogado Eduardo Baker, da ONG Justiça Global, cita entre esses mecanismos o crime de desacato, “usado pela polícia como forma de intimidação em sua atividade cotidiana”. “A existência dele permite que um policial leve qualquer um para a delegacia, colocando o policial acima do cidadão.”
Outra prática criticada é o registro de mortes provocadas pela polícia como “autos de resistência”. Segundo a Justiça Global, o mecanismo visa proteger policiais infratores e impedir a investigação de execuções sumárias.
A Secretaria Nacional de Segurança Pública não se pronunciou sobre as críticas. Tramita no Congresso um projeto de lei que prevê a investigação de mortes e lesões corporais cometidas por policiais durante o trabalho, mas não há prazo para a sua votação.

Código Penal Militar

Aprovado em 1970, o Código Penal Militar dá margem para que civis sejam investigados por cortes militares. Organizações dizem que essa possibilidade, inexistente em vários países democráticos, contraria a Constituição de 1988. Elas defendem a extinção do código.
Críticas à manutenção da legislação ganharam força em 2008, quando o economista Roberto de Oliveira Monte se tornou réu na Justiça Militar acusado de “incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar” e “ofender a dignidade ou abalar o crédito das Forças Armadas”.
A acusação se embasou em palestra feita por Monte em 2005, quando ele criticou as humilhações sofridas por militares por seus superiores e defendeu que os praças pudessem se sindicalizar. Já a Procuradoria de Justiça Militar diz que Monte fez “apologia à insubordinação” e empregou termos ofensivos ao Exército. (Transcrevi trechos)

Passeata do retorno. Esse cara parece aquele pastor que deu um chute na santa. O Papa Francisco jamais aprovaria tal abuso: o crime da apologia da ditadura. Não existe ditadura em nome de Deus. O Papa Francisco foi contra a ditadura na Argentina.
Passeata do retorno. Esse cara parece aquele pastor que deu um chute na santa. O Papa Francisco jamais aprovaria tal abuso: o crime da apologia da ditadura. Não existe ditadura em nome de Deus. O Papa Francisco foi contra a ditadura na Argentina.

Minha homenagem à Marcha da Insensatez, com Língua de Trapo

Definiu Gilmar Crestani para postar o vídeo

 

TRP pede passagem, pra mostrar sua bateria
E seu passado de coragem, defendendo a Monarquia
Salve Pinus Zorreira Zorrileira, precursor da linha-dura
Grande baluarte da ditadura
Legislador da Inquisição, implacável justiceiro
Homem de grande erudição, lia Mein Kampf no banheiro
No tribunal de Nuremberg, defendeu o Mussolini
Sob os auspícios do Lindenberg
E hoje ele se preocupa com a infiltração comunista
No clero progressista (e o Lefebvre)
Lefebvre, fiel companheiro incomparável amigo,
Irrepreensível mentor
Exerce completo fascínio e vai incutindo em Plinus
O gênio conservador
Digno de um poema do Ezra Pound, quer que o
Brasil se transforme num imenso Play Ground
No carnaval a escola comemora nascimento de Nossa Senhora
E a defesa da tradição, cantando esse refrão:
Anauê, Anauê, Anauá, TRP acabou de chegar
E hoje sou fascista na avenida, minha escola é a mais querida
Dos reaça nacional
Plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim,
Era assim que a vovó seu Plinus chamava

O nazismo à Plínio Salgado. Manifestante exibe bandeira do Integralismo durante Marcha da Família com deus (que deus?) pela Liberdade.
O nazismo à Plínio Salgado. Manifestante exibe bandeira do Integralismo durante Marcha da Família com deus (que deus?) pela Liberdade.

 

A Marcha da Família em São Paulo foi o encontro das senhoras de Santana com os skinheads

por Mauro Donato

Marcha em São Paulo
Marcha em São Paulo

Enfim, não é uma lenda urbana. Eles existem. E não são 500, como emissoras de TV disseram. O final da Marcha da Família com Deus na Praça da Sé tinha cerca de mil integrantes ou mais. O que, se não é muito, também não é pouco.

Trata-se de um pessoal que tem uma visão no mínimo exótica sobre como se toca uma nação. Fiquei a me perguntar se com suas empresas alguns deles agiriam da seguinte maneira: “Bom, os negócios não vão bem. Chamem o pessoal da segurança e vamos colocar a administração nas mãos deles.” É essa a brilhante ideia?

Pois foi unânime o pedido de intervenção militar já. E demais pautas típicas. Contra a corrupção, fora PT, fora Dilma, Lula na cadeia, cadeira elétrica aos mensaleiros.

