Desviados cerca de 3 milhões da Assembléia Legislativa de Mato Grosso

Para a juíza Selma de Arruda, o ex-presidente da Assembleia teria disponibilizado um advogado para forçar os servidores a mentir em depoimentos

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O ex-deputado estadual José Riva (PSD) é o principal acusado no esquema de desviou mais de R$ 2,7 milhões da verba de suprimentos da ALMT

por KAMILA ARRUDA

A fim de atrapalhar o curso das investigações e evitar mais um processo, o ex-deputado estadual José Riva (PSD) disponibilizou assessoria jurídica aos servidores que estavam sendo investigados pelas fraudes no uso da chamada verba de suprimentos. O esquema foi descoberto na Operação Metástase, que anteontem cumpriu sua segunda etapa, com nova prisão de Riva e aliados.

Conforme o Ministério Público, o encarregado foi o advogado Alexandre Nery. Ele teria orientado os servidores a negar as fraudes na utilização da verba de suprimento, com o intuito de blindar a organização e evitar que as investigações chegassem até o parlamentar.

“Ao invés de limitar-se a orientar a cliente mediante uso de estratégia jurídica que a beneficie individualmente, o advogado parece tê-la orientado apenas a proteger a organização”, diz trecho da decisão proferida pela juíza Selma Rosane de Arruda, que decretou a prisão preventiva de José Riva nesta terça-feira (13).

Inicialmente, o advogado cuidaria apenas da defesa de Marisol Castro Sodré. Posteriormente, entretanto, ficou encarregado de “abordar e convencer todos os demais envolvidos a ocultarem a verdade”.

Riva teria colocado o advogado a disposição dos servidores antes de o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrar a Operação e efetuar as prisões temporárias. É que num primeiro momento, os servidores foram chamados a prestar depoimento em uma ação cível da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

Prova disso é que os envolvidos forneceram informações mentirosas em seus depoimentos prestados junto ao Ministério. Na oportunidade, os funcionários garantiram ter utilizado a verba de suprimento para compra de produtos essenciais ao funcionamento de um gabinete. Eles também teriam confirmado o recebimento de todo o material adquirido.

No entanto, ao checar as notas entregues pelos servidores, o MPE descobriu que eram falsas. No sistema da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso, não havia a movimentação dos produtos, sendo que empresários ouvidos declararam nunca terem fornecido nenhum produto para o Legislativo.

Por conta disso, o Gaeco viu a necessidade de efetuar a prisão temporária dos 20 servidores da Assembleia Legislativa e dois empresários durante a primeira fase.

“A verdadeira intenção seria não apenas frustrar as investigações e impossibilitar a descoberta da verdade, como também blindar o chefe e mentor das práticas criminosas, José Geraldo Riva”, diz trecho do despacho da magistrada.

Nery ocupou cargo comissionado na Assembleia Legislativa até fevereiro de 2015. O advogado também atua como defesa do social-democrata em diversos processos. Além disso, também figura como advogado de diversos nomes envolvidos em supostos esquemas na Casa de Leis.

“Daí a conclusão lógica é que quem forneceu o advogado, a Marisol e a outros servidores não foi a pessoa de Maria Helena, nem Geraldo Lauro, mas sim a organização criminosa, liderada por José Geraldo Riva”, afirma a magistrada Selma Rosane.

O ex-deputado foi preso no final de tarde da última terça-feira (13) quando saia de uma drogaria em Cuiabá. Ele é acusado de chefiar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 2,7 milhões dos cofres do Parlamento Estadual por meio de fraudes na utilização da verba de suprimento.

Conforme a juíza, a sua prisão se faz necessária para garantir a instrução processual, uma vez que ele já tentou atrapalhar o curso das investigações quando esta ainda estava em fase de inquérito.

“A realização de reuniões, as combinações espúrias, traçados de estratégias defendidas nada éticas. Abordagem de testemunha e de envolvidos, pressão psicológica e outras tramoias já ocorreram durante a fase de investigação. Certamente, serão os expedientes mais adotados durante a instrução criminal se a liderança da organização criminosa não for freada a tempo”, afirma Selma Rosane.