Que quem é contra deve ir para Cuba ou Venezuela. É o “ame-o ou deixe-o” reeditado.

Senhoras, senhores, representantes da maçonaria, da igreja católica, skinheads e integralistas. Caras pintadas e roupas verde-amarelas. Discursos inflamados a respeito da existência de um grande complô comunista em andamento. Faixas em apoio à manutenção da militarização das polícias. Hino nacional na concentração e durante todo o trajeto.

Mas nem tudo é paz para a família e seus deuses.

Desde o início, na Praça da República, abordagens altamente intimidadoras contra quem estivesse de camiseta vermelha ou preta terminavam em conflito. A polícia precisou agir várias vezes e retirar o “estranho no ninho” que, cercado, ouvia os gritos de “Fala agora que a polícia não protege, comuna filho da puta.”

Manifestante espanca quem veste preto, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Se vestisse vermelho estaria morto (T.A.)
Manifestante espanca quem veste preto, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Se vestisse vermelho estaria morto (T.A.)

Conflitos que durante o trajeto ganharam contornos ainda mais sinistros. A família tem tolerância zero. Em frente à faculdade de direito no Largo São Francisco, uma dupla de amigos encenou um apoio à causa gay. Foram agredidos a pontapés e tiveram seus cartazes rasgados. A agressão só não terminou em algo pior devido à proteção da imprensa.

Mas na Sé outras brigas, feridos e pelo menos uma detenção evidenciaram o enorme desrespeito pelas diferenças. “Ou pensa igual a mim ou lhe quebro a cara.” No Anhangabaú, um grupo de fãs do Metallica a caminho do show foi confundido com black blocs (roqueiros vestem-se de preto, filhos de família não). Foi preciso muita gritaria para que não fossem linchados.

Não ocorreu o aguardado confronto entre as duas manifestações (uma antifascista havia saído da mesma Sé, mas rumou em outro sentido). Sorte. A “segurança” da Marcha da Família estava com sangue nos olhos. Os mastros das bandeiras eram de ferro.

A todo instante os carecas criavam uma tensão no ar com boatos sobre o iminente confronto com black blocs que estariam a caminho. Por fim, simularam estar indo embora mas foram acompanhados de perto por 4 ou 5 jornalistas. Dentro do vagão, um contínuo cochichar entre eles deixou passageiros temerosos. Em determinado momento, tomaram conta de todas as portas e saíram apenas durante o sinal sonoro, permanecendo ainda em frente na plataforma para que não mais os acompanhássemos. Estava nítido que não estavam indo embora, a caça aos black blocs iria prosseguir sem a presença da imprensa.

Em 1964, quinhentas mil pessoas fizeram exatamente o mesmo trajeto da praça da República até a Sé e, poucos dias depois, deu no que deu.

Desta vez foi modesto, porém ocorreu em várias cidades do país e tem um agravante para os dias atuais: eles também saíram do Facebook.

 

Registra o Diário de Pernambuco: Na Praça do Derby, em frente ao quartel da PM, até às 15h, apenas seis pessoas se manifestaram.
Registra o Diário de Pernambuco: Na Praça do Derby, em frente ao quartel da PM, até às 15h, apenas seis pessoas se manifestaram.
Marcha em São Paulo
Marcha em São Paulo

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TFB centro São PPaulo marcha

TFM marcha

Ativistas denunciam brutalidade policial durante o ato contra a Copa de São Paulo. Um de cada quatro manifestantes foi detido

AGRESSÕES E PRISÕES ARBITRÁRIAS DOS SOLDADOS ESTADUAIS

 

 Alfredo Martirena
Alfredo Martirena

por Maria Martín/ El País, Espanha

A segunda manifestação do ano contra a Copa em São Paulo acabou com um de cada quatro manifestantes detidos. Dos 1.000 participantes que a polícia calculou que participaram do ato, 262 terminaram a noite na delegacia. Depois de oito meses das primeiras manifestações, um contingente de 2.300 policiais tentou impedir o vandalismo antes dele acontecer. Até um grupo de agentes com conhecimentos de artes marciais foi enviado pela primeira vez para atuar em um protesto para que, segundo o porta-voz da PM, o capitão Emerson Massera, só se agisse de maneira mais agressiva “conforme aumente a necessidade”. O protesto terminou com oito feridos, cinco deles policiais, segundo a PM.

Cerco de policiais a manifestantes. / BOSCO MARTÍN
Cerco de policiais a manifestantes. / BOSCO MARTÍN

 

A Polícia Militar considera a operação de ontem “um sucesso absoluto”, porque “os atos de vandalismo e agressões foram mínimos em comparação com manifestações anteriores, graças à estratégia bem sucedida”, disse um porta-voz ao EL PAÍS. A brutalidade dos agentes, porém, marcou novamente sua atuação, segundo os manifestantes.

Os detidos – a polícia os chama de retidos- denunciaram a arbitrariedade dos agentes. Segundo os relatos recolhidos por este jornal, uma vez presos, os manifestantes não foram informados da causa da sua detenção, nem sobre a delegacia à qual estavam sendo encaminhados.

O presidente da Ordem de Advogados do Brasil em São Paulo, Marcos da Costa, afirma que a polícia não tem o direito de prender manifestantes e levá-los para prestar depoimentos se nesse momento não estavam cometendo um crime. “O papel da polícia é proteger a manifestação, atuar no caso de serem cometidos crimes que ameacem o direito do manifestante. Neste caso, até os profissionais da imprensa tiveram seu direito de exercer a profissão violado”, lamenta da Costa.

A Polícia Militar considera a operação de ontem “um sucesso absoluto”, porque “os atos de vandalismo e agressões foram mínimos”

Outros manifestantes também denunciaram agressões por parte de vários agentes que, equipados com um colete luminoso, esconderam seu nome. “A quem vou denunciar? A maioria não tinha identificação, e foi uma ação conjunta, ordenada”, reclama Mauro Donato, colunista do Diário Centro do Mundo que afirma ter sido cercado por um grupo de PMs que o agrediram com cassetetes e chutes durante 30 segundos.

“Uma grande novidade nos atos de São Paulo, é que nunca houve um numero igual de policiais nas laterais da manifestação como houve ontem. Foram eles os que acabaram formando o cerco”, relata um dos detidos, estudante de biologia de 18 anos, que prefere não se identificar.

O “cerco” foi um cordão policial de pelo menos uma centena de agentes que isolou um grupo aleatório de manifestantes que integrava a marcha. A ideia parecia ser a de encurralar os praticantes da tática Black Bloc, mas naquele grupo havia desde professores universitários a idosos e jornalistas. A Polícia Militar, que depende das autoridades do Governo de Geraldo Alckmin (PSDB), justificou aquele cerco para “impedir uma injusta e iminente agressão, retendo pessoas que se preparavam para cometer atos criminosos durante apenas o tempo necessário para identificá-las”. Alguns dos presentes relataram como os policiais levantaram uma bandeira azul e disseram: “A gente ganhou. Essa Copa é nossa”.

“Quando nos cercaram desceram cacetada até que todo o mundo ficou no chão. Alguns foram presos na hora e levados para a delegacia”.

“Houve vários procedimentos ilegais tanto no primeiro ato contra a Copa como no segundo”, continua o estudante. “Os policiais desobedeceram o próprio manual de controle de distúrbios. Conforme o treinamento deles sempre tem que haver uma via de fuga. Nos dois atos eles cercaram os manifestantes. É muita sorte que ninguém morreu pisoteado ainda. A segunda violação foi ao nos levarem presos. Não podem deter pessoas para averiguação. Você tem que saber a acusação e para qual delegacia você está sendo levado”, destaca o estudante. Ele reconhece ter cometido atos de vandalismo em outros protestos para contestar a violência policial, mas disse que desistiu por entender que o único que ia conseguir era apanhar mais da polícia. “Eu vi que esse modelo não funcionava, que ia ficar preso e apanhando. Olha o que adiantou”, disse.

Os jornalistas voltaram a ser alvo da polícia. Cinco profissionais foram detidos e outro vários apanharam. Um repórter do jornal Folha de S.Paulo ficou preso no cerco e quando foi flagrado gravando a cena foi arrastado com chave de pescoço por vários metros antes de ser liberado. “Eu fiquei no cerco e comecei a tirar fotos. Aí veio um soldado e começou a falar que não tinha medo de mim, nem da minha câmara. Começou a me empurrar com o escudo, me afastei”, conta Tarek Mahammed, da Rede de Fotógrafos Ativistas. O fotógrafo relata um confronto provocado quando um dos manifestantes chamou de “porcos” aos agentes na hora do cerco se abrir. “Dois policiais foram para cima dele e começaram a bater muito. Me chutaram, bateram na minha cabeça até que cai no chão. Estava sangrando. Eu cheguei a perguntar porque estavam batendo em mim e me responderam: Falei para você não ficar aqui’”. É a sexta vez que Mahammed é agredido por policiais em manifestações, afirma.