Além dele, também foram detidos preventivamente Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. O ex-auditor do Legislativo, Manoel Marques foi preso temporariamente e a sua residência foi alvo de busca e apreensão.

Acusado mais um governador ladrão do partido de Sarney, Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros

OPERAÇÃO SODOMA

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Governador Silval do Mato Grosso e mais cinco viram réus em ação

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Todos são acusados pelo MPE de extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa, podendo pegar mais de 40 anos de prisão

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por RAFAEL COSTA

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) agora é réu em ação penal oriunda da Operação Sodoma da Polícia Civil que o aponta como líder de um esquema de “venda” de incentivos fiscais mediante recebimento de propina. Isso porque a juíza da 7ª Vara Criminal Selma Rosane Arruda acatou denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) que lhe atribui os crimes de concussão (praticado por funcionário público onde se consegue vantagem indevida), extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também são réus os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio Cézar Correa de Araújo, e a funcionária da Fecomércio (Federação do Comércio), Karla Cecília de Oliveira Cintra. A soma dos crimes pode resultar em pena individual superior a 40 anos de reclusão. Todos tem o prazo de 10 dias para apresentar defesa à acusação.

A denúncia criminal afirma que o ex-governador Silval Barbosa é o chefe de um esquema de cobrança de propinas para inserir empresas no Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial) e assim usufruir de menor pagamento de impostos como o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviço).

“Um assombroso esquema de desvio de verbas públicas, seria liderado pelo denunciado Silval da Cunha Barbosa, então Governador do Estado de Mato Grosso, mediante fraude na concessão de benefícios fiscais do PRODEIC junto às empresas Tractor Parts Distribuidora de Autopeças LTDA, Casa da Engrenagem Distribuidora de Peças LTDA, e DCP Máquinas e Veículos LTDA (…) A denúncia narra que o acusado Silval da Cunha Barbosa e seus comparsas arquitetaram ardiloso plano, visando forçar e vincular as empresas sobreditas ao pagamento de parcelas mensais, a título de propina, dos quais foram os beneficiários”, diz um dos trechos.

O ex-secretário Pedro Nadaf teria a missão de levantar o dinheiro junto às empresas enquanto Marcel de Cursi seria o mentor intelectual ao oferecer seu conhecimento jurídico e tributário para garantir a prática das fraudes. O procurador aposentado Francisco Lima, conhecido como Chico Lima, e ex-chefe de gabinete Silvio Cézar Correa de Araújo, tinha a missão de “lavar” o dinheiro recebido com propina em factorings e empresas de recuperação de créditos.

A funcionária Karla Cecília Oliveira Cintra apontada como responsável pela operacionalização da lavagem do dinheiro.

Todo o esquema veio à tona com a Operação Sodoma da Polícia Civil. Em depoimento na Delegacia Fazendária, o empresário João Batista Rosa, um dos sócios do grupo Tractor Parts, confessou ter pago R$ 2,5 milhões de propina ao ex-secretário Pedro Nadaf.

O esquema de cobrança de propinas se arrastou até mesmo após a conclusão do mandato de Silval Barbosa. No período de maio a julho, o grupo político recebeu R$ 45 mil mediante extorsão de Pedro Nadaf ao empresário João Batista Rosa.

Além de favorecer o enriquecimento ilícito dos envolvidos, a cobrança de propina para empresas beneficiadas com incentivos fiscais serviu também para pagar dívidas de campanha do grupo político do ex-governador Silval Barbosa.