Tarek Mahammed, fotojornalista ferido durante o protesto. / MATHEUS JOSÉ MARIA
Tarek Mahammed, fotojornalista ferido durante o protesto. / MATHEUS JOSÉ MARIA

 

Um outro jornalista independente de 27 anos, que transmitia ao vivo o protesto para o Grupo de Apoio Popular (GAPP), acabou no hospital após desmaiar. “Eu estava bem próximo do cordão policial quando parei para colocar minha máscara, aí eu tive que tirar meu capacete. Nesse momento o cordão lateral dos agentes avançou com os cassetetes e eu não consegui correr, havia muita gente ali tentando fugir. Eu levei um golpe na cabeça, me virei e tomei outro no ombro, e um outro na nuca. Esse golpe me deixou completamente tonto e não consegui sair. Havia pessoas ao meu redor sendo agredidas já no chão. Consegui encontrar o grupo de socorristas e nesse momento desmaiei. Me colocaram num carro com um advogado e me levaram para a Santa Casa”, lembra Alexandre Capozzoli que, além de retransmitir ao vivo os protestos, trabalha como designer em uma empresa de móveis.

Um dos feridos acabou sofrendo depois da agressão com um dos problemas mais criticados durante os protestos: a qualidade dos serviços públicos

Depois da agressão, Capozzoli acabou sofrendo com um dos problemas mais criticados durante os protestos: a qualidade dos serviços públicos. “Levei 20 minutos para ser atendido e me informaram que o tempo de espera era de três a quatro horas. Como tenho plano de saúde acabei ligando e fui removido a uma outra sala na mesma Santa Casa. Em menos de uma hora fui atendido, me fizeram um monte de exames e recebi alta. Meu corpo está bem marcado. Mas não houve um traumatismo mais grave”, relata.

Os Advogados Ativistas, que representam gratuitamente os detidos durante os protestos, também denunciaram agressões por parte dos policiais. O grupo afirma que os agentes prejudicaram seu trabalho ao impedir que acompanhassem as revistas pessoais, que acabaram sendo feitas “longe dos olhos dos cidadãos, advogados e imprensa” com o risco de que os agentes cometessem abusos, disse. “A Polícia Militar de São Paulo por diversas vezes promove operações de dispersão dos movimentos sociais, com policiais não identificados, e realiza prisões para catalogar manifestantes coagindo-os a sair das ruas”, disse a associação.

 

 

A imprensa esqueceu das outras 11 vítimas fatais das manifestações?

por Mauro Donato

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O misto de comoção e estardalhaço com que a morte do cinegrafista Santiago Andrade está sendo tratada na mídia é ao mesmo tempo compreensível e incômodo.

Compreensível, pois a morte do cinegrafista é brutal sob todos os ângulos e dispensa mais comentários. Todos já foram feitos.

Incômodo, pois penso que deveria partir da mídia o equilíbrio e o bom senso nesse momento de tensão.

A trinca imprensa-manifestantes-polícia que coabita as ruas desde junho não fala a mesma língua e o clima esquentou de vez.

Um vídeo gravado em frente à delegacia durante o depoimento de Fabio Raposo — o tatuador que estaria envolvido no caso –, em que um manifestante ameaça outro cinegrafista de ser “o próximo” para imediatamente receber a câmera na cabeça, demostra qual o quadro atual.

Escorraçada das ruas durante os protestos, a “grande mídia”, acusada de mentir e manipular, ansiava pela hora do troco. E o fator que proporciona essa catarse foi nada menos que uma morte. Ou seja, nitroglicerina pura.

No entanto, a cobertura da morte de Santiago esqueceu as demais vítimas. Manchetes em letras gigantes anunciando “o primeiro morto por manifestantes” confirmam isso. É o primeiro vitimado por manifestantes, mas o décimo segundo caso de mortes relacionadas com as manifestações. As outras onze não contavam?

Foram vítimas de causas que vão desde inalação excessiva de gás lacrimogêneo a atropelamentos e ainda uma suspeita de assassinato da ativista carioca Gleisi Nana.

Hoje os números de agressões a jornalistas estão nos telejornais sendo que em outubro do ano passado este DCM já denunciava a preocupante escalada. Jornalistas free-lancers e “mídia independente” não são dignos de atenção? As matérias apresentadas em horário nobre na Band e Globo buscaram associar as agressões a manifestantes, distorcendo a estatística que aponta 78% dos ataques vieram da polícia (os números variam entre 117 e 126 casos, conforme a fonte).

Reforço para não ser mal interpretado: o que ocorreu com Santiago é gravíssimo. É o limite. Por isso mesmo que todos devem colocar as mãos na cabeça, refletir e não mais repetir os mesmos erros.

É preciso conter sensacionalismo se não quisermos acelerar medidas tão perigosas e carentes de debate como o projeto de lei que tipifica o crime de terrorismo (PL 499/2013). Por vingança rancorosa (e também para permanecer com seu alinhamento filosófico-político cheio de segundas intenções), a mídia tradicional precisa estancar sua verborragia que condena e criminaliza as manifestações. Criminosos são criminosos, manifestantes não o são.

A coisa chegou a esse estágio atual muito em consequência da narrativa desequilibrada da imprensa e é ela quem tem obrigação de reverte-lo. A decretação de morte cerebral não pode caber à imprensa como um todo.

Lista das vítimas fatais:

Cleonice Vieira Moraes, Marcos Delefrate, Valdinete Rodrigues Pereira, Maria Aparecida, Douglas Henrique de Oliveira, Santiago Andrade, Luis Felipe de Almeida, Igor Oliveira da Silva, Paulo Patrick, Fernando da Silva Cândido, Tasman Amaral Accioly e Gleisi Nana.

 Mauro Donato

Por que a militarização da polícia favorece os abusos e tem de ser banida

por Mauro Donato

BRA_OPOVO fim polícia militar

O grito que anda presente nas ruas assusta leigos, que costumam reagir com a pergunta: “E na hora em que for assaltado, vou chamar quem?”, como se desmilitarizar significasse a extinção de policiamento ou da própria polícia. Não significa. Trata-se apenas de transferir esse “serviço” para uma polícia sem arquitetura militar.

Regida pelo artigo 144 da constituição federal, a segurança pública destina à polícia civil apenas o poder de investigação e apuração de infrações penais (e levar os casos ao poder judiciário), ficando a cargo da polícia militar o policiamento ostensivo e “preservação da ordem pública”. Isso por si só já é problemático pois, evidentemente, uma polícia lava as mãos tão logo passa o bastão adiante.

Mas o ponto em questão é a cultura e a hierarquia às quais os militares são submetidos em seu treinamento, nos moldes das Forças Armadas. Militares são treinados e preparados para defender o país contra inimigos. É uma postura radicalmente diferente de quem vai lidar com o próprio povo. Nós não estamos em guerra. Sobretudo contra nós mesmos. E uma polícia “contra” o povo só faz sentido em ditaduras. Nós também não estamos em uma, estamos?

“A polícia não pode ser concebida para aniquilar o inimigo. O cidadão que está andando na rua, que está se manifestando, ou mesmo o cidadão que eventualmente está cometendo um crime, não é um inimigo. É um cidadão que tem direitos e esses direitos tem de ser respeitados”, disse Túlio Vianna, professor de Direito Penal na UFMG durante uma aula pública realizada em julho, no vão do Masp. O professor condena ainda a existência do código penal próprio da PM, aplicado para policiais que cometem delitos: “É muito cômodo você ter uma justiça que te julga pelos próprios pares”.

O tema é espinhudo até entre PMs. Um coronel da PM do Rio Grande do Norte entrou com uma representação contra um tenente que se posicionou à favor da desmilitarização, num post em seu perfil no Facebook. Sinal dos tempos, a Associação dos Cabos e Soldados da PM/RN saiu em defesa do tenente: “O Tenente Silva Neto teve o privilégio de em sua carreira militar ter sido soldado e, por isso, tem uma visão ampla dessa questão do militarismo e de suas implicações, hierarquizada na nossa corporação, (…) Por tudo aduzido acima, a Associação dos Cabos e Soldados expressa a sua mais sincera admiração pelo tenente Silva Neto, além de disponibilizar o núcleo jurídico da nossa entidade a fim de ofertar defesa frente à representação apresentada pelo Coronel PM WALTERLER”.

A hierarquia militar é propícia a abusos. Carlos Alberto Da Silva Mello é cabo da polícia em Minas Gerais e favorável à desmilitarização e postou no portal EBC (Empresa Brasil de Comunicação): “Bom dia, sou PM e vejo na desmilitarização o avanço da segurança pública no nosso país. Os coronéis são contra porque eles perderiam o poder ditatorial, acabaria os abusos de autoridade contra os praças, acabaria o corporativismo que existe nas PMs (…) Fim do militarismo, não o fim das polícias e sim (o fim) de um regime autoritário, desumano, arrogante, (…) A sociedade não toma conhecimento do que se passa dentro da PM. Todo cabo, soldado e sargentos são a favor da DESMILITARIZAÇÃO DAS PMS. O militarismo é o retrocesso (…) os abusos são constantes dentro dos cursos de formação de soldados.”