No Brasil todo defunto vira santo. Morte de corrupto não merece luto oficial. Isso acontece porque temos cidades com nome de torturador e de ladrão

 

 

Que uma família cultue e chore seus mortos um direito sagrado. Mas o Estado deve apenas homenagear e lembrar personalidades, cuja história sirva de exemplo para todos os brasileiros, principalmente quando exerceram cargos nos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Leio hoje: Pela morte do deputado estadual Walter Rabello (PSD), o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), decretou luto oficial por três dias. Por meio da Secretaria de Comunicação Social, o chefe do Executivo estadual disse lamentar a perda do parlamentar, que faleceu na noite desta terça-feira (9), aos 48 anos.

“O Walter fazia um grande trabalho e infelizmente nos deixou. Que Deus conforte sua família neste momento tão difícil”, disse o governador, em nota. Walter Rabello deixou a mulher, cinco filhas e duas netas. Além de deputado, ele também trabalhava como apresentador de TV e cantor.

Na sessão plenária desta terça-feira, Rabello fez um balanço de sua atuação parlamentar durante o primeiro semestre deste ano. Presidente da Comissão de Segurança Pública e Comunitária na Casa de Leis, ele comentou sobre os projetos que apresentou para melhorias nessa área.

Rabello começou na política em 2004, quando se elegeu vereador por Cuiabá e, dois anos depois, deputado estadual. Por mudar de partido, teve o mandato cassado por ‘infidelidade partidária’, em 2008. Na eleição de 2010, conquistou mais uma vez a cadeira. Este ano, foi reeleito com 27.232 votos.

Todo deputado do Mato Grosso é um Rabello em vida? Tem Rabello como modelo? Justa a homenagem, ele vai terminar nome de ruas e avenidas. De escolas e ginásios. De faculdade de comunicação social. Talvez de um algum presídio.

Major Curió nome de cidade

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Adorados como deuses, depois de mortos, Hitler teve derrubadas suas estátuas na Alemanha. Deixou de ser nome de cidades e monumentos. Aconteceu o mesmo com Stalin. Posso citar dezenas de ditadores na Europa do Século XX.

A estátua de Stálin derrubada pelo povo húngaro
A estátua de Stálin derrubada pelo povo húngaro

 

Por que não acontece o mesmo no Brasil? Resultado: São Paulo já realizou a quinta marcha pedindo o retorno da ditadura de 1964, que durou 21 anos.

A quinta marcha depois das eleições do segundo turno, para impedir a posse de Dilma Rousseff eleita, democraticamente, pelo voto direito.

É repugnante. O Brasil tem um município e cidade com o nome de Curionópolis, que homenageia o major Sebastião Curió, um assassino, um torturador, um ladrão, um traficante de minério.

 

Curionópolis fica no estado do Pará. Localiza-se na microrregião de Parauapebas e na mesorregião do Sudeste Paraense. O município tem 18.108 habitantes (2012) e 2 289 km² de área territorial.

Foi emancipado administrativamente em 1988. O município é notório por abrigar a Serra Pelada, que foi o local de operações do maior garimpo a céu aberto do mundo, durante a década de 1980. Um ouro que foi transportado de avião para vários países, principalmente o Uruguai.

Curió praticou todos os crimes que lhe deu na telha. Impunemente. Um deles. Foi condenado ao pagamento de R$ 1,1 milhão por improbidades administrativas ocorridas entre 2001 e 2004, durante sua penúltima gestão como prefeito do município. A decisão da Justiça Federal em Marabá foi publicada nesta quarta-feira, 25 de março, e suspende os direitos políticos de Curió por cinco anos.

A ação contra Curió e o então secretário de Finanças do município Wilson da Silva Marques foi ajuizada pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) em setembro de 2006. O juiz federal Carlos Henrique Haddad considerou que o ex-prefeito teve enriquecimento ilícito, fraudou licitações e feriu os princípios de honestidade e legalidade na administração pública. As acusações contra Marques foram rejeitadas pela Justiça.

Curió foi várias vezes prefeito. As irregularidades foram praticadas principalmente com verbas do Fundef. As fraudes vão desde a contratação de empresas fantasmas, uso de notas fiscais falsas, inexistência de processos licitatórios ou processos irregulares, entre outras. As investigações também detectaram que houve fraude na criação do conselho do Fundef, que provavelmente não chegou a funcionar durante o período pesquisado.