 

Rio de Janeiro
Rio de Janeiro

O ranço bélico que existe na PM está em superexposição desde junho. A falta de critérios para utilização de armas “não letais”, a gratuidade da violência, a truculência figadal, as táticas de emboscada. A atitude de colocar a tropa de choque, bombas de gás e balas de borracha ao lado de manifestantes já incita a tensão por seu caráter repressor. Em todas as ocasiões em que o exibicionismo da força militar esteve ausente, não houve bagunça, baderna, vandalismo, chamem como quiserem. Não é coincidência. Somado a atitudes autoritárias (e ilegais) como a detenção “para averiguação” que vem ocorrendo sistematicamente, temos um quadro que exige a revisão desse artigo 144 urgentemente.

O que se deseja nem é o desarmamento. Embora Londres possa sempre ser lembrada como exemplo de polícia desarmada, não fechemos os olhos em busca de utopia (mas há dados interessantes a se saber com relação a isso e que podem alimentar sonhos: uma pesquisa interna feita com os policiais britânicos, 82% deles disseram que não queriam passar a portar arma de fogo em serviço, mesmo quando cerca de 50% dos mesmos policiais disseram ter passado por situações que consideraram de “sério risco” nos 3 anos anteriores à pesquisa).

O que se deseja são uma ouvidoria e uma corregedoria minimamente eficientes e atuantes, de modo a pelo menos inibir declarações surreais como o já famoso “Fiz porque quis” proferida por um BOPE em Brasília, ou um alucinado policial sem identificação insultando diversos advogados no meio da rua, ou o sargento Alberto do Choque do RJ que ontem respondeu com um “Não te interessa” ao questionamento da falta de identificação, todos convictos da inconsequência de seus atos (se você não é do Rio de Janeiro, aconselho que acompanhe de perto o que tem se passado lá todas as noites).

É evidente que isso veio à tona desde que os filhos da classe média passaram a ser as vítimas. Na periferia é ancestral e sempre foi ignorado ou menosprezado. Portanto que se aproveite o momento. Os benefícios de uma polícia não militarizada refletiria em toda a sociedade.

Um dos caminhos seria a unificação das policias civil e militar, algo possível apenas através de uma emenda à constituição. Isso não se consegue da noite para o dia, portanto, quanto antes se começar a mexer nesse vespeiro, mais cedo teremos algum avanço. O que não é possível é ficar assistindo reintegrações de posse se tornarem espetáculos de carnificina com requintes de crueldade como vemos hoje. Já deu.

 

Sobre o Autor

Fotógrafo nascido em São Paulo. Foi uma das maiores revelações do futebol praiano nos idos dos anos 80, até sofrer uma entrada mais dura de um caiçara. Transcrito do FENAPEF – Federação Nacional dos Policiais Federais. E acrescento: tem um excelente texto. Poderia ser o mais famoso jornalista esportivo. Preferiu o desafio do mais difícil: o jornalismo opinativo, arte e ofício dos vocacionados.

 

 

Grande queima de estoque!

Foto Yan BoechatA TokStok poderia passar sem essa.
Desde que foi reautorizada a queimar seu estoque de balas de borracha, a PM não via a hora de agir e ontem colocou em risco até o estoque de móveis da loja.
Era evidente que, além da autorização para atirar, a polícia tinha ordens de não deixar que a manifestação chegasse a seu destino, o Palácio do Governo, e deu um “mata-leão” no meio do caminho. Porém, em sua magnífica forma estabanada, acuou os manifestantes em frente a um posto de gasolina (!!) e da loja de móveis.
Graças a experiência de ontem, é possível tirar algumas lições:
1 – É preciso que fique claro para os organizadores de protestos que a Marginal Pinheiros é perfeita para a polícia, não para manifestantes. Não há para onde correr. Pular no rio e sair nadando? Se o comando da PM tivesse um pouco mais de inteligência esperava para atacar a manifestação em frente ao longo muro do Jockey (ainda bem que não agiram assim, seria uma tragédia);
2 – Geraldo Alckmin não atende ninguém. Já havia impedido que os estudantes entrassem na ALESP na semana passada;
3 – Nem fotógrafos, nem cinegrafistas nunca estiveram a salvo. Quando nem os socorristas do nosso bravo GAPP – Grupo de Apoio ao Protesto Popular escapam, é porque subimos um degrau na situação (no Rio tiros de arma de fogo foram disparados).
O irônico é que muitos dos clientes acuados lá dentro da TokStok talvez tenham sido vítimas de sua própria alienação. Talvez ali estivessem vários telespectadores da Globo, da Record, da Band, que andam comprando, além de objetos de decoração, as versões da grande mídia para os protestos. Talvez ali estivessem muitos que desejam que a PM baixe a borracha nos manifestantes. Acabaram provando do próprio veneno. No caso, gás.

texto Mauro Donato / foto Yan Boechat

Quando as mulheres falam grosso

Sou do tempo que, em mulher, não se bate nem com uma flor.