Em defesa dele, pode-se afirmar que, praticamente, todos os prefeitos desviam verbas federais e estaduais. Pobre país de prefeitos ladrões.

 

Quem é Walter Rabello?

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Apenas conhecido no Mato Grosso, Walter Rabello já foi denunciado pelas suas trapaças. Em maio deste ano, a imprensa publicou: A Secretaria Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, órgão ligado à Presidência da República, enviou um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Rubens de Oliveira, pedindo urgência no julgamento da ação penal que envolve o deputado estadual e apresentador de televisão Walter Rabello (PSD).

Ele é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de cometer crime de tráfico de influência e de pertencer a um grupo criminoso chefiado pelo empresário Julio Uemura.

No mês passado, o órgão solicitou ao presidente do TJ prioridade no andamento processual da ação penal, já que, segundo o órgão federal, existem testemunhas que estão sendo beneficiadas pelo Programa Nacional de Proteção a Testemunhas.

Relações com Uemura: “padrinho”

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Com uma relação estreita com o chefe da organização acusada de aplicar golpes e tinha o monopólio no setor de hortifrutigranjeiro em Mato Grosso, empresário Júlio Uemura, o deputado Rabelo afirmou que, caso vencesse a eleição para Prefeitura de Cuiabá, quando disputou em 2008, quem iria administrar a Capital seria o “padrinho” Uemura.

A revelação está contida na denúncia que os promotores Joelson Maciel e Célio Wilson, que atuavam no Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPE, encaminharam à Justiça, após a deflagração da “Operação Gafanhoto”.

O MPE colheu as declarações do parlamentar por meio de gravação telefônica autorizada pela Justiça. A conversa entre Rabello e Uemura e foi gravada um ano antes das eleições municipais, no dia 19 de outubro de 2007, às 11h15.

Rabello disputou as eleições para prefeito de Cuiabá e ficou em terceiro lugar. Informações extra-oficiais apontam Júlio Uemura como principal financiador da campanha do progressista ao Palácio Alencastro.

A denúncia oferecida pelo Gaeco e acatada pela Justiça aponta que Walter Rabello agia fazendo tráfico de influência, utilizando de sua influência política em benefício do grupo.

Conforme conversa telefônica, gravada no dia 28 de janeiro de 2009, às 19h13, o MPE considerou que ficou evidenciada a troca de favores em obtenção de uma série de vantagens, tais como patrocínios.

As gravações, conforme a denúncia, também revelam que Rabello pedia bênçãos ao “cabeça” da organização, com o tratamento de “chefe” e “padrinho”, revelando a estreita relação entre os dois denunciados pela Operação Gafanhoto.

“Conversas (…) relatam empréstimos concedidos por Júlio Uemura, como doação de cadeiras de rodas para seu programa”, revela trecho da denúncia do Gaeco. O programa “Olho Vivo na Cidade” era apresentado por Rabello na TV Cidade Verde, até então afiliada ao SBT, de onde ele foi demitido pelo dono da emissora, antes de oficializar sua campanha a prefeito de Cuiabá.

As investigações também mostram que, enquanto deputado estadual, Walter Rabello empregava em seu gabinete pessoas indicadas por Júlio Uemura, comprovando a existência de “troca de gentilezas” entre os denunciados.

“Walter Rabello, após solicitar o apoio financeiro de Júlio Uemura para realização de uma campanha beneficente (entrega de brinquedos no Natal), ressalta que colocará à disposição deste, uma vaga de assessor direto em seu gabinete”, relata denúncia, conforme conversa telefônica no dia 11 de dezembro de 2007.

 

O senador Blairo Maggi, um dos homens mais ricos do Brasil, está envolvido num inquérito que corre em sigilo no STF. Essa investigação secreta motivou a Operação Ararath da Polícia Federal no Mato Grosso. O governador Silval Barbosa foi preso e solto

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Mato Grosso 247 – O senador licenciado Blairo Maggi (PR-MT) está no centro de um inquérito sigiloso que tramita no STF e motivou a Operação Ararath, da Polícia Federal. Nesta terça-feira 20, a PF expediu 70 mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho de políticos e empresários do Estado. O ex-secretário da Fazenda Eder Moraes foi preso. O governador Silval Barbosa (PMDB) teve seu apartamento vasculhado pela polícia e recebeu ordem de prisão por porte ilegal de arma. Ele pagou fiança e foi solto.

A operação Ararath investiga lavagem de dinheiro e crimes financeiros por meio de empréstimos fraudulentos e empresas de fachada. O motivo pelo qual o senador Blairo Maggi é investigado continua sendo mantido em sigilo pelo STF e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O inquérito foi aberto no mês passado por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso.

Na quinta etapa da ação, os agentes federais também prenderam o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD) e o ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes. Houve buscas na casa do governador e na Assembleia Legislativa.

No entanto, a divulgação de detalhes do caso pela PF foi proibida, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Nota publicada pela coluna Radar On-Line informa que o pedido formulado por Janot foi acolhido pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, proibindo a divulgação de detalhes do caso.

Janot vai ao STF e impede PF de dar publicidade a operação que prendeu deputado estadual e ex-secretário da Casa Civil em Mato Grosso

Rodrigo Janot agiu para a Polícia Federal trabalhar em silêncio: entrou com uma representação no STF exigindo que a PF não desse nenhuma publicidade à Operação Ararath, realizada hoje de manhã, em Cuiabá, para combater um esquema de lavagem de dinheiro.

Leia mais pelo site Mídia News

Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais lideram a lista de trabalho escravo

O Brasil tem 579 empregadores na lista suja como escravocratas

 

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Atendendo ao disposto na Portaria Interministerial MTE/SDH nº. 2, de 12 de maio de 2011, que disciplina o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo, torna-se pública a atualização semestral datada de 30/12/2013.

Nesta atualização semestral foram incluídos os nomes de 108 (cento e oito) novos empregadores, bem como foram reincluídos 2 (dois) empregadores em razão de determinação judicial e excluídos 17 (dezessete) empregadores em decorrência do cumprimento dos requisitos administrativos.

O Cadastro possui atualmente 579 (quinhentos e setenta e nove) nomes de empregadores flagrados na prática de submeter trabalhadores a condições análogas à de escravo, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Desse total, o estado do Pará apresenta o maior número de empregadores inscritos na lista, totalizando 26,08%, sendo seguido por Mato Grosso com 11,23%, Goiás com 8,46% e Minas Gerais com 8,12%.

Os procedimentos de inclusão e exclusão são determinados pela Portaria Interministerial MTE/SDH nº. 2/2011, a qual dispõe que a inclusão do nome do infrator no Cadastro ocorrerá após decisão administrativa final relativa ao auto de infração, lavrado em decorrência de ação fiscal, em que tenha havido a identificação de trabalhadores submetidos ao “trabalho escravo”. Por sua vez, as exclusões derivam do monitoramento, direto ou indireto, pelo período de 02 (dois) anos da data da inclusão do nome do infrator no Cadastro, a fim de verificar a não reincidência na prática do “trabalho escravo”, bem como o pagamento das multas decorrentes dos autos de infração lavrados na ação fiscal.

Cumpre asseverar que o MTE não emite qualquer tipo de certidão relativa ao Cadastro, sendo certo que a verificação do nome do empregador na lista se dá por intermédio da simples consulta ao Cadastro, que elenca os nomes em ordem alfabética.

A última atualização foi de dezembro de 2013.