Cantou o genial Capiba:

Sempre ouvi dizer que numa mulher
Não se bate nem com uma flor
Loira ou morena, não importa a cor
Não se bate nem com uma flor.

Já se acabou o tempo
Que a mulher só dizia então:
– Chô galinha, cala a boca menino
– Ai, ai, não me dê mais não

Fiel a este princípio, fico imaginando o controle emocional do jornalista Mauro Donato quando foi espancado por uma policial feminina.

mauro

“Na primeira foto do alto, à esquerda, estou eu. Mas não vamos falar de mim, pelo menos por enquanto.
É sempre delicado e desconfortável quando nos tornamos personagem. Não é esse o nosso papel. O papel da imprensa é o de ser um olho. Um olho sem cor e crítico. O problema é que parece que a PM assumiu a incumbência de cegar este olho”, escreve Mauro Donato.

Veja como os policiais defendem suas colegas fardadas:

As mulheres não devem imitar o que de pior existem nos homens.

exagero policial femina

Exemplar comportamento o da policial Andréia Pesseghini, que denunciou os colegas envolvido nos assaltos a caixas eletrônicos em São Paulo.

No jornalismo a Rachel Sheherazade terminou demitida da SBT, por escancarar a orquestração da Imprensa contra os protestos do povo nas ruas.
Rachel Sheherazade
Quis imitar Arnaldo Jabor que caiu fora da Globo por ser mais realista que o patrão.

LIBERDADE DE IMPRENSA. LEMBRA DELA?

por Mauro Donato

Mauro

Na primeira foto do alto, à esquerda, estou eu. Mas não vamos falar de mim, pelo menos por enquanto.
É sempre delicado e desconfortável quando nos tornamos personagem. Não é esse o nosso papel. O papel da imprensa é o de ser um olho. Um olho sem cor e crítico. O problema é que parece que a PM assumiu a incumbência de cegar este olho.
Os fotógrafos Adriano Lima (BrazilPhotoPress), Gabriela Biló (FuturaPress), Nelson Antoine (AssociatedPress), Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) e Paulo Ishizuca (Ninja) foram todos atacados na noite desta segunda-feira (21) de maneira articulada. Sim, articulada. No 3º Ato pela Educação, as agressões foram objetivas. Todo fotógrafo, cinegrafista ou streamer que se aproximasse de qualquer ocorrência, era rachaçado de maneira muito violenta.
É compreensível que manifestantes, polícia ou repórteres, sejam atingidos acidentalmente durante um conflito generalizado. Uma bala perdida, uma pedra perdida, uma garrafa perdida, um spray de pimenta borrifado em todas as direções. É do jogo. Algo totalmente diverso é ser agredido intencionalmente, diretamente. Analise as fotos e veja se há manifestantes por perto. Qual a finalidade de afastar-nos “gentilmente” da maneira como vemos nas fotos? Onde chegaremos com este procedimento? É inegável que a polícia veio obstinadamente para cima da imprensa com a intenção de não deixa-la trabalhar. Não quer que nada seja registrado, não quer que se divulguem suas arbitrariedades, seus violentos ataques histéricos. O fato de as agressões serem na região do rosto e na altura das câmeras é sintomático e revelador.
O objetivo está claro: afastar, cegar, calar a imprensa que está próxima e permitir (ou facilitar) a cobertura apenas das grandes redes, feitas a partir de seus helicópteros, com todo o distanciamento tanto físico quanto de compreensão que lhe são característicos. Quem não está por perto interpreta, inventa. E mantém o discurso simplista e tendencioso de vândalos versus ordem e progresso e seu reflexo no trânsito.
Eu ter sido mais um é apenas um detalhe, até porque não apanhei de maneira muito violenta. A policial que me agrediu era uma mulher e fraca. Não me tirou de campo. Não se trata, portanto, de mimimi de vítima e sim de uma preocupação com o andar da carruagem. A liberdade de imprensa é um santo de barro. Já tivemos o gravíssimo caso de Sérgio Silva O Retorno, cego desde junho e o recente (e covarde) espancamento de Yan Boechat. Somados aos casos de agressão (e prisão!) aos socorristas do GAPP – Grupo de Apoio ao Protesto Popular e a André Zanardo dos Advogados Ativistas (ambas equipes imprescindíveis no suporte às manifestações), não estarei sendo pessimista em acreditar que o cenário é preocupante e sombrio.
O cerceamento ao qual a imprensa está sendo submetida, pelo menos aquela que se deseja independente, é muito mais assustador que as agressões físicas.
Como disse Tatiana Farah, “Sou repórter. (…) Não tenho o couro mais fino nem mais grosso do que ninguém que saiu dali apanhado, machucado e humilhado, seja a pessoa repórter, manifestante, passante” (Tatiana levou 2 tiros de bala de borracha no último sábado durante protesto contra o Instituto Royal). Só o que desejamos, é liberdade para trabalhar.

Mauro Donato — com Gabriela Biló, Vinicius Monteiro, Nelson Antoine e Adriano Lima.

Balas de borracha. A ordem desumana da eterna tortura de cegar jornalistas

A habilidade de enxergar o potencial para uma imagem forte e depois organizar os elementos gráficos em uma composição atraente e eficiente sempre foi crucial no ato de fotografar. In livro o Olho do Fotógrafo de Michael Freeman.

Se muitos podem ser fotógrafos, poucos são bons fotógrafos. Para ter resultados de destaque é preciso ter olhar apurado, criatividade, sensibilidade, vocação. In Olhar de Fotógrafo.

“A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa VER!” (Ernst Haas)

“Fotografar é conseguir captar o que existe atrás do que se vê com os olhos…é ver através de uma parede invisível….” (desconheço o autor)

“A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a câmara para algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-Ias”. (Ivan Lima)

 Por estas frases selecionadas por Cesar Andrade  fica explicada a cruel decisão da polícia de atirar nos olhos de fotógrafos e cinegrafistas.
O Brasil é um país sem memória, do segredo eterno, da censura judicial, do arquivo morto.
A vingança da polícia de Pinochet foi cortar as mãos do poeta e compositor Víctor Jara. Profissionalmente, cego de um olho, fotógrafos e cinegrafistas viram mortos vivos.
Que País é este de justiça e jornalistas cegos?
Cegar jornalistas é um crime contínuo, hediondo, e contra a humanidade.

Por que a PM está batendo deliberadamente nos fotógrafos que cobrem os protestos

por Mauro Donato
Mauro Donato toma suas cacetadas
Mauro Donato toma suas cacetadas

Os fotógrafos Adriano Lima (BrazilPhotoPress), Gabriela Biló (FuturaPress), Nelson Antoine (AssociatedPress), Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) e Paulo Ishizuca (Ninja) foram todos atacados na noite da segunda-feira (21) de maneira articulada. Sim, articulada. No 3º Ato pela Educação, as agressões foram objetivas. Todo fotógrafo, cinegrafista ou streamer que se aproximasse de qualquer ocorrência, era rachaçado de maneira muito violenta.

É compreensível que manifestantes, polícia ou repórteres, sejam atingidos acidentalmente durante um conflito generalizado. Uma bala perdida, uma pedra perdida, uma garrafa perdida, um spray de pimenta borrifado em todas as direções. É do jogo. Algo totalmente diverso é ser agredido intencionalmente, diretamente. Analise as fotos e veja se há manifestantes por perto.

Qual a finalidade de afastar-nos “gentilmente” da maneira como vemos nas fotos? Onde chegaremos com este procedimento? É inegável que a polícia veio obstinadamente para cima da imprensa com a intenção de não deixa-la trabalhar. Não quer que nada seja registrado, não quer que se divulguem suas arbitrariedades, seus violentos ataques histéricos. O fato de as agressões serem na região do rosto e na altura das câmeras é sintomático e revelador.

Gabriela Bilo é cercada
Gabriela Biló é cercada

O objetivo está claro: afastar, cegar, calar a imprensa que está próxima e permitir (ou facilitar) a cobertura apenas das grandes redes, feitas a partir de seus helicópteros, com todo o distanciamento tanto físico quanto de compreensão que lhe são característicos. Quem não está por perto interpreta, inventa. E mantém o discurso simplista e tendencioso de vândalos versus ordem e progresso e seu reflexo no trânsito.

Eu ter sido mais um é apenas um detalhe, até porque não apanhei de maneira muito violenta. A policial que me agrediu era uma mulher e fraca. Não me tirou de campo. Não se trata, portanto, de mimimi de vítima e sim de uma preocupação com o andar da carruagem. A liberdade de imprensa é um santo de barro. Já retratamos aqui no DCM o caso do fotógrafo Sérgio Silva, cego desde junho e o recente espancamento do jornalista Yan Boechat. Somem-se ainda os casos de agressão (e prisão!) aos socorristas do GAPP e dos Advogados Ativistas (ambas equipes imprescindíveis no suporte às manifestações).

Como disse Tatiana Farah: “Sou repórter. (…) Não tenho o couro mais fino nem mais grosso do que ninguém que saiu dali apanhado, machucado e humilhado, seja a pessoa repórter, manifestante, passante” (Tatiana levou 2 tiros de bala de borracha no último sábado durante protesto contra o Instituto Royal).

Nelson Antoine é acuado
Nelson Antoine é acuado