MALABARISMOS. Senador do DEM, amigo de Gilmar Mendes, tem processo ‘esquecido’ na gaveta de Barbosa

Prescreve em 6 de outubro crime de peculato do qual é acusado Jayme Campos por desvio de verbas federais de saúde quando era governador de Mato Grosso, em 1994

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por Helena Sthephanowitz

Na tarde do dia 2 de maio de 2013, nove meses atrás, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento do Inquérito 2606, instaurado a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o senador Jayme Campos (DEM), acusado de peculato e de burlar a Lei de Licitações quando era governador de Mato Grosso, em 1994, quase 20 anos antes – o MPF constatara que Campos teve participação no desvio de verbas federais da Saúde para compra de equipamentos e materiais hospitalares, através de superfaturamento com dispensa de licitação de forma ilegal.

A sessão do STF não condenaria nem ao senador, nem a ninguém. Apenas decidiria se a denúncia seria acatada para virar processo ou não.

Naquele dia, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, viajava para a Costa Rica, para onde fora convidado a acompanhar a celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Presidia a sessão o vice-presidente da Corte, Ricardo Lewandowski.

O julgamento foi interrompido por sugestão de Celso de Mello, acatada pelos demais ministros após o voto de Luiz Fux, que se manifestou favorável a abrir o processo contra Jayme Campos. Lewandowski proclamou a decisão do adiamento, dizendo que estava ali interinamente e por isso deixaria para Joaquim Barbosa remarcar nova data para continuar a apreciação da denúncia do MPF.

Mas o inquérito 2606 entrou na pauta do STF para ser retomado no dia 23 de maio de 2013 – e não foi julgado. Apareceu na pauta de novo nos dias 13 de junho, 20 de junho, 25 de junho, mas nada de o julgamento continuar em nenhuma desta datas. Depois disso, o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, não colocou mais em pauta, e a apreciação plenária da matéria continua em aberto. No próximo dia 6 de outubro, o crime de peculato de que Jayme Campos é acusado prescreverá.

O senador não é o único a desfrutar da impunidade com as prescrições e com o engavetamento do inquérito. Ao não colocá-lo em julgamento, o ex-secretário estadual de Saúde do Mato Grosso Domingos Sávio Pedroso de Barros e o então presidente da comissão de licitação do governo daquele estado, Moacy Lopes Suares, também ficarão impunes.

Jayme Campos articula candidatar-se à reeleição ao Senado coligado a Pedro Taques (PDT) para governador. Antes desta articulação com Taques, ele lançou a candidatura a governador de Mato Grosso nada menos que Gilmar Mendes, também ministro do STF e seu conterrâneo. Convidou-o a filiar-se ao DEM. Campos disse aos jornais que tinha uma relação de amizade, admiração e respeito por Mendes. O ministro declinou do convite.

Pelo andar da carruagem no STF, a ficha de Jayme Campos estará sem este processo quando apresentar-se ao eleitor nas eleições deste ano. E no dia seguinte ao primeiro turno da eleição, mesmo que ele perca nas urnas, terá o que comemorar: a prescrição do peculato.

Não se defende aqui a impunidade de ninguém, seja de onde for, venha de que partido vier. Mas é impossível não lembrar que, enquanto os réus petistas da Ação Penal 470 tiveram processo aberto em dois anos, e foram condenados seis anos após a denúncia, Jayme Campos está há seis anos denunciado no STF, mas nem sequer tem processo aberto por atos cometidos há quase 20 anos. E a um passo da prescrição.

Por essas e tantas outras, quanto malabarismo garantista…

Assista à sessão do STF que iniciou o julgamento do mérito do inquérito contra Jayme Campos (Transcrito da Rede Brasil Atual)

 

Falta tudo no Pronto Socorro de Cuiabá

Carta aberta da médica-cirurgiã Eloisa Curvo para a população e autoridades de Cuiabá e a quem mais possa interessar

Médica-cirurgiã Eloisa Curvo
Médica-cirurgiã Eloisa Curvo

Como membro do grupo de cirurgia geral do Pronto Socorro de Cuiabá, MT, quero divulgar uma vez mais o que já é do amplo conhecimento das autoridades e da população dessa Capital.

Faço isso porque não me conformo e não vou me conformar nunca (nunca serei acomodada ou conivente) em trabalhar num ambiente tão hostil no que se refere às condições para o bom desempenho do meu trabalho.

Só para fazer um idéia, segue abaixo lista dos materiais que, no dia 23 de fevereiro (meu plantão), não existiam naquele local.

A falta desses materiais compromete em demasia o atendimento aos pacientes, principalmente quando se trata de urgência e/ou emergência, o que é a maioria dos casos que chega aquele local.

É estarrecedor o descaso e a falta de compromisso que existe em relação às necessidades primordiais do ser humano que, porventura, necessite dos serviços de saúde no Pronto Socorro de Cuiabá.

Falta praticamente tudo, desde uma lâmpada de laringoscópio (para entubar paciente usa-se flash de celular), bolsa de colostomia, lâminas de bisturi, drenos, etc até materiais mais simples como esparadrapo e micropore.

A lista é enorme.

A sala A está desativada por falta de carrinho de anestesia, mesa cirúrgica, monitor, oxímetro e o aparelho de ar condicionado está com vazamento e a sala D está com foco queimado. Falta óculos de proteção para diminuir os riscos de contaminação, uma exigência primordial no atendimento a um paciente portador de HIV, por exemplo.

Como plantonista da cirurgia sinto-me agredida por, muitas vezes, não poder oferecer o tratamento mais adequado ao paciente por falta de condições.

Sinto-me agredida como médica e como pessoa, ter que submeter o paciente a uma conduta de maior risco por falta de material, além do estresse que isso ocasiona em toda a equipe.

É bom que se saiba que todos estão sujeitos a serem encaminhados para o Pronto Socorro caso tenham a desventura de sofrer um acidente na rua e forem atendidos por uma das ambulâncias do SAMU.

Mesmo que tenham plano de saúde e acesso à rede hospitalar privada, o primeiro local de atendimento é o Pronto Socorro Municipal.

Por isso, ricos e pobres, autoridades ou pessoas do povo, todos estão sujeitos a sofrer as agrúrias de um hospital que se encontra em condições materiais lamentáveis, como tem sido há muito tempo a realidade do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá.

Portanto, o problema é de todos: dos profissionais da saúde, das autoridades e de toda a população.

Relação de materiais em falta no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (levantamento realizado pela equipe médica e de enfermagem em todos os setores do hospital no dia 23/02/2014)

Esparadrapo
Micropore
Gaze estéril
Bolsa para colostomia
Coletor de urina sistema fechado
Tubo endotraqueal número número 8, 8,5 e 9
Sonda de foley número 16 duas vias
Agulha 25 x 8
Óculos de proteção
Lâmina de bisturi número 23
Lâmina de bisturi número 24
Pilha média
Pilha grande
Dreno penrose números 1,2 e 3
Omeprazol 40 miligramas injetável
Gentamicina 80 miligramas injetáveis
Neocaina isobárica ampola
Descarpack 13 litros
Fios: mononylon 2.0 agulhado, mononylon 0 duplo agulhadO, vicryl 1 e 2 para fechamento aponeurose
Dreno de tórax número: 26, 28, 30, 32, 34, 36 e 38
Tela de prótese (para correção de hérnias)
Água destilada 1000ml
Ranitidina injetável
Lâmpada para laringoscópio

No Centro cirúrgico:
Sala A: sala desativada por falta de: carrinho de anestesia, mesa cirúrgica, monitor e oxigênio. O ar condicionado está com defeito apresentando goteira com água suja proveniente do telhado, quando ligado contamina o local da mesa cirúrgica.
Sala D: foco queimado
Faltam frasco aspira eficiente em todas as salas
As canetas dos bisturi elétricos não encaixam adequadamente nos aparelhos sendo necessário “gambiarras” em todas as cirurgias para o seu funcionamento, expondo tanto a equipe médica, de enfermagem quanto os pacientes a risco de choque elétrico.
RPA – recuperação pós anestésica: oxímetro e monitor

secretário  saúde  Cuiabá